Por mais que o tempo passasse, Salvador não conseguia esquecer o que aconteceu no seu aniversário. Da sua mente não se apagavam as imagens da sua esposa se comportando como ele sempre tinha desejado, como uma foxy no cio. O boquete que ela lhe deu foi extraordinário, o mais excitante que tinham feito desde que se conheciam. Agora, mesmo vários dias depois, quando fechava os olhos e rememorava, podia ver o rosto safado da sua esposa como se estivesse vivendo tudo de novo. Custava a se concentrar no trabalho, pois não parava de pensar na que, sem dúvida, tinha sido a melhor noite do seu casamento.
Ele ainda não conseguia acreditar que a sua mulher tivesse topado aquilo. O que mais o surpreendia era que a própria Sofia fosse quem tinha bolado tudo. Esse detalhe importante só fazia o tesão de Salvador aumentar ainda mais.
No entanto, para sua desgraça, Sofia não parecia compartilhar o mesmo entusiasmo que ele sobre o que aconteceu naquela noite. Enquanto Salvador não parava de rememorar o ocorrido, até tentando tocar no assunto de forma distraída com sua mulher, ela se esquivava de tudo e falava de outra coisa, como se nada de extraordinário tivesse acontecido.
Isso deixava Salvador muito confuso, pois não entendia como era possível que sua esposa tivesse se prestado a algo assim para depois não querer nem falar sobre isso, apesar de ser óbvio que ela tinha gostado tanto quanto ele. Por mais que pensasse em alguma explicação, não conseguia chegar a uma resposta razoável. Será que tinha sido tão desagradável para ela que queria apagar isso para sempre da cabeça? Salvador não queria nem imaginar que esse fosse o caso. Preferia pensar que era a timidez enraizada de sua mulher gostosa que a obrigava a evitar o assunto, que a pobre tinha muita vergonha de admitir que havia curtido pra caralho praticar sexo oral nele enquanto falavam de outros homens.
Angustiado, Salvador agarrava a cabeça e pensava que Sofia deveria falar com ele sobre o que aconteceu. Mas depois decidia que não queria pressioná-la demais. O que estava acontecendo com sua vida matrimonial era um sonho, e ele não queria acordar para sua antiga realidade por um arrebato de ansiedade. «Tempo ao tempo — dizia a si mesmo».
É que o sexo oral que sua doce Sofia tinha feito nele foi tão maravilhoso. Ele ainda sentia aquela língua gostosa, e podia ver o rostinho lindo, doce e de repente safadinho da Sofia dançando com o pau dele. Ele lamentava que, apesar de ter sido incrível, ela se recusasse a fazer de novo. Ele já tinha pedido, tomando o cuidado de não mencionar mais nada daquela noite, mas ela se mostrava relutante. Não que ela se recusasse totalmente, mas ela se fazia de sonsa, o que fazia Salvador desistir e deixar o assunto pra lá.
Com o passar dos dias, Salvador ia perdendo as esperanças e, de certa forma, aceitava cada vez mais a ideia de que aquilo tinha sido coisa de uma noite só, o presente que Sofía lhe dera com amor, mas que não se repetiria, pelo menos não até o próximo dia especial que tivessem.
Mas um detalhe não o deixava se dar por vencido de vez. Embora à primeira vista parecesse que sua vida tinha voltado à rotina de sempre, ele notava algo que sim havia mudado desde aquela noite: a forma de se vestir de Sofía.
Ela tinha mantido sua palavra em relação às roupas. Tinha dito que começaria a se vestir mais na moda, e estava cumprindo, do jeito dela pelo menos. Já não se vestia como uma solteirona de quarenta anos. As peças que usava eram mais jovens, desde blusas de manga curta levemente decotadas até calças justas no quadril, ou saias que, sem serem tão curtas, mostravam uma boa quantidade de perna. Aos poucos, Sofia se mostrava muito mais feminina ao se vestir, e isso fazia com que o tesão de Salvador aumentasse, pois via nesse simples ato uma oportunidade de que suas fantasias se tornassem realidade em algum momento.
Tão distraído que ele estava com tudo o que acontecia com Sofía, que pouco tempo passou para que começasse a ter problemas no trabalho. Uma tarde, ele não percebeu um erro grave que um dos vendedores novos cometeu, e sobrou para ele tentar resolver com o cliente. Nem precisa dizer que seu chefe, o gerente da agência, estava como um dragão, bravo com os funcionários, incluindo ele, a quem culpava por não ter supervisionado bem seus subordinados. Por sorte, tudo acabou se resolvendo, embora toda essa confusão tenha feito com que ele chegasse em casa mais tarde do que o normal.
Naquela tarde/noite, ao entrar no apartamento, ele não viu a mulher em lugar nenhum. Chamou por ela, mas não obteve resposta. Quando foi até o quarto, verificou que ela também não estava lá, nem o bebê.
—amor? —continuou chamando em voz alta ao voltar para a sala.
Ele checou os outros quartos da casa, e também não encontrou nenhuma das suas duas mulheres ali. Começou a se preocupar. Não era normal que Sofía não estivesse em casa quando ele voltava do trabalho, menos ainda que estivesse fora naquela hora. Pensando que algo ruim podia ter acontecido, pegou o celular e ligou para ela.
A preocupação dele aumentou quando o celular da mulher dele tocou e tocou sem que ela atendesse. Ele tentou se acalmar, afinal, o mais provável era que ela estivesse bem, mas o medo não passava.
Tentei imaginar onde elas poderiam estar. A primeira coisa que lhe veio à cabeça foi a dona Dolores. Já era tarde para a academia, mas elas já eram bem amigas e não seria estranho que Sofía tivesse ido vê-la, embora isso não explicasse por que ela não respondia o celular. De qualquer forma, discou o número do apartamento da dona Dolores. Não se surpreendeu que o desagradável do seu Porfirio tivesse atendido.
—O quê? — disse a voz rouca do velho. Soava irritado, como se tivessem interrompido ele no meio de algo muito importante.
—Boa tarde, seu Porfirio —disse Salvador, tentando soar o mais tranquilo possível. Não queria começar uma discussão com aquele homem —. Estou ligando porque quero saber se minha esposa está aí, na sua casa.
—Ah, senhor Martínez —respondeu Porfirio, arrastando as palavras—. Sim, sua mulher está aqui…, comigo.
A forma como ele pronunciou essa última palavra fez Salvador queimar por dentro. O velho fazia aquilo com má intenção, tinha certeza, mas sua preocupação com Sofía e sua filha foi maior que seu desgosto.
—Posso falar com ela? — perguntou, lutando para manter a calma.
—Não sei —disse o velho com tom satisfeito—. Ela tá ocupada…
Salvador vislumbrou em suas lembranças o rosto de Sofia atrás do seu membro.
—O que ela está fazendo? — perguntou, apertando o celular com força.
—Bom, ela tá... conversando com a minha coroa —disse Porfirio. Salvador imaginou que o desgraçado tava sorrindo do outro lado da linha—. Tão entretendo a filhinha dela, a pirralha tá chorona pra caralho, hehe.
—Entendi — disse Salvador, cada vez mais irritado com a intimidade que aquele velho tomava para se referir à sua família —. Pode chamá-la? Preciso falar com ela.
—Senhor Martínez —disse Porfirio —. Já te falei que ela tá ocupada.
Salvador percebeu que a raiva o dominava. Quem aquele velho pensava que era? Não tinha nenhum direito de negar a mulher dele. Com certeza só queria irritá-lo, e estava conseguindo. Decidiu que não valia a pena entrar em discussão com aquele cara, só ia dar o gostinho pra ele
—Tá bom —disse finalmente, suspirando—. Só diz pra ela que eu liguei no celular dela.
—Sim, eu vou dizer a ele —respondeu Porfirio, que pareceu perceber o nervosismo de Salvador por Sofia estar na casa dele, pois acrescentou —. Relaxa, cara, que aqui sua esposa tá segura… Se é que a Dolores tá aí.
As últimas palavras ela disse num sussurro, como se não quisesse que Salvador as escutasse, mas é claro que ele escutou. O que aconteceria se a dona Dolores não estivesse lá? Se aquele velho estivesse a sós com sua Sofía? Ele quase gritou para ele ir à merda, mas antes que pudesse fazer isso, o velho Porfirio desligou o telefone.
O primeiro impulso de Salvador foi sair do seu apartamento e ir ao dos locadores para trazer sua esposa para casa, mas se conteve. Sabia bem que isso só irritaria Sofía. Não podia chegar dizendo que tinha entendido que seu Porfirio queria fazer... mal a ela. Pareceria um louco ciumento.
Então, depois de se acalmar, decidiu que o melhor a fazer era simplesmente esperar. Não era a primeira vez que sua mulher ia visitar a casa da dona Dolores. Já era tarde e ele supôs que Sofia, ao saber que ele já estava em casa, voltaria logo.
Salvador se jogou no sofá, ligou a televisão e ficou olhando sem realmente ver, mordendo os dentes toda vez que relembrava a conversa com o desgraçado do locador.
Meia hora depois, a porta do apartamento se abriu e sua mulher entrou com a bebêzinha no colo.

—Oi —respondeu Salvador, sério.
—Desculpa o atraso —disse a sua mulher —. Hoje tive que ir à academia mais tarde porque a sua filhinha não se acalmava, e me atrasei na casa da dona Dolores, ela me pediu ajuda com uma comida que estava preparando.
—Por que você não atendeu o telefone? — perguntou Salvador, com um tom mais severo do que pretendia.
—Você me chamou? —perguntou Sofia, surpresa —. O celular tá na bolsa da academia, não escutei.
—E o velho Porfirio não te contou? —perguntou Salvador—. Quando liguei, ele não quis te passar o telefone.
—Sério? Ela não me disse que você tinha ligado.
Salvador teve que massagear a têmpora para acalmar a raiva que sentiu.
—Ele não te contou? —disse com calma, prestes a explodir.
—Não.
—Claro que ele não te contou! —resmungou para si mesma—Como eu odeio esse velho.
—Calma, gatinha —disse Sofía—. Não precisa ficar tão irritada.
Bem na hora que Salvador ia responder, Alejandrita começou a chorar, fazendo com que a atenção de Sofía se voltasse pra ela. A mãe amorosa a embalou nos braços.
—Calma, calma, Janita —disse ele—. Não chora, acabei de gozar em você; não me diz que quer mais.
Essas palavras chamaram a atenção de Salvador, que se virou para ver sua mulher com ferocidade.
—Espera. Você amamentou ela? —perguntou com a boca aberta—. Na casa daquele velho?
—Pois é, eu tava carente, tava com fome — disse Sofía, com a maior naturalidade do mundo —. Qual é o problema?
—Você fez isso na frente daquele velho? — perguntou Salvador, cada vez mais alterado.
—Não ia me esconder pra isso —respondeu Sofia, confirmando o que Salvador tinha imaginado.
—Sério?! —Salvador quase gritou quando sua esposa lhe contou o que aconteceu.
—O que foi? —perguntou Sofía—. Você vai assustar a Janita. Por que você fica assim?
—É que… como você pôde mostrar seus peitos pra aquele miserável?
—O quê? —Sofía parecia consternada com o jeito que o marido estava falando com ela —. Eu não mostrei nada… Me certifiquei de me cobrir bem. Além do mais… mesmo se ele tivesse me visto, qual é o problema? Eu estava amamentando minha filha, como qualquer mãe faz.
—Mas você não precisava ter deixado aquele velho te ver.
—Já te falei que ela não viu nada! Você não tem por que estar bravo! —exclamou Sofía, já mais irritada. Olhou nos olhos dele, e de repente entendeu tudo—. Ah… entendi… —disse, olhando sério pra ele—. Você não tá bravo comigo, né?, mas consigo mesmo.
—O quê?
—Você tá bravo consigo mesmo porque essa bobagem de eu ficar mostrando meus peitos pro seu Porfirio te... te... deixa excitado, né? — disse Sofía, se referindo pela primeira vez ao seu fetiche desde o dia do seu aniversário —. Você odeia esse cara, por isso te incomoda tanto ficar excitado com essa sua fantasia.
—Não… Eu…
—Não nega —disse Sofía, muito séria —. Você mesmo me confessou que o que mais te excita é me imaginar com esse velho. Ela se levantou com a bebê no colo. Estranhamente, a discussão dos pais tinha acalmado a Alejandrita.
—Sim, mas…
—Por isso agora você fica puta, porque na sua mente safada você acha que eu fiz algo com ele, e isso te excita, mas ao mesmo tempo te deixa com raiva.
Salvador ficou em silêncio diante das palavras da sua mulher. A verdade é que não podia argumentar nada, ela estava certa. Desde sempre, a fantasia de ver sua Sofía com o velho Porfirio tinha sido para ele como uma faca de dois gumes, pois quanto mais o excitava, também o fazia se sentir pior. Na sua cabeça ecoou por vários segundos a voz de Sofía dizendo "sua mente safada".
Sofía foi direto pro quarto dos dois. Era evidente que ela tava muito puta. Antes de entrar no quarto, ela se virou pra olhar nos olhos dele.
—Eu já te disse uma vez: não me importam as suas fantasias. Se elas te fazem feliz, problema seu. Mas não vou tolerar que elas interfiram no nosso casamento — disse ele, com os olhos de repente inundados de lágrimas —. Não gosto que você grite comigo. Não fiz nada de errado com esse homem e, caso você tenha esquecido, repito: Nunca vou fazer.
Assim que ficou sozinho, Salvador terminou de cair na real de que tinha feito merda. Era a primeira vez em quase dez anos de se conhecerem que brigavam daquele jeito. A ideia de ter machucado a Sofía o assustou. Ele a tinha feito chorar e isso o fez se sentir um bosta. Também estava surpreso; sua mulher o conhecia melhor do que ele mesmo se conhecia.
