É mais erótico do que pornô, acho, mas dá pra ler numa boa.
Diálogo com uma prostituta
A P. E. C.
Voltava pra casa de carro, altas horas da noite. No começo de uma ponte mal iluminada, vi uma mulher toda maquiada, com um vermelho bem forte nos lábios, salto alto e uma meia de rede. De cara, não tava usando calcinha nem sutiã. Freiei e sorri. Ela pediu um valor que não ouvi direito e, por via das dúvidas, pedi pra repetir, o que ela fez na hora.
— Barata eu não sou, porque sou a melhor: a mais limpinha, a mais tarada e a mais submissa. Faço tudo que você imaginar, menos com bicho e menos que caguem em cima de mim. Sou muito puta, mas muito boa. Topa?
— Sim, mas quero que a gente vá pra um descampado com o carro e você faça duas coisas pra mim.
— Quais?
— Me chupar e me contar sua vida.
Pouco depois, achamos um lugar adequado, solitário e escuro. Ela baixou a meia de rede até a cintura. Sentei ela no meu colo e chupei os peitos dela quase com desespero. Mordisquei um pouco os bicos. Ela gemeu.
— Papi, devagar, não morde tão forte que dói.
— Posso gozar na sua boca?
— Pode, adoro engolir.
— Quando, como, você começou?
— Depois que fiz quinze. Minha mãe falou, era mãe solteira, que a gente precisava de grana, que ela ia cuidar de mim, mas eu tinha que ir com homens e fazer coisas pra eles. Primeiro me apresentou pra uns velhos, depois pra caras mais novos, também pra mulheres: desde que pagassem, o que viesse. Aí, como eu era uma gatinha esperta que não passava vergonha em ninguém, os velhos me recomendaram pra outros velhos que me levavam pra eventos de empresa e festas que sempre terminavam mal ou bem, dependendo do ponto de vista. Bah, orgias.
Minha mãe cuidava de mim, sim, mas adorava olhar. Quando vinham em casa, ela dava um jeito de deixar a porta aberta ou espiar pela janela de um jeito que o cliente ou os clientes não vissem ela, mas eu via. No começo, me dava raiva e vergonha, depois me acostumei com a presença dela. Depravações. Essa era só uma delas. Acima de tudo, ela adorava olhar quando eu tava com dois ou três. Ficava a mil: eu via ela se masturbar igual uma louca e morder os lábios pra não gritar quando gozava, senão os clientes iam reclamar. Toda noite tinha três ou quatro homens esperando na sala de casa e eu satisfazia eles em tudo, então o negócio ia bem.
Ela insistia que eu fizesse sexo grupal porque me pagavam mais – a única coisa que interessava nela sobre a filha – e eu podia me cuidar, segundo ela, mas o que ela realmente gostava era me olhar enquanto eu chupava um de quatro e o outro me comia. O que mais minha mãe queria era me ter em casa: eu trazia grana, fazia ela gozar e sempre conseguia um pouco mais.
– Mais o quê?
– Ela também me tocava.
– Lambe ela e depois beija minhas bolas. Assim, agora enfia na boca…
– Você gosta que eu chupe assim?
Já gozou. Quer ir pra um hotel? Com o que você vai me dar, já tô feita por essa noite e continuo te contando.
– Beleza.
Chegamos no hotel e, enquanto eu esperava ela na cama, ela tomou um banho.
– Papi, por onde a gente começa?
– Queria te amarrar e fazer um sadomasô.
– Tá, mas não me deixa marca.
– Antes quero que você se masturbe pra mim.
– Assim?
– Sim.
Ela me olhou mostrando a língua e com uma mão começou a massagear a própria buceta, depois, com a outra, levantou o peito esquerdo pra chupar o próprio mamilo.
– Só aos sábados me deixava sair. Ia dançar e depois beber com uns amigos. Se não tinha grana pra comprar essa boquinha, conseguia qualquer coisa. Tinha uma espécie de namorada e às vezes fazíamos show lésbico nos bares pra conseguir um pouco de ecstasy. Ela me amava, não era só tesão, e comia minha buceta igual uma deusa. Pouco tempo depois, vazei de casa, minha mãe surtou.
– O que aconteceu?
– Minha velha era uma mina infernal – pra ser sincera, alguém eu tinha que puxar – e ainda parecia jovem, mas mais piranha que eu e adorava os caras. Conheceu um muito Gostoso numa balada e o cara, um puta degenerado, convidou ela pro aniversário dele. Pediu pra ela levar uma amiga. Ele não me conhecia. Eram quatro caras e a gente. Falei pra ela: "vão nos estuprar, não tá vendo que são quatro?" Ela disse: "relaxa, eu dou conta deles."
- E aí?
