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Compêndio IINa quarta-feira da semana passada, nossa Mágica Alicia completou sete anos.
XD
Secretamente, fiz um puta escândalo por isso, já que era "a primeira vez" dela depois que ela decidiu virar nossa filha.
(Vocês sabem, desde aqueles tempos em que ela era a amiga imaginária das nossas gêmeas e a menininha fantasma do nosso antigo apartamento...)
😏Enfim, na quarta a gente teve uma reuniãozinha.
Foi algo íntimo e tranquilo: só meu marido, as gêmeas, nosso bebê Jacinto, Bastianzinho, a mãe dele e a parceira Elena.
Passamos a tarde comendo hambúrgueres gordurosos e dividindo um bolo pequeno e modesto que a Alicia conseguiu esfregar nas bochechas inteiras antes mesmo da gente acender as velinhas.
Mas percebi que meu amor e a Elena estão se dando muito melhor, o que faz essas reuniões de família parecerem menos um fardo e mais uma grande família feliz.
XDMas no sábado a gente fez a grande celebração.
😆
E mais uma vez, nossa casa se encheu de algazarra.
O caos agudo de uma dúzia de crianças tratando nosso quintal como se fosse o próprio parque de diversões.
As meninas eram um borrão de tule rosa e cabelo bagunçado, orbitando as gêmeas e o Bastianzinho numa brincadeira frenética de pega-pega que ameaçava a estabilidade de cada mesa da casa.
😇
Era um caos lindo e barulhento que fazia a casa parecer menos velha e mais cheia de vida.
Enquanto isso, a gente, os adultos, curtia um merecido cessar-fogo no quintal, bebendo vinho e copos gelados e petiscando as delícias que meu marido preparava.
A gente costuma preferir convidar meus colegas da academia; meu amor acha que o pessoal com quem eu trabalho é bem mais sociável, honesto (e significativamente mais gente boa) do que os caras corporativos com quem ele lida todo dia.
😍
Ele fica tão relaxado e curte de verdade conversar com todos eles.
Como bom anfitrião da festa, ele estava na cozinha, embora "anfitrião" fique aquém.
Meu marido operava como um chef executivo de alto nível numa cozinha com estrela Michelin, orquestrando uma sinfonia caótica de carne selada e peixe cortado com precisão.
0.0Ele se movia com uma graça atlética e concentrada, os ombros largos flexionando sob uma leve camada de farinha enquanto virava hambúrgueres e enrolava sushi com um nível de perícia que deixaria qualquer profissional com inveja.
Enquanto a mãe do Bastián, Elena, e eu atuávamos como garçonetes (gerenciando as bandejas com comida e conduzindo o fluxo da conversa), o homem da minha vida era o motor na parte de trás, totalmente no seu elemento e irradiando uma confiança serena e satisfeita.
Mas foi então que percebi que a Bonnie e a Melissa estavam de olho no meu amor.😕
A Bonnie não só estava olhando pro meu marido; ela praticamente estava devorando ele com os olhos.
O olhar dela demorava na curva do maxilar dele e no jeito que os bíceps esticavam a camisa enquanto ele servia os aperitivos, com uma cara de fome pura e safada.
😋Era como se quisesse banhá-lo em geleia e devorá-lo ali mesmo, nos azulejos da cozinha.
Obviamente, uma parte de mim achava isso lisonjeiro.
😤
Meu amor é inteligente, alto, forte e gostoso.
Um espécime de graça atlética que até a maioria das minhas colegas professoras não consegue ignorar.
Mas a Melissa, do lado da Bonnie, tinha aquele sorriso malicioso.
😠Sinceramente, não sei qual é o problema dela.
Para a Melissa, parece que o homem ideal foi feito pra agir como escravo de cada capricho da mulher.
E isso eu não engulo.
😔
Meu marido, acima de tudo, sempre foi meu melhor amigo e quem cuidou de mim.
Ele é o homem que segurou minha mão nas noites sem dormir em cada uma das minhas gestações.
Pra ele, eu não sou um projeto nem uma obrigação social, mas o centro do mundo dele.
Ele me cuidou com uma devoção que me faz sentir a mulher mais importante da vida dele, e com ele, a gente construiu um santuário de segurança e amor onde nossa família cresce.
Então, ver ela sorrir daquele jeito revirou algo dentro de mim.