Os dias seguintes foram um inferno para Salvador. Ele se sentia culpado. Não deveria ter gritado daquele jeito com Sofía. Depois de pensar e repensar, percebeu que ela não merecia nada do que ele tinha dito. Sua raiva tinha nascido da própria imaginação dele, é claro, inflamada pelos comentários daquele miserável do Porfirio, que com certeza tinha tido más intenções com tudo o que havia dito. Claro, com o que agora sabia, era óbvio que o velho teria atendido o telefone meio irritado. Com certeza o desgraçado estava curtindo o melhor espetáculo, olhando a vizinha gostosa amamentar o bebê. Por isso mesmo não tinha querido passá-la ao telefone, e depois não tinha contado que ela havia ligado, tudo para tê-la mais um tempo no apartamento dele, tudo para aproveitar qualquer distração e ver a buceta dela de perto, nem que fosse por um instante.
Mas nada disso tinha a ver com Sofia, sua Sofia inocente.
Por alguns dias, ele tentou conversar com ela e se desculpar, mas ela ignorava suas tentativas de aproximação, ia atender a Alejandrita, ou simplesmente fazia qualquer outra coisa para se afastar dele.
No entanto, depois de uma semana, Sofia se mostrou mais flexível. Voltou a falar com ele, até com carinho, e à noite, quando foram dormir, o surpreendeu pedindo desculpas.
—Exagerei as coisas —disse Sofia, passando o braço sobre o peito de Salvador enquanto os dois estavam deitados na cama—. Não devia ter reagido como reagi.
—Eu também sinto muito — disse Salvador, aliviado por ter espaço para se desculpar —. Reagi de um jeito que não devia. Fiquei muito puto… Você tem razão em tudo que me disse.
Sofía sorriu docemente para ele e lhe deu um beijinho nos lábios.
—Eu devia saber que o que a gente fez no dia do seu aniversário ia despertar essas coisas — disse ele com carinho —. Mas eu queria te dar o melhor presente de aniversário…
—E você fez —disse Salvador, apressado, temendo que Sofía pensasse outra coisa —. Sério, foi o melhor presente que já recebi na vida toda.
—Sabia que você ia gostar, por isso fiz isso —Sofía levantou o canto do lábio por um instante, como um sorriso fugaz, depois baixou o olhar.
Salvador entendeu que ela tinha se sacrificado pra agradá-lo. Sentiu-se o marido mais egoísta. Sofía tinha se sacrificado fazendo coisas obscenas, coisas que nunca faria por vontade própria, e ele tinha pagado pra ela descontando nela a culpa dele. Agora percebia que devia respeitar o jeito recatado e decente de Sofía, que não podia querer arrastá-la pra compartilhar o fetiche dele. Não podia pressioná-la, pois, caso contrário, tinha certeza de que voltariam a discutir como dias atrás.
—Gostei muito — disse finalmente, resignado —. Mas sei que não posso esperar que se repita. Não vou insistir de novo pra gente fazer isso. Sei que te incomoda.
—Se você quiser… podemos fazer de novo —disse Sofía, surpreendendo Salvador, que olhou pra ela com uma cara de incredulidade—. Eu tô pensando nisso, e acho que não é bom negar uma coisa que você sente… como homem. Você precisa deixar sair o que tá reprimido de vez em quando… E eu sou sua esposa. Não posso te deixar… só com isso. —Ela falou com uma timidez carinhosa. Salvador sentiu um arrepio. Não conseguia acreditar no que ouvia sair da boca da esposa—. Além disso… a verdade é que eu também curti um pouco —admitiu Sofía, ficando vermelha.
Salvador abriu a boca e não soube o que o deixava mais excitado: se as palavras da sua mulher, ou o quão gostosa ela ficava quando estava com vergonha.
—Tá falando sério? —ela perguntou.
Sofía não respondeu de imediato, como se estivesse pensando bem na resposta.
—Sim… Acho que foi emocionante o que a gente fez —respondeu por fim. Salvador não conseguia acreditar no que acabara de ouvir—. Mas não me entenda mal. Continuo sendo contra a grande maioria das coisas que li naquele fórum da internet, e não vou fazer nada com nenhum outro homem, mesmo que você implore. Porém…, se for só entre a gente, se for só uma fantasia, pode… ser que seja bom.
Salvador abriu a boca, mas não lhe veio nada à cabeça para dizer; estava atônito.
—E só vamos fazer quando eu estiver a fim — disse Sofía, adotando de repente uma atitude mais dominante —. Em datas especiais, ou quando eu tiver vontade. Não quero que você fique insistindo sobre isso, tá bem?
—Claro —disse Salvador, animado.
—Então estamos de acordo —disse Sofia, estranhamente satisfeita—. Te amo. —Ela arranhou delicadamente a ponta do nariz de Salvador e lhe deu um beijo rápido nos lábios. Depois se aconchegou no peito do marido e não disse mais nada.
Naquela noite, Salvador mal dormiu. Pensava e repensava no que Sofia tinha lhe dito. Sentia culpa. Não queria que sua amada esposa fizesse coisas desagradáveis para ela mesma só para agradá-lo. Mas ela mesma tinha acabado de dizer que havia gostado do que fizeram na outra noite. Mas também tinha evitado falar sobre isso todo aquele tempo. Salvador não entendia nada. Nem a si mesmo, porque passava da culpa para um forte entusiasmo. A simples ideia de experimentar de novo aquele tesão implacável com Sofia era embriagadora. Por fim, se entregou às suas fantasias. Com sua linda, graciosa e exuberante esposa aconchegada ao seu lado, fechou os olhos e imaginou o prazer macabro que o velho Porfirio devia ter sentido ao ver Sofia com um dos seus enormes peitos de fora, amamentando seu bebê faminto.
No dia seguinte, Salvador, sonolento por ter virado a noite anterior, estava pronto para ir pra casa depois de terminar suas horas de trabalho, quando recebeu uma ligação de um dos seus amigos, Leonardo.
—E aí, Leo? —cumprimentou ao atender.
—Ei, Salvador, tá livre hoje à noite? —perguntou o amigo dele—. A gente quer ir tomar umas cervejas. Você vem?
—Aonde? —perguntou Salvador, ponderando a ideia.
—No lugar de sempre —respondeu Leonardo, animado.
—Não sei —respondeu Salvador. Ele tinha acabado de se reconciliar com Sofia e sabia que ela não gostava que ele saísse pra beber, então não tinha certeza se era um bom momento pra sair pra encher a cara com os amigos.
—Vamos, não se faça de rogada —disse Leonardo ao telefone—. É sexta-feira, amanhã você não trabalha. Além disso, você nos deve as bebidas do seu aniversário.
Salvador pensou bem. Era sexta-feira, amanhã não trabalhava. Estava cansado, sim, mas o panorama que se apresentava tinha lhe devolvido as energias. Tinha sido uma semana muito estressante para ele. A discussão com Sofía, a incerteza do que aconteceria na sua vida íntima depois do seu último aniversário, e o desempenho irregular no trabalho, o tinham com o cérebro prestes a explodir. Precisava dar um descanso pra si mesmo.
—Tá bom —decidiu—. Vejo vocês lá. Mas só vou ficar uma hora ou duas.
—Claro, o que você disser —respondeu Leonardo e desligou.
Salvador achou que não era boa ideia ligar pra Sofia e dizer que ia sair com os amigos, não agora que as coisas estavam voltando a ficar bem entre eles. Também não queria mentir pra ela, então decidiu que o melhor era mandar uma mensagem explicando que chegaria tarde; uma verdade incompleta, não uma mentira. Depois disso, deixou o celular na mochila, disposto a não olhar pra ele de novo até sair do bar pra onde estava indo.
O rolê com os amigos foi pra desestressar. Todo mundo precisava relaxar, rir e esquecer os problemas por um tempo. Não estavam atrás de mulheres, como a grande maioria dos caras que tinha no lugar. Os três só olhavam pras gostosas que circulavam por ali, e opinavam se eram atraentes, se pegariam elas e tal, rindo das putarias que um ou outro soltava. Também rolou conversa fiada, sobre o trabalho de todo mundo e como tinha sido a vida deles ultimamente. Falaram e beberam como nos velhos tempos.
Por volta das onze da noite, Salvador decidiu que era hora de ir embora, então se despediu dos amigos entre reclamações.
Ela estava prestes a se levantar, entre insultos e protestos pela sua saída, quando Renato disse:
—Bom, tá bom, se me esperasse em casa o que te espera a você eu já teria ido faz tempo. Kkkk.
Leonardo olhou consternado por um momento para Renato, mas depois assentiu, dando razão a ele, levantou sua taça e a chocou com a do amigo.
Salvador voltou a se acomodar na cadeira, sem ter certeza se tinha entendido o comentário de Renato.
—Como é isso? O que me espera? —perguntou.
—Já, não se faz —disse Renato, com olhos sonolentos de bebedeira. Ele já tinha passado um pouco das doses—. Sofia, quem mais?
—Não seja idiota, Renato —interveio Leonardo, segurando o riso.
—Não entendo —disse Salvador. Ele imaginava aonde tudo aquilo ia dar, mas queria ouvir.
Leonardo e Renato se olharam por um instante. Leonardo levantou as sobrancelhas e os ombros e se deixou cair na cadeira, dando carta branca para Renato se explicar. Aparentemente, esses dois, diferente do Salvador, se entendiam muito bem em relação ao que quer que estivessem discutindo. Dava pra ver que era um assunto que já tinham conversado antes, sem a presença do amigo. Intencionalmente às escondidas dele?
—Com todo o respeito, Salvador, não fica ofendido — disse Renato, mais sério, como quem tateia o terreno —, mas, se você não sabe o que tem em casa, você é um completo idiota.
Leonardo tapou a boca pra segurar o riso.
Salvador não deu importância. Olhava sério para Renato. Não estava irritado, mas queria que seu amigo continuasse. Queria ouvi-lo.
Renato olhou para ele com exasperação.
—Sua mulher, Salvador… É uma delícia — disse ele, esticando as mãos para reforçar sua afirmação. Depois apontou ao redor —. Todas aquelas garotas, as mais gostosas entre elas, não chegam nem aos pés da Sofia. Com todo respeito.
—Tipo, ela sempre foi gostosa —interveio Leonardo—. Mas naquele dia no seu apê, quando a gente comemorou seu aniversário… Puf. Vamo, cara, aquele look… A gente nunca tinha visto ela assim. Tudo o que ela tinha escondido…
Salvador levantou uma mão.
—Tá, tá bom, entendi, entendi —disse. Não porque se sentisse desconfortável com o que estavam falando, mas pelo que aquilo provocou nele ao ouvir da boca dos seus melhores amigos o que eles achavam da sua Sofia, sua esposa meiga e inocente. Não conseguiu evitar se perguntar se aqueles dois respeitariam a antiga amizade se tivessem alguma chance de cair na cama com a sua mulher. Se surpreendeu desejando que não, e por um segundo se colocou no lugar de Renato, o que ele sentiria ao ter a oportunidade de abraçar o corpo esguio de Sofia, de beijá-la, de possuí-la como mulher, como gostosa.
—Kkkkk —riu Renato—. Não fica assim não. Leva como um elogio —disse depois, entendendo o ensimesmamento de Salvador como incômodo.
—Sim, não fica bravo —concordou Leonardo—. É só que você tem uma mulher linda. E daí? Tem outros caras que também têm essa sorte, tipo… tipo… —olhou para Renato, buscando ajuda, que lhe dissesse quem mais entre seus amigos tinha uma mulher do calibre de Sofía em casa.
Renato não soube o que dizer, e dessa vez foi a vez de Salvador rir deles.
Um minuto depois, já todos sinceros e tão amigos como sempre, Salvador se despediu de novo e foi embora.
No caminho para casa, não conseguia parar de pensar na última conversa com seus amigos. Era evidente que a mudança de Sofía tinha sido bastante notória durante a comemoração do seu aniversário. E também era óbvio que, aos olhos de todos os machos presentes naquele dia, sua mulher era uma gostosa e desejável mulher de luxo.
E essa ideia o deixava excitado. Com os drinks que já tinha tomado, a culpa que às vezes turvava essas sensações safadas nem sequer apareceu.
Chegou ao seu apartamento. Era tarde e tudo estava escuro. Supôs que sua mulher estava dormindo, então se dirigiu sem fazer barulho ao seu quarto. No entanto…
—Boa noite —ouviu a voz de Sofía assim que abriu a porta. Ela estava sentada na cama, vestida com uma baby doll preta e os braços cruzados. A julgar pela expressão dela, estava brava de novo.

—Oi, amor —disse Salvador, olhando para a esposa com certo receio. Não queria que ela ficasse brava com ele de novo.
—Por que você não respondeu minhas ligações?
—Eu… —Tinha esquecido de olhar o celular na saída do bar. Que idiota!
—Seu pai esteve aqui, te procurando.
—O quê?
—Te liguei pra te avisar. Você teria voltado cedo e a gente teria jantado todo mundo junto, mas você não atendeu o telefone. —Estava chateada, embora a raiva dela fosse mais parecida com a que sempre sentia quando ele saía pra beber do que com a da semana passada—. Mas claro, você preferiu ficar com seus amigos, enchendo a cara.
Salvador percebeu que a cabeça começava a girar. Sofía estava enganada, ele não estava bêbado, não tinha bebido tanto assim, mas ouvir as reclamações dela o deixava assim.
—E o que ele queria?
—Não sei —respondeu Sofia, cruzando os braços —. Ele ficou um tempo, mas não me disse por que veio te ver, talvez só quisesse ver o filho. Você nunca o visita.
