O destino é uma parada meio complicada de entender. Não sei se a gente vai atrás dele ou se ele chega sozinho e vai te levando. Tem coisas que acontecem e vão mudando sua vida, e muitas vezes você nem percebe se foi você que criou ou se simplesmente aconteceram por conta própria e te levaram por aquele caminho.
Desde que me separei do meu tio, quer dizer, desde que decidimos de comum acordo botar um ponto final numa relação que durou um ano e três meses, nunca me senti realmente bem, livre daquela situação. Sempre tive ele na minha cabeça. Mesmo tendo um namorado maravilhoso que sempre me tratou bem e que tentou de tudo pra eu me sentir bem. Ele, claro, sem saber dessa relação. Nunca contei pra ele e nunca vou contar.
Digo tudo isso pra contextualizar o que aconteceu comigo na sexta-feira, dia 16. Algo totalmente impensado e que, com certeza, vai mudar minha vida completamente. Chego em casa do trabalho umas 8 da noite e encontro minha mãe que não estava, e ela tinha deixado um bilhete do lado do telefone. O bilhete dizia, seco: "Quando chegar, me liga na casa do meu irmão." Só isso. Pensei que alguma coisa estranha tinha acontecido e fiquei meio assustada. Depois comecei a tremer, será que ela morreu? E comecei a chorar e não tive coragem de ligar. Não sabia o que fazer. Pra piorar, meu namorado não vinha naquela noite porque tinha uma entrega na faculdade e ia ficar até tarde da noite nisso. O que eu faço, ligo pra ela? O que será que aconteceu? Demorei um pouco e liguei. Quem atendeu foi meu tio e perguntei pela minha mãe. Ele disse: "Já vou chamar ela, neném", ele sempre me chamava de neném. "Oi", ela disse, "sabe o que aconteceu? A Maruja (a esposa do Alfredo) teve um AVC e tá bem mal, quase não se mexe. O médico disse que ela vai se recuperar em dois ou três dias e depois vão ver que sequelas ficam. Então vou ficar aqui por esse tempo." "Mas mãe, um AVC não é brincadeira e não se resolve em dois ou três dias, e a Mica (Micaela é minha prima) não tá pra cuidar dela?" "Não, a Mica foi morar com o namorado dela faz dois meses. Eu fiquei sabendo hoje quando o Alfredo me ligou." "E você vai Me deixar sozinha aqui? Eu disse: "Tá bom, amanhã a gente conversa mais calmas as duas. Por enquanto, tenta me entender, é meu irmão." Foi assim que a conversa terminou. Eu fiquei sentada com as mãos tampando o rosto, pensando no que seria de nós. Minha mãe saiu de casa nova e os avós não deixaram nada pra ela. Pro meu tio deixaram a loja de ferragens e ele, mesmo ajudando bastante, não era a mesma coisa. Ele vive muito bem e a gente não. E ainda por cima ter que cuidar da mulher... Até quando seria? Aquela noite não consegui dormir pensando no que ia acontecer no futuro. Comecei a viajar em coisas que podiam rolar. A relação da Mica com os pais nunca foi boa, então ia ser difícil ela cuidar da mãe, embora eu ache que ela devia. Por outro lado, ela tinha saído de casa e nunca tinha me falado sobre isso, e a gente conversa direto, mas ela não contou. Fiquei pensando em tanta coisa que deu um nó na minha cabeça. Uma das coisas que pensei foi que, na verdade, minha mãe era dona da metade da loja e que o que podia acontecer é que aquele dinheiro que o tio dava era tipo pra pagar a parte dela do negócio, e quando eu perguntasse algo, iam dizer que já tinham pago. Tudo isso, que não tem nada a ver com o que tinha acontecido de fato, se misturou nos meus pensamentos e quase não dormi. No dia seguinte, fui trabalhar no turno da manhã e voltei pra casa umas três da tarde. Mal cheguei, o telefone tocou e era meu namorado querendo saber como eu tava. Ele me contou que tinha feito a entrega e que na segunda ia ter a