Hetero, putaria, ménage, infidelidade, sodomização, conto do dia. Uma mulher aparece na vida de um homem, bagunçando todo o universo dele e levando ele a experiências e realidades que ele nunca imaginaria.
Se tem uma coisa que me irrita é ir nas lojas de telefone. São vários os motivos, o primeiro é que quem te atende sempre te olha com aquele ar de superioridade, como se estivesse te fazendo um favor ao prestar os serviços que eles prestam. O segundo motivo é que sempre tem filas enormes pra pagar a conta, que são quase inevitáveis porque o boleto nunca chega na hora certa pra você pagar no banco ou no supermercado. E pra piorar, o estacionamento é uma merda, com seis vagas que não comportam os carros dos setenta otários que vão ao mesmo tempo pagar a conta. Isso faz com que você estacione o carro e algum filho da puta sem noção estacione atrás de você e não te deixe sair. Mas não é só isso que pode dar errado, pode acontecer coisa pior, é só esperar pacientemente. Os problemas vão aparecer e pode ser que você passe a amá-los, desejá-los, pedi-los a Deus nas suas orações, sonhar com eles.
Naquele dia, tentei chegar bem cedo na loja de telefone pra evitar o máximo de encheção de saco possível. O foda é que metade da cidade pensou a mesma coisa e, mesmo assim, não me livrei da merda. Pra variar, as seis vagas do estacionamento estavam ocupadas, provavelmente pelos carros dos seis funcionários da companhia que não têm nenhuma restrição de não usar o lugar dos clientes fdps. Fiquei paralisado no meio da rua, tomando uns buzinacos, por três segundos que me custaram jogar minha moral no lixo e me convencer de que hoje eu ia ser aquele filho da puta sem noção que não deixa o cidadão de bem sair depois de estacionar direitinho na vaga.
Estacionei meu Mustang atrás de um carro horroroso. Volkswagen Sedán modelo 75, e embora meu carro também seja 75, por alguma porra de razão o meu é clássico e o fusca é uma lata velha. Devo admitir que me diverti zuando o cara da frente. Durante a fila, imaginei a cara dele quando saísse do escritório e visse um maldito Mustang atrás do Volkswagen dele, como se fosse um cachorrinho cheirando o rabo dele, ou melhor, o escapamento. Os ombros dele iam se retesar de raiva, depois cairiam como um perdedor, e de cabeça baixa ele voltaria pro prédio, atravessaria a pesada porta de vidro fumê e, com cara de otário puto, mas no fundo só otário, diria "Mustang vermelho. O dono de um Mustang vermelho, por favor, tire o carro". Todo mundo ia olhar pra ele e pensar que ele é um completo otário, e por alguma razão eu me moveria devagar feito uma tartaruga, ele fingiria estar razoavelmente puto, e mais ainda pela minha lentidão, e mesmo sendo eu o cuzão da história, todo mundo sentiria simpatia por mim, enquanto pelo outro sentiriam uma estranha compaixão.
Curiosamente, a fila andou rápido. Faltando duas pessoas pra pagar minha conta, senti que hoje não seria o dia em que eu ia ser insuportável. Enfim, passei, paguei, peguei o comprovante e fui pra porta de saída. Minha surpresa não podia ser maior quando vi que atrás do meu Mustang estava um Toyota Celica, quase novo, colado na bunda dele pra não atrapalhar na terceira fila em que estava. Levantei os braços puto e depois baixei num chilique, e de cabeça baixa feito um completo otário voltei pro prédio, atravessei a pesada porta de vidro e, com minha melhor cara de histeria, falei "Toyota Celica, o dono de um Toyota Celica verde oliva, por favor, tire o carro". Todo mundo me olhava como o imbecil que eu era. Três vezes repeti a mesma frase como se fosse um papagaio muito idiota, diferente da minha fantasia de zoação em que o dono do carro atrapalhando se moveria devagar mas com certeza pra tirar, no meu caso ninguém disse ser dono do Toyota.
Mais puto do que antes, saí do prédio. oficina e me encostei na lateral do meu Mustang, esperando que o filho da puta do dono daquele Toyota Celica tirasse o carro pra eu poder sair. Depois de dez minutos perdendo a paciência, olhando pra todo lado, contando quantas bundas passavam na avenida e torcendo pra não cruzar com nenhum conhecido que me reconhecesse nessa merda de situação, depois de localizar cada loja na frente, depois de pensar se valia a pena almoçar enquanto esperava o cretino do Toyota aparecer — até porque do outro lado tinha uma barraca de almoço e um monte de gente comendo com gosto —, fui caminhando na direção da comida, esperando que uma cadeira ficasse livre, afinal tinha que tirar de letra essa situação chata pra caralho. Ficava olhando os pratos de quem comia nos banquinhos individuais e altos da barraca de rua. Do outro lado da rua, o Toyota ainda estava atrás do meu Mustang. Olhar os pratos era pra decidir qual misto escolher quando sentasse, além de calcular quem terminava primeiro. Todo mundo comia como se estivessem ganhando pra demorar, e a mais adiantada era uma mina baixinha que comia igual um esquilo — até que valia a pena ficar perto dela porque exalava um cheiro doce que eu não conseguia identificar, além de ter umas cadeiras bem aceitáveis. Ela mastigava de um jeito estranho, como se estivesse rindo de alguma maldade que tava fazendo ou lembrando naquele momento, como se estivesse mastigando pequenos liliputianos. Vi a mina esquilo limpar a boca com um guardanapo, pagar e tirar do bolso umas chaves de carro. Ela levantou do banquinho e notei que era realmente muito baixinha, não era uma anã, mas parecia uma gostosa em escala 70:100 — os saltos dela elevavam ela pra normalidade. Eu sorri, acho que não pegaria uma mina tão diferente assim. Prestei mais atenção: as chaves eram mesmo de um Toyota. Minha mente virou uma panela de pressão só de pensar que a tipa tinha estado vendo-me histérico e irado e que isso não fizesse nada pra apressar a velocidade das mandíbulas dela. Bom, nada tava dito, ela podia ser dona de outro Toyota e não daquele que tava esfregando a bunda no meu Mustang.
Assim que ela tentou abrir a porta do carro dela, que era sim o Toyota Celica verde oliva, senti a necessidade de falar qualquer merda, então corri largando meu lugar na barraca de comida, causei um raspão de pneu num carro que eu atravessei na frente na hora de cruzar a rua furioso e sem cuidado, abri a boca e falei:
— "O que você acha que tá fazendo colocando seu carro atrás do meu?"
Ela levantou um par de olhões pretos e cravou eles no fundo da minha alma e sem disfarce disse: — Te encher o saco.
— Me encher o saco...?
Não dava pra acreditar numa cara de pau daquelas, mas parei pra olhar a mina e do exame que fiz dos olhos dela tive uma visão estranha. Nessa visão o mundo era cruel e hostil, e no entanto a dona desses olhos não ia me encher o saco, ou pelo menos eu não ia ver assim. Ri nervoso e depois falei:
— Mas que putaria é essa que você tá armando...? — Olhei o corpo dela, magro demais pro meu gosto, quase um homem, com mãos curtas, talvez moles, uma cinturinha mixuruca e uns peitos de brincadeira, a boca carnuda e em cima dela um bigodinho leve que, se não era um mostacho, pintava de cinza o rosto dela, o nariz reto e comprido, mas com uma fenda na ponta, como se o nariz fosse o queixo de uma subcara que se instalasse na própria cara dela e esse queixo fosse um queixo partido.
Ela piscou um olho, sorriu e mandou minha mãe tomar no cu com um gesto da mão. Bateu a porta do Toyota, deu uma porrada no meu Mustang, deu ré e saiu voando. Tanta cara de pau me deixou tão paralisado que nem tive lucidez pra jogar uma pedra no parabrisa dela, cuspir no capô ou pelo menos dar um tapa no teto do carro dela. Durante o dia não consegui tirar essa cena da cabeça. Normalmente eu não me Acontecem coisas que são bem dignas de contar, mesmo que sejam experiências ruins. Não me acontece nada de bom, nem de ruim, me acontece o normal, o ordinário. Mas não consegui perceber que aquele encontro seria o começo das coisas que começariam a acontecer comigo, e que isso viria a revolucionar aquilo que eu achava que eram meus gostos bem definidos, minhas preferências.
Na minha mente, a imagem da garota do Toyota ficou gravada bem forte, e o que eu mais lembrava era a ambiguidade no rosto dela, me sorrindo agressivamente, como se estivesse buscando minha simpatia, enquanto a mão dela dizia "vai se foder, sua puta, enfia o dedo no cu, filho da puta".
Um segundo encontro foi totalmente acidental, estranho também. Por questões de ecologia, um dos grandes supermercados da cidade trocou suas sacolas plásticas por umas de papel. O papel, como se sabe, cede muito covardemente quando molha. Foi no estacionamento desse shopping. Eu não tinha visto ela, mas uma latinha rolou até meu pé. Sem hesitar, me abaixei pra pegar e ajudar quem quer que fosse o dono. Não só isso, mais e mais coisas rolavam porque uma sacola de papel tinha se desintegrado nas mãos de quem a carregava, e tudo se espalhava entre os carros. Quando vi o dono da sacola rasgada, reconheci: era ela, com o rosto suado de vergonha ou de calor, apressada. Não sei o que senti. Em teoria, eu a odiava, mas queria ajudá-la, queria esfregar na cara dela a falta de educação e xingar a mãe dela também, mas não fiz nada disso. Juntei as latinhas, os sabonetes, os abacates e as caixas de camisinha...
Ela arrancou as coisas que eu entregava, como se eu estivesse roubando. Fiquei com cara de idiota. Ela foi embora e não dissemos nada. Só nos olhamos nos olhos, e tudo escureceu por dentro. O gosto na boca foi estranho. Acredito no destino, e isso, de alguma forma, era um tipo de destino.
O terceiro encontro foi onde as coisas começaram a acontecer. Não disse nem meia palavra, mas eu tinha uma namorada, como quase todo mundo. O nome dela era... Brenda era alta, loira, de corpo firme e, no seu lugar, muito gostosa. As cadeiras dela faziam qualquer um perder o rumo, e ela era bem fogosa. O que eu mais gostava nela era vê-la enquanto me chupava o pau. Os lábios carnudos dela se abriam de um jeito voraz, e a língua era comprida e pontuda, tão comprida e tão pontuda que eu sentia como se fosse um réptil abraçando meu pau com a língua, que era por sua vez outro réptil menor e independente. Enquanto me chupava, ela olhava nos meus olhos e sorria, sem parar de mamar. Embora chupasse deliciosamente, tinha seus poréns: odiava gozo na boca e ficava tão excitada enquanto a gente transava que o sistema nervoso dela desligava, travando, ficando bem imóvel. A buceta dela não era muito carnuda, mas apertava muito bem. Isso da língua é importante, porque, entre minhas manias pra escolher garota, está a de que tenham mãos compridas e que a língua também seja comprida e pontuda. Por quê? Não sei, mas é fato que compro um sorvete pra elas só pra ver como devoram, como lambem, e, principalmente, pra ver a anatomia dessa língua. Brenda sabia dessa fixação, tanto que, quando pedia pra transarmos, não usava palavras: só mostrava a língua afiada e mexia rápido e cortante como uma cobra.
Aquela vez fui ao cinema com a Brenda, que é bem sem noção com horário. Chegamos e o filme já tinha começado. Além disso, era estreia de "Amores Brutos", que tinha tido boa propaganda. Tivemos que ficar no fundo da sala, encostados numa gradezinha. Quando entrei no cinema, me pareceu ver a silhueta da garota do Toyota, então prestei pouca atenção no filme, passei o tempo todo procurando ela quase sem parar. Bateu o intervalo.
— Vou pegar algo pra comer, você enquanto isso aproveita que acenderam as luzes e vê se tem algum lugar pra sentar. — Falei pra Brenda.
— Tá bom, amor —
Na real, eu queria ficar sozinho pra olhar pra todo lado e ver minha velha. Amiga, a gente já se conhecia fazia quase um mês e, pra ser sincero, não passou um dia sequer que, saindo na rua, eu não esperasse trombar com ela. Olhei pra todo lado e não vi ela. Mas o ar tava estranho, com certeza ela tava por perto.
Entrei no banheiro pra mijar e, enquanto tava aliviando a bexiga no mictório, vi que do meu lado tava ela, em pé igual um homem, mijando igual um homem, mas parecendo uma mulher bem sem graça. Eu não tive coragem de espiar o mictório dela pra ver se tinha um pau ou se ela tinha uma habilidade do caralho de mijar em pé sem molhar a calça. Ela, por outro lado, deu uma olhadinha no que eu tava segurando na mão, avaliou, mas nada no rosto dela me deu pista do que ela achou.
Mesmo me sentindo meio sem graça, não falei nada. Sem pensar, percebi que meu pau tava mijando sem muita convicção, mas o que começou a fazer com toda convicção foi inchar. Eu não queria entregar meu tesão. Mas meu membro não obedecia minhas ordens racionais, e foi crescendo. Ouvi ela fechar a braguilha. O banheiro tava vazio, dava pra ouvir uma briga lá fora, como se tivesse rolando problema.
Ela, porque até então eu ainda achava que era uma mulher, me pegou pela cintura e me enfiou num boxe privado do vaso. Sentou na privada depois de colocar a tampa e me colocou de costas pra porta, e começou a pegar no meu pau, com uma suavidade e força que me faziam gemer. Com as duas mãos, segurava meu pau e minhas bolas, fazendo um bolinho. Cuspiu na mão e colocou meu pau entre os dedos indicador e anelar, e começou a me bater uma punheta foda. Finalmente meu pau tava no tamanho máximo. Sentia um aperto nos ovos e a porra começava a tocar as trombetas pra iniciar a marcha de guerra. Pra minha surpresa, ela parou de me bater punheta. Olhou pro meu pau e analisou. Fez cara de tristeza, de uma decepção enorme, tipo melancolia pura. Levantou da privada, abriu a portinha e saiu do banheiro. Nada. Saí e entrou uma avalanche de filhas da puta que pareciam estar segurando o xixi há um tempão. Olhei pra eles estranho, por que não entraram antes se tavam morrendo de vontade de mijar? Eles me olharam estranho também, e não só isso, ainda xingaram minha mãe, "filho da puta", diziam. Só então percebi que me achavam estranho porque eu tava estranho, assim, parado na frente de um vaso com a tampa fechada, com o pau durasso e pra fora da calça.
Saí do banheiro pensando que Brenda com certeza ia desconfiar que demorei demais. Comprei pipoca e refrigerante e me apressei, porque as luzes da sala tinham apagado de novo. Com certeza eu tava parecendo muito doido, mas mesmo assim não ia contar nada pra ela. Ela não sabia nada sobre essa estranha, não tinha contado a parada do estacionamento e muito menos a das latas, e claro que não era hora de contar sobre essa mulher agora. Com cara de hipócrita, entrei na sala escura do cinema, ia dizer que tava me sentindo mal do estômago ou algo assim. Pra minha surpresa, Brenda não tinha achado lugar, ainda tava em pé na grade do corredor do fundo do cinema. Caminhei devagar, puto da vida, olhando besta pra um filho da puta massageando a bunda dela com calma, tocando com toda a intenção.
