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![Ilhado no Meio das Gostosas[02]Buceta gostosa e melada[/02] Ilhado no Meio das Gostosas[02]Buceta gostosa e melada[/02]](//s2.poringa.net/images/space.gif)
Capítulo 2.
Porra de quarentena.
Olhei o relógio do meu celular. Acordei tarde! Lembrei que tinha que ir pro clube treinar. Quase caí da cama de tanta pressa pra me vestir. Abri o guarda-roupa e encontrei ele cheio de blusas coloridas, saias, minissaias, fio-dental e sutiãs. Não entendi nada.
— Que porra você tá fazendo? — Perguntou uma voz nas minhas costas.
Virei de repente, com o coração na boca. Encontrei minha irmã Estefânia sentada na frente do computador dela, e aí entendi tudo.
As engrenagens do meu cérebro começaram a girar. Comecei a ligar todas as informações que consegui juntar:
A quarentena. Não preciso ir treinar. O clube tá fechado. Não posso sair de casa. Esse não é meu quarto; é o da minha irmã. Meu cômodo tá ocupado pela minha tia Cristela e minha prima Ayelén. Se eu me perder, me chamo Nahuel. Tenho dezoito anos. Moro na Argentina. Planeta Terra.
E a quarentena. A puta da quarentena por causa da Covid 19.
Minha irmã riu de mim. Me senti um idiota.
— Achou que ia chegar atrasado pro treino? —Perguntou ela, com um tom debochado—. Você é um idiota.
—É que vi as horas… e pensei que…
—Já faz uma semana de quarentena, já devia estar acostumado.
—Não, ainda não me acostumei. —Respondi, puto da vida—. Vou tomar café.
—Quer dizer, pra comer um lanche, são quatro da tarde.
—Tanto faz. Não me enche o saco, Estefânia.
Ela me olhou com ódio, mas não respondeu. Melhor assim, porque não tava a fim de discutir com ela. Vesti uma calça e um chinelo. Saí do quarto que eu tinha que dividir com minha irmã, sentindo falta dos tempos em que eu tinha uma coisa chamada "privacidade".
— Você caiu da cama? — Perguntou Gisela, a mais velha das minhas irmãs.
Diferente da Tefi, ela me sorriu feito uma mãe.
—Achei que ia chegar tarde no clube… até lembrar da quarentena.
Ela começou a rir e fomos juntos até a sala de jantar. Lá estava minha mãe, tomando chimarrão com a irmã dela, a Cristela. O cabelo da minha tia me ofuscou, o brilho do sol batia nele e estava mais vermelho do que nunca. Ainda não me acostumava a ver a Cristela com aquela cor de cabelo tão artificial. Ela é uma mulher muito gostosa, mas aquele tom vermelho intenso faz ela parecer uma puta barata, na minha opinião. Claro que não diria isso pra ela.
— Vai comer alguma coisa? — Minha tia me perguntou, me oferecendo uma bandeja com salgadinhos. Peguei um croissant de goiabada e comecei a comer.
—Já te preparo uma porra com chocolate — disse Gisela.
—Ele tá com o saco no chão e tu ainda fica fazendo cum com chocolate pra ele? — Disse minha tia, rindo.
—Pra mim você sempre vai ser meu irmãozinho pequeno — Gisela beliscou minha bochecha —. Senta, Nahuel, e guarda uns salgadinhos pra mim.
—Vou fazer o possível.
Sentei do lado da minha mãe, ela me olhou de cima a baixo, como se fosse um scanner da polícia.
—Ficou acordado a noite inteira?
— Acho que sim — dei outra mordida no croissant.
Alicia, minha mãe, é uma mulher que se cuida pra caralho. Não aparenta a idade que tem, adora malhar e o corpo dela não é muito diferente do da Tefi, a mais nova das minhas irmãs, e essa sim tem um corpão. Isso costuma enganar muita gente. Veem minha mãe como uma mulher jovem, gostosa, aparentemente moderna, alegre e jovial… mas a mentalidade é de uma senhora de noventa anos.
Além disso, nos últimos dias ela deu uma mudada no visual que fez ela parecer ainda mais novinha. Minha tia Cristela pintou o cabelo dela de loiro, minha mãe sempre teve um tom castanho claro; mas fazia tempo que eu não via ela tão loira. A Cristela, usando seus talentos de cabeleireira, fez um penteado bem elaborado na minha mãe: mais liso em cima, com cachos caindo nos ombros. Algo que parecia mais próprio pra ir numa festa do que pra ficar tomando chimarrão em casa. Não falei nada sobre isso porque entendi que o penteado só serviu pra manter a Alicia e a Cristela entretidas por algumas horas. Não me surpreenderia ver todas as minhas irmãs com penteados elaborados, tendo uma cabeleireira desocupada em casa.
—Tá bom pra você? —ela espetou—. Passar a noite toda acordado… com certeza jogando no Aplesteishon.
―PlayStation ―eu a corrigi. Cristela soltou uma gargalhada forte, e a risada da Gisela veio até nós da cozinha.
—Tanto faz. Não é saudável você passar tantas horas acordado e acordar às quatro da tarde.
— Por que não? — Perguntei, dando de ombros. — Se a gente tá de quarentena, não tenho nada pra fazer.
—Isso não é desculpa. Se não tem nada pra fazer, então arruma alguma coisa.
— Alicia —interveio minha tia—. Não acha que está sendo muito rígida? No fim das contas, o Nahuel tem razão, essa quarentena deixou todo mundo olhando pro teto, sem saber o que fazer. Pelo menos ele tem alguma coisa pra se entreter.
Valeu" — falei, procurando mais alguma coisa pra comer entre as facturas. Dessa vez escolhi uma com creme. A Gisela chegou bem na hora com um copão de chocolate quente, que me ajudou a descer a comida.
É verdade, mãe", disse minha irmã. "Deixa ele em paz.
—É que ele não faz nada o dia inteiro —reclamou ela—, e isso não tem nada a ver com a quarentena. Não trabalha, não estuda…
—Jogo futebol. Se o clube não estivesse fechado, agora eu deveria estar treinando. Mas não posso.
Futebol é uma atividade recreativa. Isso não bota comida na mesa — insistiu minha mãe —. Se você fosse jogador profissional, beleza... mas não é.
— Não sou porque você nunca me deixou ir ao clube treinar. Dizia que eu tinha que estudar. Bom, agora terminei a escola, e quero ir treinar… mas não posso; por causa da quarentena.
—Você tinha que arrumar um emprego — minha mãe não parecia dar o braço a torcer —. Já te falei mil vezes. Cê acha que vou te sustentar a vida inteira?
—Não, minha vida toda não… mas a sua inteira, sim.
Cristela e Gisela caíram na risada de novo. Minha mãe não achou graça nenhuma.
—Mãe —disse Gisela, intervindo bem na hora, antes que Alicia tivesse um de seus ataques de nervos—. Entendo o que você quer dizer, também acho que o Nahuel deveria arrumar um trampo; mas agora a gente tá passando por uma situação mundial muito complicada. Não podemos mandar ele sair pra procurar emprego. Enquanto tivermos como viver, temos que dividir entre todos. Somos uma família.
—Sim, verdade mesmo —disse Cristela—. Por sorte, eu tenho uma boa grana guardada, pensava em usar pra mim e a Ayelén abrirmos um salão maior. Mas por enquanto vai ter que ser nosso “fundo de desemprego”. Vamos ficar bem, Alicia —pegou na mão da irmã.
Minha mãe se sentiu derrotada, e eu a conheço bem o suficiente pra saber que ela não curte nada isso. Ela podia ter continuado a discussão, mas decidiu ceder um pouco.
―Tá bom, mas assim que acabar a quarentena, você vai procurar trabalho. A gente não tá na melhor situação financeira. Somos muitos e as coisas tão cada vez mais caras.
—Tá bom, beleza —falei, meio a contragosto, só porque não queria continuar brigando.
Foi aí que entendi por que minha mãe não hesitou nem um segundo em me tirar do meu quarto quando a Cristela e a Ayelén vieram morar com a gente. Ela me considera um estorvo em casa. Todas as minhas irmãs trabalham ou estudam, menos eu. O que não entendo é por que ela castigou a Tefi me mandando pro quarto dela; imagino que deve ter algum motivo.
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Terminei meu lanche e fui até meu quarto pegar um livro pra ler, ainda tenho vários do Stephen King pendentes. A porta estava entreaberta, e entrei falando "Oi", bem baixinho. Me senti um idiota por estar pedindo permissão pra entrar no meu próprio quarto; mas agora ele era habitado por aquele monstro desprezível que minha família costuma chamar de "Ayelén".
—Quero pegar um livro — falei, abrindo a porta devagar.
―Tá bom ―respondeu minha prima.
Quando eu vi ela, fiquei paralisado. Ela estava deitada na minha cama, de bruços, lendo uma daquelas revistas de moda que minha tia tanto gosta. O cabelo loiro comprido da Ayelén caía pelas costas dela, formando cachos. Ela tava vestindo uma camiseta vermelha, bem curtinha. Não tava usando calça, nem saia, nada. A única coisa que ela tinha era uma tanga preta. A bunda redonda dela se destacava como uma montanha no meio da minha cama. Quase caí o queixo.
Calma, Nahuel —falei pra mim mesmo—. Você já viu ela de biquíni várias vezes, isso é mais ou menos a mesma coisa.
Mas não era a mesma coisa. Apesar de a fio dental não deixar nada à mostra, eu sabia que aquilo não era um biquíni. Além disso, uma boa parte tinha se enfiado entre as nádegas dela, e a buceta dela se destacava na parte de baixo, apertada pelo tecido. Ela continuou concentrada na revista, como se eu não existisse.
