Não conseguia escolher só um

Entramos rindo, ainda com o perfume da noite grudado na pele. Eu tinha tentado manter o controle por horas, jogando aquele jogo de olhares cruzados, de mãos que mal se roçam, dessa tensão gostosa de não escolher só um. Mas quando fechei a porta de casa atrás de nós três… já era tarde pra fingir inocência.

Eles ficaram me encarando como se tivessem esperado a noite inteira por aquele momento exato.

E eu também.

Nunca me senti tão observada. Tão desejada.

Um largou as chaves na mesa enquanto o outro se aproximava devagar de mim. Alto, moreno, elegante. Dava pra sentir o calor do corpo dele antes mesmo de me tocar. Me apoiei na parede da sala tentando sustentar o olhar deles, mesmo que por dentro o coração batesse igual um tambor.

“Então você não conseguia escolher…”

A frase me fez sorrir.

Balancei a cabeça só um pouco.

Não queria escolher.

Queria a tontura dos dois.

O primeiro me pegou pela cintura com uma segurança calma, me puxando pra perto enquanto o outro afastava meu cabelo pro lado e beijava meu pescoço devagar. Fechei os olhos só por um segundo. Senti como o vestido começava a virar uma desculpa inútil.

Tinha algo profundamente feminino em me deixar cercar assim. Em me sentir pequena entre os dois. Magra, loira, vulnerável… e ao mesmo tempo completamente poderosa pelo efeito que causava neles.

Não teve pressa.

Isso foi o mais intenso.

Me despíram como quem abre um presente delicado. Sem brutalidade. Sem falar muito. Uma mão descendo devagar o zíper do meu vestido enquanto a outra percorria minhas pernas nuas. O som do tecido caindo no chão me fez tremer mais do que qualquer palavra.

Eu respirava devagar, tentando absorver cada segundo.

Um me beijava enquanto o outro me observava com fome contida, me percorrendo com as mãos como se quisesse me decorar. Me sentia presa numa fantasia elegante e perigosa. Uma daquelas cenas que Parecem irreais até você estar lá dentro.

E quando finalmente fiquei na frente deles sem nada, os dois ficaram em silêncio por um instante.

Aquele silêncio…

Deus.

Nunca uma pausa teve tanta tensão.

Um deles sorriu de leve e disse:

“Agora sim.”

E naquele momento eu entendi que não tinha mais volta.

Terminei abraçada por aquela intensidade.

Marcada pelos dois.

A evidência íntima da paixão deles ainda estava sobre mim como uma lembrança quente e elegante de tudo que tinha acontecido naquela casa. E longe de sentir vergonha, uma calma estranha, sensual e poderosa me invadia. Como se por algumas horas eu tivesse deixado de pertencer só a mim.

Apoiei a cabeça para trás, fechando os olhos de leve.

Nunca me senti tão desejada.

Tão feminina.

Tão perigosamente viva.

Um beijou meu ombro nu enquanto o outro sorria tranquilo do sofá. E naquele instante entendi algo que me fez tremer mais que a noite inteira:

não tinha sido uma fantasia selvagem.

Tinha sido uma rendição elegante.Não conseguia escolher só um


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