Preciso te contar uma coisa




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Compêndio II😅 Uma das coisas que eu amo no meu marido é que ele sempre foi educado assim, mesmo quando a gente era só bons amigos. Ele sempre pede licença, perguntando se eu tô confortável ou se preciso de alguma coisa, e é uma dessas coisinhas que acabei me apaixonando. Mas também preciso admitir que peguei os costumes dele. XD Então, enquanto eu o via fazendo seu treino diário noturno, babando por aqueles ombros largos que se esticavam e se contraíam como as placas tectônicas mais deliciosas que eu já vi, eu simplesmente tive que falar.Preciso te contar uma coisaPreciso te contar uma coisa..." comecei, sentindo minhas bochechas já queimando.

😊

O ar do nosso quarto tinha o aroma do esforço dele, e ao olhá-lo, senti aquele calor familiar e pulsante no meu peito.

Ele limpou o suor incrivelmente viril com uma toalha, o tecido grudando naqueles ombros largos, e sentou bem do meu lado na cama.

"Rouxinol, você pode me contar qualquer coisa." afirmou como se fosse a coisa mais normal do mundo.

😶

Claro! Porque quando ele tem notícias que abalam o mundo, vai direto ao ponto.

"Uhm... me pediram para falar na academia... sobre gravidez na adolescência." finalmente consegui dizer.
ProfessoraO.O

E eu contei pra ela como tudo começou...

A diretora Lois me chamou na sala dela.

😰

Ela estava preocupada porque eu já estou quase no meu sexto mês de gravidez, e essa é minha segunda gravidez em três anos.

Então, mesmo que as leis australianas não permitissem que o sistema me deixasse ir assim sem mais nem menos, ela continuava preocupada.
Gravida😕 A verdade era... totalmente diferente. Lois nem sequer levantou os olhos da mesa no começo; é o tipo de mulher que usa ternos executivos como se fossem armaduras: linhas nítidas, perfeitamente passados e um olhar que provavelmente poderia congelar água fervendo.Conferencia😱 Fiquei ali parada me sentindo como um pinguim desengonçado no meu vestido de maternidade, mexendo na bolsa e me perguntando se iam me pedir pra pedir demissão.

"Marisol!" ela disse, finalmente olhando pra mim. "Senta!"

Não foi um "Por favor, senta". Nem um "Você se importaria de sentar?". Só... "senta."

Sentei. Rápido.

X_X

Esperava um comentário sobre minha próxima licença-maternidade ou o fato de que, mais uma vez, eu ia deixar meu ano letivo pela metade.

Em vez disso, Lois se recostou e, pasme, sorriu. Não foi um sorrisão, mas vindo dela, é basicamente uma festa louca.

"Nossas alunas te adoram." me disse Lois, com a voz cortando o silêncio da sala. "E não é só a sua didática que elas admiram; elas admiram sua honestidade".

Espera, o quê?

😮

Ela explicou que, embora eu normalmente tenha que abandonar minhas alunas por causa dos meus bebês, elas são super compreensivas e todas já me viram andando pelos corredores rebolando como um pinguim com minha barriga de grávida, então Lois sugeriu que eu deveria dar uma palestra pras alunas sobre gravidez na adolescência.

😳

"Peraí! Eu?" soltei sem pensar. "Tipo... uma palestra magna?
gravidezLois simplesmente me lançou aquele olhar. Vocês sabem qual. O olhar de "Tá falando sério? Você não me ouviu agora mesmo?".

😅

Ela me disse que a maioria dos nossos alunos me vê como sua "segunda mãe" (o que é meio triste, se parar pra pensar), já que eles vêm até mim com seus segredos e perguntas, e eu os escuto sem julgar.

Por isso ela achava que eu seria uma palestrante importante; as alunas já sabem que minha primeira gravidez aconteceu quando eu era só um pouco mais velha do que elas são agora.

😰

"Então, o que você acha, meu amor? Você acha que eu consigo?" perguntei ao homem da minha vida, enquanto envolvia minha barriga com os braços pra ficar mais confortável.
infidelidade consentidaClaro que você consegue!" Meu marido zombou, como se fosse o fato mais óbvio do universo.

Ele me olhou com aquela confiança natural que sempre faz meu coração disparar, mesmo quando estou caindo num poço de ansiedade.

