A mensagem chegou cedo, quando eu ainda tava na cama.
Um endereço. Um horário. E uma frase curta que me fez sorrir antes de apoiar o celular no peito.
“Traz o que prometeu.”
O dia tava pesado, daqueles que já vêm carregados desde a manhã. Tomei meu tempo pra me preparar. Não por nervoso, mas por escolha. Escolhi a biquíni mais pequena que eu tinha, aquela que quase não usava porque não deixava espaço pra distração. Essa biquíni foi presente do meu tio, Kike, que também sinto que tá afim há muito tempo, mas curte esse jogo de me desejar, me dá roupa pequena, sutiã, e até se oferece sempre pra passar bronzeador quando a gente vai pra piscina da casa da minha avó, mas isso eu conto outro dia... Por cima, uma regata branca fininha, daquelas que com um pouquinho de água fica toda transparente. Por baixo, o básico, um pareô transparente que comprei no Brasil. Nada exagerado. Nada inocente.
O caminho até a chácara foi uma sequência de pensamentos que não consegui organizar. Olhares do rolê. O que rolou no rolê também. Só de lembrar, o calor voltava pro meu corpo. Silêncios carregados. Promessas que ninguém tinha dito em voz alta, mas que estavam ali.
Quando cheguei, a música já tava tocando. Risadas. Copos. O sol caindo devagar sobre a piscina. Eles estavam lá, espalhados, à vontade, como se o lugar fosse deles. Quando me viram entrar, algo mudou. Não foi imediato nem escandaloso. Foi aquele segundo exato em que todo mundo entende que algo acabou de começar.
Cumprimentei um por um. Tavam sentados ao redor de uma mesa redonda, então quando eu cumprimentava, podiam ter minha rabeta do lado da cara deles. Beijos no rosto. Comentários casuais. Ninguém falou nada sobre meu corpo, sobre a biquíni, sobre o jeito que eu andava. Não precisava. Os olhares faziam o trabalho sozinhos.Cheguei na piscina e larguei as coisas. Senti o sol na pele. A água brilhando. O clima relaxado… relaxado demais pra tensão que tava no ar. Me abaixei pra tocar a água com as mãos, de quatro, de costas pros caras, porque eu tinha ido pra curtir, mas também pra eles me curtirem. Sabia que tavam me olhando. Sabia que tavam se perguntando quem ia se animar primeiro. Não apressei nada. A tarde tava só começando.
E todo mundo sabia disso.
Fiquei assim por mais um momento, com as mãos na água, deixando o sol esquentar minhas costas. O pareo se mexia de leve com a brisa e a regata já não escondia nada depois daquele primeiro contato com a piscina. Não fiz nada pra consertar.
Ouvi uma risada atrás. Depois outra. O barulho de uma cadeira sendo arrastada.
— Tá gelada — comentou um, como se fosse a única coisa que importasse.
Me levantei devagar e me deitei na borda. O gesto foi simples, mas senti o ar mudar. Um deles se aproximou com um copo e me entregou sem eu pedir. Nossos dedos se tocaram de leve. Ele não se desculpou. Eu também não.
— Acabou de chegar? — perguntou outro, perto demais.
— Faz um tempinho, vim de Uber — respondi.
— E veio assim no Uber? — perguntou, entre surpreso e excitado.
— Sim, na verdade fiquei com o número do motorista. Se meu namorado não conseguir vir, o mesmo cara que me trouxe vai me buscar.
De repente, alguém mergulhou de bomba na piscina, molhando toda minha bunda e minhas costas, me dando arrepios.
— Valeu — falei, olhando pra ele. Era o Pedro. Ele chegou perto e deu um tapa na minha bunda.
— Ei! — falei meio brava.
— Muito gostosa, amiga, é com carinho, deixa, não fica brava. Depois passo um creminho em você, quer?
— O Lolo já se ofereceu, vocês dois podem passar juntos — Lolo concordou com a cabeça, fazendo um gesto de punheta com a mão. Eu vi no reflexo de uma porta de correr perto.
— Isso, todo o "creminho" vamos jogar na sua bunda, amiga.
A música aumentou um pouco. O sol tava forte. Alguém sugeriu voltar pra piscina mais tarde. Outro disse que primeiro tinha que brindar. Me passaram outro copo. Levantei da borda da piscina e encostei na mesa alta, ficando bem entre dois deles. Nenhum se mexeu pra me dar mais espaço.
Senti olhares descendo e subindo, devagar, sem vergonha. Comentários soltos. Risadas que duravam demais. A mão de um dos caras roçou primeiro minha bunda e depois minhas costas ao me abraçar. O outro segurou meu rosto. apertando minhas bochechas, deixando minha boca igual peixinho.
—Que boca linda você tem, mano... — Não parei nada. Estavam todos tentando ter algum contato físico disfarçado.
Quando me levantei pra pegar protetor solar, o Lolo se ofereceu pra me alcançar. Ele me seguiu até onde eu tinha deixado minhas coisas. O resto ficou olhando de longe, atentos, como se soubessem que aquele primeiro movimento ia ditar o ritmo da tarde.
— Passo em você? — ele perguntou, com o frasco na mão.
Olhei pra ele por um segundo. Sorri.
— Passa sim, Lolo, mas passa tudo — falei rindo — E não esquece de avisar o Pedro que quero que ele passe também.
Voltei andando devagar até a piscina, consciente de cada passo, de cada silêncio pesado atrás de mim. Sabia que já não estavam pensando em quem ia se animar primeiro.
Queriam ver como o Lolo e o Pedro iam passar a mão na minha bunda e deixar ela branca de creme. Embora com certeza desejassem que fosse outra coisa. E eu também.Voltei andando devagar em direção à piscina, ainda sentindo a água fria na pele e o peso dos olhares atrás de mim. Ninguém falava, mas o silêncio estava carregado de intenção. Cada passo parecia observado, medido. Lolo e Pedro ficaram a alguns metros, com o frasco de protetor passando de uma mão para a outra, como se fosse uma desculpa mais do que suficiente para continuar por perto. Não se apressaram. Eu também não. Parei na borda e me virei só um pouco, o suficiente para que entendessem que eu sabia exatamente o que estavam olhando. O sol fazia a pele molhada brilhar, o tecido colado marcava mais do que escondia. — Aqui tá bom? — perguntei, sem apontar nada em específico. Ajoelhei primeiro e estiquei as mãos para me deitar de bruços, mas estava muito quente. Precisava de uma toalha para não me queimar. — Gente, alguém tem uma toalha pra colocar aqui? Tô me queimando, por favor. — Meu irmão apareceu do nada, tinha acabado de chegar. — Cadê a cabeça dessa menina? Toma, trouxe pra você. Mexe essa bunda que vou arrumar. — Primeiro me virei de lado, com a raba virada pra piscina, pra ele poder colocar metade da toalha debaixo de mim. Ele ficou nervoso ao perceber que a microbiquíni mal cobria meus bicos e deixava o resto todo de fora. — E essa biquíni? Foi seu namorado que te deu? Porque com esse tamanho... — Não, foi o tio Kike que me deu, e até tive que provar pra ele garantir que servia direito ou teria que trocar, mas ele aprovou totalmente, e eu também. — Meu irmão ficou mudo e continuou arrumando a toalha bem devagar, como se estivesse gostando de me ver assim. — Vira pra cá agora — ele disse. Minha raba ficou a centímetros dele. Ele percebeu, e eu também. Sem parar de arrumar a toalha, comecei a sentir algo que fez eu me apoiar um pouco mais... e aí senti. Meu irmão estava de pau duro por minha causa. Ele não se mexeu, e eu também não. Olhei pra ele, e ele, de canto de olho, mordeu os lábios e empurrou minha raba de leve com a pélvis. Sentimos um flash, e os amigos... rindo. —Mano, parece que você tá comendo a sua irmã! — falaram entre risadas. —Queria ver isso, seus punheteiros, né? — Não liga pra eles, são uns tarados. Pagariam pra nos ver transando e até pagariam pra te comer... vai! Só de chupar seus peitos esses idiotas já pagavam. Pronto. Agora você não vai se queimar. Vou ao banheiro. Vocês dois (olhando pro Lolo e pro Pedro) não se façam de otários e não passem a mão demais nela, senão eu encho vocês de porrada. — Meu irmão foi embora, eu senti, percebi tudo. Me deitei de bruços de novo, totalmente ausente, fiquei perdida na minha cabeça e naquilo que senti na minha bunda... já tava excitada. — Vamos começar? — pergunta o Lolo. — Sim, sim — respondo ausente. — Onde passamos? Nas costas? — E na bunda, costas, pernas e bunda. — Me ajeito de novo. Começo a sentir as mãos dos caras... um deles nas minhas costas e outro nas minhas pernas... — Depois, nós dois enchemos sua bunda de creme — disse o Pedro, se aproximando do meu ouvido e falando bem devagar — Sei que você gosta de dois. Depois de uns 15 minutos, sinto o frio do creme tocar meu corpo, o que me faz me precipitar e arquear as costas, levantando a bunda, deixando o fio do meu biquíni aparecer por alguns segundos antes dos meus glúteos cobrirem de novo. Lolo e Pedro faziam movimentos sem sincronia e, de vez em quando, passavam as mãos entre minhas pernas, bem perto da minha buceta... subiam as mãos pela minha bunda e a abriam. Vi o Pedro pegar o celular depois de limpar as mãos, sussurrar algo pro Lolo, e os dois abrirem minha bunda e massagearem em círculos, abrindo e fechando. Tiraram várias fotos... até acho que teve vídeo. Longe de ficar brava, aquilo me excitava. Imaginava eles mandando pro grupo de WhatsApp e batendo punheta pra mim... até soltava gemidinhos de prazer... e meu irmão sentado na sombra vendo tudo. Sem objeções.
