Nossa respiração começava a se sincronizar. O suor dos dois se misturava embaixo do lençol da minha cama, com meu braço cruzado atrás da cabeça dela, eu sentia uma daquelas ondas de carinho pela Nicole, que descansava a cabeça no meu peito. O silêncio da meia-noite destacava os resquícios do que acabávamos de fazer, e a luz do abajur iluminava suavemente nossos rostos.
Porém, sob aquela calma aparente, minha mente girava em torno do mesmo assunto. Tínhamos tido um bom encontro, mas uma ideia me obcecava há dias: eu queria senti-la por completo. Queria provar aquele paraíso do qual todo mundo falava.
— amor... — murmurei, passando minha mão livre pelas costas da Nicole, descendo lentamente até os quadris dela, acariciando cada centímetro da pele clara com a ponta dos meus dedos.
— Hmm? — respondeu ela, meio sonolenta, procurando mais conforto no meu peito.
— Sabe...? Eu estava pensando... E se a gente tentar algo diferente na próxima vez? — soltei num tom casual, mas com meu pulso acelerando.
— Diferente como? — ela levantou a cabeça, me olhando com aqueles olhos castanhos que eu amava.
— Sei lá... Talvez... sexo anal.
A verdade é que ela tinha me consentido muito desde que começamos nosso namoro. Tinha topado sem problemas coisas simples como me deliciar com os pés macios, lisos e bem cuidados dela, até complexidades como brincar de que ela era minha mãe. Ela me conhecia muito bem quando se tratava das minhas fantasias, porém, o silêncio se instalou no quarto. Não foi um silêncio desconfortável, mas sim um tanto cômico. Ela me olhou por mais um segundo, analisando a proposta com aquela tranquilidade que a caracterizava. Não era a primeira vez que eu perguntava aquilo.
— amor... — soltou ela, com uma voz suave mas firme, sem um pingo de dúvida —. Você sabe que eu prefiro não experimentar isso por enquanto...
Eu nunca tinha insistido. Todas as vezes que fiz aquela pergunta e ela recusou, eu não tocava no assunto de novo até vários encontros depois. Agora senti um pequeno impulso, uma vontade de tantear um pouco mais, de não me afastar de forma tão simples.
—Dizem que é incrível... É só tentar. —falei pausadamente num sussurro grave. A frustração aparecia com sutileza na minha voz.
—Amor... A gente já conversou sobre isso —suspirou ela, com um tom de carinho que tentava me acalmar, subindo delicadamente a mão para acariciar meu peito com os dedos—. Eu tô muito bem assim, com você. Não vamos complicar as coisas.
Os dias passaram, a recusa dela começava a causar um pequeno incômodo. Eu tinha sido paciente com ela, tinha dado tempo e atenção. Sei que é meu dever como namorado, e também sei que ela sempre me recompensou por isso: ela é gentil, atenciosa, complacente... Mas sempre existe uma parte interior que é egoísta, que mesmo sabendo que está errada, te faz acreditar que você merece mais e mais.
O recreio na escola sempre parecia um momento distópico. Sentado na última fileira da sala, com uma caneta entre os dedos e a mão apoiada no caderno, eu ouvia o burburinho lá fora, sem me sentir realmente parte dele. Às vezes saía pra dar umas voltas, às vezes me escondia no banheiro, às vezes (como hoje) preferia ficar sentado na minha carteira rabiscando a última página dos meus cadernos ou escrevendo algo sem propósito fixo. Já não podia passar tanto tempo com a Nicole lá, porque o inspetor sabia do nosso relacionamento e tinha nos proibido de dar qualquer indício dele na escola.
Logo naquele dia, o grupo de caras com quem — de vez em quando — eu me juntava mais pra matar o tempo do que pra me divertir de verdade, tinha decidido ficar na sala. Pra eles, eu era aquele amigo que só se juntava em momentos pontuais; pra mim, eles não passavam de colegas de classe. Havia uma distância invisível que me separava do jeito deles de ver o mundo.
