Salvador olhava excitado para a tela do seu computador; lia as mensagens que recebia em uma publicação que tinha acabado de fazer no fórum de cornos. Sabia que não deveria estar fazendo aquilo no trabalho, mas estava tão emocionado que não conseguiu se conter.
Antes eu tinha escrito um monte de histórias inventadas naquele mesmo fórum, contando suas fantasias uma atrás da outra. Não conseguia acreditar que agora o que escrevia não era mais do que a pura realidade.
Pouco a pouco foram aparecendo na sua publicação mensagens de usuários do fórum. Todos o parabenizavam, e muitos aproveitavam para dizer que a história dele era muito excitante. Salvador não podia estar mais feliz; bom, na verdade podia sim; sabia que tudo ia ser ainda melhor quando finalmente acontecesse o que ele desejava, quando sua amada esposa o pusesse na guampa.
Uma hora depois, o Gerente o chamou na sala dele. Quando chegou à porta do chefe, leu a placa dourada com letras pretas que dizia:
MÁXIMO RIVAS – GERENTE GERALI'm ready to translate Spanish adult content into natural Brazilian Portuguese. Please send the text you'd like translated.
Sentiu inveja ao ler o cargo escrito na placa. Salvador era Gerente de Vendas e tinha se candidatado ao cargo quando o antigo Gerente Geral se aposentou, mas a galera lá de cima preferiu um profissional de fora, Rivas. Bateu duas vezes na porta e esperou até obter resposta lá de dentro.
—Pode entrar —A voz do seu chefe soou com força.
Salvador abriu a porta e entrou no escritório. Rivas o esperava sentado em sua mesa, com o olhar sereno de sempre.
—O senhor me chamou? — perguntou com calma.
—Sim, eu queria falar com você sobre Rosales e Medina — disse o Gerente. Ele parecia calmo, mas Salvador sabia o quanto ele devia estar puto.
—Já entendi —respondeu Salvador, meio nervoso. — Arrumei os problemas com os clientes.
—Fico feliz em ouvir isso —disse o chefe, sem mudar a expressão —. Mas acho que Rosales e Medina precisam se responsabilizar de alguma forma. Os custos gerados serão descontados dos salários deles.
— Entendi, senhor, vou dar a notícia... com licença.
Saiu e voltou pro escritório, sentou-se em frente à mesa ainda excitado com tudo o que estava por vir. Mas naquele momento percebeu algo que não tinha notado antes. Nos seus planos, deixaria Sofia sozinha com o pai, pra depois chegar em casa e ouvir dos lábios dela o que tinha acabado acontecendo. Não teria nada que comprovasse o relato da mulher. Não tinha nenhum motivo pra pensar que Sofia poderia mentir pra ele, mas agora sentia que, pra bem ou pra mal, sempre ficaria na dúvida sobre o que realmente aconteceu. E pensou, seria muito mais excitante ver o que acontecia de verdade do que imaginar. Então tomou uma decisão: Espiaria, de qualquer jeito, o que ia rolar naquela noite entre Sofia e o pai dela.
Assim que saiu do trabalho, foi direto à loja de eletrônicos mais próxima do escritório. Procurava um par de câmeras de vigilância, uma discreta que pudesse passar despercebida.
Ao chegar no prédio dele, uma voz chata o parou.
—Senhor Martínez.
Salvador se virou e deu de cara com o velho.
—Boa tarde —disse Porfirio.
— Boa tarde — respondeu Salvador, tentando soar o mais cordial possível —. Precisa de alguma coisa?
—Nada demais. Só queria te avisar que o prazo do seu aluguel venceu semana passada, e eu não recebi o dinheiro.
Salvador arregalou os olhos. Estava tão distraído com o trabalho e com o que estava acontecendo com Sofia que tinha esquecido de dar o cheque ao velho Porfirio. Mas naquele momento teve uma ideia. Lembrou da conversa provocante que teve com a esposa na noite do aniversário dele. Engoliu em seco e, de repente, fez uma cara de arrependido e envergonhado; depois se dirigiu ao velho—: Me desculpe, seu Porfirio. É que estou tendo problemas no trabalho e não tenho dinheiro agora. O senhor acha que poderia me esperar mais alguns dias?
Ele se sentiu humilhado, e mais ainda quando aquele miserável olhou pra ele com cara de satisfação e um renovado ar de superioridade ao ouvir sobre os supostos problemas dele.
— Sério? — disse Porfirio, zombeteiro, apesar da sua típica expressão carrancuda —. Aposto que ficou sem dinheiro por causa daquela festa que ele fez outro dia, uma perda de tempo e dinheiro, eu acho.
Salvador sentiu vontade de dar um soco na cara dele. Sua esposa tinha se esforçado pra comemorar o aniversário dele e aquele miserável não teve pudor nenhum em ir beber do vinho dele, comer do bolo dele e devorar sua Sofia com os olhos. Ele se segurou, claro; apesar de tudo, aquele sentimento de desprezo por aquele sujeito temperava suas vontades mórbidas de vê-lo um dia na cama com sua mulher.
—Vou tentar ter o dinheiro até segunda, tá bom pra você?
Ao ver a expressão desdenhosa no rosto do velho, Salvador sacou que ele não ia aceitar. Com certeza o sentimento entre os dois era recíproco, e o desgraçado não tinha a menor intenção de ser indulgente com ele. Precisava dar um motivo extra pra ele esperar pelo pagamento.
—Vou deixar o cheque com a minha esposa quando eu sair pro trabalho. Você pode passar naquela mesma manhã pra pegar.
Os olhos do velho Porfirio brilharam de um jeito sobrenatural. Salvador sabia que a ideia de ficar a sós com Sofía, mesmo que por alguns segundos, era tentadora demais para aquele homem nojento resistir.
—Bom —disse finalmente o velho, depois de um momento ponderando sua decisão —. Já que é a primeira vez que você atrasa o pagamento, acho que posso ser gente boa.
—Valeu, seu Porfirio — disse Salvador, tentando parecer um homem de verdade agradecido —. Vou deixar com a minha mulher então. A gente se vê depois.
Ela se apressou em se virar e entrou no elevador que tinha acabado de abrir.
Ao entrar no apartamento dela, encontrou Sofía deitada no sofá, com os olhos fechados, aparentemente dormindo. Então assumiu que ela tinha caído de cara na cama assim que voltou do treino.

