Lúcia tinha chegado ao jardim de infância fazia só uns meses. Era uma boa professora, mas ainda tinha situações que a deixavam sobrecarregada. Sem querer, Maria acabava ajudando ela em tudo. Nunca se oferecia. Só estava ali. Com o tempo, Lúcia começou a admirá-la profundamente. Mais de uma vez, acabava falando dela em casa com Eduardo, seu parceiro. Foi numa quinta-feira, enquanto arrumavam a sala, que Lúcia apoiou uma caixa de tintas e sorriu. — Vocês vão vir no sábado? A Carla está organizando uma festa à fantasia num sítio. Vai quase todo o jardim. — Que ideia boa. — Tô morrendo de vontade de você conhecer o Eduardo. Falo bastante de você pra ele. Maria sorriu. — Então vai ser legal botar um rosto no nome. --- Agustín resolveu a fantasia dele em menos de meia hora. Se recusou a gastar dinheiro. Pegou um paletó vinho que tava há anos sem usar, uma calça preta, um colete escuro, uma gravata borboleta velha, e desenhou dois losangos ao redor dos olhos. O resultado parecia um mimo sofisticado. Maria, por outro lado, tava há três dias brigando com a dela. Tinha encomendado pela internet um conjunto parecido com o das estudantes japonesas. Nas fotos, parecia fofo. Quando abriu o pacote, entendeu que algo não tava certo. A camisa apertava mais do que esperava. A saia era muito mais curta que nas imagens. Cada movimento parecia subi-la uns centímetros. Por si só, ela já tinha uma fisionomia bem exuberante, somada às longas horas de academia, era quase utópico imaginar que aquele pedacinho de pano conseguiria cobrir mais da metade da bunda enorme dela. — Não vou sair assim. Agustín apareceu atrás dela, abraçou. — É uma festa à fantasia. Ninguém vai ficar medindo o comprimento de uma saia. Maria suspirou. Resignada. --- O sítio tava iluminado com guirlandas penduradas entre as árvores. Música. Risadas. Pessoas fantasiadas andando com copos na mão. Piratas. Bruxas. Vampiros. Super-heróis. Maria ajeitou a saia de novo antes de passar pela entrada. Agustín deu um aperto suave na mão dela. — Você vai se divertir. Não deu tempo de terminar a frase quando ouviu uma voz conhecida. —María! Lúcia apareceu andando entre o povo. Vestia um vestido preto justinho, uma capa vermelha transparente, luvas longas e uma máscara vermelha sobre os olhos. Elegante e teatral. —Que gostosa você tá. —Espera... agora é minha vez. Ela passou o olho nela. Sem pressa. —Não esperava que você viesse assim. —Assim como? —Linda. María baixou o olhar. —A fantasia veio com um caimento estranho. Lúcia sorriu. —Então foi um erro bem sortudo. Nessa hora apareceu Eduardo. Alto, ombros largos, cabelo grisalho e barba aparada. As primeiras rugas ao redor dos olhos entregavam uma idade lá pelos cinquenta e tantos. Vestia um terno preto impecável e uma máscara veneziana escura. A presença dele impunha calma, mais do que autoridade. Lúcia pegou María pelo braço. —Ela é a María. Eduardo sorriu pra ela. —Finalmente nos conhecemos. Deu um beijo nela e a observou. —Lúcia ficou devendo. María olhou pra ele, confusa. —Quando falava de você. Essa fantasia parece feita especialmente pra você. Agustín voltou com quatro taças. —Perdi alguma coisa? —A gente tava dizendo que você ganhou o prêmio de melhor fantasia. Agustín sorriu. —Viu? Falei que você tava se preocupando à toa. Enquanto Agustín conversava com Eduardo, Lúcia se aproximou de María e ajeitou a gola da camisa dela. —Agora sim. Perfeita. --- Depois de várias taças, foi aí que Eduardo notou uma coisa. A saia de María tinha ido encolhendo a cada passo, cada giro, cada rebolado. O tecido mal cobria a curva generosa da bunda dela, deixando aparecer a parte de baixo daquela redondeza firme e branca. A calcinha azul — pequenininha, delicada, quase um sussurro de renda — se insinuava no limite entre o coberto e o exposto. Eduardo esticou o braço e, com naturalidade, passou os dedos pela borda do tecido, ajeitando a saia com um movimento preciso. A ponta dos