—Tô te falando que a magrinha te deixa maluco na primeira hora —bocejava o Christian, se apoiando no encosto da carteira, enquanto o resto do grupo ria com uma cumplicidade grosseira—. Ela é uma profissional, mas ela faz com uma vontade que parece que te odeia e te ama ao mesmo tempo. Ninguém te chupa a rola como ela. — Completou despreocupado enquanto levava à boca a cerveja que tinham despejado numa garrafa de refrigerante pra passar despercebido.
As conversas sobre minas naquele grupo sempre caíam no mesmo terreno: a banalização absoluta do corpo, a carne desprovida de qualquer afeto. Normalmente, eu ficava entediado ou sentia uma rejeição sutil, porém, naquele exato momento, com o eco fresco da negativa da Nicole rondando na minha cabeça, as palavras do Christian bateram de outro jeito. O pulso acelerou.
— É, mas você sempre fica com ela só pra você, imbecil — disse outro da mesa, dando um cotovelaço no Christian entre risadas abafadas enquanto tirava a garrafa dele pra dar um gole —. Chama outra esse fim de semana, pra ver se ela tem tempo de atender a gente também.
Christian balançou a cabeça, como quem reafirma a posição privilegiada de "cliente frequente". Então, virou pra me olhar.
— Ei, Lu... Desenhando a profe Gabi de novo?
Os outros caíram na risada. Às vezes eu não sabia se era zoação ou cumplicidade. De qualquer forma, achava eles uns idiotas, mas nunca tinham mexido comigo, talvez só por isso eu tinha paciência.
— Não, Chris, hoje eu tava desenhando a sua mãe.
Os outros riram ainda mais. Ele não ficou pra trás e deu uns aplausos leves enquanto acompanhava as gargalhadas.
— Vem, idiota, toma um gole com a gente.
— Você sabe que eu não bebo.
— Um golezinho, homem... Ou prefere um suquinho de manga?
Soltando um suspiro, fechei meu caderno e guardei embaixo da pasta. Dava pra ver aquela sorriso safado nos lábios dele ao confirmar que tinha conseguido o que queria. Ele me passou a garrafa e então eu dei um gole...
— Porra... Tem gosto de cu... — falei tossindo e fazendo cara de nojo. Simplesmente não curtia álcool.
— Porra, careca... Dá pra ver que você nunca comeu um cu na vida. — Soltou Christian, seguido das risadas dos outros. — A "senhorita" Nicole tá te botando o freio de mão? — Completou com um sorriso torto, arqueando uma sobrancelha —. Não me diga que você pediu um pouquinho de ação por trás e ela te mandou pastar.
Senti o calor subir pro meu rosto. Me xinguei internamente por ter topado entrar na conversa dele de novo, por ter baixado a guarda. Quis me defender, xingar ele, mas o silêncio expectante da mesa me fez engolir seco.
— Vou te falar que a verdade é que sim... — Revelei, me surpreendendo com a minha própria boca.
Christian suspirou de novo com aquele sorriso idiota no rosto, então apoiou as mãos nos ombros dos que estavam mais perto.
— Galera, galera... Não riam... Isso é um código negro, vocês sabem...
Olhei pra ele com uma mistura de confusão e desprezo.
— Código negro...?
— Olha aqui, cabeludo... Conta pra gente, como é que é isso de a Nicole não te abrir a porta da entrada dos fundos?
O jeito tão informal e vulgar dele de falar me dava repulsa, mas eu começava a entender por que diziam que burrice é contagiosa.
— Porra, é o que você tá ouvindo... Ela simplesmente não quer fazer. — Respondi, sentindo que tava traindo minha reserva, mas ao mesmo tempo percebendo como uma faísca acendia dentro de mim ao revelar essas coisas.
Christian balançou a cabeça pra cima e pra baixo enquanto apertava os lábios. Se fazia de interessante analisando a situação.
— Beleza... Ela topou alguma outra fantasia ou fetiche seu?
— Sim.
— Tipo o quê...?
— Cê é idiota? Não acha que vou contar isso pra vocês. — Voltei pra minha zona de conforto.
— Qual é, Lu, é que se você não me contar, não vou saber a "gravidade" da situação. — Enfatizou mexendo os dedos.
— Bom, roleplay... Parcialismo...
