Eu conhecia a Laura desde que ela tinha treze anos.
A primeira vez que entrei na casa dela, ainda usava o uniforme do ensino médio: suéter verde, calça cinza xadrez e uns sapatos pretos que minha mãe insistia em comprar um número maior "pra durar mais". Diego usava exatamente o mesmo uniforme, só que o dele sempre estava uma bagunça do caralho.
Morávamos a algumas quadras de distância, na área entre Aztecas e Imán, então depois das aulas era normal acabar na casa dele ou na minha. Às vezes fazíamos a lição. Na maioria das vezes jogávamos videogame, assistíamos filmes ou simplesmente perdíamos tempo até que algum dos nossos pais começasse a perguntar onde porra estávamos.
Também era normal que um dormisse na casa do outro. Tinha começado no ensino médio, com videogames e filmes até tarde, e com os anos virou algo tão comum que nossos pais nem perguntavam mais nada.
Durante anos, Laura foi só isso: a mãe do Diego.
A que abria a porta quando eu batia. A que gritava da cozinha:
—Diego, o Andrés chegou!
A que perguntava se tínhamos lição de casa. A que comprava refrigerante porque sabia que eu ia acabar lá três tardes por semana. A que podia entrar no quarto sem bater, torcer o nariz e dizer:
—Tá cheirando a chulé. Abram essa porra dessa janela.
E sair como se nada tivesse acontecido.
Laura sempre foi gostosa. Isso eu sabia até naquela época. Morena, olhos pretos enormes, cabelo escuro e um sorriso fácil, daqueles que mudavam a cara inteira dela quando algo realmente a fazia rir.
Também era diferente das mães de quase todos os nossos amigos.
Muito mais aberta.
Aberta demais, segundo o Diego.
O pai do Diego tinha saído de casa quando eu tinha catorze e o Diego treze. Eles se divorciaram e, embora ele continuasse vendo o filho, Laura ficou morando ali com o Diego. Nunca fez muito drama na nossa frente.
Podia falar do divórcio, do álcool, de namorados ou de sexo com uma naturalidade que deixava Diego puto.
Uma vez, quando já estávamos no ensino médio, ela soltou durante o almoço que se algum dia Diego levasse uma namorada pra casa, preferia saber e que tivesse camisinha a que «fizessem alguma merda».
Diego quase morreu.
—Mãe, pelo amor de Deus.
—O quê? Prefiro que você não seja idiota.
Eu também não sabia onde olhar.
Laura me olhou.
—Não é mesmo, Andresito?
—Não me meta nisso, senhora.
—E não me chama de senhora. Tenho trinta e tantos, não setenta.
Ela era assim.
E talvez por isso demorei tanto pra perceber quando o problema começou.
Foi no ensino médio.
Não sei exatamente que dia. Não teve um raio caindo do céu nem uma revelação do caralho. Simplesmente um dia eu a vi de verdade e pensei:
Não fode. A mãe do Diego é gostosa pra caralho.
Não encontrei uma forma mais elegante de dizer isso na época e também não encontro agora.
Ela era gostosa pra caralho.
Tinha um rosto lindo e um corpo que eu simplesmente não tinha registrado antes: voluptuosa, cintura marcada, quadris largos e umas tetas abundantes que até uma camiseta qualquer tornava difícil ignorar.
A partir daí foi foda.
Porque ela continuava sendo Laura.
Continuava me perguntando se eu queria comer.
Continuava dando bronca no Diego.
Continuava me chamando de Andresito.
E eu tinha que me lembrar constantemente que ela era a mãe do meu melhor amigo.
Nunca aconteceu nada.
Nem uma insinuação.
Nem um olhar estranho.
Nada.
Eu podia ficar olhando pra ela um segundo a mais quando ela não percebia, mas até aí.
Terminamos o ensino médio e entramos na faculdade.
Eu tinha dezenove anos. Diego, dezoito. Laura tinha acabado de fazer trinta e nove.
Diego entrou em QFB. Depois de ouvi-lo dizer algumas vezes «Química Farmacêutico Biológica», todo mundo começou a dizer simplesmente QFB.
Eu entrei em Arquitetura.
Os dois na CU.
