A mulher cereja estranha

Para que o relato fique bem entendido, vou lembrar que passei o último ano morando numa região da Galiza. Pra mim, pra não perder a cabeça e recuperar o ânimo, meu remédio particular era correr por trilhas e montes, respirando ar puro. Tinha dias que, dependendo do ânimo, eu chegava a correr mais de três horas tranquilamente e num bom ritmo. O esgotamento causado pela corrida e pelo esporte em geral me deixava acabado e eu dormia perfeitamente como um bebê. No meu retorno ao mundanal ruído, mantive o mesmo costume e me inscrevi e corri uma maratona por uma causa beneficente. No fim, não foi bem o que se diz uma maratona, mas foi legal, e um dos responsáveis ou colaboradores do evento, que eu conhecia de vista, quis falar comigo.

Na primeira parte da conversa, percebi que ele sabia mais sobre mim do que eu poderia imaginar, algo que me deixou desconcertado. Ele tinha uma franquia com várias "filiais", "escritórios" ou "lojas" e, como hobby, organizava ou colaborava com eventos desse tipo. Depois de me dizer parte do que sabia sobre mim, começou a conversa:

— Te vi correndo outros dias pela margem do rio e hoje te vi melhor. Você corre muito melhor que no ano passado, ritmo consistente e estável, boa gestão do esforço, não se vê um esgotamento extremo e você se recuperou rápido. Sua passada foi boa e eficiente, sua respiração você levava bem controlada...

— Desculpa te interromper... agora é quando você se ajoelha e se declara?

— Jajajajaja, me desculpa, você tem razão, cheguei de um jeito errado. Me chamo Enric e estou procurando alguém como você pra uma corrida diferente dessa, não sei se você já ouviu falar das Ultra Trail, supermaratonas ou ultramaratonas...

— Sinceramente, não, já tenho o suficiente com essas e não me interessa. Já tenho meu trabalho e pelo que você me diz ou pelo que eu entendo, você procura gente pra correr nessas provas e eu não sou profissional.

— Justamente por isso que eu reparei em — Você não corre pra ganhar, corre pra chegar e dosa muito bem o ritmo. Eu também não me dedico a isso profissionalmente, meus negócios são outros, antes eu corria, mas um acidente desgraçado me tirou desse tipo de corrida. Estamos preparando uma fora da Espanha, que é por equipes ou melhor dizendo, por duplas, e é aí que você entra.

— Se você não pode correr e pra mim é a primeira vez... onde tá a graça?

— Eu não disse que você faria dupla comigo, porque são duplas mistas, seria com uma mulher experiente nesse tipo de corrida. É uma corrida diferente, desse tipo é a primeira, queremos ver o resultado.

— E que mulher é? Ela correu aqui hoje?

— Não correu e é minha mulher. Ela é muito preparada.

Depois ele me explicou onde treinavam e me pareceu que era a mesma coisa que uma captação pra me cadastrar naquela academia e rapidinho, não sei se ele percebeu, me deixou claro que eu perguntasse por ele lá na entrada, que eu não precisava me cadastrar. Em seguida, me deu um cartão dele onde além do nome vinha o que ele fazia e isso me deu um pouco mais de confiança. Fiz várias ligações até que encontrei alguém que conhecia esse sujeito. Contei o que tinha acontecido e ele me disse que eram boas pessoas, ele e a mulher.

— Ele é um cara gente boa, muito esportista até que se meteu numa viagem de moto, ficou fodido, mas se recuperou, apesar de alguma pequena limitação numa das pernas. Pode confiar nele, é uma distração, já que não têm filhos, ele se dedica a esse tipo de coisa. A mulher dele, a Nuria, é mais complicada, porque não é que seja má pessoa, vou dizer que é meio esquisita.

— O que você quer dizer com esquisita?

— Cara, eu não me meto com a condição sexual de ninguém, mas essa é assexual e isso já a torna esquisita, claro, como diz minha mulher e outras, como vão ter filhos se não tem assunto.

— Mas isso é problema dela e, no caso, do marido, não dos outros.