😍

"E se eu falar algo estranho? Ou algo ruim?" perguntei, realmente muito preocupada.

"Ah, sim! Sobre isso..." respondeu meu esposo, com um brilho travesso dançando nos olhos dele. "Só tenta manter adequado para adolescentes. O corpo estudantil não precisa exatamente de um relato detalhado das nossas safadezas no quarto.
Preciso te contar uma coisa😊 Le dei uma almofadada enquanto a gente ria! "Amor, isso é sério!" eu disse, mesmo com a risada ainda borbulhando no meu peito. "Tô preocupada em cometer um erro."

Depois ele olhou pra mim com aqueles olhos profundos e penetrantes que sempre parecem transformar meus ossos em gelatina...

😍 "Por que você tá preocupada? Eles só tão perguntando sobre a sua própria experiência romântica." meu melhor amigo me acalmou.

"Mas a gente é de culturas diferentes!" eu retruquei, e a preocupação voltou pro meu peito dez vezes mais forte.

Ele olhou fundo nos meus olhos.

🤔 "Mas por que você se preocupa com isso? Será que o nosso amor é diferente porque viemos de partes diferentes do mundo?" meu marido me perguntou, fazendo sua mente lógica tirar o peso das minhas preocupações.

"Não... mas os nossos dates..." comecei de novo, deixando a frase pela metade, ainda insegura enquanto procurava as palavras certas.

😕 Até nossas princesas gêmeas e nossa mágica Alice têm dificuldade pra entender que, quando eu e meu marido começamos a namorar, nossa ideia de um encontro romântico era dividir um único par de fones de ouvido enquanto a gente ficava sentado numa calçada empoeirada, comendo biscoito.
ProfessoraEra só isso. A citação completa.

E estávamos loucamente felizes por isso.

😍

Meu marido pegou minha mão.

"Escuta!" ele me disse com aquele tom doce e protetor de pai que sempre me faz sentir como a única mulher no mundo. "Lois te pediu para falar do coração, e você já faz isso, porque suas meninas já te amam. O resto é simplesmente parte da sua essência. Elas não querem ouvir uma versão robótica de você, rouxinol, porque você não é um robô para elas. Você é uma amiga, uma professora e acontece que você adora se tornar mamãe com muita frequência, então elas querem saber que conselhos você pode dar para as próprias vidas delas."

Então o grande dia finalmente chegou: o enorme auditório estava lotado com todas e cada uma das meninas do sexto ao décimo segundo ano.

😳

Era meio engraçado agora que penso nisso: eu conhecia quase cada uma dessas cento e vinte meninas individualmente em suas salas de aula, mas ficar de pé num pódio sob um holofote branco ofuscante me dava borboletas no estômago.

O auditório parecia um coliseu, e eu era a gladiadora cuja única arma era um microfone e uma barriga de gravidez bem visível.
GravidaNa real, o único pingo de consolo que eu tinha era saber que nossas gêmeas e nossa pequena Alicia ainda eram novas demais pra ir.

😅

Olhei pra Lois, pensando sério, de verdaaade, que aquilo era uma péssima ideia, mas ela me deu um aceno de apoio que pareceu mais uma ordem pra seguir em frente.

Mas entre o pessoal da escola, também notei a Melissa, minha arqui-inimiga, postada nos bastidores, com seus olhos verdes semicerrados me encarando como se esperasse minha queda.
ConferenciaNão era só que ela quisesse que eu tropeçasse; ela estava praticamente vibrando de antecipação pelo meu colapso público.

Só Bonnie, ao lado dela (a professora de estudos sociais divorciada e tenente autoproclamada do "pessoal de apoio feminista"), ofereceu um sorriso meio simpático e de lábios apertados.

😑

E para deleite de Melissa, eu travei.

Não fisicamente, graças a Deus, mas narrativamente.

Eu tinha passado a última hora ensaiando uma abordagem pedagógica e sofisticada da história da minha vida, mas ao olhar para o mar de rostos expectantes, meu cérebro simplesmente evaporou.

😵

Quer dizer, eu dei às meninas a "versão super resumida" do meu relacionamento com meu marido: conheci meu melhor amigo, me apaixonei na hora, começamos a namorar e depois engravidei.
gravidezE tudo aconteceu em menos de três minutos...

