Linha 13 monstruosa Rachel Roth é Ravena e Estelar e Terra

# A LINHA 13 ## *O vagão dos cem membros* ### Uma história de terror sexual --- ## PRÓLOGO — O TREM DOS MORTOS Existem trens que descarrilam e trens que **desaparecem**. A linha noturna Gotham–Jump City, serviço 13, pertencia à segunda categoria. Oficialmente, o comboio parou às 3h47 da madrugada entre dois túneis que estavam há quarenta anos sem inspeção. Os passageiros desceram. Os passageiros foram embora. E ninguém voltou a falar do vagão sete, porque o vagão sete não tinha nada de especial... até começar a sentir fome. Mas a verdade é muito mais antiga. Quarenta anos antes, um trem de carga saiu do depósito de Gotham com quarenta e sete caixões a bordo. Iam trasladar os corpos de um cemitério desativado para uma vala comum nova, porque o terreno onde estavam enterrados tinha sido vendido para construir um estacionamento. Quarenta e sete mortos. Homens e mulheres. Velhos e jovens. Nenhum sabia que ia morrer duas vezes. O trem entrou no túnel longo às três da madrugada. E no túnel longo aconteceu algo. Algo elétrico, algo da via, algo que ninguém registrou nunca. Os caixões se abriram sozinhos. Os corpos se levantaram. E os corpos, ao se tocarem uns nos outros no escuro, **não se soltaram**. Se fundiram. A carne de um homem se soldou ao braço de outro. As costelas de três mulheres diferentes se entrelaçaram como as varetas de um guarda-chuva quebrado. Os quadris de cinco homens se colaram pelo osso, pelo tendão e por um tecido novo, rosado e úmido, que ninguém tinha visto antes. As caras se fundiram também: narizes onde deveriam estar os cotovelos, bocas abertas nos ombros, olhos que giravam em órbitas compartilhadas por duas testas diferentes. Quarenta e sete almas num só corpo. Quarenta e sete fomes numa só garganta. E daquela massa saíram **cem membros**. Não braços. Não pernas. Tentácu-bucetas. Tentácu-bucetas-pau, se é que se podia chamar assim àquilo: cem troncos de carne do mesmo rosa cru, alguns curtos e grossos como punhos, outros longos e finos como chicotes, outros torcidos em espiral, outros cobertos de anéis vivos que se abriam e se fechavam ao longo de todo o seu comprimento como válvulas. Todos brilhantes de uma lubrificação espessa e quente. Todos pulsando com uma rede de veias azuladas que latejavam no ritmo de um coração escondido no centro da montanha. Quarenta e sete almas. Cem membros. Um único objetivo: **voltar a estar dentro de alguém**. Voltar a nascer. E a criatura, ao nascer, não escolheu um lugar. Escolheu um **trem**. Porque um trem é um corpo longo de vagões, e ela era um corpo feito de corpos, e nunca se sentiu tão em casa quanto entre os trilhos. Desde então viveu nos trens. Nos ramais mortos. Nos túneis esquecidos. Nos comboios de carga que ninguém revistava. Se arrastava de vagão em vagão pelos tetos, pelos trilhos, pelos vãos de serviço, e quando um trem parava tempo demais num túnel, ela subia e esperava. Quarenta anos esperando. Quarenta anos faminta. E então, numa noite de outubro, a porta do vagão sete se abriu e entrou uma garota pálida de cabelo violeta. A criatura soube, naquele exato instante, que a fome tinha acabado. --- ## CAPÍTULO 1 — A PÁLIDA Rachel Roth subiu no vagão sete às 2:12 da madrugada, com dezoito anos recém-completos e a vontade de ficar sozinha. Lembrava de tudo com nitidez cirúrgica: o rangido das portas, o cheiro de ferrugem e água parada, os bancos de couro rachado que soltavam poeira quando