Ela correu para instalar uma câmera na sala onde não fosse vista, depois foi rápido mas silencioso para o quarto dela e se apressou em instalar a outra câmera. Estava quase terminando quando de repente…
—Amor? —a voz da Sofia quase me fez ter um infarto.
—Amor? Você me ouviu? — disse Sofía entrando no quarto meio sonolenta.
—Sim, eu te ouvi —respondeu Salvador, arrastando as palavras.
—O que você tem? Aconteceu alguma coisa? — A linda esposa de repente ficou preocupada.
—Só problemas do escritório, amor —disse Salvador, abatido, desviando o olhar.
—Que tipo de problemas? — se interessou Sofía.
—Lembra do incidente da semana passada com aqueles vendedores? — perguntou —. Aquele pelo qual eu tive que ficar até tarde vários dias?
—Sim, claro que eu lembro —disse Sofía—. O que tem com isso?
—Bom, até que resolvi as coisas com os clientes, mas o gerente tomou “medidas exemplares”, segundo as próprias palavras dele.
—Uma redução no salário pelos próximos dois meses.
—Dois meses? —perguntou Sofía, um pouco mais aliviada, mas não menos indignada —. Não posso acreditar nisso.
— E o problema é que a gente não consegue pagar o aluguel — disse depois de um tempo, curtindo o jogo sujo que praticava, tremendo por dentro com as consequências que sua nova estratégia poderia trazer —. Encontrei o velho Porfirio na recepção. Ele me cobrou o pagamento do mês, e não tenho como dar pra ele.
—E então, o que a gente vai fazer? — perguntou Sofia, preocupada.
Salvador ficou quieto por um momento, esperando o momento certo pra tocar nas fibras mais delicadas da esposa. Tava nervoso, o coração batendo a mil por hora.
—Sofía —disse ela, finalmente, com evidente desconforto, enquanto voltava a se sentar para ficar na altura dela —. Você lembra do que me disse na noite do meu aniversário? Aquilo de que o velho tinha te proposto baixar nosso aluguel em troca de você fazer certas… coisas com ele?
Salvador viu que o rosto de Sofia se desfigurava, virando uma careta de incredulidade e raiva.
—Não pode estar falando sério —disse ela, muito abalada, levantando-se e se afastando dele —. Sério que você está me propondo fazer… isso com o seu Porfirio por dois meses de aluguel? Não consigo acreditar, você realmente está deixando esse seu fetiche… doentio… sair do controle. —Dava pra notar que ela estava realmente alterada, uma reação que Salvador já esperava, e para a qual estava preparado.
—Não, amor, não foi isso que eu quis dizer —disse rapidamente, com um tom submisso na voz, como se quisesse se desculpar —. Nunca te pediria pra fazer uma coisa dessas.
—Você me pediu pra passar a noite sozinha com seu pai. Eu acho que você é capaz de tudo.
—O negócio do meu pai a gente decidiu entre nós dois. E é pra comprovar o que acontece com ele, com o jeito que ele te vê. E você aceitou — disse Salvador, um pouco atingido pelas acusações de Sofía —. E a gente pode… — Salvador pensava em dizer que ainda podiam voltar atrás e cancelar os planos de sexta, mas se arrependeu, com medo de que Sofía aproveitasse a oportunidade e realmente abortasse todos os planos deles.
No entanto, a esposa dele só o encarou por um instante, depois se afastou com os braços cruzados e as sobrancelhas hesitantes.
Salvador ficou em silêncio, deixando-a ponderar por um momento o que estava acontecendo. Voltou ao ataque quando a viu um pouco mais calma. Levantou-se e se aproximou dela.
—A única coisa que eu pensava é que se você fosse um pouco mais amigável com o velho, talvez pudesse convencê-lo a nos dar dois meses pra pagar o aluguel — disse Salvador sutilmente, com uma angústia renovada —. Um sorriso aqui, um olhar ali, talvez tocar no braço dele… É só isso.
—Não acredito que seja só isso que você quer —retrucou Sofía, agora mais constrangida do que irritada —. Será que você já esqueceu todas as vezes que me confessou que tem fantasias comigo e esse cara?
—Eu sei como parece, amor —respondeu Salvador, balançando a cabeça, desviando dela, até que buscou o olhar dela —. Mas isso não tem nada a ver com aquilo, é sobre o nosso futuro imediato. Você quer voltar pro apartamento antigo? Pro bairro onde a gente não quer que nossa filha cresça?
Eu sabia que a ideia de voltar atrás apertava o coração da Sofía. Não gostava de assustá-la assim, mas estava disposto a tudo para que suas palavras causassem impacto na sua mulher.
—Mas…
—Escuta, amor —ele a segurou pelos ombros e se esforçou para compor um gesto compreensivo—. Você não precisa fazer isso se não quiser. Era só uma ideia boba, muito idiota. Não queria te ofender, desculpa mesmo.
—N…não, você não me ofende, querido —disse Sofía, apoiando uma de suas mãozinhas sobre o peito de Salvador —. É só que sua proposta me pegou de surpresa. É verdade que o senhor Porfirio me disse isso quando a gente acabou de se mudar, mas não sei se ele estava falando sério. Aquele homem me dá muito nojo; além disso, é o marido da minha amiga.
—Entendi, amor —disse Salvador—. Deixa pra lá, vou dar um jeito de conseguir o dinheiro.
Ele abraçou a mulher, esperando. Sabia que a partir daquele momento só havia duas respostas possíveis por parte de Sofia, uma que acabava com a ideia dele, e outra que a mantinha viva.
—Sério que não temos nada no banco? —ela ouviu ele perguntar.
—Nada, amor —mentiu. Na verdade, suas finanças estavam melhores do que nunca—. A gente gastou tudo com as emergências da Janita.
Sofía não disse nada por alguns minutos, só ficou olhando pra sua bebê, que ainda dormia como um anjinho.
—O que exatamente eu teria que fazer? —perguntou de repente a mãe gostosa, fazendo Salvador morder os lábios pra segurar a excitação.
Salvador a afastou carinhosamente para olhar pra ela.
—Nada grave, querido. Só um sorriso, um olhar safado, fazer ele sentir que você o trata bem. Tenho certeza de que ele tem pensamentos… carinhosos sobre você, e que não quer que você saia do prédio — disse ele com cautela —. Então, se você conquistar o favor dele, tenho certeza de que ele será indulgente conosco.
—Só isso? —perguntou Sofía—. Sorrisos, olhares…, tocar no braço dele. Você realmente acha que é só isso que eu vou ter que fazer?
—Sim, Sofía —confirmou ele com carinho—. Você não precisa fazer mais nada… se você não quiser.
Ela fez questão de pronunciar essas últimas palavras com mais ímpeto, e depois as deixou repousar em silêncio. Queria que elas penetrassem na mente da esposa.
Sofía não disse nada por alguns minutos, andou pela sala, olhando para o marido ali em pé e para o bebê dormindo, para o chão, para o céu, para as fotografias sobre a penteadeira. Para Salvador, aquele tempo pareceu uma eternidade, ele estava nervoso demais. Quando teve a ideia de mentir para a esposa para incitá-la a se comportar de forma mais carinhosa com o velho Porfirio, supôs que o mais provável era dar merda, mas naquele momento podia ver que Sofía de verdade estava pensando no assunto.
—Tá bom —disse Sofía finamente, fazendo o coração de Salvador quase parar—. Eu vou fazer, mas que fique claro que não me sinto confortável com isso, que só faço porque é uma emergência, nada mais.
—Claro, amor —disse Salvador. Queria abraçá-la, mas não era boa ideia, demonstraria emoção demais e seria suspeito —. Entendo. Sei que é um esforço da sua parte, então obrigado.
—E outra coisa —disse Sofía com severidade, apontando um dedo para Salvador—. Se por causa disso o seu Porfirio ficar a fim de mim, a culpa vai ser sua. Você não vai poder me cobrar nada.
Salvador assentiu, incomodado com seu estado de excitação, tentando parecer compungido, pesaroso diante do que sua mulher era obrigada a fazer. Só de pensar na esposa tentando simpatizar com aquele velho por interesse, ficava excitado pra caralho. Era uma loucura o que estava acontecendo, mas seu fetiche sempre tinha sido uma locomotiva difícil de segurar, e depois de ter confessado isso à esposa, tinha tirado os freios, fazendo com que agora avançasse mais implacável do que nunca.
—Meu Deus… Primeiro o seu pai e agora isso —sussurrou Sofía com uma mão espalhada na bochecha—. Sério, você é um marido que pede umas coisas muito estranhas pra esposa —reclamou. Mesmo assim, olhou pra ele e sorriu com carinho—. Você tem sorte de eu ser sua esposa e te amar tanto. Qualquer outra mulher já teria saído correndo.
Na manhã seguinte, Salvador ouviu sua mulher falar ao telefone. Tudo o que ela dizia tinha a ver com comida—. Bom, então fico esperando vocês aqui —disse finalmente—. Claro, não se preocupe. Tchau.
Sofía deixou o celular sobre a mesa e se aproximou dele com um gesto difícil de decifrar. Ela parecia séria, talvez um pouco irritada, mas decidida.
—Com quem você estava falando? — perguntou Salvador, curioso.
—Eu estava conversando com a dona Dolores —respondeu Sofia—. Convidei ela e o seu Porfirio pra almoçar hoje.
—Por que? —Salvador ficou genuinamente surpreso, pois costumava ser sua esposa quem ia à casa dos vizinhos, não o contrário.
—Já esqueceu o que aconteceu ontem? —perguntou Sofía com desdém —. Você me pediu pra começar a ser gentil com o senhor Porfirio, não foi?
—Sim, mas… não esperava que você fosse começar tão cedo. Além disso, vai fazer isso na frente da esposa dele?
—Claro que não, bobinho —disse Sofía —. Mas vou começar a agradá-lo com uma comidinha, com a mulher dele presente. Você não acha que ficaria muito óbvio se eu ficasse "estranha" com ele assim de repente? Justo agora que estamos atrasados com o aluguel. Não, se eu fizer desse jeito, não vai ser tão evidente, vai ser mais natural. — Suspirou e levou uma mão à testa —. E também vai me ajudar, pra me dar um pouco de coragem.
Salvador ficou um pouco surpreso com o quão bem Sofia estava planejando tudo. Mas era assim mesmo sua esposa, se tinha que fazer algo, fazia questão de fazer bem, mesmo que não gostasse nem um pouco.
—Talvez fosse bom você vestir algo bonito — disse Salvador —. Você vai estar com a dona Dolores, não sozinha com ele, mas acho que vai ser um bom momento pra… você sabe, dar um presente pra vista dele.
Sofía olhou pra ele por um instante e depois pegou a bebê dos braços dele.
—Já tinha pensado nisso —disse depois, meio consternada com as próprias palavras—. Vou ficar gostosa. Só espero que a dona Dolores não perceba nada.
Salvador deu de ombros, olhou para a esposa e pela milésima vez na vida percebeu o quão gostosa ela era, e o quanto a amava.
—E lembra que hoje à noite meu pai vem — disse ele, tentando garantir que seu outro compromisso não fosse atrapalhado pelos novos planos da mulher.
—Eu já sei —disse Sofia a ele. Depois suspirou de novo —. Deus, ainda não consigo acreditar que a gente vai fazer isso. — De repente, piscou várias vezes e olhou para Salvador.
—Não se preocupa, amor, vai dar tudo certo, já tenho que ir—disse Salvador, dando um beijo carinhoso nela.
Foi um dia complicado para Salvador. Por mais que tentasse se concentrar no trabalho, foi impossível.Enquanto estava no escritório dela, pensou que àquela hora seu Porfirio já estaria almoçando em casa, muito provavelmente todo babão com a presença de Sofía como anfitriã. De repente, seus olhos encontraram o ícone da interface da câmera na área de trabalho do computador e, levado por suas expectativas insanas, deu um duplo clique no atalho.
O quarto estava em silêncio, mas de repente ele ouviu um som familiar. Aumentou o volume do computador e percebeu que era o choro da sua pequena Alejandra. Não dava pra ver pela câmera por causa da grade do berço, mas tudo indicava que ela estava dormindo ali e tinha acabado de acordar. Salvador mutou o computador pra não chamar atenção. Esperou a mulher entrar no quarto pra atender a bebê. No entanto, quem entrou pra ver a Janita não foi a Sofia, mas sim a dona Dolores. A mulher se aproximou toda dengosa e sorridente e tirou a bebê do berço. Era pleno dia e a luz entrava pelas cortinas do quarto, então Salvador viu uma imagem nítida e colorida da vizinha balançando a pequena nos braços. Ficou atento, se inclinou pra trás na cadeira, esperando que a Sofia aparecesse em cena, que pelo jeito naquele momento estava sozinha com o seu Porfirio na sala.
Passaram-se alguns minutos e a mulher dele não aparecia. Salvador não entendia o que poderia estar demorando tanto. Seria o seu Porfirio? Uma imagem de Sofia encurralada contra a parede pela anatomia grossa do porteiro, enquanto ouvia no ouvido sabe-se lá que putarias da parte daquele sem-vergonha, que se achava no direito de falar aquilo porque estavam atrasados com o aluguel, sacudiu seu ânimo de corno.
Eu estava nisso, jogado na cadeira com o queixo apoiado nos polegares, totalmente concentrado no que acontecia na casa dele, quando a porta do escritório se abriu e entrou rapidinho o Máximo Rivas, seu chefe e Gerente Geral da empresa, examinando uns papéis que trazia na mão.
—Salvador, preciso que você revise os antecedentes dessa empresa — disse o Gerente sem tirar os olhos do papel que trazia. — Quando terminou de falar, o chefe já estava de pé ao lado da cadeira de Salvador, estendendo-lhe o documento em questão.
Salvador não teve tempo de tirar a câmera da tela. O senhor Rivas, assim que levantou os olhos, dirigiu-os à tela.
—Tô interrompendo alguma coisa? — ela disse.
—Éeeeh… Não —gaguejou Salvador, de repente muito nervoso, pegando os documentos das mãos do chefe, até que lembrou da desculpa que tinha dado pro cara que vendeu a câmera—. É que minha esposa vai voltar a trabalhar, e a gente teve que procurar uma babá. E bom…, a gente colocou uma câmera pra poder ver como ela se comporta com a nossa bebê quando não estamos.
—Entendo. Nunca se sabe quando os funcionários não estão fazendo o trabalho — disse o chefe. Salvador entendeu a indireta, mas não fez menção de se sentir atingido; afinal, ele era Gerente de Vendas, não um simples funcionário.
Salvador ia fechar a janela pra se dedicar a resolver as dúvidas do chefe quando Sofía apareceu em cena. A mão grossa e peluda de Rivas o segurou pelo braço antes que ele tivesse chance de mexer o mouse.

―E essa mulher? ―A voz do Gerente Geral soou mais grave do que o normal.
E a Sofía estava mesmo se achando. Usava um vestido verde-água justo, bem curtinho, as pernas lindas terminando em uns sapatos de salto alto cor nude, que a deixavam ainda mais alta e esguia. Era pelo menos uma cabeça mais alta que dona Dolores. Os peitos volumosos dela ficavam ainda mais atraentes sob o tecido elástico do vestido fascinante. Salvador sentiu um acesso de ciúmes ao lembrar que ela tinha se arrumado assim para dom Porfirio.
―É minha esposa ―disse com voz seca, descarregando inconscientemente sua raiva repentina sobre o Gerente Geral da concessionária. Mas acabou percebendo o arrebatamento e sentiu a necessidade de se explicar―. Ela tinha uma entrevista de emprego. Com certeza acabou de chegar.
O senhor Rivas soltou o braço dela e limpou a garganta, meio sem jeito, como eu nunca tinha visto ele.
―Claro… Claro… Desculpa, Salvador ―se desculpou o Gerente, surpreendendo ainda mais seu subordinado. Na tela, Sofía movia os lábios, inaudível, diante da dona Dolores, que continuava com a bebê nos braços―. Espero que tenha ido bem no seu entre… ―Naquele momento, de repente, a esplêndida mulher fez um movimento de ombros coquete e ao mesmo tempo elegante para escorregar o vestido até a cintura, deixando seus peitos extraordinários nus e em cores vivas na tela, e o senhor Rivas ficou olhando boquiaberto. Sofía recebeu Janita nos braços e a amamentou com toda ternura, completamente alheia ao espetáculo que estava dando no escritório do marido―. Meu Deus ―balbuciou por fim o outrora inexpugnável Gerente.
Salvador, que também tinha ficado petrificado, acabou reagindo e baixou a tela do laptop às pressas.
―Me manda… seus comentários por e-mail, por favor ―disse o senhor Rivas lentamente, apontando para o documento que havia entregado a Salvador. Depois saiu do escritório tão rápido quanto entrou.
Salvador viu ele fechar a porta. Depois olhou para baixo. Tinha uma ereção bem evidente na calça. Apoiou os cotovelos na mesa, quase tremendo. Cobriu o rosto com as mãos.
«Diabos —disse ele—. Meu chefe acabou de ver as tetas da minha Sofia… E aquele miserável do seu Porfírio. Como ele deve ter curtido esse almoço!».
Depois disso, eu já não conseguia mais esperar pra ver o que ia rolar com o pai dela naquela noite.
Enquanto dirigia seu carro para casa, Salvador sentia uma mistura de sensações que nunca tinha experimentado antes. Ele não conseguia acreditar que seu chefe tinha visto Sofia com os peitos de fora; embora tivesse sido através de uma tela, não deixava de ser inusitado.
Ao chegar no prédio dela, deu de cara com aquele velho que ela tanto detestava.
—Senhor Martinez —disse o zelador, esticando o pescoço.
—Dom Porfirio —Salvador entrou no elevador, supondo que o velho sairia.
No entanto, seu Porfirio não saiu, apertou o número do seu andar. Salvador suspirou e praguejou baixinho.
—Passei a tarde inteira no apartamento dela —comentou seu Porfirio quando as portas se fecharam—. Uma vizinha precisava da minha ajuda, sabe?
—Ah, é? —Salvador olhou pra ele e o porteiro virou sua pose de machão na direção dele, como se tivesse entendido que estava sendo desafiado.
—É. Você nem imagina as vezes que eu tenho que fazer o papel de homem da casa em alguns apartamentos. Haha — disse o velho, zombeteiro, olhando para ele com aquela mistura infame de suficiência e agressividade. Salvador não conseguia acreditar que ele estava falando uma coisa dessas. Será que com isso ele queria dizer que se envolvia com algumas senhoras do prédio? No andar dele? Com a Sofia dele?! — Não deixa de me surpreender o quanto alguns homens podem ser descuidados com suas responsabilidades. Alguns nem do aluguel se encarregam. — Fez um gesto de falsa impressão — Claro que esse não é o seu caso, seu Martinez. Porque na segunda-feira de manhã eu vou poder ir cobrar o aluguel atrasado da sua linda esposa, não é mesmo?
Salvador cerrou os dentes. Como aquele miserável ousava chamar sua Sofia de linda com tanta naturalidade? E como ele tinha se referido ao pagamento do aluguel; não disse cheque, nem dinheiro do aluguel, mas deixou a "moeda" de troca livre para qualquer interpretação. Tentou evitar, mas não conseguiu tirar da cabeça o vestido sexy que sua mulher tinha usado naquela tarde para agradar a vista daquele velho antipático.
—Claro, seu Porfirio, com certeza — ela se forçou a responder com naturalidade, desviando o olhar do porteiro nojento.
—O senhor é um homem de sorte, seu —continuou o velho falando com ele—. Hoje eu comi na sua casa. Sua mulher… —levou os dedos de uma mão à boca e os beijou ruidosamente—…, uma delícia.
O muito safado estava passando dos limites, e Salvador se virou um pouco na direção dele, encarando-o.
—É uma cozinheira excelente e uma anfitriã muito atenciosa — apressou-se em esclarecer dom Porfirio. Em seus olhos brilhava a impertinência —. Cuide dela, que, como ela, uma em um milhão.
Salvador assentiu. Por mais que aquele homem fosse um pé no saco, ele não podia concordar mais com aquilo.
O elevador finalmente chegou ao seu andar e as portas se abriram.
—Diga à dona Sofía que me sinto em dívida com ela — disse dom Porfirio quando Salvador saía do elevador —. Que estarei disponível para qualquer serviço que o senhor não puder atender —. Quando Salvador se virou, indignado, para dizer que não se incomodasse, que não havia nada que ele pudesse fazer na casa dela, as portas do elevador estavam terminando de se fechar; mal conseguiu ver o sorriso confiante e malévolo do veterano porteiro.
—Velho tarado filho da puta —sussurrou Salvador para si mesmo. Queria chutar alguma coisa. Naqueles momentos não conseguia parar de questionar sua fantasia de ver aquele sujeito maldito na cama com sua lindíssima Sofia. Mas ao mesmo tempo despertava um tesão selvagem dentro dele. Era como se aquele desprezo conspirasse com suas fantasias para produzir uma luxúria doentia e potencializada.
Respirou fundo por alguns instantes e depois seguiu pelo corredor do andar. Quando entrou no apartamento, ouviu Sofía cantando uma canção de ninar no quarto, sem dúvida, para sua filhinha. Foi até lá.
—Oi, amor —disse assim que entrou no quarto.
—Oi —sussurrou sua mulher. Sofia estava sentada no sofá da sala.
—Como foi seu dia? — perguntou, e logo depois deu um beijo carinhoso nos lábios dela —. Você almoçou com a dona Dolores e o velho Porfirio?
—Sim —respondeu Sofia, desviando o olhar—. Ficaram um tempo depois do almoço e foram embora.
—E aí? Como foi? — insistiu Salvador. Ele mal conseguia segurar a ansiedade de ouvir da boca da esposa o que tinha acontecido.
—Bom… foi normal —disse Sofía —. A gente comeu…, me vesti toda gostosa, como você queria, pra chamar a atenção do seu Porfi…
—O que você vestiu? — interrompeu Salvador, louco para ouvi-la descrever aquele vestido justo incrível, e como aquele desgraçado tinha olhado para ela.
—É… isso — disse ela logo em seguida, apontando para a roupa que estava usando —. Por quê? Você ach… acha que foi ousado demais?