— Mas que porra é essa? — Gritei.
No cinema, começaram a me vaiar, "Shhh", "Cala a boca", "vai brigar na sua casa, filho da puta", o cara correu e sentou sei lá onde.
— Como assim ele toca na sua bunda e você não fala nada? — falei num tom quase inaudível.
— Não fica bravo — disse Brenda com cinismo — Tamo em pé no fundo da sala, passa muita gente, alguma vai roçar na sua bunda, não vou brigar com o mundo inteiro.
— Mas o cara não roçou na sua bunda, ele tava passando a mão.
— Quem vai saber mais, você que não sei o que viu no escuro ou eu que sou a dona da bunda?
"Vão se foder e calar a boca" gritou alguém no cinema. Todo mundo riu.
— Viu só? — disse Brenda fingindo indignação — Me faz passar vergonha. Nada disso teria acontecido se você não tivesse demorado tanto no banheiro. O que você tava fazendo? Pariu um lagarto ou bateu uma punheta?
Não respondi mais.
De volta pra casa, eu ia hipocritamente indignado. Pra ser sincero, o que ela fez foi menos grave do que o que tinha rolado comigo no banheiro, porque ela com certeza não reparou quem era o mão-boba, e só achou aquela apalpada um abuso gostoso. Não acreditei no discurso dela, porque vi clarinho como ele tava tocando ela, deve ter enfiado o dedo na buceta, e eu demorei tipo um minuto pra falar alguma coisa, além disso ela jogou a bunda um pouquinho pra trás. Mas também não ia ficar cheirando os dedos dos caras que estavam no cinema. No entanto, ficou claro pra mim que entre a mina do Toyota e eu já tinha algum tipo de obsessão.
Aproveitei a culpa da Brenda, que sugeriu compensar a pouca falta que tivesse rolado. Fomos pro nosso hotel favorito, quarto seis, como sempre, em homenagem ao filme "A Insustentável Leveza do Ser", onde eles entram na porta seis por ser o número do amor no Tarô, e ela me deu um boquete de primeira. Fodi ela com uma agressividade fora do comum, o corpo dela ficava muito quente. Pela primeira vez na vida soltei um xingamento pra uma mulher enquanto fodía ela. Não é nada demais, mas era extraordinário pra mim. "Vou te tratar como a puta que você é" foi o que eu disse, e ela pareceu ficar excitada por ter sido batizada de puta, então quase no final da foda, desgrudou os quadris do meu pau e se ajoelhou, começou a me chupar, a língua dela se mexia com o nervosismo de uma chama de isqueiro bem irregular, a boca dela era uma matriz cósmica, quente, excitante. O incidente do banheiro tinha estimulado demais minhas glândulas, feito meu corpo criar reservas de porra pro meu pau fodido, e mesmo assim aquela porra não tinha sido derramada. Eu, sabendo que não ia conseguir dormir com tanta carga de cum no corpo, teria que bater uma no banho da minha casa, mas a história tinha entortado, e estava aqui Brenda, me chupando numa quarta-feira sendo que só fazemos isso nos fins de semana, e ela agitava a mão como se não pudesse esperar mais para receber uma chuva de porra. Contra todas as expectativas, ela começou a me fazer gozar na língua dela, na boca dela, jorros e jorros de cum vulcânico começavam a inundar toda a boca e língua dela, que se movia com mais agressividade do que nunca. Depois que eu parei de jorrar, ela continuou me chupando, até deixar meu pau mole.
Não dissemos nada. Ela era agora uma puta assumida, eu o cafetão dela. Fui deixá-la em casa e ela comentou, depois de um silêncio ensurdecedor, que tinha gostado muito do sexo de hoje, que eu tinha sido mais forte, que pra ser sincera ela desejava em segredo que aquilo acontecesse, que eu fosse mais malvado, mais ousado. Eu não disse nada. Sabia que aquela mudança de normal pra agressivo não era espontânea, que tinha sua causa encarnada numa mulher baixinha que, longe de me fazer feliz, parecia me sabotar. Agora Brenda já deixava eu gozar na boca dela, mas eu só pensava no boquete que a garota do Toyota não tinha me dado.
Depois de uma semana em que eu não era eu mesmo, mas outro, vi a garota de novo, mas dessa vez não estava sozinho, estava com Brenda, que parecia mais apaixonada por mim depois que eu a tratava como uma puta. Era um show de um grupo pop que a Brenda gostava muito, embora eu detestasse. Lá estava a garota, e eu tinha a impressão de que ela não estava ali por gostar do grupo, embora também não fosse tão pretensioso pra achar que estava ali por mim.
Enquanto ouvíamos o grupo, senti que atrás de mim uns peitinhos pontudos grudavam em mim, sentia que mexiam na minha bunda, uma perna roçava a parte de trás dos meus joelhos. Não precisei virar pra saber de quem era. Brenda segurava minha mão esquerda. Toda vez que alguém passava por trás das pessoas que estavam atrás da gente, empurravam um pouco a Brenda, enquanto a mim empurravam muito, quase me fodia a mina do Toyota toda vez que passava por isso. Na primeira vez, a Brenda não falou nada. Na segunda, ficou puta. Na terceira, mandou a gente se mudar. Na quarta, depois de ver que a mina do vestido vermelho tinha me seguido igual um satélite, ela se exaltou e falou:
— Mas o que você pensa que é? — E deu um empurrão nela.
A baixinha respondeu o empurrão com outro. Começaram a brigar. — Bate nela, Raul — a Brenda gritava quando a mina pulou em cima dela, e eu não fiz nada. Não sabia o que fazer, pra ser sincero, respeitava as duas igual.
Nos expulsaram do lugar por causar confusão. Lá fora, a mina foi pro estacionamento, se abaixou, pegou um punhado de barro e jogou em cima do meu Mustang. A Brenda ficou furiosa e começou a gritar comigo, entre outras coisas falou: "Suja o carro dela também". Peguei barro, corri cinco carros pra frente e despejei a lama em cima do Toyota. A mina chegou depois, entrou no carro e, como sempre, arrancou na velocidade.
Quando voltei pra Brenda, ela tava possessa. — Deve ser uma doida, não deixa o ódio te consumir por uma estranha que não vale a pena — falei, tentando ser compreensivo.
— Que tão estranha é essa mulher?
— Como assim?
— Não se faz de idiota. Que tão estranha é essa psicopata?
— Acho que totalmente estranha.
— Como ela sabia que esse Mustang é nosso? E pior, como você sabia que aquele carro verde era dela? Vocês se conhecem? Tão se pegando?
Totalmente encurralado, respondi: — Tudo começou...
— Tudo? Tem um "tudo" entre vocês?
Contei a história do escritório de telefonia, mas escondi a do depósito e, claro, a do cinema. Fui pouco convincente e a Brenda continuou me perguntando. Contei mal contada a história do banheiro do cinema, onde não falei que ela me bateu uma punheta, nem que tinha olhado pra minha rola, só disse que estranhamente ela tinha entrado no banheiro masculino, que era perigoso e que era um viado, mas isso só piorou as coisas, porque pra ela foi muito óbvia a minha demora naquele dia e, principalmente, a mudança na minha atividade sexual. Ela me julgou e me condenou. culpado de mentir. Ela me deu um fora na hora, parou um táxi e foi embora depois de cuspir no meu Mustang.
Como nos filmes do Stanley Kubrick, sempre tem uma primeira metade da história e uma segunda metade, as segundas metades sempre guardam mais estridências que as primeiras. A segunda metade começou num domingo, pra ser exato no segundo domingo depois que a Brenda tinha me largado. Saí de manhã pra comprar porra e na frente da minha casa estava estacionado o Toyota Celica. Procurei por todo lado e não vi ela. Assim, o Toyota Celica ficou o domingo inteiro e a segunda-feira inteira na frente da minha casa. Na segunda à tarde a Brenda ligou e só me dedicou seis palavras pra depois desligar: "Você é um filho da puta cuzão", não consegui dizer nada, a verdade é que minha mãe já foi chamada de puta muitas vezes desde que a garota do Toyota apareceu na minha vida. "Te dar problemas" ecoou na minha cabeça.
Nem preciso dizer que durante o domingo e a segunda fui um inútil pra tudo, só ficava de olho pra ver quando ela ia aparecer pra pegar o carro, sem saber pra quê. Pensei nela esses dois dias inteiros, era uma presença absoluta, era como um Deus que tá em todo lugar. Na madrugada de terça o carro tinha sumido. Fui pra delegacia pra denunciar o roubo, mas depois pensei no idiota que eu era, se o carro não era meu, nem sabia o nome da dona, que podia ser quem tivesse dirigindo ele agora.
Na quarta, quando voltei do trabalho, encontrei a entrada da minha casa arrombada, tinham entrado mas não roubaram nada, só um porta-retratos com uma foto minha e da Brenda, onde a gente aparece se amando muito. Mas duvido que a Brenda fosse capaz de entrar assim na minha casa, porque ela não me devolveu a chave, que necessidade de arrombar a fechadura, além disso, se fosse uma coartada, seria idiota porque ninguém roubaria só o porta-retratos. Comecei a ter problemas.
Depois de ver minha casa toda revirada, ou pelo menos bagunçada, já que nada estava quebrado, comecei a pensar seriamente em tudo que estava rolando. As coisas pareciam cena de filme de confusão. Além disso, eu tava perdendo uma namorada de dois anos, com quem sempre tive uma comunicação bem aberta, com quem me entendia cada vez melhor na cama, com quem tive uma última noite muito promissora sobre um catálogo enorme de loucuras que podíamos fazer. E ainda por cima, tinha certeza de que a amava e que ela me amava. E o que eu ganhava em troca? A presença sombria de uma desconhecida, perturbadora, sim, mas destrutiva. Como sempre, nossas coisas refletem como a gente tá por dentro, do jeito que sua casa tá, assim tá seu coração. Meu coração tava violado, saqueado, ultrajado, e a causa, igual ao suposto roubo da minha casa, era, com quase toda certeza, a mulherzinha do Toyota.
Liguei pra Brenda e expliquei que não tinha nada a ver com tudo aquilo, falei que na real a garota em questão tinha tão pouca importância que achei inútil ou até irritante contar o que rolou, que ela entendesse que me deu pena contar como fui idiota no estacionamento da central telefônica, como foi burrice ser educado com a mina quando ela era toda apática, e que a parada do show foi loucura dela, não minha. Ela acreditou pela metade, mas ficamos em bons termos, eu quase implorando de joelhos, ela toda superior me perdoando, etc., etc., etc.
Desliguei o telefone e me senti mais calmo, então prometi pra mim mesmo deixar a garota do Toyota em paz. A campainha tocou. Meu corpo tremeu de curiosidade nervosa e fui atender. Era a garotinha do Toyota. Fiquei paralisado por um instante com o cinismo dessa pivete. Ela devia ter dezenove, talvez vinte anos. Supostamente, relações pessoais são um tipo de jogo, mas o que acontece quando as regras desse jogo não são impostas pela gente? E mais ainda, o que fazer quando essas regras não correspondem a Nada que você já tenha jogado antes?
Ela entrou na minha casa sem minha permissão, como se precisasse disso. Começou a fuçar, tipo pra ver se os seus funcionários pilantras tinham feito direito o trabalho de bagunçar minha casa. Reagi e falei:
– O que você pensa que é? Entra na minha casa como se eu não pudesse te expulsar na porrada.
– Não prometa coisas que não vai cumprir.
– Mas que porra... para de falar como um profeta e vaza, quero você fora da minha casa e da minha vida, me evita se me ver na rua, me considera seu inimigo, sente nojo de mim, me aponta como aquele que você mais odeia, você é a pior estranha que eu conheço.
– Meu nome é Pandora.
– Como se eu ligasse.
Ela se jogou em cima de mim, feito um lutador, me abraçando. Tinha que ver essa cena, que com certeza faria qualquer um rir, até eu tinha dificuldade de imaginar. A mina se atirando na minha cintura e me enlaçando com os braços, como se eu fosse um dos Beatles e ela uma fã americana que conseguiu furar a segurança no meio do show do Hollywood Bowl, e aqui está o mais incrível: eu tentando me livrar dela com os braços, empurrando, tentando soltar, separar, e ela se agarrando mais, eu tirando ela de cima. Sempre pensei que me deixaria ser amado por qualquer mulher, a menos que fosse muito feia, e no entanto aqui estava uma garota promissoramente gostosa, histérica, pirada das ideias, me abraçando como um polvo, dopada pela própria hormona, e eu numa luta greco-romana com ela, tentando me livrar. Ela me deu um beijo com o batom vermelho, e com a língua lambeu meu pescoço.
Como se já não bastassem os problemas de ter escrúpulos demais pra dar um soco nela e acalmar a situação, na porta apareceu nada mais nada menos que Brenda, que só viu minha boca manchada de batom, e como a garota me prendia feito uma jiboia, isso foi o suficiente pra ela levar as mãos ao rosto, chorar pra caralho, e sair correndo da minha propriedade.
Aí sim eu fiquei puto. Apertei os braços da Pandora com tanta força que com certeza iam ficar roxos. hematomas. Também me chocava começar a vê-la como Pandora, tão familiar assim. Fui puxando ela e aos poucos a separei dos meus ombros, ela caía cada vez mais no chão. Achei que tinha conseguido até ver que o que eu tinha alcançado era obra do capricho dela. Vai ter que ver! Com os dentes, ela abaixava o zíper da minha calça. Com uma mão, arriscou deslocar o braço esquerdo enfiando ele entre o cinto da minha calça e minha cintura. Firme como estava, já não usava as duas mãos, com uma me beliscava as costas, o que me fazia usar uma das minhas pra tentar arrancar o beliscão, e a outra mão ela usava pra tirar meu pau da calça. Engoliu meu membro como baleia que devora plâncton. Começou a chupar e chupar com força, a boca dela era meio inexperiente pra essas paradas, porque os dentes dela viviam batendo na minha carne. Escorria saliva como se fosse um cacto aberto no meio e devorava. A luta não podia ser mais ridícula agora, eu tentando afastar ela de um jeito idiota e ela sem ligar pra minha opinião, porque a única opinião que ela parecia entender era o quanto meu pau tava ficando duro. Aqui vou me permitir citar dois artigos legais que pesquisei depois, por mais absurdo que pareça. Comete o crime de estupro quem tem acesso carnal com uma pessoa, seja homem ou mulher, por meio de violência física ou moral, e contra a vontade dela. Comete o crime de exposição imoral a pessoa que, por si ou por terceiros, realize exibições obscenas. Eis que essa mina tava me estuprando, e além disso a Brenda tinha deixado a porta da entrada aberta, então qualquer um que passasse veria ela mamando meu pau. A violência da boca dela, a fome, o desespero, me davam uma chuva de sensações que eu nunca tinha sentido, me sentia escolhido, único, me sentia um objeto sexual, eu que a vida inteira tive que convencer as garotas a me amarem, eu que sempre tive que ser simpático, agradável e um bom partido, eu que Sempre pedi, agora eu era presa de um predador da minha própria sexualidade, e eu gostava, gostava da sensação de provocar uma loucura dessas nessa mina. Parei de beliscar, parei de afastar ela, segurei a cabeça dela, podia arrancar fora se quisesse, mas não queria porque eu tava gozando no pescoço e no peito dela. Ouviu-se uma sirene:
— Vocês vão ter que ir com a gente pra delegacia. — Disse o policial.