Continuávamos morando perto e continuávamos tão amigos quanto antes, mas pela primeira vez desde o ensino fundamental nossos horários deixaram de ser vocês são copias um do outro. Diego podia entrar cedo no laboratório quando eu só começava ao meio-dia. Eu podia ficar até de noite com uma maquete enquanto ele já estava em casa. Além disso, começou a andar com gente nova da QFB. Dois dos caras com quem ele mais se dava moravam lá em Tlalnepantla e às vezes, quando saíam pra festa ou terminavam muito tarde, Diego preferia ficar com eles do que atravessar metade da cidade de madrugada. Mesmo assim, eu continuava aparecendo na casa dele. Às vezes o Diego estava lá. Na maioria das vezes, na real. E isso importou depois. Porque o que aconteceu com a Laura não começou porque um dia a gente ficou sozinho por acaso. Começou quase na frente dele. Uma tarde a gente tava os três na cozinha. Diego já tava há uns vinte minutos reclamando de um professor. —Eu juro que esse cara sente prazer em reprovar gente —disse ele. Laura colocou três copos na mesa. —Você tá há um mês na faculdade e já tá traumatizado. —Não é trauma. —Claro que é. Depois ela olhou pra mim. —E você, Andrés? Já tão te escravizando em Arquitetura? —Ainda não. —Espera só pelas maquetes. Diego soltou uma risada. —Já se acha arquiteto. —Pelo menos eu sabia o que queria estudar. —Cala a boca. Laura sentou na frente da gente. —E namorada? A pergunta foi pra mim. Diego jogou a cabeça pra trás. —Mãe. —O quê? —Deixa ele em paz. Laura nem olhou pra ele. —Tô falando com ele, não com você. A frase me deu risada. Já tinha escutado isso umas cem vezes. Mas naquela tarde bateu diferente. —Não tenho namorada —falei. —Nada? —Nada sério. —Ah. Esse "ah" fez eu levantar o olhar. Laura sorriu como se não tivesse falado nada. Diego continuou falando. Eu já não tava mais escutando. A partir daí comecei a notar umas coisinhas. Tão pequenas que durante semanas consegui me convencer de que tava inventando tudo. Laura parou de me chamar de Andresito o tempo todo. Não completamente. Às vezes Eu usava isso justamente porque sabia que eu me cagava de medo. Mas outras vezes era: —Andrés, me passa isso. —Andrés, fala pro Diego descer. —Andrés, quer café? Meu nome na boca dela começou a soar diferente. Ou talvez eu estivesse bem gato. Uma noite o Diego estava procurando um casaco lá em cima e eu já ia embora. Laura me acompanhou até a porta. —Amanhã vocês entram cedo? —Eu não. —Que vida. —Nem todo mundo estuda QFB. Ela riu. Se aproximou pra se despedir como sempre. Só que dessa vez ela não buscou exatamente minha bochecha. A boca dela caiu tão perto da minha que senti a borda dos lábios dela no canto. Não foi um beijo. Ou não um completo. Mas também não soube se ela realmente tinha errado a bochecha. Nós dois ficamos parados. Laura foi a primeira a se afastar. —Desculpa —eu disse. Nem sei por que eu me desculpei. Ela me olhou. —Por quê? Antes que eu pudesse responder, ouvimos o Diego descendo as escadas. —Mano, me espera! Laura abriu a porta. —A gente se vê, Andrés. Cinco minutos depois eu estava andando junto com o Diego. Ele falava de não sei o quê da faculdade. Eu concordava. E de vez em quando pensava: Sua mãe praticamente me beijou na boca. Obviamente não falei nada. Durante os dias seguintes Laura agiu como se nada tivesse acontecido. Isso me fodeu mais ainda. Eu a via com o Diego. Comíamos os três. Ela zoava a gente. Eu me pegava esperando algum sinal e depois me dava vergonha de mim mesmo. Uma tarde levantei o olhar e Laura já estava me olhando. Durou um segundo. Talvez menos. Ela continuou falando com o Diego. Eu também. Mas já tinha algo. Ainda não sabia o quê. Uns dias depois, o Diego foi comprar umas cervejas na loja da esquina e nos deixou sozinhos na sala. Laura estava sentada no braço do sofá. —Você ainda tá pensando no outro dia? Senti o estômago