Odeio ela, sim… sim, odeio mesmo. Mas como eu gosto da bunda dela!
Bom, os peitos dela também.
Por que, Deus; por que você teve que dar uma bunda tão gostosa pra minha maior rival? É injusto.
Outro problema enorme que sempre tive com ela é que não consigo fazer ninguém enxergar que a Ayelén é um monstro. Pra quase todo mundo, ela é um docinho de anjo… e realmente parece. Dá a impressão de ser a mina mais boazinha do planeta, com aqueles olhos azulões, a carinha redonda, as bochechas gordinhas. Ela é muito gostosa e sabe que parece inofensiva, usa isso pra enganar todo mundo. Vive bancando a “menina boazinha” com quase todo mundo; mas comigo nem se dá ao trabalho. Me trata que nem lixo.
Mais de uma vez, em alguma praia ou piscina, a Ayelén me pegou olhando pra bunda dela, e sempre fazia comentários sacanas tipo: "Dá pra ver que você adora olhar minha bunda". "Tá tão difícil assim tirar os olhos da minha bunda?"; "Qual é, cara? Quer pegar na minha bunda?". Ela fazia isso porque sabia que me deixava em clara desvantagem. Eu não sabia o que responder quando ela assumia essa postura de mina filha da puta. Também não podia negar que tava olhando a bunda dela, porque era muito óbvio. Até quando a gente discutia, às vezes ela se abaixava pra me mostrar a bunda, ou o decote, só pra poder me esfregar na cara.
Tenho os olhos na cara, cara… não entre as tetas
Odeio ela!
Caminhei até minha biblioteca e tentei me concentrar nos títulos dos livros. Descartei os que já tinha lido e comecei a folhear um chamadoDolores ClaiborneAinda não tinha lido e era bem curto. No meio da quarentena dava pra terminar em poucos dias.
Virei a cabeça, num ato involuntário, e meus olhos foram parar direto na bunda da Ayelén, mais especificamente na buceta que se destacava como uma boca vertical. Ela olhou pra onde eu estava e me pegou no flagra.
—De novo olhando pra minha bunda, cara?
Me dava uma raiva danada quando ela me chamava de "cara", como se fosse muito mais velha que eu. A Ayelén tem dezenove anos, só um a mais que eu.
E o que você quer que eu faça? — me defendi. — Se você está com essa bunda empinada no meio da cama… MINHA cama. Não importa pra onde eu olhe, o que mais se destaca no quarto inteiro é a sua raba.
Naquele momento, a porta se abriu e entrou minha tia Cristela.
―Ei, gatinha! O que você tá fazendo de fio dental? Não viu que seu primo tá aqui?
— Exatamente —disse a loira—, é meu primo. Que importa se eu tô de fio dental? Se ele se incomoda, que vá tomar bem no cu.
Teve uma época que eu achei que a Ayelén era tão maldita quanto a Estefanía; mas não. A Ayelén é muito mais cruel. Infinitamente mais harpia.
—Aqui você é uma convidada —completou minha tia—. Tem que se comportar.
—Olha, mãe —Ayelén se virou, pra ver a mãe dela. Como eu tava do lado oposto, pude ver a bunda inteira dela, apontando na minha direção.
Diário de Quarentena:
Claro, aqui está a tradução para o português brasileiro, mantendo o tom natural e usando gírias brasileiras:
"Você é um tradutor profissional de conteúdo adulto. Traduza o seguinte texto do espanhol para o português brasileiro. Use português brasileiro natural (não português europeu). Use gírias brasileiras quando apropriado (por exemplo, 'buceta' em vez de 'vagina', 'gostosa' em vez de 'bonita'). Preserve toda a formatação. Torne-o natural e envolvente. Retorne APENAS a tradução, nada mais.Nossa, como essas bundas mordem o pano!>
—Eu não quero ficar aqui —continuou dizendo minha prima—. Te falei que queria ficar na casa do Dante. Se vou aguentar essa porra toda de quarentena trancada nessa casa, pelo menos quero ficar confortável.
—Eu te falei que não dava pra ficar na casa do Dante, já não sinto mais nada por ele. Não queria continuar enrolando uma relação que já tava morta.
—Mas pelo menos ali a gente tinha espaço pra gente, eu tinha meu próprio quarto. Além disso, o Dante é gente boa… Na única vez que um dos seus namorados me cai bem, você termina com ele!
—Você quer que eu tenha um namorado só porque você gosta dele?
A discussão já tinha ido pra um território que não era da minha conta. Tentei sair do quarto, mas minha tia estava parada bem na frente da porta, gritando com a filha dela, com a cara tão vermelha quanto o cabelo. Fiquei com medo de chegar perto, o mais provável era que ela me mordesse… ou mandasse eu tomar no cu por interromper. Tive que ficar ali… entretendo meus olhos com a fio dental da Ayelén. Agora eu estava bem na frente da cama, e ela tinha aberto um pouco as pernas. Dava pra ver a buceta dela coberta pela fio dental, e uma linha reta desenhada no meio da vulva.
Minha tia percebeu que eu queria sair… ou talvez tenha se incomodado com o jeito que eu tava olhando pra filha dela; se for isso, vou ficar morrendo de vergonha. Ela deu um passo pra frente, liberando o caminho pra porta. Saí de lá o mais rápido que consegui. A última coisa que ouvi foi minha prima falando:
—Se você soubesse escolher parceiro, não teria esse problema. O que acontece é que você sempre escolhe errado, e na vez que escolhe certo, nem percebe...
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Aproveitei que o quarto da Estefanía tava vazio e me instalei lá pra ler o livro do Stephen King. Supus que a Tefi tava vendo Netflix no quarto da Macarena. Isso me daria umas horas de paz e sossego.
Infelizmente, essas horas não passaram de alguns poucos minutos. Trinta ou quarenta, no máximo. E não foi a Tefi quem perturbou minha paz, mas a própria Macarena. Eu ouvi ela gritar, como se estivesse discutindo com alguém. Deixei o livro na mesinha de cabeceira e saí pra ver o que tava rolando.
Pois é, tava no meio de uma discussão… com a minha mãe. Por que isso não me surpreende? Bom, o estranho é que minha mãe briga com qualquer um que não seja a Tefi ou eu. Mas aí lembrei que no segundo dia de quarentena ela teve uma briga feia com a Pilar, o que também era super estranho. Parece que esse isolamento ia ser cheio de momentos fora do normal.
—Como assim? Você tá louca? —Gritou Alicia, bem alto.
—Não se mete na minha vida, mãe! —Macarena rebateu, apontando o dedo pra ela—. Já tenho vinte e três anos, não pode ficar me dizendo o que posso ou não fazer.
—Mas você vive debaixo do mesmo teto que eu, e suas irmãs! —Ele nem me mencionou—. Colocou todo mundo em risco, por ser sem noção!
— O que foi? — Perguntou Gisela, que acabava de entrar na cena.
Aos poucos, todo mundo da casa foi se juntando com a gente.
—Sua irmã — disse minha mãe, apontando pra Macarena —. Se comportou que nem uma puta!
Pilar espiou a cabeça pelo corredor que dava no quarto dela.
—Não me chama de puta, porque vai rolar confusão!
Cristela e Ayelén saíram do meu quarto, cuja porta dá direto na sala de estar. Sempre odiei isso, porque dá pra ouvir os barulhos lá de fora, e com certeza essa discussão não passou despercebida pra minha tia e minha prima.
—Mas o que foi que ele fez? —Gisela perguntou de novo, meio assustada.
—Pergunta pra ele… vai, gata… conta pra eles o que você fez… pra todo mundo ver como você nos colocou em risco, sua puta. Eu sabia que você ia acabar sendo uma puta!
—Mãe, não fala assim com ele! — Gisela arregalou os olhos, ela odeia discussões, e tem muita dificuldade em lidar com o gênio de merda da minha mãe.
—Conta pra gente, Maca —disse Cristela, tentando trazer um pouco de paz—. A gente não pode opinar se não sabe o que rolou.
Macarena tava vermelha de raiva, o cabelão preto preso num rabo de cavalo, e mesmo chorando, ainda tava uma gostosa. Os olhos azuis dela criavam um contraste foda com o rubor. Ela olhava pro chão, como se quisesse esconder a cara.
—Vai, Maca… conta pra elas ou eu conto — ameaçou minha mãe.
―O que aconteceu é que ―quando Macarena começou a falar, todo mundo prendeu a respiração―. Eu tava saindo com um cara… um dos meus professores da faculdade.
—O quê? —Como sempre, a última a se interessar pelos problemas de família foi a Tefi, que acabava de sair do quarto da Macarena—. Você furou a quarentena pra ir dar uma trepada com seu professor?
Não, sua idiota!" – Maca se defendeu – "Isso aconteceu antes da quarentena.
—Então qual é o problema? —Perguntou minha tia—. Ela já é grandinha, sabe o que faz…
—É que isso não é tudo — disse minha mãe, com os dentes cerrados —. Hoje o bendito professor da Macarena apareceu no noticiário. Não tínhamos casos de Covid na região; mas parece que o senhor deu positivo… e essa idiota ficou se esfregando nele.
Todo mundo ficou pálido, eu também. Mesmo não tendo visto meu rosto, senti o sangue gelar. Até a Ayelén mudou aquele semblante cheio de confiança, ela parecia tão apavorada quanto o resto de nós. Tenho certeza de que todos pensamos a mesma coisa ao mesmo tempo…
—Se a Macarena tá com Covid —disse a Pilar —, então já estamos todos infectados.
—Tá vendo o que eu tô dizendo? —Alicia tava cheia de raiva—. Essa puta, por ficar de vagabunda, trouxe o vírus pra dentro de casa.