😂

Por sorte pra mim, encontrei almas empáticas nas minhas alunas.

"Senhorita Marisol!" Anne, uma aluna da sétima série com o rosto cheio de sardas e uma expressão sincera, levantou a mão rapidamente. "Não... ter tido filhos tão jovem fez sua carreira ser mais difícil?
infidelidade consentidaXD
Ela era tão linda.
Não queria arrumar confusão.
Eu a amava demais!
❤️
"Sim, foi assim mesmo!" respondi, com um sorrisinho preocupado enquanto olhava para Anne. "Meu marido piorou tudo dizendo que seria um desafio, ter que aprender em um idioma estrangeiro que eu ainda não dominava e que eu não tinha solicitado ingresso em uma universidade para continuar meus estudos e me tornar professora. Então, o que eu fiz? Contatei novamente minha universidade no meu país, pedi minhas notas, caminhei até a Universidade de Adelaide, apresentei meu caso (era uma esposa recém-casada e grávida), minhas notas e minha vontade de obter meu diploma. Me permitiram assistir às aulas deles e no semestre seguinte eu já estava matriculada. Isso ensinou a ele a não dizer que eu não conseguiria!"
XD
Todas riram disso e isso me ajudou a relaxar um pouco.
A tensão nos meus ombros se dissolveu e, pela primeira vez desde que subi ao pódio, não me senti como uma gladiadora; me senti como uma professora de novo.
😇
"Senhorita Marisol!" Susan, uma aluna do décimo ano com um olhar penetrante e um caderno que sempre parecia registrar cada palavra que eu dizia (ela quer ser jornalista, embora seus pais não a apoiem), levantou a mão. "A última vez que a senhora ficou grávida, continuou ensinando mesmo durante sua licença profissional. Foi porque a senhora queria, ou porque sentia que tinha que provar que a maternidade não a tornava menos capaz?
Preciso te contar uma coisa😮 A Susie é uma daquelas garotas que passou tempo demais absorvendo as bobagens feministas da Melissa. Para a Melissa, cada conquista feminina é um campo de batalha, e cada escolha pessoal é na verdade um ataque estratégico contra o patriarcado, pra provar o quão "inúteis" eles são. "Porque eu quis." respondi, deixando escapar um suspiro lento e sincero. Olhei pra Susie, cuja caneta estava suspensa como um bisturi sobre o caderno, pronta pra dissecar minha resposta. "Tô profundamente comprometida com todas vocês, garotas, e amo todas vocês! Então me senti muito mal da última vez por não conseguir chegar até o final do ano com vocês... Mas eu e meu marido aprendemos com nossos erros, e esse bebê na barriga vai chegar bem na hora certa pra eu terminar meu ano escolar sem causar problemas. Além disso, também falei com a diretora Lois sobre isso e ela me deixou continuar ensinando vocês o tempo que eu puder." Rolou um "Aaah!" fresco e brilhante que se espalhou por todo o auditório, um som que me fez sentir amada e validada ao mesmo tempo. 😂 Mas aí a Melissa me jogou uma alfinetada, a voz dela cortando o clima coletivo como um pedaço de gelo. "Não é perigoso romantizar seu relacionamento quando você fala com adolescentes?" me perguntou a Melissa com aquele tom desagradável e venenoso.ProfessoraEssa pergunta doeu um pouco em mim...

😭

"Eu não sei!" admiti, com a tristeza transbordando na minha voz. "Nunca disse que tenho todas as respostas. Só estou compartilhando o que funcionou comigo. Porque vejam bem, meu marido é especial, pelo menos pra mim. Já vi o lado sombrio dos homens no passado. Homens que te veem como um prêmio ou um objeto... e não é nada agradável, porque eles nunca te escutam quando você pede pra parar. Por isso meu marido foi diferente pra mim: ele era meu amigo. Nunca me pressionou, nunca me enganou nem tentou fazer algo que me deixasse triste. Ele estava... simplesmente ali, me apoiando. E bom... quando percebi que tinha me apaixonado por ele, ele não percebeu... durante um período longo e frustrante... até que finalmente encontrei coragem de beijá-lo pela primeira vez —o primeiro beijo que dei em um garoto, diga-se de passagem— e ele percebeu que também sentia algo por mim. Posso dizer pra vocês que, depois desse incrível segundo beijo da minha vida, me senti incrivelmente aliviada: não só tinha mantido meu melhor amigo, mas também tinha ganhado meu primeiro namorado e o amor da minha vida."