Em vez de berrar de prazer como eu queria, falei com a voz trêmula, extasiada:
— Mas é minha casa, posso fazer o que eu quiser.
— Menos isso com a porta aberta, filho da puta. Faz o que mandaram e não sai ferido, beleza? Mexam-se os dois. A senhorita aí limpa esse pescoço e essas bochechas.
Então fomos detidos na viatura, daquelas caminhonetes com carroceria e capota. Ela sentaram num banco e me algemaram num cano. Ficamos sentados juntos e eu não tava nem um pouco a fim de falar qualquer coisa com ela. Vinha na carroceria um sujeito esquisito com uma câmera no pescoço, juro que o bigodinho ridículo dele era falso.
— Posem pra foto, amigos. — Falou o cuzão.
Pandora se encostou em mim e se aninhou com um sorriso, CLIQUE, ouviu depois de um flash. Eu empurrei ela pra longe.
— Você é repórter, né?
— Claro.
— Essa foto é minha.
— Eu sei.
— Não vem de palhaçada, quero dizer que você vai ter que me entregar.
— Nem sonha, é parte da minha matéria.
— Minha matéria! Que matéria é essa? Você não sabe que em caso de estupro não pode divulgar nem os nomes?
— Pera aí, isso sim que salva minha noite. É estupro? Deixa eu ver, esse anjinho te estuprou? Ela com dezoito, talvez menor, te estuprou, você que tem fácil uns vinte e cinco. E você não conseguiu fazer nada pra evitar? Isso vai vender pra caralho.
— Calma, não sou advogado, na real nem sei por que fomos detidos.
— Amigão, se me der uma boa grana, esqueço que isso é um estupro, mas como amigo, não vou. Recomendo que fale essas merdas na delegacia. Sabe quando vão prender essa belezinha? NUNCA, e você vai ser o palhaço pra SEMPRE. Com certeza vão acreditar que a mina mandou o seu pau inchar.
Fiz o acordo financeiro. Fiquei na merda do olho da rua só pra comprar aquele rolo de filme. Putaria de vida, eu trabalho quinze dias pra receber e esse filho da puta leva 80% do meu salário em troca de uma foto oportunista e a promessa nada confiável de calar a boca. Nos desceram na delegacia e levaram pra um gordo inspetor de investigações preliminares.
— Por que vocês estão aqui? — Falou o inspetor, deixando muito a desejar.
— Não sei. Tem que perguntar pros oficiais.
— Porra nenhuma. Enfia esse casal na cela, e manda chamar o Padilla e o Ortiz.
Nos levaram pra um quartinho que cheirava a vômito e mijo. Lá, senti uma mistura de nojo com estranheza. Fiquei olhando pra Pandora, que parecia bem tranquila, como se esperasse o desfecho das coisas, segura de que era besteira se preocupar em estar ali, totalmente convencida de que só faltava deixar o relógio correr.
— Por que você faz isso comigo? — Perguntei sem pretensão de ser juiz.
— Você merece viver melhor.
— Isso pra você é melhor? Acha essa masmorra melhor que minha casa? Acredite, você é louca e quero você fora da minha vida.
Não imaginei que ela começasse a chorar com tanta dor. O corpinho frágil dela parecia mais quebradiço do que nunca.
— Olha, isso me faz muito mal. Não quis te machucar, mas desde que te conheci só tive problemas. Eu vivia muito feliz...
— Você vivia muito estável, só muito estável.
— Fala o que quiser, mas isso não é o que eu quero.
— Se sua felicidade estivesse nas suas mãos, você já teria conseguido. É tão ruim assim que eu te ame?
Que papo de cela, hein! Fiquei muito mexido com aquela garota. O erro dela era causar atrito na minha vida, mas e se ela tivesse razão? Talvez minha vida estivesse caminhando tranquila demais, possivelmente num Ano que me casei com a Brenda, se é que ela me perdoa essa "segunda ofensa", talvez a gente tenha dois filhos, venda o Mustang e compre uma perua mais família, crie um cachorro bem caseiro, com sorte até compre um canário, ou eu comece a gostar de novela, e por aí vai. Deixei de lado toda minha aversão e falei que não sabia nada da vida dela, que ela se metia deliberadamente na minha vida, que agora me dizia que me amava e ainda assim continuava sendo uma estranha. Ela ia começar a falar, mas vieram uns guardas e levaram só ela. "Depois te conto", foi a última coisa que disse. Me tiraram depois.
Voltei pra minha casa e senti ela incompleta. Brenda não atendeu o telefone. Dormi tendo muitos pesadelos, neles Brenda e Pandora faziam amor, e Pandora tinha um pau monstruoso com o qual furava o cu da Brenda, que gritava de forma angustiada mas submissa. Tendo ela assim, de quatro, a empurrava com força e a cada estocada se ouvia um grito. Brenda, cega pela possessão carnal, inclinava o corpo até os lençóis, que mordia com raiva, enquanto Pandora aproveitava essa cegueira pra sacar um canivete afiado, e na tela que era a costa branquíssima e perfeita de Brenda, tingia a ponta de feridas um retrato que não era nada mais que meu rosto rindo.
No dia seguinte joguei no lixo o rolo caro. Depois tirei ele do cesto de lixo, sem saber por que levei pra revelar. A revelação saiu mais cara do que eu esperava, porque as imagens não eram lá muito publicáveis, mas do tipo obsceno. Paguei elas. Minha surpresa foi grande por várias questões. Vale dizer que o lugar onde revelei as fotos fica em frente da catedral, também tem que prestar atenção que o calor na cidade estava sufocante naquele dia. Ambos os elementos justificaram eu entrar na catedral, que embora não tenha ar condicionado, suas paredes são tão grossas, suas janelas e tetos tão altos, que nos bancos do templo se Sinto um frescor delicioso. Ali, num dos bancos de pedra atrás do templo quase vazio, sentei pra ver as fotos que o repórter tinha tirado. Acabei me sentindo um blasfemo.
Na primeira, estávamos Pandora e eu, sentados na viatura, ela solta, eu algemado, ela sorrindo pra câmera, eu puto da vida, feito uma fera. Ela com o corpo todo virado pra mim, eu com os ombros pra fora, como se quisesse fugir. Tinha algo no olhar dela pra câmera, amor, ternura, intensidade, e ainda assim um toque maldoso. Os peitos dela apareciam bem gostosos. A segunda foto era nós dois também, nela ela engolia meu pau inteiro com a boca, os olhos dela revirados, como se estivesse numa baita embriaguez, enquanto minha cara era de puro prazer. Quem visse aquela foto nunca ia acreditar que eu tava tomando aquela mamada na marra. Tudo parecia muito estranho, pro repórter ter tirado a foto ele tinha que estar lá antes da polícia aparecer, porque os uniformados chegaram depois que eu tinha gozado. Numa outra foto aparecia um homem do lado da Brenda, dentro de um carro, metendo forte nela. Numa dessas fotos ela montava nele de frente, enquanto o cara sorria, sei lá se pra câmera, enquanto mordia um dos peitos dela por cima da blusa, noutra foto ela chupava o pau dele, e numa terceira foto ele comia ela de quatro e ela colava a cara no vidro, louca de tesão, apagando com a bochecha o vapor que tinha deixado a janela cinza de umidade. Outra foto era de um lugar, o Hotel Améyummy, que era o hotel que a Brenda e eu costumávamos ir, e a última foto era da porta do quarto seis, nosso quarto. A câmera era daquelas que marcam data e hora. A Brenda tinha me trocado anteontem às 21:35. E esse repórter, mais que um repórter comum, parecia um duende íncubo escapado de um filme de David Lynch.
No sábado, a Brenda me ligou, queria falar sobre tudo que aconteceu. A gente se viu na minha casa. Ela tava muito confusa, dizia, e mesmo sentindo que tinha motivos pra estar puta comigo, não conseguia me esquecer, que tava percebendo que o tempo que a gente teve como casal mostrou que formávamos um casal bonito, que não tinha porque perder uma relação tão gostosa. Afinal, ela dizia, que bom que as dificuldades surgiam pra testar nosso love, pra provar que nosso love é maior que as merdas que o destino pudesse jogar na gente. Enquanto ela falava, eu pensava no quão idiota tinha sido queimar o filme de fotos e as próprias fotos, exceto aquelas em que eu e a Pandora aparecíamos juntos. Vendo a cara da Brenda falando tão sincera, queria ter as fotos na mão, não pra jogar na cara dela, mas pra olhar com calma. E se não fosse ela? E se fosse só uma mina muito parecida, com um top de girassóis idêntico ao dela, com uns saltos idênticos aos dela, com uma pulseira igual, com uma bunda igual? Comecei a pensar que pelo menos ela não tinha me traído enquanto era minha namorada, mas sim naqueles dias em que a gente não era nada.
"Quero que você seja meu namorado de novo", ela disse como se tivesse implorando. Até se ajoelhou, mesmo não sendo necessário. Minha resposta foi ficar de pé na frente dela, deixando minha braguilha na altura da boca dela. Ela sorriu radiante, considerando aquilo como um sim, e engoliu meu pau, passando aquela língua mágica que ela tem. Ela tirou minha calça e começou a chupar minhas bolas, depois colocou meu pau na entrada da boca dela, como se fosse só mamar a cabeça, pra depois me agarrar pela bunda e empurrar meu quadril pra frente, enfiando meu pau todo na boca dela. Ficou assim por um tempo. Depois pediu pra eu tirar toda a roupa, e ela fez o mesmo.
Na coluna dela, na altura da cintura, tinha uma tatuagem que não tinha antes, uma pequena figurinha de uma aranha que na sua bolsinha gorda e preta carregava uma mancha, bem como se fosse uma viúva-negra e sua mancha vermelha fosse uma aranha menor, possivelmente seu consorte recém-devorado. Sentei no sofá e tinha meu pau bem duro, apontando pro céu, e ela se ergueu de cócoras sobre os almofadões do sofá, como se fosse uma nave que tivesse que pousar na lua, cuidando pra encaixar no abastecedor de combustível que jazia em terreno firme, e assim, devagar começou a se deixar cravar, envolvendo meu pau num fogo abrasador, terminando por me envolver inteiro, subindo e descendo com paixão. Peguei ela pelas nádegas e apertava, brincando com o vai e vem, roçando o cu dela de vez em quando com meu dedo indicador. Ela ficava mais e mais quente, deitei ela na borda do sofá e assim empinada comecei a meter forte. Ela gozou pra caralho, e eu, que já tava no ponto, tirei meu pau pra que o olho da minha pica beijasse a entrada do cu dela, e assim, sem penetrar analmente, esfreguei meu pau no cu dela, esperando que meu semen quente começasse a tingir de branco o esfíncter escuro dela, e assim foi, começou a jorrar minha porra, que saiu primeiro tão violentamente que uma gota de creme voou caindo bem em cima da tatuagem nova dela, enquanto o resto do semen dava de beber pra aquele cu que se retraía sedento.
Essa noite ela ficou pra dormir na minha casa, tinha mentido na casa dela dizendo que ia pra um acampamento. Fodi ela sem trégua durante essa noite até cairmos dormindo um abraçado no outro. Quando acordei, ela já não tava mais, a luz entrava pela janela e saborear a noite anterior me durou o tempo que levei pra ver que na mesa da sala estavam cortadas com tesoura o par de fotos minhas e da Pandora. O corte foi feito de tal jeito que nos separava, como se as metades fossem a silhueta de cada um de nós. Fiquei puto. Tinha sido um idiota em guardar essas fotos, em não jogar fora sabendo que a Brenda voltaria. Ela não atendeu minhas ligações durante o dia.
Pela Tarde da noite, o Toyota Celica estacionou na frente da minha casa. Pandora buzinou e eu saí pra perguntar o que ela queria. "Te encher de problema", respondeu numa piada que achei de péssimo gosto. Ela me convidou pra sair, pra uma surpresa, se eu tivesse coragem. Aceitei num transe quase hipnótico. Ela disse que, pra ser surpresa, eu teria que deixar vendar meus olhos. Mesmo sabendo que era um risco com essa esquizofrênica, aceitei.
Durante o caminho, fui ouvindo a voz dela cantando as músicas que tocavam no rádio, sentindo a mão que não segurava o volante tocando minha perna, minha mão, sentindo como puxava minha mão pra colocar na coxa dela, embora tenha impedido que eu levasse até a buceta dela. As dúvidas voltaram a me assaltar: será que entre as pernas dela tinha uma buceta ou uma rola?
Chegamos num lugar que eu tentava em vão identificar pelo cheiro, porque, embora familiar, cheirava a qualquer hotel. Entramos num quarto, ouvi ela fechar as duas trancas da porta. Ela tirou a venda do meu rosto. Não tinha nada de especial naquele quarto; era uma suíte, mas uma suíte comum. Uma cama enorme, uma mesinha com duas cadeiras, espelhos nas paredes. Ela me convidou pra sentar nas cadeiras. A gente ia conversar ali. A voz dela não era como sempre; soava mais grossa que antes. Me deu calafrio pensar que podia ser um homem, coisa que seria praticamente impossível, a menos que minha idade não fosse suficiente pra distinguir uma mulher de um travesti de primeira.
— Você deve ter muitas perguntas. Qual é a que você mais quer responder?
— Por que eu?
— Porque eu gosto de você e sempre pego o que eu gosto.
— Mas você não pediu minha opinião.
— Sua opinião é algo que você tem me dado o tempo todo. Não passou um segundo sem que você parasse de pensar em mim, você sai na rua e isso é só mais uma chance de trombar comigo, até nos seus sonhos você me chama, e acredite, sou muito sensível a isso. Ser o objeto de paixão de um homem. Só estou retribuindo o favor pensando no momento em que você vai me abrir por completo, me encher de carícias, me aproveitar inteiramente, ou seja, estou retribuindo o favor pensando nesse momento.
Ele serviu chá em duas xícaras que estavam ali e começamos a beber. Nunca gostei de chá, mas aquele eu bebi cegamente, como se fosse a primeira das ordens que eu teria que cumprir. Bebi várias xícaras. Comecei a me sentir meio relaxado, visceral, intenso.
— De que é esse chá? — perguntei.
— De maconha e outras ervas.
Poxa, agora eu estava até drogado! A verdade é que sempre achei a ilegalidade da maconha algo muito injusto, considerando que álcool e tabaco andam por aí sem nenhuma restrição, sendo que não são mais nobres que a cannabis. Mas não gostava da ideia de estar drogado sem ter consentido, embora, pensando bem, essa maneira covarde de fazer "sem saber" é a que melhor cai pra gente covarde como eu.