apertar. —Achei que tinha sido um acidente. Ela sorriu. —E se sim? Não soube o que responder. Laura inclinou um pouco a cabeça. —E se não? Ouvimos o portão lá fora. Diego estava voltando. Laura se levantou. —Você comprou as geladas? —gritou pra ele. E acabou. Era assim com ela. Não fazia muito. Esse era justamente o problema. Fazia tão pouco que eu sempre conseguia me convencer de que estava imaginando coisa. Até que numa quinta-feira deixou de ser possível. Eu estava saindo da casa dela. Diego estava lá em cima tomando banho porque a gente ia sair. Laura abriu a porta. —A gente se vê, Andrés. —A gente se vê. Ela se aproximou. Dessa vez não procurou meu rosto. Me deu um beijo curto na boca. Nada mais. Um ou dois segundos. Depois se afastou. Fiquei olhando pra ela. —Isso também foi um acidente? Laura sorriu. —Esse não. Lá de cima veio a voz do Diego. —Já vou, cara! Laura abriu a porta como se nada tivesse acontecido. —Teu namorado tá te esperando. —Não fode. Ela riu. Saí. E naquela noite fiquei com o Diego várias horas enquanto uma única ideia não saía da minha cabeça: A mãe dele tinha me beijado. Não por acidente. A chuva chegou na semana seguinte. Eu tinha combinado de encontrar o Diego na casa dele depois da aula. Ele ainda tava na faculdade e eu cheguei primeiro. Laura me abriu. —Ainda não chegou. —Já sei. Ele me disse pra esperar aqui. —Então entra. Entrei como sempre. Lá fora começava a chover. No começo não parecia grande coisa. Sentei na sala e mandei mensagem pro Diego. Eu: Já tô na sua casa. Diego: Beleza. Aqui tá caindo pra caralho. Não vou sair até diminuir porque vou me encharcar. Assim que parar, eu volto. Laura apareceu com duas xícaras de café. —O que ele disse? —Que vai esperar lá até diminuir. Ela olhou pela janela. —Faz bem. Com essas chuvas depois alaga tudo e vira uma bagunça. Sentou. —Então você vai ter que esperar comigo. —Que sacrifício. —Pobre de você. Sorriu. A chuva aumentou até bater nos vidros com força. Por alguns minutos falamos de qualquer coisa: do Diego, da faculdade, de um trabalho que eu tinha que entregar na semana seguinte.
Mas já não era como antes.
Depois do beijo na porta, cada silêncio tinha outro peso.
Laura deixou a xícara.
Me olhou por um instante.
—Você tá muito quieto.
—A culpa é sua.
—Minha?
—Não se faz.
Ela sorriu.
Depois se levantou e caminhou até onde eu estava.
—Isso?
Me beijou.
Não como na porta. Dessa vez não foram dois segundos.
Laura se inclinou e me agarrou a camiseta pelo peito, me puxando pra ela enquanto sua boca se abria contra a minha. O beijo foi imediato, desordenado e profundo. Apertei a cintura dela e a senti inteira contra mim.
Nos separamos só um segundo pra respirar e voltamos a nos grudar. Ela procurou meu maxilar, meu pescoço, meu lábio inferior. Eu mordi o de cima. Laura soltou um som baixo e me empurrou contra a parede. Minhas mãos desceram pras nádegas dela e ela se esfregou mais contra mim.
Abaixei a cabeça. Beijei o pescoço dela, a clavícula e continuei até o decote. Quando quis descer mais, ela me agarrou pelo cabelo e me fez voltar pra boca dela.
—Ainda não —disse sorrindo—. Que afobação.
Metei as mãos por baixo da blusa. Toquei as costas, subi até o sutiã e enfiei uma mão por baixo. O mamilo endureceu contra minha palma. Laura arqueou as costas e se esfregou mais forte contra meu pau.
Nos movemos pro sofá. Tropecei na mesa. Ela riu entre beijos e me empurrou pra que eu caísse sentado. Montou em cima de mim.
—Merda...
Começou a se balançar devagar. A fricção da calça era uma tortura. Agarreia as nádegas dela e apertei mais contra mim. Laura baixou uma mão, desabotoou o botão, baixou o zíper e enfiou dentro do boxer.
A mão dela envolveu meu pau e começou a se mover devagar. Eu levantei a blusa dela, abaixei um pouco o sutiã e chupei um mamilo. Laura soltou um gemido contra meu ouvido e apertou um pouco mais.