Outro "Aww!" coletivo e mais suave percorreu o auditório, uma onda de calor genuíno que fez minha tensão derreter ainda mais.

"Senhorita Marisol!" Emily, uma aluna do sexto ano com uma postura tão reta que beirava o irreal, levantou a mão. "Senhorita, a senhora não acha que se tornar mãe tão jovem significa que renunciou a parte da sua liberdade?
Gravida😂
É tão refinada, tão britânica e tão elegante que me lembra a minha mocinha.
XD
"Na verdade, não." respondi, dedicando a Emily um sorriso caloroso e sincero que esperava alcançar seus olhos. "Pra falar a verdade, às vezes me pergunto se a gente não começou a sair até antes. Meu amorzinho era... simplesmente perfeito pra mim desde o começo: inteligente, confiante, atencioso. Olhando pra trás, uma das melhores decisões da minha vida foi compartilhar minha primeira vez com ele. E quanto aos filhos? Bom, eles foram um complemento maravilhoso."
Mais risadas se seguiram.
XD
"Como ela podia tomar as próprias decisões quando já era responsável por gêmeas?" perguntou em seguida Sarah, também do sétimo ano, com a voz curiosa.
ConferenciaEla é o tipo de garota que não queria só a resposta, mas a lógica por trás dela.

"Porque meu melhor amigo me deu opções." respondi, tomando um gole lento de água pra estabilizar minha voz. "Vejam, quando chegamos na Austrália, eu tinha acabado de casar, já estava grávida das nossas filhas gêmeas, estava na metade dos meus estudos acadêmicos e meu marido começou a trabalhar num site de mineração a quase 400 km da nossa casa. Mas, mesmo assim, quando falei pro meu marido que queria retomar meus estudos, ele moveu céus e terra pra me ajudar. Consegui assistir às minhas aulas na universidade até o dia em que dei à luz às meninas. Mas depois disso, retomei meus estudos e ele contratou uma babá residente que também era estudante universitária pra que ela pudesse me ajudar a cuidar das meninas na ausência dele. Foram tempos realmente interessantes..."

😮

"Como você divide seu tempo entre seus filhos, seu marido e sua carreira?", Bonnie, nossa professora de estudos sociais e também feminista, finalmente conseguiu me perguntar.
gravidezÉ um caos total." admiti, deixando escapar uma risadinha antes que eu pudesse segurá-la. "Aqui, com vocês e as meninas, sou a senhorita Marisol. Mas assim que o sino toca, me transformo em mamãe em casa: escuto as gêmeas, falo sobre nossa cerejeira com minha filha Alicia e cubro o Jacinto de beijos e abraços enquanto ele anda cambaleando pela casa, perseguindo as irmãs mais velhas. Depois, meu marido chega em casa e se torna papai e também meu melhor amigo. Preparamos o jantar, comemos com as meninas e, depois de tudo isso, meu bom amigo me ajuda com as tarefas da escola ou vamos pra cama e eu fico olhando ele malhar. De qualquer jeito, acabo me divertindo".

Recebi algumas risadas da plateia depois disso.

😂

Então, a senhorita Lyssette, nossa professora de química, deu um passo à frente com essa pergunta enorme, enorme...

"Marisol, você ainda recomendaria ter um relacionamento como o seu se a garota não tivesse certeza de que o namorado ficaria?"

o_o

Eu gosto da senhorita Lyssette.

Ela tem esse jeito de olhar por cima dos óculos que a faz parecer um ratinho inteligente e nerd de um filme de conto de fadas.

Suspeito que ela passa as noites encolhida entre pilhas imponentes de romances e artibooties de química.
infidelidade consentidaMas ela tem uma visão do romance ainda mais idealista do que a que eu já tenho.