Ele soltou uma risada interrompida pelos lábios fechados, por onde escaparam algumas gotas de cerveja. Os outros ao redor seguiram na mesma.
— Parcialismo é a palavra mais pretensiosa que você podia usar pra dizer que você gosta que façam uma masturbação com os pés. —os outros riam ainda mais alto— Vai peruca, não tem nada de errado em admitir que você gosta dos pés da sua mina, todo mundo aqui já recebeu uma masturbação com os pés.
- Eu nunca recebi uma masturbação com os pés. - Falou na hora um dos caras.
- Gordão, a única amostra de carinho feminino que você já recebeu foram os beijos de boa noite da sua mãe. - Respondeu na mesma hora o Christian.
- Gordão, eu queria mais que um beijo de boa noite da sua mãe. - Botou mais lenha na fogueira outro.
As risadas desse bando de neandertais tava me tirando do sério, então cortei o momento pra voltar ao assunto.
- Bom, é, é isso...
- Beleza peruca... Pelo que você tá contando, posso te dizer que você vai esperar muito mais pra poder aproveitar a raba da Nicole.
Eu sentia o sangue no meu rosto tão claramente ao ouvir aquilo. Me dava raiva ele falar daquele jeito, mas ao mesmo tempo graça. Era contraditoriamente satisfatório.
- Por quê?
- Roleplay, punheta com os pés... Tipo, sim, foge do sexo convencional, mas não deixam de ser coisas fáceis de testar com uma mina.
- Fantástico Christian... Agradeço muito a ajuda hein. - Respondi levantando um pouco a voz, de forma irônica.
- Vadia, você é impaciente demais... Olha... - E naquele momento ele virou pra olhar os amigos. Eles devolveram o olhar e começaram a rir, mas ao mesmo tempo demonstrando incredulidade diante do que sabiam que ele estava prestes a fazer... Dava até pra ouvir um "Não..." sussurrado.
Christian soltou uma gargalhada seca, uma mistura de deboche e arrogância, enquanto se inclinava pra frente. Os outros trocaram um olhar rápido, um lampejo de malícia contida que durou apenas um milissegundo e que naquele momento eu interpretei errado. Tinha um código implícito entre eles, um segredo compartilhado do qual eu era o único idiota excluído.
—Olha irmão, você tá perdendo do verdadeiro paraíso —disse ele, tirando o celular com fingida displicência. — Como agradecimento por deleitar nossos olhos toda vez que sua mãe vem à escola, vou te dar uma coisa.
Olhando para o celular, escreveu rápido num canto de uma folha do caderno e estendeu a mão.
— Toma. Escreve pra esse número, pergunta pelo serviço de hotel. Te garanto que essa mulher vai te virar a cabeça... e vai te fazer esquecer qualquer recusa. Experimenta você mesmo.
Olhei o papel por alguns segundos, arqueando a sobrancelha. Será que ele realmente me achava tão da laia dele a ponto de fazer uma coisa dessas?
— Você é bem idiota se acha que eu vou contratar uma puta.
Outra gargalhada começou a inundar aquele canto da sala.
— Ah não, careca... Não é uma puta... É A puta.
Com desconfiança, guardei o papelzinho no bolso, sentindo o peso frio do papel contra o tecido. Não disse mais nada. Eles riram de novo, um som denso e carregado de intenções sombrias que atribuí à burrice habitual deles, sem suspeitar nem por um segundo da monstruosa ironia que escondia aquele contato.
O papelzinho amassado com o número de telefone andou do meu bolso pra minha mesa de cabeceira e da minha mesa de cabeceira pro meu bolso durante quase uma semana. Naquele sábado eu teria todo o tempo do mundo pra pensar nisso, porque os pais da Nicole tinham saído e ela ficou em casa com a irmã mais nova.
Dando voltas num parque, minha mente foi um campo de batalha.
O que eu estou fazendo? —me perguntava uma e outra vez—. A Nicole é uma ótima namorada. Cuida de mim, me atura, me mima nos meus caprichos mais estranhos... Será que vou mesmo jogar tudo fora e meter outra mulher na minha cama —ou num hotel, o que é pior— só pela mania idiota de experimentar sexo anal?
