Não é real # **A Boneca de Galeana** ## Dulce María Lara Yáñez A casa número 502 na Avenida Insurgentes, em Galeana de Juventino Rosas, Guanajuato, era uma construção humilde de adobe e tijolo que tinha resistido ao passar de mais de quatro décadas. Suas paredes, pintadas de um amarelo desgastado pelo sol do altiplano mexicano, guardavam segredos que nenhum vizinho imaginava. Em seu interior vivia Dulce María Lara Yáñez, uma jovem de 21 anos com cabelo castanho-escuro que caía em ondas naturais até os ombros, olhos grandes cor de mel, e uma compleição suave que a fazia parecer mais jovem do que realmente era. Dulce María tinha uma deficiência intelectual que os médicos chamavam de "introprendizagem", uma condição que fazia sua mente processar o mundo de maneira diferente. Não era o que as pessoas cruelmente chamariam de "retardada", mas alguém que simplesmente via a realidade com uma pureza e simplicidade que os outros tinham perdido. Sua avó, dona Esperanza, a tinha criado desde que era criança depois que seus pais a abandonaram, incapazes de lidar com as demandas de uma filha especial. Durante vinte anos, Dulce María e sua avó compartilharam uma vida tranquila naquela casa. Dona Esperanza, uma mulher de 78 anos com mãos curtidas por anos de trabalho doméstico e um coração enorme, protegeu sua neta de todo mal. Ensinou Dulce María a cozinhar, a varrer, a cuidar das plantas do pequeno jardim nos fundos, e a rezar o terço toda noite antes de dormir. A casa era seu santuário, um lugar onde Dulce María se sentia segura, amada e compreendida. Mas o destino tinha outros planos. Quando Dulce María completou 20 anos, dona Esperanza adoeceu gravemente. Os anos de trabalho duro finalmente cobraram seu tributo, e seu coração cansado parou de bater numa madrugada de outubro, enquanto dormia em sua cama de madeira de pinho. Dulce María ficou sozinha pela primeira vez na vida. A morte de sua avó deixou Dulce María numa situação vulnerável. Embora tinha 20 anos, sua condição intelectual a fazia depender da estrutura e proteção que dona Esperanza lhe proporcionava. De repente, tinha que aprender a viver sozinha, a pagar as contas com o dinheiro que herdou, a cozinhar para uma pessoa só, e a enfrentar as noites escuras da casa sem a companhia reconfortante de sua avó. Foi durante esses meses de luto e solidão que tudo mudou. --- Na noite de 15 de março, quando Dulce María tinha 21 anos, dois homens invadiram a casa da Avenida Insurgentes 502. Eram ladrões comuns, bandidos de baixo escalão que operavam na região, procurando casas vulneráveis para roubar. Marcos, o mais velho, de 32 anos, era um homem de compleição forte, pele morena, e olhos escuros que haviam perdido qualquer brilho de empatia há muito tempo. Seu cúmplice, El Chino, um apelido que carregava desde a adolescência por seus olhos puxados, tinha 28 anos e era mais magro mas igualmente perigoso. Tinham observado a casa durante semanas. Notaram que só vivia uma jovem, que raramente saía, que não tinha visitas frequentes desde a morte da velha. Era um alvo perfeito. Quando invadiram pela porta dos fundos, forçando a fechadura enferrujada com um pé de cabra, Dulce María estava na cozinha preparando uma xícara de chocolate quente. O barulho a assustou, e quando virou, se encontrou cara a cara com dois estranhos que a olhavam com olhos predadores. —Não grite —sussurrou Marcos, sacando uma faca do cinto—. Se fizer barulho, te corto. Dulce María não gritou. Sua mente, que processava o mundo de maneira diferente, não conseguiu compreender imediatamente a gravidade da situação. Só soube que estava com medo, muito medo, e que seu corpo tremia incontrolavelmente. Os ladrões revistaram a casa rapidamente, procurando dinheiro, joias, qualquer coisa de valor. Mas não encontraram muito: uns pesos numa lata de café, uma corrente de ouro velha de dona Esperanza, e pouco mais. Frustrados pelo butim magro, seus olhos voltaram-se para Dulce María, que permanecia imóvel na cozinha, com sua xícara de chocolate ainda nas mãos. Marcos foi o primeiro a se aproximar. Havia algo na inocência de Dulce María, em seu olhar confuso e assustado mas puro, que despertou algo sombrio nele. Não era só violência o que ele