Tia Viúva | Capítulo 5

Tia Viúva | Capítulo 5

De volta ao trabalho, fiquei pensando no que aconteceu naquele dia. Meu expediente já estava quase acabando, mas fiquei remoendo toda a conversa com a Lucia. Meu trampo não é difícil, às vezes até sobra tempo pra perder no escritório, então fiquei matutando tudo isso. Meu celular tocou e, sem hesitar, atendi na hora. Eu não ficava assim nem quando comecei a sair com a Jenifer — aquela emoção, mas multiplicada por dez, de querer ouvir a voz da Lucia. Mas era a Jenifer. Às vezes, tinha momentos em que eu esquecia completamente da Jenifer. Minha mente e minhas energias estavam todas na minha tia. Esses pensamentos me faziam sentir que, até certo ponto, a Jenifer já tava me atrapalhando. Ela não é uma garota ruim, é bonitinha, mas a gente já teve vários problemas, e as brigas com ela estão cada vez mais frequentes. Então prefiro evitar ela, e isso faz com que eu me esqueça dela.

— Oi, amor.
— Oi, amor, me fala, o que foi?
— Ah, só queria te ligar. Olha, eu sei que esses dias têm sido difíceis, mas você não topa ir jantar num restaurante aqui? Me deram umas reservas de presente, e a gente não tem tido tanto tempo.
— Ahh, claro, Jenifer. Te vejo daqui a pouco, quando sair do trabalho.

O expediente acabou. Peguei minhas chaves e dirigi até o restaurante. Ela já estava lá, e pra ser sincero, tava bonita, mas eu não me sentia mais tão preso a ela como antes. Ela tava com um vestido vermelho lindo. Depois que sentamos e pedimos a comida, a gente foi conversando sobre como estávamos, como tinha sido o dia. Minha mente não tava focada no encontro, mas minha imaginação via aquele vestido vermelho em como ficaria — só que na minha tia. E eu tinha certeza de que ela ficaria maravilhosa, uma mulher divina. Seria um anjo que todo mundo viraria pra olhar, e sentiriam inveja de quem tava saindo com uma mulher tão gostosa.

— Então, acho que você precisa prestar mais atenção no nosso relacionamento...
— Ah, sim — respondi distraído.
— Você tá me dando atenção?
— Tô, desculpa, é que eu tava pensando na minha tia.
— Amor, eu sei que foi difícil pra ela, mas deixa ela de lado, esquece ela por um tempo. Parece que você tá saindo mais com ela do que comigo. Saindo com ela? Isso me animaria, sair com ela pra jantar, sair com ela pra conversar. Mas mesmo assim, me irritou ela ter dito pra eu esquecê-la.

— Olha, Jenifer, tô me esforçando da minha parte nisso, mas me mandar esquecer minha família e apoiar ela não me parece justo, então sinto muito, mas não, não vou esquecê-la.

Jenifer parecia incrivelmente irritada com o que eu disse, então, na volta pra casa, ela quase não falava comigo. A noite chegou, e eu pensei que talvez largar a Jenifer não fosse uma má ideia. Quer dizer, eu realmente não me sinto mais à vontade com ela, mas lembrar do que minha tia me disse foi essencial pra que meu relacionamento com a Jenifer pudesse esconder meus sentimentos pela minha tia.—Estou grávida, sobrinho. E não sei o que fazer, mas quero que você me ajude.


Eu?! Mas... por que eu?—Tô com medo disso, me sinto sozinha e não quero mesmo largar esse bebê que vem vindo, e você é a pessoa que mais chegou perto de mim esses dias. Quero depositar minha confiança em alguém, e você foi tão gentil...

Minha tia desabou no choro. Só peguei as mãos dela, que estavam no rosto segurando as lágrimas, coloquei nas minhas, segurei e abracei ela.

—Não quero que você fique sozinha, quero cuidar de você, quero cuidar das meninas porque, bom... você... me... já sabe.

—Eu sei, sei que quer cuidar delas porque somos família.

—Sim! Claro, isso!

Porra! Quase escapou de eu falar que gostava dela, mas também queria dizer, mas definitivamente vi algo nela: ela se sentia vulnerável, e nessa aproximação não podia deixar passar a oportunidade que ela tava me dando, que era abrir as portas da confiança dela. Então, pra conseguir me aproximar dela, tenho que continuar com a história de que ainda tô com a Jenifer, já que minha tia ainda me vê como família. Mas sei que, se eu fizer o melhor que puder, talvez, só talvez, ela me veja diferente, veja que eu faria tudo por ela.

Levantei da cama, fui pra sala da minha casa e liguei pra Lúcia.

—Oi, Lúcia, só queria dizer que sim, pode confiar em mim, que eu vou cuidar de você.

—Muito obrigada, filho. Você vai ser um grande homem pra mim.

Isso era mel pros meus ouvidos: um homem pra ela. Então, com isso, começo meu plano de cuidar e proteger ela durante a gravidez.

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