- Dancei com três deles, cada vez me apalpavam mais. Primeiro, minha mãe tava com a gente. Depois ela levou o cara pra um quarto e, pelos gritos, o filho da puta tava comendo ela gostoso. Me falaram que se eu chupasse os três, conseguiam ecstasy do bom. "Toma aqui", disseram, e a primeira que experimentei me derrubou. Depois tomei mais duas: a noite foi longa pra caralho. Falei pra eles me esperarem, que ia no quarto me preparar. Quinze minutos depois apareceram pelados; tinham umas pirocas boas, nada exagerado. Enfiei uma na boca e peguei as outras duas com as mãos. Depois montei em um deles e começou, o outro veio por trás, levantou minha bunda e meteu no cu enquanto o terceiro enfiava na minha boca. Eles se revezaram por um bom tempo. Eu tava tão drogada que não doeu até o dia seguinte.
- Você curte travestis?
- Não, são tudo doido varrido, mas com um eu me dei bem por um tempo. A gente trabalhava no mesmo cabaré. Num momento, fiquei sem lugar pra ficar por falta de grana e ele me abrigou no quarto dele. Depois… tudo muito estranho. Supostamente, viado gosta de viado. Primeiro a gente só bebia junto. Depois ele me espiava no banho e se masturbava. Eu sabia, cega não sou, mas não ligava: já tinha visto de tudo. Aí, uma vez, me pediu pra tirar a roupa e chupar ele. Pra piorar, uma noite, no banheiro da balada, começou a me apalpar. Me encostou na pia e me comeu igual um bicho. Por sorte não gozou dentro de mim. A relação acabou por ciúme — os caras iam mais comigo do que com ele — e ele me deu uma surra que quase me mandou pro hospital. Peguei o pouco que consegui e vazei. Papai, vai fazer sadomasoquismo comigo? Adoro isso. Me gozo como uma arrombada. Vai, amarra a sua putinha e mete com tudo que eu adoro. Adoro fazer de escravinha…
—Assim, putinha, assim que você gosta?
—Sim, meu amor! Não para, por favor!
Tava na rua e com os poucos trocados que tinha aluguei um quarto. Era um hotel de merda, mas o quarto era limpo e confortável. Não tinha bicho, que é o que importa. Tive que trocar de espelunca pra evitar problema, e como não era barulhenta, passei a trabalhar em outra do mesmo dono. A merda do dinheiro sempre foi meu problema e me fazia afundar cada vez mais. Eu sabia que a mulher do dono da pensão conseguia da boa, mas não tinha um puto e a gostosa me encarava o tempo todo: não tirava os olhos do meu decote. A única descarga que eu tinha era me masturbar e uma vez esqueci de fechar as cortininhas da janela. Era a única coisa que impedia de ver o interior do quarto. Quando terminei, pareceu que vi uma sombra indo embora. No dia seguinte, a dona me olhou como sempre e com ironia disse que eu tinha que ser mais cuidadosa. Quando perguntei por quê, ela respondeu que é preciso fechar as cortinas pra não ver o que acontece lá dentro.
—Desculpa —respondi e baixei a cabeça quase envergonhada. Não gosto de dar espetáculo.
—Por quê? Você é muito gostosa e, pelo que vi, muito fogosa —disse enquanto me rodeava a cintura com o braço direito e com o esquerdo acariciava a alça da regata.
—Dona, a senhora consegue um? —perguntei sem hesitar e de supetão.
—Quantos você quiser, mas custa.
—Que merda, mal dá pro aluguel.
—Bom, dá pra dar um jeito. Meu marido trabalha à noite. Tenho sangue nas veias como todo mundo —não é que só pense em negócio, apesar do que te disseram— e as noites são muito longas. Você podia me fazer companhia… de vez em quando.
Fiz companhia pra ela, como ela pediu, e ela me deu o que eu precisava. Até fazia vista grossa se eu atrasava o aluguel e, de vez em quando, me dava um dinheirinho. Já sabe… Favor com favor se paga. No dia em que eu ia ficar com ela pela primeira vez, à tarde, ela bate na porta do quarto e me entrega um pacotinho.
—Espero que você goste. Usa hoje à noite, se quiser.
Era um conjunto de lingerie vermelho, bem pequenininho e bem sexy. Não fosse eu me confundir ou não sacar como era a parada. Sabe a vida que eu tenho: meu primeiro conjunto foi presente de uma coroa quente. Naquela noite, entrei pela primeira vez no quarto dela — ninguém me viu, sempre fui discreta e cuidadosa pra essas paradas — e tinha cinco notas. Ela tinha vestido um pijama de homem, provavelmente do marido, que ficava muito bonito nela, pra ser sincera. Sentamos na cama dela e, depois de um tempo, ela começou a me apalpar. Foi a primeira vez de muitas. Eu tava ficando cada vez mais viciada e, sempre que precisava, ia até ela. Cada vez ela exigia mais: não só tinha que chupar ela toda, meter a língua onde ela quisesse — e ela queria em todo canto —, mas também, depois, ela comprou um daqueles consolos com cinta e me comia gostoso. Eu tinha virado a putinha dela e, pra ser sincera, não tava achando ruim. Um dia ela disse que tinha algo pra me propor.