— Não é só isso. Você vai na academia, conhece a senhora Cereja e depois você me conta na próxima vez. A conversa não rendeu muito mais e eu entendi que o sobrenome dela era Cereja. Vou à academia e Enric está de bermuda e camiseta, tá mega forte e musculoso, com várias cicatrizes visíveis em uma das pernas. Depois de nos cumprimentarmos, ele me diz pra esperar um segundo e fala no celular. Enquanto isso, fico de olho numa mulher que tá fazendo exercícios de força. Não chegava aos 40, 1,70, magra, cabelo castanho escuro, enrolado como se fosse uma ensaimada, olhos cor de âmbar. O peito é difícil de saber com exatidão porque ela usava um top esportivo que comprime. Legging justa daquelas que é como se abrissem a bunda e o cuzinho com um formato bom e, pra ser tão magra, se via grande mas não exagerado. E o resto do corpo com uma silhueta muito boa. Ela me viu, se virou e eu percebi, mesmo que ela disfarçasse, que me observava através do espelho. Enric, quando termina, se aproxima e me leva até essa mulher e me apresenta como Nuria, como meu amigo tinha dito. Nada de dois beijos, ela me estendeu a mão e eu queria que mais de um homem apertasse a mão como ela apertou a minha. A conversa foi curta e ela me marcou, ou nos marcou, pro sábado pra correr. Porque ela disse que não era do tipo que gosta de fazer papel de ridícula. Evidentemente se referindo à minha capacidade de correr e se eu dava conta do recado. Nuria estava toda de vinho, mas olhando bem podia ser cor cereja, incluindo as unhas e o batom, porque tava impecável na academia. No sábado ela só disse, além do bom dia —se você ver que não consegue acompanhar meu ritmo, me avisa e a gente aborta a corrida—, disse num tom que, embora não fosse arrogante, era condescendente. Nesse dia ela tava com outro tipo de roupa mas da mesma cor cereja. Começamos a aquecer e eu ficava fascinado com a flexibilidade que aquele corpo tinha e em alguns dos exercícios de aquecimento dela, me excitava a forma que a bunda dela tomava. Era cedo e ainda não fazia calor, mas o dia não ia perdoar. Desde o início o ritmo dela era alucinante, mas não algo que não desse pra aguentar, embora se eu tivesse puxado a marcha, seria num ritmo mais baixo. Eu nem sabia quanto a gente ia percorrer, era a área de uma represa e depois de mais de uma hora e meia, vi o carro do Enric. Quando paramos, ela de forma solene disse —me enganei, não é só fachada e um garoto bonitinho, pode valer—, de novo aquele ar de superioridade ou de amargurada. Não quis dizer nada naquele momento, mas no dia seguinte o Enric me trouxe um caderninho montado por ele e imagino que, com a participação da mulher dele, pra eu saber as regras da corrida, exercícios pra me preparar etc.     —Olha, você não me cai mal, mas não gosto da atitude da sua mulher, do jeito que ela fala comigo... você aguenta, mas eu não tenho por que— falei. Ele ficou branco e sem saber o que dizer, porque não esperava e suponho que não estava acostumado com esse tipo de resposta. Tentou me convencer e dizia que a mulher dele, uma vez que a conhecia, a gente via de outro jeito. Não mudei de opinião e ele foi embora.     A mulher se fez de encontro comigo, achei engraçado, não o "encontro" mas o figurino dela, dessa vez não era cor cereja, mas o modelito que ela estava usando era mais ou menos do mesmo estilo. Cor única e o resto tudo combinando. Unhas, maquiagem, sandálias... o melhor as pernas, porque ela estava de minissaia e dava pra notar a musculação e tonificação, eram umas pernas pra fazer não uma, pelo menos duas ultras Trail e sem descanso. Acabou me convencendo ou as pernas dela acabaram me convencendo, pra falar a verdade, fui muito facinho. Os dias seguintes foram uma voragem. Seria uma semana muito intensa. Mesmo assim, me faltavam dados e foi no dia que saímos de viagem, no avião, Enric sentado no meio dos dois, dando explicações detalhadas e conforme ia falando, meu estômago estava revirando e eu pensava que alguém tinha perdido o juízo, mas muito. O que me deixava fora de jogo era a indiferença que o Enric mostrava e a A naturalidade com que Nuria recebia a informação. Eram uns percursos de loucos e de distância nem falo, minha cabeça era uma calculadora e a gente saía amanhecendo e no melhor dos casos chegava anoitecendo. Uma coisa estava clara: quem não chegasse nos tempos fixados, ia pra casa e não valia que um fizesse o tempo certo. Tinham que ser os dois. O que eu via como impossível ou quase impossível. Principalmente, a terceira jornada, era uma etapa de morrer. Fiquei o resto da viagem sozinho olhando os percursos, que além disso o Enric tinha deixado anotações, pra que a gente soubesse em detalhe onde estavam os piores trechos e onde os melhores pra recuperar, pois bem, os melhores eram uma loucura. Ao chegar tinha muita camaradagem porque praticamente todos se conheciam. O Enric, enquanto a mulher dele ia cumprimentando todo mundo, terminou de me explicar a parte do funcionamento. No final da etapa ele estaria lá pra nos receber, depois que visse que a gente estava bem ele iria pro próximo ponto e foi aí que ele me disse que a gente ia dormir em barracas. A manhã estava muito fria e a correr. Passados os primeiros 12 km, comecei a ter dificuldade de acompanhar