ela se sentava. Usava sua capa púrpura sobre um corpo magro de pele acinzentada, tão pálida que sob as luzes piscando parecia esculpida em mármore molhado. Seu cabelo violeta caía até a cintura. Seus olhos, dois poços de ametista, viam coisas que as pessoas normais não viam. Sentou-se no fundo, junto à porta de conexão, e esperou. O trem partiu. O trem entrou no túnel. O trem apagou as luzes de um tirão, *clac*, e as acendeu de novo acender, e quando voltaram a acender, havia **algo** na outra ponta do vagão. Não era uma criatura. Era **muitas**. Era um corpo feito de corpos. Braços de pessoas diferentes, costurados entre si por um tecido rosado e úmido que supurava. Costelas de três torsos distintos entrelaçadas como as varetas de um guarda-chuva quebrado. Quadris que tinham pertencido a cinco homens diferentes, soldados pela carne. Pernas que não eram pares —quatro, seis, oito, todas de gente diferente, todas se movendo ao mesmo tempo—. E por cima, retorcendo-se, dezenas de rostos fundidos na massa: um nariz onde deveria estar um cotovelo, uma boca aberta num ombro, um olho girando numa órbita compartilhada por duas testas diferentes. Todas as pupilas apontando para Rachel. A coisa se arrastou pelo chão do vagão com um som de sucção, *schlop, schlop, schlop*, deixando um rastro de baba e de sangue velho. Rachel se levantou. —Demônios —sussurrou—. Pelo menos você é dos meus. Não era. E ela ia descobrir isso nua, de joelhos, com cem membros dentro. --- ## CAPÍTULO 2 — CEM A primeira coisa que a criatura fez foi desnudá-la sem abrir nada. Um braço —de mulher, fino, com uma aliança ainda posta no dedo anelar— se esticou da massa e fechou a mão sobre a capa de Rachel. Puxou. O broche saltou. O tecido roxo caiu no chão. Um segundo braço, mais grosso, de homem, agarrou a gola do vestido preto e o rasgou de cima a baixo com um puxão seco, deixando suas costas nuas e as costelas ao ar. Rachel arfou. O ar do vagão estava frio e úmido, e sua pele cinza se arrepiou inteira. A criatura a levantou do chão com quatro braços ao mesmo tempo —dois nos pulsos, dois nos tornozelos— e a segurou suspensa, aberta, indefesa, com as pernas balançando. E então Rachel finalmente viu o que a coisa tinha debaixo do emaranhado de membros. O torso se abria numa **coroa**. Cem tentáculos-pau. Cem. Alguns curtos e grossos como punhos; outros longos e finos como chicotes; outros retorcidos em espiral; outros cobertos de anéis de carne viva que se abriam e se fechavam ao longo do tronco. Todos do mesmo rosa cru, todos brilhantes de uma lubrificação espessa e quente que pingava no chão, todos pulsando com uma rede de veias azuladas que latejavam no ritmo de um coração escondido no centro da montanha de carne. Rachel os contou. Cem. —Ah, merda —disse ela. O primeiro a penetrou antes que ela terminasse de dizer isso. --- ## CAPÍTULO 3 — O ESTUPRO DE RACHEL Foi brutal. Não houve carícias. Não houve preparação. Não houve ternura. A ponta escorregadia abriu caminho entre suas coxas, encontrou sua entrada e **empurrou** com a força de um pistão hidráulico. Rachel gritou. Seu corpo, ainda tenso, arqueou-se como um cabo esticado, e o tentáculo continuou empurrando, centímetro a centímetro, esticando-a, enchendo-a até um ponto que ela não sabia que existia. Era grosso. Era grosso demais. E quando finalmente chegou ao fundo, a criatura não parou: começou a bombear. Entrar e sair, entrar e sair, um ritmo seco, mecânico, animal, que fazia os quadris de Rachel