—Neném, tenho um amigo que é a sua cara.
—Quem é, posso saber?
—É bioquímico. Tem uma posição muito boa, viaja e sempre precisa de alguém pra acompanhar em convenções e tal. É viúvo e adora umas gostosas.
—Viúvo? Quantos anos ele tem?
—Sessenta ou sessenta e cinco. Sei lá, tá meio acabado — e deu uma gargalhada, já que ela não precisava aguentar ele —, mas isso é o de menos. Você não precisa de um príncipe, precisa de grana.
—Que horror. Tá bom, então. Fala pra ele a gente tomar um café.
—Domingo tem um churrasco na casa dele. Se quiser, te apresento, pra vocês se conhecerem.
Fomos ao churrasco e ficamos até tarde. O velho não tirava os olhos de mim e, de repente, sem mais nem menos, fez uma proposta. Amante em tempo integral, tinha que estar disponível quando ele quisesse — foi o que entendi, mesmo ele não tendo dito exatamente isso. esses termos - e principalmente se tinha algum evento. Esses caras, se não vão com umas gatinhas, arrumam uma. Toda convenção termina com uma trepada e não é questão de não ter com quem dançar ou se entreter. Coloquei meu preço, a mensalidade que precisava, e ele aceitou sem reclamar. Me disse que em uns dias tinha que viajar pra Tucumán.
- Você me acompanha?
- Sim, sem problema.
- Perfeito, segunda-feira às nove mando um remix pro hotel te levar pra Aeroparque. Traz roupa pra três dias. O que faltar, a gente compra lá.
Chegamos e eu tava deslumbrada. Uma mina de bairro que nunca tinha saído de Buenos Aires viajava de avião e ficava num hotel cinco estrelas. Enquanto ele tava na convenção, eu saía pra fazer compras, ia no cinema, passeava pela cidade: o paraíso. Mas tudo que é bom acaba, a noite chegou. Terminamos de jantar e fomos pro quarto.
- Mocinha, quero você agora.
- Tá bom. Me espera enquanto fico mais à vontade.
Com certeza pra pílula azul não pregar uma peça nele, ele teve a prudência de não beber álcool. Eu bebi, e olha que ia precisar. Nunca me disse o que tomava, mas era mais que óbvio. Era um desastre, parecia que eu tava transando com meu avô, que Deus o tenha. Me lambeu até a raiz do cabelo e depois pediu pra eu chupar ele. Demorou horrores pra conseguir uma ereção decente – se continuar assim, pensei, vou ter cãibra na mandíbula – e pediu pra eu ficar de quatro. Não sei se a diferença de idade, a certeza de que eu tava com ele só pelo dinheiro, gerou ressentimento, mas ele me xingou como poucos. Não eram só as putarias típicas pra se excitar, mas sim demonstrações de desprezo. Ninguém fala "sua puta de merda" ou "gata arrombada" o tempo todo se não acha que a pessoa é um lixo. Pouco me importou. Assim todas as noites até voltarmos pra Buenos Aires.
Saí do hotel e me mudei pra casa dele. Ficava sozinha durante a semana até as seis da tarde e o fim de semana era tranquilo. Tinha poucos amigos e os únicos que o visitavam regularmente eram uma sobrinha e um sobrinho, filhos do irmão mais novo dele. No primeiro fim de semana, aconteceu algo. Na hora, não dei importância, mas foi o começo do fim. Depois do churrasco, o velho não tirava os olhos de mim: tava mais tarado que primeiro neto. Num momento, enquanto a gente conversava com a sobrinha – ele do meu lado e ela na nossa frente –, sinto que, com a mão direita, ele começa a acariciar minha bunda. Nessa hora, o sobrinho aparece atrás da gente e pigarreia pra gente notar que ele tava ali. Que mico! Eu não sabia onde enfiar a cara.
– Vamos tirar um cochilo. Tô cansado, bebi pra caralho – disse o velho enquanto me beliscava, como se quisesse mostrar pra todo mundo que eu era a puta dele.
– Quer que a gente vá embora? Tô com o carro – respondeu o sobrinho.
– Não, por quê? O lugar é grande, fiquem até a noite, se quiserem, e a gente continua o churrasquinho.
