**O Primeiro Capítulo: Fogo Santafesino**
O sol rachava a terra em Santa Fe, daqueles meios-dias onde a umidade respira na sua nuca e o único barulho que se ouve é o zumbido dos ventiladores. Do outro lado da tela estava César, meu primo. Trinta e dois anos, pintor de profissão, jogador de bocha aos domingos e, acima de tudo, um putanheiro inveterado. Um cara criado no campo, daqueles que se gabam de viver "livre que nem passarinho".
A conversa no Instagram tinha começado como qualquer outra, umas brincadeiras, ele se achando que as gatinhas com quem saía eram um *"caminhão"* mas na cama viravam um *"morto"*. Eu ria, sabendo muito bem o que tinha em casa. A Mica, com seus vinte e cinco anos, era tudo menos um morto. Na real, o fogo que ela tinha era o que me levou a mandar aquela primeira foto no privado.
Uma selfie nossa na frente do espelho do quarto. Ela de vestido justo, eu abraçando ela pela cintura. *"Outro dia a gente ia sair, mas ninguém deu ideia"*, escrevi, jogando a isca.
César, no começo, quis bancar o primo protetor, o cavalheiro impecável. Me mandava áudios com aquela voz grossa, pausada:
> *"Tem que respeitar e cuidar. Nada, eu cuido do meu... O respeito. Me surpreende."*
Até me contou que tinha esbarrado com a Mica umas vezes na General Paz, e que claro, tinha cumprimentado ela com toda a decência do mundo.
Mas o tesão é um veneno doce, e uma vez que entra no sangue, não tem volta. A parada escalou rápido. A Mica, sentada na beira da cama, olhava a tela do meu celular por cima do meu ombro, mordendo o lábio enquanto a gente ouvia os áudios do César. Ela adorava. Ficava doida sabendo que meu próprio primo, o solteirão cobiçado da família, tava olhando pra ela com outros olhos.
Resolvi ir direto ao ponto. Mandei mais umas fotos. As que a gente guarda na galeria oculta. A Mica de biquíni. A Mica naquele triquíni que não deixa absolutamente nada à imaginação. O celular vibrou quase na hora. César tinha perdido a compostura. O cavalheiro de General Paz tinha ido embora. > *"Agora você vai ver, agora quando eu ver ela... Que história é essa de foto que tão me chegando? De biquíni, de triquíni, que filho da p... que você é. Ai meu Deus. O que a gente vai fazer com você?"* > Eu respondi rindo, mexendo ainda mais no vespeiro: **"Cê curte o tesão, mano? Cê é picante, véi"**. Contei a verdade, aquela que César nem imaginava: eu era um bebê de colo perto dela. Se ele soubesse as coisas que Mica pedia no meu ouvido, não ia conseguir nem trabalhar sossegado. Falei pra ele parar com essas bobagens, ir tirar um cochilo. Mica tirou o celular da minha mão, rindo baixinho, com aquele olhar safado que me revirava o estômago de tesão. —Ei —ela disse, passando a mão no meu peito—, cê não falou pra ele que uma hora ia precisar de uma mão de um pintor pra arrumar umas paradas em casa? O plano se montou sozinho. César já tinha mordido a isca, a cabeça dele já tava maquinando, preso entre o instinto de não cruzar a linha da família e o tesão incontrolável de ter a namorada do primo servida de bandeja "com conteúdo pro primeiro capítulo". Umas horas depois daquela última mensagem, o celular vibrou de novo. César, fiel ao estilo de cara do interior que não quer dar o braço a torcer, tentou manter a pose de "macho alfa", mas já tava encurralado. "Hahaha, cê é um filho da p... mano. Olha que eu vou trabalhar de verdade, hein. Depois não vem reclamar se eu cobrar caro no orçamento. Semana que vem passo por aí com os latões." O peixe tinha mordido a isca. Ele se fazia de desentendido, mas nós dois sabíamos perfeitamente que ele não vinha pela grana nem pelo amor ao pincel.