😏Não deu pra evitar dar uma pausinha e soltar essa bomba pra ver a cara dela se acabar.
"Sabe? Tô muito feliz de ter casado com ele." Falei, invadindo o espaço pessoal da Melissa, enquanto minha voz pegava um tom doce e mortalmente sincero.
A Bonnie engoliu seco, me olhando como se eu tivesse pego ela roubando o pote de biscoitos, mas deixei meu olhar escapar pra cozinha, onde meu marido tava servindo uma bandeja de rolinhos California.
“Dos dois, ele é quem cozinha melhor, e os pratos dele são radicais.” 😂
Era quase para rir.A Melissa não parava de dizer que nenhuma mulher deveria jamais ficar "presa na cozinha".
Mas, no momento em que admiti que meu marido cozinhava melhor, ela fez uma cara de quase ofendida.
Acho que era difícil conciliar as duas ideias: que cozinhar não deveria definir uma mulher, mas que, de alguma forma, meu marido não deveria ser melhor do que eu nisso.
XS
"Ainda não consigo refogar o arroz no wok como ele faz", continuei, jogando mais sal na ferida. "Mas ele diz que minha velocidade pra picar legumes é melhor. Além disso, as gêmeas estão se divertindo pra caramba; ele tá ensinando elas a fazer rolinho de sushi e a fritar. Às vezes me preocupo que a gente possa engordar um pouco com os rolinhos deliciosos das gêmeas."
A Melissa piscou, com os olhos arregalados, como se eu tivesse acabado de confessar um crime num idioma que ela não falava muito bem.
Aquilo foi revigorante...
😂
Pouco depois, a energia caótica do quintal mudou enquanto a gente migrava pra mesa do jantar pra comemorar o sétimo aniversário da Alicia. O bolo era uma obra-prima de pão de ló de baunilha com cobertura de morango. Cantamos parabéns e a Alicia apagou as velinhas.
o.o
Mais tarde, ela se aproximou, com a voz virando um sussurro de conspiração que só eu podia ouvir, pra me contar os segredos do coraçãozinho de sete anos dela.
Primeiro, ela queria que os dentes crescessem mais rápido; minha princesinha mágica banguela já perdeu dois, e tá convencida de que os novos tão demorando demais pra nascer.
😂
Depois, desejou que a primavera chegasse logo, pra que o Harold (nossa cerejeira) pudesse acordar de vez do sono de inverno.
Mas a parte mais tocante foi seu último desejo: queria que outro "Bob" chegasse nesta primavera, para fazer ninho sobre o Harold e assim ele não se sentisse sozinho. De qualquer forma, depois de comer o bolo e como já estava escurecendo, as meninas decidiram organizar um torneio de alto risco no nosso Nintendo Switch na sala, com a tela ganhando vida como uma arena digital para os pequenos ajustarem suas contas.
😆
Ainda fico pasma de as meninas não serem viciadas em consoles e celulares como o resto do pessoal.
Num mundo onde até criança de sete anos costuma navegar em tablets com precisão de cirurgião, a Alicia e as gêmeas tratam o Switch como uma novidade, não como uma tábua de salvação.
Jogam por uma hora e, então, simplesmente... ficam entediadas.
😂
Vão ler um livro ou gibi ou discutir sobre quem fica com o controle remoto, totalmente indiferentes ao vazio digital.
Suspeito que a própria história do meu marido seja a causa silenciosa desse equilíbrio; os medos antigos dele de recair num vício em videogames foram passados sutilmente para elas.
XD
Ele trata a tela como se fosse uma pimenta ardida (algo pra curtir em doses pequenas e controladas, a menos que esteja comigo e com as meninas) e nossas filhas herdaram essa moderação.
Mas quando a conversa com meus colegas começou a esfriar, a Melissa decidiu finalmente me atacar.
😠
“Não acredito que você deixou ela te engravidar... de novo!” Melissa fez um pequeno escândalo pra todo mundo olhar.Ela apontou pra minha barriguinha, como se fosse a raiz de todo mal.
😦Ela não faz ideia de que isso foi uma decisão mútua.
Melhor ainda, foi uma decisão em família, já que sentamos as meninas e perguntamos se elas queriam que mais um irmãozinho entrasse no caos, e o "sim" entusiasmado delas foi o selo final do acordo.