Ela se levantou da cadeira, parou na minha frente, desamarrou o laço do vestido e o abriu como se fosse uma laranja exibicionista, deixando ver que estava nua, perfumada, branquíssima, com a buceta cheia de um pelo grosso e abundante. Uma mulher, felizmente. Parecia um anjo inacabado, inocente, frágil, ainda sem virtudes, ainda sem asas, lindo. A erva estava começando a me fazer sentir o dom de enxergar a beleza, de um jeito que comecei a olhar pra ela como nunca tinha visto uma mulher antes. A pele dela parecia brilhante, como se fosse um pedaço de sol, e cada poro me parecia tão vital que quase ouvia o silvo calmo que fazem ao respirar. O cheiro dela me embriagava por completo, enquanto eu sentia um calor intenso no corpo todo. Sentia que cada sopro de ar batia em cada um dos meus pelos, como se fossem palmeiras dançando na beira de uma praia prestes a virar furacão, enquanto meu sangue virava uma... Rede complexa de rios que avançavam numa ebulição incessante, banhando meu corpo por completo.
Tocá-la foi uma sensação elétrica, seus peitos eram um par de vulcões que se moldavam aos meus dedos, resistindo com força própria à pressão deles. A cintura, a bunda, as pernas, os pés, as mãos, o pescoço, as orelhas — tudo precisava ser beijado. Ela me deitou na cama, deixando que meu pau se erguesse como o mastro de uma bandeira ausente, e esticou a língua, molinha, sem ponta, e começou a tocar minha glande com ela. Eu sentia como se um caracol do inferno estivesse passeando pela cabeça do meu pau, ou pelo menos um pedaço de lava consciente. Com a boca, começou a me chupar, primeiro meio mal, parecia que ela tava afiando meu pau num apontador, mas de repente o lápis começou a gostar do apontador. Ela me mordia, me chupava, me lambia, e cada uma dessas ações ela curtia pra caralho. A mão dela apertava minhas bolas num beliscão que me excitava demais. Ela me levantou e me colocou de quatro, enfiou a cara debaixo das minhas pernas e continuou chupando. Do meu pau foi pras minhas bolas, e dali pra aquela carne entre o cu e as bolas, me mordendo, e quanto mais me mordia, mais meu pau endurecia, balançando como a espada cantante de um desenho que eu vi. Ela se ajoelhou, e a falta do contato da boca dela com meu corpo me fez perceber que ela tava olhando o mapa da minha bunda, memorizando minha pegada anal, e então senti uma mordida bem no meio do cu, a passagem de uma língua quente que fazia o trabalho de dilatar meu esfíncter.
Essa carícia era não só desconhecida pra mim, mas em outras condições eu provavelmente até evitaria que fizessem. Mas a verdade é que era maravilhoso sentir aquela língua percorrendo as rugas do meu cu. Ela percebeu que quando enfiava a língua no aro do meu cu, eu contraía a bunda, enquanto quando passava por fora, eu me abaixava mais, abrindo minhas carnes, o que deu pista de algo que é verdade: penetração não me chamava atenção, mas já a lambida de cu e a mordida nas nádegas, sim. Enquanto ela chupava meu cu, uma das mãos dela me punhetava com tanta raiva que quase gozei na mão dela.
Levantei e quis retribuir o boquete, colocando ela de quatro. O cheiro da buceta dela era doce, e o gosto também. Chupei a buceta dela com gosto por um tempão, e diferente do sexo oral que eu fazia na Brenda, onde ficava claro que eu fazia pra ela sentir prazer, mesmo que pra mim fosse tipo um sacrifício venial; com a Pandora, eu curtia por mim mesmo, sentindo a buceta dela como uma boca alienígena muito atraente que respondia ao meu beijo com um monte de reações. Depois, quis sentir o que ela sentia na boca quando comecei a chupar o cu dela, devagar e no ritmo primeiro, mais forte e fundo depois. Cada chupada no cu vinha acompanhada de um gemido de prazer que ela soltava com aquela voz divina. Ter ela ali, empinada, com as mãos abrindo as próprias nádegas, me deixou muito excitado. Levantei e comecei a meter de quatro, e ela se afastou violentamente de mim, apavorada.
Eu fui atrás, deitei ela de barriga pra cima com as pernas abertas, mas ela continuava com aquela cara de veado caçado. Brinquei com a buceta dela e a ponta do meu pau, e ela parecia estar gostando, mas quando eu penetrava, fazia cara de pânico. Me inclinei um pouco pra beijar ela, e quando a gente se beijava num beijo bem profundo, eu atravessei de novo, enfiando tudo. Ela não era virgem, e a buceta dela estava tão inchada ou tão acostumada a um pau imenso que era difícil entender o porquê do terror dela. O fato é que eu meti até o fundo e segurei ela pela parte de fora da perna e das nádegas, pra não deixar ela escapar. Ela esperneava que nem uma aranha, enquanto eu cravava meu ferrão de forma letal.
Era como se o corpo dela estivesse aberto pra penetração, mas a alma dela resistisse a se entregar por completo. Penetrei ela mais devagar, olhando nos olhos dela, reparando na cor que tinham, nos cílios, na umidade dela, e naquele instante algo cedeu, porque a alma dela parou de resistir e se conectou também. Não tinha dúvida de que agora estávamos numa fusão total. Mesmo a suíte sugerindo um monte de coisas, a gente ficou na posição básica, porque não precisava de muito circo pra gozar do jeito que a gente tava. De vez em quando a gente se pegava olhando no espelho pra ver como a gente tava. A buceta dela formava em volta do meu pau um novelo perfeito, como se fosse uma gota caindo do corpo de um Deus líquido, enquanto meu pau se marcava com uma silhueta interna que deixava ver que dentro da pele rolava uma atividade celular enorme.
Enquanto eu tava metendo nela com gosto, ela me deu um tapa fortíssimo. Segurei a mão dela incrédulo. Ela me prendeu com as pernas pra eu não sair do corpo dela. "Me bate você também", ela falou, e eu, que nunca tive essas manias, fiquei relutante. Ela me deu outro tapa. Por fim, bati nela. Ela fez uma careta de prazer. Eu batia na bunda dela porque sentia que era o lugar onde menos ia machucar. Mas de vez em quando dava uns tapinhas nos peitos dela, no cu, segurava ela pelo pescoço, pelo cabelo. Continuei superexcitado. De repente já era violência pura, até que a violência máxima se manifestou numa gozada que eu tive, tão intensa que o que produziu foi dor, e pela primeira vez ficou claro pra mim que meu sêmen era parte de mim, parte viva de mim que ficava nela mesmo depois da gente ter se separado. Ela gemeu também quando eu gozei.
Ela me perguntou como eu tava me sentindo, falei que fabuloso. Ela me chamou de "Meu Monstro", não sei como levar isso. Tava deitado na cama, ainda suado. Ela levantou da cama feliz da vida. Tirou da geladeira uma jarra que tinha um elixir verde, tipo polpa de pepino, mas bem mais verde, mais escuro. Me deu pra beber, o gosto era azedo. Com desgosto falei que não gostava, mas ela insistiu pra eu beber. que era para revitalizar meu corpo, pra modificar o efeito do chá, e pra me preparar pro que vinha depois. Quando ela colocou a venda de novo, depois que só eu tomei do elixir, comecei a pensar o que era aquilo que ela chamava de "o que vinha depois". Ela me levou andando pelo hotel, me levando pra outro quarto, eu soube porque o lugar que entramos era fresco, quase frio, me sentou numa cadeira e me amarrou as mãos e os pés. Eu deixei ela fazer porque imaginei que era uma brincadeira mais ousada. De certo modo, era. Ela tirou a venda e eu vi que tava a um metro de uma parede, que nessa parede, bem na minha frente, tinha umas cortinas vermelhas. Vi que a cadeira onde eu tava era parafusada no chão e que, no fim das contas, eu tava bem amarrado. Ela ficou atrás de mim e começou a falar: — Você não me pergunta do que era o suco? — Acho que é seguro o que você me deu pra beber. — É um suco de peiote. Amanhã você vai ter o estômago solto, isso vai ser normal, mas não vai ser normal você ir no médico por causa disso. Era incrível tudo isso. Ter me dado chá de maconha pra beber não era nada comparado a me dar suco de peiote. Ter batido nela enquanto transava era algo que não vinha de mim. Largar minha namorada não era algo meu. Parar a polícia. Ela era ainda baixinha, demais pra ser minha parceira, o tom de pele dela não é o que eu gosto e o corpo dela tão miudinho é quase o oposto do meu gosto, a língua dela é ainda por cima bobinha, e as mãos dela não são como as que eu curto. É exatamente o contrário do meu gosto, e mesmo assim essa mulher tão contrária me fez sentir em menos de três meses uma gama de sensações que pra mim eram proibidas. Não tenho certeza se vou ficar do lado dela, mas por enquanto é uma alternativa de prazer que eu me ofereço. Ela puxou um cordão e as cortinas se abriram, formando uma espécie de moldura, como se fosse uma tela de televisão de cinquenta polegadas. Mas o vidro tava cinza. Não parecia que era uma janela, também não um Televisor. A tela se iluminou quando alguém abriu a porta do quarto ao lado. Já tinha sacado, o quarto vizinho devia ter um espelho, daqueles que deixam um voyeur ver pro outro lado, tipo, você se reflete no espelho sem saber que tá sendo observado por um tarado do outro lado. Quando a luz acendeu, o show começou pra mim. O cara que entrou veio sozinho e colocou na mesinha o porta-retrato que tinha sido roubado da minha casa. Na sequência, Brenda entrou no quarto, acompanhada pelo sujeito das fotos da putaria no carro. Um deles deu dinheiro pra Brenda, e ela guardou na bolsa, pra depois começar a se despir.
Tudo aquilo era forte demais pro meu orgulho. Brenda de puta era algo simplesmente impossível. O quarto onde ela tinha acabado de entrar com os dois caras era nada mais nada menos que o quarto seis, que eu e ela sempre frequentávamos. Ela não podia ser uma puta, porque sempre foi mais passiva. O peiote começava a me fazer ver umas paradas muito estranhas, minha raiva, a maconha, o peiote, minha excitação, e a porrada de pontas soltas estavam me deixando louco de verdade.
Quase sem preâmbulo, lá estava Brenda chupando o pau dos dois desconhecidos. Enfiando a carne dos dois ao mesmo tempo nos lábios que até hoje eu considerava meus. Lembrava na minha própria pele as carícias que agora ela dava a eles, e me surpreendia com a capacidade dela de satisfazê-los. Daí a pouco, os dois a colocavam nas posições mais variadas, metendo na buceta e no cu, os dois ao mesmo tempo, depois boca e buceta, cu e boca, e até os dois na buceta, numa buceta tão elástica que eu desconhecia. Pra mim, tudo aquilo era tão irreal, tão absurdo, tão francamente inacreditável que me dava risada, uma risada de saber que eu era um boneco cósmico, uma marionete.
Via Brenda e os caras cheios de pelo, como se fossem animais que transam sem culpa, sem complexos, se entregando. todo o prazer cego de que são capazes. Enquanto eu via tudo isso, Pandora me contou a seguinte história:
"Desde que te vi, soube que você seria meu de muitas formas. Desde que te vi estacionando seu Mustang igual um puta macho atrás do outro carro, soube que eu teria que te ensinar muitas coisas. Desde que vi a curvatura das suas costas, tão fraca, tão cansada, tão saciada, senti tanta pena de você que decidi me aproximar. Não foi você quem me encontrou, fui eu que sempre estive, a única dona do acaso. Além de tudo, te senti crédulo, cheio de fé, isso me fez te achar encantador. Te segui até o shopping, te segui até o show, te segui até o cinema, e lá um dos meus caras, aquele que tá metendo a pica na sua mulher no cu, esse impediu que alguém entrasse no banheiro enquanto eu me dedicava a descobrir se sua fisionomia é do meu jeito. Você viu as picas daqueles dois? São grandes de verdade, bem retas, e cabeçudas, acredite, sua obsessão por língua pontuda não é nada comparada à minha de ter uma pica exatamente como aquele par tem. Nesse instante, sua mulher tá sentindo que fica louca de prazer com esses dois, eles sabem o que fazer quando tão fodendo alguém num sanduíche assim, eles brincam com a fina distância entre os paus, roçam as cabeças, e com isso te fazem gozar como nunca, sei disso porque aprenderam esse truque nas minhas cadeiras. Sua obsessão por língua, que é algo muito fácil de adivinhar, não é nada. Já deixei muitos homens, homens realmente encantadores, pelo simples detalhe de não terem o pau do meu jeito, ou de não saberem mexer como eu prefiro. Você me atraiu pra te dar problemas, mas tinha que descobrir se era dos meus. No cinema, não fiz outra coisa senão avaliar, e com tristeza percebi que você não é como eu quero, sua puta genética não te ajuda comigo. O outro cara, o que tá metendo na Brendita pela buceta, esse é o mesmo que enfiava o dedo no mesmo buraco dentro do cinema. O que A putinha te disse que ele só tocou nela? Não te contou que enfiou dois dedos inteiros na buceta dela, né? Certeza que ela não falou nada disso. Posso garantir que ela virou mulher naquele dia, e sei disso porque eu estava aqui, exatamente onde você está sentado agora, vendo como você e aquela vagabunda se consolavam. Você também nasceu ali, me deve isso, você também nasceu como homem, porque antes disso era um saco de batatas sem iniciativa, sei porque vi vocês depois que te conheci. Sempre estive por perto, lembre-se. Esse que tá metendo a boca na sua namorada é o ladrão que invadiu pra roubar seu retrato, porque ele acha, e com razão, que é bem capaz de foder sua namorada com o porta-retratos na mesinha. Esse é também o repórter que tirou aquelas fotos lindas que você com certeza revelou, que com certeza guardou pra ter um pedacinho de mim. O que tá metendo a pica na sua namorada é o garoto do carro, ele diz que sua futura esposa é fácil de levar pra cama, que não resiste a ninguém com um pau maior que o seu, o que não é tão difícil assim. Diz que adora a rola mas é egoísta, que só quer se satisfazer, que precisa aprender muita coisa pra ser uma boa trepada, que o dinheiro cega o escrúpulo dela e abre as pernas. Mas não se preocupa, com o que tão fazendo, vão deixar ela bem em forma, tão abrindo não só o cu dela, mas milhares de possibilidades. Eu chamei a polícia, eu mandei a Brenda ir na sua casa quando eu estava lá, tudo que acontece é meu plano. Não se mete comigo. Não tenta me foder porque eu sou Pandora e na minha mão tenho a caixa maldita completamente aberta. Até hoje vou ficar perto de você. Nada do que você chama de amor entre nós é verdade, eu sou só a mulher do futuro, mais forte e voraz do que você imagina. Tô muito longe das idiotas que você tá acostumado, você não tá no meu nível, ainda precisa crescer. Hoje você me esquece. Tem duas opções. Ficar aqui, esperar eles se Solta, te desamarrar, voltar pra casa odiando a Brenda, se sentindo um merda por nunca poder me ter, levando anos pra aceitar tudo que aconteceu, ou então, entrar naquilo que você vê através do vidro. A gente tamparia os olhos da Brenda, você participaria do corpo dela, e do meu também, assim você teria ela de novo, que é uma mulher como você merece e no fundo te quer pra valer."
Viajando completamente como eu tava, aceitei a segunda opção. Ela ligou pro quarto seis e um dos caras falou pra Brenda que precisava vendar os olhos dela, enquanto a Pandora me fez jurar que não ia falar nem fazer nenhum barulho que me entregasse. "A Brenda tá igual você, bem chapada", foi a última coisa que a Pandora me disse.