Fomos pro quarto. Ele me jogou na cama sem nem fechar a porta do quarto, que era bem isolado do resto da casa. Pediu pra eu ficar de costas pra ele e me despir devagar. Em cima da cama tinha um espelho enorme que dava pra ver o quarto inteiro refletido. Fiz um boquete nele, pra ver se ele gozava rápido e parava de encher o saco.
– Para, puta, que você vai me fazer gozar. Sobe em cima de mim.
Fiz isso e, num momento, abri os olhos e olhei no espelho: o sobrinho tava nos espiando.
– Puta, mostra a língua e acaricia seus peitos que isso me deixa louco. Assim, assim. Puta do caralho, cê gosta da minha pica?
– Sim, papai, ela é tão grande e dura, adoro.
Num momento, olho no espelho e vejo o sobrinho abrindo a braguilha e, tirando a rola dele, começa a se masturbar. Isso me deu uma excitação que o velho nunca ia me causar. Montei como uma louca no pau dele. Não sei se a gente gozou tudo ao mesmo tempo, mas foi por aí. O velho, como de costume – e era de longe o que mais me dava nojo –, pediu pra eu colocar a língua pra fora acabar ali mesmo. Eu coloquei a língua pra fora e vi que o cara tampava a boca com a mão pra ninguém ouvir os gemidos dele.
No sábado seguinte, teve uma reunião na casa. Tinha umas trinta pessoas, a maioria casais, menos o Ernesto, o sobrinho, que veio sozinho. Talvez eu tenha me vestido muito provocante, sei lá… Acostumada a me vestir pra esquentar, acabei perdendo a noção. Devia ser isso: achar que é normal se mostrar como uma gata. Sei lá… O coroa não falou nada, talvez todo mundo já soubesse, mas o Ernesto não tirava os olhos de mim.
Num certo momento, ele chega perto do velho e pergunta alguma coisa. Depois me chama pra dançar. Já bem alterada, aceito. Conforme as músicas iam passando, ele se aproximava cada vez mais do meu corpo. A mão dele, devagar, descia pelas minhas costas até chegar perto da minha cintura. Num instante, olhei pra baixo e vi o volume que esticava a braguilha dele. Tentei me afastar um pouco, mas a mão esquerda dele apertou a minha quase com violência e a mão direita, já na minha cintura, me puxou de volta. Quando nossas virilhas estavam coladas uma na outra, senti a palma da mão direita dele deslizando entre minhas nádegas.
— Para, pai, que todo mundo vai ver a gente — sussurrei.
— Não aguento mais. O tio, com a bebedeira que tem, vai dormir que nem uma pedra. Quando ele pegar no sono, vem pro meu quarto.
A noite acabou e eu não sabia o que fazer. Podia perder uma situação muito boa pra mim, mas não sabia o que esse cara podia inventar se eu dissesse que não. É verdade, o velho dormia a pata solta e fui tomar um banho. Depois, me dirigi ao quarto dele.
— Finalmente, pensei que você ia me dar o cano.
— Olha, isso não pode, eu tô com seu tio.
— Eu sei, me dá esse gosto hoje e não encho mais o saco. É só pra matar a vontade.
— Não, bebê, pela bunda pequena não, que dói muito. Filho da puta, você vai me rasgar…
— Que bunda que você tem. Vou meter ali a noite inteira, é bem apertadinho. Que puta gostosa, você se mexe como uma deusa. Vai, continua.
— Cê gosta que eu me mexer assim? Modo, papi?
—Adoro, que puta gostosa você é —sussurrava enquanto enfiava a língua na minha orelha e puxava meu cabelo cada vez mais forte.
—Diz que você é minha puta. Isso me deixa louco.
—Sim, amor, sou sua puta, faz comigo tudo que quiser que eu adoro. Me come bem forte; sou toda sua, me come quando quiser que sou sua puta…
As coisas que eu falei pra ele gozar de uma vez… Como bom garoto, ele me aguentou a noite inteira; gozava e quinze minutos depois pedia pra eu chupar ele pra começar de novo. Não vou dizer que não gostei, mas era uma nova preocupação. O que fazer a partir dali. No dia seguinte, as coisas pioraram. Ele me deu o endereço do apartamento dele.
—Não posso, te falei. Seu tio…
—Qual é, não se faz de esposa fiel se você é puta.
—Você não falava assim quando me pediu por favor pra ir no seu quarto. São todos iguais.
—Você tá com ele por grana, né? Tô te oferecendo a mesma coisa.
—No fim, a situação explodiu e o velho me mandou pra merda. Pela primeira vez quis agir direito… e olha no que deu. —Cê tem amigos que curtem putaria? Podia me recomendar, já viu como eu sou.
—Tem comissão?
—Se seus esquemas forem bons, claro —e ele sorriu mais safado do que nunca—. Nada é de graça nessa vida.
Diálogo com uma prostituta
A P. E. C.
