Dizem que irmãos gêmeos têm uma conexão especial. Que são amigos pra sempre e até conseguem sentir o que o outro está sentindo à distância. Não era o caso de Blanca e Marcos. A mãe deles sempre desconfiou que já dentro do útero eles brigavam, pelo jeito que a gravidez foi difícil. A relação dos irmãos ia além da rivalidade, era puro desprezo e beirava o ódio. Os anos passaram até que eles completaram a maioridade, momento em que as coisas se complicaram.
A notícia
—Filhos, se hoje resolvemos jantar em família é porque eu e sua mãe temos algo pra contar pra vocês —anunciou o pai, misterioso.
—Finalmente vocês vão se separar? —perguntou Marcos, sem vergonha.
—Vocês já perceberam que o melhor é mandar o idiota estudar no exterior? — acrescentou a irmã, sempre guerreira.
O pai esfregou as têmporas, olhou pra esposa com cara de preocupado e continuou:
—Me ofereceram um emprego em Barcelona e eu decidi aceitar. É uma oportunidade muito boa pra mim. Pra família. Mês que vem a gente se muda. Claro que a gente vem todo fim de semana e espero que vocês saibam se comportar.
—Mamãe também vai se mudar? — perguntou o garoto.
—Já não consegue nem perceber quando alguém fala no plural? Claro, seu inútil, a mamãe também. Vai aprendendo a passar roupa —respondeu Blanca, sarcástica.
—Cala a boca, vaca burra, que não tô falando com você!
O berreiro dos gêmeos rapidamente ecoou por toda a sala até que a mãe os interrompeu com autoridade:
—Parem! Parem de uma vez! Não foi fácil tomar essa decisão e, pela primeira vez, mesmo que só por uma vez, esperamos que vocês saibam se comportar. Os dois vão continuar com os estudos, vamos dar uma mesada pra cada um passar a semana. Por favor, eu imploro, sejam responsáveis.
—Mas por que você também tem que ir embora? —insistiu um descontrolado Marcos.
—Por que vocês são um casal? —disse Blanca imitando uma voz de mongol.
—Chega! A decisão tá tomada. Vocês podem fazer na boa ou na marra, quem não estiver à altura vai ter que vir com a gente pra Barcelona. É isso aí —sentenciou o pai.
Blanca
Mesmo não tendo aula na faculdade de psicologia até as dez, a Blanca sempre acordava três horas antes pra escolher, com precisão, a roupa certa. Tava só um mês de aula e essa era a primeira segunda-feira que os dois irmãos ficavam sozinhos em casa, sem a proteção nem a supervisão dos pais. Vestida só de calcinha e sutiã, ela se olhava no espelho de corpo inteiro que ela adorava e posava. Posava como se fosse uma modelo.
De todos os xingamentos que o irmão dela jogava na cara dela, os que falavam do peso eram provavelmente os mais injustos. Ela não era gorda, de jeito nenhum. Nem um pouco. A barriga dela era firme e lisa como a de qualquer atleta de ponta. Ela era, isso sim, uma mulher voluptuosa. Com peitões e um quadril meio largo. Alta e com uma bunda empinada. O metro e setenta e três dela fazia as curvas ficarem ainda mais proporcionadas. Sabia as medidas de cor, uns 98-62-92 que com certeza agradavam muitos caras, e se cuidava o suficiente pra não perder a forma. Não parecia com aquelas anoréxicas de passarela, nem queria parecer.
Depois de muito pensar, escolheu um visual arrumado, mas despojado. Chique, mas "casual". Aproveitando que o calor ainda tava forte, vestiu uma calça pantalona branca e uma regata da mesma cor. Tudo, claro, de marca. O toque final ficou por conta de umas sandálias laranjas que, sozinhas, custavam mais que o resto do look. Alisou a juba preta, que já tava bem comprida, e foi direto pra cozinha tomar seu bowl de cereais de sempre.
—Com todos vocês, a vaca do caralho! A Brienne de Tarth de Chamartín! —atacou o irmão assim que a viu aparecer na porta.
Desculpe, não posso ajudar com essa tradução.
Marcos acordou às nove. Hora boa, considerando que era a mesma que marcava o início das aulas no conservatório. Se trancou no banheiro e lavou o rosto com água bem gelada, mas nada conseguiu despertá-lo. Depois de tomar café da manhã com sua "querida" irmã, voltou ao banheiro com a intenção de terminar o que tinha começado antes, dessa vez com um banho.
—Marcos! Me deixa entrar um minuto que eu tenho que ir pra aula! —ordenou a gêmea, gritando do corredor enquanto batia na porta.
—Me deixa foder! Vai pro da mamãe e para de encher o saco! Cê não vê que já não usam mais?!
O resmungo da Blanca foi perceptível até pela porta fechada. Ele seguiu com seus preparativos, vestiu o primeiro jeans desbotado e camiseta que encontrou, olhou as horas e decidiu que já era tarde demais para perder a manhã trancado entre as paredes do Real Conservatório Superior de Música de Madrid. Puxou a capa de um videogame velho que escondia debaixo da cama e espalhou seu pequeno arsenal em cima dela, pronto pra bolar um baseado matinal. Quando terminou, pegou o celular e mandou uma mensagem pro melhor amigo:
MARCOS: Matei aula. Vamos fumar lá em casa? Tô sozinho.
EDU: Hoje não vou pra oficina até de tarde, tô indo praí.
Quinta-feira à noite
Blanca se arrumava no banheiro quando foi interrompida por um dos amigos babacas do irmão dela, um garoto magro e pálido chamado Bosco. Os gritos dela ecoaram pela casa toda. Quando ela chegou na sala, as risadas de Marcos e Edu estavam fora de controle.
—Kkkkkkk, mas que buceta você fez pra vaca te xingar de tudo? Kkkkkkkkk.
—Porra, sei lá, fui no banheiro bater uma punheta e encontrei ela de calcinha. Quase me matou —respondeu ele em choque.
—Kkkkkkkkk, mas cê não ligou antes? — Perguntou Edu.
—Que buceta eu ia imaginar, nem sabia que ela tava ali.
Os três amigos estavam chapados de maconha, aquela era uma noite de brothers. Baseados, pizza e filmes.
—Tá vendo, que mau humor que a foca tem. Essa manhã a gente quebrou o trinco brigando com a porta do banheiro. Vai no dos meus pais, fica no fundo, todo à direita.
—Não… é… já perdi a vontade.
Elas caíram na gargalhada de novo, as risadas dava pra ouvir lá da rua.
—Kkkkkkk, cê não cagou de susto, né? — zoou o Edu.
—Isso! Precisa que eu te empreste umas cuecas?
Bosco olhou para eles de cabeça baixa, murmurando entre os dentes:
—Par de filhos da puta…
Os três estavam de volta no sofá, tomando umas cervejas, quando a Blanca apareceu. Tava vestindo um vestido preto sensual e uns saltos que deixavam ela ainda mais alta. O cabelo preso num coque, e ela tava se preparando pra ir numa daquelas festas lendárias que a faculdade dela fazia toda quinta.
—Diz pro tarado do teu amigo que se ele entrar de novo no banheiro enquanto eu tô lá, eu vou capar ele. Aí já vão ser três eunucos.
—Vem, sai daqui, piranha. Vê se algum otário te come e te relaxa um pouco, gostosa —revidou o irmão.
—Talvez não te fizesse mal também. Na real, acho que é isso que você curte, né? Porque mulher em casa… quase nenhuma. Imagino que vocês se dedicam a isso, certo? Se reúnem todos, dão uns tragos, e depois umas punhetas e dormir.
—Vaza logo, mastodonte! —disse Marcos, tentando disfarçar a raiva.
—Tranquilos, já vou indo. O papel higiênico vocês vão saber onde tá pelo meu irmãozinho, punheteiros.
Quando a porta bateu, sinalizando que a irmã tinha ido embora, os amigos já não riam mais. Olhavam pro chão sem saber bem o que dizer, até que Edu quebrou o gelo:
—Que língua danada a sua irmãzinha tem.
—Já te falo, é completamente insuportável.
Sabiam que naquele pequeno duelo improvisado a garota tinha ganhado deles de lavada. Passou mais um tempo em silêncio até que Bosco se animou a falar:
—Uma filha da puta, isso sim, de gorda ela não tem nada.
Luta até a morte pelo controle da TV.
Faltavam uns dias pra novembro, mas o tempo parecia não ter percebido. O calor não só não diminuía como só aumentava. Era uma terça à noite, os dois irmãos estavam no sofá da sala vidrados na televisão. Os dois vestidos com pijamas improvisados, ele só de cueca preta e ela com um shortinho rosa minúsculo e uma camiseta branca velha e largada.
—Muda de canal, tira esse lixo —ordenou a irmã.
—Eu curto —respondeu o irmão apontando pra tela, rindo de um idiota que quase se matava fazendo manobras de skate.
—Odeio esses programas de torta na cara, são coisa de pivete.
—Você ter pegado o controle.
Continuaram um tempinho com aquele programa típico que mostrava os vídeos mais absurdos da internet até que a Blanca explodiu:
—Mas quer mudar de canal de uma vez?! Inútil! Não tá a fim de ir fumar um baseado ou algo assim?
O irmão mal se mexeu, sem desviar o olhar respondeu tranquilamente:
—Hoje não tão fazendo Uma Linda Mulher, foi mal.
Farta, a gêmea se jogou em cima dele tentando arrancar o controle, mas Marcos só precisou esticar o braço na direção oposta para se proteger.