😑
Para a Melissa, uma gravidez é tipo uma corrente; para nós, é um projeto colaborativo movido a amor.
"Não entendo como você deixa ele pisar nas suas liberdades!", continuou Melissa, com a voz subindo numa cadência teatral, como se estivesse dando uma lição para uma plateia de almas oprimidas.
Simplesmente deixei escapar um suspiro de cansaço... 😕
O resto dos meus colegas, professores que realmente têm filhos próprios, já me entendem. Porque pro meu amor e pra mim, ter filhos é divertido: a gente pode ver desenhos animados e falar de anime e filmes, jogar jogos malucos e ler contos lindos antes de dormir.
Mas só porque sou quatro anos mais velha que a Melissa, ela acha que de alguma forma pode mandar na minha vida como se fosse minha irmã mais velha e soubesse mais que eu.
😠
"Você não vê como ele te prende ao patriarcado! Ele não tem nenhum direito sobre o seu corpo!" A voz da Melissa subiu num tom que me lembrou um vulcão em erupção.
Já não estava falando só comigo; estava atuando para o quarto inteiro, gesticulando loucamente com os braços como se estivesse proclamando um manifesto sobre a libertação da mulher moderna.O pior era que ela olhava pra minha barriga com uma mistura de pena e nojo, como se minha gravidez fosse o sintoma de uma doença em vez de uma escolha que eu tinha feito com um sorriso no rosto.
T.T
Como a Melissa estava fazendo barulho demais, meu amor espiou a cabeça pra fora da cozinha.
😳Nossos olhares se cruzaram através da distância.
Ele não disse uma palavra, mas o jeito que o olhar dele suavizou e o pequeno gesto cúmplice dos lábios dele me fizeram corar na hora, enquanto um calor intenso subia pelo meu pescoço.
😍
"Ele tem." eu disse, sorrindo de leve.
"O quê?!" ela gritou, como uma verdadeira bruxa.
Outra respiração funda...
"Ele tem." repeti, com minha voz sendo um contraste calmo diante do volume crescente dela.
Não precisei gritar pra ser ouvida; a sala tinha ficado em silêncio, os outros professores pararam com as bebidas no meio do caminho até os lábios, presos no drama da Melissa.
"Trocamos votos de casamento, Melissa. Fizemos um pacto."
Melissa bateu na própria testa, como se eu tivesse acabado de dizer que o planeta Terra era uma vaca.
😠
"Isso é super ultrapassado!" Melissa praticamente gritou, a voz dela cortando o ar do pátio. "Ele não é seu dono, Marisol! Você é uma mulher adulta, não uma propriedade que deve ser administrada segundo as preferências de um marido."
"Não, ele não é meu dono, Melissa. Mas a gente escolheu pertencer um ao outro." respondi, mantendo a voz firme e leve.
Senti a presença do meu marido atrás de mim, uma âncora quente e estável que fazia o espaço parecer menor e mais seguro.
😆
"Uma vez eu tive uma vontade danada de fazer uma tatuagem... uma bem pequenininha, mas meu marido me convenceu de que eu perderia a elegância se fizesse uma... e que eu ficaria menos gostosa... então, mesmo querendo muito... decidi não fazer porque amo ele pra caralho... além disso..." Olhei fixo pra ele, com o coração já batendo forte. "Ele malha porque eu acho ele mais atraente assim. Então não entendi seu ponto."
"Mas você não tá vendo o quão opressor seu marido tem sido com você?", continuou Melissa, gesticulando no ar como se o vulcão tivesse entrado em erupção. "Você nem consegue fazer uma tatuagem se quiser! Basicamente você está apagando sua própria identidade para se encaixar na preferência estética dele. É um exemplo clássico de submissão doméstica!"
😕
Olhei para o amor da minha vida, me sentindo triste.
Meu melhor amigo nunca foi opressor comigo: ele me incentivou e me convenceu a virar professora mesmo quando eu duvidava se era inteligente o suficiente, e cuidou de mim com uma "ternura irritante" naqueles primeiros dias em que começamos a namorar e minhas hormonas estavam causando estragos.
Ele foi paciente e até me protegeu de mim mesma.