Salvador congelou por um instante. Sabia que Sofia estava mentindo. Não só porque a tinha visto pela câmera, mas porque a voz dela falhou um pouco e ela desviou o olhar. Não entendia por que sua mulher escondia a verdade dele. Ficou inquieto. Não podia desmascarar a mentira dela sem confessar o da câmera, e naquele exato momento a capacidade de observá-la sem que ela soubesse tinha ganhado uma relevância muito maior.
—Não… —disse ela, finalmente, tentando esconder sua inquietação—. Acho que você está muito bem. O velho Porfirio deve ter se deliciado com os olhos.
Sua esposa sorriu de um jeito estranho com as palavras dele.
—Disso você pode ter certeza —respondeu Sofia, se aproximando dele.
—Bom, tenho que ir, não falta muito pro meu pai chegar e não quero que ele me encontre aqui.
Salvador deu um beijo de despedida na esposa e saiu. Seu coração batia forte. Ele estava deixando sua amada esposa nas mãos do pai dele, um bom homem, um cara em quem confiava. No entanto, era um homem e sua esposa era uma mulher atraente demais, sexy demais, um verdadeiro tesão.
O relógio do celular dela já marcava mais de dez da noite quando chegou ao hotel onde ia se hospedar, estacionou o carro e correu para entrar, pediu o quarto que havia reservado e foi direto para lá, logo depois de entrar no quarto tirou o laptop e colocou numa mesa que ficava em frente à cama, o computador ligou, clicou no ícone das câmeras e apareceu a sala da casa dela, havia silêncio, pelo visto o pai dela ainda não tinha chegado, estava prestes a mudar para a outra câmera para olhar o quarto dela quando de repente viu a esposa saindo do quarto, a surpresa foi grande, ela tinha colocado de novo o mesmo vestido cor de água que usou no almoço com dona Dolores e o velho Porfirio. Não entendia o que estava acontecendo de verdade, porque ela não tinha sido sincera com ele sobre a roupa que usou no almoço e que usaria também com o pai dele. Uma onda de tesão veio na hora, em alguns minutos o pai dele chegaria e a encontraria sozinha vestindo aquele vestido provocante, sentiu o pau endurecendo naquele instante.
Ele viu como a esposa se sentou na sala, dava pra notar que estava nervosa, ligou a TV e cruzou os braços se ajeitando no sofá, esperando o sogro.

Naquele momento a campainha tocou. Sofía se levantou, respirou fundo e foi até a porta; abriu.
—Boa noite, Pastor —disse ela. Desde que se conheceram, ela às vezes o chamava pelo nome, e outras vezes simplesmente "sogro", era como se decidisse aleatoriamente como queria chamá-lo cada vez que o via.
O sogro ficou atônito ao ver o espetáculo de mulher que tinha aparecido na frente dele.
—Nora... boa... boa noite —Ele não soube o que mais dizer, dava pra ver que não esperava encontrar a sua linda nora vestida daquele jeito.
—Que bom que você já está aqui, entre por favor. — Ele se afastou para deixar passar.
O pai de Salvador entrou lentamente, suas pernas tremiam, talvez pelos nervos ou talvez pela excitação que estava sentindo.
—O Salvador me disse que você tá meio doente. É grave?
—Não, nada disso —respondeu Sofia. Salvador sentiu admiração pela calma que ela mostrava de repente —. É só uma anemia e falta de sono.
—Ah, tinha ficado preocupado —disse Pastor, com uma mão no peito.
—Não tinha motivo —afirmou Sofía —. Mas obrigada, sogro. —Quer um café?
—Sim, obrigado, Sofia. Respondeu Pastor ainda nervoso.
Sofía se virou para a cozinha sem esperar resposta, o vestido colava nos quadris a cada passo e subia só um pouquinho mais por trás. Pastor ficou parado na sala, o olhar cravado nessas pernas nuas até quase a coxa.
—Sozinho? —ela perguntou da soleira, já com a xícara na mão—. Ou você quer que eu ponha alguma coisa?
—Só… tá tudo bem —respondeu ele, a voz mais grave que o normal. Passou a mão pela nuca —. E a menina? Já tá dormindo?
Sofía voltou para a sala com uma xícara de café nas mãos, os saltos ecoando a cada passo, aumentando a excitação do homem.
—Faz um tempinho. —Sofía estendeu o café para ele e se sentou ao lado do sogro. Seus dedos roçaram os dele ao entregar a xícara.
Pastor segurou a xícara com as duas mãos, o vapor subindo pro rosto. Não conseguia parar de olhar o decote dela; cada vez que Sofía respirava, o tecido esticava mais um pouco.
—. Sogro, queria agradecer por ter vindo essa noite cuidar da gente, me incomoda que você tenha se dado esse trabalho, mas sério, me sinto mais protegida tendo um homem em casa, além disso com esse remédio que o médico receitou ela ficou apagada a noite toda e me angustia pensar que meu bebê chore e chore e ninguém atenda.
O Pastor adorou o que ela estava dizendo, naquele momento ele era o homem da casa. —É verdade que esse comprimido é tão forte assim? —perguntou Pastor meio incrédulo—. Digo…, parece inacreditável que a bebê, chorando aos pulmões, não te acorde.
Sofía hesitou e desviou o olhar. Salvador percebeu que ela estava pensando, ou melhor, duvidando de tudo o que estavam fazendo. Ficou nervoso, o semblante da sua mulher gostosa parecia angustiado.
—É verdade —disse no entanto Sofia—. Anteontem à noite, Salvador me disse que até tentou me acordar me sacudindo, e eu não reagi, continuei dormindo como uma pedra. Por isso ele estava tão preocupado e pediu que você ficasse com a gente.
«Estupendo, meu amor —disse Salvador para si mesmo». O que Sofía acabara de dizer era muito provocante para alguém com planos obscuros. A pergunta era: será que o pai dela os tinha?
—Uf, parece coisa de filme —ouviu Pastor dizer com um certo nervosismo —. Mas você não precisa se preocupar. Quando o Salvador era bebê e acordava de noite, era eu o encarregado de passear com ele até ele voltar a dormir. Tenho o ouvido e a paciência bem treinados.
—Eu acredito, sogro, mas se ela acordar, te garanto que não vai voltar a dormir até tomar o seu cum. Eu conheço essa porquinha comilona, na geladeira tem uma mamadeira onde guardei um pouco de cum. Se ela acordar, você deve esquentar em banho-maria, mas antes de dar, tem que verificar se não está muito quente, entendeu?
O marido martirizado achou ter visto os olhos do pai inspecionarem por um instante as gloriosas produtoras de porra da sua nora, que, parada na frente dele, parecia mostrá-las com orgulho.
O pastor se engasgou com a própria saliva e limpou a garganta.
—Claro, nora. Não esqueci como se faz —disse ele depois—. Não se preocupa.

Sofía olhou pra ele com uma ternura estranha, acariciou o braço dele e agradeceu de novo por ele estar ali pra ajudar eles. Salvador desejou com todas as suas forças que a esposa fosse mais ousada e chegasse perto pra beijar o pai dele.
Mas, claro, isso não aconteceu, Sofía só olhou pra ele com gratidão.
Sofía se ajeitou no sofá, cruzou as pernas devagar e o vestido subiu mais um pouco, deixando quase toda a coxa à mostra.
—Acho que é muito cedo pra ir pra cama. —Quer ver um filme comigo, sogro?
—Um filme? —ela repetiu, como se precisasse de tempo para processar.
—Sim, claro, se você quiser ou preferir, posso ir pro meu quarto e deixar você descansar.
Ele negou com a cabeça quase de imediato. —Não… claro… digo… por que não?, faz um tempão que não vejo uma.
De onde eu estava, dava pra ver, sem disfarçar muito, como o decote se movia com a respiração dela e como o tecido do vestido esticava nas coxas toda vez que ela cruzava ou descruzava as pernas.
—O que… o que você quer ver? —perguntou Pastor, a voz um pouco mais baixa. Suas mãos descansavam sobre os joelhos, rígidas.
Sofía se inclinou sobre a mesa para pegar o controle remoto. O movimento fez o vestido grudar mais nela, esticando especificamente na parte da bunda, e obviamente Pastor fixou o olhar bem ali.
—Algo que nos entretenha —murmurou ela, olhando de esguelha para ele.
Sofia escolheu um filme romântico, era o gênero que ela mais gostava. O filme começou, mas Pastor mal registrou as primeiras cenas. Estava sentado rígido no sofá, o corpo virado levemente na direção dela sem querer, e cada vez que Sofia se mexia — uma troca de pernas, um suspiro, o leve roçar do braço dela contra o dele — sua atenção ia completamente embora. O vestido estava subido muito acima da metade da coxa, tinha certeza de que se ficasse de pé na frente dela poderia ver a calcinha que ela estava usando. O decote, com a luz baixa da sala, projetava sombra entre os peitos dela e se movia a cada respiração lenta.
Pastor apertou as mãos sobre os joelhos. Sentia o calor subir pelo pescoço. Tentava olhar para a tela, mas seus olhos voltavam uma e outra vez para as pernas nuas e o decote da sua nora. Não era só a roupa tão ousada que ela estava usando. Era como ela estava ali, tão perto, cheirando aquele perfume tão feminino, sem se afastar completamente, como se não se importasse que o sogro estivesse olhando para ela daquele jeito.
Sofía, de rabo de olho, notou como ele não prestava atenção no filme. Não disse nada. Só se ajeitou um pouco mais, quando já tinha passado mais da metade do filme Sofía fingiu estar com sono ou pelo menos foi o que Salvador pensou do hotel de onde observava tudo, e notou como sua esposa se acomodava no sofá e discretamente encostou um pouco a cabeça no ombro do sogro.
O pastor estava fascinado com a ação sem saber o que fazer, timidamente colocou a mão no joelho da sua nora, a mão tremia, mas ao notar que Sofia não acordava ou pelo menos era o que ele pensava, subiu um pouco mais acariciando sua coxa atlética.