O barulho do lugar foi voltando aos poucos. Copos batendo, risadas mais distantes, a música se infiltrando entre conversas que fingiam normalidade. Eu continuei de bruços por mais alguns segundos, respirando devagar, deixando o corpo se acostumar com o que já estava rolando. De vez em quando, mexia minha bunda como se quisesse que os dedos deles me tocassem mais.
As mãos não se apressavam. Não precisavam. Se moviam com uma calma calculada, como se o verdadeiro jogo fosse ver quanto tempo eu aguentava o silêncio.
—Assim tá bom — murmurou Lolo, mais para o Pedro do que para mim.
—É… — respondeu ele —. Ela tá calma agora.
Mas nenhum dos dois parecia convencido.
Senti eles se aproximarem um pouco mais. Não por cima. Perto. O suficiente pra sentir o calor. O suficiente pra cada movimento mínimo parecer amplificado.
—Não se mexe — disse Pedro, quase brincando, quase sério —. Senão, a gente nunca termina.
Não respondi. Só acomodei a cabeça sobre os braços, deixando o gesto falar o que a voz não precisava dizer.
Os olhares ao redor continuavam lá. Eu sentia sem ver. Sabia quando alguém calava a boca de repente. Quando uma risada durava mais que o normal. Quando alguém fingia olhar pro celular sem estar olhando de verdade. As mãos dos caras cheias de creme passavam bem perto do meu cu às vezes, eu desejando que enfiassem algum dedo... na real, o Pedro de vez em quando deixava a mão parada e eu mexia minha bunda pra ele enfiar, mal ele encostava o dedo, eu colocava a pontinha e continuava massageando a bunda dele...
—Eu… — disse Lolo em voz baixa —. Cês tão percebendo que ela tá usando a gente de desculpa?
Pedro sorriu.
—Sim.
—E?
—E nenhum de nós dois tá reclamando.
As mãos pararam por um segundo. Não por desajeito. Por decisão. Aquele segundo foi pior que qualquer movimento.
—Se te incomodar alguma coisa… — começou Pedro.
Virei só a cabeça, o suficiente pra me ouvirem sem olhar pra eles.
—Se me incomodasse — falei —, já teria ido embora. Gosto do jeito que vocês me tocam.. continuem.
O silêncio que veio depois foi denso. Pesado. Compartilhado.
Lolo soltou o ar devagar.
—Então Seguimos" — ele disse.
Não precisou explicar mais nada.
O sol continuava descendo. A tarde se esticava. E ao redor, todo mundo já sacava que não era mais só sobre uma piscina, nem uma desculpa, nem matar tempo.
Era outra parada.
E ainda faltava um bocado de dia.
—Não me olha assim — disse Pedro em voz baixa, sem desviar os olhos —. Não sou o único que tá pensando a mesma coisa.
Lolo soltou uma risada curta, quase nervosa.
— Eu não falei nada.
— Não precisa — respondeu Pedro —. Dá pra ver na sua cara.
As mãos continuavam se movendo, lentas, mecânicas, como se fossem uma desculpa pra ficar. Eu não me mexi. Também não fechei os olhos. Deixei eles falarem.
— É do jeito que ela fica parada — completou Lolo —. Como se soubesse exatamente o que tá causando.
— Ou como se gostasse — disse Pedro —. Que é pior.
— Pior pra quem?
— Pra nós.
Teve um silêncio curto. Daqueles que pesam.
— Você percebeu — continuou Lolo — que ela nunca se ajeita pra se cobrir?
— Sim.
— Nem quando a gente chega mais perto.
— Nem quando a gente abaixa a voz.
Pedro apoiou os cotovelos nos joelhos, inclinando-se só um pouco pra frente.
— Não é só o corpo — disse —. É como ela oferece sem oferecer. Como se dissesse "olha", mas sem falar.
Eu respirei fundo. Não pra interromper. Pra continuar ali.
— Se ela levantasse agora — disse Lolo —, mais de um ia ficar olhando do mesmo jeito.
— Se ela levantasse agora — respondeu Pedro —, não ia longe sem alguém inventar uma desculpa pra seguir.
— Você?
— Eu não.
— Mentiroso.
Eles riram baixo. Não por graça. Por alívio.
Naquele momento, uma sombra entrou no círculo. Lucho chegou com um copo na mão, olhando a cena com um meio sorriso.
— Interrompo algo? — perguntou.
— Não — disse Pedro rápido —. A gente tava… conversando.
Lucho baixou o olhar pra mim. Não disfarçou.
— Ah — disse —. Isso explica tudo.
Ele se apoiou na mesa, perto. Muito perto.
— Faz quanto tempo que tão assim?
— Um tempo.
— E ninguém se cansa?
— Não — respondeu Lolo —. Pelo contrário.
Lucho deu um gole.
— É curioso — disse —. Daqui parece que ela não precisa se mexer pra deixar todo mundo na dela.
Pedro concordou.
— Isso é o que mais queima.
— O quê?
— Que ela podia levantar agora mesmo… e ainda assim ficar.
Lucho sorriu de leve.
— Sabe o que eu me pergunto?
— O quê?
— Se ela sabe exatamente o que a gente tá imaginando.
O silêncio voltou. Mais denso.
— Se ela sabe — disse Lolo —, não nos está segurando. —Não — acrescentou Pedro—. Está nos deixando falar. Ninguém olhou diretamente pra mim. E mesmo assim, tudo era pra mim. —Tem algo no jeito que ela respira — disse Lucho—. Como se de vez em quando lembrasse a gente que tá ouvindo. —Ou como se estivesse esperando — disse Pedro—. Pra ver quem fala demais. Lolo se inclinou um pouco. —Eu não vou ser. —Eu também não — disse Pedro. —Mentira — disse Lucho—. Os dois já fizeram isso. Ficaram em silêncio de novo. A música continuou tocando. O sol descendo. O ar quente. E eu continuei ali. Sem me mexer. Deixando eles falarem. Porque sabiam — todos — que quanto mais falavam, mais perto estavam de cruzar algo que ninguém tinha coragem de nomear.
—Eu não aguentaria —disse Pedro, quase sem pensar—. Se estivesse tão perto assim…
Lolo o segurou na hora, apoiando a mão no braço dele.
—Para.
—Por quê? —respondeu Pedro, tenso—. Se todo mundo tá pensando a mesma coisa.
Não me mexi. Deixei aquele silêncio se esticar um segundo a mais do que o confortável.
—Não se segurem —falei então, tranquila—.
Os três me olharam.
—Digam o que pensam —continuei—. Ou o que fariam… se não precisasse disfarçar tanto.
Ninguém riu. Ninguém baixou o olhar.
—Sério? —perguntou Lucho, medindo cada palavra.
—Sério —respondi—. Tô interessada em ouvir.
Pedro se apoiou na mesa, como se resignasse.
—Bom… —disse—. Eu gosto quando uma mulher não se esconde. Quando não precisa exagerar nada porque já chama atenção do jeito que é.
—Que jeito? —perguntei, apoiando os cotovelos na borda da piscina.
—Natural —completou Lolo—. Mas segura. Que sabe quando tão olhando pra ela… e não faz nada pra evitar.
—E o corpo? —perguntei—. Importa?
Lucho sorriu.
—Importa que acompanhe —disse—. Que não seja duro. Que se mexa bem. Que a pele pareça viva.
—E se ela usar algo pequeno? —insisti—. Isso soma ou diminui?
Pedro soltou o ar pelo nariz.
—Soma se não parecer um pedido —disse—. Se for mais um convite silencioso.
—Claro —completou Lolo—. Tipo dizendo “é isso que tem”.
Nessa hora, Cristian e Pablo se aproximaram, copo na mão.
—Tão falando do quê? —perguntou Cristian.
—De gostos —respondeu Lucho—. De uma mulher hipotética.
—Ah —disse Pablo, me olhando—. A hipotética é sempre a mais perigosa.
—Como seria pra você? —perguntei.
Pablo me olhou um segundo a mais.
—A que entra na água sem pressa —disse—. A que sai molhada e não se enxuga na hora.
Fran e Andrés se juntaram por trás.
—Tão descrevendo alguém ou sonhando? —perguntou Fran.
—Sonhar também é um jeito de descrever —respondi.
Felipe e Ale chegaram quase ao mesmo tempo. Já éramos todos em volta da piscina.