baterem contra o ar. —Ah! —ela cerrou os dentes. O segundo tentáculo encontrou seu cu. —AH! A criatura a estava enchendo por dois lugares ao mesmo tempo, e os dois tentáculos não se coordenavam. Iam cada um no seu ritmo. Um dentro quando o outro saía. Um vaivém descompassado que a partia ao meio, que a fazia perder o ar, que a fazia perder a cabeça. O terceiro chegou à sua boca. Rachel abriu os lábios para reclamar e o tentáculo se enfiou até a garganta, e ela não pôde mais reclamar de nada: só podia gemer ao redor do tronco pulsante que lhe enchia a boca e fazia brotar saliva pelos cantos dos lábios. Três ao mesmo tempo. E ainda faltavam noventa e sete. O quarto se enrolou ao redor do seu peito esquerdo, apertando, ordenhando, brincando com o mamilo entre dois anéis de carne. O quinto fez o mesmo com o direito. O sexto e o sétimo agarraram seus pulsos e puxaram seus braços para trás, arqueando as costas, oferecendo o peito pra criatura como uma bandeja. O oitavo rodeou a cintura dela e apertou. O nono encontrou o clitóris — esse sim, com uma delicadeza cruel, roçando de leve, quase acariciando — e Rachel gozou pela primeira vez com um espasmo que sacudiu o corpo inteiro e que a criatura absorveu sem piedade, sem pausa, sem parar de bombear. Aí chegaram os outros. Os tentábuças começaram a brotar de todo lado: da massa, dos braços costurados, das bocas abertas nos ombros, das órbitas dos olhos. Um se enfiou entre os dedos da mão dela e se enroscou. Outro rodeou a coxa e apertou. Mais dois se colaram nas nádegas e puxaram, separando elas, e um terceiro — mais fino, mais comprido — se enfiou pelo vão que sobrava entre os dois tentábuças que já a preenchiam, esticando a carne, e Rachel sentiu que se rasgava e se refazia ao mesmo tempo. Dez. Vinte. Trinta. A criatura fodia ela por todos os buracos que tinha e por alguns que Rachel nem sabia que tinha. Levantou ela, girou, colocou de bruços no ar, atravessou por trás com três tentábuças de uma vez enquanto outros dois apertavam a garganta dela — não o suficiente pra sufocar, só o suficiente pra cada respiração ser um esforço, só o suficiente pra cabeça dela girar e o corpo parar de resistir —. Colocou de lado. Colocou de costas. Colocou de joelhos no chão, com os quadris pra cima, e subiu em cima como um animal, e enfiou quatro, cinco, seis de uma vez, e Rachel gritou até ficar sem voz. E em algum momento, entre o quinto e o sexto orgasmo, aconteceu o pior. **Ela gostou.** --- ## CAPÍTULO 4 — O INTERRUPTOR Não foi gradual. Foi como um interruptor que ligasse de repente. A criatura estava dentro dela em cinco lugares diferentes, e de repente a dor virou necessidade, e a necessidade virou fome, e Rachel Roth — a garota que nunca sorria, a que meditava pra não sentir, a que controlava cada emoção como se fosse uma arma carregada— **se rendeu**. —Mais —disse, com a boca cheia de tentáculo, com a voz quebrada—. Mais. Mais. Me dá mais. E a criatura obedeceu. Meteu sete. Depois oito. Rachel perdeu a conta. Perdeu o nome. Perdeu a noção de onde terminava seu corpo e onde começava o da coisa. Os tentácuIos a cobriam inteira, a envolviam como uma múmia viva, e por dentro a enchiam de um calor espesso que subia pela barriga e fazia tremer as coxas. Movia os quadris sozinha, contra o ar, contra a massa, contra tudo. Sua pele cinza estava vermelha de tanto roçar, úmida de baba, brilhante como vidro molhado. Seu cabelo violeta grudava na cara em mechas. O clímax final veio quando