
///Você pode ver a lista de capítulos disponíveis atuais dessa história no seguinte link: Minha Gostosa da Sogra///
Algumas pessoas me perguntaram se eu tinha Patreon. É esteAnnie Zarel
>>>>>>><<<<<<<Na noite de domingo a casa estava em silêncio.
A janela do quarto estava entreaberta e deixava entrar uma brisa suave que mal movia as cortinas. Lá fora, a cidade continuava com seu ritmo distante: carros passando ao longe, algum cachorro latindo em outra rua, o murmúrio constante que nunca desaparece de todo.
Lisa estava deitada ao meu lado.
Ainda recuperava o fôlego.
Sua cabeça descansava sobre meu peito e um dos seus braços cruzava meu abdômen com a familiaridade de alguém que conhece cada canto daquele corpo.
Tínhamos acabado de fazer amor.
Não tinha sido algo especialmente intenso, mas sim íntimo. Daqueles encontros que nascem mais da proximidade do que do impulso. Depois do passeio na praia tínhamos retomado certa regularidade, embora o trabalho continuasse ocupando grande parte das nossas semanas.
Senti como sua respiração se estabilizava aos poucos.
Passaram-se alguns segundos de silêncio.
Depois ela falou.
—Nelson…
—Sim?
Levantou um pouco a cabeça para me olhar.
Havia algo diferente na sua expressão. Não era nervosismo exatamente, mas sim uma concentração que não estava ali alguns minutos antes.
—Tenho pensado em uma coisa.
Esperei.
—Sobre a gravidez.
Não era um tema novo.
Tínhamos mencionado várias vezes durante o último ano, sempre de forma gradual, sem pressão. Nós dois sabíamos que queríamos filhos, mas também sabíamos que primeiro precisávamos de estabilidade.
Trabalho.
Poupança.
Um espaço próprio onde crescer.
Durante muito tempo essas coisas tinham sido prioridade.
Agora… parecia que a ordem das coisas começava a mudar.
Lisa se ajeitou sobre o colchão, apoiando-se em um cotovelo.
—Estive pesquisando algumas coisas esta semana —continuou—. Sobre fertilidade… ciclos… ovulação… tudo isso.
Assenti lentamente.
—E marquei uma consulta médica.
—É?
—Quarta-feira.
Seu tom era tranquilo, mas a decisão por trás dessas palavras era evidente.
—Quero me assegurar de que está tudo bem —acrescentou—. Que não tenhamos problemas quando começarmos a tentar pra valer. A palavra tentar ficou pairando no ar por um momento. Eu sabia o que isso implicava. Mais disciplina. Mais atenção aos horários. Mais encontros planejados do que espontâneos. A construção de algo novo. Lisa voltou a se deitar sobre meu peito. —Já temos o que queríamos —disse baixinho—. Estabilidade… trabalho… nossa casa… Sua mão se movia distraidamente sobre meu torso. —Acho que é hora de começar nossa família. Fiquei em silêncio por alguns segundos. Não porque duvidava. Eu queria filhos. Sempre quis. Mas ouvir essas palavras em voz alta dava ao assunto uma dimensão mais concreta. Mais imediata. —Acho ótimo —disse finalmente. Lisa levantou o olhar de novo. —É? —É. Sorriu. Não era um sorriso grande, mas um daqueles que aparecem devagar, como se a emoção precisasse se acomodar antes de se mostrar. —Então é continuar tentando. Soltei uma risadinha. —Isso soa mais divertido do que realmente é. —Não reclama —respondeu—. Não é uma tarefa ruim. Ficamos um momento em silêncio. Depois ela acrescentou mais uma coisa. —Também andei pensando em outra coisa. —O quê? —Quero passar mais tempo com meus pais. Virei levemente a cabeça pra olhar pra ela. —Mais tempo? —É… ultimamente a gente vê eles pouco. Durante a semana quase nunca, e quando vê é rapidinho. Sua voz tinha um tom reflexivo. —Eu gostaria de visitá-los mais seguido. Não era uma ideia estranha. Lisa sempre foi muito próxima da família. —Tava pensando que a gente podia ir todo fim de semana —continuou—. Pelo menos pra almoçar ou passar a tarde. A imagem apareceu imediatamente na minha mente. A casa dos meus sogros. O quintal. A churrasqueira. E, quase sem