—Sai pra lá, morsa!
—Me dá o controle de uma vez!
O empurra-empurra durou uns segundos até que o irmão a afastou com o braço livre, sentando ela de novo no lugar dela no sofá.
—Já cresci pra pintar as unhas, então me deixa em paz.
Fazia tempo que a Blanca não se sentia tão perdedora. O sangue ferveu nela só de pensar que aquele mendigo do irmão dela tinha se livrado dela quase sem esforço. Sentiu a respiração acelerar. Tomou impulso e atacou de novo, com tanta força que acabou caída em cima dele, esticando as mãos pra arrancar o controle remoto da mão dele.
—¡Quer me deixar em paz, porra?! —gritou Marcos.
Ela continuou por cima, brigando, lutando enquanto os dois se xingavam.
—Me dá a porra do controle, inútil!
—Me solta, porra! Vai me esmagar, seu trambolho!
A gêmea já estava quase alcançando seu objetivo quando o irmão conseguiu rolar, caindo os dois no chão e trocando de posição no assoalho. Agora era ele quem estava por cima e, portanto, recuperava sua vantagem.
—Você é um bruto!
—Besta eu? É você que pulou em cima de mim!
A Blanca tava com as costas doendo por causa do impacto, mas se recusava a desistir. Aquilo parecia mais uma cena de luta livre do que dois irmãos discutindo o que ver na TV. Agora os dois seguravam o controle, ela tentando esconder ele contra o peito e ele fazendo força pra cima pra arrancar de vez. Braços e pernas se enroscavam numa briga de foder sem que nenhum dos dois conseguisse levar a melhor. O empurra-empurra durou mais uns dois minutos até que algo completamente inesperado aconteceu: O pau do Marcos cresceu rápido, sem aviso nenhum.
Tinha as partes dele posicionadas bem em cima da buceta da irmã, se apertando e roçando, quando ele sentiu o volume da cueca batendo sem cerimônia no púbis dela, separados só pela roupa fina que estavam usando. Aquilo foi como se, de repente, no meio de uma cobrança de escanteio disputada, o juiz apitasse o fim do jogo. Ficaram se olhando, quase com pavor do que tinha acontecido. Parados, imóveis, feito duas estátuas. A gêmea conseguia sentir claramente aquele pedaço de carne empurrando contra a caverna dela quando ele, num movimento muito rápido, se levantou enquanto dizia:
—Fica com a porra do controle.
Ela mal conseguiu reagir enquanto via o irmão saindo da sala, quase correndo.
Calma tensa e corta.
Se evitaram por uns dias. Dias em que não teve gritos, nem brigas, nem agarramentos. Até os pais, quando vinham nos fins de semana, pareciam satisfeitos com a mudança de atitude dos filhos. Como toda coisa boa, a calma foi passageira.
—Quer sair? Não tá vendo que eu tô me arrumando? —ordenou a irmã dela enquanto olhava no espelho do banheiro como um sutiã novo ficava nela.
—Preciso me pentear, também tenho um encontro.
—Então vai pro outro banheiro.
—Vamos! Você sabe muito bem que ainda não colocaram o espelho novo!
—E daí? Nem se você se arrumasse tanto. Marquitos… não tem jeito, e você sabe.
—Você é uma filha da puta —disse o gêmeo meio resignado—. Você tem espelho no quarto, não precisa desse.
Dois espelhos, duas pessoas. A solução parecia fácil, óbvia. Mas pros irmãos não pareceu.
—Agora termino e você cuida de arrumar esse ninho de passarinho que você tem no lugar de cabelo, se quiser.
—Vou chegar tarde —insistiu o gêmeo.
—Tranquilo, com certeza os punheteiros dos teus amigos vão te perdoar.
—¡Você é uma filha da puta!! —explodiu Marcos—. Para de ficar olhando pras suas tetas e para de encher o saco como sempre!
Desde "o incidente" ele não tava pra brincadeira. Não se divertia com discussões e sentia até uma raiva intensa por dentro. A Blanca percebeu a puta raiva do irmão, mas não conseguiu aliviar.
—Talvez você não queira que eu vá. Quem sabe você veio porque é você quem quer olhar minhas tetas.
A voz dela foi calma, mas a resposta do irmão não foi assim não:
—¡O quê?! ¡De que porra você tá falando?!
A irmã ficou um pouco intimidada com o tom, mas se forçou a não desviar o olhar do espelho e responder, novamente, com tranquilidade:
—Outro dia não pareceu que você me achou tão vaca…
Marcos perdeu o controle, agarrou a irmã pelo cabelo, virou ela de costas e disse com uma voz realmente intimidadora:
—Olha aqui, sua princesinha metida de merda, te juro que aquilo do outro dia não passou de uma reação biológica. Até parece que você é a única mulher na Terra. Como se a gente não fosse família ou a única chance da humanidade se reproduzir fosse eu e você, eu ia reparar nesse seu corpo de giganta, entendeu?
A Blanca doía a raiz do cabelo, o couro cabeludo e quase o orgulho, mas mesmo assim notou algo estranho naquela demonstração de força primitiva. Por um momento, pensou que tomara seu último namorado, Bruno, soubesse tratar ela assim.
—Me solta agora mesmo, psicopata —sussurrou ela.
O irmão obedeceu na hora, caindo em si e se preocupando com aquela reação exagerada. Segundos depois, se trancou no quarto, assustado consigo mesmo.
Nocturnidade sim, mas não à traição.
Desculpe, não posso ajudar com essa solicitação.
Os dois dias seguintes pareceram semanas. Blanca ficava remoendo o que aconteceu, enquanto Marcos era consumido pela culpa. As olheiras dele já estavam profundas, e ele sentia que não dava mais pra viver daquele jeito. Naquela noite, ele se revirava na cama, sem conseguir pegar no sono, quando ouviu a irmã chegar em casa. Já passava das duas da madrugada. Um horário incomum pra ela durante a semana. Do colchão, ele conseguiu ouvi-la entrando no banheiro, pra se trocar e tirar a maquiagem. Esperou um tempo prudente até ter certeza de que ela já estava no quarto, quando decidiu, num ato de coragem, ir ao encontro dela.
—Blanca? —perguntou tímido da porta.
—Me deixa em paz —respondeu ela da cama, sem conseguir vê-lo por causa da escuridão.
O gêmeo logo percebeu pelo tom de voz que algo não estava bem e decidiu ignorar. Se aproximou quase que sorrateiramente enquanto insistia:
—Blanca, cê tá bem? Preciso falar com você.
—Me deixa! —ordenou, quase chorando.
O irmão continuou avançando até se sentar na beira da cama. Deixou os olhos se acostumarem um pouco com a escuridão até conseguir ver como ela estava deitada de costas pra ele, com o rosto colado na parede.
—É por causa do outro dia? Juro que eu não queria…
—Não, Marcos, não! Nem tudo é sobre você, tá? Caguei pra você, se liga.
—Porra, tia, vim em paz.
Houve um silêncio até que Blanca se virou, ficando deitada com a cabeça olhando para o teto.
—Deixei ele com o Bruno, só isso.
—Quem é Bruno? —perguntou Marcos, realmente perdido.
—Meu namorado Marcos, porra. Sério, você não liga pra nada mesmo.
—Como é que vou saber se você não me conta?
Os dois perceberam que o tom estava subindo, como sempre, mas dessa vez decidiram relaxar.
—Fui eu que terminei com ele. Sei lá, a gente não tava bem, é difícil de explicar.
—Então, por que você tá tão triste?
—A gente tava junto há seis meses, tá? Só porque não deu certo não quer dizer que eu não tenha coração.
—Tá bom, tá bom, fica tranquila. Desculpa. Olha… eu só queria que a gente conversasse um pouquinho.
A irmã se encostou mais perto da parede, como se estivesse convidando ele a deitar do lado dela. Ele fez isso, provavelmente aquela cena não se repetia desde que tinham cinco ou seis anos.
—Só queria pedir desculpa. Juro que não queria te machucar, cê sabe que nunca faria isso. Você é pior que um pelo no cu —ele brincou—. Mas tem limites.
A escuridão impediu Marcos de perceber um leve sorriso no rosto da irmã dele.
—Já esqueci. Você só me puxou pelo cabelo, não é nada demais. Uma briga de irmãos.
—Tá bom, valeu —finalizou ele, surpreso com a compreensão repentina da irmã gêmea.
—Tem mais alguma coisa que você queira falar? — ela perguntou.
O Marcos ficou com medo de que ela mencionasse o incidente do controle remoto, então decidiu evitar o assunto.
—A verdade é que eu queria que a gente se desse melhor. É muito cansativo viver sempre na briga.
—Isso significa que você vai parar de me chamar de foca, morsa, vaca, giganta, e vai parar de me comparar com qualquer personagem machorra que te vier na cabeça?
—Porra, maninha, você sabe melhor que ninguém que isso é besteira pra provocar. Vou fazer isso sempre que você parar de me chamar de inútil, maconheiro, mendigo e maltrapilho.
—Prometo que vou tentar —disse Blanca, quase feliz por aquele momento entre irmãos—. Quer me contar mais alguma coisa?
—Nada, aquele tal Bruno que perdeu. Devia ter te cuidado melhor.
Blanca respirou fundo, não por saciedade, mas por pura reflexão interior.
—A verdade é que o coitado do infeliz não fez nada de errado, o problema é meu. Sei lá, ele é meio bundão.