Ficaram assim até os créditos começarem a subir, Pastor retirou lentamente a mão e falou com ela.
—Nora… nora —eu acariciava a bochecha dela enquanto a acordava.
Ela abriu os olhos devagar e se levantou meio surpresa por estar deitada no sogro.
—Ai, sogro… acabei dormindo, hehe. —Ela esticou os braços e o movimento fez o decote abrir mais. Virou-se para ele com um sorrisinho.
—Bom, acho que já é hora de dormir — disse ela, com a voz suave —. Deixei um cobertor e um travesseiro ali. O sofá não é muito grande, mas pelo menos você não vai ficar desconfortável.
Entrou no quarto, foi até o armário e pegou um cobertor e um travesseiro lá de cima, depois voltou pra sala.
—Aqui está. Sinto muito que você tenha que dormir no sofá — disse Sofía —. A gente deveria ter um sofá-cama pra essas situações.
—Esse sofá enorme fica perfeito pra mim — garantiu Pastor —. Além do mais, na minha idade eu já durmo menos. Vou ver um pouco mais de televisão. Mas não se preocupa que eu vou deixar baixinho pra não te acordar.
Sofía riu da piada e deu um tapinha provocante no peito dele. Salvador não se lembrava de tê-los visto alguma vez em uma situação tão íntima. No entanto, pensou que o mais provável era que estivesse vendo coisas onde não havia; dada a sua ansiedade, era de se esperar.
Viu que ficaram se olhando por um segundo sem dizer nada. Depois de um momento, ela desviou o olhar e ele aproveitou pra cravar os olhos de novo no decote dela.
—Ai. Já é tarde. Tenho que tomar o comprimido — disse Sofía.
—Sim —disse Pastor
—Vou pro meu quarto, durma bem, sogro, vou deixar a porta entreaberta pra você poder ouvir a Janita se ela acordar.
—Claro, vou ficar de olho… —conseguiu balbuciar Pastor.
Ele deu um último sorriso e foi em direção ao quarto.
O vestido grudou no corpo dela, subiu mais um pouco por trás. Pastor ficou parado na sala, as mãos apertadas, o olhar fixo na bunda e nas pernas da sua nora.
Ao entrar no quarto dela, Salvador viu como sua mulher começou a tirar o vestido, sentiu um tesão especial, pois ela estava fazendo isso escondido, ele a espiando sem que ela tivesse a menor suspeita de que estava sendo observada.
O movimento de quadril que sua linda esposa fez para ir arrastando aquele minivestido através das suas formas curvilíneas pareceu incrivelmente sensual para ele; ainda mais quando em primeiro plano apareceu aquele tremendo bundão fitness mal protegido por uma calcinha fio-dental. Com os pés, com movimentos elegantes, diante dos olhos atentos do marido no hotel, a esposa se livrou dos sapatos de salto agulha que trazia, e no final pegou as bordas do fio-dental e também deslizou entre suas pernas tonificadas até cair pelos tornozelos no chão.
Assim, completamente pelada, ela se aproximou do armário e pegou uma toalha. Depois entrou no banheiro e um minuto depois dava pra ouvir claramente o som do chuveiro rolando.
Salvador suspirou. Apesar de não ter acontecido nada evidente entre sua mulher e seu pai, ele estava muito excitado com tudo o que estava rolando. Não era incomum Sofia tomar um banho antes de dormir; aquilo a relaxava, e diante da tremenda tensão que ela devia estar sentindo era perfeitamente normal que tomasse um banho, mas Salvador, com a mente afetada pelo tesão que aquela situação promissora lhe provocava, preferiu pensar que sua mulher estava se preparando para o sogro, algo que, como um círculo vicioso, aumentava ainda mais seus ânimos perversos, fazendo-o afundar ainda mais fundo naquela vontade doentia de ver sua gostosa da Sofia nas mãos do pai dele.
Então o marido já perturbado percebeu algo que o deixou completamente sem palavras diante da tela brilhante do quarto de hotel: Salvador contemplou atônito como a porta se movia suavemente, permitindo que a escuridão atrás dela aos poucos tomasse as formas da única pessoa que poderia estar empurrando-a do corredor: seu pai.
Pastor entrou no quarto com muito cuidado. Salvador o viu deslizar na ponta dos pés, olhando com certa preocupação para a porta do banheiro. Vestia uma calça de dormir e uma camiseta um pouco mais justa ali na barriga de sessentão; com certeza era o pijama que tinha trazido para passar a noite na sala. Andava como um bandido. Não trazia sapatos, e as grossas meias com losangos que usava permitiam que ele se movesse pelo quarto sem fazer nenhum barulho. O homem maduro se movia desengonçado, como uma alimaça, pensou Salvador, mas o que mais causava indignação ao pobre filho era ver que seu amado progenitor tinha uma tremenda ereção na calça do pijama.
O bandido, que antes era um homem irrepreensível aos olhos dela, avançou até o berço, olhou dentro por um instante e depois para a porta do banheiro. Em seguida, olhou para todos os lados, até que baixou o olhar e percebeu que as roupas de Sofía estavam jogadas no chão. Aproximou-se mantendo a atenção na porta do banheiro, e a primeira coisa que pegou foi a fio-dental da nora, segurou com as duas mãos e levou ao nariz, fechou os olhos e deu um forte suspiro.
Salvador não podia acreditar no que estava vendo. Seu pai estava se deliciando com os cheiros mais íntimos da sua mulher, e ele observava tudo cheio de tesão. Já tinha sonhado com isso muitas vezes, mas nunca pensou que veria com os próprios olhos, escondido sem que ninguém pudesse identificar seu fetiche, seu tesão, sua excitação diante da ideia de quais outros homens vão aproveitar a beleza e as qualidades mais lindas da sua preciosa Sofia.
De repente, o barulho do chuveiro parou, a água deixou de cair, e tanto Salvador quanto seu pai perceberam que Sofía estava prestes a sair do banho, nua, molhada, limpinha, lindíssima. O marido excitado viu que seu pai olhava para a porta do banheiro, para o quarto ao redor e para a porta que dava para o corredor. Salvador entendeu que ele estava se questionando. Estava com vontade de ficar, com vontade de esperá-la e se plantar na frente dela de pau duro, com vontade de apalpar e beijar ela toda… Estava com vontade de comer ela à força.
—Faz —sussurrou Salvador, tomado pela tesão, segurando a forte ereção que pulsava sob a calça—. Ele te deixou, papai. Te emprestou. —Mas não foi assim, Salvador presenciou o homem cheirar a peça uma última vez para depois jogá-la de volta no chão, saiu do quarto e empurrou a porta. No entanto, Salvador percebeu que ele não a fechou por completo, como a tinha encontrado, mas deixou uma fresta aberta, deixando a possibilidade de contemplar a bela Sofía saindo do banheiro, uma janela para o paraíso.
Salvador não aguentava mais de tesão. Não sabia o que fazer. Tinha uma ereção enorme, estava supernervoso. Gritava de emoção, pegava no próprio rosto, sacudia o cabelo, mas não conseguia desgrudar os olhos daquela tela. Os minutos passaram, viraram eternos, até que de repente a porta do banheiro se abriu e Sofía voltou a dar as caras no quarto. O corpo dela estava enrolado naquela toalha rosa que Salvador já tinha visto tantas vezes no corpo da mulher; porém, saber que estava compartilhando essa visão com o próprio pai o deixava louco. Sofía vinha com outra toalha menor amarrada no cabelo. Estava linda, exuberante. A toalha rosa mal cobria um pouco abaixo daquela bunda gostosa, as pernas dela estavam gloriosas, tão lindas, tão bem torneadas. Ela se moveu de um jeito muito elegante e feminino, chegou à cama e sentou na beirada, levantou as mãos para, com a toalha que trazia no cabelo, esfregar os fios. De repente Sofía olhou para a porta do quarto, assustada talvez com algum som que Salvador foi incapaz de perceber. Ficou olhando por um segundo, mas não fez nada, simplesmente voltou a arrumar os lindos cabelos com os dedos.

Desconfiaria que o pai dela estava atrás daquela fresta? Salvador não sabia, mas esperava que sim. Doente de tesão como estava, não conseguia pensar em outra coisa. Sua bela Sofia, tão elegante, tão sensual. Queria pensar que ela estava se exibindo, que estava provocando outro homem, queria pensar que Sofia sabia que o pai dela estava ali atrás, ali no corredor, no escuro, admirando a sua figura e todos os seus atos íntimos. Sofia de repente se levantou e se aproximou do armário, abriu uma gaveta e pegou uma peça que brilhou sob a luz fraca do quarto. Salvador reconheceu a babydoll prateada que ficava tão linda na sua preciosa Sofia. O conjunto não era mais que uma camisolinha com rendas de alcinhas finas e uma calcinha pequena que mal cobria metade da bunda dela. Salvador já tinha visto várias vezes e não podia acreditar que naquele momento outro homem ia ser testemunha de como aquela peça se ajustava maravilhosamente no corpo extraordinário da sua mulher.
Enquanto Salvador se extasiava ao compartilhar a beleza da esposa com o próprio pai, aconteceu o que o marido insano tanto desejava: a toalha rosa caiu no chão e o corpão esplendoroso de Sofía ficou completamente nu, de pé no quarto.
Salvador caiu de joelhos diante da tela do quarto de hotel.
—Você é uma gostosa — reverenciou a figura incrível e sensual de Sofia. Então percebeu que a porta do quarto, atrás da sua linda e nua mulher, vibrou por um segundo.
Com certeza Pastor estava contemplando as pernas lindas da sua Sofía, gozando lá no alto naquele rabo lindo e redondo, o orgulho de uma escultura fitness, as costas extraordinárias, lisas, planas, lindas, femininas, coroadas por aquela cabeleira castanho-clara; enfim, uma silhueta infernalmente sensual.
—Vira, meu amor. Mostra pro meu pai essas suas tetas enormes e seus pelinhos de amazona — disse Salvador com paixão, ficando ainda mais excitado com a ideia de que sua mulher seguisse suas instruções e se exibisse, obediente, diante dos olhos desejosos de outro macho.
Eu queria que Sofía mostrasse pro Pastor aquele pelo pubiano macio, e seus peitos enormes, essas tetas que já tinham sido admiradas pelo chefe dela e que agora deviam dar prazer ao pai dela.
Salvador não conseguiu se segurar mais e desabotoou o short. Precisava se tocar, precisava satisfazer esse tesão que o queimava. Sua mulher estava sendo espiada pelo sogro, que como um voyeur pervertido a observava trocar de roupa, recém-saída do banho, com sua pele linda e cuidada, limpinha, provavelmente cheirando àqueles cremes que agora ela costumava passar depois de se lavar.
O marido extasiado se jogou na cama do hotel sem calça e começou a bater uma enquanto via sua preciosa esposa nua pela televisão. Queria acreditar que Sofía sabia que Pastor a espiava pela porta entreaberta do quarto, que seu sogro, muito provavelmente, assim como ele, estava apertando o pau diante do tesão que lhe dava contemplar escondido o corpo escultural da sua nora.
Salvador apertava com força, de cima a baixo, esperando ansiosamente que seu pai não aguentasse mais, entrasse de repente no quarto e se jogasse sobre Sofia, sua preciosa Sofia.
Mas isso não aconteceu. E ele viu como sua esposa começou a vestir o babydoll. Observou-a levantar uma perna de cada vez para depois subir pelas pernas a calcinha do conjunto, que já na metade da coxa se mostrava pequena para formas tão generosas; os esforços que Sofia teve que fazer para arrastar a pequena peça íntima por suas pernas poderosas e vesti-la sobre seus glúteos bem torneados terminaram numa pose das mais provocantes, principalmente para quem pudesse estar observando da porta, já que a supostamente ingênua beldade abriu as pernas para ajustar a calcinha e depois se espreguiçou, empinando a bunda e erguendo as costas, ao mesmo tempo que puxava as tiras dos dois lados da pequena calcinha. Aquela pose não podia ser mais provocante, pensou Salvador.
—Vai, papai. Toma, toma —dizia o marido desesperado—. Eu te empresto. Entra e toca, lambe, aperta… Possui.
Sofía pegou a camisola do babydoll e acabou vestindo por cima da cabeça com movimentos tão femininos quanto elegantes. Já não estava nua, mas o conjunto caía tão bem, tão provocante, que mais parecia uma roupa de noiva do que um babydoll para dormir, um instrumento para despertar os instintos machos de um homem. Então a solitária esposa se virou, mostrando finalmente para a porta o decote extraordinário que exibia, já que a camisola claramente não foi desenhada para uma mulher do tamanho de Sofía. Ambos os peitos transbordavam as copas estreitas da peça, não só pelo centro, onde os seios se encontravam e se apertavam entre si, mas também pelas laterais, onde uma generosa porção de peito aparecia redonda e firme de cada lado.