—Assim... —sussurrou—. Como tá dura, Andrés. Que ela falasse meu nome assim me deixou ainda mais excitado. Eu continuava com a boca no peito dela enquanto ela acelerava a mão.
—Laura... eu vou...
O celular vibrou.
Nenhum dos dois se mexeu.
Vibrou de novo.
Laura parou a mão dentro da minha cueca.
—Não fode...
Peguei o celular com a outra mão.
Diego: Já tá descendo. Assim que parar direito, eu volto.
Fiquei olhando a mensagem como um idiota.
—Já vai chegar.
Laura tirou a mão devagar. Continuava em cima de mim e os dois respirávamos como se tivéssemos corrido.
—Ainda demora um pouco —falei.
—Sim, mas já tá vindo. —disse ela.
Ficamos assim mais alguns segundos, sem vontade de nos separar.
Depois a gente se arrumou. Laura ajeitou a blusa e eu fechei a calça como deu.
Continuava com o pau duríssimo.
Laura percebeu e riu.
—Não ri, sua safada.
—Desculpa.
—Você não tá perdoada.
Isso fez ela rir mais.
—Senta.
—Pra quê?
—Pra não ser a primeira coisa que meu filho veja quando entrar.
—Valeu pela ajuda.
Sentei no sofá e coloquei a mochila em cima das pernas.
Uns minutos depois ouvimos o portão.
Diego entrou sacudindo o casaco molhado.
—Tá foda lá fora.
Laura saiu da cozinha como se nada tivesse acontecido.
—Falei pra você esperar.
Diego olhou pra mim.
—Que porra é essa contigo?
—O quê?
—Você tá muito estranho.
—Não tô estranho.
—Tá sim.
Ajeitei a mochila na frente antes de levantar.
—Minha mãe me mandou mensagem. Precisa que eu ajude com uma coisa.
—Agora?
—É.
—Mas se acabou de parar de chover.
—Justamente.
Diego me olhou sem entender porra nenhuma.
—Certeza?
—Sim, cara. Daqui a pouco te chamo.
—Beleza.
Não queria olhar pra Laura, mas olhei.
—A gente se vê, Andrés —disse ela como se nada fosse.
—A gente se vê.
Andei as quadras até minha casa na garoa. A ereção passou depois de um tempo. A vontade de ver ela de novo, não.
Na sexta saí com uns colegas de Arquitetura pra beber perto da CU. Cervejas, depois mais umas tequilinhas. Eu tava animado e mais falador que o normal, mas tava de boa.
Voltei caminhando pra minha rua. Quando dobrei perto da casa do Diego, eu a vi chegando.
Laura vinha de um jantar de aniversário com umas amigas depois do trabalho. Tava com um vestido justo, os lábios mais vermelhos que o normal e o cabelo solto. Cheirava a perfume e vinho. Tava de bom humor.
Ela me viu e parou junto ao portão com as chaves na mão.
—Andrés?
—Oi.
Ela ficou me olhando e riu.
—Você tá alegre, hein, garoto.
—Você também não tá exatamente sóbria.
—Tomei umas doses com minhas amigas. Não exagera.
—Eu só tô dizendo.
—Ah, sei —disse ela enquanto abria o portão—. Vai caminhar até sua casa assim?
—Tô a cinco minutos.
—Entra. Vou fazer um café pra você antes de chegar em casa cheirando a boteco.
Entramos. A casa tava em silêncio. Olhei pra escada.
—Diego?
—Foi pra Tlalnepantla com a galera da QFB. Me avisou que vai dormir lá.
—Ah.
Tentei não deixar transparecer demais.
Na cozinha tomamos água, café e comemos alguma coisa. Ficamos conversando um bom tempo. A essa altura eu já tava bem sóbrio e a Laura também.
Em algum momento ela pegou uma garrafa e serviu só um pouquinho em dois copos.
—Um pequeno —disse.
Ela me contou umas fofocas do jantar e tirou sarro de uma das amigas. Eu gostava de vê-la assim, falando de coisas que não tinham nada a ver com o Diego.
Depois de um tempo ela apoiou os cotovelos no balcão e me olhou.
—Ei... você ainda tá chateado por causa da chuva?
—Por ter tido que ir embora assim?
Ela sorriu.
—Exatamente.
—Não foi sua culpa. O Diego chegou.
—Detalhes.
Ficamos em silêncio.
Meu celular vibrou. Era minha mãe perguntando se eu ia chegar.
