Encontro no cinema 2

O silêncio que vem depois é diferente: já não é vazio, mas denso, carregado, como se o próprio ar estivesse encharcado deles.
Ela continua sentada montada nele, o peito subindo e descendo em respirações lentas e profundas. O calor lá dentro ainda o envolve, e nenhum dos dois se mexe para romper a união. A testa dela descansa contra a dele; gotas de suor escorrem da têmpora dela até a bochecha do homem e caem no ombro nu dele.
Atrás dela, o outro se inclina, apoiando o peito nas costas dela. Um braço forte a envolve pela cintura, a mão aberta descansando bem abaixo dos peitos dela, como se a reivindicasse em calma depois da tempestade. A boca dele roça a nuca dela, depositando beijos lentos e molhados na pele sensível, saboreando o salgado do suor dela.
Ninguém fala por longos segundos. Só se ouve o batimento acelerado de três corações que aos poucos vão se sincronizando.
Ela é a primeira a se mexer: um leve balanço de quadril, quase imperceptível, que faz ele gemer baixinho dentro dela e apertar os dedos nas coxas dela. — Não… ainda não vamos sair — sussurra ela, a voz rouca, quase quebrada —. Quero ficar assim mais um pouco.
O homem de trás sorri contra o ombro dela e desliza a mão para baixo, roçando com a ponta do dedo médio o ponto exato onde os outros dois ainda estão unidos. O toque é suave, preguiçoso, mas suficiente para ela tremer e apertar involuntariamente em volta do que a preenche. Um gemido compartilhado, quase um suspiro de rendição.
— Você tá escorrendo — murmura ele contra a orelha dela, a voz grave e satisfeita —. Sinto tudo… aqui. Os dedos dele recolhem a mistura quente que escorre pelas coxas dela e a levam lentamente para cima, desenhando círculos lentos e molhados no clitóris ainda inchado dela. Ela morde o lábio inferior, os olhos semicerrados, e deixa a cabeça cair para trás, apoiando-a no ombro do homem que a abraça por trás.
O que está dentro dela levanta Apenas as cadeiras, um movimento mínimo mas profundo que a faz gemer de novo.
—Você é insaciável — ele diz com um sorriso cansado, mas as mãos já estão guiando ela, convidando-a a se mover outra vez, mesmo que devagar, como quem saboreia as últimas gotas de um licor caro.
Ela começa a balançar com uma lentidão quase hipnótica, subindo e descendo só alguns centímetros, sentindo cada veia, cada pulsação. Os três voltam a respirar em uníssono. O cara de trás acompanha o ritmo com os dedos, deslizando entre os lábios inchados dela, pressionando de leve bem em cima de onde ela o envolve, adicionando uma fricção deliciosa que a faz tremer.
Não tem pressa agora. Só calor, umidade, pele grudenta e aquele cheiro doce e animal que envolve todo mundo como um cobertor.
Em algum momento ela se inclina pra frente e beija o cara que está dentro dela, um beijo lento, profundo, cheio de língua e gratidão. Depois vira a cabeça e procura a boca do outro, que a recebe com a mesma calma voraz. Os três se beijam assim, às vezes de dois em dois, às vezes os três ao mesmo tempo, bocas que se encontram e se separam, respirações que se misturam.
As mãos percorrem sem rumo: acariciam peitos, flancos, nucas, cabelo encharcado. Alguém pega o vestido amarelo do chão e usa como coberta improvisada pra cobrir os corpos entrelaçados, como se o cinema frio pudesse acordar de repente e descobrir eles.
Ela fecha os olhos e sorri contra o pescoço do cara que ainda está dentro dela.
—Odeio quando o filme acaba — ela sussurra.
—Então não acabou — ele responde, e a voz vibra contra a pele dela —. Essa é a cena pós-créditos… a que ninguém fica pra ver.
E os três riem baixinho, cansados, felizes, sabendo que a qualquer momento vão recomeçar, porque naquela sala escura o tempo não existe, e eles acabaram de descobrir que podem ficar pra sempre no fotograma exato onde o prazer não tem fim.

1 comentários - Encontro no cinema 2

dejame soñar con las imagenes mentales.....cuantos gif se me ocurren