querer, outra figura mais clara entre todas essas cenas. María. Seu vestido se movendo suavemente enquanto ela caminhava entre a cozinha e a mesa. A curva dos quadris dela. A lembrança da renda entre meus dedos. Me obriguei a afastar esse pensamento. —Acho que tá bom —falei. Lisa levantou a cabeça de novo. —Sério? —Claro. Ela sorriu com mais empolgação agora. —Perfeito. Se ajeitou de novo contra mim. —Além disso, a mamãe já tinha me falado algo parecido. —Ah é? —Sim… que ela gostaria que a gente fosse mais vezes. Isso não me surpreendia. María sempre teve esse jeito tranquilo de cuidar da família, mesmo quando não falava diretamente. Lisa bocejou de leve. —Vou dormir. Apagamos a luz. O quarto ficou na penumbra. A respiração dela começou a ficar profunda poucos minutos depois. Mas eu fiquei acordado mais um tempo. Não pensando na gravidez. Nem no trabalho. Nem mesmo no plano de visitar os pais dela todo fim de semana. Minha mente voltava, inevitavelmente, para outro lugar. Para o banheiro da casa dos meus sogros. Para a prateleira. Para a peça de renda que eu tinha segurado entre as mãos. A imagem voltava com uma clareza incômoda. O tecido macio. O aroma suave. E, por trás de tudo isso, a figura de María. Balancei a cabeça de leve na escuridão. Era um absurdo continuar pensando nisso. Fechei os olhos. Mas a imagem demorou bastante para desaparecer. **>>>>>>>** A segunda-feira chegou com sua rotina habitual. Trabalho. Reuniões. E-mails. Documentos. Lisa também teve uma semana corrida. A gente mal se encontrava em casa além da noite. Na quarta-feira foi a consulta médica dela. Quando voltou, me contou que tudo tinha dado certo. —Agora é só esperar os resultados de alguns exames —disse enquanto deixava a bolsa sobre a mesa. —Nada preocupante? —Não. Ela parecia tranquila. Aliviada, até. Durante essa semana transamos três vezes. Era curioso. Agora que a gravidez tinha virado um objetivo concreto, cada encontro tinha uma camadinha de intenção por trás. Não era ruim. Mas era diferente. Lisa parecia mais concentrada. Mais consciente do momento exato do ciclo. Mais atenta a pequenos detalhes que antes não importavam.
Eu participava. Claro. Mas uma parte da minha mente continuava viajando em outra direção.
Toda vez que eu fechava os olhos durante esses encontros… uma imagem aparecia com facilidade demais.
A calcinha de renda. María andando pela casa com essa peça por baixo da roupa. O corpo dela mais cheio que o da Lisa. Mais macio. Mais pesado nos lugares certos.
Lisa sempre tinha sido magra. Elegante na forma.
Mas a María…
A María tinha mais curvas. Mais carne. Mais presença.
Eu tentava afastar essas comparações quando apareciam. Não era justo com ninguém. Mas minha mente parecia voltar lá uma e outra vez. Às vezes eu lembrava da textura da renda. Outras vezes imaginava como ficaria essa peça no corpo dela.
O desejo que essa ideia produzia era imediato. Inesperadamente forte.
**>>>>>>>**
O sábado chegou rápido. Como tínhamos combinado, fomos almoçar na casa do Rodrigo e da María. A recepção foi calorosa, como sempre. Abraços. Beijos. Perguntas sobre a semana.
A María tinha preparado um almoço farto. O Rodrigo abriu uma garrafa de vinho. A conversa fluía com facilidade.
Tentei manter minha atenção no que acontecia ao redor da mesa. Mas tinha algo mais se movendo por baixo dessa calma. Uma expectativa silenciosa. Uma curiosidade que crescia devagar.
Em algum momento da tarde senti vontade de ir ao banheiro. Levantei da mesa com naturalidade.
—Já volto.
Caminhei pelo corredor da casa com uma sensação estranha no peito. Não era só uma necessidade física. Tinha outra coisa. Uma espécie de antecipação. Uma pergunta que minha mente repetia sem dizer em voz alta.
Entrei no banheiro. Fechei a porta. O espaço era o mesmo. A mesma pia. O mesmo espelho. A mesma prateleira junto à borda.