sentia, era um desejo de possuir, de corromper aquela pureza. —Fica quieta, boneca —disse, usando um tom que pretendia ser suave mas que soava ameaçador. O que aconteceu depois foi um ato de violência brutal que marcou Dulce María para sempre. Os dois homens a pegaram por vez no chão da cozinha, sobre os azulejos gastos onde ela e sua avó tinham preparado milhares de refeições. A forçaram, a penetraram, a usaram como um objeto sem alma. Dulce María gritou no começo, chorou, implorou, mas logo aprendeu que resistir só fazia doer mais. Quando terminaram, quando seus corpos suados e satisfeitos se levantaram de cima dela, Dulce María ficou caída no chão, nua, com o corpo coberto de hematomas e esperma. Os ladrões foram embora com seu butim e algo mais: o poder que sentiam por ter destruído a inocência daquela jovem vulnerável. Mas não foi a última vez. --- Marcos não conseguiu esquecer aquela noite. Havia algo em Dulce María, em seu corpo macio e seus gemidos de dor misturados com confusão, que o obcecou. Era como uma boneca de carne e osso, uma criatura sem defesas que ele podia moldar como quisesse. Na noite seguinte, voltou sozinho. Dulce María estava sentada na cama, ainda com o vestido rasgado da noite anterior, em estado de choque. Não tinha chamado a polícia. Sua mente não conseguia processar como explicar o que tinha acontecido, e além disso, quem acreditaria numa "retardada" como ela? Quando viu Marcos entrar pela mesma porta dos fundos, não gritou. Só olhou para ele com olhos vidrados de terror resignado. —Não chora, boneca —disse Marcos, acariciando seu rosto—. Esta noite você vai aprender a gostar. A estuprou de novo, mas desta vez foi diferente. Foi mais lento, mais metódico. Falou ao pé do ouvido dela, disse coisas que a mente dela não entendia completamente, mas que seu corpo respondia de alguma forma primitiva. Dulce María descobriu algo confuso naquela noite: se não resistisse, se ficasse quieta como uma boneca, a dor era menor. E havia momentos, breves instantes, em que seu corpo respondia com prazer à estimulação, embora sua mente se horrorizasse. Quando Marcos foi embora, deixou algo mais do que esperma em seu corpo: deixou a semente de uma transformação. --- O Chino soube que Marcos voltava sozinho e exigiu sua parte. Assim começou o ritual noturno. A cada noite, um ou ambos os homens se infiltravam na casa da Avenida Insurgentes 502. Às vezes eram violentos, pegando-a com força e crueldade. Outras vezes eram quase carinhosos, acariciando-a, falando com ela, ensinando-a a responder aos seus toques. Dulce María entrou num estado de dissociação. Sua mente, incapaz de processar completamente o trauma, começou a se adaptar. Começou a ver os homens como parte de sua realidade, como algo inevitável como o amanhecer. E lentamente, algo mudou nela. Começou a esperá-los. Não porque os amasse, nem porque desejasse ser estuprada, mas porque sua mente simples encontrava consolo na rotina, na previsibilidade das visitas. Durante o dia, estava sozinha, confusa, triste pela morte da avó. Durante a noite, pelo menos havia companhia, mesmo que fosse de seus agressores. Marcos notou a mudança primeiro. Uma noite, quando entrou na casa, encontrou Dulce María esperando por ele na cama, nua, com as pernas abertas. Não havia medo em seus olhos, apenas uma submissão total, uma aceitação de seu papel. —Boa boneca —murmurou Marcos, sentindo uma excitação intensa. Naquela noite, pela primeira vez, Dulce María gemeu de prazer. Seu corpo, treinado por semanas de estupro sistemático, respondeu às carícias de Marcos com orgasmos que a fizeram chorar de confusão e vergonha, mas também de libertação física. --- A gravidez foi descoberta três meses depois. Dulce María não entendia por que a menstruação não descia, por que seus seios tinham inchado e doíam, por que sentia náuseas todas as manhãs. Foi uma vizinha, dona Lupe, quem notou as mudanças e a levou ao posto de saúde. —Você está grávida, filha —disse o médico, olhando para ela com compaixão e preocupação—. Você sabe quem é o pai? Dulce María não respondeu. Não podia explicar que não sabia qual dos dois homens era, que ambos a estupravam quase todas as noites, que às vezes já não sabia se era estupro