Meu filho e seus amigos… 4

A descoberta no espelho desencadeou um inferno na mente de Ana. Nos dias seguintes, a casa deixou de ser seu lar e se transformou em uma jaula de cristal onde cada canto parecia ter olhos. A paranoia a consumia. Não se tratava mais de um jogo erótico nem de uma fantasia de alcova alimentada pelo abandono do marido; era uma invasão real, física e aterrorizante. Ela inventou mil desculpas para fugir. Uma noite disse a Juan que o aquecimento do quarto estava com defeito e que preferia ficar num hotel no centro; outra noite fingiu que uma amiga da faculdade estava passando por uma crise conjugal e que precisava acompanhá-la para dormir no apartamento dela. Ela precisava sair daquele lugar, sentir que fechava uma porta com a certeza absoluta de que ninguém do outro lado tinha uma cópia da chave. No entanto, a paciência de Juan chegou ao limite na sexta de manhã, bem antes de ele sair para o aeroporto para mais uma viagem de negócios interminável a Chihuahua. — Chega, Ana! — explodiu Juan no hall, jogando a mala no chão —. Tô cansado das suas crises de meia-idade. Hotéis? Amigas? Você tem um chalé enorme e tá deixando o Emiliano sozinho metade da semana por pura paranoia sua. O moleque tem dezessete anos, precisa ver a mãe em casa, não uma mulher histérica fugindo de fantasmas. Vou ficar cinco dias fora. Quero você aqui, cuidando da casa e cuidando do seu filho. Acabou a palhaçada. Juan saiu batendo a porta. Ana ficou no meio da sala, tremendo de raiva e desamparo. Ela sabia que estava sozinha. Completamente sozinha. No andar de cima, os garotos estavam à beira de um colapso nervoso. Quando Emiliano percebeu a mancha que tinha deixado, o pânico os obrigou a se trancarem. Esperavam uma denúncia, gritos, a polícia ou um Juan enfurecido. Mas ao ver que os dias passavam e Ana só fugia de casa sem dizer nada diretamente, Leo chegou a uma conclusão torta. — Ela não vai falar nada porque não sabe quem foi — sentenciou Leo, com os olhos fixos em Emiliano—. Vai pensar que foi seu velho num momento estranho, ou tem medo de parecer maluca. Mas ela tá escapando da gente. Agora que seu velho foi pra Chihuahua, é a nossa chance de ouro. Ficamos pela metade da última vez, irmão. Eu não fico sem ver aquela puta gostosa de novo. —E se ela perceber? —perguntou Mateo, nervoso, limpando os óculos. —Ela não vai perceber. Dobramos a dose do Flunitrazepam na garrafa de água da mesinha de cabeceira dela. Ela vai apagar como um tronco em dez minutos. O que os caras não sabiam é que Ana já não era mais aquela mulher descuidada. A paranoia tinha deixado ela meticulosa, quase militar. Tinha tomado uma decisão drástica: não comeria nem beberia absolutamente nada que não tivesse preparado ela mesma naquele exato momento, ou que tivesse ficado fora da vista dela por um único segundo. Naquela noite, Ana subiu pro quarto carregando uma garrafa de água mineral completamente lacrada que acabara de tirar de um pacote novo na despensa. A garrafa que os caras tinham mexido horas antes na mesinha de cabeceira foi descartada discretamente no banheiro. Ana se deitou, se cobriu com os lençóis e apagou a luz. Mas não fechou os olhos. Ficou na penumbra, com o coração galopando no peito, esperando. Às três da manhã, o clique milimétrico da fechadura ecoou no quarto. Ana sentiu um choque de adrenalina pura que quase a fez pular da cama, mas segurou o impulso com uma força de vontade sobre-humana. Controlou a respiração, entreabriu as pálpebras até deixar só uma fresta invisível e relaxou os músculos do corpo. A porta se abriu. Três silhuetas conhecidas deslizaram pra dentro. Através dos cílios, Ana os viu com total clareza sob a luz da lua: o filho dela, Emiliano, Leo e Mateo. Um arrepio de horror, misturado com uma súbita e perversa realização, percorreu o corpo inteiro dela. Eram eles. Sempre foram eles. —Ela tá apagada —sussurrou