XD

"Como eu disse, tive sorte." tentei dar uma resposta realista, algo que não soasse a conto de fadas, embora minha vida muitas vezes pareça um. "Quando conheci meu marido, ele era um estudante universitário nerd, sem namorada e modesto. Mesmo assim, eu era feliz com ele. Não tínhamos dinheiro para encontros luxuosos. Só compartilhávamos biscoitos e música, e era isso. Mas mesmo no começo, meu esposo tentou me convencer de que eu poderia sair com alguém mais próximo da minha idade. Eu não quis. Meu melhor amigo tinha a quantidade certa de maturidade: infantil para livros e anime, e atencioso e carinhoso como um irmão mais velho. Além disso, tínhamos e continuamos tendo muito assunto pra conversar. Então sim, pra mim, meu esposo funcionou. Mas pra outras, talvez não seja suficiente."

😎

Como eu também estava me abrindo com meus colegas de trabalho, isso animou a própria Lois a dar um passo à frente e me perguntar sobre minha vida pessoal.

"O que teria acontecido se seu esposo tivesse decidido que não queria ficar?" perguntou Lois com uma curiosidade genuína, quase frágil.
Preciso te contar uma coisa😅

"Isso nunca foi uma opção." respondi, com um sorriso satisfeito e cúmplice. "Ele era meu melhor amigo, cuidava de mim... e me via como uma jovem inteligente e madura. Eu era igual a ele, apesar de ele ser mais inteligente e mais velho que eu. E nós dois fomos responsáveis o suficiente com nossas decisões. Na verdade, quando começamos a ter intimidade, ele pediu minha mão em casamento pra minha mãe, e fez o mesmo com meu pai. É romântico assim."

XD

Depois, foi a vez da Paulette.

Ela não levantou a mão, mas se inclinou em direção ao microfone, com uma voz que carregava aquela cadência diferente e polida de uma garota que passou os verões na Provença e os invernos em internatos suíços.

"O que seu marido realmente fez quando você estava grávida? A maior parte do peso não caiu sobre você?"

😑

A Paulette é da minha turma do primeiro ano do ensino médio.

Ela é... francesa, não que isso seja algo ruim, mas é loira, de olhos azuis, bochechas rosadas e está se tornando uma jovem muito gostosa.
ProfessoraO triste, no entanto, é que os pais dela são podres de ricos.

😕

Acho que o pai dela tem uma empresa de transporte marítimo na França e a mãe tem tipo um milhão de vacas ou algo assim, mas o ponto é que eles viajam muito.

Então é, minha doce Paulette, linda como uma boneca, cresceu basicamente sozinha e, infelizmente, adotou grande parte da visão independente de mundo da Melissa.

Por isso não conseguia realmente ficar brava com ela.

😅

"Não, ele não era um fardo." respondi com um sorriso caloroso lembrando daqueles dias enquanto olhava para Paulette. "Meu marido sempre quis ser pai, até antes de a gente ser casado. Um dia, enquanto a gente dava banho na minha irmãzinha (ela tinha 6 anos na época), ele foi super respeitoso com ela. Cuidou das pernas e do cabelo dela, e deixou o resto pra mim. Aí ele me disse que isso seria tipo quando a gente tivesse nossos bebês. E eu fiquei tipo... BAM! Porque essa ideia parecia tão distante e eu não achava que seria uma boa mãe. Mas ele me convenceu de que eu estava errada. Disse que a gente seria pais excelentes, porque íamos aprender juntos... e foi assim mesmo".

0_0

Minha resposta deixou ela meio desconcertada.

No mundo que Paulette e Melissa habitam, elas não veem o fato de se tornar mãe como "algo útil", porque quebra o potencial profissional delas e não é exatamente "financeiramente viável" ou algo assim... mas o ponto é que nenhuma das duas me entende.

Em palavras simples, a ideia de que eu e meu marido já estávamos planejando com antecedência nos tornar pais, deixando planos de investimentos futuros e fusões corporativas pra outra pessoa, soa tão marciano quanto essas palavras soam pra mim.

XD

Mas só porque questionei a visão de mundo da aluna estrela dela, Melissa decidiu intervir de novo.

😠

"Não seria mais responsável dizer pras meninas que não se tornem mães até serem economicamente independentes?" perguntou Melissa, com a voz pingando mais veneno do que nunca.
Gravida😕 O que piorava era o seu sorrisinho de deboche de "Te peguei!".