Já no outro quarto, eu meti no cu da Brenda enquanto um dos caras fazia o mesmo na buceta dela, e assim fui revezando em cada buraco dela.
Se tem uma coisa que me irrita é ir nas lojas de telefone. São vários os motivos, o primeiro é que quem te atende sempre te olha com aquele ar de superioridade, como se estivesse te fazendo um favor ao prestar os serviços que eles prestam. O segundo motivo é que sempre tem filas enormes pra pagar a conta, que são quase inevitáveis porque o boleto nunca chega na hora certa pra você pagar no banco ou no supermercado. E pra piorar, o estacionamento é uma merda, com seis vagas que não comportam os carros dos setenta otários que vão ao mesmo tempo pagar a conta. Isso faz com que você estacione o carro e algum filho da puta sem noção estacione atrás de você e não te deixe sair. Mas não é só isso que pode dar errado, pode acontecer coisa pior, é só esperar pacientemente. Os problemas vão aparecer e pode ser que você passe a amá-los, desejá-los, pedi-los a Deus nas suas orações, sonhar com eles.
Naquele dia, tentei chegar bem cedo na loja de telefone pra evitar o máximo de encheção de saco possível. O foda é que metade da cidade pensou a mesma coisa e, mesmo assim, não me livrei da merda. Pra variar, as seis vagas do estacionamento estavam ocupadas, provavelmente pelos carros dos seis funcionários da companhia que não têm nenhuma restrição de não usar o lugar dos clientes fdps. Fiquei paralisado no meio da rua, tomando uns buzinacos, por três segundos que me custaram jogar minha moral no lixo e me convencer de que hoje eu ia ser aquele filho da puta sem noção que não deixa o cidadão de bem sair depois de estacionar direitinho na vaga.
Estacionei meu Mustang atrás de um carro horroroso. Volkswagen Sedán modelo 75, e embora meu carro também seja 75, por alguma porra de razão o meu é clássico e o fusca é uma lata velha. Devo admitir que me diverti zuando o cara da frente. Durante a fila, imaginei a cara dele quando saísse do escritório e visse um maldito Mustang atrás do Volkswagen dele, como se fosse um cachorrinho cheirando o rabo dele, ou melhor, o escapamento. Os ombros dele iam se retesar de raiva, depois cairiam como um perdedor, e de cabeça baixa ele voltaria pro prédio, atravessaria a pesada porta de vidro fumê e, com cara de otário puto, mas no fundo só otário, diria "Mustang vermelho. O dono de um Mustang vermelho, por favor, tire o carro". Todo mundo ia olhar pra ele e pensar que ele é um completo otário, e por alguma razão eu me moveria devagar feito uma tartaruga, ele fingiria estar razoavelmente puto, e mais ainda pela minha lentidão, e mesmo sendo eu o cuzão da história, todo mundo sentiria simpatia por mim, enquanto pelo outro sentiriam uma estranha compaixão.
Curiosamente, a fila andou rápido. Faltando duas pessoas pra pagar minha conta, senti que hoje não seria o dia em que eu ia ser insuportável. Enfim, passei, paguei, peguei o comprovante e fui pra porta de saída. Minha surpresa não podia ser maior quando vi que atrás do meu Mustang estava um Toyota Celica, quase novo, colado na bunda dele pra não atrapalhar na terceira fila em que estava. Levantei os braços puto e depois baixei num chilique, e de cabeça baixa feito um completo otário voltei pro prédio, atravessei a pesada porta de vidro e, com minha melhor cara de histeria, falei "Toyota Celica, o dono de um Toyota Celica verde oliva, por favor, tire o carro". Todo mundo me olhava como o imbecil que eu era. Três vezes repeti a mesma frase como se fosse um papagaio muito idiota, diferente da minha fantasia de zoação em que o dono do carro atrapalhando se moveria devagar mas com certeza pra tirar, no meu caso ninguém disse ser dono do Toyota.
Mais puto do que antes, saí do prédio. oficina e me encostei na lateral do meu Mustang, esperando que o filho da puta do dono daquele Toyota Celica tirasse o carro pra eu poder sair. Depois de dez minutos perdendo a paciência, olhando pra todo lado, contando quantas bundas passavam na avenida e torcendo pra não cruzar com nenhum conhecido que me reconhecesse nessa merda de situação, depois de localizar cada loja na frente, depois de pensar se valia a pena almoçar enquanto esperava o cretino do Toyota aparecer — até porque do outro lado tinha uma barraca de almoço e um monte de gente comendo com gosto —, fui caminhando na direção da comida, esperando que uma cadeira ficasse livre, afinal tinha que tirar de letra essa situação chata pra caralho. Ficava olhando os pratos de quem comia nos banquinhos individuais e altos da barraca de rua. Do outro lado da rua, o Toyota ainda estava atrás do meu Mustang. Olhar os pratos era pra decidir qual misto escolher quando sentasse, além de calcular quem terminava primeiro. Todo mundo comia como se estivessem ganhando pra demorar, e a mais adiantada era uma mina baixinha que comia igual um esquilo — até que valia a pena ficar perto dela porque exalava um cheiro doce que eu não conseguia identificar, além de ter umas cadeiras bem aceitáveis. Ela mastigava de um jeito estranho, como se estivesse rindo de alguma maldade que tava fazendo ou lembrando naquele momento, como se estivesse mastigando pequenos liliputianos. Vi a mina esquilo limpar a boca com um guardanapo, pagar e tirar do bolso umas chaves de carro. Ela levantou do banquinho e notei que era realmente muito baixinha, não era uma anã, mas parecia uma gostosa em escala 70:100 — os saltos dela elevavam ela pra normalidade. Eu sorri, acho que não pegaria uma mina tão diferente assim. Prestei mais atenção: as chaves eram mesmo de um Toyota. Minha mente virou uma panela de pressão só de pensar que a tipa tinha estado vendo-me histérico e irado e que isso não fizesse nada pra apressar a velocidade das mandíbulas dela. Bom, nada tava dito, ela podia ser dona de outro Toyota e não daquele que tava esfregando a bunda no meu Mustang.
Assim que ela tentou abrir a porta do carro dela, que era sim o Toyota Celica verde oliva, senti a necessidade de falar qualquer merda, então corri largando meu lugar na barraca de comida, causei um raspão de pneu num carro que eu atravessei na frente na hora de cruzar a rua furioso e sem cuidado, abri a boca e falei:
— "O que você acha que tá fazendo colocando seu carro atrás do meu?"
Ela levantou um par de olhões pretos e cravou eles no fundo da minha alma e sem disfarce disse: — Te encher o saco.
— Me encher o saco...?
Não dava pra acreditar numa cara de pau daquelas, mas parei pra olhar a mina e do exame que fiz dos olhos dela tive uma visão estranha. Nessa visão o mundo era cruel e hostil, e no entanto a dona desses olhos não ia me encher o saco, ou pelo menos eu não ia ver assim. Ri nervoso e depois falei:
— Mas que putaria é essa que você tá armando...? — Olhei o corpo dela, magro demais pro meu gosto, quase um homem, com mãos curtas, talvez moles, uma cinturinha mixuruca e uns peitos de brincadeira, a boca carnuda e em cima dela um bigodinho leve que, se não era um mostacho, pintava de cinza o rosto dela, o nariz reto e comprido, mas com uma fenda na ponta, como se o nariz fosse o queixo de uma subcara que se instalasse na própria cara dela e esse queixo fosse um queixo partido.
Ela piscou um olho, sorriu e mandou minha mãe tomar no cu com um gesto da mão. Bateu a porta do Toyota, deu uma porrada no meu Mustang, deu ré e saiu voando. Tanta cara de pau me deixou tão paralisado que nem tive lucidez pra jogar uma pedra no parabrisa dela, cuspir no capô ou pelo menos dar um tapa no teto do carro dela. Durante o dia não consegui tirar essa cena da cabeça. Normalmente eu não me Acontecem coisas que são bem dignas de contar, mesmo que sejam experiências ruins. Não me acontece nada de bom, nem de ruim, me acontece o normal, o ordinário. Mas não consegui perceber que aquele encontro seria o começo das coisas que começariam a acontecer comigo, e que isso viria a revolucionar aquilo que eu achava que eram meus gostos bem definidos, minhas preferências.
Na minha mente, a imagem da garota do Toyota ficou gravada bem forte, e o que eu mais lembrava era a ambiguidade no rosto dela, me sorrindo agressivamente, como se estivesse buscando minha simpatia, enquanto a mão dela dizia "vai se foder, sua puta, enfia o dedo no cu, filho da puta".
Um segundo encontro foi totalmente acidental, estranho também. Por questões de ecologia, um dos grandes supermercados da cidade trocou suas sacolas plásticas por umas de papel. O papel, como se sabe, cede muito covardemente quando molha. Foi no estacionamento desse shopping. Eu não tinha visto ela, mas uma latinha rolou até meu pé. Sem hesitar, me abaixei pra pegar e ajudar quem quer que fosse o dono. Não só isso, mais e mais coisas rolavam porque uma sacola de papel tinha se desintegrado nas mãos de quem a carregava, e tudo se espalhava entre os carros. Quando vi o dono da sacola rasgada, reconheci: era ela, com o rosto suado de vergonha ou de calor, apressada. Não sei o que senti. Em teoria, eu a odiava, mas queria ajudá-la, queria esfregar na cara dela a falta de educação e xingar a mãe dela também, mas não fiz nada disso. Juntei as latinhas, os sabonetes, os abacates e as caixas de camisinha...
Ela arrancou as coisas que eu entregava, como se eu estivesse roubando. Fiquei com cara de idiota. Ela foi embora e não dissemos nada. Só nos olhamos nos olhos, e tudo escureceu por dentro. O gosto na boca foi estranho. Acredito no destino, e isso, de alguma forma, era um tipo de destino.
O terceiro encontro foi onde as coisas começaram a acontecer. Não disse nem meia palavra, mas eu tinha uma namorada, como quase todo mundo. O nome dela era... Brenda era alta, loira, de corpo firme e, no seu lugar, muito gostosa. As cadeiras dela faziam qualquer um perder o rumo, e ela era bem fogosa. O que eu mais gostava nela era vê-la enquanto me chupava o pau. Os lábios carnudos dela se abriam de um jeito voraz, e a língua era comprida e pontuda, tão comprida e tão pontuda que eu sentia como se fosse um réptil abraçando meu pau com a língua, que era por sua vez outro réptil menor e independente. Enquanto me chupava, ela olhava nos meus olhos e sorria, sem parar de mamar. Embora chupasse deliciosamente, tinha seus poréns: odiava gozo na boca e ficava tão excitada enquanto a gente transava que o sistema nervoso dela desligava, travando, ficando bem imóvel. A buceta dela não era muito carnuda, mas apertava muito bem. Isso da língua é importante, porque, entre minhas manias pra escolher garota, está a de que tenham mãos compridas e que a língua também seja comprida e pontuda. Por quê? Não sei, mas é fato que compro um sorvete pra elas só pra ver como devoram, como lambem, e, principalmente, pra ver a anatomia dessa língua. Brenda sabia dessa fixação, tanto que, quando pedia pra transarmos, não usava palavras: só mostrava a língua afiada e mexia rápido e cortante como uma cobra.
Aquela vez fui ao cinema com a Brenda, que é bem sem noção com horário. Chegamos e o filme já tinha começado. Além disso, era estreia de "Amores Brutos", que tinha tido boa propaganda. Tivemos que ficar no fundo da sala, encostados numa gradezinha. Quando entrei no cinema, me pareceu ver a silhueta da garota do Toyota, então prestei pouca atenção no filme, passei o tempo todo procurando ela quase sem parar. Bateu o intervalo.
— Vou pegar algo pra comer, você enquanto isso aproveita que acenderam as luzes e vê se tem algum lugar pra sentar. — Falei pra Brenda.
— Tá bom, amor —
Na real, eu queria ficar sozinho pra olhar pra todo lado e ver minha velha. Amiga, a gente já se conhecia fazia quase um mês e, pra ser sincero, não passou um dia sequer que, saindo na rua, eu não esperasse trombar com ela. Olhei pra todo lado e não vi ela. Mas o ar tava estranho, com certeza ela tava por perto.
Entrei no banheiro pra mijar e, enquanto tava aliviando a bexiga no mictório, vi que do meu lado tava ela, em pé igual um homem, mijando igual um homem, mas parecendo uma mulher bem sem graça. Eu não tive coragem de espiar o mictório dela pra ver se tinha um pau ou se ela tinha uma habilidade do caralho de mijar em pé sem molhar a calça. Ela, por outro lado, deu uma olhadinha no que eu tava segurando na mão, avaliou, mas nada no rosto dela me deu pista do que ela achou.
Mesmo me sentindo meio sem graça, não falei nada. Sem pensar, percebi que meu pau tava mijando sem muita convicção, mas o que começou a fazer com toda convicção foi inchar. Eu não queria entregar meu tesão. Mas meu membro não obedecia minhas ordens racionais, e foi crescendo. Ouvi ela fechar a braguilha. O banheiro tava vazio, dava pra ouvir uma briga lá fora, como se tivesse rolando problema.
Ela, porque até então eu ainda achava que era uma mulher, me pegou pela cintura e me enfiou num boxe privado do vaso. Sentou na privada depois de colocar a tampa e me colocou de costas pra porta, e começou a pegar no meu pau, com uma suavidade e força que me faziam gemer. Com as duas mãos, segurava meu pau e minhas bolas, fazendo um bolinho. Cuspiu na mão e colocou meu pau entre os dedos indicador e anelar, e começou a me bater uma punheta foda. Finalmente meu pau tava no tamanho máximo. Sentia um aperto nos ovos e a porra começava a tocar as trombetas pra iniciar a marcha de guerra. Pra minha surpresa, ela parou de me bater punheta. Olhou pro meu pau e analisou. Fez cara de tristeza, de uma decepção enorme, tipo melancolia pura. Levantou da privada, abriu a portinha e saiu do banheiro. Nada. Saí e entrou uma avalanche de filhas da puta que pareciam estar segurando o xixi há um tempão. Olhei pra eles estranho, por que não entraram antes se tavam morrendo de vontade de mijar? Eles me olharam estranho também, e não só isso, ainda xingaram minha mãe, "filho da puta", diziam. Só então percebi que me achavam estranho porque eu tava estranho, assim, parado na frente de um vaso com a tampa fechada, com o pau durasso e pra fora da calça.
Saí do banheiro pensando que Brenda com certeza ia desconfiar que demorei demais. Comprei pipoca e refrigerante e me apressei, porque as luzes da sala tinham apagado de novo. Com certeza eu tava parecendo muito doido, mas mesmo assim não ia contar nada pra ela. Ela não sabia nada sobre essa estranha, não tinha contado a parada do estacionamento e muito menos a das latas, e claro que não era hora de contar sobre essa mulher agora. Com cara de hipócrita, entrei na sala escura do cinema, ia dizer que tava me sentindo mal do estômago ou algo assim. Pra minha surpresa, Brenda não tinha achado lugar, ainda tava em pé na grade do corredor do fundo do cinema. Caminhei devagar, puto da vida, olhando besta pra um filho da puta massageando a bunda dela com calma, tocando com toda a intenção.
— Mas que porra é essa? — Gritei.