a criatura a segurou com vinte braços ao mesmo tempo e a empalou com uma dúzia de tentácuIos simultâneos, todos se movendo no mesmo ritmo pela primeira vez, todos empurrando pra dentro ao mesmo tempo, todos se retirando ao mesmo tempo, um único movimento coletivo de cem membros coordenados. Rachel gozou tanto que viu estrelas atrás das pálpebras. E quando gozou, a criatura também. A inundou. Uma torrente quente e densa jorrou de todos os tentácuIos ao mesmo tempo, dentro e fora, enchendo sua boca, a buceta, o cu, cobrindo o peito e a barriga e as coxas com uma camada espessa que escorria pro chão. Rachel engoliu. E engoliu. E não conseguiu engolir tudo, e o resto escorreu pelo pescoço, pelas costelas, pelo vão das clavículas, pelo umbigo. Quando a criatura finalmente a soltou, Rachel caiu no chão do vagão como um trapo. Ficou ali, ofegante, com as pernas abertas, com a barriga subindo e descendo, com a porra da coisa escorrendo por dentro. E sorriu. Sorriu de verdade, com os dentes, coisa que nunca fazia. E então ouviu passos. --- ## CAPÍTULO 5 — A GUERREIRA Os saltos de Starfire ecoaram no metal do vagão muito antes de a princesa tamarânea aparecer pela porta de conexão. —Rachel! Te procurei por toda parte, amiga! Por que você saiu do...? Ela parou. Ficou olhando. Rachel, nua, encharcada, sorrindo no chão, coberta por uma película brilhante que escorria pelas coxas. E atrás dela, a montanha de carne com cem membros pulsantes. —Ah —disse Estelar. —Ah, sim —disse Rachel. Estelar usava seu traje violeta e prateado, as botas altas, o cabelo vermelho-fogo solto até a cintura. Sua pele laranja brilhava sob a luz do vagão como bronze polido. Tinha um corpo longo, atlético, de guerreira, com quadris largos e coxas fortes e braços capazes de levantar um carro. A criatura olhou para ela. Todas as suas caras olharam para ela. E Estelar, que já tinha lutado contra deuses e contra demônios e contra a própria irmã, sentiu pela primeira vez em muito tempo algo parecido com medo. —Rachel —disse ela, sem tirar os olhos da coisa—. O que é essa criatura? —Um presente —disse Rachel. A criatura não deu tempo para ela perguntar mais. Um tentáculo cruzou seu peito como um chicote e arrancou a parte de cima do traje; outro rasgou sua saia; um terceiro agarrou as botas e as levou junto; um quarto puxou a calcinha até os tornozelos. Estelar ficou completamente nua em menos de dois segundos, com os peitos de fora, a pele laranja inteira à mostra, e só um trapo de tecido pendurado no quadril. Ela gritou. Não de medo. De surpresa. --- ## CAPÍTULO 6 — O ESTUPRO DE ESTELAR Com Estelar foi diferente. Foi pior. Foi **melhor**. A massa a levantou do chão com dez braços e a abriu como um livro: uma perna para cada lado, os braços esticados acima da cabeça, presa pelos pulsos, presa pelos tornozelos, presa pela cintura e pelo pescoço. Estelar ficou suspensa no ar, totalmente vulnerável, com a virilha exposta, e a criatura parou um momento para contemplá-la, todas as suas pupilas percorrendo-a de cima a baixo, como se escolhesse. —O que vocês estão esperando? —disse Estelar—. Um poema? O primeiro tentáculo entrou nela tão de repente que fez o ar sair dos pulmões. Starfire era forte, tinha um corpo treinado, mas a criatura era **implacável**. Investiu sem ritmo, sem pausa, sem respeito. Um segundo tentáculo enfiou-se no cu dela e ela uivou. Um terceiro envolveu o peito e apertou os mamilos entre dois anéis de carne. Um quarto entrou na boca