a Nuria, que ia tranquilaça. Tinha trechos que me lembravam a Galiza e isso eu gostava, mas outros eram simplesmente uma tortura pras pernas. Embora enquanto minha cabeça funcionasse bem, o resto do corpo aguentaria. Cada vez que a gente passava por um ponto de abastecimento, a Nuria me avisava o que pegar e o resto nem olhar, era como um sargento. No quilômetro trinta e pouco, me deu uma leve fraquejada, —VAMO PELAYO, NÃO ME FODE, AGUENTA, AGUENTA... TOMA O MARRON, O MARRON— ela tinha percebido e eu dizia que estava bem que não se desesperasse. Ela mordeu o plástico do "marron" como ela dizia e me fez tomar, era um xarope de glicose ou algo parecido, depois ela tinha preparado tipo um suco e eu bebi. Não sei o que era, mas me deu mais força. Chegamos com um tempo muito bom, o que alegrou a Nuria. Eu queria ir pra barraca que me coube e cair no sono. Não me deixaram, me levaram pra comer alguma coisa. Peguei um pratão de espaguete à bolonhesa e foi puro tesão. Nuria ria e Enric também, se despediu, me disse pra descansar bem e que minha barraca era a número 14. Assim que terminei de jantar fui tomar um banho quente em uns banheiros montados pra isso. Depois cheguei na barraca 14 e caí no chão sobre um colchonete 2X2, tava pra tirar foto. Pelado, só de cueca boxer nova, não era minha marca de sempre e essas eram tipo um torniquete pro meu pau de tanto que apertavam, mas era meu tamanho segundo a etiqueta. Já tava num nirvana, quando abre a barraca e aparece de roupão a Nuria, —Como tá meu ccompilationompi? Pronto pra amanhã?— só de lembrar do dia seguinte cortou todo o clima e me perguntei de onde ela tinha tirado um roupão e ela, imaginando, me disse que o Enric era o carregador dela. Tava mais relaxada e simpática, imagino que porque no fim fizemos um tempo muito bom. Que pra mim, chegar inteiro já bastava. Não tinha força nem pra abrir os olhos, muito menos pra falar. Até que ela tirou o roupão e ficou pelada da silva. O corpo dela era tipo uma escultura linda, a bunda grande e linda, e quero deixar claro, quando digo grande, é porque não encaixava naquele corpo tão magro e fibrado, mas os peitos dela também não encaixavam, mesma coisa. Bem lindos, chamativos e com uma caída que ficava sensual. E na buceta dela tinha um belo mato de pelo. Vestiu um pijama e ficou me olhando: — É que você nunca viu uma mulher pelada? Ou faz muito tempo que não vê uma? — (MENTI) Você se engana porque eu não tava olhando pra você ou bom, tava sim, mas o que eu olhava era essa tatuagem que você tem. Nunca vi nenhuma igual. Porque não cheguei a ver direito, mas parecia algo meio diabólico, estranho, embora esteja escrito "MENS SANA IN CORPORE SANO" — Jajajajaja, você repara mesmo... — E o faz muito tempo que não vejo uma mulher.
— Porque o Enric já me contou o que aconteceu com você e aquela grande vadia.
— Melhor a gente dormir que amanhã vamos precisar estar descansados.
Em nenhum momento vi que ela deu uma olhada pro meu pacote que estava bem marcado. No meio da noite e sem querer, me acordei meio zonzo, colado na bunda dela e com meu pau a todo vapor. Me afastei e ela continuava dormindo. De manhã acordamos ao mesmo tempo, ela colocou peças esportivas tanto em cima quanto embaixo, terminamos de nos arrumar e fomos tomar café da manhã, que mais que café da manhã era uma refeição de verdade. Era uma etapa pior que a do dia anterior, mas imaginando a bunda dela, fodendo ela mentalmente, a corrida ficava mais suportável. Num trecho de subida, ela vira um pouco a cabeça pra me avisar que vem uma área pedregosa e cuidado ao pisar, e me pega olhando descaradamente pra bunda dela, mas também normal pela posição de cada um. A única coisa que eu ficava pensando por causa do pedregal era, que pena que ela era assexual.
Terminamos como no dia anterior, não em primeiro, mas em boa posição. E vários tiveram que desistir. Que era o que eu ficava pensando comigo mesmo, pelo menos não me tiraram na primeira. A terceira etapa era mortal segundo diziam e de tanto ouvir tanta coisa já estavam me deixando cagado de medo, Nuria tirava a importância, mas dava pra notar que ela falava isso pra não me assustar. Eu já tinha tomado banho e estava na barraca, olhando o percurso do dia seguinte, estudando todos os dados minuciosamente, quando Nuria entra.
Ela tira o roupão, fica de novo pelada, pega meu caderno e depois se ajoelha entre minhas pernas. Ela abaixa minha cueca dizendo —precisa tirar sua tensão, senão amanhã nem olhando pra minha bunda você vai aguentar—, a próxima coisa que ela diz ao ver meu pau —abençoado badalo que você tem. Agora vamos ver pra que você presta—, nada de preliminares, me pergunto se ela tinha camisinha, falei que não, porque não achava que ia ter tempo pra transar, —UUUMMMM— ela suspirou ela, —então cuidado se você for do time que goza rápido— e peguei meu pau, ela sentou em cima de mim sem mais cerimônia, com os joelhos apoiados de cada lado dos meus quadris, e começou a se mover devagar, procurando o ângulo, como quem experimenta sapato novo. Eu a segurava pela cintura, ainda sem acreditar, olhando como aquele corpo de gazela se arqueava em cima de mim. Mas em poucos segundos ela parou de testar e começou a cavalgar de verdade. E aí a máscara caiu.