ou se ela consentia, porque seu corpo traía sua mente respondendo com prazer. Quando Marcos e El Chino souberam da gravidez, reagiram de maneira diferente. El Chino quis desaparecer, assustado com as consequências. Mas Marcos estava fascinado. A ideia de que Dulce María carregava no ventre a semente de um deles, que seu corpo estava mudando para nutrir essa vida, o excitava de uma maneira perversa. —Agora você é nossa boneca especial —disse Marcos uma noite, acariciando sua barriga ainda lisa—. Nossa boneca grávida. Os meses seguintes foram uma mistura de horror e estranha domesticidade. Os homens continuavam a estuprá-la, mas agora o faziam com cuidado para não "danificar o produto", como diziam. Traziam comida para a casa, obrigavam Dulce María a comer bem pelo bebê, e depois a tomavam com uma ferocidade contida que era quase mais perturbadora que a violência anterior. Dulce María começou a se transformar fisicamente. Seus seios incharam, seus quadris se alargaram, sua barriga cresceu redonda e firme. E com cada mudança, descobria novas formas de prazer. Seus mamilos sensíveis, hormonizados pela gravidez, respondiam com intensidade às bocas de seus agressores. Sua buceta, sempre molhada pelas mudanças hormonais, a fazia sentir vergonha quando seu corpo se lubrificava em antecipação ao estupro. —Olha como você se molha, boneca —zombava El Chino—. Dizem que as grávidas são mais quentes, e é verdade. Dulce María não podia negar. Seu corpo a traía todas as noites. Quando Marcos a penetrava por trás, agarrando seus seios cheios de porra que já começavam a escorrer, ela gemia e gozava com uma intensidade que a deixava sem fôlego. Quando o Chino a obrigava a se ajoelhar e chupá-lo, seu corpo se excitava com o sabor e a submissão. --- Aos sete meses de gravidez, Dulce María já não era a mesma jovem assustada da cozinha. Tinha se transformado no que eles chamavam: uma boneca sexual. Uma criatura cuja existência girava em torno do prazer de seus donos, cujo corpo estava sempre disponível, sempre disposto, sempre molhado e receptivo. Tinha aprendido a posar como eles queriam. A abrir as pernas em ângulos que mostrassem sua buceta inchada e seu cu, que também tinha sido treinado para recebê-los. A tocar os próprios seios, apertando gotas de colostro enquanto gemia de tesão. A usar a língua nos corpos deles com uma destreza que tinha aprendido através da repetição constante. —Você é a melhor boneca que já tive —disse Marcos uma noite, contemplando seu corpo nu e grávido—. Nunca vou me cansar de você. E Dulce María, no fundo de sua mente perturbada, se sentiu... orgulhosa. Era uma emoção confusa, vergonhosa, mas real. Pela primeira vez na vida, sentia que tinha um propósito, que era desejada, que era boa em algo. Sua deficiência intelectual, que a tinha marginalizado a vida toda, agora a tornava a amante perfeita: alguém que nunca julgava, nunca rejeitava, nunca exigia nada em troca além da atenção que recebia durante aquelas noites de sexo brutal e apaixonado. --- Na noite em que o bebê nasceu, Marcos e o Chino estavam lá. Não no hospital, onde uma assistente social tinha levado Dulce María quando as contrações começaram, mas em casa, esperando. Quando Dulce María voltou três dias depois, com o bebê nos braços, os homens a receberam com uma mistura de possessividade e desejo renovado. —Nos mostra —ordenou Marcos. Dulce María mostrou o bebê, um menino com seus olhos de mel e o cabelo escuro de algum deles. Não sabiam quem era o pai, e não se importavam. O menino era deles, produto de sua posse sobre Dulce María, outra prova de seu domínio sobre ela. Mas a gravidez não tinha diminuído o desejo deles por ela. Se alguma coisa, tinha intensificado. Agora Dulce María tinha peitos cheios de porra, e os homens descobriram novas formas de usar seu corpo. Ordenhavam ela como uma vaca, bebendo direto dos seus mamilos enquanto ela gemia de tesão. A porra que não bebiam, usavam para lubrificar seus corpos, para massagear sua pele, para jogos perversos que Dulce María aprendeu a curtir. —Você é nossa vaca leiteira, boneca —zoava o El Chino, apertando os peitos dela até a porra jorrar—. Nossa puta grávida, nossa escrava sexual. E Dulce María aceitava tudo. Aceitava