Salvador percebeu que sua mulher evitava olhar para a porta. Quanto mais convencido ficava de que Sofia intuía a presença do sogro espiando-a, mais excitado ele ficava. A ponta do seu pau estava banhada de fluidos pré-seminais que até escorriam pela mão que apertava seu membro ereto. Sua glande palpitava, inchando até quase explodir.
Salvador soltou o pau pra evitar gozar. Queria continuar curtindo e fugir da culpa que certamente o pegaria assim que o tesão do fetiche dele fosse saciado.
Então, um pouco mais relaxado, ele viu que Sofía voltou ao banheiro e retornou com um copo d'água na mão. A bela esposa pegou uma cartela de comprimidos na mesinha de cabeceira, tirou um, levou à boca e depois deu um bom gole no copo d'água. Para Salvador isso foi mais do que revelador. Não havia mais dúvida. Sofía sabia, ou pelo menos suspeitava, que o pai estava espionando ela, senão não teria feito aquele show com o comprimido… Com certeza era aquele comprimido que ela tomava sempre pra academia.
Então Sofia se enfiou na cama, se ajeitou de lado, de costas pra porta, e apagou a luz do abajur. Salvador ficou na expectativa de que algo acontecesse, mas não rolou nada.
Mudei a câmera para a sala e vi como seu pai voltou com as pernas tremendo, provavelmente de tesão, sentou no sofá e segurou a cabeça com as mãos, por um momento olhava para o quarto da nora e voltava o olhar, dava pra ver que ele estava desesperado pra fazer alguma coisa.
Não passaram nem 10 minutos quando Salvador observou que seu pai foi até a cozinha, pegou a mamadeira da neta e se dirigiu ao quarto.
Salvador arregalou os olhos feito pratos, super atento ao que ia acontecer.
Pastor entrou devagar no quarto.
—Nora —ouviu ela chamar.
Não houve resposta. Sofia não se moveu.
—Nora —chamou de novo, mais alto.
Nada mudou.
Numa mão ela trazia o celular com a tela acesa, na outra tinha a mamadeira.
—Nora… Sofia.
Sofía continuou imutável. Salvador não tinha certeza se ela dormia. O pai dela se aproximou do berço e olhou lá dentro. Seu rosto era uma mistura confusa de culpa e arrependimento.
—Sinto muito, pequena — murmurou com ternura e pena. Depois voltou a iluminar a cama, a Sofia, que dormia tranquilamente. Seu braço mal cobria o peito direito, a pele lisa do ombro e das costas se mostrava magnífica, e seus cabelos espalhados sobre o travesseiro deixavam à mostra seu pescoço longo e elegante.
—Nora, a Janita acordou —disse Pastor, se aproximando da cama. Então Salvador observou como seu pai destampou a mamadeira e virou ela na boca, bebeu todo o conteúdo com gosto, até enfiando a língua no pequeno recipiente pra resgatar até a última gota—. Ela tomou toda a sua porra, Nora… E eu preciso de mais caso ela acorde de novo… Nora… Nora —continuou chamando ela enquanto se sentava ao lado dela na cama—. Eu preciso de mais porra.
FIM DO CAPÍTULO 5.
Antes eu tinha escrito um monte de histórias inventadas naquele mesmo fórum, contando suas fantasias uma atrás da outra. Não conseguia acreditar que agora o que escrevia não era mais do que a pura realidade.
Pouco a pouco foram aparecendo na sua publicação mensagens de usuários do fórum. Todos o parabenizavam, e muitos aproveitavam para dizer que a história dele era muito excitante. Salvador não podia estar mais feliz; bom, na verdade podia sim; sabia que tudo ia ser ainda melhor quando finalmente acontecesse o que ele desejava, quando sua amada esposa o pusesse na guampa.
Uma hora depois, o Gerente o chamou na sala dele. Quando chegou à porta do chefe, leu a placa dourada com letras pretas que dizia:
MÁXIMO RIVAS – GERENTE GERALI'm ready to translate Spanish adult content into natural Brazilian Portuguese. Please send the text you'd like translated.
Sentiu inveja ao ler o cargo escrito na placa. Salvador era Gerente de Vendas e tinha se candidatado ao cargo quando o antigo Gerente Geral se aposentou, mas a galera lá de cima preferiu um profissional de fora, Rivas. Bateu duas vezes na porta e esperou até obter resposta lá de dentro.
—Pode entrar —A voz do seu chefe soou com força.
Salvador abriu a porta e entrou no escritório. Rivas o esperava sentado em sua mesa, com o olhar sereno de sempre.
—O senhor me chamou? — perguntou com calma.
—Sim, eu queria falar com você sobre Rosales e Medina — disse o Gerente. Ele parecia calmo, mas Salvador sabia o quanto ele devia estar puto.
—Já entendi —respondeu Salvador, meio nervoso. — Arrumei os problemas com os clientes.
—Fico feliz em ouvir isso —disse o chefe, sem mudar a expressão —. Mas acho que Rosales e Medina precisam se responsabilizar de alguma forma. Os custos gerados serão descontados dos salários deles.
— Entendi, senhor, vou dar a notícia... com licença.
Saiu e voltou pro escritório, sentou-se em frente à mesa ainda excitado com tudo o que estava por vir. Mas naquele momento percebeu algo que não tinha notado antes. Nos seus planos, deixaria Sofia sozinha com o pai, pra depois chegar em casa e ouvir dos lábios dela o que tinha acabado acontecendo. Não teria nada que comprovasse o relato da mulher. Não tinha nenhum motivo pra pensar que Sofia poderia mentir pra ele, mas agora sentia que, pra bem ou pra mal, sempre ficaria na dúvida sobre o que realmente aconteceu. E pensou, seria muito mais excitante ver o que acontecia de verdade do que imaginar. Então tomou uma decisão: Espiaria, de qualquer jeito, o que ia rolar naquela noite entre Sofia e o pai dela.
Assim que saiu do trabalho, foi direto à loja de eletrônicos mais próxima do escritório. Procurava um par de câmeras de vigilância, uma discreta que pudesse passar despercebida.
Ao chegar no prédio dele, uma voz chata o parou.
—Senhor Martínez.
Salvador se virou e deu de cara com o velho.
—Boa tarde —disse Porfirio.
— Boa tarde — respondeu Salvador, tentando soar o mais cordial possível —. Precisa de alguma coisa?
—Nada demais. Só queria te avisar que o prazo do seu aluguel venceu semana passada, e eu não recebi o dinheiro.
Salvador arregalou os olhos. Estava tão distraído com o trabalho e com o que estava acontecendo com Sofia que tinha esquecido de dar o cheque ao velho Porfirio. Mas naquele momento teve uma ideia. Lembrou da conversa provocante que teve com a esposa na noite do aniversário dele. Engoliu em seco e, de repente, fez uma cara de arrependido e envergonhado; depois se dirigiu ao velho—: Me desculpe, seu Porfirio. É que estou tendo problemas no trabalho e não tenho dinheiro agora. O senhor acha que poderia me esperar mais alguns dias?
Ele se sentiu humilhado, e mais ainda quando aquele miserável olhou pra ele com cara de satisfação e um renovado ar de superioridade ao ouvir sobre os supostos problemas dele.
— Sério? — disse Porfirio, zombeteiro, apesar da sua típica expressão carrancuda —. Aposto que ficou sem dinheiro por causa daquela festa que ele fez outro dia, uma perda de tempo e dinheiro, eu acho.
Salvador sentiu vontade de dar um soco na cara dele. Sua esposa tinha se esforçado pra comemorar o aniversário dele e aquele miserável não teve pudor nenhum em ir beber do vinho dele, comer do bolo dele e devorar sua Sofia com os olhos. Ele se segurou, claro; apesar de tudo, aquele sentimento de desprezo por aquele sujeito temperava suas vontades mórbidas de vê-lo um dia na cama com sua mulher.
—Vou tentar ter o dinheiro até segunda, tá bom pra você?
Ao ver a expressão desdenhosa no rosto do velho, Salvador sacou que ele não ia aceitar. Com certeza o sentimento entre os dois era recíproco, e o desgraçado não tinha a menor intenção de ser indulgente com ele. Precisava dar um motivo extra pra ele esperar pelo pagamento.
—Vou deixar o cheque com a minha esposa quando eu sair pro trabalho. Você pode passar naquela mesma manhã pra pegar.
Os olhos do velho Porfirio brilharam de um jeito sobrenatural. Salvador sabia que a ideia de ficar a sós com Sofía, mesmo que por alguns segundos, era tentadora demais para aquele homem nojento resistir.
—Bom —disse finalmente o velho, depois de um momento ponderando sua decisão —. Já que é a primeira vez que você atrasa o pagamento, acho que posso ser gente boa.
—Valeu, seu Porfirio — disse Salvador, tentando parecer um homem de verdade agradecido —. Vou deixar com a minha mulher então. A gente se vê depois.
Ela se apressou em se virar e entrou no elevador que tinha acabado de abrir.
Ao entrar no apartamento dela, encontrou Sofía deitada no sofá, com os olhos fechados, aparentemente dormindo. Então assumiu que ela tinha caído de cara na cama assim que voltou do treino.

Ela correu para instalar uma câmera na sala onde não fosse vista, depois foi rápido mas silencioso para o quarto dela e se apressou em instalar a outra câmera. Estava quase terminando quando de repente…
—Amor? —a voz da Sofia quase me fez ter um infarto.
—Amor? Você me ouviu? — disse Sofía entrando no quarto meio sonolenta.
—Sim, eu te ouvi —respondeu Salvador, arrastando as palavras.
—O que você tem? Aconteceu alguma coisa? — A linda esposa de repente ficou preocupada.
—Só problemas do escritório, amor —disse Salvador, abatido, desviando o olhar.
—Que tipo de problemas? — se interessou Sofía.
—Lembra do incidente da semana passada com aqueles vendedores? — perguntou —. Aquele pelo qual eu tive que ficar até tarde vários dias?
—Sim, claro que eu lembro —disse Sofía—. O que tem com isso?
—Bom, até que resolvi as coisas com os clientes, mas o gerente tomou “medidas exemplares”, segundo as próprias palavras dele.
—Uma redução no salário pelos próximos dois meses.
—Dois meses? —perguntou Sofía, um pouco mais aliviada, mas não menos indignada —. Não posso acreditar nisso.
— E o problema é que a gente não consegue pagar o aluguel — disse depois de um tempo, curtindo o jogo sujo que praticava, tremendo por dentro com as consequências que sua nova estratégia poderia trazer —. Encontrei o velho Porfirio na recepção. Ele me cobrou o pagamento do mês, e não tenho como dar pra ele.
—E então, o que a gente vai fazer? — perguntou Sofia, preocupada.
Salvador ficou quieto por um momento, esperando o momento certo pra tocar nas fibras mais delicadas da esposa. Tava nervoso, o coração batendo a mil por hora.
—Sofía —disse ela, finalmente, com evidente desconforto, enquanto voltava a se sentar para ficar na altura dela —. Você lembra do que me disse na noite do meu aniversário? Aquilo de que o velho tinha te proposto baixar nosso aluguel em troca de você fazer certas… coisas com ele?
Salvador viu que o rosto de Sofia se desfigurava, virando uma careta de incredulidade e raiva.
—Não pode estar falando sério —disse ela, muito abalada, levantando-se e se afastando dele —. Sério que você está me propondo fazer… isso com o seu Porfirio por dois meses de aluguel? Não consigo acreditar, você realmente está deixando esse seu fetiche… doentio… sair do controle. —Dava pra notar que ela estava realmente alterada, uma reação que Salvador já esperava, e para a qual estava preparado.
—Não, amor, não foi isso que eu quis dizer —disse rapidamente, com um tom submisso na voz, como se quisesse se desculpar —. Nunca te pediria pra fazer uma coisa dessas.
—Você me pediu pra passar a noite sozinha com seu pai. Eu acho que você é capaz de tudo.
—O negócio do meu pai a gente decidiu entre nós dois. E é pra comprovar o que acontece com ele, com o jeito que ele te vê. E você aceitou — disse Salvador, um pouco atingido pelas acusações de Sofía —. E a gente pode… — Salvador pensava em dizer que ainda podiam voltar atrás e cancelar os planos de sexta, mas se arrependeu, com medo de que Sofía aproveitasse a oportunidade e realmente abortasse todos os planos deles.
No entanto, a esposa dele só o encarou por um instante, depois se afastou com os braços cruzados e as sobrancelhas hesitantes.
Salvador ficou em silêncio, deixando-a ponderar por um momento o que estava acontecendo. Voltou ao ataque quando a viu um pouco mais calma. Levantou-se e se aproximou dela.
—A única coisa que eu pensava é que se você fosse um pouco mais amigável com o velho, talvez pudesse convencê-lo a nos dar dois meses pra pagar o aluguel — disse Salvador sutilmente, com uma angústia renovada —. Um sorriso aqui, um olhar ali, talvez tocar no braço dele… É só isso.
—Não acredito que seja só isso que você quer —retrucou Sofía, agora mais constrangida do que irritada —. Será que você já esqueceu todas as vezes que me confessou que tem fantasias comigo e esse cara?
—Eu sei como parece, amor —respondeu Salvador, balançando a cabeça, desviando dela, até que buscou o olhar dela —. Mas isso não tem nada a ver com aquilo, é sobre o nosso futuro imediato. Você quer voltar pro apartamento antigo? Pro bairro onde a gente não quer que nossa filha cresça?
Eu sabia que a ideia de voltar atrás apertava o coração da Sofía. Não gostava de assustá-la assim, mas estava disposto a tudo para que suas palavras causassem impacto na sua mulher.
—Mas…
—Escuta, amor —ele a segurou pelos ombros e se esforçou para compor um gesto compreensivo—. Você não precisa fazer isso se não quiser. Era só uma ideia boba, muito idiota. Não queria te ofender, desculpa mesmo.
—N…não, você não me ofende, querido —disse Sofía, apoiando uma de suas mãozinhas sobre o peito de Salvador —. É só que sua proposta me pegou de surpresa. É verdade que o senhor Porfirio me disse isso quando a gente acabou de se mudar, mas não sei se ele estava falando sério. Aquele homem me dá muito nojo; além disso, é o marido da minha amiga.
—Entendi, amor —disse Salvador—. Deixa pra lá, vou dar um jeito de conseguir o dinheiro.
Ele abraçou a mulher, esperando. Sabia que a partir daquele momento só havia duas respostas possíveis por parte de Sofia, uma que acabava com a ideia dele, e outra que a mantinha viva.
—Sério que não temos nada no banco? —ela ouviu ele perguntar.
—Nada, amor —mentiu. Na verdade, suas finanças estavam melhores do que nunca—. A gente gastou tudo com as emergências da Janita.
Sofía não disse nada por alguns minutos, só ficou olhando pra sua bebê, que ainda dormia como um anjinho.
—O que exatamente eu teria que fazer? —perguntou de repente a mãe gostosa, fazendo Salvador morder os lábios pra segurar a excitação.
Salvador a afastou carinhosamente para olhar pra ela.
—Nada grave, querido. Só um sorriso, um olhar safado, fazer ele sentir que você o trata bem. Tenho certeza de que ele tem pensamentos… carinhosos sobre você, e que não quer que você saia do prédio — disse ele com cautela —. Então, se você conquistar o favor dele, tenho certeza de que ele será indulgente conosco.
—Só isso? —perguntou Sofía—. Sorrisos, olhares…, tocar no braço dele. Você realmente acha que é só isso que eu vou ter que fazer?
—Sim, Sofía —confirmou ele com carinho—. Você não precisa fazer mais nada… se você não quiser.
Ela fez questão de pronunciar essas últimas palavras com mais ímpeto, e depois as deixou repousar em silêncio. Queria que elas penetrassem na mente da esposa.
Sofía não disse nada por alguns minutos, andou pela sala, olhando para o marido ali em pé e para o bebê dormindo, para o chão, para o céu, para as fotografias sobre a penteadeira. Para Salvador, aquele tempo pareceu uma eternidade, ele estava nervoso demais. Quando teve a ideia de mentir para a esposa para incitá-la a se comportar de forma mais carinhosa com o velho Porfirio, supôs que o mais provável era dar merda, mas naquele momento podia ver que Sofía de verdade estava pensando no assunto.
—Tá bom —disse Sofía finamente, fazendo o coração de Salvador quase parar—. Eu vou fazer, mas que fique claro que não me sinto confortável com isso, que só faço porque é uma emergência, nada mais.
—Claro, amor —disse Salvador. Queria abraçá-la, mas não era boa ideia, demonstraria emoção demais e seria suspeito —. Entendo. Sei que é um esforço da sua parte, então obrigado.
—E outra coisa —disse Sofía com severidade, apontando um dedo para Salvador—. Se por causa disso o seu Porfirio ficar a fim de mim, a culpa vai ser sua. Você não vai poder me cobrar nada.
Salvador assentiu, incomodado com seu estado de excitação, tentando parecer compungido, pesaroso diante do que sua mulher era obrigada a fazer. Só de pensar na esposa tentando simpatizar com aquele velho por interesse, ficava excitado pra caralho. Era uma loucura o que estava acontecendo, mas seu fetiche sempre tinha sido uma locomotiva difícil de segurar, e depois de ter confessado isso à esposa, tinha tirado os freios, fazendo com que agora avançasse mais implacável do que nunca.
—Meu Deus… Primeiro o seu pai e agora isso —sussurrou Sofía com uma mão espalhada na bochecha—. Sério, você é um marido que pede umas coisas muito estranhas pra esposa —reclamou. Mesmo assim, olhou pra ele e sorriu com carinho—. Você tem sorte de eu ser sua esposa e te amar tanto. Qualquer outra mulher já teria saído correndo.
Na manhã seguinte, Salvador ouviu sua mulher falar ao telefone. Tudo o que ela dizia tinha a ver com comida—. Bom, então fico esperando vocês aqui —disse finalmente—. Claro, não se preocupe. Tchau.
Sofía deixou o celular sobre a mesa e se aproximou dele com um gesto difícil de decifrar. Ela parecia séria, talvez um pouco irritada, mas decidida.
—Com quem você estava falando? — perguntou Salvador, curioso.
—Eu estava conversando com a dona Dolores —respondeu Sofia—. Convidei ela e o seu Porfirio pra almoçar hoje.
—Por que? —Salvador ficou genuinamente surpreso, pois costumava ser sua esposa quem ia à casa dos vizinhos, não o contrário.
—Já esqueceu o que aconteceu ontem? —perguntou Sofía com desdém —. Você me pediu pra começar a ser gentil com o senhor Porfirio, não foi?
—Sim, mas… não esperava que você fosse começar tão cedo. Além disso, vai fazer isso na frente da esposa dele?
—Claro que não, bobinho —disse Sofía —. Mas vou começar a agradá-lo com uma comidinha, com a mulher dele presente. Você não acha que ficaria muito óbvio se eu ficasse "estranha" com ele assim de repente? Justo agora que estamos atrasados com o aluguel. Não, se eu fizer desse jeito, não vai ser tão evidente, vai ser mais natural. — Suspirou e levou uma mão à testa —. E também vai me ajudar, pra me dar um pouco de coragem.
Salvador ficou um pouco surpreso com o quão bem Sofia estava planejando tudo. Mas era assim mesmo sua esposa, se tinha que fazer algo, fazia questão de fazer bem, mesmo que não gostasse nem um pouco.
—Talvez fosse bom você vestir algo bonito — disse Salvador —. Você vai estar com a dona Dolores, não sozinha com ele, mas acho que vai ser um bom momento pra… você sabe, dar um presente pra vista dele.
Sofía olhou pra ele por um instante e depois pegou a bebê dos braços dele.
—Já tinha pensado nisso —disse depois, meio consternada com as próprias palavras—. Vou ficar gostosa. Só espero que a dona Dolores não perceba nada.
Salvador deu de ombros, olhou para a esposa e pela milésima vez na vida percebeu o quão gostosa ela era, e o quanto a amava.
—E lembra que hoje à noite meu pai vem — disse ele, tentando garantir que seu outro compromisso não fosse atrapalhado pelos novos planos da mulher.
—Eu já sei —disse Sofia a ele. Depois suspirou de novo —. Deus, ainda não consigo acreditar que a gente vai fazer isso. — De repente, piscou várias vezes e olhou para Salvador.
—Não se preocupa, amor, vai dar tudo certo, já tenho que ir—disse Salvador, dando um beijo carinhoso nela.
Foi um dia complicado para Salvador. Por mais que tentasse se concentrar no trabalho, foi impossível.Enquanto estava no escritório dela, pensou que àquela hora seu Porfirio já estaria almoçando em casa, muito provavelmente todo babão com a presença de Sofía como anfitriã. De repente, seus olhos encontraram o ícone da interface da câmera na área de trabalho do computador e, levado por suas expectativas insanas, deu um duplo clique no atalho.
O quarto estava em silêncio, mas de repente ele ouviu um som familiar. Aumentou o volume do computador e percebeu que era o choro da sua pequena Alejandra. Não dava pra ver pela câmera por causa da grade do berço, mas tudo indicava que ela estava dormindo ali e tinha acabado de acordar. Salvador mutou o computador pra não chamar atenção. Esperou a mulher entrar no quarto pra atender a bebê. No entanto, quem entrou pra ver a Janita não foi a Sofia, mas sim a dona Dolores. A mulher se aproximou toda dengosa e sorridente e tirou a bebê do berço. Era pleno dia e a luz entrava pelas cortinas do quarto, então Salvador viu uma imagem nítida e colorida da vizinha balançando a pequena nos braços. Ficou atento, se inclinou pra trás na cadeira, esperando que a Sofia aparecesse em cena, que pelo jeito naquele momento estava sozinha com o seu Porfirio na sala.
Passaram-se alguns minutos e a mulher dele não aparecia. Salvador não entendia o que poderia estar demorando tanto. Seria o seu Porfirio? Uma imagem de Sofia encurralada contra a parede pela anatomia grossa do porteiro, enquanto ouvia no ouvido sabe-se lá que putarias da parte daquele sem-vergonha, que se achava no direito de falar aquilo porque estavam atrasados com o aluguel, sacudiu seu ânimo de corno.
Eu estava nisso, jogado na cadeira com o queixo apoiado nos polegares, totalmente concentrado no que acontecia na casa dele, quando a porta do escritório se abriu e entrou rapidinho o Máximo Rivas, seu chefe e Gerente Geral da empresa, examinando uns papéis que trazia na mão.
—Salvador, preciso que você revise os antecedentes dessa empresa — disse o Gerente sem tirar os olhos do papel que trazia. — Quando terminou de falar, o chefe já estava de pé ao lado da cadeira de Salvador, estendendo-lhe o documento em questão.
Salvador não teve tempo de tirar a câmera da tela. O senhor Rivas, assim que levantou os olhos, dirigiu-os à tela.
—Tô interrompendo alguma coisa? — ela disse.
—Éeeeh… Não —gaguejou Salvador, de repente muito nervoso, pegando os documentos das mãos do chefe, até que lembrou da desculpa que tinha dado pro cara que vendeu a câmera—. É que minha esposa vai voltar a trabalhar, e a gente teve que procurar uma babá. E bom…, a gente colocou uma câmera pra poder ver como ela se comporta com a nossa bebê quando não estamos.
—Entendo. Nunca se sabe quando os funcionários não estão fazendo o trabalho — disse o chefe. Salvador entendeu a indireta, mas não fez menção de se sentir atingido; afinal, ele era Gerente de Vendas, não um simples funcionário.
Salvador ia fechar a janela pra se dedicar a resolver as dúvidas do chefe quando Sofía apareceu em cena. A mão grossa e peluda de Rivas o segurou pelo braço antes que ele tivesse chance de mexer o mouse.

