Louvor e Submissão - Capítulo 10: A Recompensa e a Corrente

Louvor e Submissão - Capítulo 10: A Recompensa e a CorrenteMaría Elena jazia na escuridão, um novelo de nervos e expectativa. O ar do seu quarto estava espesso, carregado com o eco da sua confissão transgressora e o cheiro do seu próprio sexo. Cada músculo estava tenso, esperando. Não sabia se temia ou ansiava a chegada de Alejandro. Ambas as coisas, supôs. Ambas as coisas ao mesmo tempo.

As escadas rangeram. Não eram os passos pesados e seguros de um homem que sobe para o seu quarto. Eram silenciosos, furtivos, os passos de um predador. A porta se abriu sem um som e se fechou com a mesma quietude. Ele estava ali. Não o via, mas o sentia. Sua presença preenchia o quarto, uma presença que era ao mesmo tempo ameaçadora e reconfortante.

Um fósforo riscou na penumbra, iluminando seu rosto por um instante. Acendeu uma vela na mesinha de cabeceira. A luz tremulante lançava sombras dançantes nas paredes, transformando seu quarto familiar em uma câmara secreta.

—Você se comportou bem, María Elena —disse sua voz, um murmúrio baixo e aprovador que a fez estremecer.

Aproximou-se da cama, mas não se deitou. Ficou de pé, observando-a, como um colecionador examinando uma peça preciosa e recém-adquirida.

—Você cumpriu sua primeira ordem. Superou sua primeira prova. E isso... me excita.

Desabotoou lentamente a camisa, revelando seu torso, marcado não apenas por músculos, mas por uma fina cicatriz que cruzava seu peitoral. María Elena sentiu o impulso de perguntar, de conhecer sua história, mas se conteve. Não era seu lugar. Seu lugar era observar.

—Agora —disse ele, aproximando a mão da vela—. A recompensa.

Com uma delicadeza que a aterrorizou, inclinou a vela. Uma gota de cera quente caiu sobre sua barriga. María Elena gritou, não de dor, mas de surpresa. A sensação foi aguda e intensa, um calor pungente que se dissipou rapidamente, deixando um zumbido prazeroso na sua pele.

—Sinta —ordenou ele—. Sinta como a dor se transforma em prazer. Sinta como seu corpo se rende a mim, não apenas com a mente, mas com a carne. Outra gota caiu, desta vez sobre seu peito, perto do mamilo. María Elena arquearam as costas, uma mistura de pânico e êxtase percorrendo-a. Era uma loucura. Era uma violação. Mas também era a coisa mais intensa que ela já havia sentido. Alejandro se deitou ao lado dela, seu corpo quente junto ao dela. Suas mãos substituíram a cera, seus dedos frios contrastando com o calor das marcas recém-feitas. —Você aprendeu uma lição importante esta noite —murmurou ele, enquanto suas mãos exploravam seu corpo—. Você aprendeu que sua submissão não é apenas mental. É física. É total. Você aprendeu que seu filho é uma extensão de mim, um canal através do qual você pode me satisfazer. —Foi... horrível —sussurrou ela, com a voz embargada—. E... e excitante. —Exato —disse ele, e sua mão encontrou sua virilha, já molhada e pronta—. Essa é a dualidade. Esse é o segredo. O horror e o êxtase são duas faces da mesma moeda. E você, minha querida María Elena, está aprendendo a ser a dona dessa moeda. Ele a penetrou então, não com suavidade, mas com uma possessão que lhe roubou o fôlego. Cada investida era uma afirmação de seu poder, cada gemido dela uma confirmação de sua submissão. Enquanto a tomava, ele falava, suas palavras um veneno doce que a corrompia e a completava. —Em breve, você não apenas falará com ele —sussurrou ele em seu ouvido, seu ritmo se tornando mais rápido, mais brutal—. Em breve, você o verá. Você o verá com Valentina. Vocês os observarão. Você me dará um relatório detalhado do progresso deles. E quando ele estiver pronto... quando Valentina estiver pronta... você os iniciará nos verdadeiros prazeres. Você ensinará a ele a dominar, e a ela a se submeter. Você será a sacerdotisa do templo secreto deles. A imagem a inundou, uma imagem tão perversa, tão excitante, que a empurrou para o limite. Ela, ensinando a namorada de seu filho a ser submissa. Ela, observando-os, informando a Alejandro. O orgasmo a atingiu como um tsunami, uma onda de prazer tão avassaladora que a deixou inconsciente. por alguns segundos.