—Você já sabe que eu tô ocupado com o trabalho…
—Eu sei —disse Sofia, mostrando-se mais compreensiva —. Mas te juro que teu pai me dá um pouco de pena. Deve ser solitário viver tão longe do teu único filho. Você deveria ir vê-lo mais vezes.
Salvador suspirou. Sabia que sua mulher tinha razão. Nos últimos anos, ele tinha se afastado do pai. Não que tivesse decidido isso, mas o trabalho estava cada vez mais exigente, não tinha tempo nem energia para fazer uma viagem até os arredores da cidade com muita frequência.
Foi direto ao banheiro. Não estava a fim de tomar banho naquela noite, então só mijou boa parte da cerveja que tinha bebido naquele bar, e depois voltou pro quarto com vontade de dormir.
A esposa dele o observou se despir atentamente. No olhar dela dava pra notar que a raivinha tinha começado a passar. Sempre era assim quando eles brigavam por causa das chegadas tarde dele. Ele sabia que no fundo ela entendia que ele precisava de um momento pra relaxar, e como isso não acontecia com tanta frequência, ela nunca ficava brava de verdade.
—Sabe…? —disse de repente Sofia—, eu realmente acho que você deveria incentivar seu pai a arrumar uma… namorada.
—Por que você diz isso? — perguntou Salvador. Tinha ficado só de cueca e se enfiava na cama. Era uma noite quente e ele estava cansado demais para procurar algo para dormir.
—Bom, é que… —Sofía de repente ficou muito nervosa, envergonhada por algo, e Salvador percebeu.
—O que foi?
—Olha, é que… Não quero que você pense que estou falando mal do seu pai —balbuciou a esposa dele, fazendo Salvador ficar inquieto.
—Claro que não, me diz o que tá acontecendo — insistiu Salvador, preocupado ao ver a expressão no rosto da sua mulher.
—Bom…, o que acontece é que ele… não parava de me olhar.
—Te olhar? O que você quer dizer com isso? — perguntou Salvador, confuso, com a mente meio turva pelo cansaço e pelo álcool.
—Bom, você já sabe… — disse Sofia. Seu rosto ficou vermelho de vergonha e ela tentou desviar o olhar de Salvador —, como homem… como um pai não deve olhar para a esposa do seu filho.
Salvador ficou de queixo caído. Era muito difícil pra ele pensar no pai olhando pra própria mulher daquele jeito… No entanto, ao mesmo tempo, tinha algo excitante no fato de um homem da idade do pai dele olhar com tesão pra uma mulher jovem e gostosa como Sofía.
—O que aconteceu? Ele te fez ou disse algo ruim? —perguntou preocupado, tentando se desvencilhar dessas ideias turvas. Temia que a resposta da esposa fosse afirmativa. Não saberia o que fazer, como enfrentar seu pai…
—Não —disse Sofía, aliviando os ânimos de Salvador—. Ele não me fez nada, é só que…
—O quê?
—Lembra quando a gente tava na faculdade e um monte de homem ficava me encarando e me deixava desconfortável?
Salvador assentiu. Claro que lembrava daqueles tempos. Estudantes, professores, faxineiros, até alguns pais de família; quando estava no campus, Sofia sempre era um ímã de olhares. Não existia homem que não virasse a cabeça quando ela passava. O ciúme e a excitação que Salvador sentia naquela época raras vezes foram igualados, nunca superados, não até seu último aniversário.
—Pois seu pai não parava de me olhar assim quando veio hoje — explicou Sofia —. A gente estava sentado na sala. Eu te esperava com uma das minhas saias novas, a azul, aquela bem curtininha; e ele… não parava de observar minhas pernas.
Salvador engoliu em seco. Sentiu uma pontada de tesão percorrer todo o seu corpo. Sabia que era errado se sentir daquele jeito, mas era algo que ele não conseguia controlar, e estava muito sensível em relação ao seu fetiche; as cervejas e a conversa dos amigos sobre a beleza de Sofía o tinham deixado assim.
—Além disso, quando eu disse que ia te ligar de novo pra ver que horas você chegava, a Janita começou a chorar… Bom, e ele insistiu que a menina tava com fome, que eu desse peito… Ai, Salvador, você devia ter visto a cara dele, era óbvio que ele queria ver meu peito pelado. Como pode existir homem tão nojento que fica excitado vendo uma mulher amamentando? O que é que um simples peito provoca neles, pelo amor de Deus?
«Seus peitos estão longe de ser simples, amor — pensou Salvador, e se concentrou em adotar uma expressão indignada, pois sentiu que, com tudo o que estava ouvindo, devia estar com uma cara ainda mais libidinosa que a do seu pai».
Mesmo assim, apesar do que sentia, Salvador custava a acreditar. Seu pai era um homem respeitoso; não seria capaz de se comportar daquela maneira.
—E o que você fez? — perguntou, se ajeitando na cama, demonstrando muito interesse no que a mulher estava contando.
—O que eu fiz? —perguntou Sofía. Era evidente pela sua estranheza que ela não entendia por que eu fazia uma pergunta com uma resposta tão óbvia—. Alimentei minha filha, claro, não ia deixar ela com fome.
Salvador sentiu que um vulcão despertava no meio das pernas. Imaginar a sua mulher com os peitos de fora na frente do pai dele o excitava, não podia negar.
—Você não se importou que ele pudesse te ver?
—Bom, óbvio que me senti um pouco incomodada, mas me cobri o melhor que pude —respondeu Sofia—. Embora eu suponha que ele deve ter visto alguma coisa.
—Quanto?
—Não sei —respondeu Sofia, envergonhada—. Mas…
—O quê? —perguntou Salvador, com uma ansiedade que não conseguiu reprimir.
—Eu… na real… não sei como falar isso.
—Só fala —disse Salvador. A essa altura, os efeitos que o álcool pudesse ter tido sobre ele quase tinham desaparecido. Ele se sentia bem desperto. O efeito etílico só se percebia na sua desinibição, na falta de cautela com que interrogava a esposa, na evidente excitação que tudo aquilo lhe provocava—. Prometo que não vou me incomodar.
—Já sei que você não vai ficar bravo — disse Sofía com timidez, talvez até com tristeza —. Na verdade, você vai gostar…, mas eu fico com vergonha.
—O que você quer dizer?
Sofía não disse nada por alguns segundos. Ficou olhando pra ele, pensativa.
—Que seu pai me visse amamentando meu bebê… não foi tão ruim assim — disse finalmente, e pareceu que tinha se livrado de uma grande pressão, como se confessar aquilo a fizesse se sentir melhor.
—Como…? — perguntou Salvador. Ele não conseguia acreditar que sua esposa estivesse lhe dizendo aquilo. Ela, que sempre se mostrara tão relutante em tocar nesses assuntos.
—Não sei o que me deu —disse Sofía, desviando o olhar, ainda com certo afetamento na voz. Salvador supôs que ela não estava conseguindo aceitar o que estava confessando —. Talvez seja porque você e seu pai são muito parecidos, a única coisa que sei é que enquanto ele me olhava…
Sofía não continuou falando e Salvador não aguentou.
—Enquanto ele te olhava, o quê? — ele pressionou.
Ela levantou o olhar. Dava pra ver que estava muito nervosa, e não era pra menos. Salvador compreendia o estado em que se encontrava sua mulher. Mas ele mesmo estava tão excitado. Cada palavra que saía da boca da sua esposa fazia sua imaginação voar, e voltar só pra aumentar seu tesão, com a imagem de um milhão de possibilidades do que poderia ter acontecido naquela tarde enquanto ele não estava.
—Bom, quando estou com você não me importo de mostrar meu corpo mais do que devia, e como ele em essência é como você, suponho que aconteceu o mesmo comigo… Ai, não sei.
Salvador olhou para ela. Não entendia direito. É verdade que ele e o pai tinham uma certa semelhança, mas o que é que isso tinha a ver.
—Talvez por isso não me incomodou tanto que ele ficasse me olhando enquanto eu amamentava a Janita —continuou Sofía, e no mesmo instante pareceu perceber o que estava dizendo, pois levou as mãos às bochechas, como tentando esconder seu rubor, sua vergonha—. Mas não me entenda mal. Não fiz nada de propósito, e continuo dizendo que seu pai precisa voltar a ter um relacionamento pra parar de olhar assim pra outras mulheres, pelo menos não pra esposa do filho dele.
Salvador ficou olhando pra ela, impressionado. Será que a mulher dele tinha se exposto pros olhos do pai dele sabendo que tava deixando ele excitado? Era algo perverso, uma sacanagem, no fim das contas, mas era a Sofia dele, a linda e tímida Sofia dele. De repente ele percebeu que ela o observava, esperando a reação dele.
—Bom, ele diz que já está velho — comentou Salvador, mais por dizer alguma coisa, ajeitando os lençóis para cobrir a ereção que a confissão de Sofía tinha provocado nele —. Não quer se complicar muito procurando uma mulher nessa altura da vida.
—Bobagem, ele não é tão velho assim —retrucou Sofía—. Além disso, é um senhor… decente, com certeza mais de uma mulher estaria interessada.
—Oh? Então você acha que meu pai é bonito? — perguntou Salvador em tom de brincadeira, fingindo um incômodo que não sentia, tentando acalmar os ânimos da mulher, pois queria que ela continuasse falando.
—Já te disse que ele se parece um pouco com você. Acho que as mulheres da idade dela devem achar ele bonito — defendeu-se Sofía, e de repente começou a se aproximar do rosto de Salvador, com a óbvia intenção de dar um beijo nele, mas parou a poucos centímetros dos lábios do marido —. E não vem com essa. Você não pode estar bravo comigo. Essa parte aqui me diz que é totalmente o contrário. — Para surpresa de Salvador, Sofía tirou os lençóis que cobriam sua ereção e colocou a mão sobre o volume da cueca box. Depois, sem esperar mais nada, o beijou de forma terna e molhada enquanto dava um leve apertão no pau dele, que reagiu pulsando enfurecido.
—Você ficou excitado com o que seu pai fez? Te dá tesão saber que ele me deseja? — perguntou Sofia, depois de um momento se afastar dos lábios dele. Agora sorria com um olhar cúmplice. A raiva que mostrava quando ele chegou de beber com os amigos tinha desaparecido, só restava um pouco de dúvida envergonhada nos olhos safados dela —. Você é um marido muito safado.
Salvador entendeu que, de alguma forma, aquela noite era especial. Engoliu em seco e sentiu o peito vibrar com o presságio daquela noite. Seria uma daquelas noites a que Sofia havia se referido quando fizeram as pazes depois da briga? Iam realizar suas fantasias? Num instante decidiu que sim, que não havia mais volta. Ele precisava disso, vinha desejando desde o dia do seu aniversário.
—Você também não é uma boa esposa. É safadinha — disse ele, passando o braço pelas costas dela e puxando-a para si com um movimento rápido que a fez ficar por cima dele —. Você mostrou os peitos pro meu pai.
—Mmm… —gemeu Sofía quando Salvador pegou um dos seus peitos inchados e apertou igual ela tinha feito com a virilha dele—. Ai, Salvador, é que ele não parava de olhar pra elas, comia elas com os olhos.
Salvador sentia o pau extremamente duro. Ver a sua mulher em cima dele, contorcendo o corpo enquanto ele brincava com os peitos dela era uma maravilha. Imaginou o que seu pai sentiria tendo ela assim, ao apalpar o belo corpo de Sofía, sua encantadora nora.
—Acho que ele teria chupado elas se ela pedisse — disse Sofía de repente, como se lesse a mente dela naquele momento.
Salvador ficou ainda mais excitado, e compreendeu que aquilo era mais do que uma simples intervenção para continuar com seu jogo, era uma insinuação, um convite para chupar os peitos dela. Puxou-a para si, aproximando suas tetas perfeitas da sua boca, e começou a lamber seus mamilos duros. Sabia que Sofia adorava. Era uma das poucas coisas que ela permitia que ele fizesse sem restrições na cama. Desde a primeira noite que passaram juntos, Salvador tinha entendido que os mamilos eram o ponto fraco da sua esposa. Ela adorava que ele os tocasse e chupasse.
—Sim, sim… —sussurra Sofía, bem perto do rosto dele—. Me mostra como o seu pai chuparia se eu deixasse. Ai, meu amor, ele sempre olha pro meu peito, me devora com o olhar.
Salvador não respondeu, estava concentrado em saborear o corpo exquisito da ninfa que tinha por esposa. Os peitos deixaram escapar pequenas gotas de porra materna, que depois se transformaram em jatos. Salvador não parou, desde que tiveram a filha, Sofía tinha se mostrado relutante em deixá-lo chupar seus peitos; dizia que aquilo não estava certo, que não era pra ele e sim pra bebê; parte dos seus típicos discursos recatados, do seu medo de se soltar na cama. Mas agora não disse nada, não o afastou, e sua porra era uma delícia.
A esposa dele parecia outra. Ele pegava a cabeça dela e empurrava, esfregando contra os peitos grandes e perfeitos dela, que jorravam leite materno. Saía tanto leite que Salvador não conseguia chupar tudo, então algumas gotas escorriam dos lábios dele.
Sofía se contorcia nos braços dele, gemendo baixinho, se segurando para não acordar a pequena Alejandra. Isso dava ao ato sexual uma aura de segredo, tons de pecado que ela se esforçava para esconder. Para Salvador, foi fácil imaginar que era assim que sua mulher se comportaria com outro homem, envergonhada de sua excitação, tentando esconder sua traição.
Salvador passava as mãos pelo corpo perfeito da sua mulher. Abençoou a necessidade natural que ela tinha de ir à academia. Suas formas tonificadas e firmes eram tão exuberantes quanto macias e desejáveis. Era uma deusa em todos os sentidos.