dedos roçou de leve a pele nua de María, um contato tão breve que poderia ter sido Casual. Mas não era. Ela virou a cabeça, atônita, e se deparou com o olhar dele. Sereno. Quente. —Embora o resto do pessoal possa me ver como um chato —disse ele em voz baixa—, a decisão de mostrar mais ou não é sua. Maria sentiu algo se quebrar dentro dela. A sensação de ser cuidada sem ser julgada. De ser desejada sem ser devorada. Ela entendia por que Lúcia tinha escolhido ele. --- Eram quase três e meia quando decidiram voltar, já que a festa estava morrendo... —Se quiserem, a gente leva vocês, assim não precisam pedir Uber —disse Eduardo. Foram até o carro dele, um veículo alemão sofisticado. Os homens na frente por insistência de Lúcia, as duas amigas atrás, entre risadas e cochichos. —Mulher linda —disse Eduardo—. Dá pra ver que vocês se dão muito bem. —Valeu, vocês também têm uma dinâmica legal. —É, conheci a Lúcia e ela mudou minha vida. Confiamos muito um no outro. —Concordo que confiança é importante... —O que você tem com a Maria não existiria sem confiança. Ela foi o centro das atenções, mais de um devorou ela mentalmente, e você confia que ela sempre vai te escolher. Agustín sentiu um nó no estômago. —Desculpa se estou me intrometendo. Na real, vejo que você é uma pessoa que valoriza isso. —É, sei que ela foi bem provocativa hoje. Talvez até me senti desconfortável, mas não quis que ela ficasse frustrada. —Acertou. Ela estava incrível. Tem um corpo único. —Vai muito pra academia. —Ela é divina. Com certeza você curte vê-la se exibir. —Cla... claro. —Percebi. Na festa a gente viu a fio dental dela e deu pra notar que você não ligava... Azul, né? —Sim... —Fica tranquilo. Eu também gosto de ver minha mulher com outros. Por isso te identifiquei rápido. Agustín ficou sem palavras. De repente, atrás, fez-se silêncio. Ele virou rápido e se deparou com algo que o deixou sem ar. --- Lúcia e Maria estavam com as línguas entrelaçadas, as mãos das duas percorriam peitos e cintura. Um beijo apaixonado, alheio a tudo. Maria estava com os olhos semicerrados, os dedos de Lúcia... enredados na sua juba preta. A mão de Lúcia subia pela coxa dela, parando na beirada da saia. A mão de Maria, trêmula, se agarrava na nuca de Lúcia. Quando separaram os lábios, um fio de saliva as conectava. — Tava te esperando — disse Lúcia. Eduardo olhou pelo retrovisor. Sorriu. — São lindas. Maria apoiou a testa no ombro de Lúcia. — Agus — disse Eduardo —, hoje à noite a gente vai te dar o gosto. Vamos pra casa que elas duas merecem. --- O carro parou na frente de uma casa grande. Iluminação quente. Jardim cuidado. Porta de madeira maciça. — Pode entrar. Agustín entrou primeiro. Maria e Lúcia atrás, de mãos dadas. A sala era ampla. Móveis de design, mas aconchegantes. Um sofá de couro preto. — Fiquem à vontade. Maria e Lúcia se jogaram juntas no sofá. Quase uma em cima da outra. As pernas de Maria sobre as de Lúcia. Eduardo serviu duas taças de vinho e um copo d'água. Sentou no chão. Na frente delas. — Confortáveis? Lúcia sorriu. Maria olhou pra ele. Não era a mesma. Era outra. — Perfeitamente. Eduardo ergueu a taça. — Um brinde às surpresas. --- O vinho fez efeito rápido. Maria ria mais alto. A mão dela deslizou até a nuca de Lúcia. Os dedos de Lúcia entraram por baixo da barra da saia. Eduardo colocou uma música suave. Quando voltou, Maria estava de costas pra Lúcia, recostada no peito dela, os braços de Lúcia enlaçados na cintura dela. Lúcia começou a beijar o pescoço dela. Uma mão desceu. Roçou a beirada da calcinha azul. — O Agustín tá olhando — sussurrou. Maria abriu os olhos. Procurou ele. — Te incomoda? Ele negou com a cabeça. Eduardo se ajoelhou na frente de Maria. — Acho que ela já tá pronta pra decidir o que quer. Deslizou a mão pela perna dela, subindo. — A Lúcia gosta muito dela. Lúcia concordou. — E você também. Agustín concordou. — Então o melhor que a gente pode fazer é