Mateo, — aproximando-se com o telefone na mão —. A dose dupla funcionou. Ana prendeu a respiração quando Leo puxou o lençol de uma vez. Dessa vez, ela tinha vestido de propósito uma camisola de seda preta, curta e extremamente transparente, sem calcinha por baixo. Se ia descobrir o que eles faziam, tinha que dar a isca perfeita.Meu filho e seus amigos… 4Mateo ligou a tela do celular, usando como um refletor fraco para gravar em vídeo. Leo se inclinou sobre ela. Ana sentia o cheiro de suor adolescente e hormônios a milímetros do rosto. As mãos frias de Leo pousaram direto nos peitos dela, apertando as tetas através da seda da camisola. O roçar dos dedos nos mamilos fez Ana ter que lutar internamente pra não tremer.mae—Olha como marca... é uma puta loucura —sussurrou Leo, subindo a camisola com uma lentidão torturante até a cintura de Ana, deixando a barriga e a intimidade dela completamente expostas para a câmera de Mateo. Emiliano se posicionou ao lado, com a calça já abaixada, se masturbando desesperado enquanto olhava o corpo nu da mãe iluminado pelo celular. Mateo se aproximou com a câmera, fazendo closes, bem de perto de Ana e das coxas dela, registrando cada detalhe em vídeo. Leo desceu as mãos até o púbis de Ana, abrindo levemente as pernas dela. Os dedos dele roçaram a entrada da buceta, acariciando com uma mistura de desajeito e safadeza. Ana sentia tudo. Cada carícia, cada gemido, o som da saliva dos garotos, a lente da câmera apontando pras partes mais íntimas dela. O terror inicial começou a se transformar na mente dela. Ela estava totalmente acordada, consciente da monstruosidade da situação, mas o perigo extremo, a humilhação secreta e o controle absoluto que tinha sobre a cena ao fingir estar dormindo começaram a despertar uma excitação selvagem e escondida. O corpo dela, traindo a lógica, começou a ficar molhada com os dedos de Leo, mesmo se forçando a manter a respiração pesada e monótona de quem está sob efeito de um narcótico. —Não toca mais aí não, Leo, vai dar pra notar —sussurrou Mateo, engolindo saliva com barulho—. Bora logo, a gente tem foto e vídeo pra um ano inteiro. Leo tirou os dedos da buceta dela, deu um último tapa firme na bunda exposta de Ana e baixou a camisola. Os três garotos se ajeitaram a roupa e saíram do quarto com o mesmo silêncio de sempre, fechando a porta atrás deles. Assim que a fechadura encaixou, Ana abriu os olhos de repente na escuridão. A respiração ficou caótica e o peito dela subia e descia com violência. Levou a mão até a buceta e encontrou completamente molhada. Estava tremendo, não só de medo, mas pela descarga elétrica do prazer proibido. Já não havia dúvidas. Já não havia suspeitas. Ela sabia exatamente quem eles eram, o que tinham nos celulares e até onde eram capazes de ir. E o pior de tudo... é que o próprio corpo dela começava a curtir o abismo. Os dias seguintes àquela noite de revelação absoluta foram uma tortura de dois gumes para Ana. O silêncio na casa era denso, quase sólido. Toda manhã, ao descer para a cozinha, ela se deparava com o olhar esquivo de Emiliano, que tomava café em silêncio antes de ir para a escola. Ana o observava atentamente da porta, procurando no rosto do filho algum vestígio da besta lasciva que entrava no quarto dela no escuro. Mas não havia nada; Emiliano parecia o mesmo adolescente introvertido de sempre. A dicotomia entre o filho tímido que pedia dinheiro para o almoço e o garoto que se masturbava aos pés da cama dela filmando a própria nudez a deixava tonta, provocando náuseas e, ao mesmo tempo, um arrepio de calor no fundo da barriga que ela se esforçava para esconder. Ana manteve sua estratégia de controle absoluto. Não voltou a tocar numa gota d'água que ela mesma não abrisse, nem provou um único pedaço de comida que tivesse ficado exposto. Virou uma atriz consumada dentro da própria casa. Andava pelos corredores com uma