Por outro lado, a frustração continuava latejando forte, alimentada pelo eco das zoações do Christian, que nos dias seguintes ficou insistindo pra eu fazer. Sentia que se não fizesse agora, aquela espinha ficaria cravada pra sempre, apodrecendo dentro de mim.
Quando abri a porta da minha casa ao voltar, o burburinho da rua se apagou de repente. A sala cheirava a uma mistura de canela e umas ervas de procedência duvidosa. E lá estava ela.
Romina caminhava da cozinha para a sala com uma blusa leve e um short jeans que deixava à mostra suas pernas grossas e torneadas, com aquele jeito de andar despreocupado e natural que sempre chamava a atenção de todos os nossos colegas de classe. Ao me ver entrar, ela parou por um segundo e me dedicou aquele sorriso maroto, marca registrada, que compartilhávamos desde criança.
— Uau, finalmente apareces, Lucas. Achei que o show de gemidos noturnos tinha se mudado pra casa da Nicole. — Ela falou mantendo aquela picardia nos lábios, como se saboreasse cada palavra.
— Para de falar besteira, eu tava ocupado — respondi, tentando manter a voz calma, enquanto desviava o olhar por um segundo, sentindo de repente um desconforto estranho e sutil que antes não existia.
Ela soltou uma risada leve, apoiando uma mão na cintura, com aquela faísca nos olhos que às vezes beirava a provocação sem que ela mesma parecesse notar. Romina sempre foi assim: desinibida, dona de um charme magnético que não precisava de esforço, e com uma confiança no próprio corpo que desconcertava qualquer um.
— Bem... de qualquer forma, maninho, vou precisar que você me cubra. — Ela soltou enquanto juntava as mãos e fazia um bico debochado.
— O quê? O que você vai fazer agora?
— A única coisa que você precisa saber é que vou sair à noite. Sinceramente, acho que a Denisse já tem idade pra passar uma noite sozinha, mas não quero a mãe no meu pé enchendo o saco por ter deixado ela sozinha por algumas horinhas... Porque claro, pro filhinho querido dela ela nunca reclama de nada... — Ela acrescentou com uma mistura de reprovação e deboche ao mesmo tempo, cravando os olhos com mais intensidade.
— O quê? Não fode... Que horas você volta? — Perguntei enquanto dava passos em direção a vá em frente, deixando-a para trás.
- Não passa da 1h da manhã, eu prometo. - Acrescentou, se aproximando por trás de mim. Ao me alcançar, colocou as mãos nos meus ombros. —Se você me cobrir dessa vez, te devo dois favores... Eu faço... O que você quiser. — Sussurrou com malícia no meu ouvido.
Fiquei parado ali mesmo, com a mão ainda apertando o papel no meu bolso. A Romina tinha aquele charme difícil de evitar até pra mim. Ela me irritava, mas sabia como falar comigo pra me convencer do que fosse. Sempre fingia ser durão, mas no final nunca conseguia dizer não pra ela.
Já no meu quarto, o contraste entre a cumplicidade fraternal com minha irmã e a ideia suja que os caras tinham plantado na minha cabeça criou um curto-circuito na minha mente. Se eu quisesse fazer algo, tinha até a 1h da manhã pra me decidir.
Talvez procurando algo que me fizesse me segurar e não fazer isso, abri uma das gavetas do meu guarda-roupa. Ali, embaixo das minhas roupas, tirei o envelope com o dinheiro que eu vinha juntando pro meu próximo aniversário com a Nicole... Já tinha mais do que valiam três salários mínimos, tava planejando dar o melhor dia da vida dela... Porém, naquele momento, mais do que encontrar uma âncora, senti algo diferente... Senti poder nas minhas mãos.
O tempo voou, o envelope com as economias continuava entre minhas mãos, estalando levemente sob a pressão dos meus dedos. Fiquei sentado na beira da cama, encarando fixamente o número no papel que tinha deixado sobre o criado-mudo.
Você tem certeza disso? — repetia a voz da consciência —. Contratar uma profissional só por uma obsessão caprichosa era cruzar uma linha da qual não haveria volta. Se a Nicole descobrisse, se ainda por cima ficasse sabendo que gastei um dinheiro que tava juntando pro nosso aniversário com algo assim... a relação ia pro caralho.