—Mmmm —gemeu Sofia, apertando os lábios para que seu gozo não ressoasse muito alto pelo quarto. Olhou para o marido e sorriu como só uma mulher excitada consegue. Afastou a cabeça de Salvador dos seus peitos e o beijou com paixão. Foi o beijo mais safado que já tinham trocado. Ele ainda estava com a boca encharcada do leite que escorria das tetas enormes da mulher, então, quando suas bocas se encontraram, o líquido materno virou parte da troca de saliva e calor.
Suas línguas se entrelaçavam lentamente, com arrebatamentos momentâneos de paixão, como em um sensual tango de meia-noite. A porra que as tetas de Sofia continuavam expulsando os banhava, umedecendo o contato de seus corpos, e eles saboreavam cada momento do que estava acontecendo. Estavam completamente entregues ao prazer, como poucas vezes em todo o seu casamento.
O pau do Salvador estava duríssimo, rígido como uma barra de aço, e batia contra a bunda da sua mulher gostosa. Quando finalmente se separaram, Sofia olhou nos olhos dele.
—Você acabou de roubar a porra da sua filhinha —disse com voz de gata no cio—. Você não é só um péssimo marido, também é um péssimo pai. —Fez uma pausa antes de voltar a falar, e quando o fez, a excitação na voz dela era tão evidente que não teria conseguido esconder nem se quisesse—. Mas eu também sou uma péssima mãe. Estou te alimentando com a papinha dela e você já não é mais nenhum bebê… e eu adoro muito fazer isso. Amo sentir como você me come, como você me saboreia.
Salvador estava extasiado. Essa faceta da sua esposa, a que não se cortava na hora de dizer o que estava sentindo, ele adorava. É que era tão raro que ela fizesse isso. Ele queria que essa Sofia ficasse, não queria mais vê-la recatada, escondendo seus desejos, seus gostos. Rezava aos céus que essa nova mulher nunca fosse embora.
—Acho, sério…, que você deveria dizer pro seu pai sair com alguma mulher — disse Sofía, mordendo o lábio —. Senão… ele pode tentar alguma coisa comigo.
—E o que você faria se isso acontecesse? — perguntou Salvador, olhando diretamente nos olhos da esposa —. Se meu pai tentasse alguma coisa com você… você o rejeitaria?
Por um momento, o rosto de Sofía adotou a expressão de uma esposa irritada, uma que não estava brincando com o marido, nem seguindo suas fantasias. Mas logo voltou a adotar o gesto travesso. Salvador percebeu a luta interior que se travava no temperamento de Sofía, mas não se importou. O teor alcoólico não conseguia superar a excitação que o dominava naqueles momentos, mas mantinha sua culpa perfeitamente sob controle. Queria brincar, queria sonhar com sua mulher, queria que aquele extraordinário espécime de mulher que tinha em seus braços o satisfizesse. Não importava se ela não queria, ou se a deixava desconfortável, seu fetiche era mais forte. Então a pressionou com um olhar expectante, ansioso pela resposta dela.
—Não sei —disse ela por fim, voltando o olhar firmemente para o marido —. Já te falei que ele se parece com você. Talvez eu os confundisse.
Salvador sabia que era muito diferente do pai. Na aparência física, era mais parecido com a mãe desaparecida. O pai era mais baixinho e tinha vários quilos a mais, próprios da idade. As palavras de Sofia lhe pareceram uma desculpa fraca para o que, dentro do seu jogo, lhe parecia uma perversa traição.
—Ah, é mesmo? —disse Salvador, com a voz carregada de reprovação—. Você poderia fazer coisas más com ele pensando que sou eu?
—Talvez um pouco —disse Sofía, entrando na brincadeira, desviando o olhar de vez em quando, como se estivesse tentando esconder algo. Salvador pensou que, de alguma forma, aquele jogo de fantasia que estavam tendo, ela gostava mais do que possivelmente ela mesma esperava.
—Sério? — ele se animou. Sentia a pele do corpo todo arrepiar. Ver sua mulher entrar na onda das suas fantasias lhe causava um tesão delicioso.
—Siim —disse Sofia, antes de inclinar a cabeça e beijá-lo de novo. Salvador aproveitou e voltou a apalpar o corpo perfeito da esposa. Ele ficava extasiado só de imaginar o que seu pai sentiria ao tatear a suavidade e firmeza daqueles glúteos portentosos, a estreiteza daquela cintura contornada, a potência daquelas coxas longas, o arco daquela espinha esguia.
—Você é uma mulher safada — disse Salvador, carregado de desejo perverso, imaginando o pai dela.
—E você é um marido pervertido —respondeu Sofia—. Olha como você tá com o pau de tão excitado que você está? Não te dá vergonha ficar assim só por causa das suas fantasias?
Embora ainda mantivesse o olhar de foxy que mostrava que continuava no seu papel, também havia certa censura na sua voz, como se a pergunta fosse séria.
—Não —respondeu Salvador. Estava farto de se conter. Não queria abrir mão do que sentia naquele momento—. Não vou mais sentir vergonha.
Sofía olhou para ele sério, e Salvador soube que, no fundo, ela ainda não acreditava que ele fosse assim, não admitia totalmente que ele fantasiava com ela e outros homens. Salvador sabia, pelo que tinha lido no fórum que visitava diariamente, que não devia forçá-la a nada. O simples fato de ela se prestar a continuar esse jogo que estavam jogando era sinal de que, pelo menos, tolerava, e de que talvez, só talvez, pudesse acontecer algo no futuro, embora por enquanto ela negasse veementemente.
Salvador olhou para ela de forma penetrante, dominante, por um segundo e depois voltou a beijá-la. Era evidente, pela forma como Sofía movia o corpo, que ela também estava excitada. Talvez não pelo mesmo motivo que ele, mas Salvador sabia que era assim, e só isso já significava muito para ele.
Ele adorava sentir a pele fervente da sua esposa desejável, e sabia que ela gostava que ele a tocasse com paixão. Logo, Sofía o surpreendeu de novo, movendo as mãos sobre a virilha dele, tentando libertar o membro carnudo do boxer que ele estava usando. Não demorou muito para tirá-lo de lá, e começou a acariciá-lo enquanto se beijavam com lúbria vagarosidade.
—Tá muito duro —disse Sofía. Ela acariciava o pau de Salvador sem chegar a masturbá-lo, proporcionando ao marido sensações deliciosas de prazer—. Será que fica assim com o seu pai quando ele sonha com os meus peitos?
—Com certeza —respondeu Salvador. Ele adorava aquele jogo. Quase acreditava que sua mulher estava ficando excitada pensando no pai dele, em como um homem mais velho a desejava —. Acho que você o excita muito, meu amor. Ele deve sonhar com você todas as noites.
—Sério? —perguntou Sofía, mordendo o lábio inferior—. E o que você acha que ela sonha? O que você acha que ela gostaria de me fazer?
Salvador se arrepiou ao ouvir essa pergunta. Sofía estava lhe dando a oportunidade de soltar todas as fantasias escondidas que ele tinha. Seu pai nunca tinha feito parte delas, mas agora que sua esposa estava tão disposta a se deixar levar com ele, com certeza se tornaria um protagonista.
—Aposto que ele sonha em te fazer o mesmo que a gente tá fazendo — disse ela. O coração dela batia a mil por hora. A mulher dele não parava de brincar com o pau dele e de dar beijos carinhosos, mas intensos —. Aposto que ele ia adorar que você tocasse a rola dele… Aaah, do jeitinho que você tá fazendo agora.
—Assim? —disse Sofía, ao mesmo tempo em que apertava com força a ponta do membro de Salvador, que se arrepiou de prazer —. Você acha que ela ia gostar que apertasse?
Salvador abafou um grito quando sua esposa começou a masturbá-lo com mais força. Sentia a mão quente de Sofía subir e descer na pele do seu pau, e aquilo era uma delícia, fazia ele ferver por dentro.
—Ele ia adorar… Com certeza —disse Salvador. Sofía não tirava os olhos dos dele, estava completamente envolvida naquele jogo—. Você é tão gostosa, tão deliciosa que ele ficaria louco te tocando… Aaaaaah…, te saboreando, te vendo com fome do pau dele.
—Não acredito —disse Sofia—. Meu sogro não é um homem pervertido como você. Tenho certeza de que ele não pensa isso de mim.
Salvador se arrepiou de novo com a inocência da sua mulher. Qualquer homem na face da terra ia querer ela, como ela não percebia isso?
Ele gostava tanto do que Sofia fazia com ele. Aquele jeito de acariciar o pau dele era novo, ela nunca tinha usado antes, lento às vezes, de repente rápido, sempre prazerosamente. Além disso, o fato de ela apertar com força, causando um pouco de dor, também era estranhamente excitante pra ele.
—Eu te garanto que, se você deixasse, meu pai se entregaria aos instintos, pularia em cima de você como um louco — disse Salvador, encarando a esposa, que o olhava com aqueles olhos tão sensuais quanto inocentes —. Ele é homem, afinal. E você mesma disse, faz muito tempo que ele não fica com uma mulher. Aposto que ele sonha com você há anos.
Sofía não respondeu, apenas olhou nos olhos dele e continuou massageando o pau dele, que pulsava cada vez com mais força. O sangue que seu coração bombeava para a virilha se concentrava ali com tanta intensidade que ele sentia como se estivesse prestes a explodir. Salvador já não conseguia resistir mais, queria fazer amor com sua esposa. Ele precisava disso.
Sofía também não aguentava mais a excitação que estava sentindo. Ela lambia os lábios enquanto olhava nos olhos dele. Seus olhos semicerrados, sua respiração cada vez mais ofegante.
—Você acha que seu pai quer transar comigo? —perguntou de repente, e Salvador quase gozou com o tesão que o queimou por dentro. Sua esposa não usava essas expressões. Sua Sofía não se referia a sexo a não ser como fazer amor. Aquele "transar" era para as putas que queriam apagar o próprio fogo. A sensação que invadiu Salvador foi tanta, que a expressão do seu rosto foi de puro pavor.
Sofía, como uma felina caçadora diante de uma presa hipnotizada, abriu as pernas para sentar montada no pau ereto de Salvador e, aos poucos, foi engolindo ele, se tornando uma só carne com o marido. A buceta dela estava encharcadíssima, o que evidenciava a autenticidade do seu tesão—. Você acha que ele me deixaria montar nele assim? Mesmo sendo a esposa do filho dele?
—Isso! Ah… Ah… Isso, isso —confirmou Salvador entre gemidos abafados. Seu corpo tremia com os movimentos fabulosos com que Sofía o fazia seu. O corpo da sua mulher era realmente afrodisíaco, lindo, forte, delicioso. Muitos o desejavam, e ele desejava compartilhá-lo—. Eu te receberia com o pau bem duro, Sofía… Eu te meteria todaaaa!
Sofía se jogou com mais violência sobre ele. Marido e mulher se acasalavam gemendo de prazer e tesão, suspirando com o encaixe de seus sexos, se esfregando, com ele apalpando o corpo dela como um possesso.
—Ah! Mmm! Se… ah… se seu pai te… mmm… pedisse… ah? —Sofía fechou os olhos e mordeu os lábios, como se não ousasse terminar a pergunta—… você deixaria ele transar comigo? Ah! Você me deixaria entrar na cama com ele?
Salvador olhava para a esposa e não conseguia acreditar. Era tanta a tesão que o dominava. Viu-a abrir os olhos e olhar para ele. Leu expectativa neles. Será que o tesão que sentia por dentro também queimava dentro da sua Sofia?
—Nunca te obrigaria a nada… Uf —disse ele, medindo as palavras, contendo sua perversão. Depois engoliu em seco e deu sua resposta—. Mas, se dependesse só de mim… Eu faria. Eu deixaria você abrir as pernas pro meu pai… Aaaaah.
Sofía parou seus movimentos de transa e se deixou cair sobre ele. Salvador viu em seu rosto surpresa, tesão e um vislumbre de decepção. Ela desviou o olhar, mas se esfregou com ternura contra ele. Era como se seu corpo estivesse muito à vontade, excitado, mas ela ali na cabeça estivesse incomodada. Claro que Salvador, devido ao seu ânimo ainda afetado pelo álcool, não conseguia ver nem processar isso com clareza. No entanto, ela se recuperou rapidamente e voltou a olhá-lo.
—Sério, você é um marido muito pervertido — disse ela, acusando-o com uma severidade excitante —. O fato de você estar disposto a compartilhar sua esposa para satisfazer seu tesão faz com que você mereça ser castigado.
—Sério? —perguntou Salvador, segurando um gemido, o interior da sua esposa estava tão quente e molhado. Era uma sensação enlouquecedora. Mas ele queria continuar ouvindo ela. Queria ver como aquele jogo excitante continuaria—. Que tipo de castigo?
—Um duro —disse Sofía —. Um que você bem merece.
Depois de dizer isso, Sofia retomou seus movimentos sobre o marido, mas dessa vez sem piedade. Cavalgou-o com força, com vigor, subindo e se deixando cair sobre o pau de Salvador como se estivesse possuída por um arrebato de fúria, como se quisesse esmagá-lo, como se realmente quisesse machucá-lo pelos desejos perversos que tinha.
Salvador, alheio a muitas coisas por seu estado semiétilico e excitação desmedida que experimentava, só sentia como seu pau entrava e saía da maravilhosa anatomia de sua mulher. A sensação era maravilhosa, seu membro se banhava naqueles caldos sexuais quentes, se roçava contra as paredes daquela fascinante caverna. E que visão, por Deus. A forma como as enormes e firmes tetas de Sofia pulavam enquanto ela o montava era poesia visual. Gotas de porra continuavam saindo disparadas em todas as direções, caindo sobre a cama, sobre seu corpo, sobre seu rosto, como garuga quente.