Um silêncio sepulcral tão profundo se fez que eu conseguia ouvir meu próprio coração, batendo como se quisesse pular do meu peito. Não era estar doente que me preocupava, mas sim a pena que senti pela Macarena, porque todo mundo ia apontar ela como a única culpada.
—Ah, não acredito! —exclamou Pilar, com sua voz potente de locutora—. Não me deixaram sair pra não "me contaminar", e essa puta já tinha contaminado todo mundo desde o começo.
Se a gente tivesse deixado você sair", disse Gisela, que parecia estar superando o medo, "você teria infectado outras pessoas.
A pobre Macarena chorava copiosamente, tinha pequenos espasmos na respiração dela.
—E agora, o que a gente vai fazer? — perguntou a Tefi, com um medo genuíno.
— O que a gente vai fazer — disse Alicia — é trancar essa idiota no quarto dela, até a gente conseguir chamar um médico. Quem sabe a gente teve sorte e não se contaminou todo mundo.
Ah, não!" — exclamou a Tefi, pensei que ela fosse reclamar da postura ditatorial da minha mãe, mas me enganei ao achar que minha irmã tinha coração. "Eu fiquei um monte de horas lá... naquele quarto! Com certeza me contaminei! E você dormiu comigo!" — ela apontou pra mim. "Então já tá na mesma.
Percebi que minha prima Ayelén se afastava de mim, mesmo já estando a mais de dois metros de distância. Maldita filha da…
—Não ganhamos nada trancando a Macarena.
—Deixa, Gise. Não se estressa —disse a aludida—. Não tô a fim de falar com ninguém, melhor eu ficar aqui dentro do quarto.
Ela andou de cabeça baixa até o quarto dela e se trancou lá dentro. Mais uma vez, o silêncio tomou conta.
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A aventura da Macarena com o professor dela nos levou a um momento depressivo. Minha mãe passou quase uma hora tentando descobrir tudo que podia sobre a condição do amante da filha dela, além de falar com médicos pra virem nos testar o mais rápido possível. A Cristela e a Ayelén ficaram no meu quarto e não apareceram. A Pilar, que sempre dava a impressão de viver no mundinho dela, só saiu do quarto pra preparar uns sanduíches. A Estefanía começou uma videochamada com uma amiga, e pra não ficar de fundo, já que a câmera apontava pra cama dela, resolvi ficar na sala com a Gisela, a única que não se trancou num quarto.
— O que vai acontecer agora? — Perguntei pra minha irmã mais velha.
Ela tava sentada no sofá, com uma pasta na mão, achei que era coisa do trabalho dela. Largou ela de lado e me encarou com aqueles olhos castanhos profundos. Sou irmão dela e ainda assim é difícil segurar o olhar sem ficar vermelho. A Gisela tem um negócio muito especial, e não tô falando das tetonas redondas dela, mas que ela passa uma confiança, ao mesmo tempo que uma sensualidade.
—Sinceramente, não sei. Talvez daqui a pouco venha algum médico fazer um teste na gente. Mas não podemos ficar tão paranoicos até sair os resultados. Ninguém aqui tem sintomas de Covid.
— Cê acha que tem chance da gente não estar infectado?
—Acho difícil. Quero ser positiva, mas se a Macarena transou com aquele cara, então ela deve estar infectada. A gente mora na mesma casa que ela, compartilha o ambiente, bate papo… até tomamos uns mates juntas, mais de uma vez.
—Sim, também tomei chimarrão com vocês.
Parecia muito louco pra mim que uma prática tão comum na Argentina, como tomar chimarrão com outras pessoas, tivesse virado um fator de risco, por causa de um vírus filho da puta.
—Então é só questão de esperar, e rezar por um milagre.
Sabia que esse negócio de "rezar" não era no sentido literal. Nunca fomos muito religiosos, pra ser sincero. Minha mãe nos criou com um sistema baseado em se comportar bem porque era o certo e em não machucar os outros. Ela também sempre foi bem crítica em relação ao sexo, mas acho que é compreensível, já que tem quatro filhas mulheres pra cuidar. Se ela não tivesse enfatizado o quanto as práticas sexuais fora do casamento eram imorais, é capaz que alguma das minhas irmãs já fosse mãe solteira.
—Tava pensando que talvez a mãe ficou puta com a Macarena por… sabe, o que a mãe acha sobre sexo.
Gisela me encarou de novo e deu uma pausa.
—Sim, sei perfeitamente o que ela pensa. Se dependesse dela, as quatro seríamos freiras… e você seria padre.
―Não, nem fodendo!
Ela soltou uma risada.
—Eu também não seria freira. E não pense mal, não falo isso porque eu goste de ficar mostrando a calcinha por aí, mas porque as freiras têm que passar o dia inteiro rezando. Acho um horror. Várias vezes discuti com a minha mãe por causa do sexo… uma vez ela descobriu que eu tinha um namoradinho, e quase me acorrentou na parede do meu quarto pra eu não poder sair pra ver ele.
—Sim, ela é bem rígida.
—Alguma vez ele fez algo parecido com você?
—O quê? Eu? Não, nunca tive namorada.
—Nunca? Nem uma única vez?
―Te surpreende?
—Muito. Especialmente depois do que eu vi no banheiro — eu esperava que ela tivesse esquecido aquele incidente e que nunca mais mencionasse aquilo na vida. Gisela começou a rir de novo. — Idiota! Você ficou vermelho. Não se sinta mal, Nahuel; foi um pequeno acidente. Não é a primeira vez que vejo um pau. Também não é que eu tenha visto muitos; mas deixa eu te dizer, poucas vezes vi um igual ao seu.
—O que é que o meu tem? — perguntei automaticamente, sem saber muito bem por quê.
—É bem… grande —dessa vez quem ficou vermelha foi ela—. Já imaginava que com isso você já tinha arrumado uma namoradinha.
—Não, é que é proibido esse negócio de ficar mostrando a pica pras minas na rua.
Mais uma vez, ela caiu na gargalhada. Minha mãe apareceu, com aquela simpatia de bulldog raivoso, e nos queimou com o olhar.
—Dá pra saber do que caralho vocês estão rindo?
—De nada, mãe —disse Gisela—. O Nahuel e eu estamos tentando facilitar um pouquinho esse momento todo. Teve alguma notícia boa?
—E que boa notícia eu posso ter? Tamo fudido demais!
—Sei lá… talvez você já tenha conseguido falar com um médico.
—Sim, e amanhã mesmo vêm fazer o teste de covid em nós.
—Isso é uma boa notícia.
—Não vejo por quê.
Dessa vez eu explodi, já tava de saco cheio dessa vibe ruim constante da minha mãe.
—Porque assim vamos saber se temos a porra do vírus ou não — falei pra ela. Ela me olhou com uma raiva assassina. — Todo mundo tá preocupado, mãe. Nos tratando que nem lixo não vai melhorar nada.
Alicia abriu a boca, pronta pra latir e morder; mas foi a própria Giesela que se meteu entre ela e eu, feito uma mamãe ursa protegendo o filhote.
—O Nahuel tem razão, mãe. Desde que começou a quarentena, você tá especialmente insuportável. Tá cansando todo mundo. Ninguém mais te aguenta, nem eu. Se na primeira semana já é assim, daqui um mês você vai acabar matando a gente.
—Se antes o vírus não nos matar —sentenciou.
Sabendo que estava em clara desvantagem, Alicia voltou pro quarto dela.
— Que mulher insuportável — falei pra Gisela.
—Às vezes sim. Eu amo ela pra caralho, porque quando ela tá calma é uma pessoa foda; mas quando ela se irrita com alguma coisa… Hitler parece um anjinho do lado dela. Mas a gente tava falando de outra parada. Não deixa ela estragar nosso momento. Por que você acha que ainda não tem uma namorada?
— Não sei — falei, dando de ombros —. Nunca sei o que dizer pras mulheres.
—Me ofende que você diga isso. Você tem quatro irmãs mais velhas, uma mãe psicopata, uma tia e uma prima…
—Também psicopata.
—Pode ser — nós dois rimos. Ela também não aguentava a Ayelén —. Enfim, rodeado de tanta mulher, você já devia ser um puta expert em lidar com elas.
—Mas te juro que não sei. Que porra eu vou falar pra uma mulher que não conheço? "Oi gostosa, quer ser minha namorada?".
—Sim, claro, pode falar isso pra ela… se quiser morrer virgem.
Caímos na risada de novo, feito dois idiotas, e por sorte minha mãe não apareceu pra estragar o momento.
— Vamos lá —continuou Gisela—. Falar isso é meio difícil pra mim, não sou nenhuma expert no gênero feminino, nem em sexualidade. Mas quando eu vi sua pica —ela falou a palavra "pica" bem baixinho—, fiquei impressionada. Ainda mais que vi ela no auge do esplendor. Não sei por que você tava tão duro… nem quero saber. Isso é problema seu. Pra mim foi muito chocante ver que meu irmão mais novo tem uma pica tremenda, grossa e cheia de veias. —Senti um frio na boca do estômago ao ouvir essas palavras—. O que quero dizer é que você já é um homem feito. Tem o pau de um homem de verdade, e as bolas já tão penduradas como enfeites de árvore de Natal. Desculpa se tô sendo muito explícita —ela tava vermelha, meus olhos desceram até os peitos dela; o decote era sutil, mas dava pra ver o topo daqueles peitões—. Tô fazendo isso pra você entender que, se quiser conquistar uma mulher, pode conseguir. Tá bem, você não vai sair mostrando a pica pra qualquer uma; mas posso te garantir que, quando uma garota vir ela bem dura, igual eu vi, ela vai criar um certo carinho por você. Você é bem dotado, Nahuel.