No cinema, começaram a me vaiar, "Shhh", "Cala a boca", "vai brigar na sua casa, filho da puta", o cara correu e sentou sei lá onde.
— Como assim ele toca na sua bunda e você não fala nada? — falei num tom quase inaudível.
— Não fica bravo — disse Brenda com cinismo — Tamo em pé no fundo da sala, passa muita gente, alguma vai roçar na sua bunda, não vou brigar com o mundo inteiro.
— Mas o cara não roçou na sua bunda, ele tava passando a mão.
— Quem vai saber mais, você que não sei o que viu no escuro ou eu que sou a dona da bunda?
"Vão se foder e calar a boca" gritou alguém no cinema. Todo mundo riu.
— Viu só? — disse Brenda fingindo indignação — Me faz passar vergonha. Nada disso teria acontecido se você não tivesse demorado tanto no banheiro. O que você tava fazendo? Pariu um lagarto ou bateu uma punheta?
Não respondi mais.
De volta pra casa, eu ia hipocritamente indignado. Pra ser sincero, o que ela fez foi menos grave do que o que tinha rolado comigo no banheiro, porque ela com certeza não reparou quem era o mão-boba, e só achou aquela apalpada um abuso gostoso. Não acreditei no discurso dela, porque vi clarinho como ele tava tocando ela, deve ter enfiado o dedo na buceta, e eu demorei tipo um minuto pra falar alguma coisa, além disso ela jogou a bunda um pouquinho pra trás. Mas também não ia ficar cheirando os dedos dos caras que estavam no cinema. No entanto, ficou claro pra mim que entre a mina do Toyota e eu já tinha algum tipo de obsessão.
Aproveitei a culpa da Brenda, que sugeriu compensar a pouca falta que tivesse rolado. Fomos pro nosso hotel favorito, quarto seis, como sempre, em homenagem ao filme "A Insustentável Leveza do Ser", onde eles entram na porta seis por ser o número do amor no Tarô, e ela me deu um boquete de primeira. Fodi ela com uma agressividade fora do comum, o corpo dela ficava muito quente. Pela primeira vez na vida soltei um xingamento pra uma mulher enquanto fodía ela. Não é nada demais, mas era extraordinário pra mim. "Vou te tratar como a puta que você é" foi o que eu disse, e ela pareceu ficar excitada por ter sido batizada de puta, então quase no final da foda, desgrudou os quadris do meu pau e se ajoelhou, começou a me chupar, a língua dela se mexia com o nervosismo de uma chama de isqueiro bem irregular, a boca dela era uma matriz cósmica, quente, excitante. O incidente do banheiro tinha estimulado demais minhas glândulas, feito meu corpo criar reservas de porra pro meu pau fodido, e mesmo assim aquela porra não tinha sido derramada. Eu, sabendo que não ia conseguir dormir com tanta carga de cum no corpo, teria que bater uma no banho da minha casa, mas a história tinha entortado, e estava aqui Brenda, me chupando numa quarta-feira sendo que só fazemos isso nos fins de semana, e ela agitava a mão como se não pudesse esperar mais para receber uma chuva de porra. Contra todas as expectativas, ela começou a me fazer gozar na língua dela, na boca dela, jorros e jorros de cum vulcânico começavam a inundar toda a boca e língua dela, que se movia com mais agressividade do que nunca. Depois que eu parei de jorrar, ela continuou me chupando, até deixar meu pau mole.
Não dissemos nada. Ela era agora uma puta assumida, eu o cafetão dela. Fui deixá-la em casa e ela comentou, depois de um silêncio ensurdecedor, que tinha gostado muito do sexo de hoje, que eu tinha sido mais forte, que pra ser sincera ela desejava em segredo que aquilo acontecesse, que eu fosse mais malvado, mais ousado. Eu não disse nada. Sabia que aquela mudança de normal pra agressivo não era espontânea, que tinha sua causa encarnada numa mulher baixinha que, longe de me fazer feliz, parecia me sabotar. Agora Brenda já deixava eu gozar na boca dela, mas eu só pensava no boquete que a garota do Toyota não tinha me dado.
Depois de uma semana em que eu não era eu mesmo, mas outro, vi a garota de novo, mas dessa vez não estava sozinho, estava com Brenda, que parecia mais apaixonada por mim depois que eu a tratava como uma puta. Era um show de um grupo pop que a Brenda gostava muito, embora eu detestasse. Lá estava a garota, e eu tinha a impressão de que ela não estava ali por gostar do grupo, embora também não fosse tão pretensioso pra achar que estava ali por mim.
Enquanto ouvíamos o grupo, senti que atrás de mim uns peitinhos pontudos grudavam em mim, sentia que mexiam na minha bunda, uma perna roçava a parte de trás dos meus joelhos. Não precisei virar pra saber de quem era. Brenda segurava minha mão esquerda. Toda vez que alguém passava por trás das pessoas que estavam atrás da gente, empurravam um pouco a Brenda, enquanto a mim empurravam muito, quase me fodia a mina do Toyota toda vez que passava por isso. Na primeira vez, a Brenda não falou nada. Na segunda, ficou puta. Na terceira, mandou a gente se mudar. Na quarta, depois de ver que a mina do vestido vermelho tinha me seguido igual um satélite, ela se exaltou e falou:
— Mas o que você pensa que é? — E deu um empurrão nela.
A baixinha respondeu o empurrão com outro. Começaram a brigar. — Bate nela, Raul — a Brenda gritava quando a mina pulou em cima dela, e eu não fiz nada. Não sabia o que fazer, pra ser sincero, respeitava as duas igual.
Nos expulsaram do lugar por causar confusão. Lá fora, a mina foi pro estacionamento, se abaixou, pegou um punhado de barro e jogou em cima do meu Mustang. A Brenda ficou furiosa e começou a gritar comigo, entre outras coisas falou: "Suja o carro dela também". Peguei barro, corri cinco carros pra frente e despejei a lama em cima do Toyota. A mina chegou depois, entrou no carro e, como sempre, arrancou na velocidade.
Quando voltei pra Brenda, ela tava possessa. — Deve ser uma doida, não deixa o ódio te consumir por uma estranha que não vale a pena — falei, tentando ser compreensivo.
— Que tão estranha é essa mulher?
— Como assim?
— Não se faz de idiota. Que tão estranha é essa psicopata?
— Acho que totalmente estranha.
— Como ela sabia que esse Mustang é nosso? E pior, como você sabia que aquele carro verde era dela? Vocês se conhecem? Tão se pegando?
Totalmente encurralado, respondi: — Tudo começou...
— Tudo? Tem um "tudo" entre vocês?
Contei a história do escritório de telefonia, mas escondi a do depósito e, claro, a do cinema. Fui pouco convincente e a Brenda continuou me perguntando. Contei mal contada a história do banheiro do cinema, onde não falei que ela me bateu uma punheta, nem que tinha olhado pra minha rola, só disse que estranhamente ela tinha entrado no banheiro masculino, que era perigoso e que era um viado, mas isso só piorou as coisas, porque pra ela foi muito óbvia a minha demora naquele dia e, principalmente, a mudança na minha atividade sexual. Ela me julgou e me condenou. culpado de mentir. Ela me deu um fora na hora, parou um táxi e foi embora depois de cuspir no meu Mustang.
Como nos filmes do Stanley Kubrick, sempre tem uma primeira metade da história e uma segunda metade, as segundas metades sempre guardam mais estridências que as primeiras. A segunda metade começou num domingo, pra ser exato no segundo domingo depois que a Brenda tinha me largado. Saí de manhã pra comprar porra e na frente da minha casa estava estacionado o Toyota Celica. Procurei por todo lado e não vi ela. Assim, o Toyota Celica ficou o domingo inteiro e a segunda-feira inteira na frente da minha casa. Na segunda à tarde a Brenda ligou e só me dedicou seis palavras pra depois desligar: "Você é um filho da puta cuzão", não consegui dizer nada, a verdade é que minha mãe já foi chamada de puta muitas vezes desde que a garota do Toyota apareceu na minha vida. "Te dar problemas" ecoou na minha cabeça.
Nem preciso dizer que durante o domingo e a segunda fui um inútil pra tudo, só ficava de olho pra ver quando ela ia aparecer pra pegar o carro, sem saber pra quê. Pensei nela esses dois dias inteiros, era uma presença absoluta, era como um Deus que tá em todo lugar. Na madrugada de terça o carro tinha sumido. Fui pra delegacia pra denunciar o roubo, mas depois pensei no idiota que eu era, se o carro não era meu, nem sabia o nome da dona, que podia ser quem tivesse dirigindo ele agora.
Na quarta, quando voltei do trabalho, encontrei a entrada da minha casa arrombada, tinham entrado mas não roubaram nada, só um porta-retratos com uma foto minha e da Brenda, onde a gente aparece se amando muito. Mas duvido que a Brenda fosse capaz de entrar assim na minha casa, porque ela não me devolveu a chave, que necessidade de arrombar a fechadura, além disso, se fosse uma coartada, seria idiota porque ninguém roubaria só o porta-retratos. Comecei a ter problemas.
Depois de ver minha casa toda revirada, ou pelo menos bagunçada, já que nada estava quebrado, comecei a pensar seriamente em tudo que estava rolando. As coisas pareciam cena de filme de confusão. Além disso, eu tava perdendo uma namorada de dois anos, com quem sempre tive uma comunicação bem aberta, com quem me entendia cada vez melhor na cama, com quem tive uma última noite muito promissora sobre um catálogo enorme de loucuras que podíamos fazer. E ainda por cima, tinha certeza de que a amava e que ela me amava. E o que eu ganhava em troca? A presença sombria de uma desconhecida, perturbadora, sim, mas destrutiva. Como sempre, nossas coisas refletem como a gente tá por dentro, do jeito que sua casa tá, assim tá seu coração. Meu coração tava violado, saqueado, ultrajado, e a causa, igual ao suposto roubo da minha casa, era, com quase toda certeza, a mulherzinha do Toyota.
Liguei pra Brenda e expliquei que não tinha nada a ver com tudo aquilo, falei que na real a garota em questão tinha tão pouca importância que achei inútil ou até irritante contar o que rolou, que ela entendesse que me deu pena contar como fui idiota no estacionamento da central telefônica, como foi burrice ser educado com a mina quando ela era toda apática, e que a parada do show foi loucura dela, não minha. Ela acreditou pela metade, mas ficamos em bons termos, eu quase implorando de joelhos, ela toda superior me perdoando, etc., etc., etc.
Desliguei o telefone e me senti mais calmo, então prometi pra mim mesmo deixar a garota do Toyota em paz. A campainha tocou. Meu corpo tremeu de curiosidade nervosa e fui atender. Era a garotinha do Toyota. Fiquei paralisado por um instante com o cinismo dessa pivete. Ela devia ter dezenove, talvez vinte anos. Supostamente, relações pessoais são um tipo de jogo, mas o que acontece quando as regras desse jogo não são impostas pela gente? E mais ainda, o que fazer quando essas regras não correspondem a Nada que você já tenha jogado antes?
Ela entrou na minha casa sem minha permissão, como se precisasse disso. Começou a fuçar, tipo pra ver se os seus funcionários pilantras tinham feito direito o trabalho de bagunçar minha casa. Reagi e falei:
– O que você pensa que é? Entra na minha casa como se eu não pudesse te expulsar na porrada.
– Não prometa coisas que não vai cumprir.
– Mas que porra... para de falar como um profeta e vaza, quero você fora da minha casa e da minha vida, me evita se me ver na rua, me considera seu inimigo, sente nojo de mim, me aponta como aquele que você mais odeia, você é a pior estranha que eu conheço.
– Meu nome é Pandora.
– Como se eu ligasse.
Ela se jogou em cima de mim, feito um lutador, me abraçando. Tinha que ver essa cena, que com certeza faria qualquer um rir, até eu tinha dificuldade de imaginar. A mina se atirando na minha cintura e me enlaçando com os braços, como se eu fosse um dos Beatles e ela uma fã americana que conseguiu furar a segurança no meio do show do Hollywood Bowl, e aqui está o mais incrível: eu tentando me livrar dela com os braços, empurrando, tentando soltar, separar, e ela se agarrando mais, eu tirando ela de cima. Sempre pensei que me deixaria ser amado por qualquer mulher, a menos que fosse muito feia, e no entanto aqui estava uma garota promissoramente gostosa, histérica, pirada das ideias, me abraçando como um polvo, dopada pela própria hormona, e eu numa luta greco-romana com ela, tentando me livrar. Ela me deu um beijo com o batom vermelho, e com a língua lambeu meu pescoço.
Como se já não bastassem os problemas de ter escrúpulos demais pra dar um soco nela e acalmar a situação, na porta apareceu nada mais nada menos que Brenda, que só viu minha boca manchada de batom, e como a garota me prendia feito uma jiboia, isso foi o suficiente pra ela levar as mãos ao rosto, chorar pra caralho, e sair correndo da minha propriedade.
Aí sim eu fiquei puto. Apertei os braços da Pandora com tanta força que com certeza iam ficar roxos. hematomas. Também me chocava começar a vê-la como Pandora, tão familiar assim. Fui puxando ela e aos poucos a separei dos meus ombros, ela caía cada vez mais no chão. Achei que tinha conseguido até ver que o que eu tinha alcançado era obra do capricho dela. Vai ter que ver! Com os dentes, ela abaixava o zíper da minha calça. Com uma mão, arriscou deslocar o braço esquerdo enfiando ele entre o cinto da minha calça e minha cintura. Firme como estava, já não usava as duas mãos, com uma me beliscava as costas, o que me fazia usar uma das minhas pra tentar arrancar o beliscão, e a outra mão ela usava pra tirar meu pau da calça. Engoliu meu membro como baleia que devora plâncton. Começou a chupar e chupar com força, a boca dela era meio inexperiente pra essas paradas, porque os dentes dela viviam batendo na minha carne. Escorria saliva como se fosse um cacto aberto no meio e devorava. A luta não podia ser mais ridícula agora, eu tentando afastar ela de um jeito idiota e ela sem ligar pra minha opinião, porque a única opinião que ela parecia entender era o quanto meu pau tava ficando duro. Aqui vou me permitir citar dois artigos legais que pesquisei depois, por mais absurdo que pareça. Comete o crime de estupro quem tem acesso carnal com uma pessoa, seja homem ou mulher, por meio de violência física ou moral, e contra a vontade dela. Comete o crime de exposição imoral a pessoa que, por si ou por terceiros, realize exibições obscenas. Eis que essa mina tava me estuprando, e além disso a Brenda tinha deixado a porta da entrada aberta, então qualquer um que passasse veria ela mamando meu pau. A violência da boca dela, a fome, o desespero, me davam uma chuva de sensações que eu nunca tinha sentido, me sentia escolhido, único, me sentia um objeto sexual, eu que a vida inteira tive que convencer as garotas a me amarem, eu que sempre tive que ser simpático, agradável e um bom partido, eu que Sempre pedi, agora eu era presa de um predador da minha própria sexualidade, e eu gostava, gostava da sensação de provocar uma loucura dessas nessa mina. Parei de beliscar, parei de afastar ela, segurei a cabeça dela, podia arrancar fora se quisesse, mas não queria porque eu tava gozando no pescoço e no peito dela. Ouviu-se uma sirene:
— Vocês vão ter que ir com a gente pra delegacia. — Disse o policial.