Voltava pra casa de carro, altas horas da noite. No começo de uma ponte mal iluminada, vi uma mulher toda maquiada, com um vermelho bem forte nos lábios, salto alto e uma meia de rede. De cara, não tava usando calcinha nem sutiã. Freiei e sorri. Ela pediu um valor que não ouvi direito e, por via das dúvidas, pedi pra repetir, o que ela fez na hora.
— Barata eu não sou, porque sou a melhor: a mais limpinha, a mais tarada e a mais submissa. Faço tudo que você imaginar, menos com bicho e menos que caguem em cima de mim. Sou muito puta, mas muito boa. Topa?
— Sim, mas quero que a gente vá pra um descampado com o carro e você faça duas coisas pra mim.
— Quais?
— Me chupar e me contar sua vida.
Pouco depois, achamos um lugar adequado, solitário e escuro. Ela baixou a meia de rede até a cintura. Sentei ela no meu colo e chupei os peitos dela quase com desespero. Mordisquei um pouco os bicos. Ela gemeu.
— Papi, devagar, não morde tão forte que dói.
— Posso gozar na sua boca?
— Pode, adoro engolir.
— Quando, como, você começou?
— Depois que fiz quinze. Minha mãe falou, era mãe solteira, que a gente precisava de grana, que ela ia cuidar de mim, mas eu tinha que ir com homens e fazer coisas pra eles. Primeiro me apresentou pra uns velhos, depois pra caras mais novos, também pra mulheres: desde que pagassem, o que viesse. Aí, como eu era uma gatinha esperta que não passava vergonha em ninguém, os velhos me recomendaram pra outros velhos que me levavam pra eventos de empresa e festas que sempre terminavam mal ou bem, dependendo do ponto de vista. Bah, orgias.
Minha mãe cuidava de mim, sim, mas adorava olhar. Quando vinham em casa, ela dava um jeito de deixar a porta aberta ou espiar pela janela de um jeito que o cliente ou os clientes não vissem ela, mas eu via. No começo, me dava raiva e vergonha, depois me acostumei com a presença dela. Depravações. Essa era só uma delas. Acima de tudo, ela adorava olhar quando eu tava com dois ou três. Ficava a mil: eu via ela se masturbar igual uma louca e morder os lábios pra não gritar quando gozava, senão os clientes iam reclamar. Toda noite tinha três ou quatro homens esperando na sala de casa e eu satisfazia eles em tudo, então o negócio ia bem.
Ela insistia que eu fizesse sexo grupal porque me pagavam mais – a única coisa que interessava nela sobre a filha – e eu podia me cuidar, segundo ela, mas o que ela realmente gostava era me olhar enquanto eu chupava um de quatro e o outro me comia. O que mais minha mãe queria era me ter em casa: eu trazia grana, fazia ela gozar e sempre conseguia um pouco mais.
– Mais o quê?
– Ela também me tocava.
– Lambe ela e depois beija minhas bolas. Assim, agora enfia na boca…
– Você gosta que eu chupe assim?
Já gozou. Quer ir pra um hotel? Com o que você vai me dar, já tô feita por essa noite e continuo te contando.
– Beleza.
Chegamos no hotel e, enquanto eu esperava ela na cama, ela tomou um banho.
– Papi, por onde a gente começa?
– Queria te amarrar e fazer um sadomasô.
– Tá, mas não me deixa marca.
– Antes quero que você se masturbe pra mim.
– Assim?
– Sim.
Ela me olhou mostrando a língua e com uma mão começou a massagear a própria buceta, depois, com a outra, levantou o peito esquerdo pra chupar o próprio mamilo.
– Só aos sábados me deixava sair. Ia dançar e depois beber com uns amigos. Se não tinha grana pra comprar essa boquinha, conseguia qualquer coisa. Tinha uma espécie de namorada e às vezes fazíamos show lésbico nos bares pra conseguir um pouco de ecstasy. Ela me amava, não era só tesão, e comia minha buceta igual uma deusa. Pouco tempo depois, vazei de casa, minha mãe surtou.
– O que aconteceu?
– Minha velha era uma mina infernal – pra ser sincera, alguém eu tinha que puxar – e ainda parecia jovem, mas mais piranha que eu e adorava os caras. Conheceu um muito Gostoso numa balada e o cara, um puta degenerado, convidou ela pro aniversário dele. Pediu pra ela levar uma amiga. Ele não me conhecia. Eram quatro caras e a gente. Falei pra ela: "vão nos estuprar, não tá vendo que são quatro?" Ela disse: "relaxa, eu dou conta deles."
- E aí?