expressão de tranquilidade fingida, mas com os sentidos afiados ao limite, esperando o menor passo em falso dos garotos. No entanto, o jogo mudou de ritmo. Leo e Mateo pararam de aparecer na casa. O computador de Emiliano permanecia desligado quando ela passava na frente do quarto dele, e as risadas abafadas no andar de cima sumiram por completo. Os garotos, sob a estrita direção de Leo, tinham decidido se recolher. — Ela tá alerta, eu tô te falando — Leo tinha avisado os outros dois numa reunião secreta no parque do bairro dias atrás—. Não sei como, mas a putinha tem um sexto sentido. Da última vez ela tava tensa demais, mesmo sem se mexer. Se a gente voltar a entrar agora, ela vai nos pegar com as mãos na massa. Vamos sumir do mapa. Deixa ele pensar que venceu de novo, que as águas se acalmaram. Perfil baixo é a nossa melhor arma agora. O plano dos adolescentes funcionou perfeitamente, alimentando a fachada calculada da Ana. A tensão diminuiu superficialmente, mas o verdadeiro alívio chegou na sexta à tarde, quando o carro do Juan estacionou na entrada. Ao vê-lo cruzar a porta com a mala de viagem, a Ana sentiu uma armadura pesada caindo dos ombros. Correu para os braços dele e o abraçou com uma força incomum, afundando no cheiro de tabaco e perfume barato do marido. Para ela, o Juan representava a realidade, o mundo são e seguro, longe da perversão que se cozinhava nas sombras da casa.irma— Puxa, que recepção boa — disse Juan, sorrindo com arrogância enquanto dava um tapinha carinhoso na bunda dela —. Vejo que sentiu minha falta. Como é que foram as coisas por aqui? Já passaram aqueles fantasmas? — Sim, Juan... tudo esteve tranquilo. Você tinha razão, eram só coisas da minha cabeça — mentiu Ana, olhando fixamente nos olhos dele, sustentando o sorriso com uma frieza que até ela mesma estranhou. Naquela noite, com Juan em casa, Ana se sentiu de verdade protegida. Jantaram juntos, Emiliano desceu e conversou com o pai sobre a escola numa boa, se comportando como a família perfeita que nunca tinham sido. Quando subiram para o quarto do casal, Ana procurou o marido com uma urgência desesperada. Precisava do sexo comum, monótono e seguro de Juan para limpar a lembrança das mãos proibidas de Leo e do olhar do filho. Se despiu na frente dele, mostrando aquelas tetas firmes e aquela bunda que os caras tinham fotografado até cansar, buscando uma reação selvagem. Mas Juan, cansado da viagem e da rotina, a pegou do jeito mecânico de sempre: uns minutos de carícias sem graça, uma penetração previsível no escuro e um orgasmo rápido antes de virar para o lado e cair no sono, roncando de leve.mae e filhoAna ficou acordada na penumbra, olhando para o teto. A insatisfação bateu forte nela. A segurança que Juan lhe dava vinha acompanhada de um tédio esmagador. Inconscientemente, sua mente voltou para a noite de quarta-feira. Lembrou da textura das mãos de Leo percorrendo sua pele, do som ofegante dos caras na escuridão, da adrenalina pura de se saber o objeto de um desejo tão obscuro e proibido. Levou a mão até a entreperna, que já começava a ficar molhada de novo, e se esfregou em silêncio ao lado do marido dormindo, percebendo, com um terror excitante, que sentia falta do perigo. Enquanto isso, no quarto no fundo do corredor, Emiliano olhava para o teto com a mesma insistência. Sabia que o pai estava em casa e que a trégua era obrigatória. Tinha guardado os vídeos e as fotos num disco rígido escondido, revivendo as imagens uma e outra vez na clandestinidade da própria mente. Ficar na moita não era rendição; era a calma tensa que precede a tempestade. Deixariam passar os dias, as semanas se preciso fosse, até a guarda da Ana baixar de vez e o Juan viajar de novo. E da próxima vez, o plano não pararia na tela de uma camisola.

1 comentários - Meu filho e seus amigos… 4

Esta increíble el relató ya quiero Seguir leyendo la continuación