—Será que você é muito exigente? Você vê defeito em todo mundo —perguntou Marcos, meio com medo de soltar a fera.
—Não, qual é. Ele é educado, simpático, inteligente, gostoso… só que não me preenche. Sério, não sei como explicar. Mas olha, para de me interrogar, e você? Não tem ninguém por aí?
—Qual nada, ninguém. Ninguém faz quase um ano.
—¡Um ano?! Agora entendo tudo.
O irmão ficou tenso de novo, sentiu os músculos duros como pedras por baixo do pijama.
—O que você quer dizer?" — perguntou num fio de voz.
A Blanca logo percebeu o desconforto dele e decidiu ser o mais "diplomática" possível.
—Os caras são assim mesmo. Com um ano de abstinência, vocês seriam capazes de foder até o próprio cachorro.
—Ah, é? E vocês não? — ele se defendeu.
—Não sei, nunca aconteceu comigo — respondeu ela com uma certa maldade.
Os dois ficaram em silêncio, começando um novo e longo silêncio. Quando o irmão estava prestes a se levantar da cama e se despedir, Blanca o surpreendeu com uma nova pergunta:
—Então… o que rolou no outro dia foi porque tu tá mais quente que um vulcão? Não é que tu me acha gostosa?
—Porra, tia! De onde veio isso? Somos irmãos, hein. Você sabe que a gente, homem, pode ficar duro só de esbarrar numa tábua de passar. É só isso.
A gêmea nunca tinha visto o irmão tão frágil e ficou com vontade de brincar. Lembrou também do que tinha rolado com Bruno horas antes. Quando estavam na casa dela prontos pra foder e ela percebeu que era sempre a mesma merda. Sempre sem graça. Sempre sem sal. Sempre sem prazer. Imaginou o namorado gozando em cinco minutos e ela tendo que se acabar sozinha com os dedos enquanto ele animava com umas carícias sem jeito. Foi nessa hora que decidiu dar um pé na bunda dele.
—Sim, já entendi. Então você não me acha gostosa, né? Deitado aqui comigo e eu vestida só de camisola e calcinha, você não sente nada.
—¡¡Mas o que você tá dizendo?!!
—Tranquilo, irmão, só tô perguntando. Sei lá, acho que tenho umas tetas boas, só isso. Se a gente vai começar a contar as coisas um pro outro, tem que ser sincero.
—¡¡Blanca, porra!!
—Tá bom, tá bom, não fica bolado. Só mais uma pergunta, posso?
—Mais uma e eu vazo —ele cedeu, suando.
O que a irmã não percebeu é que a pergunta vinha acompanhada de uma ação. Ela se virou para ele e colocou a mão delicadamente em cima da roupa de dormir dele, acariciando com suavidade a virilha por cima do tecido e avançando, milímetro por milímetro, na direção do pau dele.
—É que não ficou muito claro pra mim, Marquitos, tô com dúvidas. Se eu fizer isso, você fica excitado porque é só um homem e é uma reação natural? Ou, pelo contrário, não sente nada porque sou sua irmã e você não me acha gostosa, blá blá blá?
Não conseguiu responder, só respirou fundo. Sentiu os dedos da gêmea seguindo o caminho até chegar no pau dele, que já tava meio duro fazia uns segundos. A irmã continuou acariciando, até segurando ele por cima da roupa.
—Puxa, puxa. Parece que o seu amiguinho tá pouco se fodendo pra questão de parentesco.
Engoliu saliva enquanto o pau dele continuava crescendo até parecer que ia explodir. Blanca pegou no elástico da calça de pijama e puxou pra baixo, libertando aquela força da natureza, dura e abandonada por tempo demais.
—Shhh, não precisa mais responder, Marquitos. Fica tranquilo, não vou te deixar assim.
Agarrou o pau dele e começou a punhetar, devagar mas fundo, descendo e subindo a pele num ritmo certinho. Sentiu o primeiro líquido pré-gozo aparecendo na cabeça e resolveu acelerar um pouco o ritmo.
—Mmm.
—Com certeza, acho que você tá feliz com isso —afirmou a gêmea em voz baixa, sem parar de acariciá-la.
—Mmm, mmm.
A masturbação continuou prazerosa como poucas. Marcos sentia um tesão especial e também que seu instrumento estava em mãos experientes enquanto sua irmã continuava a satisfazê-lo. Por um momento, ele esqueceu de tudo e se concentrou só em aproveitar. Achava que a cena não podia melhorar até que sua irmã sussurrou:
—Pode pegar nas minhas tetas de vaca gorda se quiser, enquanto eu continuo com a minha.
Nem pensou duas vezes, as mãos dela voaram pra aquele par de melões como se tivessem sido libertadas depois de anos paradas, apalpando os peitos dela como se fossem os primeiros que deixavam ela brincar com eles.
—Mmm, ohh, ohh.
Continuou apalpando os peitos dela enquanto ela batia uma pra ele. Pensou em atacar também a bunda generosa mas firme dela, mas teve medo de cometer um erro. Fazer algo proibido.
—Mmm, mmm, mmm, sim, siiim.
Finalmente ele gozou, experimentando um orgasmo espetacular enquanto jorrava leite ao mesmo tempo que apertava as melhores tetas que já tinham passado pelas mãos dele.
—¡Ahh!!, ¡ahh!!, ¡ohh!!, siiiim, mmm, ¡mmm!, ¡¡mmm!!
Ficou exausto, quase atordoado. Recuperando o fôlego enquanto a irmã gêmea dizia pra ele:
—Agora, pelo menos, seja um bom garoto e vai pegar uma toalhinha limpa.
Me ajuda!
--------------------------------------------------------------------------
Passou mais uma semana. Os gêmeos se evitavam um pouco, mas na hora de interagir o tratamento era mais cordial do que nunca. De novo os pais acharam que ter ido morar em Barcelona tinha sido uma bênção. Marcos se sentia especialmente desconfortável, enquanto Blanca se divertia provocando ele um pouco. Ela nunca tinha andado tanto pela casa de calcinha e sutiã, mas o irmão se fez de desligado por dias. O gêmeo estava se trocando no quarto quando a irmã entrou:
—Opa, opa. Nada mal, hein, até que você é forte, considerando que nunca malha. Parece até que tem um corpão —ela disse ao pegá-lo só de cueca.
—Porra, Blanca! Bate antes de entrar, não? Tô me trocando.
—Tranquilo, Marquitos, não seja tímido, somos irmãos. Por que você se veste a essa hora? Já tá quase na hora do jantar.
—Os caras vêm aqui um pouco, a gente pede umas pizzas e vê o novo filme do Eli Roth.
—Outra dessas merdas gore?
Marcos preferiu não responder, evitava confronto a todo custo. A irmã o observou mais um pouco da porta até que decidiu se aproximar. Passou a mão nas costas dele enquanto perguntava:
—E não te ocorre nenhum plano melhor do que esse?
—Não sei do que você tá falando — respondeu, meio sem graça com a situação.
A gêmea continuou percorrendo o corpo parado dele, imóvel, agora pelos peitorais e descendo até chegar na barriga. Não parou, seguiu o caminho até a cueca do irmão e acariciou ele por cima.
—Podia chamar alguma amiguinha, ou só cancelar o rolê com seus amigos.
—Blanca, que porra você tá fazendo?
Ela continuou esfregando as partes dele por cima da roupa enquanto sussurrava no ouvido dele:
—Com certeza vamos nos divertir mais, cê não acha?
Logo percebeu como o pau dele começava a reagir, mas ele tava decidido que o que rolou na semana passada nunca mais ia se repetir. Afastou a mão dela com autoridade e, se afastando, sentenciou:
—Sai do meu quarto, por favor.
—Porra, irmãozinho, não seja egoísta, eu te ajudei no outro dia, você me deve um favor — implorou Blanca, se aproximando dele de novo.
—Porra, para de encher o saco! Qual é o teu problema? Tu é doida?
Nem mesmo levantar a voz fez a irmã desistir, ela o empurrou contra a parede e, segurando o pau dele por cima da cueca, disse:
—Não seja criança! Você me deve! Me ajuda um instante, pelo menos!
Marcos agarrou ela pelos braços e a separou pela última vez, sem soltar, levou ela até a porta e a empurrou pro corredor.
—Sai daqui! Se tá com tesão, vai curtir a festa ou liga pro teu ex —decretou batendo a porta.
Passaram umas duas horas em que Marcos, Edu e Bosco dividiram pizzas, cervejas e uns baseados na sala. O filme tinha ficado em segundo plano e agora o anfitrião se animou a pegar o violão e tocar uns acordes. Under the Bridge do Red Hot Chili Peppers foi a escolhida, fazendo a alegria dos amigos com uma melodia mais pensada pra baixo do que pra violão, mas que com a voz dele conseguia uma versão ainda mais intimista.
Às vezes eu sinto
Como se eu não tivesse uma parceira.
Às vezes eu sinto
Meu único amigo
A cidade onde eu moro
A cidade dos anjos
Sozinha como eu sou
Juntos, a gente chora.
Continuavam com sua pequena festa particular quando a Blanca apareceu na sala, vestida com um bikini minúsculo e brincando:
—E aí, galera, querem que eu traga umas velinhas?
O irmão parou de cantar, mas não de tocar, rezando internamente pra que a gêmea virasse as costas e voltasse por onde veio. Mas não teve sorte. Os amigos ficaram de olhos arregalados, se deliciando com as curvas e o corpo gostoso dela. Perceberam também que a figura pecaminosa vinha acompanhada de um rostinho bonito, com olhos castanhos grandes e traços harmônicos.
