— Que foi que você viu, Jonas? —... Jonas, assustado que a mãe estivesse tão brava, não conseguia responder. A mãe dele tinha percebido que alguém tinha entrado no banheiro quando ela estava com o amante. — Me responde, Jonas! Agora! — Eu, eu... eu vi... vi você. —... Teresa, na verdade, não estava brava com o filho, mas sim assustada com o que ele podia ter visto. Se sentiu como um bicho acuado e mostrou as garras pra se defender. — Jonas... o que mais você viu? — Nada! Só você e, e, um gigante. — O quê? — Eu vi você, mãe. Vi você sentada em cima do gigante preto. —... Jonas... O que você acha que viu? — Só isso, mãe, juro. Você, o gigante e você tava ganhando, né? Vi você esmagando o braço dele e fazendo um monte de barulho. Teresa estava tão nervosa que, mesmo tendo acabado de tomar banho, estava suando frio. A interpretação do que o filho viu era quase correta, mas, graças a Deus, ele não fazia a menor ideia da verdadeira natureza dos atos dela. Isso permitiu que ela manipulasse a lembrança dele pra algo que fosse confortável pra ela. — Ah, meu filho, haha, você tem uma imaginação danada. Não tinha gigante nenhum, era só eu... eu e um cavalo. — Cavalo? — Sim, meu tesouro, sua mamãe tava brincando de montar no cavalo, sabe? Às vezes, os adultos gostam de brincar desse jogo. — Mas, mas... por que vocês gritavam, mãe? Por que você esmagava o braço do cavalo? — Hahaha, não, meu filho, aquele não era o braço dele. De qualquer jeito, quem monta em cavalo tem que domar o bicho, fazer ele cansar, entendeu? — Hum, sim. — Muito bem, Jonas... — Mas por que vocês não estavam de roupa, mãe? — Ah, filho, é que montar em cavalo cansa muito e a gente sua pra caramba, então não queria sujar minha roupa. — Ah, tá. — Só isso, filho? — Mãe. Eu também posso brincar de cavalinho? — Haha. Não, tesouro, isso é coisa de adulto. Agora, lembra, não quero que você conte nada disso pra ninguém, ok? Nem pro Pedrinho, nem pro seu pai. — Mas por quê? — Sabe, os homens... alguns, como seu irmão ou seu pai, ficam com muito ciúme se alguém brinca de cavalinho sem eles. Não quero que eles fiquem chateados, eles não são como você, meu rei. Você não é ciumento, né? -Não, mamãe. -Que bom, então você não vai contar nada pra ninguém, nunca. Tenho que mentir? -Não é mentir, filho, é simplesmente... guardar segredo. Vai ser um segredo só nosso. -Sim, mamãe... mas... -O quê? Diz a mãe, meio irritada. -Quem era o cavalo? -... -Mamãe? -...Ninguém, Jonas. Era meu amigo, o impaciente. Hoje nós dois estávamos impacientes pra brincar de cavalinho. Sabe, seu pai é muuuuito ciumento e ele não gosta que eu tenha outro amigo pra brincar. -Igual o Carlos? Meu amigo Carlos também fica bravo quando eu brinco de carrinho com meus colegas. -Isso mesmo, tesouro, isso mesmo.
Teresa começou a arrumar a casa um pouco antes de Pedro chegar. Antes de ir cumprimentá-lo, deu mais uma olhada no presente que Marcelo tinha dado a ela antes de ir embora. Normalmente, ela teria se perguntado como um cara tão jovem podia ter tanto dinheiro para dar um presente daquele tipo, mas depois que viu a grana que recebeu naquela noite, não sobrou mais dúvida. As atividades de Marcelo, aquele esquema de prostituição do qual ele fazia parte e onde ela também se meteu, era algo terrível e deplorável, mas, sinceramente, ela não tava nem aí; ganhou um colar chique de ouro puro, um presente que o marido dela normalmente só conseguiria comprar com mais de um mês de trampo pesado.