dela. —¡MMMPH! Cinco. Seis. Sete. A criatura a fodia com o mesmo abandono brutal com que tinha fodido Rachel, mas Starfire era maior, mais larga, mais forte, e a coisa sabia disso, e a castigava por isso. Os tentáculos a esticavam, a dobravam, a moldavam como uma boneca. Colocaram-na de bruços no ar. Colocaram-na de barriga para cima. Penduraram-na por um único tornozelo e a penetraram por baixo enquanto o sangue subia para a cabeça e o prazer subia para a barriga. Atravessaram-na por três buracos ao mesmo tempo por tanto tempo que Starfire perdeu a conta de quantas vezes tinha gozado. E quando o prazer chegou, chegou igual como com Rachel: como um interruptor. —¡SIM! —gritou Starfire, com voz de guerra—. ¡SIM, MAIS, NÃO PARA, NÃO PARA, NÃO PARA! Rachel, do chão, olhava para ela. Sorria. Se tocava. A criatura trabalhou Starfire por uma hora inteira. Enfiou tantos tentáculos de uma vez que a barriga dela inchou e se marcou por dentro, e cada investida fazia sair um gemido novo. Cobriu a pele laranja dela com uma camada espessa de lubrificação até que ela escorregou como se estivesse untada de óleo. Fodeu até as pernas dela tremerem e as forças da guerreira tamarânea —forças capazes de partir uma montanha— não servirem para nada. E quando a criatura terminou, inundou-a igual como tinha inundado Rachel: torrente espesso e quente por dentro e por fora, enchendo a boca, a buceta, o cu, escorrendo pela barriga laranja, pelas coxas, pelos peitos. Starfire engoliu. Starfire gemeu. Starfire se deixou cair no chão ao lado de Rachel, tremendo, rindo, com o cabelo vermelho grudado na cara e a semente da criatura escorrendo entre as pernas. —Isso —disse, ofegante— foi... isso foi *incrível*. —Eu te disse —disse Rachel. --- ## CAPÍTULO 7 — A PEQUENA Terra chegou pela porta dos fundos. Tinha ouvido os gritos desde o túnel e veio correndo, e agora estava na moldura da porta, miúda, com seu short marrom e top curto, o cabelo loiro bagunçado, a cara manchada de terra, os olhos azuis arregalados. —O que...? —disse. —Entra e fecha a porta —disse Rachel. Terra entrou. Fechou a porta. A criatura levou menos de um minuto pra deixá-la pelada. Arrancou o short de um puxão, rasgou o top em dois, puxou a calcinha até os tornozelos, e Terra ficou em pelo no meio do vagão, com seu corpo pequeno e magro, seus peitos pequenos, sua pele clara, seu pelo loiro. Tremia. De frio e de outra coisa. —Mas... mas eu não... —balbuciou—. Eu nunca... quer dizer, já fiz coisas, mas não... *isso*... A criatura a levantou pela cintura com dois braços e a colocou de cara pra parede. Terra apoiou as mãos no metal frio. E o primeiro tentáculo entrou nela por trás. —¡Aaaah! O grito de Terra foi diferente. Mais fino. Mais jovem. Mais quebrado. A criatura a fodeu contra a parede, esmagando-a contra o ferrugem, com os quadris de Terra batendo no metal a cada investida, *clang, clang, clang*, e a cara dela contra a chapa, e o cabelo loiro solto sobre os ombros. Um segundo tentáculo a envolveu pela cintura e se enfiou por trás entre as nádegas. Um terceiro agarrou a cara dela e se enfiou na boca. E Terra, que tinha lutado contra o Deathstroke e contra os Titãs e contra si mesma, gemeu como uma menina e não se importou com nada. Doía. Doía demais. A criatura era maior que ela e a estava partindo ao meio, e cada empurrão arrancava um gemido novo, e as lágrimas escorriam pelas bochechas e caíam na boca e tinham gosto de sal. Mas a dor tinha uma borda doce, e essa borda crescia, e