—Sério? Não tá falando isso só porque sou seu irmão, né?
―Falo sinceramente, como mulher. E como irmã, posso te dizer que tenho muito orgulho de você. Se não estivéssemos em plena quarentena, eu tirava umas fotos da sua pica e mandava pra alguma das minhas amigas. Em uns dias, você já teria elas de perna aberta, porque algumas das minhas amigas são assim… veem uma boa rola e já querem provar. Se elas soubessem como você é bem dotado, o negócio ficava muito mais fácil pra você.
—Imagino que isso das fotos você tá falando como uma suposição.
Pensou um pouquinho, olhou pra todos os lados e, quando se certificou de que estávamos sozinhos, voltou a fixar os olhos em mim.
—Tô falando sério. Se isso te ajudar a perder o cabaço, tô disposta a te apresentar uma das minhas amigas. E a apresentar pro teu amigo também… mas é, com a quarentena ia ser meio inútil, tu não ia poder ver elas.
—Mas eu posso falar com elas, sim! — falei, ficando tenso.
Gisela me olhou com muita seriedade.
—Isso é verdade. Você podia conversar com alguma delas, até passar toda a quarentena.
—E em qual das suas amigas você tá pensando? — Eu não conhecia as amizades da Gisela, já que elas nunca vinham em casa; mas imaginei que ela devia se relacionar com mulheres tão gostosas quanto ela.
—Em nenhuma em particular. Isso eu falei de forma genérica. Cê tá mesmo disposto a fazer isso?
―Hmm… me dá um pouco de vergonha; mas eu gostaria de poder conversar com alguma das suas amigas. Mesmo que ela acabe me mandando pra merda, pelo menos serviria de prática pra mim.
—Se você não agir que nem um idiota, não tem por que te mandarem pra puta que pariu.
—Essa é a parte difícil. Sinceramente, não saberia o que perguntar pra ela, nem como puxar assunto.
—Não vou me resignar a achar que meu irmãozinho é um inútil pra conversar com mulher… estando rodeado de tantas. Olha, um conselho que posso te dar: A gente, mulher, gosta que se preocupem com a gente quando temos um problema ou estamos passando por uma situação ruim. Você, infelizmente, é bem egoísta…
—Ei!
—É verdade, Nahuel. Teu egoísmo não chega ao extremo da Estefanía, muito menos da Ayelén; mas tu sempre faz o que quer, só se importa com as tuas coisas. Vive no teu mundo. Tá sempre enfiado num livro, num gibi, num videogame, alguma coisa… se conversasse mais com tuas irmãs, aprenderia a lidar com mulher. Isso eu te garanto. E de quebra, se ligasse pros problemas dos outros…
—Claro que me preocupo.
―Bom, se você faz isso, não dá pra perceber, porque nunca fala nada. Você sempre evita conversar quando tem um problema.
—Dessa vez eu falei… quando a mamãe saiu do quarto.
—Sim, porque você já está de saco cheio. Mas não precisa esperar ficar de saco cheio pra falar com alguém sobre algum problema. Ninguém gosta de egoístas.
―Vou levar isso em consideração.
—Acho muito bom —ela deu um tapinha na minha perna—. E pensa no que te falei sobre a foto. Sei que é meio grosseiro, e a gente não gosta que qualquer idiota desconhecido fique mandando foto de pica de cara; mas disso eu cuido. Vou falar com algumas amigas minhas, pra preparar o terreno pra você. Que tipo de mulher você curte?
—Em que sentido?
Ela me mostrou um sorrisinho safado e agarrou os peitos com as duas mãos.
―Você gosta de peitudas?
―Bom… hum… sim, pode ser.
—E o que mais?
—Que tenham uma boa bunda… sim, isso —falei, todo corajoso—. Eu gosto das bundudas.
—Eu? —Ela se levantou e deu um tapinha na própria bunda grande, que estava uma delícia mesmo com a calça não sendo muito justa.
—Bom, é… sim —aí comecei a perceber que a descrição se parecia demais com a Gisela, e me senti um idiota.
—E aí, cê prefere as loiras ou as morenas?
—Loiras —falei, só pra citar uma característica oposta à da Gisela. Ela tem cabelo castanho escuro, quase preto; herdado do meu pai. A única que tem o cabelo da mesma cor é a Macarena, a diferença é que a Maca tem olhos azuis… e praticamente não tem peito.
—Ah, cê gosta de loiras… tipo a Ayelén? —ela perguntou, erguendo uma sobrancelha.
―Hmm… as loiras são gostosas ―eu não sabia onde me enfiar. Qualquer coisa que eu dissesse seria usada contra mim―. Você tem alguma amiga loira?
—Loira, peitão e com uma bunda boa? Ha! Cê não quer nada, hein —falou com sarcasmo.
—Você me perguntou como eu gosto das mulheres… não precisa ser exatamente…
—Mas é sim —ela me interrompeu—. Acho que tenho a amiga perfeita pra você, e ela atende todos os requisitos.
—O quê? Sério?
—Sim, me dá uns dias, vou falar com ela. Vai me fazer bem, pra pensar um pouco em outra coisa.
—Sim, pra mim também.
―Bom, já é tarde. Vou dormir. Diferente de outros, eu tenho que acordar cedo pra trabalhar.
— Isso é uma reclamação?
—Não, bobinho… era uma piada. Não me incomoda que você durma tarde. A gente tá de quarentena… e agora descobrimos essa parada da Maca. O melhor que você pode fazer é tentar se distrair com alguma coisa. Descansa — ela me deu um beijo na bochecha e foi embora. Não consegui evitar de seguir com o olhar o balanço daquela bunda grande.
---------------
Bati na porta do quarto da Tefi e entrei quando ela me deu permissão. Odiava ter que pedir licença pra me mexer na minha própria casa, mas não queria causar outra briga. Ela tava sentada na frente do computador, vendo um vídeo no YouTube.
—Se for ficar jogando no Play, não coloca o volume muito alto.
—Não, quero ler — falei pra ela.
Ela me olhou como se eu fosse um marciano.
—Não entendo por que você curte tanto ler.
—E eu não entendo por que você não gosta. Devia tentar um dia… e agora que tá sem trampo, podia aproveitar o tempo livre. Tenho vários livros, se te interessar algum, te empresto.
— Não sei, acho que não — colocou os fones grandões e voltou a se concentrar na tela.
Deitei na cama com o livro de Dolores Claiborne na mão, e mesmo sendo muito bom e me deixando curioso pra saber por que essa mulher matou o marido, não consegui me concentrar. Minha mente vagava sem rumo; mas a imagem da Macarena chorando sempre aparecia. Ela devia estar se sentindo muito mal. Ninguém tinha perguntado como tudo isso estava afetando ela.
Lembrei das palavras da Gisela: “A gente gosta quando se preocupam com a gente quando temos um problema ou estamos passando por uma situação ruim”. Se alguém tava passando por uma situação ruim, e tinha um baita problema, essa era a Macarena.
Deixei o livro no criado-mudo e saí.
O quarto da Maca fica bem ao lado do da Pilar, e eles se comunicam com o banheiro por um corredor.
Bati de leve na porta do quarto da Maca, e de dentro veio uma voz suave perguntando:
―Quem é?
—Sou o Nahuel, Maca. Posso entrar?
A resposta demorou uns segundos, mas finalmente ela disse:
―Vai, entra.
Abri a porta e fiquei bem surpreso, parece que nenhuma mulher dessa família gosta de usar calça. A Macarena tava de calcinha rosa e me deu a impressão de que não tava nem aí pra eu ver ela, já que não fez nenhum esforço pra se cobrir. Tava deitada na cama dela, com os olhos inchados de tanto chorar.
—O que você quer? —Perguntou, sem vontade.
Macarena é a que vem depois da Gisela em idade, é uma das mais velhas; mas eu a vi tão frágil que senti como se ela tivesse virado minha irmã mais nova. Entrei e fechei a porta devagarzinho.
— Não te importa se eu dormir aqui hoje à noite? — Perguntei com timidez.
Ela se sentou na cama e me olhou confusa.
—Você não tem medo de se infectar?
—Tanto faz, a gente mora tudo na mesma casa. Se você tem o vírus, então todo mundo tem. Já não faz diferença.
—Pode ser… e por que você quer dormir aqui? Brigou de novo com a Estefânia?
—Não, com a Tefi tá tudo bem. A gente nem brigou.
—Isso sim é estranho.
—Só quero que você não fique sozinha. Com certeza deve estar muito preocupada, e não acho certo sua mãe mandar você ficar no quarto, sem falar com ninguém. Acho que o que você precisa é desabafar com alguém.
Ela me mostrou um sorriso triste.
—Vem cá — ela disse, com um gesto da mão. Sentei na beirada da cama, ela me abraçou e me deu um beijo na bochecha. — Sério mesmo, ia me fazer muito bem conversar com alguém. Essa noite não vou conseguir dormir nada.
—Eu também não, acordei tarde pra caralho. Então, posso ficar?
—Sim, claro. Fica à vontade. —Sentei na cama, encostando as costas no travesseiro, ela se acomodou do meu lado—. Mas tira a calça, gato.
—O quê? Sério? Não te incomoda?
—Olha como eu tô — apontou pra calcinha dela —, e me diz se isso pode me incomodar. Cê é meu irmão, Nahuel. Não tem nada demais.
—Bom, sim, nisso você tem razão.
Tirei a calça, fiquei só de cueca. Meus olhos percorreram toda a anatomia da Macarena, pode ser que ela não seja a mais peituda da família, mas as pernas dela são espetaculares. Notei que meu pau deu um pulinho involuntário, e rezei pra deus (se é que existe), pra não endurecer. A Maca separou levemente as pernas, e pude notar como a calcinha marcava os gomos da buceta.