—Eu —disse Andrés— gosto quando ela não fala muito… mas quando fala, desmonta tudo.
—E quando entra na água —completou Ale— e a O corpo muda. Tudo fica marcado diferente.
Sem dizer mais nada, deslizei pra dentro da piscina.
A água me cobriu devagar. Primeiro as pernas. Depois a cintura. Quando me apoiei na borda, senti todos os olhares descendo junto comigo.
—Algo assim — falei —, né?
Ninguém respondeu na hora.
—É — disse Pedro por fim, baixinho —. Exatamente assim.
A conversa continuou, mas já não precisava de palavras novas.
Todo mundo sabia de quem estavam falando.
E eu sabia o que estavam imaginando.
A tarde avançava.
E ninguém parecia ter pressa pra ir embora.
A água me rodeava a cintura. Me apoiei na borda, com os braços abertos, deixando o corpo molhado fazer o que já estava fazendo: ocupar espaço. Ninguém falava. Mas algo tinha mudado. Já não era só desejo. Era comparação. Pedro foi o primeiro a se tensar. Olhava pro Lolo de canto, como medindo o quanto ele se aproximava. Lucho se apoiou do outro lado, atento demais. Cristian e Pablo trocaram um olhar rápido, silencioso, como se tivessem entendido que o jogo já não era só observar.
—É estranho — disse Fran, quebrando o silêncio —. Quando muitos querem a mesma coisa… dá pra sentir.
—A mesma coisa? — perguntei, inclinando só um pouco a cabeça.
—A atenção — respondeu Ale —. Nem todo mundo recebe igual.
Pedro sorriu, mas não era um sorriso relaxado.
—Alguns não precisam fazer tanto barulho — disse —. Só estar… já basta.
Lolo encarou ele.
—Isso é pra alguém em específico?
A tensão ficou visível. Não teve risada.
—Eu acho — intervim — que vocês tão falando como se eu não tivesse aqui.
Todo mundo ficou parado.
—E eu tô — completei —. Ouvindo tudo.
Me impulsionei um pouco mais dentro da água, deixando o corpo flutuar de leve. As gotas escorriam devagar pela pele. Ninguém desviou o olhar.
—Sabem o que eu mais gosto? — perguntei.
—O quê? — disse Lucho, quase sem voz.
—Que não me escolham por turno — respondi —. Que não entrem num acordo. Que cada um imagine uma coisa diferente… e fique com isso.
Teve um murmúrio baixo. Desconforto. Tesão. Competição.
Aí Cristian falou uma coisa que ninguém esperava:
—Eu não me perguntaria o que faria com você — disse —. Eu me perguntaria o que você me deixaria ser.
O ar cortou. Pedro encarou feio. Lolo apertou a mandíbula. Alguém soltou uma risada nervosa que morreu rápido. Eu sorri.
—Isso — falei — é uma boa pergunta.
Me apoiei melhor na borda e falei, sem pressa, sem levantar a voz.
—Eu gosto de liberdade — falei —. Não só na cabeça. No corpo. Nas decisões. Gosto de escolher sem pedir permissão. Mudar. Experimentar. Repetir ou não repetir.
Olhei pra cada um deles.
—Gosto de gente que eu conheço. —continuei—. E a que não. Gosto das conexões que duram uma noite… e das que se sustentam no tempo. Gosto de não ter que explicar por quê.
Ninguém interrompeu.
—Não me define um único desejo — acrescentei—. Nem uma única forma. Nem uma única pessoa.
Pedro engoliu em seco.
—E isso… não te complica? — perguntou.
—Pelo contrário — respondi—. Me organiza.
Lolo passou a mão na nuca.
—Isso deixa qualquer um nervoso — disse.
—Não — corrigi—. Deixa nervoso quem quer controlar.
O silêncio caiu de novo.
Mas agora era denso, elétrico.
Me afastei da borda e comecei a nadar devagar em direção ao centro da piscina.
—Se alguém se sentir desconfortável — falei sem olhar pra trás—, pode ir embora.
Ninguém se mexeu.
—E se alguém ficar — completei—, que seja porque entende que isso…
Me virei, apoiando os pés no fundo, olhando pra eles da água.
—…não é uma promessa. É um convite pra imaginar.
A música continuou.
O sol já estava mais baixo.
E entre eles, já não havia só desejo.
Tinha competição, ciúmes…
e medo de ficar de fora.
A tarde já não era mais tarde. O sol descia e a luz ficava mais oblíqua, mais honesta. A piscina refletia sombras compridas. Ninguém tinha se mexido do lugar onde estava. Ninguém queria ser o primeiro a fazer isso.
Foi Felipe quem perdeu a compostura.
—O que acontece —disse de repente— é que a gente não tá falando de uma fantasia qualquer. A gente tá falando de alguém que tá aqui, que escuta, que olha… e que poderia escolher.
O silêncio foi imediato.
—Isso muda as regras —completou—. Porque não é mais sobre o que a gente imagina, mas sobre se dá pra alcançar.
Pedro olhou feio pra ele.
—Você não precisava falar isso.
—Por que não? —respondeu Felipe—. Todo mundo tá pensando a mesma coisa.
Lolo deu um passo pra trás, desconfortável.
—Pô… vamos dar uma segurada.
Mas já era tarde. Algo tinha se mexido.
Naquele momento, uma voz cortou de trás.
—O que tá rolando aqui?
Meu irmão estava de pé, na sombra, com a testa franzida. Não gritou. Não fez escândalo. Olhou a cena inteira em dois segundos. As posições. Os olhares. O silêncio pesado.
—Nada —falei, tranquila—. Só conversando.
Ele segurou meu olhar por um segundo longo. Longo demais.
—Tá bom —disse no fim—. Vou dar uma volta.
Olhou pro grupo.
—Não façam merda.
Foi embora sem esperar resposta.
O efeito foi imediato.
Como se alguém tivesse aberto uma janela invisível.
—Bom… —disse Lucho—. Isso aí mudou o clima pra valer.
—É —respondi—. Às vezes alguém vai embora… e é aí que começa o interessante.
A música subiu um pouco mais. Cristian apareceu com uma garrafa. Serviu sem perguntar. Ninguém recusou.
—Vou te fazer uma pergunta —disse Pablo, depois de um gole—.
—Fala.
—Seu namorado… sabe de tudo isso?
Não hesitei.
—Claro que sabe.
Os olhares se apertaram de novo.
—E o que ele acha? —perguntou Ale.
Sorri.
—Ele adora.
Ninguém falou.
—A gente gosta de compartilhar —continuei—. Às vezes sozinhos. Às vezes não. A gente se curte assim. Sem segredos.
Pedro apoiou o copo com mais força do que precisava.
—Isso… não é normal.
—Não —falei—. Mas é honesto.
A noite caiu de vez. As luzes do sítio acenderam aos poucos. O álcool começou a soltar. Ombros, mandíbulas, silêncios.
—Então — disse Lolo, mais baixo — não estamos imaginando algo proibido.
—Não — respondi —. Vocês estão imaginando algo possível.
Fiz uma pausa.
—A diferença é quem se atreve a sustentar isso… sem estragar tudo.
Ninguém respondeu na hora.
Mas já não estavam mais parados.
E já não era só desejo o que circulava.
Era expectativa.
A música baixou quando alguém trocou a playlist. Luz mais quente. Copos sendo enchidos de novo sem pedir licença. O álcool começou a fazer o dele: soltar ombros, línguas e verdades.
—Tem algo que intimida —disse Lucho, depois de um gole—.
—O quê? —perguntei.
—Uma mulher que não precisa de aprovação. Que não pergunta se tá tudo bem.
—É —completou Cristian—. Uma que entra num lugar e não pede desculpa por ocupar espaço.
Pedro apoiou o copo, me encarando sem rodeios.
—Eu acho excitante —disse— quando a confiança não é fingimento. Quando não muda dependendo de quem tá olhando.
—Quando não compete —completou Pablo—. Quando não finge ser outra.
Eu concordei devagar.
—E o que deixa vocês nervosos? —perguntei.
Silêncio curto. Aquele tipo de silêncio que fala mais que uma resposta rápida.
—Não saber se a gente é suficiente —disse Fran—.
—Ou pensar que tem que conquistar algo —completou Ale—. Como se fosse um prêmio.
Eu me aproximei da borda da piscina e apoiei os cotovelos. A água refletia as luzes na minha pele molhada. Não levantei a voz.
—Não precisa competir —falei—. Nem medir forças. Nem se comparar.
Olhei pra cada um deles.
—Confiança não funciona assim —continuei—. Não se divide em turnos. Se compartilha.
Lolo franziu a testa, curioso.
—Compartilhar… como?
Sorri.
—Ouvindo —respondi—. Lendo. Entendendo o que cada um gosta… e respeitando.
Pedro respirou fundo.
—E se for muita gente?
—Melhor —falei—. Cada pessoa quer uma coisa diferente. E isso não me sobrecarrega. Me organiza.
Os olhares mudaram. Já não eram de cálculo. Eram de atenção.