—Caralho... caralho, caralho, caralho...— começou a soltar entre os dentes, cada vez mais alto. —Mas onde você enfiou isso, Pelayo? Onde caralhos você tava escondendo esse pau?—

Tinha ido embora toda a arrogância da academia. A mina que um mês atrás me olhava por cima do ombro agora se agarrava aos meus peitorais, cravando as unhas, e falava comigo como se me conhecesse a vida toda. —Nunca... nunca tinham me preenchido assim— ela ofegava, jogando o cabelo moreno pra trás. —Meu marido... que o Enric não fique sabendo, mas meu marido tem ele normalzinho, sabe? E eu passei anos achando que era eu, que era apertada, que era frígida... HA! Frígida. Que mentira.—

—E o negócio de assexual?— soltei, segurando o riso e o gemido ao mesmo tempo.

—Bulo. Bulo que se espalhou e ficou— respondeu, mordendo o lábio. —Assexual, assexual... se o povo soubesse como a minha buceta tá apertando agora...—

Ela se inclinou pra frente, apoiou as mãos no colchonete dos lados da minha cabeça e ficou com o rosto a um palmo do meu. Começou a mover os quadris em círculos, se empalando sozinha contra mim, e me olhava nos olhos com uma fixidez que dava um pouco de medo. Eu, enquanto isso, subi as mãos pelo torso dela e torturei os mamilos, e aí sim escapou um gemido de verdade, longo, gutural. Ela mordeu o punho pra abafar, olhando de esguelha pra lona da barraca, vai que o acampamento inteiro ouvisse.