discussão com os professores e aí saberia como foi, além de me contar uma coisa que me partiu ao meio. Acontece que os estudantes de Arquitetura fazem uma viagem de fim de curso quando entram no último ano, e essa viagem dura tipo um ano, dando a volta ao mundo. Bom, ele me disse que ia na viagem, que saíam no fim de setembro e voltava no fim de agosto. Eu disse: "Assim, sem anestesia e por telefone, você me fala que... Você vai me deixar um ano sozinha? Me desculpa, mas eu ia te contar hoje à noite, só que resolvi falar agora. Sei que errei, você me perdoa? Aí eu respondi: "Pelo visto já é uma decisão tomada, então não tenho nada a perdoar", e desliguei. Quando desliguei, percebi que não tinha contado que estava sozinha e que minha mãe estava na casa do irmão dela. Mesmo assim, aquilo me quebrou. Me joguei na cama e apaguei. Não sei quanto tempo fiquei dormindo quando acordei assustada com o som do telefone. Fui atender, era minha mãe dizendo que tudo continuava na mesma e que só na segunda-feira a gente saberia o que ia rolar com a tia. Contei sobre a viagem do Eduardo, e ela cagou e andou pra isso. Ela mal me ouviu, tanto que disse pra eu falar pra ele ter uma boa viagem se viesse hoje em casa. Não entrou na cabeça dela que ele ia em setembro. Voltei pro quarto, me joguei na cama e olhei o relógio: eram quase oito da noite. Não sabia se meu namorado ia aparecer ou não e, além disso, não tinha nada pra jantar, então fiz um arroz com ervilha e ovo cozido e fiquei vendo TV. Lá pelas nove e meia da noite, o Eduardo chegou. Ele não falava nada sobre a viagem, e eu contei o da minha tia. Ele disse: "Por que você ficou sozinha aqui? Devia ter ido com sua mãe, estaria mais acompanhada." Olha, falei, eu esperava outra coisa de você, tipo que dissesse que ia se mudar pra cá enquanto minha mãe não volta, ou algo assim, mas não te ocorre nada desde que você tá pensando nessa viagem. Foi só discussão até ele falar: "Olha, não vim brigar, vou deixar você se acalmar, volto amanhã e te convido pra almoçar fora", e sem mais, foi embora. Me joguei no sofá e comecei a chorar. A verdade é que não tava a fim de continuar enchendo o saco dele. Daqui até setembro dá tempo de fazê-lo desistir da viagem ou de me enfiar nela também, já que muitas namoradas ou namorados vão com seus parceiros na viagem. Tem que pagar as passagens, mas são mais baratas que as normais e ainda dá pra parcelar em várias vezes. Além disso, tem o tio, que... Posso pedir um empréstimo. Errei nessa. Fui dormir sem jantar. No domingo acordei sabendo que não precisava trabalhar naquele dia. Justo caiu minha folga. Tomei banho, me vesti, tomei um copo de leite frio no café da manhã e fiquei vendo TV enquanto esperava meu namorado chegar, que me convidou pra almoçar. Jurei pra mim mesma não brigar com ele e tratá-lo bem. Tava nessa quando ouço a porta da rua e grito: quem é? Sou eu, disse minha mãe. Oi, demos um beijo. O que cê tá fazendo vestida assim? Esperando o Eduardo, que me chamou pra almoçar. Veio fazer o quê? Vim pegar umas roupas e te contar o assunto. Como tá a tia? Mais ou menos, mas tá melhor que sexta. Mas quero te falar uma coisa importante: o Alfredo pediu pra gente ir morar na casa. Como cê sabe, é a casa que era dos meus pais e tem cinco quartos. Agora a Mica foi embora, usava dois quartos pra ela, e sobram pra gente. Além disso, cê vai trabalhar na loja de ferragens e não precisa viajar pra cá todo dia. Como eu ia dizer pra minha mãe que não dava pra viver debaixo do mesmo teto com o tio? Que invenção arrumar pra falar não? No bairro onde a gente mora, com rua de terra, se deixar a casa sozinha não sobra nada em pouco tempo, falei, e