—Não vim prometer nada —completei—. Mas vim dizer algo claro: não preciso que disputem minha atenção.
Fiz uma pausa.
—Posso estar presente do jeito que fizer sentido pra cada um. Sem ninguém ficar de fora… nem ter que se impor.
O álcool continuou rolando. A noite caiu de vez.
—Isso —disse Cristian, quase pra si mesmo— é mais intenso que qualquer competição.
Ninguém discordou.
E pela primeira vez desde que a noite começou, o tesão se acalmou o suficiente pra ficar mais profundo. Mais consciente. Mais real.
A noite já tinha fechado de vez. O álcool tinha soltado risadas, mas principalmente as línguas. As palavras começaram a sair com menos filtro e mais verdade.
— Vamos fazer uma parada — falei, apoiando o copo na borda da piscina.
— Cada um fala um desejo. Sexual. Mas sem explicar como. Só o que uma mulher como eu desperta em vocês.
Ninguém riu. Ninguém se fez de desentendido.
Lucho foi o primeiro a falar, sem me olhar diretamente.
— Eu fico excitado quando uma mulher sabe que tão desejando ela… e não faz nada pra parar.
Pedro continuou, apoiando os cotovelos na mesa.
— Me acende quando uma mulher se dá permissão. Quando não pede desculpa por provocar.
Cristian engoliu seco antes de falar o dele.
— Me esquenta a segurança. Aquela que não pede aprovação… que simplesmente existe.
Fran sorriu de lado.
— Eu desejo sentir que posso perder o controle só com um olhar.
Pablo completou, mais sério:
— Me excita que uma mulher saiba exatamente o efeito que causa… e use isso.
Felipe falou mais baixo, mas claro.
— Me prende quando uma mulher não se define por limites dos outros.
Ale foi breve.
— Desejo ser escolhido… mesmo que não seja o único.
Um silêncio pesado pairou. Não desconfortável. Denso.
— E você? — alguém perguntou. — O que te excita?
Sorri. Entrei devagar na piscina. A água cobriu primeiro minhas pernas, depois a cintura. Senti os olhares me seguindo.
— Me excita que vocês não compitam — falei.
— Me excita saber que todos desejam… mas esperam.
— E que entendem que posso querer vocês de jeitos diferentes, ao mesmo tempo.
Alguns se mexeram nos lugares.
— E se alguém não esperar? — Pedro perguntou, quase desafiando.
Olhei fixo pra ele.
— Então não entende como eu jogo.
Não respondi mais ninguém. Escolhi o silêncio. Escolhi deixar eles ali.
Foi quando uma voz tranquila soou atrás.
— Boa noite.
Me virei sorrindo antes que alguém perguntasse.
— Chegou na hora certa, amor — falei pro meu namorado.
Ele olhou o grupo, a piscina, o clima.
— Vejo caras interessantes.
— Tamo falando de desejos — disse Lolo. — Daqueles que não se falam sempre.
— Ela é expert nisso. —respondeu meu namorado—. Em provocar sem tocar.
—Isso não te incomoda? —perguntou Cristian.
Meu namorado olhou primeiro pra mim.
—Pelo contrário. Adoro como ela é na intimidade —disse—.
—Livre. Curiosa. Segura.
—Não precisa esconder o que desperta.
Eu me aproximei dele. Ele me beijou com paixão, agarrou minha bunda com a mão, separou e me deu um tapa.
—A gente gosta de compartilhar o desejo —completei—. Às vezes sozinhos. Às vezes acompanhados.
—Mas sempre com respeito e cumplicidade.
—E com controle —ele acrescentou—. Dela, sempre.
Ninguém disse mais nada. Os olhares iam e vinham. Ciúmes leves. Fantasias abertas. Nenhuma resolvida.
A música continuou tocando.
A noite ainda tinha tempo.
E todo mundo sabia que o mais excitante daquela cena…
era que ainda não tinha acontecido nada.
Escolhi o mais quieto sem avisar ninguém.
Não o que falava mais, nem o que se achava seguro.
O que olhava e baixava a vista quando era descoberto.
Felipe.
Meu namorado chegou por trás e falou no meu ouvido, tão baixo que ninguém mais ouviu.
— Escolhi bem — disse ele.
— O desejo mais forte tá sempre em quem menos se anima.
Assenti só com a cabeça.
— Tenho uma pergunta — falei alto, me virando pra todo mundo.
— Se eu tirar a parte de cima… vocês se controlam?
Ninguém respondeu na hora.
Uns riram nervoso.
Outros pararam de respirar.
— Não é pergunta inocente — completei.
— Quero saber quem olha… e quem se perde.
Pedro foi o primeiro a falar:
— Não sei se conseguiria. Já tô bem excitado.
— Eu também — disse Lucho —, mas também não me mexeria. Pelo menos não pra te tocar, mas pra me tocar.
— Isso é controle — respondi. — Não é ficar parado… é decidir o que fazer com o que sente.
Olhei pro Felipe.
— E você?
Ele ficou vermelho. Engoliu seco.
— Eu… — começou — acho que não saberia o que fazer.
Meu namorado sorriu.
— Exatamente por isso — disse.
O silêncio ficou pesado. A água nos rodeava. A noite nos cobria.
— Às vezes — falei — não precisa fazer nada. Às vezes basta deixar alguém olhar…
Fiquei na frente dele, tirei a parte de cima do biquíni e deixei ela flutuar devagar na água. Me aproximei mais, abracei ele… meus peitos encostaram no peito dele, ele não queria olhar.
— Pode olhar, sentir… cê gosta?
Felipe não conseguia parar de olhar pros meus peitos no peito dele.
Deslizei minha mão por baixo da água até o pau dele… duro, parado, do jeito que imaginei. Comecei a bater uma pra ele… ele gemia, quase disfarçando… eu falava no ouvido dele:
— Quero chupar ele todinho… vai gozar na minha boca? Adoro sentir meus peitos no teu peito…
Ele, tímido, completou:
— Quero chupar seus peitos — quase murmurando.
— Como? — falei no ouvido dele.
— QUERO CHUPAR SEUS PEITOS!! — disse quase gritando.
Ele tomou o controle. Me encostou na borda da piscina e com as mãos enormes começou a chupar, lamber, morder… eu comecei a gemer… Olhei de leve pro lado... meu irmão tava com a mão dentro da sunga... voltei a olhar como eles chupavam meus peitos como se fosse a primeira vez... ele pegou minha mão e levou até o pau dele. — Bate uma que eu vou gozar toda essa porra.
Ele continuou apertando meus peitos cada vez mais forte, mordia meus bicos... murmurou só pra eu ouvir... — Que vontade de te comer o cu. Como me excita que você seja tão puta... com certeza quer um pau na boca também, putinha... vai chupar o pau de todo mundo? olha que seu irmão também quer ver o pau dele nessa boquinha de profissional que você tem...
Isso me excitou ainda mais por algum motivo.
Pedro baixou a sunga e começou a se tocar... olhou pro Juan esperando a aprovação dele. Juan sorriu e piscou o olho. — Fiquem — completou meu namorado — Olhem. Aproveitem. Aprendam a desejar sem pegar.
Ninguém se mexeu.
Ninguém falou.
E o desejo ficou suspenso no ar, intacto, mais forte que qualquer ato.
Felipe com uma das mãos agarrou minha bunda e enfiou um dedo inteiro no meu cu... doeu, mas eu gostei. Deixou ele lá enquanto eu empurrava a bunda pra ele meter ainda mais.
Ficamos assim um bom tempo, gemendo os dois como se não tivesse mais ninguém por perto.
Isso me excitou ainda mais por algum motivo.
— Vou gozar fora da piscina... — saiu e esporrou tudo na grama. E foi rápido pro banheiro.
Meu namorado chegou perto e começou a me beijar.
Quebrou o gelo com um "vamos comer?O murmúrio voltou aos poucos, como se alguém tivesse aumentado o volume do mundo sem avisar.
A música voltou. As risadas também. Copos batendo, passos na grama molhada.
Meu namorado me envolveu com um braço e me puxou pra perto dele, com a naturalidade de quem sabe exatamente o que acabou de rolar… e não precisa explicar nada.
— Vamos comer — ele disse, como se fosse a coisa mais normal do mundo.
Eu concordei.
Saímos da piscina sem pressa. Ninguém comentou nada. Ninguém fez perguntas.
Mas os olhares ficaram em mim um segundo a mais do que o normal.
Não tinha desconforto. Tinha algo diferente: uma consciência compartilhada.
Felipe já não estava mais ali.
Pedro evitou me encarar.
Outros sorriam sem perceber.
Na mesa, o barulho dos pratos ocupou o lugar do silêncio.
Conversas cruzadas. Piadas forçadas.
Cada um processando o seu.
Meu namorado apoiou a mão na minha coxa por baixo da mesa.
Não apertou. Não avançou.
Só ficou ali.
— Adoro como você é — ele sussurrou.
— Como você desconcerta os outros sem fazer nada.
Olhei pra ele. Sorri.
A noite seguiu como se nada…
mas nada era mais igual.
E todo mundo sabia disso.