Por quase duas semanas, Marcelo e Teresa continuaram se vendo sem problemas, quase todo dia, em qualquer lugar que o valentão quisesse, um hotel, a casa dele ou a dela. A mãe do Pedro começou a gastar uma grana com roupas especiais que escondia dentro do carro dela.
Qualquer coisa poderia agradar mais ao seu dono. Teresa passou de uma esposa que ficava a maior parte do tempo em casa para uma que saía todo dia. Quando Marcelo não mandava ela encontrá-lo, ela saía mesmo assim, fosse fazer compras ou ir pra academia; qualquer coisa pra se manter ocupada e afastar o desejo. Começou a conhecer melhor a Cláudia, a jovem da academia com quem treinava sempre. A mina era muito divertida e inteligente, era um prazer ter a companhia dela, mesmo quando ficava afetuosa demais. Teresa conseguia se afastar discretamente quando as mãos dela começavam a tocar demais no seu corpo, mas foi o suficiente pra despertar uma suspeita. De qualquer forma, não incomodava muito, já que Cláudia nunca passava do limite, mas ao mesmo tempo uma certa curiosidade crescia nela. As duas não falavam muito sobre Teresa, especialmente sobre a família dela; ela tentava mudar de assunto por razões óbvias, então era a garota que contava tudo pra ela. Cláudia trabalhava como barista durante as noites e também como garçonete nos fins de semana. Pelo que Teresa entendeu, ela não estava em bons termos com os pais, mas não sabia o motivo. Tinha um ano a mais que o filho dela e guardava dinheiro pra faculdade; tinha terminado com o namorado por ciúmes excessivos, segundo ela, mas Teresa sabia que escondia algo. — E me diz, como vão as coisas com teu marido? — Meu marido? Bem, por quê? — Só por curiosidade. Me diz, foi ele que te deu teus brincos? — Brincos? — Qual é, mulher, sabe do que tô falando. Os brincos, os que você tava usando quando a gente se encontrou na primeira vez. — Ah… esses brincos. Bom, sim, foi ele, normalmente não uso pra ir na academia. — Por que não? Não me diga que tem vergonha de um presente tão lindo. — Não, não tenho vergonha… por que eu teria vergon… BRIIIN O celular toca. — Desculpa… Alô? — Teresa, você tá voltando? — Hum, sim, já tô quase terminando. — Que bom, porque o padre Eugênio nos convidou pra um jantar amanhã. Vão ter outros casais também, então eu disse que sim. Teresa Ela ficou irritada ao saber disso. Queria estar sempre livre caso o Marcelo precisasse dela, mas não queria levantar suspeitas. — Sssim. Que ideia boa. — Legal, então a gente se vê mais tarde. A frustração era evidente no rosto de Teresa, e a amiga percebeu, mas também notou a foto do Felipe no celular dela quando desligou a ligação. — Eee quem era? — Ah, meu marido. Nada de importante. — Seu marido? — Sim, meu marido. — Seu marido é… branco? — Hmm, sim. Por quê? Não entendi. — Nada, amiga, só tinha imaginado seu marido… diferente. Teresa não entendia o motivo das perguntas estranhas da amiga, mas sentiu que tinha dito algo errado. A mãe do Pedro mal conseguiu avisar o valentão sobre o que ia rolar, esperando talvez que ele mandasse ela ir até ele. Não foi assim. Marcelo disse que queria que ela fosse naquela janta e que se vestisse de forma provocante. Ela esperava que naqueles dias pudessem se ver, mas o seu amo parecia ocupado, e agora ela tinha que ir a uma janta chata com o marido. O que Teresa não sabia, e que Marcelo sabia, é que até os homens da igreja que estariam naquela janta não resistiriam a olhar para a beleza daquela mulher — e era nisso que consistia o plano dele. O dia chegou, e Teresa escolhia com paciência a roupa para se preparar. Ele tinha mandado ela se vestir de forma provocante, e ela faria isso, mas ao mesmo tempo não podia exagerar, já que ia para uma janta com gente decente e respeitável — ou pelo menos era o que ela achava. Click
Teresa mandou a prova de que cumpriu as ordens do seu dono.