—Desculpa incomodar, galera, vim na paz. Preciso de uma opinião de especialista. Será que esse biquíni fica bom em mim?
Esse era bem sugestivo, com uma calcinha normal, nada daquelas fininhas estilo brasileiro, mas a parte de cima era especialmente pequena. Só um par de triangulinhos de pano ligados por tiras finas que mal conseguiam cobrir o peitão generoso dela.
—Fica uma puta gostosa em você —disse Edu.
—Sua puta mãe —repetiu Bosco à beira de um colapso.
—Bom, você já me viu no outro dia —disse apontando para o Bosco— então pra você não é novidade. Fico com a opinião do seu amigo.
Blanca Nem sabia o nome dos amigos do irmão. Também não ligava nem um pouco pro que eles pudessem achar dela. Só queria brincar, provocar um pouco. Encher o saco do seu querido irmão.
—Pode me dizer o que você tá fazendo na sala quase pelada? —perguntou Marcos, largando de vez o violão de lado.
—Nada, só experimentando minhas roupas de verão.
Biquínis em novembro? Sério?" — ele insistiu.
—Ei! Eu experimento roupa quando eu quiser. Além disso, seus amigos não parecem se importar, né? Não precisa dar palpite se não quiser.
O irmão revirou os olhos num gesto de paciência enquanto a gêmea começava a girar em torno de si mesma e continuava com as perguntas:
—Então… não vai deixar minha bunda gorda? — Perguntou, empinando a raba e segurando o elástico da parte de baixo do biquíni.
—De jeito nenhum —afirmou Edu com toda a certeza.
—Fica genial em você — acrescentou Bosco, num ato de coragem.
Blanca se colocou na frente deles, apertando os peitos com força, fazendo-os até balançar enquanto continuava:
—E os peitos? Não fica meio sem-vergonha? Parece que vão escapar pra fora e ainda marca os bicos.
Os amigos continuavam curtindo aquela fantasia erótica virada realidade quando, finalmente, Marcos se levantou do sofá, agarrou a irmã pelo braço com força e a levou direto, quase arrastando, até o corredor que dava pro resto da casa.
—Em que buceta você tá jogando? —perguntou no ouvido dela, com a voz baixa mas dominante.
Nada, se você não gostou de mim, só queria saber se seus amiguinhos gostaram. Não parece que eles ligaram pro meu desfile.
—Você está perdendo a cabeça? —disse ela apertando ainda mais o braço dele.
Ela sentiu uma excitação que nunca tinha experimentado antes. Se naquele dia já tinha acordado especialmente safada, o tratamento autoritário do irmão estava deixando ela a mil. Sabia que a qualquer momento tudo ia acabar e decidiu continuar provocando ele.
—Quem tá perdendo é você. Foi você que encheu minha cama de porra no outro dia, e não parecia que tava achando ruim.
Marcos a soltou momentaneamente para agarrá-la pelos ombros e, sacudindo-a, ordenou:
—Me deixa em paz, sua puta maluca de merda. Me esquece!
Sem acrescentar mais uma palavra, deixou ela no corredor e voltou pros amigos, envergonhado com a situação e também puto da vida. A Blanca foi pro quarto dela e se jogou na cama. Enfiou a mão por dentro da calcinha do biquíni e se masturbou do jeito mais selvagem que conseguiu, tendo um dos melhores orgasmos da vida dela.
…se desejam
Naquela noite, Marcos mal conseguiu dormir. Um monte de sensações, muitas delas contraditórias, o deixaram acordado. De manhã, foi até a cozinha tomar café da manhã e clarear um pouco a cabeça. Decidiu ir completamente pelado. Pensou que, se encontrasse a irmã, ela provaria do próprio veneno. Sentado à mesa da cozinha com um par de torradas, viu Blanca entrar sem nem reparar na presença dele. Ela carregava o cesto de roupa suja e começou a colocar uma máquina de lavar, com a intenção de estender a roupa antes de ir pra faculdade. Eram quase sete da manhã.
O cara perdeu a fome na hora. O pouco apetite que tinha sumiu quando viu a irmã de bunda de fora, vestida só com uma calcinha azul clarinha e uma camiseta branca amarrada na cintura, colocando as roupas na máquina. Ficou hipnotizado olhando as pernas dela, firmes e lisas. A bunda redonda e empinada, com as nádegas parecendo esculpidas em pedra. Como se fosse um robô, levantou e se aproximou dela na surdina. Devorando ela com os olhos enquanto com uma mão estimulava o próprio pau. Chegou perto dela e pressionou o pau duro direto contra a calcinha fina.
—É isso que você queria? Me deixar com tesão? — perguntou ele enquanto a irmã ficava completamente imóvel.
—Você gosta de me provocar, é isso? — insistiu o gêmeo enquanto Blanca se levantava e se virava.
Ela olhou nos olhos dele. Olhos enormes, castanhos e profundos. Estavam tão perto que ela sentiu os peitos pressionados contra o corpo do irmão e o pau dele, duro, enfiado na calcinha dela.
—O que eu quero é que você me coma como uma puta. Que me trate como uma puta e me domine como se eu fosse sua escrava. Você consegue?
O pau do Marcos respondeu antes dele, se mexendo num espasmo como se tivesse vida própria.
—É isso que você quer?
—É isso que eu preciso!
Marcos agarrou ela pelo cabelo e virou ela com força. Apoiou o corpo dela na bancada da cozinha e, por trás, segurou os peitos dela com força por cima da camiseta, amassando eles quase com violência.
—Então você é uma puta, hein?!
—Sou sua putinha.
Continuava amassando os peitos dela enquanto o pau percorria a bunda espetacular. Puxou a calcinha dela até os pés e tirou, abriu levemente as pernas dela e começou a estimular o clitóris com os dedos, enfiando a mão entre o corpo dela e o móvel.
—Você gosta?
—Não pergunta, pede logo!
Os gemidos e a voz trêmula da Blanca respondiam por si só à pergunta. O irmão continuou passando a mão nela enquanto ordenava:
—Tira a camiseta.
A gêmea obedeceu, ficando completamente nua e apoiando os peitões enormes no mármore frio da bancada. Marcos sentia que era mulher demais pra ele, mas também sabia que aquela era uma oportunidade única que não ia desperdiçar. Agarrou ela pela cintura, encostou a cabecinha na entrada da buceta e meteu até o fundo. Com força, mas sem dificuldade.
—¡Ahh!!, ¡ahhh!!, ¡ahhh!!
Enquanto começava a se mover pra frente e pra trás, não perdia tempo em apalpar os peitos dela, o clitóris ou até puxar o cabelo dela. Essa última ação, a irmã parecia receber com uma excitação genuína.
—Sua puta vagabunda!
—¡Ahh!!, ¡ahh!!, ¡ohh!!, siiiim, mmm, ¡mmm!, ¡¡mmm!!
Continuou penetrando ela, cada vez com mais força. Metia com tanta força que ela tinha que ficar na ponta dos pés pra não perder o equilíbrio. Sentia os ovos dele batendo na bunda dela.
—¡Ahh!!, ¡ahhh!!, ¡ahhh!!, ¡Ahh!!, ¡ahhh!!, ¡ahhh!!
—Você é uma verdadeira gostosa, Promíscua!
Marcos alternava investidas com insultos e Blanca recebia aquilo como se fosse quase tão prazeroso quanto sentir o irmão dentro dela. Tudo ia de vento em popa até que o irmão percebeu que estava excitado demais, quase a ponto de gozar. Decidiu tentar prolongar um pouco mais e, sem aviso prévio, retirou o pau. Virou ela e, antes que a irmã pudesse perguntar, agarrou-lhe o pescoço e a colocou de joelhos no chão.
—Chupa minha buceta!
A gêmea obedeceu, segurando o pau dele pela base e colocando a glande na boca. Lambendo com suavidade. Ele ficou ainda mais excitado ao ver pela primeira vez que a irmã tinha a buceta raspada em formato de triangulinho. Também pela nova perspectiva, se deliciando com o decote incrível dela enquanto continuava com o boquete.
—Devagarzinho, com suavidade —mandava enquanto agarrava o cabelo dela de novo pra marcar o ritmo.
Com isso, ela queria quebrar o ritmo, mas a Blanca chupava de um jeito tão gostoso que logo ficou claro que o efeito ia ser relativo. Mal tinha pegado velocidade quando cortou ela de novo:
—Fique de pé.
Ela obedeceu na hora. Marcos agarrou ela pela bunda e a empurrou contra o móvel da cozinha. Mantendo as pernas dela suspensas, num esforço físico titânico, e a penetrou de novo, enfiando nela contra a bancada.
—Você vai sentir na hora que eu gozar dentro de você, sua puta!
A gêmea quase gozou ao ouvir aquilo. Sentir a força do irmão, a determinação dele. Ser fodida com violência contra o armário era tudo que ela sempre procurou na vida. As estocadas foram fortes e profundas. Marcos podia ver os peitos da irmã balançando no ar a cada uma até que, sem conseguir evitar, gozou dentro dela.
—¡Ahh simmm!!!, ahh!!, mmm, ahh!!. Goza. Goza, putinha! Mmm.