Diário de quarentena:
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Capítulo 2.
Porra de quarentena.
Olhei o relógio do meu celular. Acordei tarde! Lembrei que tinha que ir pro clube treinar. Quase caí da cama de tanta pressa pra me vestir. Abri o guarda-roupa e encontrei ele cheio de blusas coloridas, saias, minissaias, fio-dental e sutiãs. Não entendi nada.
— Que porra você tá fazendo? — Perguntou uma voz nas minhas costas.
Virei de repente, com o coração na boca. Encontrei minha irmã Estefânia sentada na frente do computador dela, e aí entendi tudo.
As engrenagens do meu cérebro começaram a girar. Comecei a ligar todas as informações que consegui juntar:
A quarentena. Não preciso ir treinar. O clube tá fechado. Não posso sair de casa. Esse não é meu quarto; é o da minha irmã. Meu cômodo tá ocupado pela minha tia Cristela e minha prima Ayelén. Se eu me perder, me chamo Nahuel. Tenho dezoito anos. Moro na Argentina. Planeta Terra.
E a quarentena. A puta da quarentena por causa da Covid 19.
Minha irmã riu de mim. Me senti um idiota.
— Achou que ia chegar atrasado pro treino? —Perguntou ela, com um tom debochado—. Você é um idiota.
—É que vi as horas… e pensei que…
—Já faz uma semana de quarentena, já devia estar acostumado.
—Não, ainda não me acostumei. —Respondi, puto da vida—. Vou tomar café.
—Quer dizer, pra comer um lanche, são quatro da tarde.
—Tanto faz. Não me enche o saco, Estefânia.
Ela me olhou com ódio, mas não respondeu. Melhor assim, porque não tava a fim de discutir com ela. Vesti uma calça e um chinelo. Saí do quarto que eu tinha que dividir com minha irmã, sentindo falta dos tempos em que eu tinha uma coisa chamada "privacidade".
— Você caiu da cama? — Perguntou Gisela, a mais velha das minhas irmãs.
Diferente da Tefi, ela me sorriu feito uma mãe.
—Achei que ia chegar tarde no clube… até lembrar da quarentena.
Ela começou a rir e fomos juntos até a sala de jantar. Lá estava minha mãe, tomando chimarrão com a irmã dela, a Cristela. O cabelo da minha tia me ofuscou, o brilho do sol batia nele e estava mais vermelho do que nunca. Ainda não me acostumava a ver a Cristela com aquela cor de cabelo tão artificial. Ela é uma mulher muito gostosa, mas aquele tom vermelho intenso faz ela parecer uma puta barata, na minha opinião. Claro que não diria isso pra ela.
— Vai comer alguma coisa? — Minha tia me perguntou, me oferecendo uma bandeja com salgadinhos. Peguei um croissant de goiabada e comecei a comer.
—Já te preparo uma porra com chocolate — disse Gisela.
—Ele tá com o saco no chão e tu ainda fica fazendo cum com chocolate pra ele? — Disse minha tia, rindo.
—Pra mim você sempre vai ser meu irmãozinho pequeno — Gisela beliscou minha bochecha —. Senta, Nahuel, e guarda uns salgadinhos pra mim.
—Vou fazer o possível.
Sentei do lado da minha mãe, ela me olhou de cima a baixo, como se fosse um scanner da polícia.
—Ficou acordado a noite inteira?
— Acho que sim — dei outra mordida no croissant.
Alicia, minha mãe, é uma mulher que se cuida pra caralho. Não aparenta a idade que tem, adora malhar e o corpo dela não é muito diferente do da Tefi, a mais nova das minhas irmãs, e essa sim tem um corpão. Isso costuma enganar muita gente. Veem minha mãe como uma mulher jovem, gostosa, aparentemente moderna, alegre e jovial… mas a mentalidade é de uma senhora de noventa anos.
Além disso, nos últimos dias ela deu uma mudada no visual que fez ela parecer ainda mais novinha. Minha tia Cristela pintou o cabelo dela de loiro, minha mãe sempre teve um tom castanho claro; mas fazia tempo que eu não via ela tão loira. A Cristela, usando seus talentos de cabeleireira, fez um penteado bem elaborado na minha mãe: mais liso em cima, com cachos caindo nos ombros. Algo que parecia mais próprio pra ir numa festa do que pra ficar tomando chimarrão em casa. Não falei nada sobre isso porque entendi que o penteado só serviu pra manter a Alicia e a Cristela entretidas por algumas horas. Não me surpreenderia ver todas as minhas irmãs com penteados elaborados, tendo uma cabeleireira desocupada em casa.
—Tá bom pra você? —ela espetou—. Passar a noite toda acordado… com certeza jogando no Aplesteishon.
―PlayStation ―eu a corrigi. Cristela soltou uma gargalhada forte, e a risada da Gisela veio até nós da cozinha.
—Tanto faz. Não é saudável você passar tantas horas acordado e acordar às quatro da tarde.
— Por que não? — Perguntei, dando de ombros. — Se a gente tá de quarentena, não tenho nada pra fazer.
—Isso não é desculpa. Se não tem nada pra fazer, então arruma alguma coisa.
— Alicia —interveio minha tia—. Não acha que está sendo muito rígida? No fim das contas, o Nahuel tem razão, essa quarentena deixou todo mundo olhando pro teto, sem saber o que fazer. Pelo menos ele tem alguma coisa pra se entreter.
Valeu" — falei, procurando mais alguma coisa pra comer entre as facturas. Dessa vez escolhi uma com creme. A Gisela chegou bem na hora com um copão de chocolate quente, que me ajudou a descer a comida.
É verdade, mãe", disse minha irmã. "Deixa ele em paz.
—É que ele não faz nada o dia inteiro —reclamou ela—, e isso não tem nada a ver com a quarentena. Não trabalha, não estuda…
—Jogo futebol. Se o clube não estivesse fechado, agora eu deveria estar treinando. Mas não posso.
Futebol é uma atividade recreativa. Isso não bota comida na mesa — insistiu minha mãe —. Se você fosse jogador profissional, beleza... mas não é.
— Não sou porque você nunca me deixou ir ao clube treinar. Dizia que eu tinha que estudar. Bom, agora terminei a escola, e quero ir treinar… mas não posso; por causa da quarentena.
—Você tinha que arrumar um emprego — minha mãe não parecia dar o braço a torcer —. Já te falei mil vezes. Cê acha que vou te sustentar a vida inteira?
—Não, minha vida toda não… mas a sua inteira, sim.
Cristela e Gisela caíram na risada de novo. Minha mãe não achou graça nenhuma.
—Mãe —disse Gisela, intervindo bem na hora, antes que Alicia tivesse um de seus ataques de nervos—. Entendo o que você quer dizer, também acho que o Nahuel deveria arrumar um trampo; mas agora a gente tá passando por uma situação mundial muito complicada. Não podemos mandar ele sair pra procurar emprego. Enquanto tivermos como viver, temos que dividir entre todos. Somos uma família.
—Sim, verdade mesmo —disse Cristela—. Por sorte, eu tenho uma boa grana guardada, pensava em usar pra mim e a Ayelén abrirmos um salão maior. Mas por enquanto vai ter que ser nosso “fundo de desemprego”. Vamos ficar bem, Alicia —pegou na mão da irmã.
Minha mãe se sentiu derrotada, e eu a conheço bem o suficiente pra saber que ela não curte nada isso. Ela podia ter continuado a discussão, mas decidiu ceder um pouco.
―Tá bom, mas assim que acabar a quarentena, você vai procurar trabalho. A gente não tá na melhor situação financeira. Somos muitos e as coisas tão cada vez mais caras.
—Tá bom, beleza —falei, meio a contragosto, só porque não queria continuar brigando.
Foi aí que entendi por que minha mãe não hesitou nem um segundo em me tirar do meu quarto quando a Cristela e a Ayelén vieram morar com a gente. Ela me considera um estorvo em casa. Todas as minhas irmãs trabalham ou estudam, menos eu. O que não entendo é por que ela castigou a Tefi me mandando pro quarto dela; imagino que deve ter algum motivo.
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Terminei meu lanche e fui até meu quarto pegar um livro pra ler, ainda tenho vários do Stephen King pendentes. A porta estava entreaberta, e entrei falando "Oi", bem baixinho. Me senti um idiota por estar pedindo permissão pra entrar no meu próprio quarto; mas agora ele era habitado por aquele monstro desprezível que minha família costuma chamar de "Ayelén".
—Quero pegar um livro — falei, abrindo a porta devagar.
―Tá bom ―respondeu minha prima.
Quando eu vi ela, fiquei paralisado. Ela estava deitada na minha cama, de bruços, lendo uma daquelas revistas de moda que minha tia tanto gosta. O cabelo loiro comprido da Ayelén caía pelas costas dela, formando cachos. Ela tava vestindo uma camiseta vermelha, bem curtinha. Não tava usando calça, nem saia, nada. A única coisa que ela tinha era uma tanga preta. A bunda redonda dela se destacava como uma montanha no meio da minha cama. Quase caí o queixo.
Calma, Nahuel —falei pra mim mesmo—. Você já viu ela de biquíni várias vezes, isso é mais ou menos a mesma coisa.
Mas não era a mesma coisa. Apesar de a fio dental não deixar nada à mostra, eu sabia que aquilo não era um biquíni. Além disso, uma boa parte tinha se enfiado entre as nádegas dela, e a buceta dela se destacava na parte de baixo, apertada pelo tecido. Ela continuou concentrada na revista, como se eu não existisse.
Odeio ela, sim… sim, odeio mesmo. Mas como eu gosto da bunda dela!
Bom, os peitos dela também.