Enquanto via e experimentava tudo aquilo, Salvador se entregou ao prazer, ao êxtase iminente ao qual o conduzia o tremendo
Ele ainda não conseguia acreditar que a sua mulher tivesse topado aquilo. O que mais o surpreendia era que a própria Sofia fosse quem tinha bolado tudo. Esse detalhe importante só fazia o tesão de Salvador aumentar ainda mais.
No entanto, para sua desgraça, Sofia não parecia compartilhar o mesmo entusiasmo que ele sobre o que aconteceu naquela noite. Enquanto Salvador não parava de rememorar o ocorrido, até tentando tocar no assunto de forma distraída com sua mulher, ela se esquivava de tudo e falava de outra coisa, como se nada de extraordinário tivesse acontecido.
Isso deixava Salvador muito confuso, pois não entendia como era possível que sua esposa tivesse se prestado a algo assim para depois não querer nem falar sobre isso, apesar de ser óbvio que ela tinha gostado tanto quanto ele. Por mais que pensasse em alguma explicação, não conseguia chegar a uma resposta razoável. Será que tinha sido tão desagradável para ela que queria apagar isso para sempre da cabeça? Salvador não queria nem imaginar que esse fosse o caso. Preferia pensar que era a timidez enraizada de sua mulher gostosa que a obrigava a evitar o assunto, que a pobre tinha muita vergonha de admitir que havia curtido pra caralho praticar sexo oral nele enquanto falavam de outros homens.
Angustiado, Salvador agarrava a cabeça e pensava que Sofia deveria falar com ele sobre o que aconteceu. Mas depois decidia que não queria pressioná-la demais. O que estava acontecendo com sua vida matrimonial era um sonho, e ele não queria acordar para sua antiga realidade por um arrebato de ansiedade. «Tempo ao tempo — dizia a si mesmo».
É que o sexo oral que sua doce Sofia tinha feito nele foi tão maravilhoso. Ele ainda sentia aquela língua gostosa, e podia ver o rostinho lindo, doce e de repente safadinho da Sofia dançando com o pau dele. Ele lamentava que, apesar de ter sido incrível, ela se recusasse a fazer de novo. Ele já tinha pedido, tomando o cuidado de não mencionar mais nada daquela noite, mas ela se mostrava relutante. Não que ela se recusasse totalmente, mas ela se fazia de sonsa, o que fazia Salvador desistir e deixar o assunto pra lá.
Com o passar dos dias, Salvador ia perdendo as esperanças e, de certa forma, aceitava cada vez mais a ideia de que aquilo tinha sido coisa de uma noite só, o presente que Sofía lhe dera com amor, mas que não se repetiria, pelo menos não até o próximo dia especial que tivessem.
Mas um detalhe não o deixava se dar por vencido de vez. Embora à primeira vista parecesse que sua vida tinha voltado à rotina de sempre, ele notava algo que sim havia mudado desde aquela noite: a forma de se vestir de Sofía.
Ela tinha mantido sua palavra em relação às roupas. Tinha dito que começaria a se vestir mais na moda, e estava cumprindo, do jeito dela pelo menos. Já não se vestia como uma solteirona de quarenta anos. As peças que usava eram mais jovens, desde blusas de manga curta levemente decotadas até calças justas no quadril, ou saias que, sem serem tão curtas, mostravam uma boa quantidade de perna. Aos poucos, Sofia se mostrava muito mais feminina ao se vestir, e isso fazia com que o tesão de Salvador aumentasse, pois via nesse simples ato uma oportunidade de que suas fantasias se tornassem realidade em algum momento.
Tão distraído que ele estava com tudo o que acontecia com Sofía, que pouco tempo passou para que começasse a ter problemas no trabalho. Uma tarde, ele não percebeu um erro grave que um dos vendedores novos cometeu, e sobrou para ele tentar resolver com o cliente. Nem precisa dizer que seu chefe, o gerente da agência, estava como um dragão, bravo com os funcionários, incluindo ele, a quem culpava por não ter supervisionado bem seus subordinados. Por sorte, tudo acabou se resolvendo, embora toda essa confusão tenha feito com que ele chegasse em casa mais tarde do que o normal.
Naquela tarde/noite, ao entrar no apartamento, ele não viu a mulher em lugar nenhum. Chamou por ela, mas não obteve resposta. Quando foi até o quarto, verificou que ela também não estava lá, nem o bebê.
—amor? —continuou chamando em voz alta ao voltar para a sala.
Ele checou os outros quartos da casa, e também não encontrou nenhuma das suas duas mulheres ali. Começou a se preocupar. Não era normal que Sofía não estivesse em casa quando ele voltava do trabalho, menos ainda que estivesse fora naquela hora. Pensando que algo ruim podia ter acontecido, pegou o celular e ligou para ela.
A preocupação dele aumentou quando o celular da mulher dele tocou e tocou sem que ela atendesse. Ele tentou se acalmar, afinal, o mais provável era que ela estivesse bem, mas o medo não passava.
Tentei imaginar onde elas poderiam estar. A primeira coisa que lhe veio à cabeça foi a dona Dolores. Já era tarde para a academia, mas elas já eram bem amigas e não seria estranho que Sofía tivesse ido vê-la, embora isso não explicasse por que ela não respondia o celular. De qualquer forma, discou o número do apartamento da dona Dolores. Não se surpreendeu que o desagradável do seu Porfirio tivesse atendido.
—O quê? — disse a voz rouca do velho. Soava irritado, como se tivessem interrompido ele no meio de algo muito importante.
—Boa tarde, seu Porfirio —disse Salvador, tentando soar o mais tranquilo possível. Não queria começar uma discussão com aquele homem —. Estou ligando porque quero saber se minha esposa está aí, na sua casa.
—Ah, senhor Martínez —respondeu Porfirio, arrastando as palavras—. Sim, sua mulher está aqui…, comigo.
A forma como ele pronunciou essa última palavra fez Salvador queimar por dentro. O velho fazia aquilo com má intenção, tinha certeza, mas sua preocupação com Sofía e sua filha foi maior que seu desgosto.
—Posso falar com ela? — perguntou, lutando para manter a calma.
—Não sei —disse o velho com tom satisfeito—. Ela tá ocupada…
Salvador vislumbrou em suas lembranças o rosto de Sofia atrás do seu membro.
—O que ela está fazendo? — perguntou, apertando o celular com força.
—Bom, ela tá... conversando com a minha coroa —disse Porfirio. Salvador imaginou que o desgraçado tava sorrindo do outro lado da linha—. Tão entretendo a filhinha dela, a pirralha tá chorona pra caralho, hehe.
—Entendi — disse Salvador, cada vez mais irritado com a intimidade que aquele velho tomava para se referir à sua família —. Pode chamá-la? Preciso falar com ela.
—Senhor Martínez —disse Porfirio —. Já te falei que ela tá ocupada.
Salvador percebeu que a raiva o dominava. Quem aquele velho pensava que era? Não tinha nenhum direito de negar a mulher dele. Com certeza só queria irritá-lo, e estava conseguindo. Decidiu que não valia a pena entrar em discussão com aquele cara, só ia dar o gostinho pra ele
—Tá bom —disse finalmente, suspirando—. Só diz pra ela que eu liguei no celular dela.
—Sim, eu vou dizer a ele —respondeu Porfirio, que pareceu perceber o nervosismo de Salvador por Sofia estar na casa dele, pois acrescentou —. Relaxa, cara, que aqui sua esposa tá segura… Se é que a Dolores tá aí.
As últimas palavras ela disse num sussurro, como se não quisesse que Salvador as escutasse, mas é claro que ele escutou. O que aconteceria se a dona Dolores não estivesse lá? Se aquele velho estivesse a sós com sua Sofía? Ele quase gritou para ele ir à merda, mas antes que pudesse fazer isso, o velho Porfirio desligou o telefone.
O primeiro impulso de Salvador foi sair do seu apartamento e ir ao dos locadores para trazer sua esposa para casa, mas se conteve. Sabia bem que isso só irritaria Sofía. Não podia chegar dizendo que tinha entendido que seu Porfirio queria fazer... mal a ela. Pareceria um louco ciumento.
Então, depois de se acalmar, decidiu que o melhor a fazer era simplesmente esperar. Não era a primeira vez que sua mulher ia visitar a casa da dona Dolores. Já era tarde e ele supôs que Sofia, ao saber que ele já estava em casa, voltaria logo.
Salvador se jogou no sofá, ligou a televisão e ficou olhando sem realmente ver, mordendo os dentes toda vez que relembrava a conversa com o desgraçado do locador.
Meia hora depois, a porta do apartamento se abriu e sua mulher entrou com a bebêzinha no colo.

—Oi —respondeu Salvador, sério.
—Desculpa o atraso —disse a sua mulher —. Hoje tive que ir à academia mais tarde porque a sua filhinha não se acalmava, e me atrasei na casa da dona Dolores, ela me pediu ajuda com uma comida que estava preparando.
—Por que você não atendeu o telefone? — perguntou Salvador, com um tom mais severo do que pretendia.
—Você me chamou? —perguntou Sofia, surpresa —. O celular tá na bolsa da academia, não escutei.
—E o velho Porfirio não te contou? —perguntou Salvador—. Quando liguei, ele não quis te passar o telefone.
—Sério? Ela não me disse que você tinha ligado.
Salvador teve que massagear a têmpora para acalmar a raiva que sentiu.
—Ele não te contou? —disse com calma, prestes a explodir.
—Não.
—Claro que ele não te contou! —resmungou para si mesma—Como eu odeio esse velho.
—Calma, gatinha —disse Sofía—. Não precisa ficar tão irritada.
Bem na hora que Salvador ia responder, Alejandrita começou a chorar, fazendo com que a atenção de Sofía se voltasse pra ela. A mãe amorosa a embalou nos braços.
—Calma, calma, Janita —disse ele—. Não chora, acabei de gozar em você; não me diz que quer mais.
Essas palavras chamaram a atenção de Salvador, que se virou para ver sua mulher com ferocidade.
—Espera. Você amamentou ela? —perguntou com a boca aberta—. Na casa daquele velho?
—Pois é, eu tava carente, tava com fome — disse Sofía, com a maior naturalidade do mundo —. Qual é o problema?
—Você fez isso na frente daquele velho? — perguntou Salvador, cada vez mais alterado.
—Não ia me esconder pra isso —respondeu Sofia, confirmando o que Salvador tinha imaginado.
—Sério?! —Salvador quase gritou quando sua esposa lhe contou o que aconteceu.
—O que foi? —perguntou Sofía—. Você vai assustar a Janita. Por que você fica assim?
—É que… como você pôde mostrar seus peitos pra aquele miserável?
—O quê? —Sofía parecia consternada com o jeito que o marido estava falando com ela —. Eu não mostrei nada… Me certifiquei de me cobrir bem. Além do mais… mesmo se ele tivesse me visto, qual é o problema? Eu estava amamentando minha filha, como qualquer mãe faz.
—Mas você não precisava ter deixado aquele velho te ver.
—Já te falei que ela não viu nada! Você não tem por que estar bravo! —exclamou Sofía, já mais irritada. Olhou nos olhos dele, e de repente entendeu tudo—. Ah… entendi… —disse, olhando sério pra ele—. Você não tá bravo comigo, né?, mas consigo mesmo.
—O quê?
—Você tá bravo consigo mesmo porque essa bobagem de eu ficar mostrando meus peitos pro seu Porfirio te... te... deixa excitado, né? — disse Sofía, se referindo pela primeira vez ao seu fetiche desde o dia do seu aniversário —. Você odeia esse cara, por isso te incomoda tanto ficar excitado com essa sua fantasia.
—Não… Eu…
—Não nega —disse Sofía, muito séria —. Você mesmo me confessou que o que mais te excita é me imaginar com esse velho. Ela se levantou com a bebê no colo. Estranhamente, a discussão dos pais tinha acalmado a Alejandrita.
—Sim, mas…
—Por isso agora você fica puta, porque na sua mente safada você acha que eu fiz algo com ele, e isso te excita, mas ao mesmo tempo te deixa com raiva.
Salvador ficou em silêncio diante das palavras da sua mulher. A verdade é que não podia argumentar nada, ela estava certa. Desde sempre, a fantasia de ver sua Sofía com o velho Porfirio tinha sido para ele como uma faca de dois gumes, pois quanto mais o excitava, também o fazia se sentir pior. Na sua cabeça ecoou por vários segundos a voz de Sofía dizendo "sua mente safada".
Sofía foi direto pro quarto dos dois. Era evidente que ela tava muito puta. Antes de entrar no quarto, ela se virou pra olhar nos olhos dele.
—Eu já te disse uma vez: não me importam as suas fantasias. Se elas te fazem feliz, problema seu. Mas não vou tolerar que elas interfiram no nosso casamento — disse ele, com os olhos de repente inundados de lágrimas —. Não gosto que você grite comigo. Não fiz nada de errado com esse homem e, caso você tenha esquecido, repito: Nunca vou fazer.
Assim que ficou sozinho, Salvador terminou de cair na real de que tinha feito merda. Era a primeira vez em quase dez anos de se conhecerem que brigavam daquele jeito. A ideia de ter machucado a Sofía o assustou. Ele a tinha feito chorar e isso o fez se sentir um bosta. Também estava surpreso; sua mulher o conhecia melhor do que ele mesmo se conhecia.