as noites em que a comiam enquanto amamentava o bebê, usando seu corpo de maneiras que uma mente "normal" teria achado aberrantes. Aceitava que sua buceta, ainda sensível do parto, fosse penetrada com força. Aceitava que seu cu, sempre disponível, fosse usado quando sua buceta precisava "descansar". --- Passou um ano. O bebê cresceu, e Dulce María continuou sendo a boneca deles. Seu corpo se recuperou da gravidez, mas manteve as curvas mais pronunciadas, os peitos grandes e sensíveis que os homens adoravam. Tinha aprendido a se maquiar como eles ensinaram, a se vestir com lingerie provocante que compravam para ela, a se mover de um jeito que excitava instantaneamente qualquer um dos dois. A casa da Avenida Insurgentes 502 virou um bordel particular onde Dulce María era a única prostituta, mas também a dona de certa forma. Porque embora Marcos e El Chino a controlassem, dependiam dela. Precisavam do seu corpo, da sua submissão, da sua capacidade de transformar violência em prazer. Dulce María tinha encontrado seu lugar no mundo. Não era um lugar que a sociedade aprovasse, nem mesmo um que ela mesma entendesse completamente. Mas era real. Toda noite, quando a porta dos fundos se abria e os passos de seus amantes/agressores se aproximavam, seu coração batia com antecipação. —Oi, boneca —dizia Marcos, e ela sorria. Porque agora ela era sua boneca. Sua boneca sexual, sua escrava consentida, sua amante eterna. E na escuridão daquela casa em Galeana de Juventino Rosas, onde um dia viveu com sua avó amorosa, Dulce María Lara Yáñez encontrou uma forma distorcida de felicidade, uma existência onde sua deficiência se tornou sua maior fortaleza, e onde a dor se transformou no prazer mais intenso que jamais imaginou. Os ladrões continuavam roubando ela toda noite, mas agora ela roubava algo deles em troca: sua atenção, seu desejo, sua dependência. E enquanto seus corpos se uniam na escuridão, enquanto ela gemia e se entregava completamente, Dulce María sabia que tinha deixado de ser uma vítima. Era uma boneca. A boneca deles. E ela amava isso. --- *Fim*
Não é real # **A Boneca de Galeana** ## Dulce María Lara Yáñez A casa número 502 na Avenida Insurgentes, em Galeana de Juventino Rosas, Guanajuato, era uma construção humilde de adobe e tijolo que tinha resistido ao passar de mais de quatro décadas. Suas paredes, pintadas de um amarelo desgastado pelo sol do altiplano mexicano, guardavam segredos que nenhum vizinho imaginava. Em seu interior vivia Dulce María Lara Yáñez, uma jovem de 21 anos com cabelo castanho-escuro que caía em ondas naturais até os ombros, olhos grandes cor de mel, e uma compleição suave que a fazia parecer mais jovem do que realmente era. Dulce María tinha uma deficiência intelectual que os médicos chamavam de "introprendizagem", uma condição que fazia sua mente processar o mundo de maneira diferente. Não era o que as pessoas cruelmente chamariam de "retardada", mas alguém que simplesmente via a realidade com uma pureza e simplicidade que os outros tinham perdido. Sua avó, dona Esperanza, a tinha criado desde que era criança depois que seus pais a abandonaram, incapazes de lidar com as demandas de uma filha especial. Durante vinte anos, Dulce María e sua avó compartilharam uma vida tranquila naquela casa. Dona Esperanza, uma mulher de 78 anos com mãos curtidas por anos de trabalho doméstico e um coração enorme, protegeu sua neta de todo mal. Ensinou Dulce María a cozinhar, a varrer, a cuidar das plantas do pequeno jardim nos fundos, e a rezar o terço toda noite antes de dormir. A casa era seu santuário, um lugar onde Dulce María se sentia segura, amada e compreendida. Mas o destino tinha outros planos. Quando Dulce María completou 20 anos, dona Esperanza adoeceu gravemente. Os anos de trabalho duro finalmente cobraram seu tributo, e seu coração cansado parou de bater numa madrugada de outubro, enquanto dormia em sua cama de madeira de pinho. Dulce María ficou sozinha pela primeira vez na vida. A morte de sua avó deixou Dulce María numa situação vulnerável. Embora tinha 20 anos, sua condição intelectual a fazia depender da estrutura e proteção que dona Esperanza lhe proporcionava. De repente, tinha que aprender a viver sozinha, a