Me levantei de repente, começando a andar de um lado pro outro do quarto, com o celular na mão e o pulso acelerado. A indecisão me corroía. Por um lado, a culpa e o medo de estragar tudo; por outro, a espinha cravada da recusa da Nicole e o eco das zombarias do Christian ecoando na minha cabeça.
Uns nós dos dedos batendo suavemente na porta do meu quarto interromperam meus pensamentos. Antes que eu pudesse responder, a porta se abriu com um leve rangido.
Era a Romina.
Ela parou na soleira, pronta pra sair. Vestia um vestido curto e justo de courino preto que moldava cada curva da sua silhueta, marcando a cintura e realçando a figura de um jeito descarado, complementado com uns saltos altos de matar que alongavam as pernas e faziam eco com um tique-taque seco no chão, combinado com um perfume intenso, doce e embriagador que na hora invadiu cada canto do meu quarto. O aroma e a segurança com que ela vestia a roupa provocaram em mim um choque instantâneo, uma reação física que me obrigou a desviar o olhar de uma vez, sentindo o calor subir pelo meu pescoço.
—Já vou indo, maninho. Você sabe... Me dá uma força —disse ela, me dando um sorriso safado, apoiando levemente o ombro no batente da porta com toda a naturalidade.
—É... já sei, vai com cuidado —respondi com a voz meio seca, tentando que ela não notasse a tensão repentina que a presença dela tinha instalado no ar.
Eu sabia, ou pelo menos tinha uma ideia de pra onde ela ia. Não era segredo o quanto ela era "desejada", e olha que, mesmo sendo irmão, eu conseguia reconhecer os atributos dela. Ela era gostosa, alta, de pele morena clara e com cabelo ondulado castanho escuro, tingido da metade pra baixo de vermelho vinho. Com um peitão volumoso que deixava as outras minas da sala com inveja, umas coxas grossas e carnudas, e uma bunda que tinha me forçado a ouvir meus colegas falando o quanto queriam ser sufocados por ela... E olha que pelo volume ela deixaria qualquer um sem ar.
Ela soltou uma risada curta, girou nos calcanhares e foi embora, deixando atrás de si um rastro de perfume que parecia se recusar a desaparecer.
Fiquei paralisado no meio do quarto, com o coração batendo nas têmporas. O contraste entre a imagem da Romina saindo e as palavras do Christian ecoando como uma repreensão, fez algo dentro de mim finalmente se quebrar. A hesitação sumiu, substituída por uma urgência cega.
Eu faria, era definitivo. Só precisava esperar a Romina voltar pra poder sair de casa.
Peguei meu celular e escrevi a mensagem. Simples e direta.
"Oi! (: Me falaram sobre seus serviços e queria saber os detalhes. Muito obrigado"
Olhei pro botão de enviar na tela. Sem hesitar, apertei e me joguei na cama, encarando o teto.
Passou uma hora e meia. Depois duas.
O tempo no meu quarto passava pesado como chumbo enquanto o celular ficava virado pra baixo no colchão. A urgência inicial virou uma mistura de ansiedade e ceticismo; comecei a me convencer de que aquilo tudo era uma pegadinha do Christian e dos amigos dele, uma piada idiota pra me fazer perder tempo.
Tava prestes a soltar um suspiro de frustração e descartar a ideia de vez quando a tela acendeu de repente com um zumbido seco.
Uma mensagem nova.
Peguei rápido, sentindo o pulso acelerar na hora. Ao desbloquear, vi a resposta...
💬: Oi, gostoso. Desculpa a demora, a noite foi agitada e só agora vi o celular. Aqui tá a lista dos meus serviços:
- 1/2 hora: S/150
- 1 Hora: S/250
- 2 Horas: S/400
- Noite inteira: S/700
O serviço inclui:
- Vaginal
- Oral
- Beijos na boca
Extras:
- BDSM: S/30
- Footjob: S/30
- Anal: S/50
- Fetiche específico: A combinar.
💬: Os extras só valem pro serviço de 2 Horas pra baixo. "Noite inteira" já vem com tudo incluso.