Os dias seguintes foram um inferno para Salvador. Ele se sentia culpado. Não deveria ter gritado daquele jeito com Sofía. Depois de pensar e repensar, percebeu que ela não merecia nada do que ele tinha dito. Sua raiva tinha nascido da própria imaginação dele, é claro, inflamada pelos comentários daquele miserável do Porfirio, que com certeza tinha tido más intenções com tudo o que havia dito. Claro, com o que agora sabia, era óbvio que o velho teria atendido o telefone meio irritado. Com certeza o desgraçado estava curtindo o melhor espetáculo, olhando a vizinha gostosa amamentar o bebê. Por isso mesmo não tinha querido passá-la ao telefone, e depois não tinha contado que ela havia ligado, tudo para tê-la mais um tempo no apartamento dele, tudo para aproveitar qualquer distração e ver a buceta dela de perto, nem que fosse por um instante.
Mas nada disso tinha a ver com Sofia, sua Sofia inocente.
Por alguns dias, ele tentou conversar com ela e se desculpar, mas ela ignorava suas tentativas de aproximação, ia atender a Alejandrita, ou simplesmente fazia qualquer outra coisa para se afastar dele.
No entanto, depois de uma semana, Sofia se mostrou mais flexível. Voltou a falar com ele, até com carinho, e à noite, quando foram dormir, o surpreendeu pedindo desculpas.
—Exagerei as coisas —disse Sofia, passando o braço sobre o peito de Salvador enquanto os dois estavam deitados na cama—. Não devia ter reagido como reagi.
—Eu também sinto muito — disse Salvador, aliviado por ter espaço para se desculpar —. Reagi de um jeito que não devia. Fiquei muito puto… Você tem razão em tudo que me disse.
Sofía sorriu docemente para ele e lhe deu um beijinho nos lábios.
—Eu devia saber que o que a gente fez no dia do seu aniversário ia despertar essas coisas — disse ele com carinho —. Mas eu queria te dar o melhor presente de aniversário…
—E você fez —disse Salvador, apressado, temendo que Sofía pensasse outra coisa —. Sério, foi o melhor presente que já recebi na vida toda.
—Sabia que você ia gostar, por isso fiz isso —Sofía levantou o canto do lábio por um instante, como um sorriso fugaz, depois baixou o olhar.
Salvador entendeu que ela tinha se sacrificado pra agradá-lo. Sentiu-se o marido mais egoísta. Sofía tinha se sacrificado fazendo coisas obscenas, coisas que nunca faria por vontade própria, e ele tinha pagado pra ela descontando nela a culpa dele. Agora percebia que devia respeitar o jeito recatado e decente de Sofía, que não podia querer arrastá-la pra compartilhar o fetiche dele. Não podia pressioná-la, pois, caso contrário, tinha certeza de que voltariam a discutir como dias atrás.
—Gostei muito — disse finalmente, resignado —. Mas sei que não posso esperar que se repita. Não vou insistir de novo pra gente fazer isso. Sei que te incomoda.
—Se você quiser… podemos fazer de novo —disse Sofía, surpreendendo Salvador, que olhou pra ela com uma cara de incredulidade—. Eu tô pensando nisso, e acho que não é bom negar uma coisa que você sente… como homem. Você precisa deixar sair o que tá reprimido de vez em quando… E eu sou sua esposa. Não posso te deixar… só com isso. —Ela falou com uma timidez carinhosa. Salvador sentiu um arrepio. Não conseguia acreditar no que ouvia sair da boca da esposa—. Além disso… a verdade é que eu também curti um pouco —admitiu Sofía, ficando vermelha.
Salvador abriu a boca e não soube o que o deixava mais excitado: se as palavras da sua mulher, ou o quão gostosa ela ficava quando estava com vergonha.
—Tá falando sério? —ela perguntou.
Sofía não respondeu de imediato, como se estivesse pensando bem na resposta.
—Sim… Acho que foi emocionante o que a gente fez —respondeu por fim. Salvador não conseguia acreditar no que acabara de ouvir—. Mas não me entenda mal. Continuo sendo contra a grande maioria das coisas que li naquele fórum da internet, e não vou fazer nada com nenhum outro homem, mesmo que você implore. Porém…, se for só entre a gente, se for só uma fantasia, pode… ser que seja bom.
Salvador abriu a boca, mas não lhe veio nada à cabeça para dizer; estava atônito.
—E só vamos fazer quando eu estiver a fim — disse Sofía, adotando de repente uma atitude mais dominante —. Em datas especiais, ou quando eu tiver vontade. Não quero que você fique insistindo sobre isso, tá bem?
—Claro —disse Salvador, animado.
—Então estamos de acordo —disse Sofia, estranhamente satisfeita—. Te amo. —Ela arranhou delicadamente a ponta do nariz de Salvador e lhe deu um beijo rápido nos lábios. Depois se aconchegou no peito do marido e não disse mais nada.
Naquela noite, Salvador mal dormiu. Pensava e repensava no que Sofia tinha lhe dito. Sentia culpa. Não queria que sua amada esposa fizesse coisas desagradáveis para ela mesma só para agradá-lo. Mas ela mesma tinha acabado de dizer que havia gostado do que fizeram na outra noite. Mas também tinha evitado falar sobre isso todo aquele tempo. Salvador não entendia nada. Nem a si mesmo, porque passava da culpa para um forte entusiasmo. A simples ideia de experimentar de novo aquele tesão implacável com Sofia era embriagadora. Por fim, se entregou às suas fantasias. Com sua linda, graciosa e exuberante esposa aconchegada ao seu lado, fechou os olhos e imaginou o prazer macabro que o velho Porfirio devia ter sentido ao ver Sofia com um dos seus enormes peitos de fora, amamentando seu bebê faminto.
No dia seguinte, Salvador, sonolento por ter virado a noite anterior, estava pronto para ir pra casa depois de terminar suas horas de trabalho, quando recebeu uma ligação de um dos seus amigos, Leonardo.
—E aí, Leo? —cumprimentou ao atender.
—Ei, Salvador, tá livre hoje à noite? —perguntou o amigo dele—. A gente quer ir tomar umas cervejas. Você vem?
—Aonde? —perguntou Salvador, ponderando a ideia.
—No lugar de sempre —respondeu Leonardo, animado.
—Não sei —respondeu Salvador. Ele tinha acabado de se reconciliar com Sofia e sabia que ela não gostava que ele saísse pra beber, então não tinha certeza se era um bom momento pra sair pra encher a cara com os amigos.
—Vamos, não se faça de rogada —disse Leonardo ao telefone—. É sexta-feira, amanhã você não trabalha. Além disso, você nos deve as bebidas do seu aniversário.
Salvador pensou bem. Era sexta-feira, amanhã não trabalhava. Estava cansado, sim, mas o panorama que se apresentava tinha lhe devolvido as energias. Tinha sido uma semana muito estressante para ele. A discussão com Sofía, a incerteza do que aconteceria na sua vida íntima depois do seu último aniversário, e o desempenho irregular no trabalho, o tinham com o cérebro prestes a explodir. Precisava dar um descanso pra si mesmo.
—Tá bom —decidiu—. Vejo vocês lá. Mas só vou ficar uma hora ou duas.
—Claro, o que você disser —respondeu Leonardo e desligou.
Salvador achou que não era boa ideia ligar pra Sofia e dizer que ia sair com os amigos, não agora que as coisas estavam voltando a ficar bem entre eles. Também não queria mentir pra ela, então decidiu que o melhor era mandar uma mensagem explicando que chegaria tarde; uma verdade incompleta, não uma mentira. Depois disso, deixou o celular na mochila, disposto a não olhar pra ele de novo até sair do bar pra onde estava indo.
O rolê com os amigos foi pra desestressar. Todo mundo precisava relaxar, rir e esquecer os problemas por um tempo. Não estavam atrás de mulheres, como a grande maioria dos caras que tinha no lugar. Os três só olhavam pras gostosas que circulavam por ali, e opinavam se eram atraentes, se pegariam elas e tal, rindo das putarias que um ou outro soltava. Também rolou conversa fiada, sobre o trabalho de todo mundo e como tinha sido a vida deles ultimamente. Falaram e beberam como nos velhos tempos.
Por volta das onze da noite, Salvador decidiu que era hora de ir embora, então se despediu dos amigos entre reclamações.
Ela estava prestes a se levantar, entre insultos e protestos pela sua saída, quando Renato disse:
—Bom, tá bom, se me esperasse em casa o que te espera a você eu já teria ido faz tempo. Kkkk.
Leonardo olhou consternado por um momento para Renato, mas depois assentiu, dando razão a ele, levantou sua taça e a chocou com a do amigo.
Salvador voltou a se acomodar na cadeira, sem ter certeza se tinha entendido o comentário de Renato.
—Como é isso? O que me espera? —perguntou.
—Já, não se faz —disse Renato, com olhos sonolentos de bebedeira. Ele já tinha passado um pouco das doses—. Sofia, quem mais?
—Não seja idiota, Renato —interveio Leonardo, segurando o riso.
—Não entendo —disse Salvador. Ele imaginava aonde tudo aquilo ia dar, mas queria ouvir.
Leonardo e Renato se olharam por um instante. Leonardo levantou as sobrancelhas e os ombros e se deixou cair na cadeira, dando carta branca para Renato se explicar. Aparentemente, esses dois, diferente do Salvador, se entendiam muito bem em relação ao que quer que estivessem discutindo. Dava pra ver que era um assunto que já tinham conversado antes, sem a presença do amigo. Intencionalmente às escondidas dele?
—Com todo o respeito, Salvador, não fica ofendido — disse Renato, mais sério, como quem tateia o terreno —, mas, se você não sabe o que tem em casa, você é um completo idiota.
Leonardo tapou a boca pra segurar o riso.
Salvador não deu importância. Olhava sério para Renato. Não estava irritado, mas queria que seu amigo continuasse. Queria ouvi-lo.
Renato olhou para ele com exasperação.
—Sua mulher, Salvador… É uma delícia — disse ele, esticando as mãos para reforçar sua afirmação. Depois apontou ao redor —. Todas aquelas garotas, as mais gostosas entre elas, não chegam nem aos pés da Sofia. Com todo respeito.
—Tipo, ela sempre foi gostosa —interveio Leonardo—. Mas naquele dia no seu apê, quando a gente comemorou seu aniversário… Puf. Vamo, cara, aquele look… A gente nunca tinha visto ela assim. Tudo o que ela tinha escondido…
Salvador levantou uma mão.
—Tá, tá bom, entendi, entendi —disse. Não porque se sentisse desconfortável com o que estavam falando, mas pelo que aquilo provocou nele ao ouvir da boca dos seus melhores amigos o que eles achavam da sua Sofia, sua esposa meiga e inocente. Não conseguiu evitar se perguntar se aqueles dois respeitariam a antiga amizade se tivessem alguma chance de cair na cama com a sua mulher. Se surpreendeu desejando que não, e por um segundo se colocou no lugar de Renato, o que ele sentiria ao ter a oportunidade de abraçar o corpo esguio de Sofia, de beijá-la, de possuí-la como mulher, como gostosa.
—Kkkkk —riu Renato—. Não fica assim não. Leva como um elogio —disse depois, entendendo o ensimesmamento de Salvador como incômodo.
—Sim, não fica bravo —concordou Leonardo—. É só que você tem uma mulher linda. E daí? Tem outros caras que também têm essa sorte, tipo… tipo… —olhou para Renato, buscando ajuda, que lhe dissesse quem mais entre seus amigos tinha uma mulher do calibre de Sofía em casa.
Renato não soube o que dizer, e dessa vez foi a vez de Salvador rir deles.
Um minuto depois, já todos sinceros e tão amigos como sempre, Salvador se despediu de novo e foi embora.
No caminho para casa, não conseguia parar de pensar na última conversa com seus amigos. Era evidente que a mudança de Sofía tinha sido bastante notória durante a comemoração do seu aniversário. E também era óbvio que, aos olhos de todos os machos presentes naquele dia, sua mulher era uma gostosa e desejável mulher de luxo.
E essa ideia o deixava excitado. Com os drinks que já tinha tomado, a culpa que às vezes turvava essas sensações safadas nem sequer apareceu.
Chegou ao seu apartamento. Era tarde e tudo estava escuro. Supôs que sua mulher estava dormindo, então se dirigiu sem fazer barulho ao seu quarto. No entanto…
—Boa noite —ouviu a voz de Sofía assim que abriu a porta. Ela estava sentada na cama, vestida com uma baby doll preta e os braços cruzados. A julgar pela expressão dela, estava brava de novo.

—Oi, amor —disse Salvador, olhando para a esposa com certo receio. Não queria que ela ficasse brava com ele de novo.
—Por que você não respondeu minhas ligações?
—Eu… —Tinha esquecido de olhar o celular na saída do bar. Que idiota!
—Seu pai esteve aqui, te procurando.
—O quê?
—Te liguei pra te avisar. Você teria voltado cedo e a gente teria jantado todo mundo junto, mas você não atendeu o telefone. —Estava chateada, embora a raiva dela fosse mais parecida com a que sempre sentia quando ele saía pra beber do que com a da semana passada—. Mas claro, você preferiu ficar com seus amigos, enchendo a cara.
Salvador percebeu que a cabeça começava a girar. Sofía estava enganada, ele não estava bêbado, não tinha bebido tanto assim, mas ouvir as reclamações dela o deixava assim.
—E o que ele queria?
—Não sei —respondeu Sofia, cruzando os braços —. Ele ficou um tempo, mas não me disse por que veio te ver, talvez só quisesse ver o filho. Você nunca o visita.
—Você já sabe que eu tô ocupado com o trabalho…
—Eu sei —disse Sofia, mostrando-se mais compreensiva —. Mas te juro que teu pai me dá um pouco de pena. Deve ser solitário viver tão longe do teu único filho. Você deveria ir vê-lo mais vezes.