pagar as contas com o dinheiro que herdou, a cozinhar para uma pessoa só, e a enfrentar as noites escuras da casa sem a companhia reconfortante de sua avó. Foi durante esses meses de luto e solidão que tudo mudou. --- Na noite de 15 de março, quando Dulce María tinha 21 anos, dois homens invadiram a casa da Avenida Insurgentes 502. Eram ladrões comuns, bandidos de baixo escalão que operavam na região, procurando casas vulneráveis para roubar. Marcos, o mais velho, de 32 anos, era um homem de compleição forte, pele morena, e olhos escuros que haviam perdido qualquer brilho de empatia há muito tempo. Seu cúmplice, El Chino, um apelido que carregava desde a adolescência por seus olhos puxados, tinha 28 anos e era mais magro mas igualmente perigoso. Tinham observado a casa durante semanas. Notaram que só vivia uma jovem, que raramente saía, que não tinha visitas frequentes desde a morte da velha. Era um alvo perfeito. Quando invadiram pela porta dos fundos, forçando a fechadura enferrujada com um pé de cabra, Dulce María estava na cozinha preparando uma xícara de chocolate quente. O barulho a assustou, e quando virou, se encontrou cara a cara com dois estranhos que a olhavam com olhos predadores. —Não grite —sussurrou Marcos, sacando uma faca do cinto—. Se fizer barulho, te corto. Dulce María não gritou. Sua mente, que processava o mundo de maneira diferente, não conseguiu compreender imediatamente a gravidade da situação. Só soube que estava com medo, muito medo, e que seu corpo tremia incontrolavelmente. Os ladrões revistaram a casa rapidamente, procurando dinheiro, joias, qualquer coisa de valor. Mas não encontraram muito: uns pesos numa lata de café, uma corrente de ouro velha de dona Esperanza, e pouco mais. Frustrados pelo butim magro, seus olhos voltaram-se para Dulce María, que permanecia imóvel na cozinha, com sua xícara de chocolate ainda nas mãos. Marcos foi o primeiro a se aproximar. Havia algo na inocência de Dulce María, em seu olhar confuso e assustado mas puro, que despertou algo sombrio nele. Não era só violência o que ele sentia, era um desejo de possuir, de corromper aquela pureza. —Fica quieta, boneca —disse, usando um tom que pretendia ser suave mas que soava ameaçador. O que aconteceu depois foi um ato de violência brutal que marcou Dulce María para sempre. Os dois homens a pegaram por vez no chão da cozinha, sobre os azulejos gastos onde ela e sua avó tinham preparado milhares de refeições. A forçaram, a penetraram, a usaram como um objeto sem alma. Dulce María gritou no começo, chorou, implorou, mas logo aprendeu que resistir só fazia doer mais. Quando terminaram, quando seus corpos suados e satisfeitos se levantaram de cima dela, Dulce María ficou caída no chão, nua, com o corpo coberto de hematomas e esperma. Os ladrões foram embora com seu butim e algo mais: o poder que sentiam por ter destruído a inocência daquela jovem vulnerável. Mas não foi a última vez. --- Marcos não conseguiu esquecer aquela noite. Havia algo em Dulce María, em seu corpo macio e seus gemidos de dor misturados com confusão, que o obcecou. Era como uma boneca de carne e osso, uma criatura sem defesas que ele podia moldar como quisesse. Na noite seguinte, voltou sozinho. Dulce María estava sentada na cama, ainda com o vestido rasgado da noite anterior, em estado de choque. Não tinha chamado a polícia. Sua mente não conseguia processar como explicar o que tinha acontecido, e além disso, quem acreditaria numa "retardada" como ela? Quando viu Marcos entrar pela mesma porta dos fundos, não gritou. Só olhou para ele com olhos vidrados de terror resignado. —Não chora, boneca —disse Marcos, acariciando seu rosto—. Esta noite você vai aprender a gostar. A estuprou de novo, mas desta vez foi diferente. Foi mais lento, mais metódico. Falou ao pé do ouvido dela, disse coisas que a mente dela não entendia completamente, mas que seu corpo respondia de alguma forma primitiva. Dulce María descobriu algo confuso naquela noite: se não resistisse, se ficasse quieta como uma boneca, a dor era menor. E havia momentos, breves instantes, em que seu corpo respondia com prazer à estimulação, embora sua mente se horrorizasse. Quando Marcos foi embora, deixou algo