Me fala qual te atende melhor, meu amor. Vou ficar feliz em te atender 🥰😘.
E logo em seguida, Ela mandou três fotos dela. O rosto não aparecia, mas dava pra notar os atributos... Vestia uma lingerie de renda vermelha, meia arrastão... E na última foto estava nua. A pele parecia macia, num tom moreno claro, enquanto os seios eram grandes, enormes, de tirar o fôlego, com bicos grossos e carnudos... Carnudos como a bunda dela, que na frente da câmera parecia dois monumentos dignos de admiração mundial.
Li a mensagem duas vezes. O tom era safado, profissional e direto ao ponto, assim como as fotos. A ideia de que do outro lado da tela tinha uma mulher totalmente alheia ao meu mundo, pronta pra realizar qualquer fantasia sem questionamentos, apagou o último resquício de hesitação que me restava.
Não parei pra pensar nos números. Peguei o envelope com as economias do aniversário, contei as notas sabendo exatamente quanto tinha e sem me importar de esvaziá-lo quase por completo... Não tinha mais volta. Digitei a resposta com total determinação.
«Quero o serviço de noite inteira..»
A resposta demorou só uns dois minutos pra chegar.
💬: Perfeito então... Comigo não tem depósito exigido... Eu realmente curto meu trabalho 😏😋. Você tá num hotel ou quer que eu vá até sua casa?
Era completamente surreal. Dava pra sentir a disposição da parte dela, e sim, era o trabalho dela, mas eu conhecia profissionais do sexo que te tratavam como se você devesse algo a elas.
"Temos que nos ver num hotel. Me dá uns minutos pra fazer a reserva."
Cada ação parecia estar derrubando meus filtros morais, tudo que tinha me ajudado a construir minha relação com a Nicole, como se eu estivesse ignorando aqueles pensamentos que tentavam me trazer de volta à sobriedade.
Procurei o hotel mais perto da minha casa e liguei. Não levou mais que 2 minutos e o quarto já estava reservado...
Mandei o endereço pra ela e o seguinte:
"Que tal você chegar às 2AM?"
A reserva estava feita a partir da 1:30AM. Eu sabia que Romina disse que não chegaria depois da 1, mas conhecendo ela, com certeza ia demorar. Marcar a escort uma hora depois me pareceu o mais precavido.
A resposta demorou alguns minutos a mais... Tempo em que os nervos me corroíam. Cheguei até a sentir uma dorzinha no estômago... Mas finalmente recebi a resposta dela:
💬: Claro, meu amor. A gente se vê no hotel às 2AM... Me dá tempo de me arrumar direitinho 😉
Tinha passado apenas um quarto de hora desde que combinamos o encontro, ainda sentindo a adrenalina de ter torrado as economias no chat, quando a tela do meu celular vibrou de novo.
Pensei que era outra mensagem da escort confirmando algum detalhe, mas ao desbloquear a tela me deparei com uma mensagem da Romina.
💬: Me desculpa, maninho... Não vou conseguir voltar pra casa essa noite. Por favor, me cobre com a mãe se ela perguntar, juro que é super importante e te devo o maior favor do mundo. Faço o que você quiser depois, de verdade.
Fiquei petrificado olhando a mensagem. A raiva e a frustração me bateram no peito na hora, fazendo eu soltar um xingamento no ar na escuridão do quarto.
"Porra, Romina!"
Todo o meu plano perfeito, a coartada milimetricamente calculada pra deixar uma margem prudente entre a volta dela à 1:00 AM e minha saída às 2:00 AM, tinha acabado de ir pro caralho por causa da irresponsabilidade dela. Comecei a digitar com fúria no chat, reclamando:
«Como assim você não vai voltar? A gente tinha combinado que você estaria aqui à 1. Você fodeu meus planos por completo, volta agora.»
A resposta dela não demorou, seca e definitiva:
💬: Não posso, Lucas. Simplesmente não dá pra eu chegar em casa hoje. Confio em você, por favor, me cobre.
Tentei ligar pra ela, mas a chamada caiu na hora. Eu a conhecia bem demais; quando a Romina se fechava em algo e colocava aquele muro de teimosia, era impossível fazê-la mudar de ideia. Por mais que eu insistisse, ela não ia dar o braço a torcer.
