—Onde fica o banheiro? —perguntou Mariano depois do quinto fernet. —Usa o do quarto, o outro tá com a corrente quebrada. Não era verdade. Mas eu sabia o que tinha naquele banheiro: o cesto de roupa suja, e em cima de tudo, quase sempre alguma calcinha fio-dental que a Sofía deixava jogada. Afinal, supunha-se que ali não entrava ninguém além de nós. Mariano demorou. Bem mais do que alguém demora pra ir ao banheiro. Eu olhava o relógio do celular e sentia algo estranho no estômago, uma mistura de nervosismo e tesão. Quando voltou, tinha o rosto lavado e evitava me olhar. Continuamos conversando e, meia hora depois, ele disse que tinha que acordar cedo, me deu um abraço apressado e foi embora. Esperei ouvir o elevador e fui direto pro banheiro. O cesto estava quase igual a antes. Quase. Em cima de tudo estava a fio-dental preta que a Sofía tinha usado no dia anterior cheia de porra, tremenda dedicatória. Parece que o que ele tinha visto na sala deixou ele de pau duro pra caralho. Deixei ela exatamente onde estava. Lá pelas seis da manhã, a chave na porta me acordou. Sofía entrou descalça, com os sapatos na mão e o cabelo bagunçado. Se jogou na cama do meu lado, rindo sozinha. —Fiquei com muito tesão a noite toda —me disse no ouvido—. E aí, o Mariano? Falou alguma coisa? —Não falou nada. Mas vai ver o banheiro. Ela me olhou com curiosidade e foi. Ouvi ela acender a luz. Teve um silêncio longo. Olhei de novo e ela estava parada na porta do banheiro com a fio-dental preta na mão. Não tinha cara de brava. Tinha os olhos brilhando e a respiração ofegante. —Foi ele que fez isso? —perguntou baixinho. —Foi, jorrou uma porra danada. Sofía mordeu o lábio. Olhou a fio-dental, olhou pra mim, e sorriu de um jeito que eu nunca tinha visto. Não foi pelo álcool, pelo tesão ou pelos dois, que ela não só chupou toda a porra como colocou a calcinha me pedindo pra meter bem forte contra a parede. Essa foi, sem dúvida, a noite mais quente que a gente tinha tido até aquele momento. E nós dois sabíamos que não ia ser a última vez.
—Onde fica o banheiro? —perguntou Mariano depois do quinto fernet. —Usa o do quarto, o outro tá com a corrente quebrada. Não era verdade. Mas eu sabia o que tinha naquele banheiro: o cesto de roupa suja, e em cima de tudo, quase sempre alguma calcinha fio-dental que a Sofía deixava jogada. Afinal, supunha-se que ali não entrava ninguém além de nós. Mariano demorou. Bem mais do que alguém demora pra ir ao banheiro. Eu olhava o relógio do celular e sentia algo estranho no estômago, uma mistura de nervosismo e tesão. Quando voltou, tinha o rosto lavado e evitava me olhar. Continuamos conversando e, meia hora depois, ele disse que tinha que acordar cedo, me deu um abraço apressado e foi embora. Esperei ouvir o elevador e fui direto pro banheiro. O cesto estava quase igual a antes. Quase. Em cima de tudo estava a fio-dental preta que a Sofía tinha usado no dia anterior cheia de porra, tremenda dedicatória. Parece que o que ele tinha visto na sala deixou ele de pau duro pra caralho. Deixei ela exatamente onde estava. Lá pelas seis da manhã, a chave na porta me acordou. Sofía entrou descalça, com os sapatos na mão e o cabelo bagunçado. Se jogou na cama do meu lado, rindo sozinha. —Fiquei com muito tesão a noite toda —me disse no ouvido—. E aí, o Mariano? Falou alguma coisa? —Não falou nada. Mas vai ver o banheiro. Ela me olhou com curiosidade e foi. Ouvi ela acender a luz. Teve um silêncio longo. Olhei de novo e ela estava parada na porta do banheiro com a fio-dental preta na mão. Não tinha cara de brava. Tinha os olhos brilhando e a respiração ofegante. —Foi ele que fez isso? —perguntou baixinho. —Foi, jorrou uma porra danada. Sofía mordeu o lábio. Olhou a fio-dental, olhou pra mim, e sorriu de um jeito que eu nunca tinha visto. Não foi pelo álcool, pelo tesão ou pelos dois, que ela não só chupou toda a porra como colocou a calcinha me pedindo pra meter bem forte contra a parede. Essa foi, sem dúvida, a noite mais quente que a gente tinha tido até aquele momento. E nós dois sabíamos que não ia ser a última vez.
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