ela respondeu: não se preocupa que o Alfredo vai vender, ele cuida disso. Quando percebi que tava tudo armado, vi que tinha perdido. Porque como ia ser ficar o tempo todo com ele e não rolar nada? Não acredito nisso. Então perguntei: quando a gente vai? Bom, acerta tudo com o chefe na segunda e na terça venho te buscar, ok? Ela disse. Beleza, vou ver se arrumo umas caixas pra levar nossas coisas. Nisso o Eduardo chegou, cumprimentou minha mãe e eu, e perguntou pela tia. Quando acabaram as formalidades, perguntei: onde cê vai me levar pra almoçar? Vamos no Rancho comer. Sua mãe vem com a gente? Não, disse minha mãe, já vou voltar pra Montevidéu. Nos despedimos e fomos almoçar. No almoço, contei pro Eduardo o que minha mãe e eu tínhamos decidido. Tio, e ele me disse: "Tudo bem pra mim. Vendam essa casa que vocês têm aqui e vão pra Montevidéu, que é melhor, eu te falei ontem à noite." "Sim, claro", eu disse, "e você achou ruim. Mudou alguma coisa agora?" "Não", eu disse, "pra mim não está totalmente certo, mas vamos ver como as coisas vão sair. Além disso, vou trabalhar na loja de ferragens da família, que é melhor do que no supermercado."
O problema era meu e eu não podia contar, então não falamos mais sobre o assunto. Almoçamos, depois fomos dar uma volta pelo centro e voltamos pra casa lá pelas quatro da tarde. Ficamos um tempinho nos amassando no sofá e depois ele foi embora.
Fiquei sozinha de novo e minha cabeça começou a funcionar: como vou fazer pra evitar qualquer chance de cair naquilo de novo? Como vamos nos olhar? Como vai ser a vida lá e na loja de ferragens? Eram todas perguntas sem resposta que só seriam respondidas depois, com o passar dos acontecimentos.
Por isso que no começo eu falava do destino. Escrever isso me levou de sexta a domingo à noite. Hoje fui pedir demissão, me pagaram a rescisão. Eu achava que era mais grana, mas serve pra eu ter algo meu. Amanhã a gente vê o que rola quando minha mãe vier me buscar.
Desde que me separei do meu tio, quer dizer, desde que decidimos de comum acordo botar um ponto final numa relação que durou um ano e três meses, nunca me senti realmente bem, livre daquela situação. Sempre tive ele na minha cabeça. Mesmo tendo um namorado maravilhoso que sempre me tratou bem e que tentou de tudo pra eu me sentir bem. Ele, claro, sem saber dessa relação. Nunca contei pra ele e nunca vou contar.
Digo tudo isso pra contextualizar o que aconteceu comigo na sexta-feira, dia 16. Algo totalmente impensado e que, com certeza, vai mudar minha vida completamente. Chego em casa do trabalho umas 8 da noite e encontro minha mãe que não estava, e ela tinha deixado um bilhete do lado do telefone. O bilhete dizia, seco: "Quando chegar, me liga na casa do meu irmão." Só isso. Pensei que alguma coisa estranha tinha acontecido e fiquei meio assustada. Depois comecei a tremer, será que ela morreu? E comecei a chorar e não tive coragem de ligar. Não sabia o que fazer. Pra piorar, meu namorado não vinha naquela noite porque tinha uma entrega na faculdade e ia ficar até tarde da noite nisso. O que eu faço, ligo pra ela? O que será que aconteceu? Demorei um pouco e liguei. Quem atendeu foi meu tio e perguntei pela minha mãe. Ele disse: "Já vou chamar ela, neném", ele sempre me chamava de neném. "Oi", ela disse, "sabe o que aconteceu? A Maruja (a esposa do Alfredo) teve um AVC e tá bem mal, quase não se mexe. O médico disse que ela vai se recuperar em dois ou três dias e depois vão ver que sequelas ficam. Então vou ficar aqui por esse tempo." "Mas mãe, um AVC não é brincadeira e não se resolve em dois ou três dias, e a Mica (Micaela é minha prima) não tá pra cuidar dela?" "Não, a