— Uff, que vontade de te comer, gostosa.
— Haha, bom, ainda não é tarde demais pra isso.
— Não, hoje quero que você vá nesse jantar e faça tudo o que ele mandar. Coloca seus brincos.
— Tá bom, mas…
Marcelo desliga a ligação e volta a aproveitar o boquete que estão dando nele.
— Já tá pronta, tesouro?
— Sim, quase.
Assim que o marido dela a viu, criticou a roupa, dizendo que era reveladora demais praquele jantar — ou pra qualquer ocasião. O que ele disse era verdade, ela sabia, mas não gostou nada da crítica. Começou uma briga que não teve fim, e os dois passaram a viagem inteira sem se falar.
Teresa e Felipe chegam ao restaurante, onde outros pais da igreja e convidados celebram os 40 anos que o padre Eugênio era membro ativo e pilar daquela comunidade. Todos os casais presentes eram da mesma igreja da mãe do Pedro — amigos ou conhecidos. Era inevitável que o corpo tão sensual e provocante da Teresa chamasse a atenção de todo mundo com aquele vestido, mas ninguém disse nada. Só cochichavam entre si em voz baixa, para a diversão dela e a vergonha do marido.
Felipe adorava a esposa, mas não se sentia confortável com ela tão exposta. Tinha medo de que aquilo levasse os amigos a falarem mal dele e da família. Ela percebeu. A cara de desconforto do marido era evidente, mas aquilo só lhe deu uma sensação de diversão, uma certa alegria e orgulho por ter colocado ele no lugar dele, sabendo que ele não podia fazer nada pra impedi-la.
Enquanto estavam sentados esperando a comida, Marcelo mandou uma mensagem pedindo confirmação de que ela estava fazendo como ele tinha mandado. *Click.*
Teresa tirou uma selfie com as pessoas convidadas e mandou pro cara. Ela não sabia por quê, mas ele mandou ela tirar várias outras fotos também das outras pessoas que estavam lá. Todo mundo parecia super gente boa como sempre, mas entre eles, os homens na mesa não conseguiam parar de olhar pro decote da Teresa. Umas palavras pras esposas e uma olhadinha rápida pras tetas. Até alguns padres não conseguiram se segurar. — Teresa, querida, acho que o pessoal tá te olhando. — E daí? — Como assim e daí? Não é apropriado. Não quero que… — Tudo bem, filhos? Interrompe o padre Eugênio. — Ah, sim, padre. Tudo bem. Responde Felipe, vendo a esposa mexer no celular. Teresa tinha recebido uma mensagem. Marcelo mandava ela se exibir pro velho padre. Ele tava falando do padre Eugênio. — Quê? É um padre, conheço ele desde pequena. O que ele ia pensar de mim? — Não tô nem aí, putinha. Quero que você faça. Acredita em mim, você vai se surpreender com o resultado. Teresa podia mentir pro Marcelo e falar que tinha feito, mas a vontade dele tinha virado lei pra ela. Assim que o marido dela parou de encher o saco do Eugênio, ela se aproximou dele, falando bem pertinho. — Filha, você percebeu que a Kimiko tá aqui? — Ah, sim, padre, já cumprimentei ela. — Bom, já te falei que ela tá numa situação delicada eee ela me disse que tentou falar com você, mas você tá sempre ocupada. Era verdade, a Kimiko tentou falar com ela, mas Teresa evitou as ligações. Não tinha tempo nem paciência pra ouvir as reclamações dela. — Ah, sim, desculpa, padre. É que eu tava muito ocupada… — Você tá brava com ela, filha? — Não, não, claro que não. — Muito bem, então por favor, entra em contato com ela na semana que vem. Teresa percebeu que tava muito perto dele e então, criando coragem, ela se aproximou mais, empurrando os peitos pra frente. — Como o senhor quiser, padre. Disse com uma voz que de inocente não tinha nada.