Quando recuperou a consciência, Alejandro estava deitado ao seu lado, fumando um cigarro. A fumaça subia na luz da vela, como a alma de um demônio satisfeito.

—Amanhã você começa com a Valentina —disse ele, sem olhá-la—. Você vai ligar pra ela. Vai se aproximar como a mãe compreensiva. Vai falar sobre "liberdade" no relacionamento. Vai dar livros pra ela, falar sobre confiança, sobre entrega. Vai prepará-la pra mim. Pra nós.

—E... e a Sofia? —perguntou María Elena, o nome da irmã saindo dos seus lábios antes que pudesse se conter—. O que acontece com ela?

Alejandro sorriu, um sorriso lento e perigoso. Virou-se pra olhá-la, e nos seus olhos havia uma escuridão que a fez tremer.

—Ah, Sofia. Minha irmã. Minha... outra submissa. Já faz anos que é assim, María Elena. Anos aprendendo a me satisfazer. Anos sendo minha de corpo e alma. Ela é perfeita. Obediente. Devota. E em breve... em breve você vai ser como ela. Ou talvez... melhor. Talvez você e ela juntas... possam me satisfazer de formas que eu nem sequer imaginei.

A revelação a atingiu como um soco no estômago. Incesto. A palavra ecoou na sua cabeça. Alejandro e a irmã dele. Não era só um jogo. Era a vida dele. E ele queria que ela se juntasse a esse mundo.

—Não... —começou ela, mas ele colocou um dedo sobre os seus lábios.

—Sim —disse ele, sua voz deixando de ser sedutora pra se tornar uma ordem de aço—. Você vai fazer. Porque você me pertence. Porque o seu prazer, a sua dor, a sua vontade... tudo me pertence. E se alguma vez duvidar, se alguma vez se rebelar... só precisa lembrar do rosto do seu filho. Lembra da conversa desta noite. E lembra que eu sou o dono desse segredo. E do seu também.

Levantou-se, se vestiu e foi embora, deixando-a sozinha no escuro, com a vela tremulando e o cheiro de sexo e cera no ar. María Elena ficou ali, tremendo, não de frio, mas pelo arrepio da verdade. Estava presa. Estava envenenada. E, o pior de tudo, uma parte escura e retorcida de si mesma estava ansiosa pra ver o que vinha depois. Na manhã seguinte, o mundo lá fora a atingiu com sua normalidade brutal. Enquanto preparava o café da manhã pros gêmeos, Lucía e Mateo, sua mãe entrou na cozinha. —Filha, vi o Alejandro saindo da sua loja muito tarde ontem à noite. E de novo de madrugada. O que tá rolando entre vocês? María Elena sentiu o pânico congelá-la. Forçou um sorriso, o sorriso da mãe abnegada, o sorriso da irmã exemplar. —Nada, mãe. Ele só tá ajudando com uns problemas de internet no apartamento de cima. Ele é muito gentil. Mas nos olhos da sua mãe, viu uma dúvida que não estava lá antes. Uma sombra de suspeita. E soube que a cidade, com suas fofocas e seus olhares, já estava começando a construir sua própria versão da história. Uma versão que não fazia ideia da metade da verdade. Enquanto servia o cereal pros seus filhos, beijando suas testas, ajeitando seus lacinhos, María Elena interpretava seu papel à perfeição. Era a mãe perfeita. Mas por baixo daquela máscara, uma nova mulher estava emergindo. Continua........

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