Mica foi morar com o namorado dela faz dois meses. Eu fiquei sabendo hoje quando o Alfredo me ligou." "E você vai Me deixar sozinha aqui? Eu disse: "Tá bom, amanhã a gente conversa mais calmas as duas. Por enquanto, tenta me entender, é meu irmão." Foi assim que a conversa terminou. Eu fiquei sentada com as mãos tampando o rosto, pensando no que seria de nós. Minha mãe saiu de casa nova e os avós não deixaram nada pra ela. Pro meu tio deixaram a loja de ferragens e ele, mesmo ajudando bastante, não era a mesma coisa. Ele vive muito bem e a gente não. E ainda por cima ter que cuidar da mulher... Até quando seria? Aquela noite não consegui dormir pensando no que ia acontecer no futuro. Comecei a viajar em coisas que podiam rolar. A relação da Mica com os pais nunca foi boa, então ia ser difícil ela cuidar da mãe, embora eu ache que ela devia. Por outro lado, ela tinha saído de casa e nunca tinha me falado sobre isso, e a gente conversa direto, mas ela não contou. Fiquei pensando em tanta coisa que deu um nó na minha cabeça. Uma das coisas que pensei foi que, na verdade, minha mãe era dona da metade da loja e que o que podia acontecer é que aquele dinheiro que o tio dava era tipo pra pagar a parte dela do negócio, e quando eu perguntasse algo, iam dizer que já tinham pago. Tudo isso, que não tem nada a ver com o que tinha acontecido de fato, se misturou nos meus pensamentos e quase não dormi. No dia seguinte, fui trabalhar no turno da manhã e voltei pra casa umas três da tarde. Mal cheguei, o telefone tocou e era meu namorado querendo saber como eu tava. Ele me contou que tinha feito a entrega e que na segunda ia ter a discussão com os professores e aí saberia como foi, além de me contar uma coisa que me partiu ao meio. Acontece que os estudantes de Arquitetura fazem uma viagem de fim de curso quando entram no último ano, e essa viagem dura tipo um ano, dando a volta ao mundo. Bom, ele me disse que ia na viagem, que saíam no fim de setembro e voltava no fim de agosto. Eu disse: "Assim, sem anestesia e por telefone, você me fala que... Você vai me deixar um ano sozinha? Me desculpa, mas eu ia te contar hoje à noite, só que resolvi falar agora. Sei que errei, você me perdoa? Aí eu respondi: "Pelo visto já é uma decisão tomada, então não tenho nada a perdoar", e desliguei. Quando desliguei, percebi que não tinha contado que estava sozinha e que minha mãe estava na casa do irmão dela. Mesmo assim, aquilo me quebrou. Me joguei na cama e apaguei. Não sei quanto tempo fiquei dormindo quando acordei assustada com o som do telefone. Fui atender, era minha mãe dizendo que tudo continuava na mesma e que só na segunda-feira a gente saberia o que ia rolar com a tia. Contei sobre a viagem do Eduardo, e ela cagou e andou pra isso. Ela mal me ouviu, tanto que disse pra eu falar pra ele ter uma boa viagem se viesse hoje em casa. Não entrou na cabeça dela que ele ia em setembro. Voltei pro quarto, me joguei na cama e olhei o relógio: eram quase oito da noite. Não sabia se meu namorado ia aparecer ou não e, além disso, não tinha nada pra jantar, então fiz um arroz com ervilha e ovo cozido e fiquei vendo TV. Lá pelas nove e meia da noite, o Eduardo chegou. Ele não falava nada sobre a viagem, e eu contei o da minha tia. Ele disse: "Por que você ficou sozinha aqui? Devia ter ido com sua mãe, estaria mais acompanhada." Olha, falei, eu esperava outra coisa de você, tipo que dissesse que ia se mudar pra cá enquanto minha mãe não volta, ou algo assim, mas não te ocorre nada desde que você tá pensando nessa viagem. Foi só discussão até ele falar: "Olha, não vim brigar, vou deixar você se acalmar, volto amanhã e te convido pra