😇
"Não, você não entende." Eu disse, soltando um suspiro longo e cansado de travar a mesma batalha uma e outra vez. "Se eu tiver que escolher entre fazer uma tatuagem e perder parte do amor do meu melhor amigo por mim, eu abriria mão da tatuagem de bom grado. Ele se preocupa comigo. Ele é um bom pai e uma boa pessoa. Na verdade, me horroriza que você tenha a cara de pau de criticá-lo, já que foi ele quem cuidou de toda a comida."
😠
Todos os meus colegas de trabalho (exceto a Bonnie, que continuava mentalmente imaginando meu marido se exercitando) olharam para a Melissa com um silêncio coletivo e pesado.
A comida estava deliciosa: os rolinhos de sushi e os hambúrgueres mostravam a habilidade, paciência e capricho dele na cozinha.
Era aquele tipo de olhar reservado normalmente para um aluno que tirava uma nota péssima numa prova.
😰
O clima na sala mudou, ficando frio e crítico, deixando a Melissa sob um holofote criado por ela mesma.
De repente ela parecia pequena, com os olhos pulando de rosto em rosto, abertos e frenéticos, como se tivesse percebido que já não era mais a palestrante, e sim o espécime sob um microscópio.
XD
Por um momento, parecia estar cercada por uma matilha de lobos, e ela era a única que não tinha garras.
"Mas esse nem é o ponto!" continuou Melissa, com a voz tremendo levemente, embora tentasse manter sua postura de superioridade intelectual. "Ele nem sequer te... deixa sair pra dançar nem te leva pra restaurantes chiques. Você tá vivendo a vida de uma avó aos trinta e um anos, Marisol! Você tá simplesmente... constantemente grávida, presa num ciclo de fraldas e vida doméstica enquanto ele se faz de provedor benevolente."
😂
Meu marido e eu rimos baixinho.
"É. A gente tenta, mas não é a nossa praia." falei com um sorriso de satisfação.
😆
Bonnie me olhou como se eu tivesse começado a falar chinês do nada.
"De vez em quando, a gente finge que tá no nosso primeiro encontro numa balada." falei com uma risadinha, me recostando e deixando minha mão descansar confortavelmente sobre minha barriga. "Mas depois da terceira ou quarta vez, simplesmente fica chato. O povo te empurra, ou te dá cotovelada enquanto você tenta andar. Sempre tem fila pro banheiro feminino; o lugar fede a tabaco velho e maconha; a música tá tão alta que você nem consegue conversar; e tem bêbado pra todo lado, invadindo seu espaço.
Melissa me encarou fixamente com um "E daí?" silencioso nos olhos, com uma expressão de total incredulidade.😕
Para ela, o "sacrifício" de uma balada lotada era simplesmente o preço da libertação, um rito de iniciação para qualquer mulher que se recusasse a ficar presa em casa.
😏
"Prefiro ficar em casa, me aconchegando e vendo Netflix ou lendo mangá com um chocolate quente." Eu disse, com a voz praticamente pulando com uma atitude alegre e sem remorso. "Na verdade, nossas filhas adoram ver os pais dançando na sala ou brincando com elas no tapete. Por que eu trocaria isso por uma pista de dança grudenta e uma dor de cabeça?"
Me inclinei levemente, irradiando a satisfação da minha felicidade doméstica.
"Estou completamente viciada na minha vida de família. Meu marido me vê como sua melhor amiga, sua esposa, uma mãe e uma profissional. Pra mim, a única coisa que possivelmente poderia melhorar minha vida seria se meu marido estivesse constantemente coberto de chocolate e eu tivesse que lamber ele pra limpar todo dia. Mas fora isso, tô mais do que bem."
Melissa olhou para baixo, sem saber muito bem como continuar.
😤
"E ele se move pros dois lados." Eu continuei. "Meu marido queria fazer vasectomia, mas me prometeu me dar sete filhos quando a gente tava namorando."
0_0
Todos me olharam como se o teto tivesse acabado de desabar. Meu marido, por outro lado, ficou vermelho como um tomate...
"Então, é. Agora mesmo tô grávida do quinto bebê. Mas a gente vai fazer mais duas vezes e depois eu deixo ele fechar a fábrica de bebês dele." acrescentei com uma piscadela brincalhona.