Escrevi: Vou dormir na casa do Diego. Não me esperem.
Mandei a mensagem. Fazia anos que eu dormia lá, então não tinha nada de estranho.
Laura conseguiu ver a tela.
—Que conveniente.
—Tecnicamente eu tô na casa do Diego.
—Tecnicamente Você é um mentiroso. Eu ri. Quando olhei pra ela de novo, a gente não estava mais rindo. A gente se aproximou quase ao mesmo tempo. Fomos pro sofá. Dessa vez não tinha pressa. Ficamos de pé um tempo, nos beijando devagar. Levantei a blusa dela aos poucos, beijando a barriga e a parte de baixo dos peitos. Quando tirei a blusa e o sutiã, fiquei olhando pra ela. Os bicos dos peitos estavam escuros e já duros. Toquei neles e depois chupei um. Laura me agarrou pelo cabelo e soltou o ar devagar. Fim do primeiro capítulo parte 2 na rede social do autor original
https://x.com/memestodoslos24/status/2109359606736851045
Uma vez, quando já estávamos no ensino médio, ela soltou durante o almoço que se algum dia Diego levasse uma namorada pra casa, preferia saber e que tivesse camisinha a que «fizessem alguma merda».
Diego quase morreu.
—Mãe, pelo amor de Deus.
—O quê? Prefiro que você não seja idiota.
Eu também não sabia onde olhar.
Laura me olhou.
—Não é mesmo, Andresito?
—Não me meta nisso, senhora.
—E não me chama de senhora. Tenho trinta e tantos, não setenta.
Ela era assim.
E talvez por isso demorei tanto pra perceber quando o problema começou.
Foi no ensino médio.
Não sei exatamente que dia. Não teve um raio caindo do céu nem uma revelação do caralho. Simplesmente um dia eu a vi de verdade e pensei:
Não fode. A mãe do Diego é gostosa pra caralho.
Não encontrei uma forma mais elegante de dizer isso na época e também não encontro agora.
Ela era gostosa pra caralho.
Tinha um rosto lindo e um corpo que eu simplesmente não tinha registrado antes: voluptuosa, cintura marcada, quadris largos e umas tetas abundantes que até uma camiseta qualquer tornava difícil ignorar.
A partir daí foi foda.
Porque ela continuava sendo Laura.
Continuava me perguntando se eu queria comer.
Continuava dando bronca no Diego.
Continuava me chamando de Andresito.
E eu tinha que me lembrar constantemente que ela era a mãe do meu melhor amigo.
Nunca aconteceu nada.
Nem uma insinuação.
Nem um olhar estranho.
Nada.
Eu podia ficar olhando pra ela um segundo a mais quando ela não percebia, mas até aí.
Terminamos o ensino médio e entramos na faculdade.
Eu tinha dezenove anos. Diego, dezoito. Laura tinha acabado de fazer trinta e nove.
Diego entrou em QFB. Depois de ouvi-lo dizer algumas vezes «Química Farmacêutico Biológica», todo mundo começou a dizer simplesmente QFB.
Eu entrei em Arquitetura.
Os dois na CU.