—Não para com isso— me disse, tirando o punho. —Os mamilos não, que você me mata.— Fiz meia obediência e continuei. Eu agarrei as tetas dela, lindas, pesadas, com aquela caída sensual que dava o seu charme, e apertei enquanto ela cavalgava. O ritmo já era selvagem. A barraca rangia, o colchonete se mexia, e eu não tava nem aí se toda a organização da ultramaratona nos ouvisse. Ela gozou a primeira vez assim, em cima de mim, com um suspiro longo e as unhas cravadas no meu peito. Senti como tudo nela se contraía, como me ordenhava por dentro, e por pouco eu não fui junto. Aguentei. Não sei de onde tirei força, mas aguentei. E assim que se recuperou do orgasmo, em vez de parar, ficou mais feroz. Começou a rebolar pra trás, a buscar o fundo, e sussurrava coisas no meu ouvido que eu não esperava de uma mina que combinava tudo até as unhas. —Que cacete grande, Pelayo... você tá me deixando toda... toda... você sabe o que é isso? Tô esse tempo todo correndo do seu lado sem saber que você ia me abrir assim... Eu já não conseguia nem responder. Só aguentava. —E você não goza, né?— ela se afastou um momento pra me olhar, incrédula. —Você não gozou. Como aguenta tanto, desgraçado?— —Dosagem— eu disse, e ela riu pra caralho, ali, nua em cima de mim. —Dosagem, ele diz. Dosagem o desgraçado.— E voltou pra cima. Segunda vez. Dessa vez ela pegou meu rosto com as duas mãos, se inclinou pra frente e me beijou enquanto continuava se movendo. Um beijo sujo, com dentes. E quando eu tava quase, ela mordeu meu lábio, mordeu de verdade, até doer, e gozou de novo com um gemido abafado na minha boca. Todo o corpo dela tremeu e ela ficou uns segundos tremendo em cima de mim. Aí eu senti que não aguentava mais. Tava sentindo ela tão apertada, tão quente, com aquele corpo suado colado no meu, que a coisa vinha sim ou sim. —Nuria... que eu vou gozar— avisei. —Que eu tô gozando já.— E a muito puta se levantou de um salto, sem mais. Saiu de mim de repente, e eu fiquei com o pau de fora, brilhando dela, prestes a explodir. —Onde você tá querendo correr? — ela me perguntou, com toda a calma do mundo. — Na boca ou no cu? —
Não me deu nem tempo de responder. Antes de eu abrir a boca, ela já tinha se virado, ficado de quatro, com as costas arqueadas e aquela bunda grande e redonda apontada direto pra mim. Mexeu um pouco, me provocando, e virou a cabeça pra me olhar por cima do ombro.
— Se decide, Pelayo. Senão o arroz passa. —
E ali na minha frente eu tinha. Aquela bunda que há dias tava me deixando louco em cada trecho de subida, agora aberta pra mim. Peguei um pouco de saliva e passei no pau, já escorregadio por causa dela, e com os dedos preparei ela um pouco. Dava pra sentir que tava molhada da própria buceta, ainda escorrendo do segundo orgasmo, então peguei um pouco daquilo e levei pra trás. Quando toquei o ânus dela, escapou um suspiro.
— UUUUUHHHHMMMM... ISSO... AÍ... — murmurou, e empurrou um pouco pra trás. — Aí também você vai me encher, vai ver. —
Coloquei a ponta na entrada e empurrei devagar. Custou, como não ia custar com o que ela levava. Mas ela aguentou firme, respirou fundo, e foi empurrando pra trás sozinha, enfiando aos poucos meu pau até colocar tudo. Quando não sobrou mais nada, ficou parada um segundo, com a respiração entrecortada.
— Bendito badalo — repetiu, dessa vez com um fio de voz. — Que você tá me partindo no meio, filho da puta. —
— Tá doendo? — perguntei.
— Doendo? Dói gostoso, Pelayo. É uma dor excitante.
E começou a se mexer. Devagar no começo, procurando o ritmo, com as mãos agarradas no colchonete e as costas arqueadas como uma gata. Eu segurei ela pelos quadris e fui guiando, até a gente achar o vaivém. Aí ela levou a sério. Cada estocada minha arrancava um resfôlego dela, e ela empurrava pra trás pra enfiar tudo. A barraca inteira rangia agora, não tinha como disfarçar.