-Cof, cof, muito bem, filha, muito bem. Padre Eugênio não pôde deixar de notar seus generosos peitos, o que o deixou um tanto desconfortável, mas ao mesmo tempo despertou algo nele. A mãe de Pedro percebeu isso. Será que ela tinha acabado de excitar um velho padre tão honesto e honrado quanto o Padre Eugênio? Aquele velho a viu crescer e era quase como um segundo pai para ela, mas agora pensar que ele poderia tê-la visto como mulher a excitou muito. Teresa estava começando a prestar mais atenção nos olhares dos homens da sua igreja. Não podia dizer com 100% de certeza, mas alguns deles foram pegos olhando para o decote dela, incluindo o melhor amigo do marido, cuja esposa era quase toda grisalha. Sentir-se mais gostosa que outra mulher a agradou. Felipe continuava o jantar conversando com os outros, sem saber que sua esposa ao lado passava o tempo escrevendo para o amante e se colocando em poses sexys para alguns homens que, como crianças tímidas, fingiam que não estavam prestando atenção nela. Entre os olhos que a observavam, os mais afiados e suspeitos eram os de Dona Marta, sentada o mais longe possível dela. Apesar da idade, ela tinha uma visão perfeita e uma mente maldosa e desconfiada que, naquele momento, tinha toda a razão para pensar mal. A velha via como a putinha se exibia na frente dos homens, tão fracos pela carne. O tempo e a experiência lhe ensinaram que não devia sair gritando o que via, mas sim esperar o momento mais adequado para atacar. Era difícil para ela se conter. A raiva fazia o sangue ferver ao ver como uma suposta mãe e esposa se punha a paquerar como uma vulgar prostituta.
Já estava tarde, era hora de ir embora e todos os convidados começaram a se despedir. Kimiko, com muita timidez, se aproximou de Teresa para cumprimentá-la. — Dona Teresa, como a senhora está? — Muito bem, Kimiko, obrigada. Olha, estive muito ocupada essas semanas, mas te prometo que entro em contato com você nos próximos dias pra gente ver o que fazer juntas, ok? — Ah, sim, a senhora é muito generosa, Dona Teresa. — Haha, me chama só de Teresa. Você me faz sentir velha, Kimiko. Teresa mexeu no cabelo, jogando-o para o lado, revelando aqueles brincos para Kimiko, que ficou pálida na hora. — Kimiko? Tudo bem? — … — Kimiko? — Sim, sim, tudo bem. Tenha uma boa noite. Teresa viu que ela olhou pros brincos, mas não entendeu a reação. Quando a mulher estava se afastando, meio transtornada, outra chegou pra querer estragar a noite dela. — Cê acha que eu não sei o que você é? Cê acha que a gente é cego e surdo? Vou falar bem claro, Teresinha, eu vejo tudo o que você faz. O medo voltou no corpo da mãe do Pedro, igual da primeira vez. Aquela velha maluca, que com a mão agarrou forte o braço dela e sussurrou aquelas palavras, tinha visto quem ela era de verdade. Tinha sido descoberta. Dona Marta se afastou, deixando-a sozinha com seus pensamentos. — Tudo bem, Teresa? — Tô, tô bem. Só me leva pra casa — disse Teresa, de mal jeito, pro marido. Continua…

Teresa começou a arrumar a casa um pouco antes de Pedro chegar. Antes de ir cumprimentá-lo, deu mais uma olhada no presente que Marcelo tinha dado a ela antes de ir embora. Normalmente, ela teria se perguntado como um cara tão jovem podia ter tanto dinheiro para dar um presente daquele tipo, mas depois que viu a grana que recebeu naquela noite, não sobrou mais dúvida. As atividades de Marcelo, aquele esquema de prostituição do qual ele fazia parte e onde ela também se meteu, era algo terrível e deplorável, mas, sinceramente, ela não tava nem aí; ganhou um colar chique de ouro puro, um presente que o marido dela normalmente só conseguiria comprar com mais de um mês de trampo pesado.