Continuávamos morando perto e continuávamos tão amigos quanto antes, mas pela primeira vez desde o ensino fundamental nossos horários deixaram de ser vocês são copias um do outro. Diego podia entrar cedo no laboratório quando eu só começava ao meio-dia. Eu podia ficar até de noite com uma maquete enquanto ele já estava em casa. Além disso, começou a andar com gente nova da QFB. Dois dos caras com quem ele mais se dava moravam lá em Tlalnepantla e às vezes, quando saíam pra festa ou terminavam muito tarde, Diego preferia ficar com eles do que atravessar metade da cidade de madrugada. Mesmo assim, eu continuava aparecendo na casa dele. Às vezes o Diego estava lá. Na maioria das vezes, na real. E isso importou depois. Porque o que aconteceu com a Laura não começou porque um dia a gente ficou sozinho por acaso. Começou quase na frente dele. Uma tarde a gente tava os três na cozinha. Diego já tava há uns vinte minutos reclamando de um professor. —Eu juro que esse cara sente prazer em reprovar gente —disse ele. Laura colocou três copos na mesa. —Você tá há um mês na faculdade e já tá traumatizado. —Não é trauma. —Claro que é. Depois ela olhou pra mim. —E você, Andrés? Já tão te escravizando em Arquitetura? —Ainda não. —Espera só pelas maquetes. Diego soltou uma risada. —Já se acha arquiteto. —Pelo menos eu sabia o que queria estudar. —Cala a boca. Laura sentou na frente da gente. —E namorada? A pergunta foi pra mim. Diego jogou a cabeça pra trás. —Mãe. —O quê? —Deixa ele em paz. Laura nem olhou pra ele. —Tô falando com ele, não com você. A frase me deu risada. Já tinha escutado isso umas cem vezes. Mas naquela tarde bateu diferente. —Não tenho namorada —falei. —Nada? —Nada sério. —Ah. Esse "ah" fez eu levantar o olhar. Laura sorriu como se não tivesse falado nada. Diego continuou falando. Eu já não tava mais escutando. A partir daí comecei a notar umas coisinhas. Tão pequenas que durante semanas consegui me convencer de que tava inventando tudo. Laura parou de me chamar de Andresito o tempo todo. Não completamente. Às vezes Eu usava isso justamente porque sabia que eu me cagava de medo. Mas outras vezes era: —Andrés, me passa isso. —Andrés, fala pro Diego descer. —Andrés, quer café? Meu nome na boca dela começou a soar diferente. Ou talvez eu estivesse bem gato. Uma noite o Diego estava procurando um casaco lá em cima e eu já ia embora. Laura me acompanhou até a porta. —Amanhã vocês entram cedo? —Eu não. —Que vida. —Nem todo mundo estuda QFB. Ela riu. Se aproximou pra se despedir como sempre. Só que dessa vez ela não buscou exatamente minha bochecha. A boca dela caiu tão perto da minha que senti a borda dos lábios dela no canto. Não foi um beijo. Ou não um completo. Mas também não soube se ela realmente tinha errado a bochecha. Nós dois ficamos parados. Laura foi a primeira a se afastar. —Desculpa —eu disse. Nem sei por que eu me desculpei. Ela me olhou. —Por quê? Antes que eu pudesse responder, ouvimos o Diego descendo as escadas. —Mano, me espera! Laura abriu a porta. —A gente se vê, Andrés. Cinco minutos depois eu estava andando junto com o Diego. Ele falava de não sei o quê da faculdade. Eu concordava. E de vez em quando pensava: Sua mãe praticamente me beijou na boca. Obviamente não falei nada. Durante os dias seguintes Laura agiu como se nada tivesse acontecido. Isso me fodeu mais ainda. Eu a via com o Diego. Comíamos os três. Ela zoava a gente. Eu me pegava esperando algum sinal e depois me dava vergonha de mim mesmo. Uma tarde levantei o olhar e Laura já estava me olhando. Durou um segundo. Talvez menos. Ela continuou falando com o Diego. Eu também. Mas já tinha algo. Ainda não sabia o quê. Uns dias depois, o Diego foi comprar umas cervejas na loja da esquina e nos deixou sozinhos na sala. Laura estava sentada no braço do sofá. —Você ainda tá pensando no outro dia? Senti o estômago apertar. —Achei que tinha sido um acidente. Ela sorriu. —E se sim? Não soube o que responder. Laura inclinou um pouco a cabeça. —E se não? Ouvimos o portão lá fora. Diego estava voltando. Laura se levantou. —Você comprou as geladas? —gritou pra ele. E acabou. Era assim com ela. Não fazia muito. Esse era justamente o problema. Fazia tão pouco que eu sempre conseguia me convencer de que estava imaginando coisa. Até que numa quinta-feira deixou de ser possível. Eu estava saindo da casa dela. Diego estava lá em cima tomando banho porque a gente ia sair. Laura abriu a porta. —A gente se vê, Andrés. —A gente se vê. Ela se aproximou. Dessa vez não procurou meu rosto. Me deu um beijo curto na boca. Nada mais. Um ou dois segundos. Depois se afastou. Fiquei olhando pra ela. —Isso também foi um acidente? Laura sorriu. —Esse não. Lá de cima veio a voz do Diego. —Já vou, cara! Laura abriu a porta como se nada tivesse acontecido. —Teu namorado tá te esperando. —Não fode. Ela riu. Saí. E naquela noite fiquei com o Diego várias horas enquanto uma única ideia não saía da minha cabeça: A mãe dele tinha me beijado. Não por acidente. A chuva chegou na semana seguinte. Eu tinha combinado de encontrar o Diego na casa dele depois da aula. Ele ainda tava na faculdade e eu cheguei primeiro. Laura me abriu. —Ainda não chegou. —Já sei. Ele me disse pra esperar aqui. —Então entra. Entrei como sempre. Lá fora começava a chover. No começo não parecia grande coisa. Sentei na sala e mandei mensagem pro Diego. Eu: Já tô na sua casa. Diego: Beleza. Aqui tá caindo pra caralho. Não vou sair até diminuir porque vou me encharcar. Assim que parar, eu volto. Laura apareceu com duas xícaras de café. —O que ele disse? —Que vai esperar lá até diminuir. Ela olhou pela janela. —Faz bem. Com essas chuvas depois alaga tudo e vira uma bagunça. Sentou. —Então você vai ter que esperar comigo. —Que sacrifício. —Pobre de você. Sorriu. A chuva aumentou até bater nos vidros com força. Por alguns minutos falamos de qualquer coisa: do Diego, da faculdade, de um trabalho que eu tinha que entregar na semana seguinte.