Por que, Deus; por que você teve que dar uma bunda tão gostosa pra minha maior rival? É injusto.
Outro problema enorme que sempre tive com ela é que não consigo fazer ninguém enxergar que a Ayelén é um monstro. Pra quase todo mundo, ela é um docinho de anjo… e realmente parece. Dá a impressão de ser a mina mais boazinha do planeta, com aqueles olhos azulões, a carinha redonda, as bochechas gordinhas. Ela é muito gostosa e sabe que parece inofensiva, usa isso pra enganar todo mundo. Vive bancando a “menina boazinha” com quase todo mundo; mas comigo nem se dá ao trabalho. Me trata que nem lixo.
Mais de uma vez, em alguma praia ou piscina, a Ayelén me pegou olhando pra bunda dela, e sempre fazia comentários sacanas tipo: "Dá pra ver que você adora olhar minha bunda". "Tá tão difícil assim tirar os olhos da minha bunda?"; "Qual é, cara? Quer pegar na minha bunda?". Ela fazia isso porque sabia que me deixava em clara desvantagem. Eu não sabia o que responder quando ela assumia essa postura de mina filha da puta. Também não podia negar que tava olhando a bunda dela, porque era muito óbvio. Até quando a gente discutia, às vezes ela se abaixava pra me mostrar a bunda, ou o decote, só pra poder me esfregar na cara.
Tenho os olhos na cara, cara… não entre as tetas
Odeio ela!
Caminhei até minha biblioteca e tentei me concentrar nos títulos dos livros. Descartei os que já tinha lido e comecei a folhear um chamadoDolores ClaiborneAinda não tinha lido e era bem curto. No meio da quarentena dava pra terminar em poucos dias.
Virei a cabeça, num ato involuntário, e meus olhos foram parar direto na bunda da Ayelén, mais especificamente na buceta que se destacava como uma boca vertical. Ela olhou pra onde eu estava e me pegou no flagra.
—De novo olhando pra minha bunda, cara?
Me dava uma raiva danada quando ela me chamava de "cara", como se fosse muito mais velha que eu. A Ayelén tem dezenove anos, só um a mais que eu.
E o que você quer que eu faça? — me defendi. — Se você está com essa bunda empinada no meio da cama… MINHA cama. Não importa pra onde eu olhe, o que mais se destaca no quarto inteiro é a sua raba.
Naquele momento, a porta se abriu e entrou minha tia Cristela.
―Ei, gatinha! O que você tá fazendo de fio dental? Não viu que seu primo tá aqui?
— Exatamente —disse a loira—, é meu primo. Que importa se eu tô de fio dental? Se ele se incomoda, que vá tomar bem no cu.
Teve uma época que eu achei que a Ayelén era tão maldita quanto a Estefanía; mas não. A Ayelén é muito mais cruel. Infinitamente mais harpia.
—Aqui você é uma convidada —completou minha tia—. Tem que se comportar.
—Olha, mãe —Ayelén se virou, pra ver a mãe dela. Como eu tava do lado oposto, pude ver a bunda inteira dela, apontando na minha direção.
Diário de Quarentena:
Claro, aqui está a tradução para o português brasileiro, mantendo o tom natural e usando gírias brasileiras:
"Você é um tradutor profissional de conteúdo adulto. Traduza o seguinte texto do espanhol para o português brasileiro. Use português brasileiro natural (não português europeu). Use gírias brasileiras quando apropriado (por exemplo, 'buceta' em vez de 'vagina', 'gostosa' em vez de 'bonita'). Preserve toda a formatação. Torne-o natural e envolvente. Retorne APENAS a tradução, nada mais.Nossa, como essas bundas mordem o pano!>
—Eu não quero ficar aqui —continuou dizendo minha prima—. Te falei que queria ficar na casa do Dante. Se vou aguentar essa porra toda de quarentena trancada nessa casa, pelo menos quero ficar confortável.
—Eu te falei que não dava pra ficar na casa do Dante, já não sinto mais nada por ele. Não queria continuar enrolando uma relação que já tava morta.
—Mas pelo menos ali a gente tinha espaço pra gente, eu tinha meu próprio quarto. Além disso, o Dante é gente boa… Na única vez que um dos seus namorados me cai bem, você termina com ele!
—Você quer que eu tenha um namorado só porque você gosta dele?
A discussão já tinha ido pra um território que não era da minha conta. Tentei sair do quarto, mas minha tia estava parada bem na frente da porta, gritando com a filha dela, com a cara tão vermelha quanto o cabelo. Fiquei com medo de chegar perto, o mais provável era que ela me mordesse… ou mandasse eu tomar no cu por interromper. Tive que ficar ali… entretendo meus olhos com a fio dental da Ayelén. Agora eu estava bem na frente da cama, e ela tinha aberto um pouco as pernas. Dava pra ver a buceta dela coberta pela fio dental, e uma linha reta desenhada no meio da vulva.
Minha tia percebeu que eu queria sair… ou talvez tenha se incomodado com o jeito que eu tava olhando pra filha dela; se for isso, vou ficar morrendo de vergonha. Ela deu um passo pra frente, liberando o caminho pra porta. Saí de lá o mais rápido que consegui. A última coisa que ouvi foi minha prima falando:
—Se você soubesse escolher parceiro, não teria esse problema. O que acontece é que você sempre escolhe errado, e na vez que escolhe certo, nem percebe...
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Aproveitei que o quarto da Estefanía tava vazio e me instalei lá pra ler o livro do Stephen King. Supus que a Tefi tava vendo Netflix no quarto da Macarena. Isso me daria umas horas de paz e sossego.
Infelizmente, essas horas não passaram de alguns poucos minutos. Trinta ou quarenta, no máximo. E não foi a Tefi quem perturbou minha paz, mas a própria Macarena. Eu ouvi ela gritar, como se estivesse discutindo com alguém. Deixei o livro na mesinha de cabeceira e saí pra ver o que tava rolando.
Pois é, tava no meio de uma discussão… com a minha mãe. Por que isso não me surpreende? Bom, o estranho é que minha mãe briga com qualquer um que não seja a Tefi ou eu. Mas aí lembrei que no segundo dia de quarentena ela teve uma briga feia com a Pilar, o que também era super estranho. Parece que esse isolamento ia ser cheio de momentos fora do normal.
—Como assim? Você tá louca? —Gritou Alicia, bem alto.
—Não se mete na minha vida, mãe! —Macarena rebateu, apontando o dedo pra ela—. Já tenho vinte e três anos, não pode ficar me dizendo o que posso ou não fazer.
—Mas você vive debaixo do mesmo teto que eu, e suas irmãs! —Ele nem me mencionou—. Colocou todo mundo em risco, por ser sem noção!
— O que foi? — Perguntou Gisela, que acabava de entrar na cena.
Aos poucos, todo mundo da casa foi se juntando com a gente.
—Sua irmã — disse minha mãe, apontando pra Macarena —. Se comportou que nem uma puta!
Pilar espiou a cabeça pelo corredor que dava no quarto dela.
—Não me chama de puta, porque vai rolar confusão!
Cristela e Ayelén saíram do meu quarto, cuja porta dá direto na sala de estar. Sempre odiei isso, porque dá pra ouvir os barulhos lá de fora, e com certeza essa discussão não passou despercebida pra minha tia e minha prima.
—Mas o que foi que ele fez? —Gisela perguntou de novo, meio assustada.
—Pergunta pra ele… vai, gata… conta pra eles o que você fez… pra todo mundo ver como você nos colocou em risco, sua puta. Eu sabia que você ia acabar sendo uma puta!
—Mãe, não fala assim com ele! — Gisela arregalou os olhos, ela odeia discussões, e tem muita dificuldade em lidar com o gênio de merda da minha mãe.
—Conta pra gente, Maca —disse Cristela, tentando trazer um pouco de paz—. A gente não pode opinar se não sabe o que rolou.
Macarena tava vermelha de raiva, o cabelão preto preso num rabo de cavalo, e mesmo chorando, ainda tava uma gostosa. Os olhos azuis dela criavam um contraste foda com o rubor. Ela olhava pro chão, como se quisesse esconder a cara.
—Vai, Maca… conta pra elas ou eu conto — ameaçou minha mãe.
―O que aconteceu é que ―quando Macarena começou a falar, todo mundo prendeu a respiração―. Eu tava saindo com um cara… um dos meus professores da faculdade.
—O quê? —Como sempre, a última a se interessar pelos problemas de família foi a Tefi, que acabava de sair do quarto da Macarena—. Você furou a quarentena pra ir dar uma trepada com seu professor?
Não, sua idiota!" – Maca se defendeu – "Isso aconteceu antes da quarentena.
—Então qual é o problema? —Perguntou minha tia—. Ela já é grandinha, sabe o que faz…
—É que isso não é tudo — disse minha mãe, com os dentes cerrados —. Hoje o bendito professor da Macarena apareceu no noticiário. Não tínhamos casos de Covid na região; mas parece que o senhor deu positivo… e essa idiota ficou se esfregando nele.
Todo mundo ficou pálido, eu também. Mesmo não tendo visto meu rosto, senti o sangue gelar. Até a Ayelén mudou aquele semblante cheio de confiança, ela parecia tão apavorada quanto o resto de nós. Tenho certeza de que todos pensamos a mesma coisa ao mesmo tempo…
—Se a Macarena tá com Covid —disse a Pilar —, então já estamos todos infectados.
—Tá vendo o que eu tô dizendo? —Alicia tava cheia de raiva—. Essa puta, por ficar de vagabunda, trouxe o vírus pra dentro de casa.
Um silêncio sepulcral tão profundo se fez que eu conseguia ouvir meu próprio coração, batendo como se quisesse pular do meu peito. Não era estar doente que me preocupava, mas sim a pena que senti pela Macarena, porque todo mundo ia apontar ela como a única culpada.