Salvador suspirou. Sabia que sua mulher tinha razão. Nos últimos anos, ele tinha se afastado do pai. Não que tivesse decidido isso, mas o trabalho estava cada vez mais exigente, não tinha tempo nem energia para fazer uma viagem até os arredores da cidade com muita frequência.
Foi direto ao banheiro. Não estava a fim de tomar banho naquela noite, então só mijou boa parte da cerveja que tinha bebido naquele bar, e depois voltou pro quarto com vontade de dormir.
A esposa dele o observou se despir atentamente. No olhar dela dava pra notar que a raivinha tinha começado a passar. Sempre era assim quando eles brigavam por causa das chegadas tarde dele. Ele sabia que no fundo ela entendia que ele precisava de um momento pra relaxar, e como isso não acontecia com tanta frequência, ela nunca ficava brava de verdade.
—Sabe…? —disse de repente Sofia—, eu realmente acho que você deveria incentivar seu pai a arrumar uma… namorada.
—Por que você diz isso? — perguntou Salvador. Tinha ficado só de cueca e se enfiava na cama. Era uma noite quente e ele estava cansado demais para procurar algo para dormir.
—Bom, é que… —Sofía de repente ficou muito nervosa, envergonhada por algo, e Salvador percebeu.
—O que foi?
—Olha, é que… Não quero que você pense que estou falando mal do seu pai —balbuciou a esposa dele, fazendo Salvador ficar inquieto.
—Claro que não, me diz o que tá acontecendo — insistiu Salvador, preocupado ao ver a expressão no rosto da sua mulher.
—Bom…, o que acontece é que ele… não parava de me olhar.
—Te olhar? O que você quer dizer com isso? — perguntou Salvador, confuso, com a mente meio turva pelo cansaço e pelo álcool.
—Bom, você já sabe… — disse Sofia. Seu rosto ficou vermelho de vergonha e ela tentou desviar o olhar de Salvador —, como homem… como um pai não deve olhar para a esposa do seu filho.
Salvador ficou de queixo caído. Era muito difícil pra ele pensar no pai olhando pra própria mulher daquele jeito… No entanto, ao mesmo tempo, tinha algo excitante no fato de um homem da idade do pai dele olhar com tesão pra uma mulher jovem e gostosa como Sofía.
—O que aconteceu? Ele te fez ou disse algo ruim? —perguntou preocupado, tentando se desvencilhar dessas ideias turvas. Temia que a resposta da esposa fosse afirmativa. Não saberia o que fazer, como enfrentar seu pai…
—Não —disse Sofía, aliviando os ânimos de Salvador—. Ele não me fez nada, é só que…
—O quê?
—Lembra quando a gente tava na faculdade e um monte de homem ficava me encarando e me deixava desconfortável?
Salvador assentiu. Claro que lembrava daqueles tempos. Estudantes, professores, faxineiros, até alguns pais de família; quando estava no campus, Sofia sempre era um ímã de olhares. Não existia homem que não virasse a cabeça quando ela passava. O ciúme e a excitação que Salvador sentia naquela época raras vezes foram igualados, nunca superados, não até seu último aniversário.
—Pois seu pai não parava de me olhar assim quando veio hoje — explicou Sofia —. A gente estava sentado na sala. Eu te esperava com uma das minhas saias novas, a azul, aquela bem curtininha; e ele… não parava de observar minhas pernas.
Salvador engoliu em seco. Sentiu uma pontada de tesão percorrer todo o seu corpo. Sabia que era errado se sentir daquele jeito, mas era algo que ele não conseguia controlar, e estava muito sensível em relação ao seu fetiche; as cervejas e a conversa dos amigos sobre a beleza de Sofía o tinham deixado assim.
—Além disso, quando eu disse que ia te ligar de novo pra ver que horas você chegava, a Janita começou a chorar… Bom, e ele insistiu que a menina tava com fome, que eu desse peito… Ai, Salvador, você devia ter visto a cara dele, era óbvio que ele queria ver meu peito pelado. Como pode existir homem tão nojento que fica excitado vendo uma mulher amamentando? O que é que um simples peito provoca neles, pelo amor de Deus?
«Seus peitos estão longe de ser simples, amor — pensou Salvador, e se concentrou em adotar uma expressão indignada, pois sentiu que, com tudo o que estava ouvindo, devia estar com uma cara ainda mais libidinosa que a do seu pai».
Mesmo assim, apesar do que sentia, Salvador custava a acreditar. Seu pai era um homem respeitoso; não seria capaz de se comportar daquela maneira.
—E o que você fez? — perguntou, se ajeitando na cama, demonstrando muito interesse no que a mulher estava contando.
—O que eu fiz? —perguntou Sofía. Era evidente pela sua estranheza que ela não entendia por que eu fazia uma pergunta com uma resposta tão óbvia—. Alimentei minha filha, claro, não ia deixar ela com fome.
Salvador sentiu que um vulcão despertava no meio das pernas. Imaginar a sua mulher com os peitos de fora na frente do pai dele o excitava, não podia negar.
—Você não se importou que ele pudesse te ver?
—Bom, óbvio que me senti um pouco incomodada, mas me cobri o melhor que pude —respondeu Sofia—. Embora eu suponha que ele deve ter visto alguma coisa.
—Quanto?
—Não sei —respondeu Sofia, envergonhada—. Mas…
—O quê? —perguntou Salvador, com uma ansiedade que não conseguiu reprimir.
—Eu… na real… não sei como falar isso.
—Só fala —disse Salvador. A essa altura, os efeitos que o álcool pudesse ter tido sobre ele quase tinham desaparecido. Ele se sentia bem desperto. O efeito etílico só se percebia na sua desinibição, na falta de cautela com que interrogava a esposa, na evidente excitação que tudo aquilo lhe provocava—. Prometo que não vou me incomodar.
—Já sei que você não vai ficar bravo — disse Sofía com timidez, talvez até com tristeza —. Na verdade, você vai gostar…, mas eu fico com vergonha.
—O que você quer dizer?
Sofía não disse nada por alguns segundos. Ficou olhando pra ele, pensativa.
—Que seu pai me visse amamentando meu bebê… não foi tão ruim assim — disse finalmente, e pareceu que tinha se livrado de uma grande pressão, como se confessar aquilo a fizesse se sentir melhor.
—Como…? — perguntou Salvador. Ele não conseguia acreditar que sua esposa estivesse lhe dizendo aquilo. Ela, que sempre se mostrara tão relutante em tocar nesses assuntos.
—Não sei o que me deu —disse Sofía, desviando o olhar, ainda com certo afetamento na voz. Salvador supôs que ela não estava conseguindo aceitar o que estava confessando —. Talvez seja porque você e seu pai são muito parecidos, a única coisa que sei é que enquanto ele me olhava…
Sofía não continuou falando e Salvador não aguentou.
—Enquanto ele te olhava, o quê? — ele pressionou.
Ela levantou o olhar. Dava pra ver que estava muito nervosa, e não era pra menos. Salvador compreendia o estado em que se encontrava sua mulher. Mas ele mesmo estava tão excitado. Cada palavra que saía da boca da sua esposa fazia sua imaginação voar, e voltar só pra aumentar seu tesão, com a imagem de um milhão de possibilidades do que poderia ter acontecido naquela tarde enquanto ele não estava.
—Bom, quando estou com você não me importo de mostrar meu corpo mais do que devia, e como ele em essência é como você, suponho que aconteceu o mesmo comigo… Ai, não sei.
Salvador olhou para ela. Não entendia direito. É verdade que ele e o pai tinham uma certa semelhança, mas o que é que isso tinha a ver.
—Talvez por isso não me incomodou tanto que ele ficasse me olhando enquanto eu amamentava a Janita —continuou Sofía, e no mesmo instante pareceu perceber o que estava dizendo, pois levou as mãos às bochechas, como tentando esconder seu rubor, sua vergonha—. Mas não me entenda mal. Não fiz nada de propósito, e continuo dizendo que seu pai precisa voltar a ter um relacionamento pra parar de olhar assim pra outras mulheres, pelo menos não pra esposa do filho dele.
Salvador ficou olhando pra ela, impressionado. Será que a mulher dele tinha se exposto pros olhos do pai dele sabendo que tava deixando ele excitado? Era algo perverso, uma sacanagem, no fim das contas, mas era a Sofia dele, a linda e tímida Sofia dele. De repente ele percebeu que ela o observava, esperando a reação dele.
—Bom, ele diz que já está velho — comentou Salvador, mais por dizer alguma coisa, ajeitando os lençóis para cobrir a ereção que a confissão de Sofía tinha provocado nele —. Não quer se complicar muito procurando uma mulher nessa altura da vida.
—Bobagem, ele não é tão velho assim —retrucou Sofía—. Além disso, é um senhor… decente, com certeza mais de uma mulher estaria interessada.
—Oh? Então você acha que meu pai é bonito? — perguntou Salvador em tom de brincadeira, fingindo um incômodo que não sentia, tentando acalmar os ânimos da mulher, pois queria que ela continuasse falando.
—Já te disse que ele se parece um pouco com você. Acho que as mulheres da idade dela devem achar ele bonito — defendeu-se Sofía, e de repente começou a se aproximar do rosto de Salvador, com a óbvia intenção de dar um beijo nele, mas parou a poucos centímetros dos lábios do marido —. E não vem com essa. Você não pode estar bravo comigo. Essa parte aqui me diz que é totalmente o contrário. — Para surpresa de Salvador, Sofía tirou os lençóis que cobriam sua ereção e colocou a mão sobre o volume da cueca box. Depois, sem esperar mais nada, o beijou de forma terna e molhada enquanto dava um leve apertão no pau dele, que reagiu pulsando enfurecido.
—Você ficou excitado com o que seu pai fez? Te dá tesão saber que ele me deseja? — perguntou Sofia, depois de um momento se afastar dos lábios dele. Agora sorria com um olhar cúmplice. A raiva que mostrava quando ele chegou de beber com os amigos tinha desaparecido, só restava um pouco de dúvida envergonhada nos olhos safados dela —. Você é um marido muito safado.
Salvador entendeu que, de alguma forma, aquela noite era especial. Engoliu em seco e sentiu o peito vibrar com o presságio daquela noite. Seria uma daquelas noites a que Sofia havia se referido quando fizeram as pazes depois da briga? Iam realizar suas fantasias? Num instante decidiu que sim, que não havia mais volta. Ele precisava disso, vinha desejando desde o dia do seu aniversário.
—Você também não é uma boa esposa. É safadinha — disse ele, passando o braço pelas costas dela e puxando-a para si com um movimento rápido que a fez ficar por cima dele —. Você mostrou os peitos pro meu pai.
—Mmm… —gemeu Sofía quando Salvador pegou um dos seus peitos inchados e apertou igual ela tinha feito com a virilha dele—. Ai, Salvador, é que ele não parava de olhar pra elas, comia elas com os olhos.
Salvador sentia o pau extremamente duro. Ver a sua mulher em cima dele, contorcendo o corpo enquanto ele brincava com os peitos dela era uma maravilha. Imaginou o que seu pai sentiria tendo ela assim, ao apalpar o belo corpo de Sofía, sua encantadora nora.
—Acho que ele teria chupado elas se ela pedisse — disse Sofía de repente, como se lesse a mente dela naquele momento.
Salvador ficou ainda mais excitado, e compreendeu que aquilo era mais do que uma simples intervenção para continuar com seu jogo, era uma insinuação, um convite para chupar os peitos dela. Puxou-a para si, aproximando suas tetas perfeitas da sua boca, e começou a lamber seus mamilos duros. Sabia que Sofia adorava. Era uma das poucas coisas que ela permitia que ele fizesse sem restrições na cama. Desde a primeira noite que passaram juntos, Salvador tinha entendido que os mamilos eram o ponto fraco da sua esposa. Ela adorava que ele os tocasse e chupasse.
—Sim, sim… —sussurra Sofía, bem perto do rosto dele—. Me mostra como o seu pai chuparia se eu deixasse. Ai, meu amor, ele sempre olha pro meu peito, me devora com o olhar.
Salvador não respondeu, estava concentrado em saborear o corpo exquisito da ninfa que tinha por esposa. Os peitos deixaram escapar pequenas gotas de porra materna, que depois se transformaram em jatos. Salvador não parou, desde que tiveram a filha, Sofía tinha se mostrado relutante em deixá-lo chupar seus peitos; dizia que aquilo não estava certo, que não era pra ele e sim pra bebê; parte dos seus típicos discursos recatados, do seu medo de se soltar na cama. Mas agora não disse nada, não o afastou, e sua porra era uma delícia.
A esposa dele parecia outra. Ele pegava a cabeça dela e empurrava, esfregando contra os peitos grandes e perfeitos dela, que jorravam leite materno. Saía tanto leite que Salvador não conseguia chupar tudo, então algumas gotas escorriam dos lábios dele.
Sofía se contorcia nos braços dele, gemendo baixinho, se segurando para não acordar a pequena Alejandra. Isso dava ao ato sexual uma aura de segredo, tons de pecado que ela se esforçava para esconder. Para Salvador, foi fácil imaginar que era assim que sua mulher se comportaria com outro homem, envergonhada de sua excitação, tentando esconder sua traição.
Salvador passava as mãos pelo corpo perfeito da sua mulher. Abençoou a necessidade natural que ela tinha de ir à academia. Suas formas tonificadas e firmes eram tão exuberantes quanto macias e desejáveis. Era uma deusa em todos os sentidos.