Em vez de berrar de prazer como eu queria, falei com a voz trêmula, extasiada:
— Mas é minha casa, posso fazer o que eu quiser.
— Menos isso com a porta aberta, filho da puta. Faz o que mandaram e não sai ferido, beleza? Mexam-se os dois. A senhorita aí limpa esse pescoço e essas bochechas.
Então fomos detidos na viatura, daquelas caminhonetes com carroceria e capota. Ela sentaram num banco e me algemaram num cano. Ficamos sentados juntos e eu não tava nem um pouco a fim de falar qualquer coisa com ela. Vinha na carroceria um sujeito esquisito com uma câmera no pescoço, juro que o bigodinho ridículo dele era falso.
— Posem pra foto, amigos. — Falou o cuzão.
Pandora se encostou em mim e se aninhou com um sorriso, CLIQUE, ouviu depois de um flash. Eu empurrei ela pra longe.
— Você é repórter, né?
— Claro.
— Essa foto é minha.
— Eu sei.
— Não vem de palhaçada, quero dizer que você vai ter que me entregar.
— Nem sonha, é parte da minha matéria.
— Minha matéria! Que matéria é essa? Você não sabe que em caso de estupro não pode divulgar nem os nomes?
— Pera aí, isso sim que salva minha noite. É estupro? Deixa eu ver, esse anjinho te estuprou? Ela com dezoito, talvez menor, te estuprou, você que tem fácil uns vinte e cinco. E você não conseguiu fazer nada pra evitar? Isso vai vender pra caralho.
— Calma, não sou advogado, na real nem sei por que fomos detidos.
— Amigão, se me der uma boa grana, esqueço que isso é um estupro, mas como amigo, não vou. Recomendo que fale essas merdas na delegacia. Sabe quando vão prender essa belezinha? NUNCA, e você vai ser o palhaço pra SEMPRE. Com certeza vão acreditar que a mina mandou o seu pau inchar.
Fiz o acordo financeiro. Fiquei na merda do olho da rua só pra comprar aquele rolo de filme. Putaria de vida, eu trabalho quinze dias pra receber e esse filho da puta leva 80% do meu salário em troca de uma foto oportunista e a promessa nada confiável de calar a boca. Nos desceram na delegacia e levaram pra um gordo inspetor de investigações preliminares.
— Por que vocês estão aqui? — Falou o inspetor, deixando muito a desejar.
— Não sei. Tem que perguntar pros oficiais.
— Porra nenhuma. Enfia esse casal na cela, e manda chamar o Padilla e o Ortiz.
Nos levaram pra um quartinho que cheirava a vômito e mijo. Lá, senti uma mistura de nojo com estranheza. Fiquei olhando pra Pandora, que parecia bem tranquila, como se esperasse o desfecho das coisas, segura de que era besteira se preocupar em estar ali, totalmente convencida de que só faltava deixar o relógio correr.
— Por que você faz isso comigo? — Perguntei sem pretensão de ser juiz.
— Você merece viver melhor.
— Isso pra você é melhor? Acha essa masmorra melhor que minha casa? Acredite, você é louca e quero você fora da minha vida.
Não imaginei que ela começasse a chorar com tanta dor. O corpinho frágil dela parecia mais quebradiço do que nunca.
— Olha, isso me faz muito mal. Não quis te machucar, mas desde que te conheci só tive problemas. Eu vivia muito feliz...
— Você vivia muito estável, só muito estável.
— Fala o que quiser, mas isso não é o que eu quero.
— Se sua felicidade estivesse nas suas mãos, você já teria conseguido. É tão ruim assim que eu te ame?
Que papo de cela, hein! Fiquei muito mexido com aquela garota. O erro dela era causar atrito na minha vida, mas e se ela tivesse razão? Talvez minha vida estivesse caminhando tranquila demais, possivelmente num Ano que me casei com a Brenda, se é que ela me perdoa essa "segunda ofensa", talvez a gente tenha dois filhos, venda o Mustang e compre uma perua mais família, crie um cachorro bem caseiro, com sorte até compre um canário, ou eu comece a gostar de novela, e por aí vai. Deixei de lado toda minha aversão e falei que não sabia nada da vida dela, que ela se metia deliberadamente na minha vida, que agora me dizia que me amava e ainda assim continuava sendo uma estranha. Ela ia começar a falar, mas vieram uns guardas e levaram só ela. "Depois te conto", foi a última coisa que disse. Me tiraram depois.
Voltei pra minha casa e senti ela incompleta. Brenda não atendeu o telefone. Dormi tendo muitos pesadelos, neles Brenda e Pandora faziam amor, e Pandora tinha um pau monstruoso com o qual furava o cu da Brenda, que gritava de forma angustiada mas submissa. Tendo ela assim, de quatro, a empurrava com força e a cada estocada se ouvia um grito. Brenda, cega pela possessão carnal, inclinava o corpo até os lençóis, que mordia com raiva, enquanto Pandora aproveitava essa cegueira pra sacar um canivete afiado, e na tela que era a costa branquíssima e perfeita de Brenda, tingia a ponta de feridas um retrato que não era nada mais que meu rosto rindo.
No dia seguinte joguei no lixo o rolo caro. Depois tirei ele do cesto de lixo, sem saber por que levei pra revelar. A revelação saiu mais cara do que eu esperava, porque as imagens não eram lá muito publicáveis, mas do tipo obsceno. Paguei elas. Minha surpresa foi grande por várias questões. Vale dizer que o lugar onde revelei as fotos fica em frente da catedral, também tem que prestar atenção que o calor na cidade estava sufocante naquele dia. Ambos os elementos justificaram eu entrar na catedral, que embora não tenha ar condicionado, suas paredes são tão grossas, suas janelas e tetos tão altos, que nos bancos do templo se Sinto um frescor delicioso. Ali, num dos bancos de pedra atrás do templo quase vazio, sentei pra ver as fotos que o repórter tinha tirado. Acabei me sentindo um blasfemo.
Na primeira, estávamos Pandora e eu, sentados na viatura, ela solta, eu algemado, ela sorrindo pra câmera, eu puto da vida, feito uma fera. Ela com o corpo todo virado pra mim, eu com os ombros pra fora, como se quisesse fugir. Tinha algo no olhar dela pra câmera, amor, ternura, intensidade, e ainda assim um toque maldoso. Os peitos dela apareciam bem gostosos. A segunda foto era nós dois também, nela ela engolia meu pau inteiro com a boca, os olhos dela revirados, como se estivesse numa baita embriaguez, enquanto minha cara era de puro prazer. Quem visse aquela foto nunca ia acreditar que eu tava tomando aquela mamada na marra. Tudo parecia muito estranho, pro repórter ter tirado a foto ele tinha que estar lá antes da polícia aparecer, porque os uniformados chegaram depois que eu tinha gozado. Numa outra foto aparecia um homem do lado da Brenda, dentro de um carro, metendo forte nela. Numa dessas fotos ela montava nele de frente, enquanto o cara sorria, sei lá se pra câmera, enquanto mordia um dos peitos dela por cima da blusa, noutra foto ela chupava o pau dele, e numa terceira foto ele comia ela de quatro e ela colava a cara no vidro, louca de tesão, apagando com a bochecha o vapor que tinha deixado a janela cinza de umidade. Outra foto era de um lugar, o Hotel Améyummy, que era o hotel que a Brenda e eu costumávamos ir, e a última foto era da porta do quarto seis, nosso quarto. A câmera era daquelas que marcam data e hora. A Brenda tinha me trocado anteontem às 21:35. E esse repórter, mais que um repórter comum, parecia um duende íncubo escapado de um filme de David Lynch.
No sábado, a Brenda me ligou, queria falar sobre tudo que aconteceu. A gente se viu na minha casa. Ela tava muito confusa, dizia, e mesmo sentindo que tinha motivos pra estar puta comigo, não conseguia me esquecer, que tava percebendo que o tempo que a gente teve como casal mostrou que formávamos um casal bonito, que não tinha porque perder uma relação tão gostosa. Afinal, ela dizia, que bom que as dificuldades surgiam pra testar nosso love, pra provar que nosso love é maior que as merdas que o destino pudesse jogar na gente. Enquanto ela falava, eu pensava no quão idiota tinha sido queimar o filme de fotos e as próprias fotos, exceto aquelas em que eu e a Pandora aparecíamos juntos. Vendo a cara da Brenda falando tão sincera, queria ter as fotos na mão, não pra jogar na cara dela, mas pra olhar com calma. E se não fosse ela? E se fosse só uma mina muito parecida, com um top de girassóis idêntico ao dela, com uns saltos idênticos aos dela, com uma pulseira igual, com uma bunda igual? Comecei a pensar que pelo menos ela não tinha me traído enquanto era minha namorada, mas sim naqueles dias em que a gente não era nada.
"Quero que você seja meu namorado de novo", ela disse como se tivesse implorando. Até se ajoelhou, mesmo não sendo necessário. Minha resposta foi ficar de pé na frente dela, deixando minha braguilha na altura da boca dela. Ela sorriu radiante, considerando aquilo como um sim, e engoliu meu pau, passando aquela língua mágica que ela tem. Ela tirou minha calça e começou a chupar minhas bolas, depois colocou meu pau na entrada da boca dela, como se fosse só mamar a cabeça, pra depois me agarrar pela bunda e empurrar meu quadril pra frente, enfiando meu pau todo na boca dela. Ficou assim por um tempo. Depois pediu pra eu tirar toda a roupa, e ela fez o mesmo.
Na coluna dela, na altura da cintura, tinha uma tatuagem que não tinha antes, uma pequena figurinha de uma aranha que na sua bolsinha gorda e preta carregava uma mancha, bem como se fosse uma viúva-negra e sua mancha vermelha fosse uma aranha menor, possivelmente seu consorte recém-devorado. Sentei no sofá e tinha meu pau bem duro, apontando pro céu, e ela se ergueu de cócoras sobre os almofadões do sofá, como se fosse uma nave que tivesse que pousar na lua, cuidando pra encaixar no abastecedor de combustível que jazia em terreno firme, e assim, devagar começou a se deixar cravar, envolvendo meu pau num fogo abrasador, terminando por me envolver inteiro, subindo e descendo com paixão. Peguei ela pelas nádegas e apertava, brincando com o vai e vem, roçando o cu dela de vez em quando com meu dedo indicador. Ela ficava mais e mais quente, deitei ela na borda do sofá e assim empinada comecei a meter forte. Ela gozou pra caralho, e eu, que já tava no ponto, tirei meu pau pra que o olho da minha pica beijasse a entrada do cu dela, e assim, sem penetrar analmente, esfreguei meu pau no cu dela, esperando que meu semen quente começasse a tingir de branco o esfíncter escuro dela, e assim foi, começou a jorrar minha porra, que saiu primeiro tão violentamente que uma gota de creme voou caindo bem em cima da tatuagem nova dela, enquanto o resto do semen dava de beber pra aquele cu que se retraía sedento.
Essa noite ela ficou pra dormir na minha casa, tinha mentido na casa dela dizendo que ia pra um acampamento. Fodi ela sem trégua durante essa noite até cairmos dormindo um abraçado no outro. Quando acordei, ela já não tava mais, a luz entrava pela janela e saborear a noite anterior me durou o tempo que levei pra ver que na mesa da sala estavam cortadas com tesoura o par de fotos minhas e da Pandora. O corte foi feito de tal jeito que nos separava, como se as metades fossem a silhueta de cada um de nós. Fiquei puto. Tinha sido um idiota em guardar essas fotos, em não jogar fora sabendo que a Brenda voltaria. Ela não atendeu minhas ligações durante o dia.
Pela Tarde da noite, o Toyota Celica estacionou na frente da minha casa. Pandora buzinou e eu saí pra perguntar o que ela queria. "Te encher de problema", respondeu numa piada que achei de péssimo gosto. Ela me convidou pra sair, pra uma surpresa, se eu tivesse coragem. Aceitei num transe quase hipnótico. Ela disse que, pra ser surpresa, eu teria que deixar vendar meus olhos. Mesmo sabendo que era um risco com essa esquizofrênica, aceitei.
Durante o caminho, fui ouvindo a voz dela cantando as músicas que tocavam no rádio, sentindo a mão que não segurava o volante tocando minha perna, minha mão, sentindo como puxava minha mão pra colocar na coxa dela, embora tenha impedido que eu levasse até a buceta dela. As dúvidas voltaram a me assaltar: será que entre as pernas dela tinha uma buceta ou uma rola?
Chegamos num lugar que eu tentava em vão identificar pelo cheiro, porque, embora familiar, cheirava a qualquer hotel. Entramos num quarto, ouvi ela fechar as duas trancas da porta. Ela tirou a venda do meu rosto. Não tinha nada de especial naquele quarto; era uma suíte, mas uma suíte comum. Uma cama enorme, uma mesinha com duas cadeiras, espelhos nas paredes. Ela me convidou pra sentar nas cadeiras. A gente ia conversar ali. A voz dela não era como sempre; soava mais grossa que antes. Me deu calafrio pensar que podia ser um homem, coisa que seria praticamente impossível, a menos que minha idade não fosse suficiente pra distinguir uma mulher de um travesti de primeira.
— Você deve ter muitas perguntas. Qual é a que você mais quer responder?
— Por que eu?
— Porque eu gosto de você e sempre pego o que eu gosto.
— Mas você não pediu minha opinião.
— Sua opinião é algo que você tem me dado o tempo todo. Não passou um segundo sem que você parasse de pensar em mim, você sai na rua e isso é só mais uma chance de trombar comigo, até nos seus sonhos você me chama, e acredite, sou muito sensível a isso. Ser o objeto de paixão de um homem. Só estou retribuindo o favor pensando no momento em que você vai me abrir por completo, me encher de carícias, me aproveitar inteiramente, ou seja, estou retribuindo o favor pensando nesse momento.
Ele serviu chá em duas xícaras que estavam ali e começamos a beber. Nunca gostei de chá, mas aquele eu bebi cegamente, como se fosse a primeira das ordens que eu teria que cumprir. Bebi várias xícaras. Comecei a me sentir meio relaxado, visceral, intenso.
— De que é esse chá? — perguntei.
— De maconha e outras ervas.
Poxa, agora eu estava até drogado! A verdade é que sempre achei a ilegalidade da maconha algo muito injusto, considerando que álcool e tabaco andam por aí sem nenhuma restrição, sendo que não são mais nobres que a cannabis. Mas não gostava da ideia de estar drogado sem ter consentido, embora, pensando bem, essa maneira covarde de fazer "sem saber" é a que melhor cai pra gente covarde como eu.
Ela se levantou da cadeira, parou na minha frente, desamarrou o laço do vestido e o abriu como se fosse uma laranja exibicionista, deixando ver que estava nua, perfumada, branquíssima, com a buceta cheia de um pelo grosso e abundante. Uma mulher, felizmente. Parecia um anjo inacabado, inocente, frágil, ainda sem virtudes, ainda sem asas, lindo. A erva estava começando a me fazer sentir o dom de enxergar a beleza, de um jeito que comecei a olhar pra ela como nunca tinha visto uma mulher antes. A pele dela parecia brilhante, como se fosse um pedaço de sol, e cada poro me parecia tão vital que quase ouvia o silvo calmo que fazem ao respirar. O cheiro dela me embriagava por completo, enquanto eu sentia um calor intenso no corpo todo. Sentia que cada sopro de ar batia em cada um dos meus pelos, como se fossem palmeiras dançando na beira de uma praia prestes a virar furacão, enquanto meu sangue virava uma... Rede complexa de rios que avançavam numa ebulição incessante, banhando meu corpo por completo.