😉
"Mas é isso que acontece com a gente: a gente se ama pra caralho." Eu disse, soltando um suspiro lento e satisfeito que pareceu esvaziar a tensão no ambiente. "Quando a gente começou a namorar, ele não tinha absolutamente nenhum senso de moda; não tinha tempo pra espelhos. E no meu caso, eu sou cronicamente indecisa; não gosto que homens fiquem me olhando. demais. Então fizemos um pacto. Decidimos escolher a roupa um do outro, porque tínhamos certeza de que não deixaríamos o outro passar vergonha.
Meus colegas casados me dedicaram sorrisos calorosos e acenaram com a cabeça, suas expressões suavizando com a compreensão compartilhada daqueles pequenos rituais privados que mantêm um casamento vivo.Enquanto isso, meu amor me olhava com aqueles olhos negros penetrantes: os mesmos que, depois de todos esses anos, ainda transformam minhas pernas em gelatina.
😍
"E mesmo que as gêmeas tenham convencido ele a malhar todo dia e sair pra correr, ele continua treinando com disciplina, porque eu amo aquele corpo musculoso dele..." Falei, e praticamente dava pra sentir minha boca enchendo d'água enquanto eu falava.
Meu olhar se desviou por um segundo pra forma como a camisa dele se ajustava ao peito, uma repetição mental dele voltando daquelas corridas ao pôr do sol, sem fôlego e brilhando de suor.
😋
"Mas ele nunca disse nem uma única vez que eu preciso malhar. Ele está completamente satisfeito comigo do jeito que eu sou, sempre dizendo que meu corpo 'é mais macio nos lugares certos'..." Fiz uma pausa, deixando um sorriso lento e safado se espalhar pelo meu rosto. "Então, digamos que a gente é bem carinhoso em particular".
XD
Meus colegas de trabalho caíram na risada com meu sorriso safado...
😂
“E o que aconteceu com seu anel? Não tem nenhum diamante.” Perguntou a Bonnie.😕
Fiquei olhando pro meu anel: os lindos golfinhos azuis que sempre me lembram dele; senti um aperto no nariz e quase enchi os olhos de lágrimas.
😭Por que alguém como a Bonnie, que vê joias como troféu do patrimônio de um homem, não entenderia a luta de um sacrifício.
Pra ela, um anel sem diamante é um fracasso da ambição, uma peça faltando no quebra-cabeça social.
😕
"Meu marido economizou quase quatro meses pra comprar isso", eu disse, baixando a voz pra um sussurro suave e íntimo, porque pra mim, meu anel também é "meu precioso..." XD. "Naquela época, a gente era muito pobre. A gente tava começando a morar junto e ele era o único que recebia salário. Ele pagava o aluguel pro meu pai e cobria cada conta de luz, água e gás; ele até tava pagando meu aparelho nos dentes naquele momento.
Engoli seco, lembrando vividamente daqueles tempos mais difíceis."Eu, por outro lado, continuei estudando constante e arduamente, com medo de perder uma das minhas bolsas." continuei, com a voz tremendo levemente enquanto a lembrança daquelas noites exaustivas e sem dormir voltava com força, com ele me ajudando apesar do próprio cansaço.
😞
Olhei para Bonnie, sentindo uma pontada repentina e aguda atrás das minhas pálpebras. Pisquei rapidamente, forçando as lágrimas para trás, e endireitei a postura, sentindo a força da presença do meu marido a poucos passos de distância.
😤
"Mas você se engana ao dizer que meu anel é barato ou sem valor." falei, recuperando a força na voz enquanto limpava uma lágrima teimosa da bochecha. "Sabia que só existem dois lugares na terra onde se consegue lápis-lazúli? É uma pedra de história e realeza."
Olhei para ele, tão encantada quanto na primeira vez que ele me mostrou.
"Além disso, meu amor sabe que golfinhos são meus animais favoritos, e azul é a cor preferida dele." continuei, retomando o ritmo constante na voz. "Então, se você está perguntando se eu trocaria isso por um anel de noivado brilhante e comum, você está perdendo tempo. Meu amor me deu esse anel quando me fez dele... e eu dei o dele quando o fiz meu."
😊
Todos os outros no ambiente pareceram se acalmar, e o silêncio passou de crítico a empático enquanto observavam o azul-real profundo do lápis-lazúli. Até a Bonnie mudou o peso do corpo, parecendo envergonhada por ter perguntado. Quase todo mundo ficou tocado pelas minhas palavras...A exceção era a Melissa.