Mas já não era como antes.
Depois do beijo na porta, cada silêncio tinha outro peso.
Laura deixou a xícara.
Me olhou por um instante.
—Você tá muito quieto.
—A culpa é sua.
—Minha?
—Não se faz.
Ela sorriu.
Depois se levantou e caminhou até onde eu estava.
—Isso?
Me beijou.
Não como na porta. Dessa vez não foram dois segundos.
Laura se inclinou e me agarrou a camiseta pelo peito, me puxando pra ela enquanto sua boca se abria contra a minha. O beijo foi imediato, desordenado e profundo. Apertei a cintura dela e a senti inteira contra mim.
Nos separamos só um segundo pra respirar e voltamos a nos grudar. Ela procurou meu maxilar, meu pescoço, meu lábio inferior. Eu mordi o de cima. Laura soltou um som baixo e me empurrou contra a parede. Minhas mãos desceram pras nádegas dela e ela se esfregou mais contra mim.
Abaixei a cabeça. Beijei o pescoço dela, a clavícula e continuei até o decote. Quando quis descer mais, ela me agarrou pelo cabelo e me fez voltar pra boca dela.
—Ainda não —disse sorrindo—. Que afobação.
Metei as mãos por baixo da blusa. Toquei as costas, subi até o sutiã e enfiei uma mão por baixo. O mamilo endureceu contra minha palma. Laura arqueou as costas e se esfregou mais forte contra meu pau.
Nos movemos pro sofá. Tropecei na mesa. Ela riu entre beijos e me empurrou pra que eu caísse sentado. Montou em cima de mim.
—Merda...
Começou a se balançar devagar. A fricção da calça era uma tortura. Agarreia as nádegas dela e apertei mais contra mim. Laura baixou uma mão, desabotoou o botão, baixou o zíper e enfiou dentro do boxer.
A mão dela envolveu meu pau e começou a se mover devagar. Eu levantei a blusa dela, abaixei um pouco o sutiã e chupei um mamilo. Laura soltou um gemido contra meu ouvido e apertou um pouco mais.
—Assim... —sussurrou—. Como tá dura, Andrés. Que ela falasse meu nome assim me deixou ainda mais excitado. Eu continuava com a boca no peito dela enquanto ela acelerava a mão.
—Laura... eu vou...
O celular vibrou.
Nenhum dos dois se mexeu.
Vibrou de novo.
Laura parou a mão dentro da minha cueca.
—Não fode...
Peguei o celular com a outra mão.
Diego: Já tá descendo. Assim que parar direito, eu volto.
Fiquei olhando a mensagem como um idiota.
—Já vai chegar.
Laura tirou a mão devagar. Continuava em cima de mim e os dois respirávamos como se tivéssemos corrido.
—Ainda demora um pouco —falei.
—Sim, mas já tá vindo. —disse ela.
Ficamos assim mais alguns segundos, sem vontade de nos separar.
Depois a gente se arrumou. Laura ajeitou a blusa e eu fechei a calça como deu.
Continuava com o pau duríssimo.
Laura percebeu e riu.
—Não ri, sua safada.
—Desculpa.
—Você não tá perdoada.
Isso fez ela rir mais.
—Senta.