- Dancei com três deles, cada vez me apalpavam mais. Primeiro, minha mãe tava com a gente. Depois ela levou o cara pra um quarto e, pelos gritos, o filho da puta tava comendo ela gostoso. Me falaram que se eu chupasse os três, conseguiam ecstasy do bom. "Toma aqui", disseram, e a primeira que experimentei me derrubou. Depois tomei mais duas: a noite foi longa pra caralho. Falei pra eles me esperarem, que ia no quarto me preparar. Quinze minutos depois apareceram pelados; tinham umas pirocas boas, nada exagerado. Enfiei uma na boca e peguei as outras duas com as mãos. Depois montei em um deles e começou, o outro veio por trás, levantou minha bunda e meteu no cu enquanto o terceiro enfiava na minha boca. Eles se revezaram por um bom tempo. Eu tava tão drogada que não doeu até o dia seguinte.
- Você curte travestis?
- Não, são tudo doido varrido, mas com um eu me dei bem por um tempo. A gente trabalhava no mesmo cabaré. Num momento, fiquei sem lugar pra ficar por falta de grana e ele me abrigou no quarto dele. Depois… tudo muito estranho. Supostamente, viado gosta de viado. Primeiro a gente só bebia junto. Depois ele me espiava no banho e se masturbava. Eu sabia, cega não sou, mas não ligava: já tinha visto de tudo. Aí, uma vez, me pediu pra tirar a roupa e chupar ele. Pra piorar, uma noite, no banheiro da balada, começou a me apalpar. Me encostou na pia e me comeu igual um bicho. Por sorte não gozou dentro de mim. A relação acabou por ciúme — os caras iam mais comigo do que com ele — e ele me deu uma surra que quase me mandou pro hospital. Peguei o pouco que consegui e vazei. Papai, vai fazer sadomasoquismo comigo? Adoro isso. Me gozo como uma arrombada. Vai, amarra a sua putinha e mete com tudo que eu adoro. Adoro fazer de escravinha…
—Assim, putinha, assim que você gosta?
—Sim, meu amor! Não para, por favor!
Tava na rua e com os poucos trocados que tinha aluguei um quarto. Era um hotel de merda, mas o quarto era limpo e confortável. Não tinha bicho, que é o que importa. Tive que trocar de espelunca pra evitar problema, e como não era barulhenta, passei a trabalhar em outra do mesmo dono. A merda do dinheiro sempre foi meu problema e me fazia afundar cada vez mais. Eu sabia que a mulher do dono da pensão conseguia da boa, mas não tinha um puto e a gostosa me encarava o tempo todo: não tirava os olhos do meu decote. A única descarga que eu tinha era me masturbar e uma vez esqueci de fechar as cortininhas da janela. Era a única coisa que impedia de ver o interior do quarto. Quando terminei, pareceu que vi uma sombra indo embora. No dia seguinte, a dona me olhou como sempre e com ironia disse que eu tinha que ser mais cuidadosa. Quando perguntei por quê, ela respondeu que é preciso fechar as cortinas pra não ver o que acontece lá dentro.
—Desculpa —respondi e baixei a cabeça quase envergonhada. Não gosto de dar espetáculo.
—Por quê? Você é muito gostosa e, pelo que vi, muito fogosa —disse enquanto me rodeava a cintura com o braço direito e com o esquerdo acariciava a alça da regata.
—Dona, a senhora consegue um? —perguntei sem hesitar e de supetão.
—Quantos você quiser, mas custa.
—Que merda, mal dá pro aluguel.
—Bom, dá pra dar um jeito. Meu marido trabalha à noite. Tenho sangue nas veias como todo mundo —não é que só pense em negócio, apesar do que te disseram— e as noites são muito longas. Você podia me fazer companhia… de vez em quando.
Fiz companhia pra ela, como ela pediu, e ela me deu o que eu precisava. Até fazia vista grossa se eu atrasava o aluguel e, de vez em quando, me dava um dinheirinho. Já sabe… Favor com favor se paga. No dia em que eu ia ficar com ela pela primeira vez, à tarde, ela bate na porta do quarto e me entrega um pacotinho.
—Espero que você goste. Usa hoje à noite, se quiser.
Era um conjunto de lingerie vermelho, bem pequenininho e bem sexy. Não fosse eu me confundir ou não sacar como era a parada. Sabe a vida que eu tenho: meu primeiro conjunto foi presente de uma coroa quente. Naquela noite, entrei pela primeira vez no quarto dela — ninguém me viu, sempre fui discreta e cuidadosa pra essas paradas — e tinha cinco notas. Ela tinha vestido um pijama de homem, provavelmente do marido, que ficava muito bonito nela, pra ser sincera. Sentamos na cama dela e, depois de um tempo, ela começou a me apalpar. Foi a primeira vez de muitas. Eu tava ficando cada vez mais viciada e, sempre que precisava, ia até ela. Cada vez ela exigia mais: não só tinha que chupar ela toda, meter a língua onde ela quisesse — e ela queria em todo canto —, mas também, depois, ela comprou um daqueles consolos com cinta e me comia gostoso. Eu tinha virado a putinha dela e, pra ser sincera, não tava achando ruim. Um dia ela disse que tinha algo pra me propor.