— PORRA, PELAYO... PORRA... — com a voz mais alta. — Que o acampamento inteiro saiba. Que o Enric saiba. Que todo mundo saiba todo mundo.— O prazer a fazia desvariar. —E o que a gente fala pro Enric?— perguntei, entre uma estocada e outra. —Nada— disse ela, rindo. —Que ele não saia daqui e depois a gente vê.— Acelerei. A bunda da Nuria era um espetáculo: grande, firme, redonda, e a cada empurrão a pele tremia. Peguei uma nádega com cada mão e apertei, separei pra ver como entrava e saía dela. E a gostosa, enquanto isso, tinha voltado a enfiar a mão por diante, procurando a buceta, gozando uma terceira vez enquanto eu metia por trás. —Pelayo... vou gozar de novo... não para... não para...— E não parei. Aguentei o suficiente pra sentir ela se apertar de novo em volta de mim, e quando não aguentei mais, finalmente gozei, dentro do cuzinho dela, agarrado naquelas coxas, com um grunhido que com certeza deu pra ouvir na loja do lado. Me esvaziei nela como se estivesse há meses sem gozar. E a verdade é que, de certo modo, tinha sido assim mesmo. Fiquei por cima uns segundos, apoiado, recuperando o fôlego. Ela foi se deixando cair aos poucos até deitar de bruços, com as pernas abertas e o rosto virado de lado sobre o colchonete. Saí devagar e me deitei ao lado dela. —Bom— disse ela, sem abrir os olhos, com um sorriso de gata. —No fim, parece que você é confiável mesmo.— —Isso— respondi. —Mas amanhã, a terceira etapa.— —A terceira etapa— repetiu, e riu. —Pelayo, depois disso a terceira etapa eu como com farofa.— Se levantou sobre um cotovelo, me olhou de cima a baixo e depois jogou o cabelo pra trás. —Agora dorme de uma vez— disse, e passou a mão pelo meu peito. —E amanhã, se quiser, a gente continua falando da sua dosagem.— Disse dosagem com um tom que prometia mais do que tinha acontecido naquela noite. E ficou ali, nua ao meu lado, com aquela tatuagem estranha nas costas, o "MENS SANA IN CORPORE SANO" que já não me parecia tão sano, porque aquele corpo, com certeza, era o mais safado e o mais gostoso que eu tinha pegado em muito tempo tempo. Fiquei olhando pra ela um tempo antes de fechar os olhos. E pensei, já meio dormindo, que o amigo que me avisou que a dona Cereja era "estranha" não tinha porra nenhuma de ideia do que estava perdendo. Na manhã seguinte, antes do despertador tocar, o celular da Nuria já estava vibrando em cima do colchonete. Ela, ainda com o sono grudado nos olhos, olhou pra tela e me mostrou. —É o Enric.— Atendeu e colocou no viva-voz, meio de propósito meio sem querer, e ficou deitada de barriga pra cima, cobrindo em parte aquele corpo que na noite anterior tinha me deixado seco. Eu, do lado dela, escutava. —Bom dia, campeões— disse a voz do Enric, animada. —Hoje é a pesada, né? A terceira. Queria ouvir a voz de vocês antes de saírem, dar uma força.— —Bom dia, Enric— respondeu ela, com uma voz que não reconheci de todo, mais suave, mais doméstica. —Aqui estamos, nos preparando.— —E o Pelayo? Como tá o moleque? Porque hoje é das de verdade. Você acha que ele aguenta, ou vai me trazer ele de volta todo arrebentado?— —Aguenta— disse ela, rápida. —Não sei, não sei...— duvidou ele. —Hoje são sete horas de trilha, e a última parte é criminosa. O moleque corre bem, mas aguentar do seu lado na etapa dura...— —Que aguenta, Enric. Tô te falando. É um touro.— —Um touro— repetiu ele, com uma risadinha. —E se ele fraquejar? Tem plano B?— E aí ela virou de lado, me olhou com um sorriso torto, e disse, bem tranquila: —Se eu ver ele fraquejar, eu falo que meu rabo é dele. E isso faz ele voar, você vai ver.