Um endereço. Um horário. E uma frase curta que me fez sorrir antes de apoiar o celular no peito.
“Traz o que prometeu.”
O dia tava pesado, daqueles que já vêm carregados desde a manhã. Tomei meu tempo pra me preparar. Não por nervoso, mas por escolha. Escolhi a biquíni mais pequena que eu tinha, aquela que quase não usava porque não deixava espaço pra distração. Essa biquíni foi presente do meu tio, Kike, que também sinto que tá afim há muito tempo, mas curte esse jogo de me desejar, me dá roupa pequena, sutiã, e até se oferece sempre pra passar bronzeador quando a gente vai pra piscina da casa da minha avó, mas isso eu conto outro dia... Por cima, uma regata branca fininha, daquelas que com um pouquinho de água fica toda transparente. Por baixo, o básico, um pareô transparente que comprei no Brasil. Nada exagerado. Nada inocente.
O caminho até a chácara foi uma sequência de pensamentos que não consegui organizar. Olhares do rolê. O que rolou no rolê também. Só de lembrar, o calor voltava pro meu corpo. Silêncios carregados. Promessas que ninguém tinha dito em voz alta, mas que estavam ali.
Quando cheguei, a música já tava tocando. Risadas. Copos. O sol caindo devagar sobre a piscina. Eles estavam lá, espalhados, à vontade, como se o lugar fosse deles. Quando me viram entrar, algo mudou. Não foi imediato nem escandaloso. Foi aquele segundo exato em que todo mundo entende que algo acabou de começar.
Cumprimentei um por um. Tavam sentados ao redor de uma mesa redonda, então quando eu cumprimentava, podiam ter minha rabeta do lado da cara deles. Beijos no rosto. Comentários casuais. Ninguém falou nada sobre meu corpo, sobre a biquíni, sobre o jeito que eu andava. Não precisava. Os olhares faziam o trabalho sozinhos.Cheguei na piscina e larguei as coisas. Senti o sol na pele. A água brilhando. O clima relaxado… relaxado demais pra tensão que tava no ar. Me abaixei pra tocar a água com as mãos, de quatro, de costas pros caras, porque eu tinha ido pra curtir, mas também pra eles me curtirem. Sabia que tavam me olhando. Sabia que tavam se perguntando quem ia se animar primeiro. Não apressei nada. A tarde tava só começando.
E todo mundo sabia disso.
Fiquei assim por mais um momento, com as mãos na água, deixando o sol esquentar minhas costas. O pareo se mexia de leve com a brisa e a regata já não escondia nada depois daquele primeiro contato com a piscina. Não fiz nada pra consertar.
Ouvi uma risada atrás. Depois outra. O barulho de uma cadeira sendo arrastada.
— Tá gelada — comentou um, como se fosse a única coisa que importasse.
Me levantei devagar e me deitei na borda. O gesto foi simples, mas senti o ar mudar. Um deles se aproximou com um copo e me entregou sem eu pedir. Nossos dedos se tocaram de leve. Ele não se desculpou. Eu também não.
— Acabou de chegar? — perguntou outro, perto demais.
— Faz um tempinho, vim de Uber — respondi.
— E veio assim no Uber? — perguntou, entre surpreso e excitado.
— Sim, na verdade fiquei com o número do motorista. Se meu namorado não conseguir vir, o mesmo cara que me trouxe vai me buscar.
De repente, alguém mergulhou de bomba na piscina, molhando toda minha bunda e minhas costas, me dando arrepios.
— Valeu — falei, olhando pra ele. Era o Pedro. Ele chegou perto e deu um tapa na minha bunda.
— Ei! — falei meio brava.
— Muito gostosa, amiga, é com carinho, deixa, não fica brava. Depois passo um creminho em você, quer?
— O Lolo já se ofereceu, vocês dois podem passar juntos — Lolo concordou com a cabeça, fazendo um gesto de punheta com a mão. Eu vi no reflexo de uma porta de correr perto.
— Isso, todo o "creminho" vamos jogar na sua bunda, amiga.
A música aumentou um pouco. O sol tava forte. Alguém sugeriu voltar pra piscina mais tarde. Outro disse que primeiro tinha que brindar. Me passaram outro copo. Levantei da borda da piscina e encostei na mesa alta, ficando bem entre dois deles. Nenhum se mexeu pra me dar mais espaço.
Senti olhares descendo e subindo, devagar, sem vergonha. Comentários soltos. Risadas que duravam demais. A mão de um dos caras roçou primeiro minha bunda e depois minhas costas ao me abraçar. O outro segurou meu rosto. apertando minhas bochechas, deixando minha boca igual peixinho.
—Que boca linda você tem, mano... — Não parei nada. Estavam todos tentando ter algum contato físico disfarçado.
Quando me levantei pra pegar protetor solar, o Lolo se ofereceu pra me alcançar. Ele me seguiu até onde eu tinha deixado minhas coisas. O resto ficou olhando de longe, atentos, como se soubessem que aquele primeiro movimento ia ditar o ritmo da tarde.
— Passo em você? — ele perguntou, com o frasco na mão.
Olhei pra ele por um segundo. Sorri.
— Passa sim, Lolo, mas passa tudo — falei rindo — E não esquece de avisar o Pedro que quero que ele passe também.
Voltei andando devagar até a piscina, consciente de cada passo, de cada silêncio pesado atrás de mim. Sabia que já não estavam pensando em quem ia se animar primeiro.
Queriam ver como o Lolo e o Pedro iam passar a mão na minha bunda e deixar ela branca de creme. Embora com certeza desejassem que fosse outra coisa. E eu também.Voltei andando devagar em direção à piscina, ainda sentindo a água fria na pele e o peso dos olhares atrás de mim. Ninguém falava, mas o silêncio estava carregado de intenção. Cada passo parecia observado, medido. Lolo e Pedro ficaram a alguns metros, com o frasco de protetor passando de uma mão para a outra, como se fosse uma desculpa mais do que suficiente para continuar por perto. Não se apressaram. Eu também não. Parei na borda e me virei só um pouco, o suficiente para que entendessem que eu sabia exatamente o que estavam olhando. O sol fazia a pele molhada brilhar, o tecido colado marcava mais do que escondia. — Aqui tá bom? — perguntei, sem apontar nada em específico. Ajoelhei primeiro e estiquei as mãos para me deitar de bruços, mas estava muito quente. Precisava de uma toalha para não me queimar. — Gente, alguém tem uma toalha pra colocar aqui? Tô me queimando, por favor. — Meu irmão apareceu do nada, tinha acabado de chegar. — Cadê a cabeça dessa menina? Toma, trouxe pra você. Mexe essa bunda que vou arrumar. — Primeiro me virei de lado, com a raba virada pra piscina, pra ele poder colocar metade da toalha debaixo de mim. Ele ficou nervoso ao perceber que a microbiquíni mal cobria meus bicos e deixava o resto todo de fora. — E essa biquíni? Foi seu namorado que te deu? Porque com esse tamanho... — Não, foi o tio Kike que me deu, e até tive que provar pra ele garantir que servia direito ou teria que trocar, mas ele aprovou totalmente, e eu também. — Meu irmão ficou mudo e continuou arrumando a toalha bem devagar, como se estivesse gostando de me ver assim. — Vira pra cá agora — ele disse. Minha raba ficou a centímetros dele. Ele percebeu, e eu também. Sem parar de arrumar a toalha, comecei a sentir algo que fez eu me apoiar um pouco mais... e aí senti. Meu irmão estava de pau duro por minha causa. Ele não se mexeu, e eu também não. Olhei pra ele, e ele, de canto de olho, mordeu os lábios e empurrou minha raba de leve com a pélvis. Sentimos um flash, e os amigos... rindo. —Mano, parece que você tá comendo a sua irmã! — falaram entre risadas. —Queria ver isso, seus punheteiros, né? — Não liga pra eles, são uns tarados. Pagariam pra nos ver transando e até pagariam pra te comer... vai! Só de chupar seus peitos esses idiotas já pagavam. Pronto. Agora você não vai se queimar. Vou ao banheiro. Vocês dois (olhando pro Lolo e pro Pedro) não se façam de otários e não passem a mão demais nela, senão eu encho vocês de porrada. — Meu irmão foi embora, eu senti, percebi tudo. Me deitei de bruços de novo, totalmente ausente, fiquei perdida na minha cabeça e naquilo que senti na minha bunda... já tava excitada. — Vamos começar? — pergunta o Lolo. — Sim, sim — respondo ausente. — Onde passamos? Nas costas? — E na bunda, costas, pernas e bunda. — Me ajeito de novo. Começo a sentir as mãos dos caras... um deles nas minhas costas e outro nas minhas pernas... — Depois, nós dois enchemos sua bunda de creme — disse o Pedro, se aproximando do meu ouvido e falando bem devagar — Sei que você gosta de dois. Depois de uns 15 minutos, sinto o frio do creme tocar meu corpo, o que me faz me precipitar e arquear as costas, levantando a bunda, deixando o fio do meu biquíni aparecer por alguns segundos antes dos meus glúteos cobrirem de novo. Lolo e Pedro faziam movimentos sem sincronia e, de vez em quando, passavam as mãos entre minhas pernas, bem perto da minha buceta... subiam as mãos pela minha bunda e a abriam. Vi o Pedro pegar o celular depois de limpar as mãos, sussurrar algo pro Lolo, e os dois abrirem minha bunda e massagearem em círculos, abrindo e fechando. Tiraram várias fotos... até acho que teve vídeo. Longe de ficar brava, aquilo me excitava. Imaginava eles mandando pro grupo de WhatsApp e batendo punheta pra mim... até soltava gemidinhos de prazer... e meu irmão sentado na sombra vendo tudo. Sem objeções.