cuidar dela. — O que você quer, Maria? — Quero o Agustín — disse —. E quero que ele me veja com vocês. Eduardo sorriu. A mão dele continuou o caminho. --- Lúcia desabotoou a camisa de colegial. Um botão. Dois. Três. A camisa se abriu. Maria não usava sutiã. Os peitos dela, pequenos e firmes, com mamilos rosados, ficaram expostos. —Linda. Os dedos de Lúcia acariciaram os peitos dela. Maria arqueou as costas. Gemendo. —Olha como ele te olha. —Agus... cê tá bem? Ele não respondeu. —Tá de boa —disse Eduardo—. Ele só tá aprendendo. A mão dele deslizou por baixo da calcinha fio dental, encontrando o calor da buceta dela. Maria ofegou. —Olha pra ele enquanto fala. Ela obedeceu. —Olha, Agustín. Olha o que tão fazendo comigo. E ele olhou. --- Eduardo tirou a mão. Levantou. —O que vocês querem fazer comigo, gurias? Lúcia olhou pra ele com os olhos brilhando. —Tudo. Maria virou pra Lúcia, procurou a boca dela. O beijo foi mais fundo, mais possessivo. Quando se separaram, Lúcia pegou a mão dela. —Vem. Elas ficaram de pé na frente do Eduardo. Uma de cada lado. Lúcia se ajoelhou primeiro. Desabotoou o cinto dele. Maria olhou, esperando permissão. —Você também. E Maria se ajoelhou. As duas mulheres na frente dele, no chão. Agustín não existia. Lúcia puxou a calça pra baixo. Eduardo tava duro. —Tá com medo? Maria negou. —Então ajuda a Lúcia. As mãos dela encontraram as de Lúcia, e juntas puxaram a calça. Maria se inclinou. A língua dela encontrou a ponta, rodeou ela. Eduardo suspirou. Agustín viu tudo do sofá. A pica de outro cara. A boca da namorada dele. A mulher daquele cara olhando com admiração. Eduardo tinha uma mão na cabeça de Lúcia e outra na de Maria. Como se fossem iguais. Como se fossem dele. —Assim que eu gosto. As duas. Lúcia se inclinou. A boca dela encontrou a de Maria em cima do pau do Eduardo. As línguas se encontraram ao redor dele. Eduardo gemeu. Pegou o cabelo das duas e guiou elas. Mostrando o ritmo. Pedindo sem palavras que continuassem. Elas obedeceram. --- Eduardo mantinha as mãos nas cabeças delas, guiando com uma pressão quase imperceptível. Não era bruto. Não precisava. Lúcia se afastou, observou Maria trabalhar. O olhar dela era entrega. —Assim que eu gosto. — repetiu —. As duas. Maria não levantou o olhar. A língua dela rodeava a glande com precisão natural. Eduardo moveu a mão, só um centímetro. Maria entendeu a ordem. Acelerou. Lúcia começou a beijar a lateral do pau, onde Maria não alcançava. As duas, trabalhando juntas. — Olha como eu vejo vocês. Duas meninas lindas, de joelhos, fazendo o que eu peço. Maria sentiu um arrepio, "meninas". Gostou. Se sentiu cuidada. Eduardo acariciou a bochecha dela com o polegar. — Tão linda. Com essa carinha de anjo e essa boquinha fazendo o que faz. — Você gosta? — perguntou Lúcia. Não pra Eduardo. Pra Maria. Maria concordou. — Fala pra ele. Separou os lábios. — Gosto. Gosto de fazer isso. Eduardo afastou uma mecha do rosto dela. — Você faz o que sentir, menina. Não tem pressa. --- Lúcia se afastou. Não beijava mais o pau. Observava Maria. — Ela é linda. Eduardo concordou. — É sua. Lúcia negou. — Não. Agora é sua. Levantou. Foi pro sofá. Sentou do lado do Agostinho. — Olha. Olha como ele curte ela. Agostinho olhou. Maria de joelhos, boca ocupada, mãos nas coxas de Eduardo, saia levantada, fio dental azul visível. — Você gosta? — Não sei. — Não precisa saber. Só olha. --- Maria sentiu que o mundo se reduzia ao calor da mão de Eduardo, ao peso do pau dele na língua dela. Não pensava no Agostinho. Só no homem que tinha na frente. Eduardo empurrou mais fundo. Maria sentiu a garganta se abrir. Sem engasgar. O corpo dela sabia o que fazer. — Como você faz bem. Parece que nasceu pra isso. Eduardo tirou o pau. — Quero te ver toda. Levanta. Tira o resto. Maria obedeceu. A camisa por cima da cabeça. A saia deslizou. Ficou só de fio dental. Eduardo olhou pra ela. Sem pressa. Percorreu as