Por um segundo fiquei parado. Olhando ao redor. E então eu vi.
Sobre a prateleira, parcialmente dobrada. Outra peça íntima. Menor que a anterior. De cor fúcsia. A renda era mais delicada. Mais trabalhada. O tecido era leve, quase transparente em alguns pontos.
Senti como o pulso acelerava imediatamente. Uma corrente que desceu do meu ventre ao meu membro.
Peguei com cuidado.
O contato foi suave, quase elétrico. A peça parecia íntima demais para estar ali, tão exposta. Pessoal demais.
A imagem apareceu na minha mente antes que eu pudesse evitar. María usando aquela peça. O tecido se ajustando aos seus quadris. Às suas nádegas. Esticando. A renda marcando apenas a curva do seu corpo, dos seus glúteos e quadris. Sua pele quente sob o tecido.
Engoli em seco.
Senti como meu membro ia endurecendo.
Aproximei lentamente.
O cheiro era sutil. Uma mistura tênue entre sabonete, perfume… e algo mais profundo. Mais humano. Mais próximo. Mais gostoso.
Senti uma pressão imediata no peito. Uma excitação que apareceu com uma rapidez quase violenta.
Minha respiração mudou.
Já estava totalmente duro, como poucas vezes estive. Sentia até as palpitações no meu membro.
A imagem de María começou a tomar forma com clareza demais. Seu corpo sob o vestido. Aquela peça sustentando suas curvas. Sua bunda. Tão diferente da da Lisa, mais carnuda. Mais redonda. Sua forma se movendo pela casa. Perto. Com seu vestido que inevitavelmente se ajustava na sua bunda redonda. Marcando aquela linha deliciosa entre suas nádegas.
Apenas a alguns metros de onde eu estava.
A tensão no meu corpo cresceu até se tornar difícil de ignorar. Minha calça me apertava demais. Estava tão duro, como poucas vezes ultimamente.
Fechei os olhos por um momento.
O desejo continuava aumentando. Incontrolável.
Deixei minha imaginação correr pela minha mente. E deixei minhas mãos também agirem por si sós. Abrindo meu zíper e tirando meu membro. As veias se marcavam.
Levantei com uma mão aquela calcinha pequena ao meu nariz. E aspirei aquele delicioso aroma a mulher, que mais doente me deixava. E com a outra mão, comecei a subir e descer lentamente sobre o tronco de todo o meu membro. Lembrando do dia de praia. A María com aquele biquíni justo. Molhado pela piscina e pelo mar. Quando subia as escadas da piscina para sair, e marcava perfeitamente a forma voluptuosa das suas nádegas. Bem redondas. Baixei a peça até o meu membro para sentir sua textura. Para sentir onde sua intimidade se apertava. A excitação foi tão brutal que gozei rápido, sem conseguir me segurar. E sem tirar a calcinha no momento. Senti cada contração do meu membro. Cada jato que expulsava. O tempo dentro do banheiro pareceu se comprimir. Quando finalmente abri os olhos de novo, o silêncio do corredor voltou lentamente. A realidade me atingiu de repente. Me alarmei. A peça continuava na minha mão. Completamente manchada. Respirei fundo. Não tinha gozado assim nesses dias com Lisa. Não tinha gozado assim fazia bastante tempo. Desde antes que a rotina e o trabalho nos consumisse. Tentei limpá-la o melhor possível. Dobreia com cuidado. Deixei exatamente onde tinha encontrado. Lavei as mãos. Me olhei no espelho. Me parecia incrível o ponto onde tinha chegado. Voltei meu olhar para a peça. A lembrança das suas nádegas veio à minha mente também. Balancei a cabeça e as descartei. Voltei meu olhar ao espelho. Minha expressão era tensa. Mas controlada. Abri a porta. Respirei fundo de novo. Voltei à sala de jantar. A conversa continuava como se nada tivesse acontecido. Rodrigo falava de futebol. Lisa ria. María servia café. Ninguém parecia notar nada. Sentei-me novamente. Escutei. Respondi quando correspondia. Mas enquanto a tarde avançava lentamente para a noite… Uma certeza incômoda começou a se instalar na minha mente. Aquilo já não era só uma curiosidade passageira. Era algo que estava crescendo. E eu não tinha certeza se queria parar. **>>>>>>>** As semanas começaram a adquirir uma forma previsível. Trabalho de segunda a sexta. Jantares rápidos à noite. Alguma série antes de dormir. E os fins de semana na casa de Rodrigo e María, meus sogros.