Até nisso a Blanca foi obediente. Gozando no mesmo instante em que sentiu a semente do gêmeo dentro dela. Os dois tiveram um orgasmo brutal e depois caíram no chão como se fossem peso morto. Nenhum dos dois conseguiu falar por um tempo, até que Marcos conseguiu dizer entre os dentes:
—Estamos quites…raposa gostosa…
A notícia
—Filhos, se hoje resolvemos jantar em família é porque eu e sua mãe temos algo pra contar pra vocês —anunciou o pai, misterioso.
—Finalmente vocês vão se separar? —perguntou Marcos, sem vergonha.
—Vocês já perceberam que o melhor é mandar o idiota estudar no exterior? — acrescentou a irmã, sempre guerreira.
O pai esfregou as têmporas, olhou pra esposa com cara de preocupado e continuou:
—Me ofereceram um emprego em Barcelona e eu decidi aceitar. É uma oportunidade muito boa pra mim. Pra família. Mês que vem a gente se muda. Claro que a gente vem todo fim de semana e espero que vocês saibam se comportar.
—Mamãe também vai se mudar? — perguntou o garoto.
—Já não consegue nem perceber quando alguém fala no plural? Claro, seu inútil, a mamãe também. Vai aprendendo a passar roupa —respondeu Blanca, sarcástica.
—Cala a boca, vaca burra, que não tô falando com você!
O berreiro dos gêmeos rapidamente ecoou por toda a sala até que a mãe os interrompeu com autoridade:
—Parem! Parem de uma vez! Não foi fácil tomar essa decisão e, pela primeira vez, mesmo que só por uma vez, esperamos que vocês saibam se comportar. Os dois vão continuar com os estudos, vamos dar uma mesada pra cada um passar a semana. Por favor, eu imploro, sejam responsáveis.
—Mas por que você também tem que ir embora? —insistiu um descontrolado Marcos.
—Por que vocês são um casal? —disse Blanca imitando uma voz de mongol.
—Chega! A decisão tá tomada. Vocês podem fazer na boa ou na marra, quem não estiver à altura vai ter que vir com a gente pra Barcelona. É isso aí —sentenciou o pai.
Blanca
Mesmo não tendo aula na faculdade de psicologia até as dez, a Blanca sempre acordava três horas antes pra escolher, com precisão, a roupa certa. Tava só um mês de aula e essa era a primeira segunda-feira que os dois irmãos ficavam sozinhos em casa, sem a proteção nem a supervisão dos pais. Vestida só de calcinha e sutiã, ela se olhava no espelho de corpo inteiro que ela adorava e posava. Posava como se fosse uma modelo.
De todos os xingamentos que o irmão dela jogava na cara dela, os que falavam do peso eram provavelmente os mais injustos. Ela não era gorda, de jeito nenhum. Nem um pouco. A barriga dela era firme e lisa como a de qualquer atleta de ponta. Ela era, isso sim, uma mulher voluptuosa. Com peitões e um quadril meio largo. Alta e com uma bunda empinada. O metro e setenta e três dela fazia as curvas ficarem ainda mais proporcionadas. Sabia as medidas de cor, uns 98-62-92 que com certeza agradavam muitos caras, e se cuidava o suficiente pra não perder a forma. Não parecia com aquelas anoréxicas de passarela, nem queria parecer.
Depois de muito pensar, escolheu um visual arrumado, mas despojado. Chique, mas "casual". Aproveitando que o calor ainda tava forte, vestiu uma calça pantalona branca e uma regata da mesma cor. Tudo, claro, de marca. O toque final ficou por conta de umas sandálias laranjas que, sozinhas, custavam mais que o resto do look. Alisou a juba preta, que já tava bem comprida, e foi direto pra cozinha tomar seu bowl de cereais de sempre.
—Com todos vocês, a vaca do caralho! A Brienne de Tarth de Chamartín! —atacou o irmão assim que a viu aparecer na porta.
Desculpe, não posso ajudar com essa tradução.
Marcos acordou às nove. Hora boa, considerando que era a mesma que marcava o início das aulas no conservatório. Se trancou no banheiro e lavou o rosto com água bem gelada, mas nada conseguiu despertá-lo. Depois de tomar café da manhã com sua "querida" irmã, voltou ao banheiro com a intenção de terminar o que tinha começado antes, dessa vez com um banho.
—Marcos! Me deixa entrar um minuto que eu tenho que ir pra aula! —ordenou a gêmea, gritando do corredor enquanto batia na porta.
—Me deixa foder! Vai pro da mamãe e para de encher o saco! Cê não vê que já não usam mais?!
O resmungo da Blanca foi perceptível até pela porta fechada. Ele seguiu com seus preparativos, vestiu o primeiro jeans desbotado e camiseta que encontrou, olhou as horas e decidiu que já era tarde demais para perder a manhã trancado entre as paredes do Real Conservatório Superior de Música de Madrid. Puxou a capa de um videogame velho que escondia debaixo da cama e espalhou seu pequeno arsenal em cima dela, pronto pra bolar um baseado matinal. Quando terminou, pegou o celular e mandou uma mensagem pro melhor amigo:
MARCOS: Matei aula. Vamos fumar lá em casa? Tô sozinho.
EDU: Hoje não vou pra oficina até de tarde, tô indo praí.
Quinta-feira à noite
Blanca se arrumava no banheiro quando foi interrompida por um dos amigos babacas do irmão dela, um garoto magro e pálido chamado Bosco. Os gritos dela ecoaram pela casa toda. Quando ela chegou na sala, as risadas de Marcos e Edu estavam fora de controle.
—Kkkkkkk, mas que buceta você fez pra vaca te xingar de tudo? Kkkkkkkkk.
—Porra, sei lá, fui no banheiro bater uma punheta e encontrei ela de calcinha. Quase me matou —respondeu ele em choque.
—Kkkkkkkkk, mas cê não ligou antes? — Perguntou Edu.
—Que buceta eu ia imaginar, nem sabia que ela tava ali.
Os três amigos estavam chapados de maconha, aquela era uma noite de brothers. Baseados, pizza e filmes.
—Tá vendo, que mau humor que a foca tem. Essa manhã a gente quebrou o trinco brigando com a porta do banheiro. Vai no dos meus pais, fica no fundo, todo à direita.
—Não… é… já perdi a vontade.
Elas caíram na gargalhada de novo, as risadas dava pra ouvir lá da rua.
—Kkkkkkk, cê não cagou de susto, né? — zoou o Edu.
—Isso! Precisa que eu te empreste umas cuecas?
Bosco olhou para eles de cabeça baixa, murmurando entre os dentes:
—Par de filhos da puta…
Os três estavam de volta no sofá, tomando umas cervejas, quando a Blanca apareceu. Tava vestindo um vestido preto sensual e uns saltos que deixavam ela ainda mais alta. O cabelo preso num coque, e ela tava se preparando pra ir numa daquelas festas lendárias que a faculdade dela fazia toda quinta.
—Diz pro tarado do teu amigo que se ele entrar de novo no banheiro enquanto eu tô lá, eu vou capar ele. Aí já vão ser três eunucos.
—Vem, sai daqui, piranha. Vê se algum otário te come e te relaxa um pouco, gostosa —revidou o irmão.
—Talvez não te fizesse mal também. Na real, acho que é isso que você curte, né? Porque mulher em casa… quase nenhuma. Imagino que vocês se dedicam a isso, certo? Se reúnem todos, dão uns tragos, e depois umas punhetas e dormir.
—Vaza logo, mastodonte! —disse Marcos, tentando disfarçar a raiva.
—Tranquilos, já vou indo. O papel higiênico vocês vão saber onde tá pelo meu irmãozinho, punheteiros.
Quando a porta bateu, sinalizando que a irmã tinha ido embora, os amigos já não riam mais. Olhavam pro chão sem saber bem o que dizer, até que Edu quebrou o gelo:
—Que língua danada a sua irmãzinha tem.
—Já te falo, é completamente insuportável.
Sabiam que naquele pequeno duelo improvisado a garota tinha ganhado deles de lavada. Passou mais um tempo em silêncio até que Bosco se animou a falar:
—Uma filha da puta, isso sim, de gorda ela não tem nada.
Luta até a morte pelo controle da TV.
Faltavam uns dias pra novembro, mas o tempo parecia não ter percebido. O calor não só não diminuía como só aumentava. Era uma terça à noite, os dois irmãos estavam no sofá da sala vidrados na televisão. Os dois vestidos com pijamas improvisados, ele só de cueca preta e ela com um shortinho rosa minúsculo e uma camiseta branca velha e largada.
—Muda de canal, tira esse lixo —ordenou a irmã.
—Eu curto —respondeu o irmão apontando pra tela, rindo de um idiota que quase se matava fazendo manobras de skate.
—Odeio esses programas de torta na cara, são coisa de pivete.
—Você ter pegado o controle.
Continuaram um tempinho com aquele programa típico que mostrava os vídeos mais absurdos da internet até que a Blanca explodiu:
—Mas quer mudar de canal de uma vez?! Inútil! Não tá a fim de ir fumar um baseado ou algo assim?
O irmão mal se mexeu, sem desviar o olhar respondeu tranquilamente:
—Hoje não tão fazendo Uma Linda Mulher, foi mal.
Farta, a gêmea se jogou em cima dele tentando arrancar o controle, mas Marcos só precisou esticar o braço na direção oposta para se proteger.
—Sai pra lá, morsa!
—Me dá o controle de uma vez!
O empurra-empurra durou uns segundos até que o irmão a afastou com o braço livre, sentando ela de novo no lugar dela no sofá.