—Ah, não acredito! —exclamou Pilar, com sua voz potente de locutora—. Não me deixaram sair pra não "me contaminar", e essa puta já tinha contaminado todo mundo desde o começo.
Se a gente tivesse deixado você sair", disse Gisela, que parecia estar superando o medo, "você teria infectado outras pessoas.
A pobre Macarena chorava copiosamente, tinha pequenos espasmos na respiração dela.
—E agora, o que a gente vai fazer? — perguntou a Tefi, com um medo genuíno.
— O que a gente vai fazer — disse Alicia — é trancar essa idiota no quarto dela, até a gente conseguir chamar um médico. Quem sabe a gente teve sorte e não se contaminou todo mundo.
Ah, não!" — exclamou a Tefi, pensei que ela fosse reclamar da postura ditatorial da minha mãe, mas me enganei ao achar que minha irmã tinha coração. "Eu fiquei um monte de horas lá... naquele quarto! Com certeza me contaminei! E você dormiu comigo!" — ela apontou pra mim. "Então já tá na mesma.
Percebi que minha prima Ayelén se afastava de mim, mesmo já estando a mais de dois metros de distância. Maldita filha da…
—Não ganhamos nada trancando a Macarena.
—Deixa, Gise. Não se estressa —disse a aludida—. Não tô a fim de falar com ninguém, melhor eu ficar aqui dentro do quarto.
Ela andou de cabeça baixa até o quarto dela e se trancou lá dentro. Mais uma vez, o silêncio tomou conta.
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A aventura da Macarena com o professor dela nos levou a um momento depressivo. Minha mãe passou quase uma hora tentando descobrir tudo que podia sobre a condição do amante da filha dela, além de falar com médicos pra virem nos testar o mais rápido possível. A Cristela e a Ayelén ficaram no meu quarto e não apareceram. A Pilar, que sempre dava a impressão de viver no mundinho dela, só saiu do quarto pra preparar uns sanduíches. A Estefanía começou uma videochamada com uma amiga, e pra não ficar de fundo, já que a câmera apontava pra cama dela, resolvi ficar na sala com a Gisela, a única que não se trancou num quarto.
— O que vai acontecer agora? — Perguntei pra minha irmã mais velha.
Ela tava sentada no sofá, com uma pasta na mão, achei que era coisa do trabalho dela. Largou ela de lado e me encarou com aqueles olhos castanhos profundos. Sou irmão dela e ainda assim é difícil segurar o olhar sem ficar vermelho. A Gisela tem um negócio muito especial, e não tô falando das tetonas redondas dela, mas que ela passa uma confiança, ao mesmo tempo que uma sensualidade.
—Sinceramente, não sei. Talvez daqui a pouco venha algum médico fazer um teste na gente. Mas não podemos ficar tão paranoicos até sair os resultados. Ninguém aqui tem sintomas de Covid.
— Cê acha que tem chance da gente não estar infectado?
—Acho difícil. Quero ser positiva, mas se a Macarena transou com aquele cara, então ela deve estar infectada. A gente mora na mesma casa que ela, compartilha o ambiente, bate papo… até tomamos uns mates juntas, mais de uma vez.
—Sim, também tomei chimarrão com vocês.
Parecia muito louco pra mim que uma prática tão comum na Argentina, como tomar chimarrão com outras pessoas, tivesse virado um fator de risco, por causa de um vírus filho da puta.
—Então é só questão de esperar, e rezar por um milagre.
Sabia que esse negócio de "rezar" não era no sentido literal. Nunca fomos muito religiosos, pra ser sincero. Minha mãe nos criou com um sistema baseado em se comportar bem porque era o certo e em não machucar os outros. Ela também sempre foi bem crítica em relação ao sexo, mas acho que é compreensível, já que tem quatro filhas mulheres pra cuidar. Se ela não tivesse enfatizado o quanto as práticas sexuais fora do casamento eram imorais, é capaz que alguma das minhas irmãs já fosse mãe solteira.
—Tava pensando que talvez a mãe ficou puta com a Macarena por… sabe, o que a mãe acha sobre sexo.
Gisela me encarou de novo e deu uma pausa.
—Sim, sei perfeitamente o que ela pensa. Se dependesse dela, as quatro seríamos freiras… e você seria padre.
―Não, nem fodendo!
Ela soltou uma risada.
—Eu também não seria freira. E não pense mal, não falo isso porque eu goste de ficar mostrando a calcinha por aí, mas porque as freiras têm que passar o dia inteiro rezando. Acho um horror. Várias vezes discuti com a minha mãe por causa do sexo… uma vez ela descobriu que eu tinha um namoradinho, e quase me acorrentou na parede do meu quarto pra eu não poder sair pra ver ele.
—Sim, ela é bem rígida.
—Alguma vez ele fez algo parecido com você?
—O quê? Eu? Não, nunca tive namorada.
—Nunca? Nem uma única vez?
―Te surpreende?
—Muito. Especialmente depois do que eu vi no banheiro — eu esperava que ela tivesse esquecido aquele incidente e que nunca mais mencionasse aquilo na vida. Gisela começou a rir de novo. — Idiota! Você ficou vermelho. Não se sinta mal, Nahuel; foi um pequeno acidente. Não é a primeira vez que vejo um pau. Também não é que eu tenha visto muitos; mas deixa eu te dizer, poucas vezes vi um igual ao seu.
—O que é que o meu tem? — perguntei automaticamente, sem saber muito bem por quê.
—É bem… grande —dessa vez quem ficou vermelha foi ela—. Já imaginava que com isso você já tinha arrumado uma namoradinha.
—Não, é que é proibido esse negócio de ficar mostrando a pica pras minas na rua.
Mais uma vez, ela caiu na gargalhada. Minha mãe apareceu, com aquela simpatia de bulldog raivoso, e nos queimou com o olhar.
—Dá pra saber do que caralho vocês estão rindo?
—De nada, mãe —disse Gisela—. O Nahuel e eu estamos tentando facilitar um pouquinho esse momento todo. Teve alguma notícia boa?
—E que boa notícia eu posso ter? Tamo fudido demais!
—Sei lá… talvez você já tenha conseguido falar com um médico.
—Sim, e amanhã mesmo vêm fazer o teste de covid em nós.
—Isso é uma boa notícia.
—Não vejo por quê.
Dessa vez eu explodi, já tava de saco cheio dessa vibe ruim constante da minha mãe.
—Porque assim vamos saber se temos a porra do vírus ou não — falei pra ela. Ela me olhou com uma raiva assassina. — Todo mundo tá preocupado, mãe. Nos tratando que nem lixo não vai melhorar nada.
Alicia abriu a boca, pronta pra latir e morder; mas foi a própria Giesela que se meteu entre ela e eu, feito uma mamãe ursa protegendo o filhote.
—O Nahuel tem razão, mãe. Desde que começou a quarentena, você tá especialmente insuportável. Tá cansando todo mundo. Ninguém mais te aguenta, nem eu. Se na primeira semana já é assim, daqui um mês você vai acabar matando a gente.
—Se antes o vírus não nos matar —sentenciou.
Sabendo que estava em clara desvantagem, Alicia voltou pro quarto dela.
— Que mulher insuportável — falei pra Gisela.
—Às vezes sim. Eu amo ela pra caralho, porque quando ela tá calma é uma pessoa foda; mas quando ela se irrita com alguma coisa… Hitler parece um anjinho do lado dela. Mas a gente tava falando de outra parada. Não deixa ela estragar nosso momento. Por que você acha que ainda não tem uma namorada?
— Não sei — falei, dando de ombros —. Nunca sei o que dizer pras mulheres.
—Me ofende que você diga isso. Você tem quatro irmãs mais velhas, uma mãe psicopata, uma tia e uma prima…
—Também psicopata.
—Pode ser — nós dois rimos. Ela também não aguentava a Ayelén —. Enfim, rodeado de tanta mulher, você já devia ser um puta expert em lidar com elas.
—Mas te juro que não sei. Que porra eu vou falar pra uma mulher que não conheço? "Oi gostosa, quer ser minha namorada?".
—Sim, claro, pode falar isso pra ela… se quiser morrer virgem.
Caímos na risada de novo, feito dois idiotas, e por sorte minha mãe não apareceu pra estragar o momento.
— Vamos lá —continuou Gisela—. Falar isso é meio difícil pra mim, não sou nenhuma expert no gênero feminino, nem em sexualidade. Mas quando eu vi sua pica —ela falou a palavra "pica" bem baixinho—, fiquei impressionada. Ainda mais que vi ela no auge do esplendor. Não sei por que você tava tão duro… nem quero saber. Isso é problema seu. Pra mim foi muito chocante ver que meu irmão mais novo tem uma pica tremenda, grossa e cheia de veias. —Senti um frio na boca do estômago ao ouvir essas palavras—. O que quero dizer é que você já é um homem feito. Tem o pau de um homem de verdade, e as bolas já tão penduradas como enfeites de árvore de Natal. Desculpa se tô sendo muito explícita —ela tava vermelha, meus olhos desceram até os peitos dela; o decote era sutil, mas dava pra ver o topo daqueles peitões—. Tô fazendo isso pra você entender que, se quiser conquistar uma mulher, pode conseguir. Tá bem, você não vai sair mostrando a pica pra qualquer uma; mas posso te garantir que, quando uma garota vir ela bem dura, igual eu vi, ela vai criar um certo carinho por você. Você é bem dotado, Nahuel.
—Sério? Não tá falando isso só porque sou seu irmão, né?