Lisa parecia feliz com essa dinâmica. Para ela era natural. Sempre teve um vínculo próximo com os pais, e agora, com a ideia da gravidez rondando nossas conversas, essa proximidade parecia ainda mais importante.
Para mim… também se tornou uma rotina.
Mas por razões muito diferentes.
No começo tudo tinha sido uma curiosidade isolada. Um impulso estranho nascido na praia, alimentado pela descoberta casual de uma peça íntima no banheiro.
No entanto, com o passar dos dias, aquilo começou a se instalar na minha mente com uma persistência cada vez maior.
María começou a aparecer nos meus pensamentos de forma constante. Em momentos inesperados. No escritório, enquanto revisava documentos. No trânsito voltando pra casa.
Até nos momentos mais íntimos com Lisa. Principalmente aí.
Porque toda vez que Lisa e eu terminávamos na cama… minha mente encontrava o caminho para a mesma imagem.
No começo era apenas um lampejo fugaz. A curva dos quadris de María se movendo sob um vestido. A lembrança da renda entre meus dedos. A textura suave do tecido.
Depois, aos poucos, a imagem ficava mais nítida. O corpo dela mais cheio que o de Lisa. Mais redondo. Mais generoso em cada linha.
Lisa era magra, elegante, com uma beleza mais leve. María, por outro lado, tinha aquele tipo de corpo que parecia feito pra ser tocado. Mais carne. Mais peso. Mais curvas.
Esses pensamentos apareciam no meio da intimidade com minha esposa, e o efeito era imediato.
Minha excitação aumentava. Minha respiração mudava. O desejo ficava mais intenso.
E isso, inevitavelmente, acabava afetando o encontro.
Lisa percebia.
—Ultimamente você está muito… animado —me disse uma noite, com um sorriso cansado enquanto recuperava o fôlego.
Não respondeu como uma suspeita. Mais como uma observação divertida. —Isso é ruim? —perguntei. —Não —disse ela rindo suavemente—. De jeito nenhum. A ironia da situação era evidente. Quanto mais eu pensava em Maria… mais intensos ficavam meus encontros com Lisa. O tesão funcionava como combustível. Cada vez que eu fechava os olhos e deixava a imagem aparecer com clareza —Maria andando pela casa, usando alguma dessas peças de renda por baixo do vestido, e que às vezes eu conseguia distinguir a borda da costura— a excitação crescia até ficar difícil de conter. O resultado era sempre o mesmo. Encontros mais longos. Mais intensos. Uma liberação mais forte. Lisa interpretava tudo isso como um bom momento na nossa relação. Nunca imaginou qual era a verdadeira origem daquele entusiasmo. **>>>>>>>** Os fins de semana ficaram previsíveis. Chegávamos na casa dos meus sogros perto do meio-dia. Sempre tinha algo preparado. Almoço. Café. Alguma conversa tranquila na sala. Rodrigo falava de política, de futebol ou de alguma história antiga. Lisa e a mãe dela colocavam os assuntos da família em dia. O clima era tranquilo. Normal. Mas pra mim aquelas visitas começaram a ter outro ritmo. Foram se transformando em combustível pra mim. Uma atenção constante. Um estado de alerta silencioso. Porque cada movimento de Maria dentro da casa virava um estímulo que minha mente não conseguia ignorar. O jeito que ela andava pelo corredor. Com aquele movimento feminino natural. A forma como o vestido se ajustava ao corpo dela quando ela se inclinava sobre a mesa pra arrumar alguma coisa. Marcando a bunda dela sob aquele tecido. Tentando adivinhar a calcinha que ela usava naquele momento. O movimento suave dos quadris dela ao cruzar da cozinha pro comedor. Eu tentava manter o olhar neutro. Participar da conversa. Mas toda vez que ela se virava… meus olhos a seguiam inevitavelmente. Era um gesto rápido. Disfarçado. Uma fração de segundo apenas.
O suficiente para observar a curva das nádegas dela sob o tecido. Depois voltava a olhar para frente. Como se nada tivesse acontecido.
Alimentava minha mente. Meus desejos.