mais do que esperma em seu corpo: deixou a semente de uma transformação. --- O Chino soube que Marcos voltava sozinho e exigiu sua parte. Assim começou o ritual noturno. A cada noite, um ou ambos os homens se infiltravam na casa da Avenida Insurgentes 502. Às vezes eram violentos, pegando-a com força e crueldade. Outras vezes eram quase carinhosos, acariciando-a, falando com ela, ensinando-a a responder aos seus toques. Dulce María entrou num estado de dissociação. Sua mente, incapaz de processar completamente o trauma, começou a se adaptar. Começou a ver os homens como parte de sua realidade, como algo inevitável como o amanhecer. E lentamente, algo mudou nela. Começou a esperá-los. Não porque os amasse, nem porque desejasse ser estuprada, mas porque sua mente simples encontrava consolo na rotina, na previsibilidade das visitas. Durante o dia, estava sozinha, confusa, triste pela morte da avó. Durante a noite, pelo menos havia companhia, mesmo que fosse de seus agressores. Marcos notou a mudança primeiro. Uma noite, quando entrou na casa, encontrou Dulce María esperando por ele na cama, nua, com as pernas abertas. Não havia medo em seus olhos, apenas uma submissão total, uma aceitação de seu papel. —Boa boneca —murmurou Marcos, sentindo uma excitação intensa. Naquela noite, pela primeira vez, Dulce María gemeu de prazer. Seu corpo, treinado por semanas de estupro sistemático, respondeu às carícias de Marcos com orgasmos que a fizeram chorar de confusão e vergonha, mas também de libertação física. --- A gravidez foi descoberta três meses depois. Dulce María não entendia por que a menstruação não descia, por que seus seios tinham inchado e doíam, por que sentia náuseas todas as manhãs. Foi uma vizinha, dona Lupe, quem notou as mudanças e a levou ao posto de saúde. —Você está grávida, filha —disse o médico, olhando para ela com compaixão e preocupação—. Você sabe quem é o pai? Dulce María não respondeu. Não podia explicar que não sabia qual dos dois homens era, que ambos a estupravam quase todas as noites, que às vezes já não sabia se era estupro ou se ela consentia, porque seu corpo traía sua mente respondendo com prazer. Quando Marcos e El Chino souberam da gravidez, reagiram de maneira diferente. El Chino quis desaparecer, assustado com as consequências. Mas Marcos estava fascinado. A ideia de que Dulce María carregava no ventre a semente de um deles, que seu corpo estava mudando para nutrir essa vida, o excitava de uma maneira perversa. —Agora você é nossa boneca especial —disse Marcos uma noite, acariciando sua barriga ainda lisa—. Nossa boneca grávida. Os meses seguintes foram uma mistura de horror e estranha domesticidade. Os homens continuavam a estuprá-la, mas agora o faziam com cuidado para não "danificar o produto", como diziam. Traziam comida para a casa, obrigavam Dulce María a comer bem pelo bebê, e depois a tomavam com uma ferocidade contida que era quase mais perturbadora que a violência anterior. Dulce María começou a se transformar fisicamente. Seus seios incharam, seus quadris se alargaram, sua barriga cresceu redonda e firme. E com cada mudança, descobria novas formas de prazer. Seus mamilos sensíveis, hormonizados pela gravidez, respondiam com intensidade às bocas de seus agressores. Sua buceta, sempre molhada pelas mudanças hormonais, a fazia sentir vergonha quando seu corpo se lubrificava em antecipação ao estupro. —Olha como você se molha, boneca —zombava El Chino—. Dizem que as grávidas são mais quentes, e é verdade. Dulce María não podia negar. Seu corpo a traía todas as noites. Quando Marcos a penetrava por trás, agarrando seus seios cheios de porra que já começavam a escorrer, ela gemia e gozava com uma intensidade que a deixava sem fôlego. Quando o Chino a obrigava a se ajoelhar e chupá-lo, seu corpo se excitava com o sabor e a submissão. --- Aos sete meses de gravidez, Dulce María já não era a mesma jovem assustada da cozinha. Tinha se transformado no que eles chamavam: uma boneca sexual. Uma criatura cuja existência girava em torno do prazer de seus donos, cujo corpo estava sempre disponível, sempre disposto, sempre molhado e receptivo. Tinha aprendido a posar como eles queriam. A abrir as pernas em ângulos