O barulho do lugar foi voltando aos poucos. Copos batendo, risadas mais distantes, a música se infiltrando entre conversas que fingiam normalidade. Eu continuei de bruços por mais alguns segundos, respirando devagar, deixando o corpo se acostumar com o que já estava rolando. De vez em quando, mexia minha bunda como se quisesse que os dedos deles me tocassem mais.
As mãos não se apressavam. Não precisavam. Se moviam com uma calma calculada, como se o verdadeiro jogo fosse ver quanto tempo eu aguentava o silêncio.
—Assim tá bom — murmurou Lolo, mais para o Pedro do que para mim.
—É… — respondeu ele —. Ela tá calma agora.
Mas nenhum dos dois parecia convencido.
Senti eles se aproximarem um pouco mais. Não por cima. Perto. O suficiente pra sentir o calor. O suficiente pra cada movimento mínimo parecer amplificado.
—Não se mexe — disse Pedro, quase brincando, quase sério —. Senão, a gente nunca termina.
Não respondi. Só acomodei a cabeça sobre os braços, deixando o gesto falar o que a voz não precisava dizer.
Os olhares ao redor continuavam lá. Eu sentia sem ver. Sabia quando alguém calava a boca de repente. Quando uma risada durava mais que o normal. Quando alguém fingia olhar pro celular sem estar olhando de verdade. As mãos dos caras cheias de creme passavam bem perto do meu cu às vezes, eu desejando que enfiassem algum dedo... na real, o Pedro de vez em quando deixava a mão parada e eu mexia minha bunda pra ele enfiar, mal ele encostava o dedo, eu colocava a pontinha e continuava massageando a bunda dele...
—Eu… — disse Lolo em voz baixa —. Cês tão percebendo que ela tá usando a gente de desculpa?
Pedro sorriu.
—Sim.
—E?
—E nenhum de nós dois tá reclamando.
As mãos pararam por um segundo. Não por desajeito. Por decisão. Aquele segundo foi pior que qualquer movimento.
—Se te incomodar alguma coisa… — começou Pedro.
Virei só a cabeça, o suficiente pra me ouvirem sem olhar pra eles.
—Se me incomodasse — falei —, já teria ido embora. Gosto do jeito que vocês me tocam.. continuem.
O silêncio que veio depois foi denso. Pesado. Compartilhado.
Lolo soltou o ar devagar.
—Então Seguimos" — ele disse.
Não precisou explicar mais nada.
O sol continuava descendo. A tarde se esticava. E ao redor, todo mundo já sacava que não era mais só sobre uma piscina, nem uma desculpa, nem matar tempo.
Era outra parada.
E ainda faltava um bocado de dia.
—Não me olha assim — disse Pedro em voz baixa, sem desviar os olhos —. Não sou o único que tá pensando a mesma coisa.
Lolo soltou uma risada curta, quase nervosa.
— Eu não falei nada.
— Não precisa — respondeu Pedro —. Dá pra ver na sua cara.
As mãos continuavam se movendo, lentas, mecânicas, como se fossem uma desculpa pra ficar. Eu não me mexi. Também não fechei os olhos. Deixei eles falarem.
— É do jeito que ela fica parada — completou Lolo —. Como se soubesse exatamente o que tá causando.
— Ou como se gostasse — disse Pedro —. Que é pior.
— Pior pra quem?
— Pra nós.
Teve um silêncio curto. Daqueles que pesam.
— Você percebeu — continuou Lolo — que ela nunca se ajeita pra se cobrir?
— Sim.
— Nem quando a gente chega mais perto.
— Nem quando a gente abaixa a voz.
Pedro apoiou os cotovelos nos joelhos, inclinando-se só um pouco pra frente.
— Não é só o corpo — disse —. É como ela oferece sem oferecer. Como se dissesse "olha", mas sem falar.
Eu respirei fundo. Não pra interromper. Pra continuar ali.
— Se ela levantasse agora — disse Lolo —, mais de um ia ficar olhando do mesmo jeito.
— Se ela levantasse agora — respondeu Pedro —, não ia longe sem alguém inventar uma desculpa pra seguir.
— Você?
— Eu não.
— Mentiroso.
Eles riram baixo. Não por graça. Por alívio.
Naquele momento, uma sombra entrou no círculo. Lucho chegou com um copo na mão, olhando a cena com um meio sorriso.
— Interrompo algo? — perguntou.
— Não — disse Pedro rápido —. A gente tava… conversando.
Lucho baixou o olhar pra mim. Não disfarçou.
— Ah — disse —. Isso explica tudo.
Ele se apoiou na mesa, perto. Muito perto.
— Faz quanto tempo que tão assim?
— Um tempo.
— E ninguém se cansa?
— Não — respondeu Lolo —. Pelo contrário.
Lucho deu um gole.
— É curioso — disse —. Daqui parece que ela não precisa se mexer pra deixar todo mundo na dela.
Pedro concordou.
— Isso é o que mais queima.
— O quê?
— Que ela podia levantar agora mesmo… e ainda assim ficar.
Lucho sorriu de leve.
— Sabe o que eu me pergunto?
— O quê?
— Se ela sabe exatamente o que a gente tá imaginando.
O silêncio voltou. Mais denso.
— Se ela sabe — disse Lolo —, não nos está segurando. —Não — acrescentou Pedro—. Está nos deixando falar. Ninguém olhou diretamente pra mim. E mesmo assim, tudo era pra mim. —Tem algo no jeito que ela respira — disse Lucho—. Como se de vez em quando lembrasse a gente que tá ouvindo. —Ou como se estivesse esperando — disse Pedro—. Pra ver quem fala demais. Lolo se inclinou um pouco. —Eu não vou ser. —Eu também não — disse Pedro. —Mentira — disse Lucho—. Os dois já fizeram isso. Ficaram em silêncio de novo. A música continuou tocando. O sol descendo. O ar quente. E eu continuei ali. Sem me mexer. Deixando eles falarem. Porque sabiam — todos — que quanto mais falavam, mais perto estavam de cruzar algo que ninguém tinha coragem de nomear.
—Eu não aguentaria —disse Pedro, quase sem pensar—. Se estivesse tão perto assim…
Lolo o segurou na hora, apoiando a mão no braço dele.
—Para.
—Por quê? —respondeu Pedro, tenso—. Se todo mundo tá pensando a mesma coisa.
Não me mexi. Deixei aquele silêncio se esticar um segundo a mais do que o confortável.
—Não se segurem —falei então, tranquila—.
Os três me olharam.
—Digam o que pensam —continuei—. Ou o que fariam… se não precisasse disfarçar tanto.
Ninguém riu. Ninguém baixou o olhar.
—Sério? —perguntou Lucho, medindo cada palavra.
—Sério —respondi—. Tô interessada em ouvir.
Pedro se apoiou na mesa, como se resignasse.
—Bom… —disse—. Eu gosto quando uma mulher não se esconde. Quando não precisa exagerar nada porque já chama atenção do jeito que é.
—Que jeito? —perguntei, apoiando os cotovelos na borda da piscina.
—Natural —completou Lolo—. Mas segura. Que sabe quando tão olhando pra ela… e não faz nada pra evitar.
—E o corpo? —perguntei—. Importa?
Lucho sorriu.
—Importa que acompanhe —disse—. Que não seja duro. Que se mexa bem. Que a pele pareça viva.
—E se ela usar algo pequeno? —insisti—. Isso soma ou diminui?
Pedro soltou o ar pelo nariz.
—Soma se não parecer um pedido —disse—. Se for mais um convite silencioso.
—Claro —completou Lolo—. Tipo dizendo “é isso que tem”.
Nessa hora, Cristian e Pablo se aproximaram, copo na mão.
—Tão falando do quê? —perguntou Cristian.
—De gostos —respondeu Lucho—. De uma mulher hipotética.
—Ah —disse Pablo, me olhando—. A hipotética é sempre a mais perigosa.
—Como seria pra você? —perguntei.
Pablo me olhou um segundo a mais.
—A que entra na água sem pressa —disse—. A que sai molhada e não se enxuga na hora.
Fran e Andrés se juntaram por trás.
—Tão descrevendo alguém ou sonhando? —perguntou Fran.
—Sonhar também é um jeito de descrever —respondi.
Felipe e Ale chegaram quase ao mesmo tempo. Já éramos todos em volta da piscina.
—Eu —disse Andrés— gosto quando ela não fala muito… mas quando fala, desmonta tudo.