―Falo sinceramente, como mulher. E como irmã, posso te dizer que tenho muito orgulho de você. Se não estivéssemos em plena quarentena, eu tirava umas fotos da sua pica e mandava pra alguma das minhas amigas. Em uns dias, você já teria elas de perna aberta, porque algumas das minhas amigas são assim… veem uma boa rola e já querem provar. Se elas soubessem como você é bem dotado, o negócio ficava muito mais fácil pra você.
—Imagino que isso das fotos você tá falando como uma suposição.
Pensou um pouquinho, olhou pra todos os lados e, quando se certificou de que estávamos sozinhos, voltou a fixar os olhos em mim.
—Tô falando sério. Se isso te ajudar a perder o cabaço, tô disposta a te apresentar uma das minhas amigas. E a apresentar pro teu amigo também… mas é, com a quarentena ia ser meio inútil, tu não ia poder ver elas.
—Mas eu posso falar com elas, sim! — falei, ficando tenso.
Gisela me olhou com muita seriedade.
—Isso é verdade. Você podia conversar com alguma delas, até passar toda a quarentena.
—E em qual das suas amigas você tá pensando? — Eu não conhecia as amizades da Gisela, já que elas nunca vinham em casa; mas imaginei que ela devia se relacionar com mulheres tão gostosas quanto ela.
—Em nenhuma em particular. Isso eu falei de forma genérica. Cê tá mesmo disposto a fazer isso?
―Hmm… me dá um pouco de vergonha; mas eu gostaria de poder conversar com alguma das suas amigas. Mesmo que ela acabe me mandando pra merda, pelo menos serviria de prática pra mim.
—Se você não agir que nem um idiota, não tem por que te mandarem pra puta que pariu.
—Essa é a parte difícil. Sinceramente, não saberia o que perguntar pra ela, nem como puxar assunto.
—Não vou me resignar a achar que meu irmãozinho é um inútil pra conversar com mulher… estando rodeado de tantas. Olha, um conselho que posso te dar: A gente, mulher, gosta que se preocupem com a gente quando temos um problema ou estamos passando por uma situação ruim. Você, infelizmente, é bem egoísta…
—Ei!
—É verdade, Nahuel. Teu egoísmo não chega ao extremo da Estefanía, muito menos da Ayelén; mas tu sempre faz o que quer, só se importa com as tuas coisas. Vive no teu mundo. Tá sempre enfiado num livro, num gibi, num videogame, alguma coisa… se conversasse mais com tuas irmãs, aprenderia a lidar com mulher. Isso eu te garanto. E de quebra, se ligasse pros problemas dos outros…
—Claro que me preocupo.
―Bom, se você faz isso, não dá pra perceber, porque nunca fala nada. Você sempre evita conversar quando tem um problema.
—Dessa vez eu falei… quando a mamãe saiu do quarto.
—Sim, porque você já está de saco cheio. Mas não precisa esperar ficar de saco cheio pra falar com alguém sobre algum problema. Ninguém gosta de egoístas.
―Vou levar isso em consideração.
—Acho muito bom —ela deu um tapinha na minha perna—. E pensa no que te falei sobre a foto. Sei que é meio grosseiro, e a gente não gosta que qualquer idiota desconhecido fique mandando foto de pica de cara; mas disso eu cuido. Vou falar com algumas amigas minhas, pra preparar o terreno pra você. Que tipo de mulher você curte?
—Em que sentido?
Ela me mostrou um sorrisinho safado e agarrou os peitos com as duas mãos.
―Você gosta de peitudas?
―Bom… hum… sim, pode ser.
—E o que mais?
—Que tenham uma boa bunda… sim, isso —falei, todo corajoso—. Eu gosto das bundudas.
—Eu? —Ela se levantou e deu um tapinha na própria bunda grande, que estava uma delícia mesmo com a calça não sendo muito justa.
—Bom, é… sim —aí comecei a perceber que a descrição se parecia demais com a Gisela, e me senti um idiota.
—E aí, cê prefere as loiras ou as morenas?
—Loiras —falei, só pra citar uma característica oposta à da Gisela. Ela tem cabelo castanho escuro, quase preto; herdado do meu pai. A única que tem o cabelo da mesma cor é a Macarena, a diferença é que a Maca tem olhos azuis… e praticamente não tem peito.
—Ah, cê gosta de loiras… tipo a Ayelén? —ela perguntou, erguendo uma sobrancelha.
―Hmm… as loiras são gostosas ―eu não sabia onde me enfiar. Qualquer coisa que eu dissesse seria usada contra mim―. Você tem alguma amiga loira?
—Loira, peitão e com uma bunda boa? Ha! Cê não quer nada, hein —falou com sarcasmo.
—Você me perguntou como eu gosto das mulheres… não precisa ser exatamente…
—Mas é sim —ela me interrompeu—. Acho que tenho a amiga perfeita pra você, e ela atende todos os requisitos.
—O quê? Sério?
—Sim, me dá uns dias, vou falar com ela. Vai me fazer bem, pra pensar um pouco em outra coisa.
—Sim, pra mim também.
―Bom, já é tarde. Vou dormir. Diferente de outros, eu tenho que acordar cedo pra trabalhar.
— Isso é uma reclamação?
—Não, bobinho… era uma piada. Não me incomoda que você durma tarde. A gente tá de quarentena… e agora descobrimos essa parada da Maca. O melhor que você pode fazer é tentar se distrair com alguma coisa. Descansa — ela me deu um beijo na bochecha e foi embora. Não consegui evitar de seguir com o olhar o balanço daquela bunda grande.
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Bati na porta do quarto da Tefi e entrei quando ela me deu permissão. Odiava ter que pedir licença pra me mexer na minha própria casa, mas não queria causar outra briga. Ela tava sentada na frente do computador, vendo um vídeo no YouTube.
—Se for ficar jogando no Play, não coloca o volume muito alto.
—Não, quero ler — falei pra ela.
Ela me olhou como se eu fosse um marciano.
—Não entendo por que você curte tanto ler.
—E eu não entendo por que você não gosta. Devia tentar um dia… e agora que tá sem trampo, podia aproveitar o tempo livre. Tenho vários livros, se te interessar algum, te empresto.
— Não sei, acho que não — colocou os fones grandões e voltou a se concentrar na tela.
Deitei na cama com o livro de Dolores Claiborne na mão, e mesmo sendo muito bom e me deixando curioso pra saber por que essa mulher matou o marido, não consegui me concentrar. Minha mente vagava sem rumo; mas a imagem da Macarena chorando sempre aparecia. Ela devia estar se sentindo muito mal. Ninguém tinha perguntado como tudo isso estava afetando ela.
Lembrei das palavras da Gisela: “A gente gosta quando se preocupam com a gente quando temos um problema ou estamos passando por uma situação ruim”. Se alguém tava passando por uma situação ruim, e tinha um baita problema, essa era a Macarena.
Deixei o livro no criado-mudo e saí.
O quarto da Maca fica bem ao lado do da Pilar, e eles se comunicam com o banheiro por um corredor.
Bati de leve na porta do quarto da Maca, e de dentro veio uma voz suave perguntando:
―Quem é?
—Sou o Nahuel, Maca. Posso entrar?
A resposta demorou uns segundos, mas finalmente ela disse:
―Vai, entra.
Abri a porta e fiquei bem surpreso, parece que nenhuma mulher dessa família gosta de usar calça. A Macarena tava de calcinha rosa e me deu a impressão de que não tava nem aí pra eu ver ela, já que não fez nenhum esforço pra se cobrir. Tava deitada na cama dela, com os olhos inchados de tanto chorar.
—O que você quer? —Perguntou, sem vontade.
Macarena é a que vem depois da Gisela em idade, é uma das mais velhas; mas eu a vi tão frágil que senti como se ela tivesse virado minha irmã mais nova. Entrei e fechei a porta devagarzinho.
— Não te importa se eu dormir aqui hoje à noite? — Perguntei com timidez.
Ela se sentou na cama e me olhou confusa.
—Você não tem medo de se infectar?
—Tanto faz, a gente mora tudo na mesma casa. Se você tem o vírus, então todo mundo tem. Já não faz diferença.
—Pode ser… e por que você quer dormir aqui? Brigou de novo com a Estefânia?
—Não, com a Tefi tá tudo bem. A gente nem brigou.
—Isso sim é estranho.
—Só quero que você não fique sozinha. Com certeza deve estar muito preocupada, e não acho certo sua mãe mandar você ficar no quarto, sem falar com ninguém. Acho que o que você precisa é desabafar com alguém.
Ela me mostrou um sorriso triste.
—Vem cá — ela disse, com um gesto da mão. Sentei na beirada da cama, ela me abraçou e me deu um beijo na bochecha. — Sério mesmo, ia me fazer muito bem conversar com alguém. Essa noite não vou conseguir dormir nada.
—Eu também não, acordei tarde pra caralho. Então, posso ficar?
—Sim, claro. Fica à vontade. —Sentei na cama, encostando as costas no travesseiro, ela se acomodou do meu lado—. Mas tira a calça, gato.
—O quê? Sério? Não te incomoda?
—Olha como eu tô — apontou pra calcinha dela —, e me diz se isso pode me incomodar. Cê é meu irmão, Nahuel. Não tem nada demais.
—Bom, sim, nisso você tem razão.
Tirei a calça, fiquei só de cueca. Meus olhos percorreram toda a anatomia da Macarena, pode ser que ela não seja a mais peituda da família, mas as pernas dela são espetaculares. Notei que meu pau deu um pulinho involuntário, e rezei pra deus (se é que existe), pra não endurecer. A Maca separou levemente as pernas, e pude notar como a calcinha marcava os gomos da buceta.
Diário de quarentena:
5 comentários - Ilhado no Meio das Gostosas[02]Buceta gostosa e melada[/02]
No me da la dosis. Chau