―E essa mulher? ―A voz do Gerente Geral soou mais grave do que o normal.
E a Sofía estava mesmo se achando. Usava um vestido verde-água justo, bem curtinho, as pernas lindas terminando em uns sapatos de salto alto cor nude, que a deixavam ainda mais alta e esguia. Era pelo menos uma cabeça mais alta que dona Dolores. Os peitos volumosos dela ficavam ainda mais atraentes sob o tecido elástico do vestido fascinante. Salvador sentiu um acesso de ciúmes ao lembrar que ela tinha se arrumado assim para dom Porfirio.
―É minha esposa ―disse com voz seca, descarregando inconscientemente sua raiva repentina sobre o Gerente Geral da concessionária. Mas acabou percebendo o arrebatamento e sentiu a necessidade de se explicar―. Ela tinha uma entrevista de emprego. Com certeza acabou de chegar.
O senhor Rivas soltou o braço dela e limpou a garganta, meio sem jeito, como eu nunca tinha visto ele.
―Claro… Claro… Desculpa, Salvador ―se desculpou o Gerente, surpreendendo ainda mais seu subordinado. Na tela, Sofía movia os lábios, inaudível, diante da dona Dolores, que continuava com a bebê nos braços―. Espero que tenha ido bem no seu entre… ―Naquele momento, de repente, a esplêndida mulher fez um movimento de ombros coquete e ao mesmo tempo elegante para escorregar o vestido até a cintura, deixando seus peitos extraordinários nus e em cores vivas na tela, e o senhor Rivas ficou olhando boquiaberto. Sofía recebeu Janita nos braços e a amamentou com toda ternura, completamente alheia ao espetáculo que estava dando no escritório do marido―. Meu Deus ―balbuciou por fim o outrora inexpugnável Gerente.
Salvador, que também tinha ficado petrificado, acabou reagindo e baixou a tela do laptop às pressas.
―Me manda… seus comentários por e-mail, por favor ―disse o senhor Rivas lentamente, apontando para o documento que havia entregado a Salvador. Depois saiu do escritório tão rápido quanto entrou.
Salvador viu ele fechar a porta. Depois olhou para baixo. Tinha uma ereção bem evidente na calça. Apoiou os cotovelos na mesa, quase tremendo. Cobriu o rosto com as mãos.
«Diabos —disse ele—. Meu chefe acabou de ver as tetas da minha Sofia… E aquele miserável do seu Porfírio. Como ele deve ter curtido esse almoço!».
Depois disso, eu já não conseguia mais esperar pra ver o que ia rolar com o pai dela naquela noite.
Enquanto dirigia seu carro para casa, Salvador sentia uma mistura de sensações que nunca tinha experimentado antes. Ele não conseguia acreditar que seu chefe tinha visto Sofia com os peitos de fora; embora tivesse sido através de uma tela, não deixava de ser inusitado.
Ao chegar no prédio dela, deu de cara com aquele velho que ela tanto detestava.
—Senhor Martinez —disse o zelador, esticando o pescoço.
—Dom Porfirio —Salvador entrou no elevador, supondo que o velho sairia.
No entanto, seu Porfirio não saiu, apertou o número do seu andar. Salvador suspirou e praguejou baixinho.
—Passei a tarde inteira no apartamento dela —comentou seu Porfirio quando as portas se fecharam—. Uma vizinha precisava da minha ajuda, sabe?
—Ah, é? —Salvador olhou pra ele e o porteiro virou sua pose de machão na direção dele, como se tivesse entendido que estava sendo desafiado.
—É. Você nem imagina as vezes que eu tenho que fazer o papel de homem da casa em alguns apartamentos. Haha — disse o velho, zombeteiro, olhando para ele com aquela mistura infame de suficiência e agressividade. Salvador não conseguia acreditar que ele estava falando uma coisa dessas. Será que com isso ele queria dizer que se envolvia com algumas senhoras do prédio? No andar dele? Com a Sofia dele?! — Não deixa de me surpreender o quanto alguns homens podem ser descuidados com suas responsabilidades. Alguns nem do aluguel se encarregam. — Fez um gesto de falsa impressão — Claro que esse não é o seu caso, seu Martinez. Porque na segunda-feira de manhã eu vou poder ir cobrar o aluguel atrasado da sua linda esposa, não é mesmo?
Salvador cerrou os dentes. Como aquele miserável ousava chamar sua Sofia de linda com tanta naturalidade? E como ele tinha se referido ao pagamento do aluguel; não disse cheque, nem dinheiro do aluguel, mas deixou a "moeda" de troca livre para qualquer interpretação. Tentou evitar, mas não conseguiu tirar da cabeça o vestido sexy que sua mulher tinha usado naquela tarde para agradar a vista daquele velho antipático.
—Claro, seu Porfirio, com certeza — ela se forçou a responder com naturalidade, desviando o olhar do porteiro nojento.
—O senhor é um homem de sorte, seu —continuou o velho falando com ele—. Hoje eu comi na sua casa. Sua mulher… —levou os dedos de uma mão à boca e os beijou ruidosamente—…, uma delícia.
O muito safado estava passando dos limites, e Salvador se virou um pouco na direção dele, encarando-o.
—É uma cozinheira excelente e uma anfitriã muito atenciosa — apressou-se em esclarecer dom Porfirio. Em seus olhos brilhava a impertinência —. Cuide dela, que, como ela, uma em um milhão.
Salvador assentiu. Por mais que aquele homem fosse um pé no saco, ele não podia concordar mais com aquilo.
O elevador finalmente chegou ao seu andar e as portas se abriram.
—Diga à dona Sofía que me sinto em dívida com ela — disse dom Porfirio quando Salvador saía do elevador —. Que estarei disponível para qualquer serviço que o senhor não puder atender —. Quando Salvador se virou, indignado, para dizer que não se incomodasse, que não havia nada que ele pudesse fazer na casa dela, as portas do elevador estavam terminando de se fechar; mal conseguiu ver o sorriso confiante e malévolo do veterano porteiro.
—Velho tarado filho da puta —sussurrou Salvador para si mesmo. Queria chutar alguma coisa. Naqueles momentos não conseguia parar de questionar sua fantasia de ver aquele sujeito maldito na cama com sua lindíssima Sofia. Mas ao mesmo tempo despertava um tesão selvagem dentro dele. Era como se aquele desprezo conspirasse com suas fantasias para produzir uma luxúria doentia e potencializada.
Respirou fundo por alguns instantes e depois seguiu pelo corredor do andar. Quando entrou no apartamento, ouviu Sofía cantando uma canção de ninar no quarto, sem dúvida, para sua filhinha. Foi até lá.
—Oi, amor —disse assim que entrou no quarto.
—Oi —sussurrou sua mulher. Sofia estava sentada no sofá da sala.
—Como foi seu dia? — perguntou, e logo depois deu um beijo carinhoso nos lábios dela —. Você almoçou com a dona Dolores e o velho Porfirio?
—Sim —respondeu Sofia, desviando o olhar—. Ficaram um tempo depois do almoço e foram embora.
—E aí? Como foi? — insistiu Salvador. Ele mal conseguia segurar a ansiedade de ouvir da boca da esposa o que tinha acontecido.
—Bom… foi normal —disse Sofía —. A gente comeu…, me vesti toda gostosa, como você queria, pra chamar a atenção do seu Porfi…
—O que você vestiu? — interrompeu Salvador, louco para ouvi-la descrever aquele vestido justo incrível, e como aquele desgraçado tinha olhado para ela.
—É… isso — disse ela logo em seguida, apontando para a roupa que estava usando —. Por quê? Você ach… acha que foi ousado demais?