Por quase duas semanas, Marcelo e Teresa continuaram se vendo sem problemas, quase todo dia, em qualquer lugar que o valentão quisesse, um hotel, a casa dele ou a dela. A mãe do Pedro começou a gastar uma grana com roupas especiais que escondia dentro do carro dela.
Qualquer coisa poderia agradar mais ao seu dono. Teresa passou de uma esposa que ficava a maior parte do tempo em casa para uma que saía todo dia. Quando Marcelo não mandava ela encontrá-lo, ela saía mesmo assim, fosse fazer compras ou ir pra academia; qualquer coisa pra se manter ocupada e afastar o desejo. Começou a conhecer melhor a Cláudia, a jovem da academia com quem treinava sempre. A mina era muito divertida e inteligente, era um prazer ter a companhia dela, mesmo quando ficava afetuosa demais. Teresa conseguia se afastar discretamente quando as mãos dela começavam a tocar demais no seu corpo, mas foi o suficiente pra despertar uma suspeita. De qualquer forma, não incomodava muito, já que Cláudia nunca passava do limite, mas ao mesmo tempo uma certa curiosidade crescia nela. As duas não falavam muito sobre Teresa, especialmente sobre a família dela; ela tentava mudar de assunto por razões óbvias, então era a garota que contava tudo pra ela. Cláudia trabalhava como barista durante as noites e também como garçonete nos fins de semana. Pelo que Teresa entendeu, ela não estava em bons termos com os pais, mas não sabia o motivo. Tinha um ano a mais que o filho dela e guardava dinheiro pra faculdade; tinha terminado com o namorado por ciúmes excessivos, segundo ela, mas Teresa sabia que escondia algo. — E me diz, como vão as coisas com teu marido? — Meu marido? Bem, por quê? — Só por curiosidade. Me diz, foi ele que te deu teus brincos? — Brincos? — Qual é, mulher, sabe do que tô falando. Os brincos, os que você tava usando quando a gente se encontrou na primeira vez. — Ah… esses brincos. Bom, sim, foi ele, normalmente não uso pra ir na academia. — Por que não? Não me diga que tem vergonha de um presente tão lindo. — Não, não tenho vergonha… por que eu teria vergon… BRIIIN O celular toca. — Desculpa… Alô? — Teresa, você tá voltando? — Hum, sim, já tô quase terminando. — Que bom, porque o padre Eugênio nos convidou pra um jantar amanhã. Vão ter outros casais também, então eu disse que sim. Teresa Ela ficou irritada ao saber disso. Queria estar sempre livre caso o Marcelo precisasse dela, mas não queria levantar suspeitas. — Sssim. Que ideia boa. — Legal, então a gente se vê mais tarde. A frustração era evidente no rosto de Teresa, e a amiga percebeu, mas também notou a foto do Felipe no celular dela quando desligou a ligação. — Eee quem era? — Ah, meu marido. Nada de importante. — Seu marido? — Sim, meu marido. — Seu marido é… branco? — Hmm, sim. Por quê? Não entendi. — Nada, amiga, só tinha imaginado seu marido… diferente. Teresa não entendia o motivo das perguntas estranhas da amiga, mas sentiu que tinha dito algo errado. A mãe do Pedro mal conseguiu avisar o valentão sobre o que ia rolar, esperando talvez que ele mandasse ela ir até ele. Não foi assim. Marcelo disse que queria que ela fosse naquela janta e que se vestisse de forma provocante. Ela esperava que naqueles dias pudessem se ver, mas o seu amo parecia ocupado, e agora ela tinha que ir a uma janta chata com o marido. O que Teresa não sabia, e que Marcelo sabia, é que até os homens da igreja que estariam naquela janta não resistiriam a olhar para a beleza daquela mulher — e era nisso que consistia o plano dele. O dia chegou, e Teresa escolhia com paciência a roupa para se preparar. Ele tinha mandado ela se vestir de forma provocante, e ela faria isso, mas ao mesmo tempo não podia exagerar, já que ia para uma janta com gente decente e respeitável — ou pelo menos era o que ela achava. Click
Teresa mandou a prova de que cumpriu as ordens do seu dono. — Uff, que vontade de te comer, gostosa.