—Mmmm —gemeu Sofia, apertando os lábios para que seu gozo não ressoasse muito alto pelo quarto. Olhou para o marido e sorriu como só uma mulher excitada consegue. Afastou a cabeça de Salvador dos seus peitos e o beijou com paixão. Foi o beijo mais safado que já tinham trocado. Ele ainda estava com a boca encharcada do leite que escorria das tetas enormes da mulher, então, quando suas bocas se encontraram, o líquido materno virou parte da troca de saliva e calor.
Suas línguas se entrelaçavam lentamente, com arrebatamentos momentâneos de paixão, como em um sensual tango de meia-noite. A porra que as tetas de Sofia continuavam expulsando os banhava, umedecendo o contato de seus corpos, e eles saboreavam cada momento do que estava acontecendo. Estavam completamente entregues ao prazer, como poucas vezes em todo o seu casamento.
O pau do Salvador estava duríssimo, rígido como uma barra de aço, e batia contra a bunda da sua mulher gostosa. Quando finalmente se separaram, Sofia olhou nos olhos dele.
—Você acabou de roubar a porra da sua filhinha —disse com voz de gata no cio—. Você não é só um péssimo marido, também é um péssimo pai. —Fez uma pausa antes de voltar a falar, e quando o fez, a excitação na voz dela era tão evidente que não teria conseguido esconder nem se quisesse—. Mas eu também sou uma péssima mãe. Estou te alimentando com a papinha dela e você já não é mais nenhum bebê… e eu adoro muito fazer isso. Amo sentir como você me come, como você me saboreia.
Salvador estava extasiado. Essa faceta da sua esposa, a que não se cortava na hora de dizer o que estava sentindo, ele adorava. É que era tão raro que ela fizesse isso. Ele queria que essa Sofia ficasse, não queria mais vê-la recatada, escondendo seus desejos, seus gostos. Rezava aos céus que essa nova mulher nunca fosse embora.
—Acho, sério…, que você deveria dizer pro seu pai sair com alguma mulher — disse Sofía, mordendo o lábio —. Senão… ele pode tentar alguma coisa comigo.
—E o que você faria se isso acontecesse? — perguntou Salvador, olhando diretamente nos olhos da esposa —. Se meu pai tentasse alguma coisa com você… você o rejeitaria?
Por um momento, o rosto de Sofía adotou a expressão de uma esposa irritada, uma que não estava brincando com o marido, nem seguindo suas fantasias. Mas logo voltou a adotar o gesto travesso. Salvador percebeu a luta interior que se travava no temperamento de Sofía, mas não se importou. O teor alcoólico não conseguia superar a excitação que o dominava naqueles momentos, mas mantinha sua culpa perfeitamente sob controle. Queria brincar, queria sonhar com sua mulher, queria que aquele extraordinário espécime de mulher que tinha em seus braços o satisfizesse. Não importava se ela não queria, ou se a deixava desconfortável, seu fetiche era mais forte. Então a pressionou com um olhar expectante, ansioso pela resposta dela.
—Não sei —disse ela por fim, voltando o olhar firmemente para o marido —. Já te falei que ele se parece com você. Talvez eu os confundisse.
Salvador sabia que era muito diferente do pai. Na aparência física, era mais parecido com a mãe desaparecida. O pai era mais baixinho e tinha vários quilos a mais, próprios da idade. As palavras de Sofia lhe pareceram uma desculpa fraca para o que, dentro do seu jogo, lhe parecia uma perversa traição.
—Ah, é mesmo? —disse Salvador, com a voz carregada de reprovação—. Você poderia fazer coisas más com ele pensando que sou eu?
—Talvez um pouco —disse Sofía, entrando na brincadeira, desviando o olhar de vez em quando, como se estivesse tentando esconder algo. Salvador pensou que, de alguma forma, aquele jogo de fantasia que estavam tendo, ela gostava mais do que possivelmente ela mesma esperava.
—Sério? — ele se animou. Sentia a pele do corpo todo arrepiar. Ver sua mulher entrar na onda das suas fantasias lhe causava um tesão delicioso.
—Siim —disse Sofia, antes de inclinar a cabeça e beijá-lo de novo. Salvador aproveitou e voltou a apalpar o corpo perfeito da esposa. Ele ficava extasiado só de imaginar o que seu pai sentiria ao tatear a suavidade e firmeza daqueles glúteos portentosos, a estreiteza daquela cintura contornada, a potência daquelas coxas longas, o arco daquela espinha esguia.
—Você é uma mulher safada — disse Salvador, carregado de desejo perverso, imaginando o pai dela.
—E você é um marido pervertido —respondeu Sofia—. Olha como você tá com o pau de tão excitado que você está? Não te dá vergonha ficar assim só por causa das suas fantasias?
Embora ainda mantivesse o olhar de foxy que mostrava que continuava no seu papel, também havia certa censura na sua voz, como se a pergunta fosse séria.
—Não —respondeu Salvador. Estava farto de se conter. Não queria abrir mão do que sentia naquele momento—. Não vou mais sentir vergonha.
Sofía olhou para ele sério, e Salvador soube que, no fundo, ela ainda não acreditava que ele fosse assim, não admitia totalmente que ele fantasiava com ela e outros homens. Salvador sabia, pelo que tinha lido no fórum que visitava diariamente, que não devia forçá-la a nada. O simples fato de ela se prestar a continuar esse jogo que estavam jogando era sinal de que, pelo menos, tolerava, e de que talvez, só talvez, pudesse acontecer algo no futuro, embora por enquanto ela negasse veementemente.
Salvador olhou para ela de forma penetrante, dominante, por um segundo e depois voltou a beijá-la. Era evidente, pela forma como Sofía movia o corpo, que ela também estava excitada. Talvez não pelo mesmo motivo que ele, mas Salvador sabia que era assim, e só isso já significava muito para ele.
Ele adorava sentir a pele fervente da sua esposa desejável, e sabia que ela gostava que ele a tocasse com paixão. Logo, Sofía o surpreendeu de novo, movendo as mãos sobre a virilha dele, tentando libertar o membro carnudo do boxer que ele estava usando. Não demorou muito para tirá-lo de lá, e começou a acariciá-lo enquanto se beijavam com lúbria vagarosidade.
—Tá muito duro —disse Sofía. Ela acariciava o pau de Salvador sem chegar a masturbá-lo, proporcionando ao marido sensações deliciosas de prazer—. Será que fica assim com o seu pai quando ele sonha com os meus peitos?
—Com certeza —respondeu Salvador. Ele adorava aquele jogo. Quase acreditava que sua mulher estava ficando excitada pensando no pai dele, em como um homem mais velho a desejava —. Acho que você o excita muito, meu amor. Ele deve sonhar com você todas as noites.
—Sério? —perguntou Sofía, mordendo o lábio inferior—. E o que você acha que ela sonha? O que você acha que ela gostaria de me fazer?
Salvador se arrepiou ao ouvir essa pergunta. Sofía estava lhe dando a oportunidade de soltar todas as fantasias escondidas que ele tinha. Seu pai nunca tinha feito parte delas, mas agora que sua esposa estava tão disposta a se deixar levar com ele, com certeza se tornaria um protagonista.
—Aposto que ele sonha em te fazer o mesmo que a gente tá fazendo — disse ela. O coração dela batia a mil por hora. A mulher dele não parava de brincar com o pau dele e de dar beijos carinhosos, mas intensos —. Aposto que ele ia adorar que você tocasse a rola dele… Aaah, do jeitinho que você tá fazendo agora.
—Assim? —disse Sofía, ao mesmo tempo em que apertava com força a ponta do membro de Salvador, que se arrepiou de prazer —. Você acha que ela ia gostar que apertasse?
Salvador abafou um grito quando sua esposa começou a masturbá-lo com mais força. Sentia a mão quente de Sofía subir e descer na pele do seu pau, e aquilo era uma delícia, fazia ele ferver por dentro.
—Ele ia adorar… Com certeza —disse Salvador. Sofía não tirava os olhos dos dele, estava completamente envolvida naquele jogo—. Você é tão gostosa, tão deliciosa que ele ficaria louco te tocando… Aaaaaah…, te saboreando, te vendo com fome do pau dele.
—Não acredito —disse Sofia—. Meu sogro não é um homem pervertido como você. Tenho certeza de que ele não pensa isso de mim.
Salvador se arrepiou de novo com a inocência da sua mulher. Qualquer homem na face da terra ia querer ela, como ela não percebia isso?
Ele gostava tanto do que Sofia fazia com ele. Aquele jeito de acariciar o pau dele era novo, ela nunca tinha usado antes, lento às vezes, de repente rápido, sempre prazerosamente. Além disso, o fato de ela apertar com força, causando um pouco de dor, também era estranhamente excitante pra ele.
—Eu te garanto que, se você deixasse, meu pai se entregaria aos instintos, pularia em cima de você como um louco — disse Salvador, encarando a esposa, que o olhava com aqueles olhos tão sensuais quanto inocentes —. Ele é homem, afinal. E você mesma disse, faz muito tempo que ele não fica com uma mulher. Aposto que ele sonha com você há anos.
Sofía não respondeu, apenas olhou nos olhos dele e continuou massageando o pau dele, que pulsava cada vez com mais força. O sangue que seu coração bombeava para a virilha se concentrava ali com tanta intensidade que ele sentia como se estivesse prestes a explodir. Salvador já não conseguia resistir mais, queria fazer amor com sua esposa. Ele precisava disso.
Sofía também não aguentava mais a excitação que estava sentindo. Ela lambia os lábios enquanto olhava nos olhos dele. Seus olhos semicerrados, sua respiração cada vez mais ofegante.
—Você acha que seu pai quer transar comigo? —perguntou de repente, e Salvador quase gozou com o tesão que o queimou por dentro. Sua esposa não usava essas expressões. Sua Sofía não se referia a sexo a não ser como fazer amor. Aquele "transar" era para as putas que queriam apagar o próprio fogo. A sensação que invadiu Salvador foi tanta, que a expressão do seu rosto foi de puro pavor.
Sofía, como uma felina caçadora diante de uma presa hipnotizada, abriu as pernas para sentar montada no pau ereto de Salvador e, aos poucos, foi engolindo ele, se tornando uma só carne com o marido. A buceta dela estava encharcadíssima, o que evidenciava a autenticidade do seu tesão—. Você acha que ele me deixaria montar nele assim? Mesmo sendo a esposa do filho dele?
—Isso! Ah… Ah… Isso, isso —confirmou Salvador entre gemidos abafados. Seu corpo tremia com os movimentos fabulosos com que Sofía o fazia seu. O corpo da sua mulher era realmente afrodisíaco, lindo, forte, delicioso. Muitos o desejavam, e ele desejava compartilhá-lo—. Eu te receberia com o pau bem duro, Sofía… Eu te meteria todaaaa!
Sofía se jogou com mais violência sobre ele. Marido e mulher se acasalavam gemendo de prazer e tesão, suspirando com o encaixe de seus sexos, se esfregando, com ele apalpando o corpo dela como um possesso.
—Ah! Mmm! Se… ah… se seu pai te… mmm… pedisse… ah? —Sofía fechou os olhos e mordeu os lábios, como se não ousasse terminar a pergunta—… você deixaria ele transar comigo? Ah! Você me deixaria entrar na cama com ele?
Salvador olhava para a esposa e não conseguia acreditar. Era tanta a tesão que o dominava. Viu-a abrir os olhos e olhar para ele. Leu expectativa neles. Será que o tesão que sentia por dentro também queimava dentro da sua Sofia?
—Nunca te obrigaria a nada… Uf —disse ele, medindo as palavras, contendo sua perversão. Depois engoliu em seco e deu sua resposta—. Mas, se dependesse só de mim… Eu faria. Eu deixaria você abrir as pernas pro meu pai… Aaaaah.
Sofía parou seus movimentos de transa e se deixou cair sobre ele. Salvador viu em seu rosto surpresa, tesão e um vislumbre de decepção. Ela desviou o olhar, mas se esfregou com ternura contra ele. Era como se seu corpo estivesse muito à vontade, excitado, mas ela ali na cabeça estivesse incomodada. Claro que Salvador, devido ao seu ânimo ainda afetado pelo álcool, não conseguia ver nem processar isso com clareza. No entanto, ela se recuperou rapidamente e voltou a olhá-lo.
—Sério, você é um marido muito pervertido — disse ela, acusando-o com uma severidade excitante —. O fato de você estar disposto a compartilhar sua esposa para satisfazer seu tesão faz com que você mereça ser castigado.
—Sério? —perguntou Salvador, segurando um gemido, o interior da sua esposa estava tão quente e molhado. Era uma sensação enlouquecedora. Mas ele queria continuar ouvindo ela. Queria ver como aquele jogo excitante continuaria—. Que tipo de castigo?
—Um duro —disse Sofía —. Um que você bem merece.
Depois de dizer isso, Sofia retomou seus movimentos sobre o marido, mas dessa vez sem piedade. Cavalgou-o com força, com vigor, subindo e se deixando cair sobre o pau de Salvador como se estivesse possuída por um arrebato de fúria, como se quisesse esmagá-lo, como se realmente quisesse machucá-lo pelos desejos perversos que tinha.
Salvador, alheio a muitas coisas por seu estado semiétilico e excitação desmedida que experimentava, só sentia como seu pau entrava e saía da maravilhosa anatomia de sua mulher. A sensação era maravilhosa, seu membro se banhava naqueles caldos sexuais quentes, se roçava contra as paredes daquela fascinante caverna. E que visão, por Deus. A forma como as enormes e firmes tetas de Sofia pulavam enquanto ela o montava era poesia visual. Gotas de porra continuavam saindo disparadas em todas as direções, caindo sobre a cama, sobre seu corpo, sobre seu rosto, como garuga quente.
Enquanto via e experimentava tudo aquilo, Salvador se entregou ao prazer, ao êxtase iminente ao qual o conduzia o tremendo
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