Salvador congelou por um instante. Sabia que Sofia estava mentindo. Não só porque a tinha visto pela câmera, mas porque a voz dela falhou um pouco e ela desviou o olhar. Não entendia por que sua mulher escondia a verdade dele. Ficou inquieto. Não podia desmascarar a mentira dela sem confessar o da câmera, e naquele exato momento a capacidade de observá-la sem que ela soubesse tinha ganhado uma relevância muito maior.
—Não… —disse ela, finalmente, tentando esconder sua inquietação—. Acho que você está muito bem. O velho Porfirio deve ter se deliciado com os olhos.
Sua esposa sorriu de um jeito estranho com as palavras dele.
—Disso você pode ter certeza —respondeu Sofia, se aproximando dele.
—Bom, tenho que ir, não falta muito pro meu pai chegar e não quero que ele me encontre aqui.
Salvador deu um beijo de despedida na esposa e saiu. Seu coração batia forte. Ele estava deixando sua amada esposa nas mãos do pai dele, um bom homem, um cara em quem confiava. No entanto, era um homem e sua esposa era uma mulher atraente demais, sexy demais, um verdadeiro tesão.
O relógio do celular dela já marcava mais de dez da noite quando chegou ao hotel onde ia se hospedar, estacionou o carro e correu para entrar, pediu o quarto que havia reservado e foi direto para lá, logo depois de entrar no quarto tirou o laptop e colocou numa mesa que ficava em frente à cama, o computador ligou, clicou no ícone das câmeras e apareceu a sala da casa dela, havia silêncio, pelo visto o pai dela ainda não tinha chegado, estava prestes a mudar para a outra câmera para olhar o quarto dela quando de repente viu a esposa saindo do quarto, a surpresa foi grande, ela tinha colocado de novo o mesmo vestido cor de água que usou no almoço com dona Dolores e o velho Porfirio. Não entendia o que estava acontecendo de verdade, porque ela não tinha sido sincera com ele sobre a roupa que usou no almoço e que usaria também com o pai dele. Uma onda de tesão veio na hora, em alguns minutos o pai dele chegaria e a encontraria sozinha vestindo aquele vestido provocante, sentiu o pau endurecendo naquele instante.
Ele viu como a esposa se sentou na sala, dava pra notar que estava nervosa, ligou a TV e cruzou os braços se ajeitando no sofá, esperando o sogro.

Naquele momento a campainha tocou. Sofía se levantou, respirou fundo e foi até a porta; abriu.
—Boa noite, Pastor —disse ela. Desde que se conheceram, ela às vezes o chamava pelo nome, e outras vezes simplesmente "sogro", era como se decidisse aleatoriamente como queria chamá-lo cada vez que o via.
O sogro ficou atônito ao ver o espetáculo de mulher que tinha aparecido na frente dele.
—Nora... boa... boa noite —Ele não soube o que mais dizer, dava pra ver que não esperava encontrar a sua linda nora vestida daquele jeito.
—Que bom que você já está aqui, entre por favor. — Ele se afastou para deixar passar.
O pai de Salvador entrou lentamente, suas pernas tremiam, talvez pelos nervos ou talvez pela excitação que estava sentindo.
—O Salvador me disse que você tá meio doente. É grave?
—Não, nada disso —respondeu Sofia. Salvador sentiu admiração pela calma que ela mostrava de repente —. É só uma anemia e falta de sono.
—Ah, tinha ficado preocupado —disse Pastor, com uma mão no peito.
—Não tinha motivo —afirmou Sofía —. Mas obrigada, sogro. —Quer um café?
—Sim, obrigado, Sofia. Respondeu Pastor ainda nervoso.
Sofía se virou para a cozinha sem esperar resposta, o vestido colava nos quadris a cada passo e subia só um pouquinho mais por trás. Pastor ficou parado na sala, o olhar cravado nessas pernas nuas até quase a coxa.
—Sozinho? —ela perguntou da soleira, já com a xícara na mão—. Ou você quer que eu ponha alguma coisa?
—Só… tá tudo bem —respondeu ele, a voz mais grave que o normal. Passou a mão pela nuca —. E a menina? Já tá dormindo?
Sofía voltou para a sala com uma xícara de café nas mãos, os saltos ecoando a cada passo, aumentando a excitação do homem.
—Faz um tempinho. —Sofía estendeu o café para ele e se sentou ao lado do sogro. Seus dedos roçaram os dele ao entregar a xícara.
Pastor segurou a xícara com as duas mãos, o vapor subindo pro rosto. Não conseguia parar de olhar o decote dela; cada vez que Sofía respirava, o tecido esticava mais um pouco.
—. Sogro, queria agradecer por ter vindo essa noite cuidar da gente, me incomoda que você tenha se dado esse trabalho, mas sério, me sinto mais protegida tendo um homem em casa, além disso com esse remédio que o médico receitou ela ficou apagada a noite toda e me angustia pensar que meu bebê chore e chore e ninguém atenda.
O Pastor adorou o que ela estava dizendo, naquele momento ele era o homem da casa. —É verdade que esse comprimido é tão forte assim? —perguntou Pastor meio incrédulo—. Digo…, parece inacreditável que a bebê, chorando aos pulmões, não te acorde.
Sofía hesitou e desviou o olhar. Salvador percebeu que ela estava pensando, ou melhor, duvidando de tudo o que estavam fazendo. Ficou nervoso, o semblante da sua mulher gostosa parecia angustiado.
—É verdade —disse no entanto Sofia—. Anteontem à noite, Salvador me disse que até tentou me acordar me sacudindo, e eu não reagi, continuei dormindo como uma pedra. Por isso ele estava tão preocupado e pediu que você ficasse com a gente.
«Estupendo, meu amor —disse Salvador para si mesmo». O que Sofía acabara de dizer era muito provocante para alguém com planos obscuros. A pergunta era: será que o pai dela os tinha?
—Uf, parece coisa de filme —ouviu Pastor dizer com um certo nervosismo —. Mas você não precisa se preocupar. Quando o Salvador era bebê e acordava de noite, era eu o encarregado de passear com ele até ele voltar a dormir. Tenho o ouvido e a paciência bem treinados.
—Eu acredito, sogro, mas se ela acordar, te garanto que não vai voltar a dormir até tomar o seu cum. Eu conheço essa porquinha comilona, na geladeira tem uma mamadeira onde guardei um pouco de cum. Se ela acordar, você deve esquentar em banho-maria, mas antes de dar, tem que verificar se não está muito quente, entendeu?
O marido martirizado achou ter visto os olhos do pai inspecionarem por um instante as gloriosas produtoras de porra da sua nora, que, parada na frente dele, parecia mostrá-las com orgulho.
O pastor se engasgou com a própria saliva e limpou a garganta.
—Claro, nora. Não esqueci como se faz —disse ele depois—. Não se preocupa.

Sofía olhou pra ele com uma ternura estranha, acariciou o braço dele e agradeceu de novo por ele estar ali pra ajudar eles. Salvador desejou com todas as suas forças que a esposa fosse mais ousada e chegasse perto pra beijar o pai dele.
Mas, claro, isso não aconteceu, Sofía só olhou pra ele com gratidão.
Sofía se ajeitou no sofá, cruzou as pernas devagar e o vestido subiu mais um pouco, deixando quase toda a coxa à mostra.
—Acho que é muito cedo pra ir pra cama. —Quer ver um filme comigo, sogro?
—Um filme? —ela repetiu, como se precisasse de tempo para processar.
—Sim, claro, se você quiser ou preferir, posso ir pro meu quarto e deixar você descansar.
Ele negou com a cabeça quase de imediato. —Não… claro… digo… por que não?, faz um tempão que não vejo uma.
De onde eu estava, dava pra ver, sem disfarçar muito, como o decote se movia com a respiração dela e como o tecido do vestido esticava nas coxas toda vez que ela cruzava ou descruzava as pernas.
—O que… o que você quer ver? —perguntou Pastor, a voz um pouco mais baixa. Suas mãos descansavam sobre os joelhos, rígidas.
Sofía se inclinou sobre a mesa para pegar o controle remoto. O movimento fez o vestido grudar mais nela, esticando especificamente na parte da bunda, e obviamente Pastor fixou o olhar bem ali.
—Algo que nos entretenha —murmurou ela, olhando de esguelha para ele.
Sofia escolheu um filme romântico, era o gênero que ela mais gostava. O filme começou, mas Pastor mal registrou as primeiras cenas. Estava sentado rígido no sofá, o corpo virado levemente na direção dela sem querer, e cada vez que Sofia se mexia — uma troca de pernas, um suspiro, o leve roçar do braço dela contra o dele — sua atenção ia completamente embora. O vestido estava subido muito acima da metade da coxa, tinha certeza de que se ficasse de pé na frente dela poderia ver a calcinha que ela estava usando. O decote, com a luz baixa da sala, projetava sombra entre os peitos dela e se movia a cada respiração lenta.
Pastor apertou as mãos sobre os joelhos. Sentia o calor subir pelo pescoço. Tentava olhar para a tela, mas seus olhos voltavam uma e outra vez para as pernas nuas e o decote da sua nora. Não era só a roupa tão ousada que ela estava usando. Era como ela estava ali, tão perto, cheirando aquele perfume tão feminino, sem se afastar completamente, como se não se importasse que o sogro estivesse olhando para ela daquele jeito.
Sofía, de rabo de olho, notou como ele não prestava atenção no filme. Não disse nada. Só se ajeitou um pouco mais, quando já tinha passado mais da metade do filme Sofía fingiu estar com sono ou pelo menos foi o que Salvador pensou do hotel de onde observava tudo, e notou como sua esposa se acomodava no sofá e discretamente encostou um pouco a cabeça no ombro do sogro.
O pastor estava fascinado com a ação sem saber o que fazer, timidamente colocou a mão no joelho da sua nora, a mão tremia, mas ao notar que Sofia não acordava ou pelo menos era o que ele pensava, subiu um pouco mais acariciando sua coxa atlética.

Ficaram assim até os créditos começarem a subir, Pastor retirou lentamente a mão e falou com ela.
—Nora… nora —eu acariciava a bochecha dela enquanto a acordava.
Ela abriu os olhos devagar e se levantou meio surpresa por estar deitada no sogro.
—Ai, sogro… acabei dormindo, hehe. —Ela esticou os braços e o movimento fez o decote abrir mais. Virou-se para ele com um sorrisinho.
—Bom, acho que já é hora de dormir — disse ela, com a voz suave —. Deixei um cobertor e um travesseiro ali. O sofá não é muito grande, mas pelo menos você não vai ficar desconfortável.
Entrou no quarto, foi até o armário e pegou um cobertor e um travesseiro lá de cima, depois voltou pra sala.
—Aqui está. Sinto muito que você tenha que dormir no sofá — disse Sofía —. A gente deveria ter um sofá-cama pra essas situações.
—Esse sofá enorme fica perfeito pra mim — garantiu Pastor —. Além do mais, na minha idade eu já durmo menos. Vou ver um pouco mais de televisão. Mas não se preocupa que eu vou deixar baixinho pra não te acordar.
Sofía riu da piada e deu um tapinha provocante no peito dele. Salvador não se lembrava de tê-los visto alguma vez em uma situação tão íntima. No entanto, pensou que o mais provável era que estivesse vendo coisas onde não havia; dada a sua ansiedade, era de se esperar.
Viu que ficaram se olhando por um segundo sem dizer nada. Depois de um momento, ela desviou o olhar e ele aproveitou pra cravar os olhos de novo no decote dela.
—Ai. Já é tarde. Tenho que tomar o comprimido — disse Sofía.
—Sim —disse Pastor
—Vou pro meu quarto, durma bem, sogro, vou deixar a porta entreaberta pra você poder ouvir a Janita se ela acordar.
—Claro, vou ficar de olho… —conseguiu balbuciar Pastor.
Ele deu um último sorriso e foi em direção ao quarto.
O vestido grudou no corpo dela, subiu mais um pouco por trás. Pastor ficou parado na sala, as mãos apertadas, o olhar fixo na bunda e nas pernas da sua nora.