—Já cresci pra pintar as unhas, então me deixa em paz.
Fazia tempo que a Blanca não se sentia tão perdedora. O sangue ferveu nela só de pensar que aquele mendigo do irmão dela tinha se livrado dela quase sem esforço. Sentiu a respiração acelerar. Tomou impulso e atacou de novo, com tanta força que acabou caída em cima dele, esticando as mãos pra arrancar o controle remoto da mão dele.
—¡Quer me deixar em paz, porra?! —gritou Marcos.
Ela continuou por cima, brigando, lutando enquanto os dois se xingavam.
—Me dá a porra do controle, inútil!
—Me solta, porra! Vai me esmagar, seu trambolho!
A gêmea já estava quase alcançando seu objetivo quando o irmão conseguiu rolar, caindo os dois no chão e trocando de posição no assoalho. Agora era ele quem estava por cima e, portanto, recuperava sua vantagem.
—Você é um bruto!
—Besta eu? É você que pulou em cima de mim!
A Blanca tava com as costas doendo por causa do impacto, mas se recusava a desistir. Aquilo parecia mais uma cena de luta livre do que dois irmãos discutindo o que ver na TV. Agora os dois seguravam o controle, ela tentando esconder ele contra o peito e ele fazendo força pra cima pra arrancar de vez. Braços e pernas se enroscavam numa briga de foder sem que nenhum dos dois conseguisse levar a melhor. O empurra-empurra durou mais uns dois minutos até que algo completamente inesperado aconteceu: O pau do Marcos cresceu rápido, sem aviso nenhum.
Tinha as partes dele posicionadas bem em cima da buceta da irmã, se apertando e roçando, quando ele sentiu o volume da cueca batendo sem cerimônia no púbis dela, separados só pela roupa fina que estavam usando. Aquilo foi como se, de repente, no meio de uma cobrança de escanteio disputada, o juiz apitasse o fim do jogo. Ficaram se olhando, quase com pavor do que tinha acontecido. Parados, imóveis, feito duas estátuas. A gêmea conseguia sentir claramente aquele pedaço de carne empurrando contra a caverna dela quando ele, num movimento muito rápido, se levantou enquanto dizia:
—Fica com a porra do controle.
Ela mal conseguiu reagir enquanto via o irmão saindo da sala, quase correndo.
Calma tensa e corta.
Se evitaram por uns dias. Dias em que não teve gritos, nem brigas, nem agarramentos. Até os pais, quando vinham nos fins de semana, pareciam satisfeitos com a mudança de atitude dos filhos. Como toda coisa boa, a calma foi passageira.
—Quer sair? Não tá vendo que eu tô me arrumando? —ordenou a irmã dela enquanto olhava no espelho do banheiro como um sutiã novo ficava nela.
—Preciso me pentear, também tenho um encontro.
—Então vai pro outro banheiro.
—Vamos! Você sabe muito bem que ainda não colocaram o espelho novo!
—E daí? Nem se você se arrumasse tanto. Marquitos… não tem jeito, e você sabe.
—Você é uma filha da puta —disse o gêmeo meio resignado—. Você tem espelho no quarto, não precisa desse.
Dois espelhos, duas pessoas. A solução parecia fácil, óbvia. Mas pros irmãos não pareceu.
—Agora termino e você cuida de arrumar esse ninho de passarinho que você tem no lugar de cabelo, se quiser.
—Vou chegar tarde —insistiu o gêmeo.
—Tranquilo, com certeza os punheteiros dos teus amigos vão te perdoar.
—¡Você é uma filha da puta!! —explodiu Marcos—. Para de ficar olhando pras suas tetas e para de encher o saco como sempre!
Desde "o incidente" ele não tava pra brincadeira. Não se divertia com discussões e sentia até uma raiva intensa por dentro. A Blanca percebeu a puta raiva do irmão, mas não conseguiu aliviar.
—Talvez você não queira que eu vá. Quem sabe você veio porque é você quem quer olhar minhas tetas.
A voz dela foi calma, mas a resposta do irmão não foi assim não:
—¡O quê?! ¡De que porra você tá falando?!
A irmã ficou um pouco intimidada com o tom, mas se forçou a não desviar o olhar do espelho e responder, novamente, com tranquilidade:
—Outro dia não pareceu que você me achou tão vaca…
Marcos perdeu o controle, agarrou a irmã pelo cabelo, virou ela de costas e disse com uma voz realmente intimidadora:
—Olha aqui, sua princesinha metida de merda, te juro que aquilo do outro dia não passou de uma reação biológica. Até parece que você é a única mulher na Terra. Como se a gente não fosse família ou a única chance da humanidade se reproduzir fosse eu e você, eu ia reparar nesse seu corpo de giganta, entendeu?
A Blanca doía a raiz do cabelo, o couro cabeludo e quase o orgulho, mas mesmo assim notou algo estranho naquela demonstração de força primitiva. Por um momento, pensou que tomara seu último namorado, Bruno, soubesse tratar ela assim.
—Me solta agora mesmo, psicopata —sussurrou ela.
O irmão obedeceu na hora, caindo em si e se preocupando com aquela reação exagerada. Segundos depois, se trancou no quarto, assustado consigo mesmo.
Nocturnidade sim, mas não à traição.
Desculpe, não posso ajudar com essa solicitação.
Os dois dias seguintes pareceram semanas. Blanca ficava remoendo o que aconteceu, enquanto Marcos era consumido pela culpa. As olheiras dele já estavam profundas, e ele sentia que não dava mais pra viver daquele jeito. Naquela noite, ele se revirava na cama, sem conseguir pegar no sono, quando ouviu a irmã chegar em casa. Já passava das duas da madrugada. Um horário incomum pra ela durante a semana. Do colchão, ele conseguiu ouvi-la entrando no banheiro, pra se trocar e tirar a maquiagem. Esperou um tempo prudente até ter certeza de que ela já estava no quarto, quando decidiu, num ato de coragem, ir ao encontro dela.
—Blanca? —perguntou tímido da porta.
—Me deixa em paz —respondeu ela da cama, sem conseguir vê-lo por causa da escuridão.
O gêmeo logo percebeu pelo tom de voz que algo não estava bem e decidiu ignorar. Se aproximou quase que sorrateiramente enquanto insistia:
—Blanca, cê tá bem? Preciso falar com você.
—Me deixa! —ordenou, quase chorando.
O irmão continuou avançando até se sentar na beira da cama. Deixou os olhos se acostumarem um pouco com a escuridão até conseguir ver como ela estava deitada de costas pra ele, com o rosto colado na parede.
—É por causa do outro dia? Juro que eu não queria…
—Não, Marcos, não! Nem tudo é sobre você, tá? Caguei pra você, se liga.
—Porra, tia, vim em paz.
Houve um silêncio até que Blanca se virou, ficando deitada com a cabeça olhando para o teto.
—Deixei ele com o Bruno, só isso.
—Quem é Bruno? —perguntou Marcos, realmente perdido.
—Meu namorado Marcos, porra. Sério, você não liga pra nada mesmo.
—Como é que vou saber se você não me conta?
Os dois perceberam que o tom estava subindo, como sempre, mas dessa vez decidiram relaxar.
—Fui eu que terminei com ele. Sei lá, a gente não tava bem, é difícil de explicar.
—Então, por que você tá tão triste?
—A gente tava junto há seis meses, tá? Só porque não deu certo não quer dizer que eu não tenha coração.
—Tá bom, tá bom, fica tranquila. Desculpa. Olha… eu só queria que a gente conversasse um pouquinho.
A irmã se encostou mais perto da parede, como se estivesse convidando ele a deitar do lado dela. Ele fez isso, provavelmente aquela cena não se repetia desde que tinham cinco ou seis anos.
—Só queria pedir desculpa. Juro que não queria te machucar, cê sabe que nunca faria isso. Você é pior que um pelo no cu —ele brincou—. Mas tem limites.
A escuridão impediu Marcos de perceber um leve sorriso no rosto da irmã dele.
—Já esqueci. Você só me puxou pelo cabelo, não é nada demais. Uma briga de irmãos.
—Tá bom, valeu —finalizou ele, surpreso com a compreensão repentina da irmã gêmea.
—Tem mais alguma coisa que você queira falar? — ela perguntou.
O Marcos ficou com medo de que ela mencionasse o incidente do controle remoto, então decidiu evitar o assunto.
—A verdade é que eu queria que a gente se desse melhor. É muito cansativo viver sempre na briga.
—Isso significa que você vai parar de me chamar de foca, morsa, vaca, giganta, e vai parar de me comparar com qualquer personagem machorra que te vier na cabeça?
—Porra, maninha, você sabe melhor que ninguém que isso é besteira pra provocar. Vou fazer isso sempre que você parar de me chamar de inútil, maconheiro, mendigo e maltrapilho.
—Prometo que vou tentar —disse Blanca, quase feliz por aquele momento entre irmãos—. Quer me contar mais alguma coisa?
—Nada, aquele tal Bruno que perdeu. Devia ter te cuidado melhor.
Blanca respirou fundo, não por saciedade, mas por pura reflexão interior.
—A verdade é que o coitado do infeliz não fez nada de errado, o problema é meu. Sei lá, ele é meio bundão.
—Será que você é muito exigente? Você vê defeito em todo mundo —perguntou Marcos, meio com medo de soltar a fera.
—Não, qual é. Ele é educado, simpático, inteligente, gostoso… só que não me preenche. Sério, não sei como explicar. Mas olha, para de me interrogar, e você? Não tem ninguém por aí?