—Neném, tenho um amigo que é a sua cara.
—Quem é, posso saber?
—É bioquímico. Tem uma posição muito boa, viaja e sempre precisa de alguém pra acompanhar em convenções e tal. É viúvo e adora umas gostosas.
—Viúvo? Quantos anos ele tem?
—Sessenta ou sessenta e cinco. Sei lá, tá meio acabado — e deu uma gargalhada, já que ela não precisava aguentar ele —, mas isso é o de menos. Você não precisa de um príncipe, precisa de grana.
—Que horror. Tá bom, então. Fala pra ele a gente tomar um café.
—Domingo tem um churrasco na casa dele. Se quiser, te apresento, pra vocês se conhecerem.
Fomos ao churrasco e ficamos até tarde. O velho não tirava os olhos de mim e, de repente, sem mais nem menos, fez uma proposta. Amante em tempo integral, tinha que estar disponível quando ele quisesse — foi o que entendi, mesmo ele não tendo dito exatamente isso. esses termos - e principalmente se tinha algum evento. Esses caras, se não vão com umas gatinhas, arrumam uma. Toda convenção termina com uma trepada e não é questão de não ter com quem dançar ou se entreter. Coloquei meu preço, a mensalidade que precisava, e ele aceitou sem reclamar. Me disse que em uns dias tinha que viajar pra Tucumán.
- Você me acompanha?
- Sim, sem problema.
- Perfeito, segunda-feira às nove mando um remix pro hotel te levar pra Aeroparque. Traz roupa pra três dias. O que faltar, a gente compra lá.
Chegamos e eu tava deslumbrada. Uma mina de bairro que nunca tinha saído de Buenos Aires viajava de avião e ficava num hotel cinco estrelas. Enquanto ele tava na convenção, eu saía pra fazer compras, ia no cinema, passeava pela cidade: o paraíso. Mas tudo que é bom acaba, a noite chegou. Terminamos de jantar e fomos pro quarto.
- Mocinha, quero você agora.
- Tá bom. Me espera enquanto fico mais à vontade.
Com certeza pra pílula azul não pregar uma peça nele, ele teve a prudência de não beber álcool. Eu bebi, e olha que ia precisar. Nunca me disse o que tomava, mas era mais que óbvio. Era um desastre, parecia que eu tava transando com meu avô, que Deus o tenha. Me lambeu até a raiz do cabelo e depois pediu pra eu chupar ele. Demorou horrores pra conseguir uma ereção decente – se continuar assim, pensei, vou ter cãibra na mandíbula – e pediu pra eu ficar de quatro. Não sei se a diferença de idade, a certeza de que eu tava com ele só pelo dinheiro, gerou ressentimento, mas ele me xingou como poucos. Não eram só as putarias típicas pra se excitar, mas sim demonstrações de desprezo. Ninguém fala "sua puta de merda" ou "gata arrombada" o tempo todo se não acha que a pessoa é um lixo. Pouco me importou. Assim todas as noites até voltarmos pra Buenos Aires.
Saí do hotel e me mudei pra casa dele. Ficava sozinha durante a semana até as seis da tarde e o fim de semana era tranquilo. Tinha poucos amigos e os únicos que o visitavam regularmente eram uma sobrinha e um sobrinho, filhos do irmão mais novo dele. No primeiro fim de semana, aconteceu algo. Na hora, não dei importância, mas foi o começo do fim. Depois do churrasco, o velho não tirava os olhos de mim: tava mais tarado que primeiro neto. Num momento, enquanto a gente conversava com a sobrinha – ele do meu lado e ela na nossa frente –, sinto que, com a mão direita, ele começa a acariciar minha bunda. Nessa hora, o sobrinho aparece atrás da gente e pigarreia pra gente notar que ele tava ali. Que mico! Eu não sabia onde enfiar a cara.
– Vamos tirar um cochilo. Tô cansado, bebi pra caralho – disse o velho enquanto me beliscava, como se quisesse mostrar pra todo mundo que eu era a puta dele.
– Quer que a gente vá embora? Tô com o carro – respondeu o sobrinho.
– Não, por quê? O lugar é grande, fiquem até a noite, se quiserem, e a gente continua o churrasquinho.
Fomos pro quarto. Ele me jogou na cama sem nem fechar a porta do quarto, que era bem isolado do resto da casa. Pediu pra eu ficar de costas pra ele e me despir devagar. Em cima da cama tinha um espelho enorme que dava pra ver o quarto inteiro refletido. Fiz um boquete nele, pra ver se ele gozava rápido e parava de encher o saco.