almoçar fora", e sem mais, foi embora. Me joguei no sofá e comecei a chorar. A verdade é que não tava a fim de continuar enchendo o saco dele. Daqui até setembro dá tempo de fazê-lo desistir da viagem ou de me enfiar nela também, já que muitas namoradas ou namorados vão com seus parceiros na viagem. Tem que pagar as passagens, mas são mais baratas que as normais e ainda dá pra parcelar em várias vezes. Além disso, tem o tio, que... Posso pedir um empréstimo. Errei nessa. Fui dormir sem jantar. No domingo acordei sabendo que não precisava trabalhar naquele dia. Justo caiu minha folga. Tomei banho, me vesti, tomei um copo de leite frio no café da manhã e fiquei vendo TV enquanto esperava meu namorado chegar, que me convidou pra almoçar. Jurei pra mim mesma não brigar com ele e tratá-lo bem. Tava nessa quando ouço a porta da rua e grito: quem é? Sou eu, disse minha mãe. Oi, demos um beijo. O que cê tá fazendo vestida assim? Esperando o Eduardo, que me chamou pra almoçar. Veio fazer o quê? Vim pegar umas roupas e te contar o assunto. Como tá a tia? Mais ou menos, mas tá melhor que sexta. Mas quero te falar uma coisa importante: o Alfredo pediu pra gente ir morar na casa. Como cê sabe, é a casa que era dos meus pais e tem cinco quartos. Agora a Mica foi embora, usava dois quartos pra ela, e sobram pra gente. Além disso, cê vai trabalhar na loja de ferragens e não precisa viajar pra cá todo dia. Como eu ia dizer pra minha mãe que não dava pra viver debaixo do mesmo teto com o tio? Que invenção arrumar pra falar não? No bairro onde a gente mora, com rua de terra, se deixar a casa sozinha não sobra nada em pouco tempo, falei, e ela respondeu: não se preocupa que o Alfredo vai vender, ele cuida disso. Quando percebi que tava tudo armado, vi que tinha perdido. Porque como ia ser ficar o tempo todo com ele e não rolar nada? Não acredito nisso. Então perguntei: quando a gente vai? Bom, acerta tudo com o chefe na segunda e na terça venho te buscar, ok? Ela disse. Beleza, vou ver se arrumo umas caixas pra levar nossas coisas. Nisso o Eduardo chegou, cumprimentou minha mãe e eu, e perguntou pela tia. Quando acabaram as formalidades, perguntei: onde cê vai me levar pra almoçar? Vamos no Rancho comer. Sua mãe vem com a gente? Não, disse minha mãe, já vou voltar pra Montevidéu. Nos despedimos e fomos almoçar. No almoço, contei pro Eduardo o que minha mãe e eu tínhamos decidido. Tio, e ele me disse: "Tudo bem pra mim. Vendam essa casa que vocês têm aqui e vão pra Montevidéu, que é melhor, eu te falei ontem à noite." "Sim, claro", eu disse, "e você achou ruim. Mudou alguma coisa agora?" "Não", eu disse, "pra mim não está totalmente certo, mas vamos ver como as coisas vão sair. Além disso, vou trabalhar na loja de ferragens da família, que é melhor do que no supermercado."
O problema era meu e eu não podia contar, então não falamos mais sobre o assunto. Almoçamos, depois fomos dar uma volta pelo centro e voltamos pra casa lá pelas quatro da tarde. Ficamos um tempinho nos amassando no sofá e depois ele foi embora.
Fiquei sozinha de novo e minha cabeça começou a funcionar: como vou fazer pra evitar qualquer chance de cair naquilo de novo? Como vamos nos olhar? Como vai ser a vida lá e na loja de ferragens? Eram todas perguntas sem resposta que só seriam respondidas depois, com o passar dos acontecimentos.
Por isso que no começo eu falava do destino. Escrever isso me levou de sexta a domingo à noite. Hoje fui pedir demissão, me pagaram a rescisão. Eu achava que era mais grana, mas serve pra eu ter algo meu. Amanhã a gente vê o que rola quando minha mãe vier me buscar.
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