que mostrassem sua buceta inchada e seu cu, que também tinha sido treinado para recebê-los. A tocar os próprios seios, apertando gotas de colostro enquanto gemia de tesão. A usar a língua nos corpos deles com uma destreza que tinha aprendido através da repetição constante. —Você é a melhor boneca que já tive —disse Marcos uma noite, contemplando seu corpo nu e grávido—. Nunca vou me cansar de você. E Dulce María, no fundo de sua mente perturbada, se sentiu... orgulhosa. Era uma emoção confusa, vergonhosa, mas real. Pela primeira vez na vida, sentia que tinha um propósito, que era desejada, que era boa em algo. Sua deficiência intelectual, que a tinha marginalizado a vida toda, agora a tornava a amante perfeita: alguém que nunca julgava, nunca rejeitava, nunca exigia nada em troca além da atenção que recebia durante aquelas noites de sexo brutal e apaixonado. --- Na noite em que o bebê nasceu, Marcos e o Chino estavam lá. Não no hospital, onde uma assistente social tinha levado Dulce María quando as contrações começaram, mas em casa, esperando. Quando Dulce María voltou três dias depois, com o bebê nos braços, os homens a receberam com uma mistura de possessividade e desejo renovado. —Nos mostra —ordenou Marcos. Dulce María mostrou o bebê, um menino com seus olhos de mel e o cabelo escuro de algum deles. Não sabiam quem era o pai, e não se importavam. O menino era deles, produto de sua posse sobre Dulce María, outra prova de seu domínio sobre ela. Mas a gravidez não tinha diminuído o desejo deles por ela. Se alguma coisa, tinha intensificado. Agora Dulce María tinha peitos cheios de porra, e os homens descobriram novas formas de usar seu corpo. Ordenhavam ela como uma vaca, bebendo direto dos seus mamilos enquanto ela gemia de tesão. A porra que não bebiam, usavam para lubrificar seus corpos, para massagear sua pele, para jogos perversos que Dulce María aprendeu a curtir. —Você é nossa vaca leiteira, boneca —zoava o El Chino, apertando os peitos dela até a porra jorrar—. Nossa puta grávida, nossa escrava sexual. E Dulce María aceitava tudo. Aceitava as noites em que a comiam enquanto amamentava o bebê, usando seu corpo de maneiras que uma mente "normal" teria achado aberrantes. Aceitava que sua buceta, ainda sensível do parto, fosse penetrada com força. Aceitava que seu cu, sempre disponível, fosse usado quando sua buceta precisava "descansar". --- Passou um ano. O bebê cresceu, e Dulce María continuou sendo a boneca deles. Seu corpo se recuperou da gravidez, mas manteve as curvas mais pronunciadas, os peitos grandes e sensíveis que os homens adoravam. Tinha aprendido a se maquiar como eles ensinaram, a se vestir com lingerie provocante que compravam para ela, a se mover de um jeito que excitava instantaneamente qualquer um dos dois. A casa da Avenida Insurgentes 502 virou um bordel particular onde Dulce María era a única prostituta, mas também a dona de certa forma. Porque embora Marcos e El Chino a controlassem, dependiam dela. Precisavam do seu corpo, da sua submissão, da sua capacidade de transformar violência em prazer. Dulce María tinha encontrado seu lugar no mundo. Não era um lugar que a sociedade aprovasse, nem mesmo um que ela mesma entendesse completamente. Mas era real. Toda noite, quando a porta dos fundos se abria e os passos de seus amantes/agressores se aproximavam, seu coração batia com antecipação. —Oi, boneca —dizia Marcos, e ela sorria. Porque agora ela era sua boneca. Sua boneca sexual, sua escrava consentida, sua amante eterna. E na escuridão daquela casa em Galeana de Juventino Rosas, onde um dia viveu com sua avó amorosa, Dulce María Lara Yáñez encontrou uma forma distorcida de felicidade, uma existência onde sua deficiência se tornou sua maior fortaleza, e onde a dor se transformou no prazer mais intenso que jamais imaginou. Os ladrões continuavam roubando ela toda noite, mas agora ela roubava algo deles em troca: sua atenção, seu desejo, sua dependência. E enquanto seus corpos se uniam na escuridão, enquanto ela gemia e se entregava completamente, Dulce María sabia que tinha deixado de ser uma vítima. Era uma boneca. A boneca deles. E ela amava isso. --- *Fim*
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