— O Enric ficou calado um segundo. Depois soltou uma gargalhada. —Capaz você seria. Capaz você seria de falar e de cumprir.— Ficou um momento pensativo do outro lado. —Mas ó, não fica de gracinha com ele, tá? Que o moleque tem fama. Fama de duas coisas: de bom fodedor e de pirocudo. Sei de boa fonte.— Nuria caiu na risada, tapando a boca com as costas da mão. —E quem te contou isso?— —Um que conhece ele. Um que se chama igual do que você, vai.— E ele riu também. —Vamos, sério. Hoje quero vocês dois inteiros e em uma peça. Cuidado com o trecho das pedras, que no ano passado gente se machucou ali. E se precisar parar, para, que a corrida não vale uma lesão. Promete pra mim?—
—Prometido e o Pelayo acabou de chegar, tô te falando pra você não ir falar algo que não deve— disse ela.
—Prometido, embora eu não saiba o que tô prometendo, kkkkk— disse eu pra ela saber que eu tava ali.
—Ah, oi, touro!— me cumprimentou o Enric, morrendo de rir. —Então bora, vai pra cima. No final da etapa eu espero vocês. Um abraço pros dois.— Desligou. A Nuria deixou o celular de lado, se espreguiçou como uma gostosa e olhou pra mim.
—O quê?— falei.
—Nada. Que seu amigo tinha razão. Você tem fama.—
—Fama de quê—
—De pirocão, Pelayo. De pirocão.— E se levantou do colchonete antes que eu pudesse responder.
A terceira etapa foi, de fato, a filha da puta que todo mundo dizia. Saímos com o dia ainda cinza e em três horas já estávamos com o corpo feito um mapa de lama e suor. Teve um trecho de subida que pra mim virou eternidade, um pedregulho que quebrava os tornozelos, uma descida que destruiu meus joelhos. No quilômetro quarenta, mais ou menos, senti que a cabeça apagava, aquela pájara que eu já conhecia do dia anterior. E aí a Nuria, sem virar de vez, soltou pra mim.
—Pelayo. Esse cu é seu. Puxa por ele.—
E funcionou. Se funcionou. Não sei se foi a bobagem, a promessa ou a fome que eu trazia, mas apertei os dentes, me agarrei naquela imagem e continuei subindo como se tivessem trocado minhas pernas. Ela, na frente, ia igual de inteira que sempre, marcando o ritmo, me olhando de canto pra ver se eu ainda seguia.
—Isso— me animava, agora sim sem condescendência, com vontade de verdade. —Assim, touro. Assim, meu touro—
Chegamos. Não os primeiros, nem os últimos, mas chegamos inteiros e com bom tempo, e isso, depois da etapa que era, era um milagre. Ao ver a chegada, lá estava o Enric, nos esperando com as duas mãos na quadris e um sorriso de orelha a orelha. Nos deu água, deu uma olhada na gente, perguntou como estávamos de pernas e tornozelos. E depois, quando já estávamos respirando de novo, chegou perto da mulher e disse, com deboche: —Você não deve ter falado nenhuma bobagem pra ele, né?— Nuria ficou ofendida de verdade. Deu pra notar. —Bobagem? Por que eu ia falar alguma bobagem pra ele?— —Porque eu te conheço. Quando você começa a discursar pra galera, umas coisas escapam.— —Mas eu não falei nada estranho. Falei a verdade. Que hoje ele aguentava. E ele aguentou. —É, é— disse Enric, me olhando de canto e rindo baixinho. Não insisti. Fui pro chuveiro e depois pra loja, e em poucos minutos, como na noite anterior, ela apareceu. Tirou o roupão, entrou comigo, e dessa vez nem palavras: me procurou e a gente se enroscou ali dentro, sem mais cerimônia do que a de dois corpos que se desejam. Eu a coloquei de costas e entrei nela, e começamos a foder devagar, curtindo, sem a urgência do primeiro dia. E aí, no meio, o celular vibra. Nuria esticou o braço, olhou a tela e soltou um palavrão baixinho. fim do primeiro capítulo

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