– Para, puta, que você vai me fazer gozar. Sobe em cima de mim.
Fiz isso e, num momento, abri os olhos e olhei no espelho: o sobrinho tava nos espiando.
– Puta, mostra a língua e acaricia seus peitos que isso me deixa louco. Assim, assim. Puta do caralho, cê gosta da minha pica?
– Sim, papai, ela é tão grande e dura, adoro.
Num momento, olho no espelho e vejo o sobrinho abrindo a braguilha e, tirando a rola dele, começa a se masturbar. Isso me deu uma excitação que o velho nunca ia me causar. Montei como uma louca no pau dele. Não sei se a gente gozou tudo ao mesmo tempo, mas foi por aí. O velho, como de costume – e era de longe o que mais me dava nojo –, pediu pra eu colocar a língua pra fora acabar ali mesmo. Eu coloquei a língua pra fora e vi que o cara tampava a boca com a mão pra ninguém ouvir os gemidos dele.
No sábado seguinte, teve uma reunião na casa. Tinha umas trinta pessoas, a maioria casais, menos o Ernesto, o sobrinho, que veio sozinho. Talvez eu tenha me vestido muito provocante, sei lá… Acostumada a me vestir pra esquentar, acabei perdendo a noção. Devia ser isso: achar que é normal se mostrar como uma gata. Sei lá… O coroa não falou nada, talvez todo mundo já soubesse, mas o Ernesto não tirava os olhos de mim.
Num certo momento, ele chega perto do velho e pergunta alguma coisa. Depois me chama pra dançar. Já bem alterada, aceito. Conforme as músicas iam passando, ele se aproximava cada vez mais do meu corpo. A mão dele, devagar, descia pelas minhas costas até chegar perto da minha cintura. Num instante, olhei pra baixo e vi o volume que esticava a braguilha dele. Tentei me afastar um pouco, mas a mão esquerda dele apertou a minha quase com violência e a mão direita, já na minha cintura, me puxou de volta. Quando nossas virilhas estavam coladas uma na outra, senti a palma da mão direita dele deslizando entre minhas nádegas.
— Para, pai, que todo mundo vai ver a gente — sussurrei.
— Não aguento mais. O tio, com a bebedeira que tem, vai dormir que nem uma pedra. Quando ele pegar no sono, vem pro meu quarto.
A noite acabou e eu não sabia o que fazer. Podia perder uma situação muito boa pra mim, mas não sabia o que esse cara podia inventar se eu dissesse que não. É verdade, o velho dormia a pata solta e fui tomar um banho. Depois, me dirigi ao quarto dele.
— Finalmente, pensei que você ia me dar o cano.
— Olha, isso não pode, eu tô com seu tio.
— Eu sei, me dá esse gosto hoje e não encho mais o saco. É só pra matar a vontade.
— Não, bebê, pela bunda pequena não, que dói muito. Filho da puta, você vai me rasgar…
— Que bunda que você tem. Vou meter ali a noite inteira, é bem apertadinho. Que puta gostosa, você se mexe como uma deusa. Vai, continua.
— Cê gosta que eu me mexer assim? Modo, papi?
—Adoro, que puta gostosa você é —sussurrava enquanto enfiava a língua na minha orelha e puxava meu cabelo cada vez mais forte.
—Diz que você é minha puta. Isso me deixa louco.
—Sim, amor, sou sua puta, faz comigo tudo que quiser que eu adoro. Me come bem forte; sou toda sua, me come quando quiser que sou sua puta…
As coisas que eu falei pra ele gozar de uma vez… Como bom garoto, ele me aguentou a noite inteira; gozava e quinze minutos depois pedia pra eu chupar ele pra começar de novo. Não vou dizer que não gostei, mas era uma nova preocupação. O que fazer a partir dali. No dia seguinte, as coisas pioraram. Ele me deu o endereço do apartamento dele.
—Não posso, te falei. Seu tio…
—Qual é, não se faz de esposa fiel se você é puta.
—Você não falava assim quando me pediu por favor pra ir no seu quarto. São todos iguais.
—Você tá com ele por grana, né? Tô te oferecendo a mesma coisa.
—No fim, a situação explodiu e o velho me mandou pra merda. Pela primeira vez quis agir direito… e olha no que deu. —Cê tem amigos que curtem putaria? Podia me recomendar, já viu como eu sou.
—Tem comissão?
—Se seus esquemas forem bons, claro —e ele sorriu mais safado do que nunca—. Nada é de graça nessa vida.
12 comentários - Papinho com uma puta
Soy hombre. Ella le está contando su historia, como le pidió, a este cliente y, por lo tanto, habla en primera persona. Gracias por el comentario.
voy a seguir leyendo tu segundo relato... van puntos, obvio