Com o tempo esse comportamento começou a se repetir com naturalidade. Como um reflexo automático.
Às vezes nos cruzávamos sozinhos no corredor ou na cozinha. Momentos breves. Instantes onde não havia mais ninguém por perto.
Ela sempre mantinha sua atitude gentil de sempre.
—Quer mais café, Nelson?
—Não, obrigado.
—Se precisar de algo, me avisa.
Conversas simples. Cotidianas.
Mas nesses segundos, enquanto ela se virava para continuar com o que estava fazendo… meu olhar voltava a descer para os quadris dela.
Para as nádegas grandes e redondas. Para a forma como o corpo dela preenchia o espaço dentro do tecido do vestido.
Depois voltava para a sala de jantar. Para a conversa. Para o papel de genro tranquilo que escutava o sogro falar de qualquer assunto sem importância.
Com o passar das semanas também apareceu outro padrão. Um que começou quase como uma coincidência. E acabou se tornando uma rotina silenciosa.
Toda vez que íamos à casa de Rodrigo e Maria, em algum momento da tarde eu acabava entrando no banheiro do corredor. Às vezes com uma desculpa legítima. Outras vezes simplesmente porque sabia que poderia fazer isso sem levantar suspeitas.
A prateleira ao lado da pia se tornou um lugar familiar. Nem sempre havia algo ali. Mas muitas vezes sim.
Peças de roupa dobradas com descuido. Calcinhas de renda. Algumas menores. Outras maiores.
Sempre delicadas.
Sempre íntimas.
Toda vez que encontrava uma… o efeito era imediato. O pulso acelerava. A respiração ficava mais pesada.
A imagem de Maria usando essa peça aparecia na minha mente com uma clareza cada vez maior. O tecido se ajustando aos quadris dela. Marcando a bunda. A renda marcando apenas a linha do corpo dela. O calor de sua pele sob a roupa. O desejo crescia rapidamente. Como se meu corpo já conhecesse o processo completo. A sequência se tornou quase automática. Pegar a peça. Sentir a suavidade do rendado entre os dedos. Aproximá-la lentamente. Respirar o aroma tênue que sempre parecia ficar impregnado no tecido. Uma mistura suave de perfume, sabão… e algo mais pessoal. Aquele doce aroma que me deixava louco. Algo que fazia a distância entre imaginação e realidade se tornar difusa. O silêncio do banheiro se transformava num espaço fechado onde esses pensamentos podiam crescer sem interrupção. Onde eu poderia descarregar toda a acumulação de tesão e luxúria que minha mente produzia, sua peça, e a lembrança do seu corpo. Depois vinha o mesmo momento de lucidez. Respirar. Dobrar a peça. Tentar limpá-la o melhor possível. Deixá-la exatamente no mesmo lugar. Abrir a torneira. Lavar as mãos. Olhar-se no espelho. Certificar-se de que a expressão no rosto voltasse a ser neutra. Depois voltar para a sala de jantar. Sentar ao lado de Lisa. Escutar Rodrigo. Aceitar uma xícara de café de Maria. Ninguém parecia notar nada. As conversas continuavam. As risadas apareciam. A tarde seguia com normalidade. Mas dentro de mim algo estava mudando lentamente. O que tinha começado como uma curiosidade isolada agora fazia parte da rotina. Um ritual secreto repetido semana após semana. Cada visita. Cada peça encontrada. Cada momento roubado no silêncio do banheiro. E o mais inquietante de tudo era a facilidade com que tudo se encaixava dentro da vida normal que continuava existindo ao redor. Lisa continuava falando de fertilidade, de exames médicos, da possibilidade de uma gravidez nos próximos meses. Rodrigo continuava acendendo a churrasqueira nos fins de semana. Maria continuava se movendo pela casa com aquela tranquilidade maternal de sempre. Nada parecia ter mudado. Exceto uma coisa. Minha maneira de olhar para ela. **>>>>>>>** A semana tinha sido tranquila. Nada fora do comum. Trabalho, trânsito, e-mails, reuniões. As noites no apartamento transcorriam com a mesma calma de sempre: jantares simples, conversas curtas sobre o dia e alguns momentos de intimidade que, havia semanas, pareciam estar guiados pelo mesmo objetivo