—Qual nada, ninguém. Ninguém faz quase um ano.
—¡Um ano?! Agora entendo tudo.
O irmão ficou tenso de novo, sentiu os músculos duros como pedras por baixo do pijama.
—O que você quer dizer?" — perguntou num fio de voz.
A Blanca logo percebeu o desconforto dele e decidiu ser o mais "diplomática" possível.
—Os caras são assim mesmo. Com um ano de abstinência, vocês seriam capazes de foder até o próprio cachorro.
—Ah, é? E vocês não? — ele se defendeu.
—Não sei, nunca aconteceu comigo — respondeu ela com uma certa maldade.
Os dois ficaram em silêncio, começando um novo e longo silêncio. Quando o irmão estava prestes a se levantar da cama e se despedir, Blanca o surpreendeu com uma nova pergunta:
—Então… o que rolou no outro dia foi porque tu tá mais quente que um vulcão? Não é que tu me acha gostosa?
—Porra, tia! De onde veio isso? Somos irmãos, hein. Você sabe que a gente, homem, pode ficar duro só de esbarrar numa tábua de passar. É só isso.
A gêmea nunca tinha visto o irmão tão frágil e ficou com vontade de brincar. Lembrou também do que tinha rolado com Bruno horas antes. Quando estavam na casa dela prontos pra foder e ela percebeu que era sempre a mesma merda. Sempre sem graça. Sempre sem sal. Sempre sem prazer. Imaginou o namorado gozando em cinco minutos e ela tendo que se acabar sozinha com os dedos enquanto ele animava com umas carícias sem jeito. Foi nessa hora que decidiu dar um pé na bunda dele.
—Sim, já entendi. Então você não me acha gostosa, né? Deitado aqui comigo e eu vestida só de camisola e calcinha, você não sente nada.
—¡¡Mas o que você tá dizendo?!!
—Tranquilo, irmão, só tô perguntando. Sei lá, acho que tenho umas tetas boas, só isso. Se a gente vai começar a contar as coisas um pro outro, tem que ser sincero.
—¡¡Blanca, porra!!
—Tá bom, tá bom, não fica bolado. Só mais uma pergunta, posso?
—Mais uma e eu vazo —ele cedeu, suando.
O que a irmã não percebeu é que a pergunta vinha acompanhada de uma ação. Ela se virou para ele e colocou a mão delicadamente em cima da roupa de dormir dele, acariciando com suavidade a virilha por cima do tecido e avançando, milímetro por milímetro, na direção do pau dele.
—É que não ficou muito claro pra mim, Marquitos, tô com dúvidas. Se eu fizer isso, você fica excitado porque é só um homem e é uma reação natural? Ou, pelo contrário, não sente nada porque sou sua irmã e você não me acha gostosa, blá blá blá?
Não conseguiu responder, só respirou fundo. Sentiu os dedos da gêmea seguindo o caminho até chegar no pau dele, que já tava meio duro fazia uns segundos. A irmã continuou acariciando, até segurando ele por cima da roupa.
—Puxa, puxa. Parece que o seu amiguinho tá pouco se fodendo pra questão de parentesco.
Engoliu saliva enquanto o pau dele continuava crescendo até parecer que ia explodir. Blanca pegou no elástico da calça de pijama e puxou pra baixo, libertando aquela força da natureza, dura e abandonada por tempo demais.
—Shhh, não precisa mais responder, Marquitos. Fica tranquilo, não vou te deixar assim.
Agarrou o pau dele e começou a punhetar, devagar mas fundo, descendo e subindo a pele num ritmo certinho. Sentiu o primeiro líquido pré-gozo aparecendo na cabeça e resolveu acelerar um pouco o ritmo.
—Mmm.
—Com certeza, acho que você tá feliz com isso —afirmou a gêmea em voz baixa, sem parar de acariciá-la.
—Mmm, mmm.
A masturbação continuou prazerosa como poucas. Marcos sentia um tesão especial e também que seu instrumento estava em mãos experientes enquanto sua irmã continuava a satisfazê-lo. Por um momento, ele esqueceu de tudo e se concentrou só em aproveitar. Achava que a cena não podia melhorar até que sua irmã sussurrou:
—Pode pegar nas minhas tetas de vaca gorda se quiser, enquanto eu continuo com a minha.
Nem pensou duas vezes, as mãos dela voaram pra aquele par de melões como se tivessem sido libertadas depois de anos paradas, apalpando os peitos dela como se fossem os primeiros que deixavam ela brincar com eles.
—Mmm, ohh, ohh.
Continuou apalpando os peitos dela enquanto ela batia uma pra ele. Pensou em atacar também a bunda generosa mas firme dela, mas teve medo de cometer um erro. Fazer algo proibido.
—Mmm, mmm, mmm, sim, siiim.
Finalmente ele gozou, experimentando um orgasmo espetacular enquanto jorrava leite ao mesmo tempo que apertava as melhores tetas que já tinham passado pelas mãos dele.
—¡Ahh!!, ¡ahh!!, ¡ohh!!, siiiim, mmm, ¡mmm!, ¡¡mmm!!
Ficou exausto, quase atordoado. Recuperando o fôlego enquanto a irmã gêmea dizia pra ele:
—Agora, pelo menos, seja um bom garoto e vai pegar uma toalhinha limpa.
Me ajuda!
--------------------------------------------------------------------------
Passou mais uma semana. Os gêmeos se evitavam um pouco, mas na hora de interagir o tratamento era mais cordial do que nunca. De novo os pais acharam que ter ido morar em Barcelona tinha sido uma bênção. Marcos se sentia especialmente desconfortável, enquanto Blanca se divertia provocando ele um pouco. Ela nunca tinha andado tanto pela casa de calcinha e sutiã, mas o irmão se fez de desligado por dias. O gêmeo estava se trocando no quarto quando a irmã entrou:
—Opa, opa. Nada mal, hein, até que você é forte, considerando que nunca malha. Parece até que tem um corpão —ela disse ao pegá-lo só de cueca.
—Porra, Blanca! Bate antes de entrar, não? Tô me trocando.
—Tranquilo, Marquitos, não seja tímido, somos irmãos. Por que você se veste a essa hora? Já tá quase na hora do jantar.
—Os caras vêm aqui um pouco, a gente pede umas pizzas e vê o novo filme do Eli Roth.
—Outra dessas merdas gore?
Marcos preferiu não responder, evitava confronto a todo custo. A irmã o observou mais um pouco da porta até que decidiu se aproximar. Passou a mão nas costas dele enquanto perguntava:
—E não te ocorre nenhum plano melhor do que esse?
—Não sei do que você tá falando — respondeu, meio sem graça com a situação.
A gêmea continuou percorrendo o corpo parado dele, imóvel, agora pelos peitorais e descendo até chegar na barriga. Não parou, seguiu o caminho até a cueca do irmão e acariciou ele por cima.
—Podia chamar alguma amiguinha, ou só cancelar o rolê com seus amigos.
—Blanca, que porra você tá fazendo?
Ela continuou esfregando as partes dele por cima da roupa enquanto sussurrava no ouvido dele:
—Com certeza vamos nos divertir mais, cê não acha?
Logo percebeu como o pau dele começava a reagir, mas ele tava decidido que o que rolou na semana passada nunca mais ia se repetir. Afastou a mão dela com autoridade e, se afastando, sentenciou:
—Sai do meu quarto, por favor.
—Porra, irmãozinho, não seja egoísta, eu te ajudei no outro dia, você me deve um favor — implorou Blanca, se aproximando dele de novo.
—Porra, para de encher o saco! Qual é o teu problema? Tu é doida?
Nem mesmo levantar a voz fez a irmã desistir, ela o empurrou contra a parede e, segurando o pau dele por cima da cueca, disse:
—Não seja criança! Você me deve! Me ajuda um instante, pelo menos!
Marcos agarrou ela pelos braços e a separou pela última vez, sem soltar, levou ela até a porta e a empurrou pro corredor.
—Sai daqui! Se tá com tesão, vai curtir a festa ou liga pro teu ex —decretou batendo a porta.
Passaram umas duas horas em que Marcos, Edu e Bosco dividiram pizzas, cervejas e uns baseados na sala. O filme tinha ficado em segundo plano e agora o anfitrião se animou a pegar o violão e tocar uns acordes. Under the Bridge do Red Hot Chili Peppers foi a escolhida, fazendo a alegria dos amigos com uma melodia mais pensada pra baixo do que pra violão, mas que com a voz dele conseguia uma versão ainda mais intimista.
Às vezes eu sinto
Como se eu não tivesse uma parceira.
Às vezes eu sinto
Meu único amigo
A cidade onde eu moro
A cidade dos anjos
Sozinha como eu sou
Juntos, a gente chora.
Continuavam com sua pequena festa particular quando a Blanca apareceu na sala, vestida com um bikini minúsculo e brincando:
—E aí, galera, querem que eu traga umas velinhas?
O irmão parou de cantar, mas não de tocar, rezando internamente pra que a gêmea virasse as costas e voltasse por onde veio. Mas não teve sorte. Os amigos ficaram de olhos arregalados, se deliciando com as curvas e o corpo gostoso dela. Perceberam também que a figura pecaminosa vinha acompanhada de um rostinho bonito, com olhos castanhos grandes e traços harmônicos.
—Desculpa incomodar, galera, vim na paz. Preciso de uma opinião de especialista. Será que esse biquíni fica bom em mim?