— Haha, bom, ainda não é tarde demais pra isso.
— Não, hoje quero que você vá nesse jantar e faça tudo o que ele mandar. Coloca seus brincos.
— Tá bom, mas…
Marcelo desliga a ligação e volta a aproveitar o boquete que estão dando nele.
— Já tá pronta, tesouro? — Sim, quase.
Assim que o marido dela a viu, criticou a roupa, dizendo que era reveladora demais praquele jantar — ou pra qualquer ocasião. O que ele disse era verdade, ela sabia, mas não gostou nada da crítica. Começou uma briga que não teve fim, e os dois passaram a viagem inteira sem se falar.
Teresa e Felipe chegam ao restaurante, onde outros pais da igreja e convidados celebram os 40 anos que o padre Eugênio era membro ativo e pilar daquela comunidade. Todos os casais presentes eram da mesma igreja da mãe do Pedro — amigos ou conhecidos. Era inevitável que o corpo tão sensual e provocante da Teresa chamasse a atenção de todo mundo com aquele vestido, mas ninguém disse nada. Só cochichavam entre si em voz baixa, para a diversão dela e a vergonha do marido.
Felipe adorava a esposa, mas não se sentia confortável com ela tão exposta. Tinha medo de que aquilo levasse os amigos a falarem mal dele e da família. Ela percebeu. A cara de desconforto do marido era evidente, mas aquilo só lhe deu uma sensação de diversão, uma certa alegria e orgulho por ter colocado ele no lugar dele, sabendo que ele não podia fazer nada pra impedi-la.
Enquanto estavam sentados esperando a comida, Marcelo mandou uma mensagem pedindo confirmação de que ela estava fazendo como ele tinha mandado. *Click.*
Teresa tirou uma selfie com as pessoas convidadas e mandou pro cara. Ela não sabia por quê, mas ele mandou ela tirar várias outras fotos também das outras pessoas que estavam lá. Todo mundo parecia super gente boa como sempre, mas entre eles, os homens na mesa não conseguiam parar de olhar pro decote da Teresa. Umas palavras pras esposas e uma olhadinha rápida pras tetas. Até alguns padres não conseguiram se segurar. — Teresa, querida, acho que o pessoal tá te olhando. — E daí? — Como assim e daí? Não é apropriado. Não quero que… — Tudo bem, filhos? Interrompe o padre Eugênio. — Ah, sim, padre. Tudo bem. Responde Felipe, vendo a esposa mexer no celular. Teresa tinha recebido uma mensagem. Marcelo mandava ela se exibir pro velho padre. Ele tava falando do padre Eugênio. — Quê? É um padre, conheço ele desde pequena. O que ele ia pensar de mim? — Não tô nem aí, putinha. Quero que você faça. Acredita em mim, você vai se surpreender com o resultado. Teresa podia mentir pro Marcelo e falar que tinha feito, mas a vontade dele tinha virado lei pra ela. Assim que o marido dela parou de encher o saco do Eugênio, ela se aproximou dele, falando bem pertinho. — Filha, você percebeu que a Kimiko tá aqui? — Ah, sim, padre, já cumprimentei ela. — Bom, já te falei que ela tá numa situação delicada eee ela me disse que tentou falar com você, mas você tá sempre ocupada. Era verdade, a Kimiko tentou falar com ela, mas Teresa evitou as ligações. Não tinha tempo nem paciência pra ouvir as reclamações dela. — Ah, sim, desculpa, padre. É que eu tava muito ocupada… — Você tá brava com ela, filha? — Não, não, claro que não. — Muito bem, então por favor, entra em contato com ela na semana que vem. Teresa percebeu que tava muito perto dele e então, criando coragem, ela se aproximou mais, empurrando os peitos pra frente. — Como o senhor quiser, padre. Disse com uma voz que de inocente não tinha nada.