crescia, e crescia. E então, como com as outras duas, o interruptor foi acionado. Terra parou de resistir. Se deixou levar. Apoiou a testa no metal, arqueou as costas, empurrou os quadris para trás, em direção à criatura, ao tentáculo, a tudo. E começou a gemer com um ritmo próprio, um ritmo animal, um ritmo que a criatura entendeu e ao qual respondeu. Meteram cinco de uma vez. Terra gritou que sim. Meteram sete. Terra gritou que mais. A criatura a dobrou sobre uma barra de metal e a fodeu por cima enquanto dois tentáculos acariciavam seus peitos e um lambia seu clitóris com uma ponta fina e úmida, e Terra gozou três vezes seguidas, uma atrás da outra, sem descanso, sem ar, com os olhos revirados e a boca aberta e um fio de saliva pendurado até o chão. —Rachel —ofegou, entre uma estocada e outra—. Rachel, eu gosto, gosto muito, por que eu gosto tanto? —Porque é um monstro —disse Rachel—. E os monstros sabem. E quando a criatura a inundou, Terra sentiu tudo: a torrente quente dentro, o calor subindo, a barriga cheia, as pernas moles. Caiu no chão e se arrastou até as outras duas, e as três ficaram ali, jogadas no vagão, nuas, brilhantes, saciadas. --- ## CAPÍTULO 8 — AS TRÊS JUNTAS E então a criatura as pegou **juntas**. Rachel, Estelar e Terra. As três. Ao mesmo tempo. A noite toda. Foi uma coreografia impossível de cem membros e três corpos. A criatura as colocou no chão do vagão como quem coloca cartas: Rachel de costas com as pernas abertas, Estelar em cima dela de frente, Terra de joelhos entre as duas. E começou a fodê-las todas ao mesmo tempo, sem distinção, sem preferência, distribuindo tentáculos entre as três como um polvo distribuiria braços. Rachel tinha dois dentro e um na boca. Estelar tinha quatro e dois nos peitos. Terra tinha três e dois no cu. E os tentáculos sobrando —os outros oitenta e oito— se enredavam entre as três, amarravam-nas, costuravam-nas, apertavam-nas juntas, até que os corpos das três garotas ficaram grudados pela baba e pelo suor e pela carne viva da criatura, formando uma só massa tremulante de três ventres, seis peitos, três bocas gemendo ao mesmo tempo. —Isso é uma loucura —ofegou Terra. —Cala a boca e aproveita —disse Starfire. E aproveitaram. Gozaram as três ao mesmo tempo, três vezes, quatro vezes, cinco. A criatura não se cansava, não parava, não hesitava. Levantava-as, girava-as, trocava-as, colocava uma em cima da outra, penetrava-as em corrente, a boca de uma contra a buceta da outra enquanto um tentáculo atravessava as duas ao mesmo tempo. Rachel beijou Starfire com a boca cheia de tentáculo. Starfire beijou Terra. Terra gemeu contra a pele cinza de Rachel. E a criatura, por cima de todas, inundou-as uma e outra vez, até que o chão do vagão ficou encharcado de uma mistura espessa e morna que chegava aos tornozelos. As três ficaram lambuzadas até os joelhos. As três foram penetradas por tantos tentáculos ao mesmo tempo que suas barrigas incharam e seus corpos aprenderam formas novas. Rachel, Starfire e Terra, as três, repetidamente, brutalmente, até perder a voz e as forças e a conta de quem era quem. --- ## CAPÍTULO 9 — A SEMENTE Ao amanhecer, o trem parou finalmente. E a criatura, saciada, se arrastou para o fundo do vagão e ficou quieta. Foi então que elas notaram. As barrigas. Rachel olhou para a sua. Estava inchada. Não muito —só um abaulamento suave, um arredondamento novo, quase imperceptível—, mas estava inchada. Colocou a mão em cima e sentiu, debaixo da pele, um