Tocá-la foi uma sensação elétrica, seus peitos eram um par de vulcões que se moldavam aos meus dedos, resistindo com força própria à pressão deles. A cintura, a bunda, as pernas, os pés, as mãos, o pescoço, as orelhas — tudo precisava ser beijado. Ela me deitou na cama, deixando que meu pau se erguesse como o mastro de uma bandeira ausente, e esticou a língua, molinha, sem ponta, e começou a tocar minha glande com ela. Eu sentia como se um caracol do inferno estivesse passeando pela cabeça do meu pau, ou pelo menos um pedaço de lava consciente. Com a boca, começou a me chupar, primeiro meio mal, parecia que ela tava afiando meu pau num apontador, mas de repente o lápis começou a gostar do apontador. Ela me mordia, me chupava, me lambia, e cada uma dessas ações ela curtia pra caralho. A mão dela apertava minhas bolas num beliscão que me excitava demais. Ela me levantou e me colocou de quatro, enfiou a cara debaixo das minhas pernas e continuou chupando. Do meu pau foi pras minhas bolas, e dali pra aquela carne entre o cu e as bolas, me mordendo, e quanto mais me mordia, mais meu pau endurecia, balançando como a espada cantante de um desenho que eu vi. Ela se ajoelhou, e a falta do contato da boca dela com meu corpo me fez perceber que ela tava olhando o mapa da minha bunda, memorizando minha pegada anal, e então senti uma mordida bem no meio do cu, a passagem de uma língua quente que fazia o trabalho de dilatar meu esfíncter.
Essa carícia era não só desconhecida pra mim, mas em outras condições eu provavelmente até evitaria que fizessem. Mas a verdade é que era maravilhoso sentir aquela língua percorrendo as rugas do meu cu. Ela percebeu que quando enfiava a língua no aro do meu cu, eu contraía a bunda, enquanto quando passava por fora, eu me abaixava mais, abrindo minhas carnes, o que deu pista de algo que é verdade: penetração não me chamava atenção, mas já a lambida de cu e a mordida nas nádegas, sim. Enquanto ela chupava meu cu, uma das mãos dela me punhetava com tanta raiva que quase gozei na mão dela.
Levantei e quis retribuir o boquete, colocando ela de quatro. O cheiro da buceta dela era doce, e o gosto também. Chupei a buceta dela com gosto por um tempão, e diferente do sexo oral que eu fazia na Brenda, onde ficava claro que eu fazia pra ela sentir prazer, mesmo que pra mim fosse tipo um sacrifício venial; com a Pandora, eu curtia por mim mesmo, sentindo a buceta dela como uma boca alienígena muito atraente que respondia ao meu beijo com um monte de reações. Depois, quis sentir o que ela sentia na boca quando comecei a chupar o cu dela, devagar e no ritmo primeiro, mais forte e fundo depois. Cada chupada no cu vinha acompanhada de um gemido de prazer que ela soltava com aquela voz divina. Ter ela ali, empinada, com as mãos abrindo as próprias nádegas, me deixou muito excitado. Levantei e comecei a meter de quatro, e ela se afastou violentamente de mim, apavorada.
Eu fui atrás, deitei ela de barriga pra cima com as pernas abertas, mas ela continuava com aquela cara de veado caçado. Brinquei com a buceta dela e a ponta do meu pau, e ela parecia estar gostando, mas quando eu penetrava, fazia cara de pânico. Me inclinei um pouco pra beijar ela, e quando a gente se beijava num beijo bem profundo, eu atravessei de novo, enfiando tudo. Ela não era virgem, e a buceta dela estava tão inchada ou tão acostumada a um pau imenso que era difícil entender o porquê do terror dela. O fato é que eu meti até o fundo e segurei ela pela parte de fora da perna e das nádegas, pra não deixar ela escapar. Ela esperneava que nem uma aranha, enquanto eu cravava meu ferrão de forma letal.
Era como se o corpo dela estivesse aberto pra penetração, mas a alma dela resistisse a se entregar por completo. Penetrei ela mais devagar, olhando nos olhos dela, reparando na cor que tinham, nos cílios, na umidade dela, e naquele instante algo cedeu, porque a alma dela parou de resistir e se conectou também. Não tinha dúvida de que agora estávamos numa fusão total. Mesmo a suíte sugerindo um monte de coisas, a gente ficou na posição básica, porque não precisava de muito circo pra gozar do jeito que a gente tava. De vez em quando a gente se pegava olhando no espelho pra ver como a gente tava. A buceta dela formava em volta do meu pau um novelo perfeito, como se fosse uma gota caindo do corpo de um Deus líquido, enquanto meu pau se marcava com uma silhueta interna que deixava ver que dentro da pele rolava uma atividade celular enorme.
Enquanto eu tava metendo nela com gosto, ela me deu um tapa fortíssimo. Segurei a mão dela incrédulo. Ela me prendeu com as pernas pra eu não sair do corpo dela. "Me bate você também", ela falou, e eu, que nunca tive essas manias, fiquei relutante. Ela me deu outro tapa. Por fim, bati nela. Ela fez uma careta de prazer. Eu batia na bunda dela porque sentia que era o lugar onde menos ia machucar. Mas de vez em quando dava uns tapinhas nos peitos dela, no cu, segurava ela pelo pescoço, pelo cabelo. Continuei superexcitado. De repente já era violência pura, até que a violência máxima se manifestou numa gozada que eu tive, tão intensa que o que produziu foi dor, e pela primeira vez ficou claro pra mim que meu sêmen era parte de mim, parte viva de mim que ficava nela mesmo depois da gente ter se separado. Ela gemeu também quando eu gozei.
Ela me perguntou como eu tava me sentindo, falei que fabuloso. Ela me chamou de "Meu Monstro", não sei como levar isso. Tava deitado na cama, ainda suado. Ela levantou da cama feliz da vida. Tirou da geladeira uma jarra que tinha um elixir verde, tipo polpa de pepino, mas bem mais verde, mais escuro. Me deu pra beber, o gosto era azedo. Com desgosto falei que não gostava, mas ela insistiu pra eu beber. que era para revitalizar meu corpo, pra modificar o efeito do chá, e pra me preparar pro que vinha depois. Quando ela colocou a venda de novo, depois que só eu tomei do elixir, comecei a pensar o que era aquilo que ela chamava de "o que vinha depois". Ela me levou andando pelo hotel, me levando pra outro quarto, eu soube porque o lugar que entramos era fresco, quase frio, me sentou numa cadeira e me amarrou as mãos e os pés. Eu deixei ela fazer porque imaginei que era uma brincadeira mais ousada. De certo modo, era. Ela tirou a venda e eu vi que tava a um metro de uma parede, que nessa parede, bem na minha frente, tinha umas cortinas vermelhas. Vi que a cadeira onde eu tava era parafusada no chão e que, no fim das contas, eu tava bem amarrado. Ela ficou atrás de mim e começou a falar: — Você não me pergunta do que era o suco? — Acho que é seguro o que você me deu pra beber. — É um suco de peiote. Amanhã você vai ter o estômago solto, isso vai ser normal, mas não vai ser normal você ir no médico por causa disso. Era incrível tudo isso. Ter me dado chá de maconha pra beber não era nada comparado a me dar suco de peiote. Ter batido nela enquanto transava era algo que não vinha de mim. Largar minha namorada não era algo meu. Parar a polícia. Ela era ainda baixinha, demais pra ser minha parceira, o tom de pele dela não é o que eu gosto e o corpo dela tão miudinho é quase o oposto do meu gosto, a língua dela é ainda por cima bobinha, e as mãos dela não são como as que eu curto. É exatamente o contrário do meu gosto, e mesmo assim essa mulher tão contrária me fez sentir em menos de três meses uma gama de sensações que pra mim eram proibidas. Não tenho certeza se vou ficar do lado dela, mas por enquanto é uma alternativa de prazer que eu me ofereço. Ela puxou um cordão e as cortinas se abriram, formando uma espécie de moldura, como se fosse uma tela de televisão de cinquenta polegadas. Mas o vidro tava cinza. Não parecia que era uma janela, também não um Televisor. A tela se iluminou quando alguém abriu a porta do quarto ao lado. Já tinha sacado, o quarto vizinho devia ter um espelho, daqueles que deixam um voyeur ver pro outro lado, tipo, você se reflete no espelho sem saber que tá sendo observado por um tarado do outro lado. Quando a luz acendeu, o show começou pra mim. O cara que entrou veio sozinho e colocou na mesinha o porta-retrato que tinha sido roubado da minha casa. Na sequência, Brenda entrou no quarto, acompanhada pelo sujeito das fotos da putaria no carro. Um deles deu dinheiro pra Brenda, e ela guardou na bolsa, pra depois começar a se despir.
Tudo aquilo era forte demais pro meu orgulho. Brenda de puta era algo simplesmente impossível. O quarto onde ela tinha acabado de entrar com os dois caras era nada mais nada menos que o quarto seis, que eu e ela sempre frequentávamos. Ela não podia ser uma puta, porque sempre foi mais passiva. O peiote começava a me fazer ver umas paradas muito estranhas, minha raiva, a maconha, o peiote, minha excitação, e a porrada de pontas soltas estavam me deixando louco de verdade.
Quase sem preâmbulo, lá estava Brenda chupando o pau dos dois desconhecidos. Enfiando a carne dos dois ao mesmo tempo nos lábios que até hoje eu considerava meus. Lembrava na minha própria pele as carícias que agora ela dava a eles, e me surpreendia com a capacidade dela de satisfazê-los. Daí a pouco, os dois a colocavam nas posições mais variadas, metendo na buceta e no cu, os dois ao mesmo tempo, depois boca e buceta, cu e boca, e até os dois na buceta, numa buceta tão elástica que eu desconhecia. Pra mim, tudo aquilo era tão irreal, tão absurdo, tão francamente inacreditável que me dava risada, uma risada de saber que eu era um boneco cósmico, uma marionete.
Via Brenda e os caras cheios de pelo, como se fossem animais que transam sem culpa, sem complexos, se entregando. todo o prazer cego de que são capazes. Enquanto eu via tudo isso, Pandora me contou a seguinte história:
"Desde que te vi, soube que você seria meu de muitas formas. Desde que te vi estacionando seu Mustang igual um puta macho atrás do outro carro, soube que eu teria que te ensinar muitas coisas. Desde que vi a curvatura das suas costas, tão fraca, tão cansada, tão saciada, senti tanta pena de você que decidi me aproximar. Não foi você quem me encontrou, fui eu que sempre estive, a única dona do acaso. Além de tudo, te senti crédulo, cheio de fé, isso me fez te achar encantador. Te segui até o shopping, te segui até o show, te segui até o cinema, e lá um dos meus caras, aquele que tá metendo a pica na sua mulher no cu, esse impediu que alguém entrasse no banheiro enquanto eu me dedicava a descobrir se sua fisionomia é do meu jeito. Você viu as picas daqueles dois? São grandes de verdade, bem retas, e cabeçudas, acredite, sua obsessão por língua pontuda não é nada comparada à minha de ter uma pica exatamente como aquele par tem. Nesse instante, sua mulher tá sentindo que fica louca de prazer com esses dois, eles sabem o que fazer quando tão fodendo alguém num sanduíche assim, eles brincam com a fina distância entre os paus, roçam as cabeças, e com isso te fazem gozar como nunca, sei disso porque aprenderam esse truque nas minhas cadeiras. Sua obsessão por língua, que é algo muito fácil de adivinhar, não é nada. Já deixei muitos homens, homens realmente encantadores, pelo simples detalhe de não terem o pau do meu jeito, ou de não saberem mexer como eu prefiro. Você me atraiu pra te dar problemas, mas tinha que descobrir se era dos meus. No cinema, não fiz outra coisa senão avaliar, e com tristeza percebi que você não é como eu quero, sua puta genética não te ajuda comigo. O outro cara, o que tá metendo na Brendita pela buceta, esse é o mesmo que enfiava o dedo no mesmo buraco dentro do cinema. O que A putinha te disse que ele só tocou nela? Não te contou que enfiou dois dedos inteiros na buceta dela, né? Certeza que ela não falou nada disso. Posso garantir que ela virou mulher naquele dia, e sei disso porque eu estava aqui, exatamente onde você está sentado agora, vendo como você e aquela vagabunda se consolavam. Você também nasceu ali, me deve isso, você também nasceu como homem, porque antes disso era um saco de batatas sem iniciativa, sei porque vi vocês depois que te conheci. Sempre estive por perto, lembre-se. Esse que tá metendo a boca na sua namorada é o ladrão que invadiu pra roubar seu retrato, porque ele acha, e com razão, que é bem capaz de foder sua namorada com o porta-retratos na mesinha. Esse é também o repórter que tirou aquelas fotos lindas que você com certeza revelou, que com certeza guardou pra ter um pedacinho de mim. O que tá metendo a pica na sua namorada é o garoto do carro, ele diz que sua futura esposa é fácil de levar pra cama, que não resiste a ninguém com um pau maior que o seu, o que não é tão difícil assim. Diz que adora a rola mas é egoísta, que só quer se satisfazer, que precisa aprender muita coisa pra ser uma boa trepada, que o dinheiro cega o escrúpulo dela e abre as pernas. Mas não se preocupa, com o que tão fazendo, vão deixar ela bem em forma, tão abrindo não só o cu dela, mas milhares de possibilidades. Eu chamei a polícia, eu mandei a Brenda ir na sua casa quando eu estava lá, tudo que acontece é meu plano. Não se mete comigo. Não tenta me foder porque eu sou Pandora e na minha mão tenho a caixa maldita completamente aberta. Até hoje vou ficar perto de você. Nada do que você chama de amor entre nós é verdade, eu sou só a mulher do futuro, mais forte e voraz do que você imagina. Tô muito longe das idiotas que você tá acostumado, você não tá no meu nível, ainda precisa crescer. Hoje você me esquece. Tem duas opções. Ficar aqui, esperar eles se Solta, te desamarrar, voltar pra casa odiando a Brenda, se sentindo um merda por nunca poder me ter, levando anos pra aceitar tudo que aconteceu, ou então, entrar naquilo que você vê através do vidro. A gente tamparia os olhos da Brenda, você participaria do corpo dela, e do meu também, assim você teria ela de novo, que é uma mulher como você merece e no fundo te quer pra valer."
Viajando completamente como eu tava, aceitei a segunda opção. Ela ligou pro quarto seis e um dos caras falou pra Brenda que precisava vendar os olhos dela, enquanto a Pandora me fez jurar que não ia falar nem fazer nenhum barulho que me entregasse. "A Brenda tá igual você, bem chapada", foi a última coisa que a Pandora me disse.
Já no outro quarto, eu meti no cu da Brenda enquanto um dos caras fazia o mesmo na buceta dela, e assim fui revezando em cada buraco dela.
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