—E quando entra na água —completou Ale— e a O corpo muda. Tudo fica marcado diferente.
Sem dizer mais nada, deslizei pra dentro da piscina.
A água me cobriu devagar. Primeiro as pernas. Depois a cintura. Quando me apoiei na borda, senti todos os olhares descendo junto comigo.
—Algo assim — falei —, né?
Ninguém respondeu na hora.
—É — disse Pedro por fim, baixinho —. Exatamente assim.
A conversa continuou, mas já não precisava de palavras novas.
Todo mundo sabia de quem estavam falando.
E eu sabia o que estavam imaginando.
A tarde avançava.
E ninguém parecia ter pressa pra ir embora.
A água me rodeava a cintura. Me apoiei na borda, com os braços abertos, deixando o corpo molhado fazer o que já estava fazendo: ocupar espaço. Ninguém falava. Mas algo tinha mudado. Já não era só desejo. Era comparação. Pedro foi o primeiro a se tensar. Olhava pro Lolo de canto, como medindo o quanto ele se aproximava. Lucho se apoiou do outro lado, atento demais. Cristian e Pablo trocaram um olhar rápido, silencioso, como se tivessem entendido que o jogo já não era só observar.
—É estranho — disse Fran, quebrando o silêncio —. Quando muitos querem a mesma coisa… dá pra sentir.
—A mesma coisa? — perguntei, inclinando só um pouco a cabeça.
—A atenção — respondeu Ale —. Nem todo mundo recebe igual.
Pedro sorriu, mas não era um sorriso relaxado.
—Alguns não precisam fazer tanto barulho — disse —. Só estar… já basta.
Lolo encarou ele.
—Isso é pra alguém em específico?
A tensão ficou visível. Não teve risada.
—Eu acho — intervim — que vocês tão falando como se eu não tivesse aqui.
Todo mundo ficou parado.
—E eu tô — completei —. Ouvindo tudo.
Me impulsionei um pouco mais dentro da água, deixando o corpo flutuar de leve. As gotas escorriam devagar pela pele. Ninguém desviou o olhar.
—Sabem o que eu mais gosto? — perguntei.
—O quê? — disse Lucho, quase sem voz.
—Que não me escolham por turno — respondi —. Que não entrem num acordo. Que cada um imagine uma coisa diferente… e fique com isso.
Teve um murmúrio baixo. Desconforto. Tesão. Competição.
Aí Cristian falou uma coisa que ninguém esperava:
—Eu não me perguntaria o que faria com você — disse —. Eu me perguntaria o que você me deixaria ser.
O ar cortou. Pedro encarou feio. Lolo apertou a mandíbula. Alguém soltou uma risada nervosa que morreu rápido. Eu sorri.
—Isso — falei — é uma boa pergunta.
Me apoiei melhor na borda e falei, sem pressa, sem levantar a voz.
—Eu gosto de liberdade — falei —. Não só na cabeça. No corpo. Nas decisões. Gosto de escolher sem pedir permissão. Mudar. Experimentar. Repetir ou não repetir.
Olhei pra cada um deles.
—Gosto de gente que eu conheço. —continuei—. E a que não. Gosto das conexões que duram uma noite… e das que se sustentam no tempo. Gosto de não ter que explicar por quê.
Ninguém interrompeu.
—Não me define um único desejo — acrescentei—. Nem uma única forma. Nem uma única pessoa.
Pedro engoliu em seco.
—E isso… não te complica? — perguntou.
—Pelo contrário — respondi—. Me organiza.
Lolo passou a mão na nuca.
—Isso deixa qualquer um nervoso — disse.
—Não — corrigi—. Deixa nervoso quem quer controlar.
O silêncio caiu de novo.
Mas agora era denso, elétrico.
Me afastei da borda e comecei a nadar devagar em direção ao centro da piscina.
—Se alguém se sentir desconfortável — falei sem olhar pra trás—, pode ir embora.
Ninguém se mexeu.
—E se alguém ficar — completei—, que seja porque entende que isso…
Me virei, apoiando os pés no fundo, olhando pra eles da água.
—…não é uma promessa. É um convite pra imaginar.
A música continuou.
O sol já estava mais baixo.
E entre eles, já não havia só desejo.
Tinha competição, ciúmes…
e medo de ficar de fora.
A tarde já não era mais tarde. O sol descia e a luz ficava mais oblíqua, mais honesta. A piscina refletia sombras compridas. Ninguém tinha se mexido do lugar onde estava. Ninguém queria ser o primeiro a fazer isso.
Foi Felipe quem perdeu a compostura.
—O que acontece —disse de repente— é que a gente não tá falando de uma fantasia qualquer. A gente tá falando de alguém que tá aqui, que escuta, que olha… e que poderia escolher.
O silêncio foi imediato.
—Isso muda as regras —completou—. Porque não é mais sobre o que a gente imagina, mas sobre se dá pra alcançar.
Pedro olhou feio pra ele.
—Você não precisava falar isso.
—Por que não? —respondeu Felipe—. Todo mundo tá pensando a mesma coisa.
Lolo deu um passo pra trás, desconfortável.
—Pô… vamos dar uma segurada.
Mas já era tarde. Algo tinha se mexido.
Naquele momento, uma voz cortou de trás.
—O que tá rolando aqui?
Meu irmão estava de pé, na sombra, com a testa franzida. Não gritou. Não fez escândalo. Olhou a cena inteira em dois segundos. As posições. Os olhares. O silêncio pesado.
—Nada —falei, tranquila—. Só conversando.
Ele segurou meu olhar por um segundo longo. Longo demais.
—Tá bom —disse no fim—. Vou dar uma volta.
Olhou pro grupo.
—Não façam merda.
Foi embora sem esperar resposta.
O efeito foi imediato.
Como se alguém tivesse aberto uma janela invisível.
—Bom… —disse Lucho—. Isso aí mudou o clima pra valer.
—É —respondi—. Às vezes alguém vai embora… e é aí que começa o interessante.
A música subiu um pouco mais. Cristian apareceu com uma garrafa. Serviu sem perguntar. Ninguém recusou.
—Vou te fazer uma pergunta —disse Pablo, depois de um gole—.
—Fala.
—Seu namorado… sabe de tudo isso?
Não hesitei.
—Claro que sabe.
Os olhares se apertaram de novo.
—E o que ele acha? —perguntou Ale.
Sorri.
—Ele adora.
Ninguém falou.
—A gente gosta de compartilhar —continuei—. Às vezes sozinhos. Às vezes não. A gente se curte assim. Sem segredos.
Pedro apoiou o copo com mais força do que precisava.
—Isso… não é normal.
—Não —falei—. Mas é honesto.
A noite caiu de vez. As luzes do sítio acenderam aos poucos. O álcool começou a soltar. Ombros, mandíbulas, silêncios.
—Então — disse Lolo, mais baixo — não estamos imaginando algo proibido.
—Não — respondi —. Vocês estão imaginando algo possível.
Fiz uma pausa.
—A diferença é quem se atreve a sustentar isso… sem estragar tudo.
Ninguém respondeu na hora.
Mas já não estavam mais parados.
E já não era só desejo o que circulava.
Era expectativa.
A música baixou quando alguém trocou a playlist. Luz mais quente. Copos sendo enchidos de novo sem pedir licença. O álcool começou a fazer o dele: soltar ombros, línguas e verdades.
—Tem algo que intimida —disse Lucho, depois de um gole—.
—O quê? —perguntei.
—Uma mulher que não precisa de aprovação. Que não pergunta se tá tudo bem.
—É —completou Cristian—. Uma que entra num lugar e não pede desculpa por ocupar espaço.
Pedro apoiou o copo, me encarando sem rodeios.
—Eu acho excitante —disse— quando a confiança não é fingimento. Quando não muda dependendo de quem tá olhando.
—Quando não compete —completou Pablo—. Quando não finge ser outra.
Eu concordei devagar.
—E o que deixa vocês nervosos? —perguntei.
Silêncio curto. Aquele tipo de silêncio que fala mais que uma resposta rápida.
—Não saber se a gente é suficiente —disse Fran—.
—Ou pensar que tem que conquistar algo —completou Ale—. Como se fosse um prêmio.
Eu me aproximei da borda da piscina e apoiei os cotovelos. A água refletia as luzes na minha pele molhada. Não levantei a voz.
—Não precisa competir —falei—. Nem medir forças. Nem se comparar.
Olhei pra cada um deles.
—Confiança não funciona assim —continuei—. Não se divide em turnos. Se compartilha.
Lolo franziu a testa, curioso.
—Compartilhar… como?
Sorri.
—Ouvindo —respondi—. Lendo. Entendendo o que cada um gosta… e respeitando.
Pedro respirou fundo.
—E se for muita gente?
—Melhor —falei—. Cada pessoa quer uma coisa diferente. E isso não me sobrecarrega. Me organiza.
Os olhares mudaram. Já não eram de cálculo. Eram de atenção.
—Não vim prometer nada —completei—. Mas vim dizer algo claro: não preciso que disputem minha atenção.