-Cof, cof, muito bem, filha, muito bem. Padre Eugênio não pôde deixar de notar seus generosos peitos, o que o deixou um tanto desconfortável, mas ao mesmo tempo despertou algo nele. A mãe de Pedro percebeu isso. Será que ela tinha acabado de excitar um velho padre tão honesto e honrado quanto o Padre Eugênio? Aquele velho a viu crescer e era quase como um segundo pai para ela, mas agora pensar que ele poderia tê-la visto como mulher a excitou muito. Teresa estava começando a prestar mais atenção nos olhares dos homens da sua igreja. Não podia dizer com 100% de certeza, mas alguns deles foram pegos olhando para o decote dela, incluindo o melhor amigo do marido, cuja esposa era quase toda grisalha. Sentir-se mais gostosa que outra mulher a agradou. Felipe continuava o jantar conversando com os outros, sem saber que sua esposa ao lado passava o tempo escrevendo para o amante e se colocando em poses sexys para alguns homens que, como crianças tímidas, fingiam que não estavam prestando atenção nela. Entre os olhos que a observavam, os mais afiados e suspeitos eram os de Dona Marta, sentada o mais longe possível dela. Apesar da idade, ela tinha uma visão perfeita e uma mente maldosa e desconfiada que, naquele momento, tinha toda a razão para pensar mal. A velha via como a putinha se exibia na frente dos homens, tão fracos pela carne. O tempo e a experiência lhe ensinaram que não devia sair gritando o que via, mas sim esperar o momento mais adequado para atacar. Era difícil para ela se conter. A raiva fazia o sangue ferver ao ver como uma suposta mãe e esposa se punha a paquerar como uma vulgar prostituta.
Já estava tarde, era hora de ir embora e todos os convidados começaram a se despedir. Kimiko, com muita timidez, se aproximou de Teresa para cumprimentá-la. — Dona Teresa, como a senhora está? — Muito bem, Kimiko, obrigada. Olha, estive muito ocupada essas semanas, mas te prometo que entro em contato com você nos próximos dias pra gente ver o que fazer juntas, ok? — Ah, sim, a senhora é muito generosa, Dona Teresa. — Haha, me chama só de Teresa. Você me faz sentir velha, Kimiko. Teresa mexeu no cabelo, jogando-o para o lado, revelando aqueles brincos para Kimiko, que ficou pálida na hora. — Kimiko? Tudo bem? — … — Kimiko? — Sim, sim, tudo bem. Tenha uma boa noite. Teresa viu que ela olhou pros brincos, mas não entendeu a reação. Quando a mulher estava se afastando, meio transtornada, outra chegou pra querer estragar a noite dela. — Cê acha que eu não sei o que você é? Cê acha que a gente é cego e surdo? Vou falar bem claro, Teresinha, eu vejo tudo o que você faz. O medo voltou no corpo da mãe do Pedro, igual da primeira vez. Aquela velha maluca, que com a mão agarrou forte o braço dela e sussurrou aquelas palavras, tinha visto quem ela era de verdade. Tinha sido descoberta. Dona Marta se afastou, deixando-a sozinha com seus pensamentos. — Tudo bem, Teresa? — Tô, tô bem. Só me leva pra casa — disse Teresa, de mal jeito, pro marido. Continua…
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