Mesmo assim, eu não ia desistir sem lutar...

😡 "Mais uma vez, não tenho certeza." respondi, soltando uma risadinha, confusa mas honesta, que ecoou por todo o auditório silencioso. "Como eu disse antes, nossa gravidez nos pegou de surpresa. Mas o que acontece com meu marido é que ele é um verdadeiro guerreiro. Pude sentir naquela época, quando éramos só amigos, que ele era disciplinado o suficiente pra conquistar as metas dele... e eu queria estar ali com ele. Torcendo por ele. Dando uma mãozinha... assim como ele sempre fez comigo. Não me importava com nossas finanças, porque eu sabia que ele ia dar um jeito. Foi revigorante, sabe? Na real, isso acabou de consolidar minha decisão de ter meus bebês com ele."

0.0

E assim, a apresentação continuou, se afastando do roteiro "educativo" e entrando no território bagunçado e honesto da minha vida real.

Minhas alunas sentiram pena de mim quando contei que não me sentia segura com meu pai e que tinha que cuidar das minhas irmãs menores por causa dos amigos bêbados dele.

😕

Mas eu disse pra elas que minha mãe era um anjo e que ela era meu ídolo e modelo a seguir.

Uma boa influência pra mim, porque os valores dela me transformaram na mãe, esposa e professora incrível que sou hoje.

😤

Agora lembro que a Beth, do sexto ano, fez essa pergunta tão curiosa.
Conferencia“Senhorita Marisol, se pudesse voltar no tempo, escolheria seu marido e a maternidade de novo?”

XD

A resposta era óbvia...

“Mil e vinte e duas vezes sim, no mínimo!” respondi, soltando uma risadinha que sentia que estava se acumulando desde o início da apresentação. “Olhem pra mim: tenho essa barriguinha no forno e já estou pensando nos outros dois que teremos, se Deus quiser, no futuro. Ter bebês tem sido incrível pra gente. Meu melhor amigo vê nossos filhos do jeito especial dele, sabem? Ele lida com as birras pré-adolescentes da minha garotinha sapeca e entende as próprias lutas sociais da nossa pequena senhorita com os mesmos problemas que ele enfrentou na juventude com o Asperger; escuta a Alicia falar de tudo, sem questionar, mesmo que a lógica dela seja meio doida e cheia da magia da mente de uma menina de sete anos. E com o Jacinto, ele é paciente e carinhoso. Então cada um dos nossos filhos é especial e único do seu jeito, e estou curiosa pra saber como os outros que ainda vêm vão ser.”

XD

Mesmo assim, o que mais chocou foi a revelação de como nossos filhos vieram a existir de verdade.

Enquanto eu falava, dava pra ver a confusão se transformando em uma incredulidade genuína nos rostos deles.

Eu contei, com uma risadinha e um encolher de ombros, que eu tinha sido quem convenceu meu melhor amigo a fazer “só uma vez sem camisinha”.
gravidez😅 Que naquela única "uma única vez", eu tinha sido descuidada com minhas pílulas anticoncepcionais e que praticamente tinha ignorado meu ciclo menstrual. Porque para elas (aquelas jovens que viam o mundo através das lentes das redes sociais e de grupos de amigas cautelosas) minha confissão soava como se eu tivesse querido prender meu marido. 😰 No entanto, meu melhor amigo, sempre precavido, me disse mais tarde que eu nunca o prendi. x_x Que, para ele, sempre foi uma aposta, mesmo se tivéssemos usado todo tipo de proteção conhecida pelo homem, e que essa foi a razão principal pela qual ele procurou meus pais para pedir minha mão em casamento no momento em que nossa intimidade se tornou uma parte regular de nossas vidas.infidelidade consentidaEu simplesmente tinha decidido que era a mulher da vida dele, e queria que o mundo soubesse oficialmente antes que o universo decidisse nos surpreender com um bebê.

😊

Para as meninas do sexto e sétimo ano, minha confissão soava como uma cena arrancada de um romance proibido, porque elas ainda sonham com histórias românticas.

Mas para o resto (excluindo a tonta da Melissa, é claro, que fazia uma cara como se tivesse acabado de engolir um limão inteiro cru, até com as sementes XD), minhas palavras reforçaram a honestidade que tenho mostrado a elas ao longo dos anos.