Fiz uma pausa.
—Posso estar presente do jeito que fizer sentido pra cada um. Sem ninguém ficar de fora… nem ter que se impor.
O álcool continuou rolando. A noite caiu de vez.
—Isso —disse Cristian, quase pra si mesmo— é mais intenso que qualquer competição.
Ninguém discordou.
E pela primeira vez desde que a noite começou, o tesão se acalmou o suficiente pra ficar mais profundo. Mais consciente. Mais real.
A noite já tinha fechado de vez. O álcool tinha soltado risadas, mas principalmente as línguas. As palavras começaram a sair com menos filtro e mais verdade.
— Vamos fazer uma parada — falei, apoiando o copo na borda da piscina.
— Cada um fala um desejo. Sexual. Mas sem explicar como. Só o que uma mulher como eu desperta em vocês.
Ninguém riu. Ninguém se fez de desentendido.
Lucho foi o primeiro a falar, sem me olhar diretamente.
— Eu fico excitado quando uma mulher sabe que tão desejando ela… e não faz nada pra parar.
Pedro continuou, apoiando os cotovelos na mesa.
— Me acende quando uma mulher se dá permissão. Quando não pede desculpa por provocar.
Cristian engoliu seco antes de falar o dele.
— Me esquenta a segurança. Aquela que não pede aprovação… que simplesmente existe.
Fran sorriu de lado.
— Eu desejo sentir que posso perder o controle só com um olhar.
Pablo completou, mais sério:
— Me excita que uma mulher saiba exatamente o efeito que causa… e use isso.
Felipe falou mais baixo, mas claro.
— Me prende quando uma mulher não se define por limites dos outros.
Ale foi breve.
— Desejo ser escolhido… mesmo que não seja o único.
Um silêncio pesado pairou. Não desconfortável. Denso.
— E você? — alguém perguntou. — O que te excita?
Sorri. Entrei devagar na piscina. A água cobriu primeiro minhas pernas, depois a cintura. Senti os olhares me seguindo.
— Me excita que vocês não compitam — falei.
— Me excita saber que todos desejam… mas esperam.
— E que entendem que posso querer vocês de jeitos diferentes, ao mesmo tempo.
Alguns se mexeram nos lugares.
— E se alguém não esperar? — Pedro perguntou, quase desafiando.
Olhei fixo pra ele.
— Então não entende como eu jogo.
Não respondi mais ninguém. Escolhi o silêncio. Escolhi deixar eles ali.
Foi quando uma voz tranquila soou atrás.
— Boa noite.
Me virei sorrindo antes que alguém perguntasse.
— Chegou na hora certa, amor — falei pro meu namorado.
Ele olhou o grupo, a piscina, o clima.
— Vejo caras interessantes.
— Tamo falando de desejos — disse Lolo. — Daqueles que não se falam sempre.
— Ela é expert nisso. —respondeu meu namorado—. Em provocar sem tocar.
—Isso não te incomoda? —perguntou Cristian.
Meu namorado olhou primeiro pra mim.
—Pelo contrário. Adoro como ela é na intimidade —disse—.
—Livre. Curiosa. Segura.
—Não precisa esconder o que desperta.
Eu me aproximei dele. Ele me beijou com paixão, agarrou minha bunda com a mão, separou e me deu um tapa.
—A gente gosta de compartilhar o desejo —completei—. Às vezes sozinhos. Às vezes acompanhados.
—Mas sempre com respeito e cumplicidade.
—E com controle —ele acrescentou—. Dela, sempre.
Ninguém disse mais nada. Os olhares iam e vinham. Ciúmes leves. Fantasias abertas. Nenhuma resolvida.
A música continuou tocando.
A noite ainda tinha tempo.
E todo mundo sabia que o mais excitante daquela cena…
era que ainda não tinha acontecido nada.
Escolhi o mais quieto sem avisar ninguém.
Não o que falava mais, nem o que se achava seguro.
O que olhava e baixava a vista quando era descoberto.
Felipe.
Meu namorado chegou por trás e falou no meu ouvido, tão baixo que ninguém mais ouviu.
— Escolhi bem — disse ele.
— O desejo mais forte tá sempre em quem menos se anima.
Assenti só com a cabeça.
— Tenho uma pergunta — falei alto, me virando pra todo mundo.
— Se eu tirar a parte de cima… vocês se controlam?
Ninguém respondeu na hora.
Uns riram nervoso.
Outros pararam de respirar.
— Não é pergunta inocente — completei.
— Quero saber quem olha… e quem se perde.
Pedro foi o primeiro a falar:
— Não sei se conseguiria. Já tô bem excitado.
— Eu também — disse Lucho —, mas também não me mexeria. Pelo menos não pra te tocar, mas pra me tocar.
— Isso é controle — respondi. — Não é ficar parado… é decidir o que fazer com o que sente.
Olhei pro Felipe.
— E você?
Ele ficou vermelho. Engoliu seco.
— Eu… — começou — acho que não saberia o que fazer.
Meu namorado sorriu.
— Exatamente por isso — disse.
O silêncio ficou pesado. A água nos rodeava. A noite nos cobria.
— Às vezes — falei — não precisa fazer nada. Às vezes basta deixar alguém olhar…
Fiquei na frente dele, tirei a parte de cima do biquíni e deixei ela flutuar devagar na água. Me aproximei mais, abracei ele… meus peitos encostaram no peito dele, ele não queria olhar.
— Pode olhar, sentir… cê gosta?
Felipe não conseguia parar de olhar pros meus peitos no peito dele.
Deslizei minha mão por baixo da água até o pau dele… duro, parado, do jeito que imaginei. Comecei a bater uma pra ele… ele gemia, quase disfarçando… eu falava no ouvido dele:
— Quero chupar ele todinho… vai gozar na minha boca? Adoro sentir meus peitos no teu peito…
Ele, tímido, completou:
— Quero chupar seus peitos — quase murmurando.
— Como? — falei no ouvido dele.
— QUERO CHUPAR SEUS PEITOS!! — disse quase gritando.
Ele tomou o controle. Me encostou na borda da piscina e com as mãos enormes começou a chupar, lamber, morder… eu comecei a gemer… Olhei de leve pro lado... meu irmão tava com a mão dentro da sunga... voltei a olhar como eles chupavam meus peitos como se fosse a primeira vez... ele pegou minha mão e levou até o pau dele. — Bate uma que eu vou gozar toda essa porra.
Ele continuou apertando meus peitos cada vez mais forte, mordia meus bicos... murmurou só pra eu ouvir... — Que vontade de te comer o cu. Como me excita que você seja tão puta... com certeza quer um pau na boca também, putinha... vai chupar o pau de todo mundo? olha que seu irmão também quer ver o pau dele nessa boquinha de profissional que você tem...
Isso me excitou ainda mais por algum motivo.
Pedro baixou a sunga e começou a se tocar... olhou pro Juan esperando a aprovação dele. Juan sorriu e piscou o olho. — Fiquem — completou meu namorado — Olhem. Aproveitem. Aprendam a desejar sem pegar.
Ninguém se mexeu.
Ninguém falou.
E o desejo ficou suspenso no ar, intacto, mais forte que qualquer ato.
Felipe com uma das mãos agarrou minha bunda e enfiou um dedo inteiro no meu cu... doeu, mas eu gostei. Deixou ele lá enquanto eu empurrava a bunda pra ele meter ainda mais.
Ficamos assim um bom tempo, gemendo os dois como se não tivesse mais ninguém por perto.
Isso me excitou ainda mais por algum motivo.
— Vou gozar fora da piscina... — saiu e esporrou tudo na grama. E foi rápido pro banheiro.
Meu namorado chegou perto e começou a me beijar.
Quebrou o gelo com um "vamos comer?O murmúrio voltou aos poucos, como se alguém tivesse aumentado o volume do mundo sem avisar.
A música voltou. As risadas também. Copos batendo, passos na grama molhada.
Meu namorado me envolveu com um braço e me puxou pra perto dele, com a naturalidade de quem sabe exatamente o que acabou de rolar… e não precisa explicar nada.
— Vamos comer — ele disse, como se fosse a coisa mais normal do mundo.
Eu concordei.
Saímos da piscina sem pressa. Ninguém comentou nada. Ninguém fez perguntas.
Mas os olhares ficaram em mim um segundo a mais do que o normal.
Não tinha desconforto. Tinha algo diferente: uma consciência compartilhada.
Felipe já não estava mais ali.
Pedro evitou me encarar.
Outros sorriam sem perceber.
Na mesa, o barulho dos pratos ocupou o lugar do silêncio.
Conversas cruzadas. Piadas forçadas.
Cada um processando o seu.
Meu namorado apoiou a mão na minha coxa por baixo da mesa.
Não apertou. Não avançou.
Só ficou ali.
— Adoro como você é — ele sussurrou.
— Como você desconcerta os outros sem fazer nada.
Olhei pra ele. Sorri.
A noite seguiu como se nada…
mas nada era mais igual.
E todo mundo sabia disso.
0 comentários - Capítulo 3 — A quinta e 7 com ela