Ao entrar no quarto dela, Salvador viu como sua mulher começou a tirar o vestido, sentiu um tesão especial, pois ela estava fazendo isso escondido, ele a espiando sem que ela tivesse a menor suspeita de que estava sendo observada.
O movimento de quadril que sua linda esposa fez para ir arrastando aquele minivestido através das suas formas curvilíneas pareceu incrivelmente sensual para ele; ainda mais quando em primeiro plano apareceu aquele tremendo bundão fitness mal protegido por uma calcinha fio-dental. Com os pés, com movimentos elegantes, diante dos olhos atentos do marido no hotel, a esposa se livrou dos sapatos de salto agulha que trazia, e no final pegou as bordas do fio-dental e também deslizou entre suas pernas tonificadas até cair pelos tornozelos no chão.
Assim, completamente pelada, ela se aproximou do armário e pegou uma toalha. Depois entrou no banheiro e um minuto depois dava pra ouvir claramente o som do chuveiro rolando.
Salvador suspirou. Apesar de não ter acontecido nada evidente entre sua mulher e seu pai, ele estava muito excitado com tudo o que estava rolando. Não era incomum Sofia tomar um banho antes de dormir; aquilo a relaxava, e diante da tremenda tensão que ela devia estar sentindo era perfeitamente normal que tomasse um banho, mas Salvador, com a mente afetada pelo tesão que aquela situação promissora lhe provocava, preferiu pensar que sua mulher estava se preparando para o sogro, algo que, como um círculo vicioso, aumentava ainda mais seus ânimos perversos, fazendo-o afundar ainda mais fundo naquela vontade doentia de ver sua gostosa da Sofia nas mãos do pai dele.
Então o marido já perturbado percebeu algo que o deixou completamente sem palavras diante da tela brilhante do quarto de hotel: Salvador contemplou atônito como a porta se movia suavemente, permitindo que a escuridão atrás dela aos poucos tomasse as formas da única pessoa que poderia estar empurrando-a do corredor: seu pai.
Pastor entrou no quarto com muito cuidado. Salvador o viu deslizar na ponta dos pés, olhando com certa preocupação para a porta do banheiro. Vestia uma calça de dormir e uma camiseta um pouco mais justa ali na barriga de sessentão; com certeza era o pijama que tinha trazido para passar a noite na sala. Andava como um bandido. Não trazia sapatos, e as grossas meias com losangos que usava permitiam que ele se movesse pelo quarto sem fazer nenhum barulho. O homem maduro se movia desengonçado, como uma alimaça, pensou Salvador, mas o que mais causava indignação ao pobre filho era ver que seu amado progenitor tinha uma tremenda ereção na calça do pijama.
O bandido, que antes era um homem irrepreensível aos olhos dela, avançou até o berço, olhou dentro por um instante e depois para a porta do banheiro. Em seguida, olhou para todos os lados, até que baixou o olhar e percebeu que as roupas de Sofía estavam jogadas no chão. Aproximou-se mantendo a atenção na porta do banheiro, e a primeira coisa que pegou foi a fio-dental da nora, segurou com as duas mãos e levou ao nariz, fechou os olhos e deu um forte suspiro.
Salvador não podia acreditar no que estava vendo. Seu pai estava se deliciando com os cheiros mais íntimos da sua mulher, e ele observava tudo cheio de tesão. Já tinha sonhado com isso muitas vezes, mas nunca pensou que veria com os próprios olhos, escondido sem que ninguém pudesse identificar seu fetiche, seu tesão, sua excitação diante da ideia de quais outros homens vão aproveitar a beleza e as qualidades mais lindas da sua preciosa Sofia.
De repente, o barulho do chuveiro parou, a água deixou de cair, e tanto Salvador quanto seu pai perceberam que Sofía estava prestes a sair do banho, nua, molhada, limpinha, lindíssima. O marido excitado viu que seu pai olhava para a porta do banheiro, para o quarto ao redor e para a porta que dava para o corredor. Salvador entendeu que ele estava se questionando. Estava com vontade de ficar, com vontade de esperá-la e se plantar na frente dela de pau duro, com vontade de apalpar e beijar ela toda… Estava com vontade de comer ela à força.
—Faz —sussurrou Salvador, tomado pela tesão, segurando a forte ereção que pulsava sob a calça—. Ele te deixou, papai. Te emprestou. —Mas não foi assim, Salvador presenciou o homem cheirar a peça uma última vez para depois jogá-la de volta no chão, saiu do quarto e empurrou a porta. No entanto, Salvador percebeu que ele não a fechou por completo, como a tinha encontrado, mas deixou uma fresta aberta, deixando a possibilidade de contemplar a bela Sofía saindo do banheiro, uma janela para o paraíso.
Salvador não aguentava mais de tesão. Não sabia o que fazer. Tinha uma ereção enorme, estava supernervoso. Gritava de emoção, pegava no próprio rosto, sacudia o cabelo, mas não conseguia desgrudar os olhos daquela tela. Os minutos passaram, viraram eternos, até que de repente a porta do banheiro se abriu e Sofía voltou a dar as caras no quarto. O corpo dela estava enrolado naquela toalha rosa que Salvador já tinha visto tantas vezes no corpo da mulher; porém, saber que estava compartilhando essa visão com o próprio pai o deixava louco. Sofía vinha com outra toalha menor amarrada no cabelo. Estava linda, exuberante. A toalha rosa mal cobria um pouco abaixo daquela bunda gostosa, as pernas dela estavam gloriosas, tão lindas, tão bem torneadas. Ela se moveu de um jeito muito elegante e feminino, chegou à cama e sentou na beirada, levantou as mãos para, com a toalha que trazia no cabelo, esfregar os fios. De repente Sofía olhou para a porta do quarto, assustada talvez com algum som que Salvador foi incapaz de perceber. Ficou olhando por um segundo, mas não fez nada, simplesmente voltou a arrumar os lindos cabelos com os dedos.

Desconfiaria que o pai dela estava atrás daquela fresta? Salvador não sabia, mas esperava que sim. Doente de tesão como estava, não conseguia pensar em outra coisa. Sua bela Sofia, tão elegante, tão sensual. Queria pensar que ela estava se exibindo, que estava provocando outro homem, queria pensar que Sofia sabia que o pai dela estava ali atrás, ali no corredor, no escuro, admirando a sua figura e todos os seus atos íntimos. Sofia de repente se levantou e se aproximou do armário, abriu uma gaveta e pegou uma peça que brilhou sob a luz fraca do quarto. Salvador reconheceu a babydoll prateada que ficava tão linda na sua preciosa Sofia. O conjunto não era mais que uma camisolinha com rendas de alcinhas finas e uma calcinha pequena que mal cobria metade da bunda dela. Salvador já tinha visto várias vezes e não podia acreditar que naquele momento outro homem ia ser testemunha de como aquela peça se ajustava maravilhosamente no corpo extraordinário da sua mulher.
Enquanto Salvador se extasiava ao compartilhar a beleza da esposa com o próprio pai, aconteceu o que o marido insano tanto desejava: a toalha rosa caiu no chão e o corpão esplendoroso de Sofía ficou completamente nu, de pé no quarto.
Salvador caiu de joelhos diante da tela do quarto de hotel.
—Você é uma gostosa — reverenciou a figura incrível e sensual de Sofia. Então percebeu que a porta do quarto, atrás da sua linda e nua mulher, vibrou por um segundo.
Com certeza Pastor estava contemplando as pernas lindas da sua Sofía, gozando lá no alto naquele rabo lindo e redondo, o orgulho de uma escultura fitness, as costas extraordinárias, lisas, planas, lindas, femininas, coroadas por aquela cabeleira castanho-clara; enfim, uma silhueta infernalmente sensual.
—Vira, meu amor. Mostra pro meu pai essas suas tetas enormes e seus pelinhos de amazona — disse Salvador com paixão, ficando ainda mais excitado com a ideia de que sua mulher seguisse suas instruções e se exibisse, obediente, diante dos olhos desejosos de outro macho.
Eu queria que Sofía mostrasse pro Pastor aquele pelo pubiano macio, e seus peitos enormes, essas tetas que já tinham sido admiradas pelo chefe dela e que agora deviam dar prazer ao pai dela.
Salvador não conseguiu se segurar mais e desabotoou o short. Precisava se tocar, precisava satisfazer esse tesão que o queimava. Sua mulher estava sendo espiada pelo sogro, que como um voyeur pervertido a observava trocar de roupa, recém-saída do banho, com sua pele linda e cuidada, limpinha, provavelmente cheirando àqueles cremes que agora ela costumava passar depois de se lavar.
O marido extasiado se jogou na cama do hotel sem calça e começou a bater uma enquanto via sua preciosa esposa nua pela televisão. Queria acreditar que Sofía sabia que Pastor a espiava pela porta entreaberta do quarto, que seu sogro, muito provavelmente, assim como ele, estava apertando o pau diante do tesão que lhe dava contemplar escondido o corpo escultural da sua nora.
Salvador apertava com força, de cima a baixo, esperando ansiosamente que seu pai não aguentasse mais, entrasse de repente no quarto e se jogasse sobre Sofia, sua preciosa Sofia.
Mas isso não aconteceu. E ele viu como sua esposa começou a vestir o babydoll. Observou-a levantar uma perna de cada vez para depois subir pelas pernas a calcinha do conjunto, que já na metade da coxa se mostrava pequena para formas tão generosas; os esforços que Sofia teve que fazer para arrastar a pequena peça íntima por suas pernas poderosas e vesti-la sobre seus glúteos bem torneados terminaram numa pose das mais provocantes, principalmente para quem pudesse estar observando da porta, já que a supostamente ingênua beldade abriu as pernas para ajustar a calcinha e depois se espreguiçou, empinando a bunda e erguendo as costas, ao mesmo tempo que puxava as tiras dos dois lados da pequena calcinha. Aquela pose não podia ser mais provocante, pensou Salvador.
—Vai, papai. Toma, toma —dizia o marido desesperado—. Eu te empresto. Entra e toca, lambe, aperta… Possui.
Sofía pegou a camisola do babydoll e acabou vestindo por cima da cabeça com movimentos tão femininos quanto elegantes. Já não estava nua, mas o conjunto caía tão bem, tão provocante, que mais parecia uma roupa de noiva do que um babydoll para dormir, um instrumento para despertar os instintos machos de um homem. Então a solitária esposa se virou, mostrando finalmente para a porta o decote extraordinário que exibia, já que a camisola claramente não foi desenhada para uma mulher do tamanho de Sofía. Ambos os peitos transbordavam as copas estreitas da peça, não só pelo centro, onde os seios se encontravam e se apertavam entre si, mas também pelas laterais, onde uma generosa porção de peito aparecia redonda e firme de cada lado.

Salvador percebeu que sua mulher evitava olhar para a porta. Quanto mais convencido ficava de que Sofia intuía a presença do sogro espiando-a, mais excitado ele ficava. A ponta do seu pau estava banhada de fluidos pré-seminais que até escorriam pela mão que apertava seu membro ereto. Sua glande palpitava, inchando até quase explodir.
Salvador soltou o pau pra evitar gozar. Queria continuar curtindo e fugir da culpa que certamente o pegaria assim que o tesão do fetiche dele fosse saciado.
Então, um pouco mais relaxado, ele viu que Sofía voltou ao banheiro e retornou com um copo d'água na mão. A bela esposa pegou uma cartela de comprimidos na mesinha de cabeceira, tirou um, levou à boca e depois deu um bom gole no copo d'água. Para Salvador isso foi mais do que revelador. Não havia mais dúvida. Sofía sabia, ou pelo menos suspeitava, que o pai estava espionando ela, senão não teria feito aquele show com o comprimido… Com certeza era aquele comprimido que ela tomava sempre pra academia.
Então Sofia se enfiou na cama, se ajeitou de lado, de costas pra porta, e apagou a luz do abajur. Salvador ficou na expectativa de que algo acontecesse, mas não rolou nada.
Mudei a câmera para a sala e vi como seu pai voltou com as pernas tremendo, provavelmente de tesão, sentou no sofá e segurou a cabeça com as mãos, por um momento olhava para o quarto da nora e voltava o olhar, dava pra ver que ele estava desesperado pra fazer alguma coisa.
Não passaram nem 10 minutos quando Salvador observou que seu pai foi até a cozinha, pegou a mamadeira da neta e se dirigiu ao quarto.
Salvador arregalou os olhos feito pratos, super atento ao que ia acontecer.
Pastor entrou devagar no quarto.
—Nora —ouviu ela chamar.
Não houve resposta. Sofia não se moveu.
—Nora —chamou de novo, mais alto.
Nada mudou.
Numa mão ela trazia o celular com a tela acesa, na outra tinha a mamadeira.
—Nora… Sofia.
Sofía continuou imutável. Salvador não tinha certeza se ela dormia. O pai dela se aproximou do berço e olhou lá dentro. Seu rosto era uma mistura confusa de culpa e arrependimento.
—Sinto muito, pequena — murmurou com ternura e pena. Depois voltou a iluminar a cama, a Sofia, que dormia tranquilamente. Seu braço mal cobria o peito direito, a pele lisa do ombro e das costas se mostrava magnífica, e seus cabelos espalhados sobre o travesseiro deixavam à mostra seu pescoço longo e elegante.
—Nora, a Janita acordou —disse Pastor, se aproximando da cama. Então Salvador observou como seu pai destampou a mamadeira e virou ela na boca, bebeu todo o conteúdo com gosto, até enfiando a língua no pequeno recipiente pra resgatar até a última gota—. Ela tomou toda a sua porra, Nora… E eu preciso de mais caso ela acorde de novo… Nora… Nora —continuou chamando ela enquanto se sentava ao lado dela na cama—. Eu preciso de mais porra.
FIM DO CAPÍTULO 5.
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