calor que não era dela. —Rachel —disse Starfire, com a voz trêmula—. O que é isso? Olhou também para a própria barriga. Levemente abaulada. E Terra, a menor, tocou a sua com as duas mãos, apavorada, e também estava inchada. —Estamos... —Terra engoliu em seco—. Estamos grávidas. —Sim —disse Rachel. —Como?! —Starfire ela se levantou, com os braços em cruz—. ¡¿Em uma noite?! ¡¿Com *aquilo*?! —Não é uma gravidez normal —disse Rachel, devagar, sem tirar a mão da barriga—. Aquilo não é um monstro. É um *pai*. Dúzias de pais. Quarenta e sete. É feito de gente. E usou todas elas... —apontou a massa, que respirava tranquila no fundo do vagão, saciada— ...e nos usou para voltar. Quarenta e sete almas procurando um corpo novo. Um útero. Silêncio no vagão. Só o gotejar da baba. —As três? —perguntou Terra. —As três —disse Rachel. Starfire riu. Uma risada nervosa, histérica, que saiu do peito sem ser chamada. —Bom —disse, com o queixo erguido—. Então fomos estupradas brutalmente por um monstro, gostamos, e agora estamos grávidas dele. No mínimo, não é entediante. —Não é entediante —admitiu Rachel. --- ## CAPÍTULO 10 — A DECISÃO Terra foi a primeira a dizer. Claro que foi Terra. —Não quero voltar —disse, com a mão na barriga, olhando a massa que dormia no fundo do vagão—. Pra casa. Pra Torre. Pras missões. Não quero. —E o que você quer? —perguntou Starfire. —Isso. Rachel olhou pra ela demoradamente. Depois olhou pra Starfire. Starfire, que tinha sido princesa de um planeta e escrava de outro, que tinha lutado a vida toda por um lugar a que pertencer, olhou a montanha de carne e depois olhou a própria barriga, e pela primeira vez em anos não precisou fingir nada. —Eu também —disse Starfire—. Eu também quero isso. —Vocês estão loucas —disse Rachel. —E você mais que nós —respondeu Starfire—. Dá pra ver na sua cara. Você tá sorrindo desde que subiu no vagão. Rachel não negou. Porque era verdade. Porque a criatura tinha fodido ela até arrebentar o cadeado que ela carregava por dentro desde que se entendia por gente, e agora, pela primeira vez, Rachel Roth sentia algo que não queria controlar. Queria **mais**. Queria cem membros, de novo, todas as noites, pra sempre. —Tá bom —disse—. Mas tem um problema. —Qual? —Que a criatura vive nos trens. Não na Torre. Não em Jump City. **Nos trens.** —Apontou com o queixo para os trilhos, para o túnel, para o vagão inteiro—. Se a gente quer ficar com ele, tem que morar aqui. Starfire riu. —Então a gente mora aqui. --- ## CAPÍTULO 11 — O TREM COMO CASA E foi o que fizeram. Ninguém na Torre dos Titãs nunca entendeu por quê, numa manhã, as três garotas não voltaram. Ninguém entendeu as mensagens de Rachel: *"A gente tá bem. Não nos procurem. A gente achou um lugar."* Ninguém entendeu por que o Mutano chorou, por que o Ciborgue disse que era a coisa mais estranha que já tinha ouvido, por que o Robin mandou três equipes de busca pros túneis e nenhuma achou nada. Porque as equipes subiram nos trens errados. E o vagão sete só aparece quando quer. Lá dentro, a vida era outra coisa. A criatura aprendeu a gostar delas, se é que um monstro feito de quarenta e sete cadáveres pode gostar. Trazia coisas pra elas: cobertores roubados de um depósito, comida de um vagão de carga, água de uma cisterna quebrada. Fazia a cama —uma cama de bancos rasgados e cobertores— e a cama, à noite, virava um ninho. E no ninho, toda noite, as três eram fodidas. Uma, outra, as três. Sem pressa agora, sem a brutalidade da primeira