O sol rachava a terra em Santa Fe, daqueles meios-dias onde a umidade respira na sua nuca e o único barulho que se ouve é o zumbido dos ventiladores. Do outro lado da tela estava César, meu primo. Trinta e dois anos, pintor de profissão, jogador de bocha aos domingos e, acima de tudo, um putanheiro inveterado. Um cara criado no campo, daqueles que se gabam de viver "livre que nem passarinho".
A conversa no Instagram tinha começado como qualquer outra, umas brincadeiras, ele se achando que as gatinhas com quem saía eram um *"caminhão"* mas na cama viravam um *"morto"*. Eu ria, sabendo muito bem o que tinha em casa. A Mica, com seus vinte e cinco anos, era tudo menos um morto. Na real, o fogo que ela tinha era o que me levou a mandar aquela primeira foto no privado.
Uma selfie nossa na frente do espelho do quarto. Ela de vestido justo, eu abraçando ela pela cintura. *"Outro dia a gente ia sair, mas ninguém deu ideia"*, escrevi, jogando a isca.
César, no começo, quis bancar o primo protetor, o cavalheiro impecável. Me mandava áudios com aquela voz grossa, pausada:
> *"Tem que respeitar e cuidar. Nada, eu cuido do meu... O respeito. Me surpreende."*
Até me contou que tinha esbarrado com a Mica umas vezes na General Paz, e que claro, tinha cumprimentado ela com toda a decência do mundo.
Mas o tesão é um veneno doce, e uma vez que entra no sangue, não tem volta. A parada escalou rápido. A Mica, sentada na beira da cama, olhava a tela do meu celular por cima do meu ombro, mordendo o lábio enquanto a gente ouvia os áudios do César. Ela adorava. Ficava doida sabendo que meu próprio primo, o solteirão cobiçado da família, tava olhando pra ela com outros olhos.
Resolvi ir direto ao ponto. Mandei mais umas fotos. As que a gente guarda na galeria oculta. A Mica de biquíni. A Mica naquele triquíni que não deixa absolutamente nada à imaginação. O celular vibrou quase na hora. César tinha perdido a compostura. O cavalheiro de General Paz tinha ido embora. > *"Agora você vai ver, agora quando eu ver ela... Que história é essa de foto que tão me chegando? De biquíni, de triquíni, que filho da p... que você é. Ai meu Deus. O que a gente vai fazer com você?"* > Eu respondi rindo, mexendo ainda mais no vespeiro: **"Cê curte o tesão, mano? Cê é picante, véi"**. Contei a verdade, aquela que César nem imaginava: eu era um bebê de colo perto dela. Se ele soubesse as coisas que Mica pedia no meu ouvido, não ia conseguir nem trabalhar sossegado. Falei pra ele parar com essas bobagens, ir tirar um cochilo. Mica tirou o celular da minha mão, rindo baixinho, com aquele olhar safado que me revirava o estômago de tesão. —Ei —ela disse, passando a mão no meu peito—, cê não falou pra ele que uma hora ia precisar de uma mão de um pintor pra arrumar umas paradas em casa? O plano se montou sozinho. César já tinha mordido a isca, a cabeça dele já tava maquinando, preso entre o instinto de não cruzar a linha da família e o tesão incontrolável de ter a namorada do primo servida de bandeja "com conteúdo pro primeiro capítulo". Umas horas depois daquela última mensagem, o celular vibrou de novo. César, fiel ao estilo de cara do interior que não quer dar o braço a torcer, tentou manter a pose de "macho alfa", mas já tava encurralado. "Hahaha, cê é um filho da p... mano. Olha que eu vou trabalhar de verdade, hein. Depois não vem reclamar se eu cobrar caro no orçamento. Semana que vem passo por aí com os latões." O peixe tinha mordido a isca. Ele se fazia de desentendido, mas nós dois sabíamos perfeitamente que ele não vinha pela grana nem pelo amor ao pincel.
6 comentários - Primeiro Capítulo - Acendendo o Fogo - Corno com meu primo
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