silencioso. Lisa falava com frequência da consulta médica, dos resultados que estavam por vir, de como devíamos continuar atentos aos tempos. Eu assentia. Participava. Mas uma parte da minha mente continuava funcionando em paralelo. No sábado à tarde voltamos a subir no carro para ir à casa dos pais dela. O trajeto tinha se tornado tão familiar que eu quase conseguia percorrê-lo sem pensar. Lisa falava de algo relacionado ao escritório dela, um novo projeto que tinham lhe atribuído, enquanto eu dirigia com uma mão apoiada no volante. —A mamãe disse que o Arnold ia estar hoje —comentou em algum momento. Virei levemente a cabeça na direção dela. —Arnold? —É. Parece que ele teve um fim de semana livre. Não o víamos havia um tempo. Entre a faculdade, as viagens improvisadas com amigos e a vida social bastante ativa, o irmão mais novo de Lisa aparecia e desaparecia da casa da família com certa irregularidade. —Faz tempo que não coincidimos com ele —falei. —É. Lisa sorriu. —Ele sempre traz histórias estranhas. Estacionei em frente à casa de Rodrigo e María alguns minutos depois. O mesmo portão. O mesmo jardim pequeno que María cuidava com paciência. Desliguei o motor. —Pronto. Descemos do carro e caminhamos até a porta. Antes que Lisa tocasse a campainha, a porta se abriu de repente. —¡Ei! Arnold apareceu na nossa frente com um sorriso largo. Continuava com a mesma energia de sempre. Alto, magro, com o cabelo levemente bagunçado e aquela expressão inquieta de alguém que parece estar sempre prestes a sair correndo para algum lugar. —Quanto tempo! —disse ele. Lisa foi a primeira a abracá-lo. —Arnold. —Pensei que tinham se esquecido de mim. —Você é o que nunca está. Depois me abraçou com a mesma naturalidade. —Nelson. —Como você tá? —Sobrevivendo —respondeu com uma risada leve. Entramos na casa. Da sala apareceu Rodrigo. —Chegaram. Nos cumprimentamos com um aperto de mão e um abraço breve. Um momento depois Maria saiu da cozinha secando as mãos com um pano. —Oi. Lisa caminhou direto até ela e a abraçou. —Mãe. Depois se aproximou de mim. O cumprimento foi rápido, como sempre. Um beijo na bochecha. Um abraço curto. Mas algo na expressão dela me pareceu diferente. Talvez fosse só uma impressão momentânea. —Entrem —disse—. Sentem-se. Nos acomodamos na sala. Maria apareceu uns minutos depois com uma bandeja. —Trouxe chá pra vocês. Deixou as xícaras sobre a mesa. Arnold não demorou pra tomar o controle da conversa. Era impossível que não fizesse isso. —Vocês viram que semana passada eu fui escalar? Lisa olhou pra ele com uma mistura de curiosidade e resignação. —Escalar o quê? —Uma parede natural perto da estrada velha. Rodrigo soltou uma risadinha. —Mais uma loucura. Arnold levantou as mãos com entusiasmo enquanto falava. —Não, sério. Era incrível. Quase trinta metros de altura. —Trinta metros —repetiu Maria da cadeira, com a testa franzida. Essa mudança foi imediata. Um segundo antes ela estava sorrindo. No seguinte, sua expressão mostrava preocupação evidente. —Isso é perigosíssimo, Arnold. —Mãe, todo mundo faz isso. —Nem todo mundo se pendura numa parede com uma corda. Arnold soltou uma risada. —Pra isso existe o equipamento de segurança. Maria negou com a cabeça. —Você tá sempre se metendo em coisas perigosas. —É esporte radical —respondeu ele com orgulho. —É perigoso. A cena era quase cômica. Arnold falava com entusiasmo sobre saltos de paraquedas, escalada, descidas de bicicleta por estradas de montanha. Maria reagia a cada história com a mesma mistura de angústia e desaprovação.
—Um dia você vai me matar do coração —disse em certo momento.
Arnold se inclinou para ela com um sorriso carinhoso.
—Isso não vai acontecer.
Deu um beijo rápido na bochecha dela.
—Estou bem.
Era evidente o quanto ela o amava. Toda vez que ele falava de alguma atividade arriscada, a expressão dela mudava imediatamente. De alegria para preocupação. De orgulho para irritação. Um reflexo quase instintivo.