vez, com um ritmo lento e fundo que deixava elas dormindo, encharcadas, felizes. Mas a brutalidade voltava quando elas pediam. E elas pediam direto. Rachel aprendeu a montar nele. Sentava em cima da massa, em cima do coração que batia no centro, e deixava os tentáculos encontrarem ela por baixo, e cavalgava devagar enquanto Starfire e Terra olhavam e se tocavam, e depois as três acabavam enroscadas com a criatura ao mesmo tempo, no emaranhado de cem membros, gemendo no escuro do túnel enquanto o trem avançava pra lugar nenhum. Terra aprendeu a provocar ele. Ficava de quatro no centro do vagão e esperava, e a criatura encontrava ela, e fodía ela contra o chão até Terra chorar de prazer, e as outras duas seguravam as mãos dela. Starfire aprendeu a amá-lo. De verdade. Não como um monstro, não como uma besta, mas como um **marido** de quarenta e sete caras e cem membros, que a preenchia por todos os lados e a deixava sem forças e depois a aconchegava contra o peito úmido e quente. Starfire, que passou a vida inteira procurando um lar, o encontrou no ventre de um trem de carga, entre os braços costurados de quarenta e sete desconhecidos. E as três, toda noite, com as barrigas crescendo, deixavam a criatura as tomar. E a criatura as tomava. E nenhuma das três voltou a se perguntar se aquilo era normal, porque já não importava mais. --- ## CAPÍTULO 12 — OS FILHOS Os filhos nasceram no túnel comprido, numa madrugada de primavera, com o trem parado e a criatura tremendo ao redor delas, segurando-as com cinquenta braços, acariciando seus cabelos, gemendo baixinho, assustada, como um pai nervoso. Nasceram sete. Não três. **Sete.** Sete criaturinhas, feitas metade de suas mães e metade da massa, com a pele mudando de tom —cinza, laranja, claro—, com braços demais para seus corpos pequenos, com olhos que giravam em órbitas grandes demais, e com, já ao nascer, um punhado de tentáculos minúsculos e palpitantes que tateavam em busca do calor de sua mãe. Rachel, Starfire e Terra os amamentaram ao mesmo tempo, sentadas no chão do vagão, e a criatura as envolveu com seus cem membros e apertou todas contra o peito, e pela primeira vez em quarenta anos, a massa inteira ficou quieta, saciada, completa. Quarenta e sete almas. Sete filhos. Três mães. Um trem. --- ## EPÍLOGO — PARA SEMPRE Ninguém nunca soube onde estavam. E elas nunca contaram. Às vezes, nas noites de tempestade, a linha 13 volta a passar pelo túnel comprido. E às vezes, se a pessoa vai sozinha no vagão sete e fica bem quietinha, ouve um som de sucção, *schlop, schlop*, e vê uma montanha de carne no fundo. E se tiver sorte, vê também três mulheres nuas, grávidas, felizes, sorrindo entre os tentábooties do seu monstro, e ouve uma delas —a de cabelo violeta, a de pele cinza— dizer ao passageiro espantado, com um sorriso novo: —Sobe. Fecha a porta. E não vai embora. Porque a criatura vive nos trens, e os trens vão a todos os lugares, e a criatura vai com eles. E a Rachel, a Starfire e a Terra vivem com a criatura. No vagão sete. No túnel longo. Nos trilhos sem fim. **Para sempre.** E quando os sete filhos crescerem, crescerão com cem membros cada um, e buscarão seus próprios trens, e encherão seus próprios vagões, e a linha 13 se multiplicará pelo mundo todo, vagão a vagão, túnel a túnel, buceta a buceta, até que não reste uma única via sem um monstro esperando e uma gostosa disposta a subir. **FIM**

0 comentários - Linha 13 monstruosa Rachel Roth é Ravena e Estelar e Terra