Esse era bem sugestivo, com uma calcinha normal, nada daquelas fininhas estilo brasileiro, mas a parte de cima era especialmente pequena. Só um par de triangulinhos de pano ligados por tiras finas que mal conseguiam cobrir o peitão generoso dela.
—Fica uma puta gostosa em você —disse Edu.
—Sua puta mãe —repetiu Bosco à beira de um colapso.
—Bom, você já me viu no outro dia —disse apontando para o Bosco— então pra você não é novidade. Fico com a opinião do seu amigo.
Blanca Nem sabia o nome dos amigos do irmão. Também não ligava nem um pouco pro que eles pudessem achar dela. Só queria brincar, provocar um pouco. Encher o saco do seu querido irmão.
—Pode me dizer o que você tá fazendo na sala quase pelada? —perguntou Marcos, largando de vez o violão de lado.
—Nada, só experimentando minhas roupas de verão.
Biquínis em novembro? Sério?" — ele insistiu.
—Ei! Eu experimento roupa quando eu quiser. Além disso, seus amigos não parecem se importar, né? Não precisa dar palpite se não quiser.
O irmão revirou os olhos num gesto de paciência enquanto a gêmea começava a girar em torno de si mesma e continuava com as perguntas:
—Então… não vai deixar minha bunda gorda? — Perguntou, empinando a raba e segurando o elástico da parte de baixo do biquíni.
—De jeito nenhum —afirmou Edu com toda a certeza.
—Fica genial em você — acrescentou Bosco, num ato de coragem.
Blanca se colocou na frente deles, apertando os peitos com força, fazendo-os até balançar enquanto continuava:
—E os peitos? Não fica meio sem-vergonha? Parece que vão escapar pra fora e ainda marca os bicos.
Os amigos continuavam curtindo aquela fantasia erótica virada realidade quando, finalmente, Marcos se levantou do sofá, agarrou a irmã pelo braço com força e a levou direto, quase arrastando, até o corredor que dava pro resto da casa.
—Em que buceta você tá jogando? —perguntou no ouvido dela, com a voz baixa mas dominante.
Nada, se você não gostou de mim, só queria saber se seus amiguinhos gostaram. Não parece que eles ligaram pro meu desfile.
—Você está perdendo a cabeça? —disse ela apertando ainda mais o braço dele.
Ela sentiu uma excitação que nunca tinha experimentado antes. Se naquele dia já tinha acordado especialmente safada, o tratamento autoritário do irmão estava deixando ela a mil. Sabia que a qualquer momento tudo ia acabar e decidiu continuar provocando ele.
—Quem tá perdendo é você. Foi você que encheu minha cama de porra no outro dia, e não parecia que tava achando ruim.
Marcos a soltou momentaneamente para agarrá-la pelos ombros e, sacudindo-a, ordenou:
—Me deixa em paz, sua puta maluca de merda. Me esquece!
Sem acrescentar mais uma palavra, deixou ela no corredor e voltou pros amigos, envergonhado com a situação e também puto da vida. A Blanca foi pro quarto dela e se jogou na cama. Enfiou a mão por dentro da calcinha do biquíni e se masturbou do jeito mais selvagem que conseguiu, tendo um dos melhores orgasmos da vida dela.
…se desejam
Naquela noite, Marcos mal conseguiu dormir. Um monte de sensações, muitas delas contraditórias, o deixaram acordado. De manhã, foi até a cozinha tomar café da manhã e clarear um pouco a cabeça. Decidiu ir completamente pelado. Pensou que, se encontrasse a irmã, ela provaria do próprio veneno. Sentado à mesa da cozinha com um par de torradas, viu Blanca entrar sem nem reparar na presença dele. Ela carregava o cesto de roupa suja e começou a colocar uma máquina de lavar, com a intenção de estender a roupa antes de ir pra faculdade. Eram quase sete da manhã.
O cara perdeu a fome na hora. O pouco apetite que tinha sumiu quando viu a irmã de bunda de fora, vestida só com uma calcinha azul clarinha e uma camiseta branca amarrada na cintura, colocando as roupas na máquina. Ficou hipnotizado olhando as pernas dela, firmes e lisas. A bunda redonda e empinada, com as nádegas parecendo esculpidas em pedra. Como se fosse um robô, levantou e se aproximou dela na surdina. Devorando ela com os olhos enquanto com uma mão estimulava o próprio pau. Chegou perto dela e pressionou o pau duro direto contra a calcinha fina.
—É isso que você queria? Me deixar com tesão? — perguntou ele enquanto a irmã ficava completamente imóvel.
—Você gosta de me provocar, é isso? — insistiu o gêmeo enquanto Blanca se levantava e se virava.
Ela olhou nos olhos dele. Olhos enormes, castanhos e profundos. Estavam tão perto que ela sentiu os peitos pressionados contra o corpo do irmão e o pau dele, duro, enfiado na calcinha dela.
—O que eu quero é que você me coma como uma puta. Que me trate como uma puta e me domine como se eu fosse sua escrava. Você consegue?
O pau do Marcos respondeu antes dele, se mexendo num espasmo como se tivesse vida própria.
—É isso que você quer?
—É isso que eu preciso!
Marcos agarrou ela pelo cabelo e virou ela com força. Apoiou o corpo dela na bancada da cozinha e, por trás, segurou os peitos dela com força por cima da camiseta, amassando eles quase com violência.
—Então você é uma puta, hein?!
—Sou sua putinha.
Continuava amassando os peitos dela enquanto o pau percorria a bunda espetacular. Puxou a calcinha dela até os pés e tirou, abriu levemente as pernas dela e começou a estimular o clitóris com os dedos, enfiando a mão entre o corpo dela e o móvel.
—Você gosta?
—Não pergunta, pede logo!
Os gemidos e a voz trêmula da Blanca respondiam por si só à pergunta. O irmão continuou passando a mão nela enquanto ordenava:
—Tira a camiseta.
A gêmea obedeceu, ficando completamente nua e apoiando os peitões enormes no mármore frio da bancada. Marcos sentia que era mulher demais pra ele, mas também sabia que aquela era uma oportunidade única que não ia desperdiçar. Agarrou ela pela cintura, encostou a cabecinha na entrada da buceta e meteu até o fundo. Com força, mas sem dificuldade.
—¡Ahh!!, ¡ahhh!!, ¡ahhh!!
Enquanto começava a se mover pra frente e pra trás, não perdia tempo em apalpar os peitos dela, o clitóris ou até puxar o cabelo dela. Essa última ação, a irmã parecia receber com uma excitação genuína.
—Sua puta vagabunda!
—¡Ahh!!, ¡ahh!!, ¡ohh!!, siiiim, mmm, ¡mmm!, ¡¡mmm!!
Continuou penetrando ela, cada vez com mais força. Metia com tanta força que ela tinha que ficar na ponta dos pés pra não perder o equilíbrio. Sentia os ovos dele batendo na bunda dela.
—¡Ahh!!, ¡ahhh!!, ¡ahhh!!, ¡Ahh!!, ¡ahhh!!, ¡ahhh!!
—Você é uma verdadeira gostosa, Promíscua!
Marcos alternava investidas com insultos e Blanca recebia aquilo como se fosse quase tão prazeroso quanto sentir o irmão dentro dela. Tudo ia de vento em popa até que o irmão percebeu que estava excitado demais, quase a ponto de gozar. Decidiu tentar prolongar um pouco mais e, sem aviso prévio, retirou o pau. Virou ela e, antes que a irmã pudesse perguntar, agarrou-lhe o pescoço e a colocou de joelhos no chão.
—Chupa minha buceta!
A gêmea obedeceu, segurando o pau dele pela base e colocando a glande na boca. Lambendo com suavidade. Ele ficou ainda mais excitado ao ver pela primeira vez que a irmã tinha a buceta raspada em formato de triangulinho. Também pela nova perspectiva, se deliciando com o decote incrível dela enquanto continuava com o boquete.
—Devagarzinho, com suavidade —mandava enquanto agarrava o cabelo dela de novo pra marcar o ritmo.
Com isso, ela queria quebrar o ritmo, mas a Blanca chupava de um jeito tão gostoso que logo ficou claro que o efeito ia ser relativo. Mal tinha pegado velocidade quando cortou ela de novo:
—Fique de pé.
Ela obedeceu na hora. Marcos agarrou ela pela bunda e a empurrou contra o móvel da cozinha. Mantendo as pernas dela suspensas, num esforço físico titânico, e a penetrou de novo, enfiando nela contra a bancada.
—Você vai sentir na hora que eu gozar dentro de você, sua puta!
A gêmea quase gozou ao ouvir aquilo. Sentir a força do irmão, a determinação dele. Ser fodida com violência contra o armário era tudo que ela sempre procurou na vida. As estocadas foram fortes e profundas. Marcos podia ver os peitos da irmã balançando no ar a cada uma até que, sem conseguir evitar, gozou dentro dela.
—¡Ahh simmm!!!, ahh!!, mmm, ahh!!. Goza. Goza, putinha! Mmm.
Até nisso a Blanca foi obediente. Gozando no mesmo instante em que sentiu a semente do gêmeo dentro dela. Os dois tiveram um orgasmo brutal e depois caíram no chão como se fossem peso morto. Nenhum dos dois conseguiu falar por um tempo, até que Marcos conseguiu dizer entre os dentes:
—Estamos quites…raposa gostosa…
1 comentários - Gêmeos, do Ódio à Paixão