Lisa olhou para mim e revirou os olhos com um sorriso.
—É sempre a mesma coisa.
Arnold continuou falando por mais um tempo. Sobre a faculdade. Sobre uma viagem que planejava fazer com uns amigos. Sobre um esporte novo que tinha descoberto.
A energia que ele tinha parecia preencher o ambiente.
Mas não demorou muito para olhar o relógio.
—Tenho que ir.
Rodrigo levantou uma sobrancelha.
—Já?
—É. Combinei de encontrar uns amigos.
Levantou-se do sofá com a mesma rapidez com que, aparentemente, tinha chegado. Abraçou Lisa. Depois os pais.
—A gente se vê.
Quando saiu pela porta, a casa ficou em silêncio por um momento.
A diferença foi imediata.
A energia que tinha preenchido a sala desapareceu quase de repente.
Rodrigo pegou o controle remoto e ligou a televisão. Um programa qualquer apareceu na tela. Lisa se acomodou ao meu lado no sofá. Maria se levantou.
—Vou à cozinha um instante.
Foi embora sem dizer muito mais.
Ficamos sentados com Rodrigo assistindo televisão e falando de coisas sem muita importância. Notícias. Algum comentário sobre política. Nada especialmente interessante.
Depois de alguns minutos senti a necessidade de ir ao banheiro.
—Já volto.
Caminhei pelo corredor. A casa estava tranquila.
Entrei no banheiro e fechei a porta.
Por um segundo meu olhar foi direto para a prateleira ao lado da pia.
Nada. Não havia nenhuma peça de roupa. O espaço estava completamente limpo.
Senti uma pequena decepção absurda. Me olhei no espelho. Era ridículo ter esperado algo.
Lavei as mãos e saí do banheiro. Naquele momento alguém passou na minha frente no corredor.
María.
Ela parou assim que me viu. Nossos olhos se encontraram por um segundo. Sua expressão era séria. Mais séria do que o normal. Havia algo no seu olhar que eu não estava acostumado a ver.
Incomodo.
Ou talvez desconforto.
Não tinha certeza. Mas foi o suficiente para que um pequeno alarme se acendesse na minha mente.
—Tudo bem? —perguntei com naturalidade.
Ela sustentou meu olhar por mais um instante.
Depois respondeu.
—Sim.
Seu tom era seco. Breve.
Depois continuou caminhando em direção à cozinha sem dizer mais nada.
Fiquei parado um segundo no corredor.
O pulso tinha acelerado levemente.
Será que tinha acontecido algo?
Não parecia. Talvez ela só estivesse cansada.
Balancei levemente a cabeça.
Voltei para a sala.
Lisa continuava conversando com o pai dela. Me sentei novamente no sofá. Tentei me concentrar na conversa.
Mas uma parte da minha mente continuava presa naquele breve momento no corredor.
O olhar de María.
A seriedade no seu rosto.
A sensação incômoda de ter sido observado de uma forma diferente.
Alguns minutos depois ela voltou da cozinha. Trazia uma bandeja com café.
Sua expressão era completamente normal de novo.
Sorriu levemente. Serviu as xícaras. Participou da conversa. Como se nada tivesse acontecido.
Mas durante o resto da tarde notei algo mais.
Cada vez que falava com Lisa ou com Rodrigo, fazia com naturalidade.
Comigo… era diferente.
Não hostil. Mas distante. Evitava me olhar diretamente. Quando se dirigia a mim, fazia rápido. Sem sustentar muito o contato visual.
A sensação persistiu até a noite cair. Finalmente nos levantamos para nos despedir. Rodrigo nos acompanhou até a porta. Lisa abraçou a mãe.
—Nos vemos na próxima semana.
—Claro.
Depois me aproximei eu. María me deu um abraço breve. Mas ela não levantou o olhar. —Boa noite —disse. Sua voz era gentil. Mas distante. Saímos da casa. O ar da noite estava fresco. Lisa caminhou até o carro falando de algo que Rodrigo tinha mencionado na mesa. Eu concordava. Respondia. Mas enquanto ligava o motor, uma ideia continuava girando na minha cabeça. Pela primeira vez desde que tudo aquilo tinha começado… Não estava completamente certo de que María não tinha notado nada.>>>>>>><<<<<<<
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