😕
"Você não percebe que tá vivendo uma 'vida de vovó'!" Melissa disparou, e a voz dela cortou o silêncio sentimental como uma lâmina enferrujada. "Você tem mais de trinta, Marisol. Devia tá viajando, dançando, se descobrindo, não trocando fralda de novo. Você não sai com ninguém, vive cuidando dos teus filhos e continua tendo bebê. Isso não é vida!
😡Já não aguentava mais.
“Por que você é tão obcecada em se meter na minha vida privada?” explodi, enquanto a paciência que eu tinha mantido cuidadosamente durante aquela diatribe ridícula finalmente se quebrava. “Eu não zoando seu estilo de vida nem tento te convencer de que você é uma coitada, Melissa, porque... independente de como você viva... você não é. Você é a única aqui que tá tentando transformar a festa de aniversário de uma menina de sete anos e o amor da família dela num julgamento sobre domesticidade.”
Ela ficou atônita, chegando até a recuar diante das minhas palavras.“Meu melhor amigo e eu não saímos do jeito que você quer.” continuei, com a voz vibrando numa mistura de frustração e orgulho feroz. “Não precisamos de lugares ostentosos pra nos sentirmos conectados. Encontramos nosso próprio tempo, nos vãos silenciosos entre o caos, pra nos reconectar e lembrar quem somos além de sermos pais. Nunca precisamos do barulho de uma multidão pra validar nossa faísca; a mantemos viva no jeito que nos olhamos através de uma casa bagunçada. No entanto, diferente de você, a gente se diverte com nossos filhos, e é por isso que eu nunca me canso deles...”
“E toda vez que eu a levo pra um restaurante chique, a Marisol continua controlando nossos gastos como se a gente ainda estivesse naqueles dias austeros da faculdade.” interveio finalmente meu amigo, com uma voz de barítono suave e firme que cortou a tensão na hora.
😍
Ele deu um passo à frente, sabendo o momento exato em que precisava do resgate dele, como o verdadeiro herói que é.
“Diferente de você, Marisol não bebe nem fuma, e eu também não.” acrescentou, com um traço de sorriso na voz enquanto se aproximava. “As meninas, por outro lado, simplesmente adoram ver os pais dançando como idiotas na sala. É o melhor da semana delas... mas a única coisa que fazemos com frequência é fugir para um hotel por algumas horas... e ter um tempo a sós sem nos preocupar com nossos filhos escutando escondido.”😳
Eu corei e fiz cara de brava ao mesmo tempo.
Lancei ao meu marido um olhar que pretendia ser severo, mas que era inegavelmente carinhoso...
😏
Afinal, eu também curto nossas fugidinhas aleatórias para o hotel...
XD
Mas conforme as horas passavam e nossos convidados finalmente iam embora, eu sabia que essa briga provavelmente nunca terminaria.
😕
Pode ser que Melissa e Bonnie nunca entendam o que eu encontrei e fiquem me arrastando pro "lado sombrio"...
😂
Mas estou em paz com as escolhas que fiz.
Toda noite, adormeço ao lado da pessoa mais interessante que já conheci e, mesmo depois de anos e anos conversando e conversando, parece que nunca ficamos sem assunto.
Então, enquanto colocávamos nossos filhos na cama, Alicia, ainda com um resto de glacê de morango na bochecha, se aproximou para sussurrar a previsão "oficial" de Harold, a cerejeira.
XD
Ela nos disse com absoluta certeza que Harold tinha sussurrado um segredo pra ela: amanhã seria um dia de sol e pouquíssimas nuvens, se os passarinhos cantassem bem alto.
Nem sequer questionamos.😆
Essa é a parte boa de ser casada com ele: acredita nos nossos filhos aconteça o que acontecer.
E enquanto meu amor soltava uma risadinha diante do bocejo fofo do nosso bebê, beijou a testa do Jacinto antes de deitar suavemente nosso principezinho no berço e sorrir pra mim, fazendo meu coração pular uma batida enquanto ele se preparava pro treino noturno...
🤤 E percebi que não tem nada que me faça querer mudar minha vida.
😉Próxima publicação
2 comentários - Aniversário, noivado e anéis