—Pra quê?
—Pra não ser a primeira coisa que meu filho veja quando entrar.
—Valeu pela ajuda.
Sentei no sofá e coloquei a mochila em cima das pernas.
Uns minutos depois ouvimos o portão.
Diego entrou sacudindo o casaco molhado.
—Tá foda lá fora.
Laura saiu da cozinha como se nada tivesse acontecido.
—Falei pra você esperar.
Diego olhou pra mim.
—Que porra é essa contigo?
—O quê?
—Você tá muito estranho.
—Não tô estranho.
—Tá sim.
Ajeitei a mochila na frente antes de levantar.
—Minha mãe me mandou mensagem. Precisa que eu ajude com uma coisa.
—Agora?
—É.
—Mas se acabou de parar de chover.
—Justamente.
Diego me olhou sem entender porra nenhuma.
—Certeza?
—Sim, cara. Daqui a pouco te chamo.
—Beleza.
Não queria olhar pra Laura, mas olhei.
—A gente se vê, Andrés —disse ela como se nada fosse.
—A gente se vê.
Andei as quadras até minha casa na garoa. A ereção passou depois de um tempo. A vontade de ver ela de novo, não.
Na sexta saí com uns colegas de Arquitetura pra beber perto da CU. Cervejas, depois mais umas tequilinhas. Eu tava animado e mais falador que o normal, mas tava de boa.
Voltei caminhando pra minha rua. Quando dobrei perto da casa do Diego, eu a vi chegando.
Laura vinha de um jantar de aniversário com umas amigas depois do trabalho. Tava com um vestido justo, os lábios mais vermelhos que o normal e o cabelo solto. Cheirava a perfume e vinho. Tava de bom humor.
Ela me viu e parou junto ao portão com as chaves na mão.
—Andrés?
—Oi.
Ela ficou me olhando e riu.
—Você tá alegre, hein, garoto.
—Você também não tá exatamente sóbria.
—Tomei umas doses com minhas amigas. Não exagera.
—Eu só tô dizendo.
—Ah, sei —disse ela enquanto abria o portão—. Vai caminhar até sua casa assim?
—Tô a cinco minutos.
—Entra. Vou fazer um café pra você antes de chegar em casa cheirando a boteco.
Entramos. A casa tava em silêncio. Olhei pra escada.
—Diego?
—Foi pra Tlalnepantla com a galera da QFB. Me avisou que vai dormir lá.
—Ah.
Tentei não deixar transparecer demais.
Na cozinha tomamos água, café e comemos alguma coisa. Ficamos conversando um bom tempo. A essa altura eu já tava bem sóbrio e a Laura também.
Em algum momento ela pegou uma garrafa e serviu só um pouquinho em dois copos.
—Um pequeno —disse.
Ela me contou umas fofocas do jantar e tirou sarro de uma das amigas. Eu gostava de vê-la assim, falando de coisas que não tinham nada a ver com o Diego.
Depois de um tempo ela apoiou os cotovelos no balcão e me olhou.
—Ei... você ainda tá chateado por causa da chuva?
—Por ter tido que ir embora assim?
Ela sorriu.
—Exatamente.
—Não foi sua culpa. O Diego chegou.
—Detalhes.
Ficamos em silêncio.
Meu celular vibrou. Era minha mãe perguntando se eu ia chegar.
Escrevi: Vou dormir na casa do Diego. Não me esperem.
Mandei a mensagem. Fazia anos que eu dormia lá, então não tinha nada de estranho.
Laura conseguiu ver a tela.
—Que conveniente.
—Tecnicamente eu tô na casa do Diego.
—Tecnicamente Você é um mentiroso. Eu ri. Quando olhei pra ela de novo, a gente não estava mais rindo. A gente se aproximou quase ao mesmo tempo. Fomos pro sofá. Dessa vez não tinha pressa. Ficamos de pé um tempo, nos beijando devagar. Levantei a blusa dela aos poucos, beijando a barriga e a parte de baixo dos peitos. Quando tirei a blusa e o sutiã, fiquei olhando pra ela. Os bicos dos peitos estavam escuros e já duros. Toquei neles e depois chupei um. Laura me agarrou pelo cabelo e soltou o ar devagar. Fim do primeiro capítulo parte 2 na rede social do autor original
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0 comentários - A mãe gostosa do meu melhor amigo