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Compêndio III44: ALINHAMENTO ESTRATÉGICO
Era uma manhã agitada, eu preso no trabalho, revisando gráficos no computador do território norte. Os números não batiam (pra variar) e eu tava a dois segundos de jogar minha caneca de café na parede quando uma batida seca interrompeu meu surto. A porta rangeu aberta antes que eu pudesse responder, e a primeira coisa que ouvi foi a voz da Inga, áspera e afiada, como se alguém tivesse arrastado uma lima de metal sobre vidro.
• Não acredito que você tava certa, Kaori! Então o brutamonte realmente trabalha nessa espelunca minúscula e imunda!
A voz da Inga cortou o ar viciado do escritório como um bisturi mergulhado em vinagre. As palavras não eram só para a assistente dela… eram feitas pra cravar, pra cavar debaixo da minha pele. Mantive os olhos fixos na planilha que sangrava números vermelhos na minha tela, deixando o brilho queimar minhas retinas em vez de reconhecer a entrada dela.Mugrienta.- Repeti monotonamente entre dentes, rangendo os dentes. -Pequena. Minúscula.As palavras tinham gosto de ferrugem e desprezo. Meus dedos se fecharam na borda da minha mesa, os nós dos dedos ficando brancos contra o mogno.
Kaori estava parada atrás da Inga, postura tensa… como quem se prepara pra levar um impacto. Garota esperta. A tensão no quarto engrossou, apertando minhas têmporas como uma broca cega. Soltei o ar pelo nariz, devagar e de propósito, antes de girar minha cadeira na direção delas.A Inga entrou com aquele sorriso vazio que não significava nada: um presságio predador de que ela queria alguma coisa de mim. Os saltos dela batiam na madeira feito um metrônomo contando pra algum desastre inevitável. A Kaori ficou meio passo atrás, os olhos dela indo de mim pra porta, como se calculasse a rota de fuga mais rápida.
• Precisamos tirar o Reginald do conselho o mais rápido possível! - A exigência da Inga cortou o ar feito uma espada, sem deixar espaço pra frescura ou fingimento.

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