pernas, quadris, cintura, peitos, pescoço, rosto. — Vira. Ela girou. Sabia que a bunda dela tava ali, firme, generosa, mal coberta pelo tecido azul. Sabia que ele tava olhando. Ela gostava. — Segura na parede. Ele se aproximou, ela apoiou as mãos, se inclinou. — Assim que eu quero você. A mão dele encontrou o fio dental. Puxou pra baixo. Ficou completamente nua. Eduardo passou a mão na bunda dela. Uma carícia lenta, conhecendo a forma. —Linda. Bunda linda. —Você não vai se mexer. Fica assim. E eu faço o que quiser. —Sim. Faz o que quiser. --- Eduardo acariciava ela. As mãos dele percorriam a curva, apertavam de leve. —Essa bunda é uma obra de arte. Maria corou. De orgulho. A mão dele deslizou entre as coxas dela, encontrando o calor da buceta dela. —Você gosta? —Sim. —Do que você gosta? —De você me tocar. —Você gosta que outro te toque. Que alguém que não é seu namorado te toque. —Sim. Eu gosto. —Então vou te dar mais. Os dedos dele acharam o ponto exato. Maria sentiu que ia desmaiar. --- Lúcia observava do sofá, com a mão na coxa do Agustín. —Ela é gostosa. —Sim. —E é sua. Mas agora é dele. Agustín sentiu que aquelas palavras excitavam ele. Não entendia por quê. Mas excitavam. --- Os dedos de Eduardo se moviam dentro de Maria. Acelerando. —Vou... vou... —Ainda não. Ele tirou os dedos. —Por favor —pediu Maria—. Por favor, não para. —Você vai ter que pedir melhor. —Por favor —implorou—. Por favor, não para. Faz o que quiser. Tudo o que quiser. Eduardo inclinou a boca até o ouvido dela. —Calma, gatinha. Vou te dar tudo o que você precisar. Os dedos dele entraram de novo. --- —Você quer que a Lúcia te toque também? —Sim. Sim, quero. —Vem tocar ela. Lúcia se ajoelhou na frente de Maria. A mão dela encontrou a coxa de Maria, subindo. Os dedos de Eduardo dentro dela, os de Lúcia no clitóris. Maria sentiu que ia se desmontar. —Não... não vou... —Você vai aguentar até eu mandar. Lúcia inclinou o rosto e beijou a barriga de Maria. Depois mais pra baixo. A língua dela seguiu o caminho dos dedos de Eduardo. —Por favor —implorou—. Por favor, agora. —Ainda não. Lúcia levantou o olhar. —Dá. Dá logo. Eduardo concordou com a cabeça. —Agora. Os dedos aceleraram. A língua se intensificou. E Maria sentiu o mundo explodir. Ela gritou. O corpo dela se arqueou contra a parede. Se não fosse pela mão de Eduardo na sua... quadril, ela teria caído. —Assim. Assim, gatinha. Lúcia prolongou o orgasmo até Maria sentir que não aguentava mais. —Já... já não consigo. Lúcia se afastou. Sorriu. —Bem-vinda. --- Maria abriu os olhos. Estava tremendo. Apoiada na parede, completamente nua. Sua pele branca brilhava com uma fina camada de suor que percorria seu peito, pescoço, barriga. A juba preta, selvagem, grudada em mechas nas têmporas e na nuca. Seus peitos, pequenos e firmes, se moviam a cada respiração ofegante. Os mamilos rosados, eretos. O peito subia e descia com urgência. Estava completamente depilada. Sua buceta, lisinha, macia, brilhava molhada. Os lábios inchados, abertos. Um fio de seus fluidos escorria pela parte interna da coxa, até o joelho. Um rastro brilhante, translúcido. Sua raba, aquela curva generosa, ainda estava levemente levantada. A calcinha fio dental azul no chão. A saia amassada na cintura. Maria estava completamente exposta. E não se importava. Abriu os olhos. Verdes, brilhantes, nublados. Sua boca entreaberta, lábios inchados, brilhantes. Maria era a imagem do desejo satisfeito. E também do desejo insatisfeito. Queria mais. Queria tudo. --- Sentiu uma mão no braço. Suave. —Maria. Era Agustín. Ao lado dela, olhando-a com admiração. —Agus... Ele a percorreu com o olhar. Viu seu corpo nu, brilhante. O rastro na coxa. O tremor nas pernas. —Você está bem? —Sim. —Podemos ir embora? Não foi uma cobrança. Foi uma pergunta genuína. —Acho que preciso processar isso. E você também. Maria olhou para ele. Ele tinha razão. —Sim. Vamos embora.
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