Nunca pensei que isso fosse acontecer comigo parte 3 — Mãe! Gritei depois de ver aquilo, não podia acreditar. — Já, filho, calma, me disse minha mãe com uma risada abafada. Foi um acidente, não tem égua escandalosa. — Mano, te juro que foi um acidente, não quis, mas tua mãe me pegou de surpresa, disse Fernando. Eu tava com o sangue fervendo, como é que aconteceu esse acidente? Se é que foi mesmo... De repente, meus pensamentos são interrompidos pela minha mãe. — Não faz mais cara feia, me disse. Melhor já se preparar pro café da manhã, falou ela tirando importância daquilo. Tudo transcorreu normal durante o café, pelo menos não notei nada estranho naquele momento. Até começar o jogo. A gente tava todo animado gritando e torcendo pela seleção, quando de repente o Quiñones fez o primeiro gol. A primeira coisa que minha mãe fez foi me abraçar e depois se aproximar do Fernando e, com o pretexto do abraço, colar a cara demais no peito dele, pelo menos na minha opinião, embora não tenha durado muito. Mas durante o resto do jogo notei que de vez em quando eles trocavam olhares que eu tentava ignorar. E de repente... Caiu o 2 a 0 com aquele gol do Jiménez. Minha mãe e eu levantamos e comemoramos nos abraçando, pra depois minha mãe se virar e abraçar meu amigo, só que dessa vez ela apoiou a mão no peito inteiro dele e depois encostou a cabeça por uns segundos que me pareceram eternos. O resto do dia passou sem mais nada. Também não é como se eu tivesse vontade de conversar muito. Tinha muita coisa na cabeça, então tentei não dar atenção a eles, embora me sentisse mais irritado do que consigo admitir. Durante a noite, antes de minha mãe ir pro quarto do Fernando, ela me perguntou se eu tava me sentindo mal? Porque eu tinha ficado muito sério. Claro, como se eu tivesse motivo pra ficar feliz depois do show que vi. — Não, mãe, só tô cansado, falei. — Bom, respondeu minha mãe, então aproveita e dorme mais cedo, enquanto eu vou ver o Fer. — Fer? Falo, é necessário? E eu... disse sim, osi, quer se curar logo temos que continuar com o tratamento. Você não acha que está levando isso muito a sério? Eu disse. Como assim você passa muito tempo com ele? Eu disse num tom mais alto do que eu gostaria. Percebi porque logo em seguida minha mãe virou minha cara com um tapa e me disse — Não me fala nesse tom de novo, tá me ouvindo? Na sua vida você não levanta a voz pra mim assim, eu não sou uma das suas amiguinhas da escola, me respeita, e já vai dormir, antes que eu fique brava. Sem alternativa, fui pro meu quarto tentar dormir. Entre a raiva e o tapa, demorei um pouco mas finalmente consegui. Porém, de madrugada, um barulho me acordou. Algo batia na parede cada vez com mais força e cada vez mais seguido, e depois começaram uns gemidos cada vez mais audíveis. Então saí do meu quarto e ouvi com mais clareza que minha mãe tentava falar baixo mas não conseguia. — aaahhh ayyy espera que você vai me quebrar......mais devagar por favor.....ahhhhhh ayyy assim, assim devagarinho....... Fiquei paralisado por uns momentos. De repente tudo ficou em silêncio e pouco depois voltou o frenesi, fazendo minha mãe gritar de um jeito que parecia que ia quebrar as janelas com os gritos. Na manhã seguinte, acordei como sonâmbulo, quase não tinha dormido. Então fui ao banheiro lavar o rosto pra minha cara não ficar tão visível. Mas antes de ir ao banheiro, olhei pra eles: meu amigo estava sentado numa das cadeiras na sala, de frente pra TV, e minha mãe estava em pé bem na frente dele perguntando como ele se sentia. Depois começou a massagear a perna dele. E bem quando as mãos dela subiam, ela enfiou a mão direita dentro da bermuda que meu amigo usava e começou um movimento peculiar. Naquele momento fiz barulho. Não sabia bem se falava algo ou não. Mas queria que parassem naquela hora. Minha mãe se afastou rapidinho do Fernando e foi pra cozinha, e depois me pediu ajuda com os pratos. Fui com ela e notei que ela nem lavou as mãos ao preparar o café da manhã depois de tocar na rola do meu amigo, ..... parte 4?
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