Que eu não escondo as verdades feias, nem as complicadas, e que tento ser o mais aberta e sincera com elas que posso.

Mas uma hora e meia voa rápido quando você está se divertindo e a diretora queria dar por encerrado.

😅

Ela pediu para a Jane, um dos meus lindos e inteligentes anjos do décimo primeiro ano, fazer a pergunta final.
Preciso te contar uma coisaEla me olhou com aqueles olhos gentis, inquisitivos e cor de mel.

"Senhorita Marisol... se o seu marido não estivesse ali, o que você diria para uma garota como você?" perguntou Jane, com voz suave, mas ecoando no auditório silencioso.

😳

Essa foi uma pergunta difícil.

O tipo de pergunta que faz o ar de uma sala ficar repentinamente pesado, como se as mais de cem garotas no auditório tivessem prendido a respiração ao mesmo tempo.

Até a diretora Lois percebeu que eu estava pensando com cuidado.

"Uff, essa é difícil!" respondi, mordendo o lábio enquanto o silêncio do auditório se prolongava, fazendo o momento parecer pesado e significativo. "É algo que provavelmente discutiria com meu marido depois, sabe... falar sobre o multiverso e uma versão de mim que nunca conheceu meu melhor amigo... Sinceramente, não tenho ideia, porque antes de conhecer meu marido, eu tinha certeza de que me tornaria freira, só para escapar do meu pai. Mas a minha versão de "mim" naquela época já sabia de uma coisa: uma vida em perigo constante não é vida. Se eu tivesse conhecido outro cara que bebesse, fumasse e só pensasse em ter uma vida boa para si mesmo, provavelmente teria fugido. Porque eu vivi isso... e não é nada agradável. Meninas, vocês precisam entender que, como irmã mais velha, eu tinha que cuidar das minhas irmãs menores e nunca é uma tarefa fácil se o seu próprio pai traz para casa o mesmo perigo do qual você quer escapar. Por isso meu marido foi ouro para mim: ele só queria ser meu amigo, falar de anime e livros e compartilhar alguns biscoitos e fones de ouvido. Só isso. Agora mesmo, ainda pergunto a ele se poderíamos ter começado a namorar antes, mas ele me convenceu de que começamos a namorar desde o início... e ainda namoramos. A única diferença é que agora nos beijamos e fazemos bebês. Mas se eu não o tivesse encontrado... bom... a única coisa da qual tenho certeza é que minha vida seria agora muito mais triste.”
Professora😂 Isso me rendeu uma ovação de todas! Minhas alunas aplaudiram, vibraram e gritaram. A diretora Lois se juntou a mim e me agradeceu por compartilhar detalhes da minha vida.GravidaE me senti extremamente orgulhosa. 😤 Depois, quase todas as minhas colegas me parabenizaram ou me agradeceram pela minha honestidade... Algumas delas, que normalmente só me cumprimentavam com acenos educados no corredor, se aproximaram e me deram um abraço rápido e de apoio. 😅 A única exceção, claro, foi a Melissa. Ela esperou até que estivéssemos sozinhas no auditório para fazer seu comentário final. "Continuo achando que você cometeu um erro." disse Melissa, com uma voz que soava amarga e meio invejosa. "Pode ser que você tenha impressionado a Lois e as nossas alunas, mas aos meus olhos, você não vale nada. Você deixou um homem reinar sobre a sua vida e permitiu que ele mudasse o seu corpo. Você abriu mão das suas liberdades e deixou que ele te pisoteasse. Por isso eu te desprezo." 😕 Eu poderia ter usado um chicote e uma capa para interpretar o clássico vilão dos desenhos animados de sábado de manhã, ali parada sob a luz fraca do auditório com o queixo levantado em uma demonstração de superioridade moral e uma risada maníaca para completar o quadro.Conferencia😏 Mas, mesmo tendo uma resposta afiada na ponta da língua, preferi guardar pra mim. 😶 Porque uma coisa que meu marido me ensinou ao longo desses anos é que "não vale a pena contar nada pra alguém se a outra pessoa não tá disposta a ouvir". E por causa disso, eu me sentia mais madura, forte e sábia do que a minha versão adolescente.gravidez😉Post seguinte


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