Uma noite quente

Emma estava estranhamente quieta. As outras mulheres perceberam, mas não disseram nada. A noite semanal de cartas nunca foi sobre jogar baralho. Escolhiam jogos simples — copas, paus, rummy, pôquer de centavos — para poderem se concentrar em conversar em vez de jogar. Muitas vezes perdiam a conta, não lembravam de quem era a vez de dar as cartas, quem tinha ganhado a rodada anterior. Até os centavos dos jogos de pôquer voltavam para o pote para serem divididos na próxima vez.

Emma encarou as cartas que segurava com as duas mãos. Se realmente as tivesse visto, teria notado os naipes cuidadosamente organizados, as cartas mais altas à esquerda, as mais baixas à direita. Poderia ter lembrado qual jogo estavam jogando.

As outras mulheres tinham colocado todas as cartas na mesa, viradas para baixo. Ficaram olhando para ela. As quatro não tinham segredos. Sabiam quanto dinheiro cada família ganhava: o suficiente, mas nunca o bastante. Sabiam sobre os filhos, os pais, os vizinhos, os colegas de trabalho. Sabiam sobre os maridos, algumas mais do que outras.

Julie e Mark faziam parte de um clube de swing. Ela as deliciava com histórias dos fins de semana em hotéis e resorts onde o clube alugava um andar inteiro, um salão de baile — "Mais um salão de baile mesmo," ela ria. Dizia que Mark adorava vê-la com dois ou três caras. "Quanto mais pica eu tenho dentro de mim, mais excitado ele fica."

Cathy e Norm preferiam trocar de casal com outros em vez das orgias. Ela dizia que os quartetos deles eram "íntimos, amorosos." "Temos alguns parceiros fixos que são muito próximos, pessoas com quem realmente nos importamos." Então não é só sexo," insistia ela. Ninguém acreditava, mas ninguém também falava nada.

Bonnie e Vern eram poliamorosos em série. Recebiam outro homem, outra mulher, outro casal em casa por semanas, meses seguidos. Uma visita se estendeu por mais de um ano. Passaram-se dois meses selvagens com um casal de homens bissexuais. "Você nunca foi realmente, realmente fodida," ela disse, "até que um homem te penetre enquanto você chupa o pau de outro cara."

Emma era A Monogâmica. Era assim que a chamavam nas mensagens de texto — TMO. Ela não se importava. Mas tinha que admitir que as histórias dela sobre travessuras sexuais dentro e fora dos casamentos criavam um formigamento por dentro. Jerry ficava sempre feliz quando ela voltava para casa da noite de cartas, quente e implorando para ser fodida.

O que era legal, mas não era suficiente para ele. Jerry, ela tinha dito ao grupo, "quer me foder o tempo todo." De manhã, depois do trabalho, na hora de dormir. Todo santo dia. E os fins de semana? Nem me faça começar com os fins de semana. Mal consigo andar na segunda de manhã."

Elas a olharam com curiosidade, esperando ver se ela ia descrever algum problema, alguma reclamação legítima sobre o casamento. Não. Só sexo em excesso. Um plus, não um menos, concordaram.

E, no entanto, foi isso que a deixou nesse estado atordoado e confuso na noite de cartas. Ela amava muito o Jerry. Amava a qualidade do sexo que compartilhavam. O cara amava um oral quase tanto quanto ela, pelo amor de Deus. Mas, meu Deus, três, quatro, cinco vezes num dia?

Emma olhou para as amigas, que esperavam pacientemente ela quebrar o silêncio. Sorriu, colocou as cartas na mesa, viradas para cima. Tinha uma mão horrível. Limpou a garganta. "Bom. Eu, hum, tenho algo a dizer, algo a propor." Olhou para baixo, embaralhou e reorganizou as cartas, colocou-as de volta. Respirou fundo. Franzindo a testa. Fez uma careta.

"Eu, hum, bem... preciso que vocês, garotas, transem com meu marido."

As três amigas soltaram longos suspiros de alívio.

"Bom, já era hora," disse Cathy.

"Sim," disse Julie, "pelo jeito que você descreveu o pau dele... libido, o jeito que você come a minha buceta, tô doida pra colocar minhas mãos naquela pica dele." Então, quando? Essa noite? Tô pronta."

Emma riu. "Não, essa noite ainda é minha." Só preciso de um pouco de alívio desse desejo constante dele. E ainda preciso descobrir como fazer isso e deixar claro que ainda amo muito ele.

"Confia em mim, Em, deixar ele nos foder vai mandar essa mensagem clara e forte," disse Bonnie.

X X X

Emma decidiu arrancar o band-aid de uma vez. Trabalhava num turno de 7 às 3 no escritório de registros do hospital. A Cathy geralmente saía da firma de contabilidade dela às 4. O Jerry só se liberava do banco às 5. As duas mulheres já tinham tomado banho e estavam prontas pra ele quando chegou em casa.

Com a Cathy esperando no quarto de hóspedes, Emma cumprimentou o marido na porta como uma esposa clichê dos anos 50, vestindo uma lingerie provocante e segurando um gin tônica. Deu as boas-vindas em casa com um beijo e um abraço, pressionando o peito contra ele. Ele pegou a bebida com uma mão e acariciou a bunda dela com a outra. Tomou uns goles enquanto ela o guiava escada acima até o quarto principal.

Emma ajudou ele a tirar a roupa. Ajoelhou e beijou e lambeu a pica e as bolas dele. Já tava duraço, claro. Sempre pronto. Deitou ele na cama, apoiado em travesseiros pra que pudesse terminar a bebida enquanto ela se despia devagar pra ele. Tinha mantido o corpo que primeiro o atraiu quando entrou no quarto e sentiu a iluminação suave e a música. Emma colocou as mãos nos ombros dele. Sorriu largo, deu um beijo leve nos lábios e sussurrou, "Espero que curta seu presente essa noite.

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