Passei as mãos no cabelo, andando de um lado para o outro do quarto com o pulso acelerado. As opções se reduziram a zero em questão de segundos: ou eu cancelava o encontro com a acompanhante, perdendo a oportunidade e engolindo a frustração, ou seguia em frente apesar de tudo.
E então, uma ideia ainda mais irresponsável cruzou minha mente.
Saí no corredor e olhei para a porta da Denisse, pensando nela, minha irmã mais nova, que já devia estar dormindo no quarto dela. Deixá-la sozinha em casa a madrugada inteira era uma burrice monumental, um risco que beirava a irresponsabilidade total. Se a mãe descobrisse, ela ficaria muito brava com a Romina, e isso significaria problema pra mim.
Mas a espinha encravada, o desejo urgente e cego que pulsava forte dentro de mim, falou mais alto que o bom senso. Resmunguei baixo, xingando a Romina, o Christian, a Nicole e a minha própria sorte, mas tomei a decisão final.
Se ela não pensava em cumprir a parte dela no trato de família, eu também não ia cumprir. A Denisse já era crescida, só 2 anos mais nova que eu e a Romina, ela ia ter que ficar dormindo sozinha por algumas horas. Eu não ia voltar atrás agora...
Troquei de roupa com uma calma estranha, procurando entre minhas roupas as melhores que eu tinha. Enquanto ajustava a camiseta e vestia a jaqueta, uma pontada de culpa percorreu meu peito de forma inevitável. O ritual de se arrumar com capricho, de cuidar de cada detalhe na frente do espelho antes de sair pra um encontro, me trouxe de repente as lembranças do meu primeiro encontro com a Nicole, dos nervos limpos e da ilusão genuína daquela época. Vi o rosto dela com expressão inocente, os olhos castanhos e o cabelo liso da mesma cor, a pele branca e macia...
Apertei os dentes, afastando esse pensamento intrusivo pra não fraquejar agora que não tinha mais volta.
Saí de casa com o pulso acelerado, garantindo que a porta estivesse bem fechada e confiando que a Denisse continuaria profundamente dormindo no quarto dela.
O hotel escolhido ficava a uns quinze minutos a pé da minha casa, uma distância curta que percorri sob a luz fraca dos postes, sentindo o ar frio da madrugada bater no meu rosto e acalmar pela metade o fogo que eu carregava por dentro.
Cheguei no estabelecimento bem na hora prevista, à 1h30 da manhã. Passei pela recepção de cabeça baixa, paguei o que era devido e me entregaram o cartão-chave. Caminhei pelo carpete até o elevador e entrei. Uma vez no quarto andar, andei pelo corredor comprido até achar meu quarto e entrei.
O quarto era grande, iluminado por um abajur e uns holofotes de luz quente que mal disfarçavam o cheiro de lençol limpo e desinfetante. Sentei na beirada da cama de casal, olhando os números avançarem no relógio de parede, enquanto o silêncio do lugar me esmagava.
Eu tinha exatamente meia hora de folga. Trinta minutos longos sozinho com meus pensamentos, com a culpa de estar prestes a gastar as economias do aniversário, com o peso de ter deixado minha irmã mais nova sozinha em casa, e com a estranha e febril antecipação do que estava prestes a acontecer.
O relógio avançava com uma lentidão agonizante. Os ponteiros marcavam cada vez mais perto das 2h da manhã, o momento em que eu receberia alguma mensagem da acompanhante ou uma ligação da recepção...
Pra aliviar um pouco o nervosismo, liguei a televisão e entrei no YouTube pra colocar uma música, um rock alternativo mais suave. Pendurei a jaqueta no cabideiro e dei uma olhada no frigobar que ficava embaixo da cômoda onde estava a TV. Só cerveja... Mas fuçando até o fundo, achei uma lata de refrigerante.
Fiquei de pé ao lado da cômoda, dando um gole pequeno na lata de refrigerante enquanto a música tocava num volume baixo e constante vindo da TV. O sabor doce e inofensivo da bebida contrastava absurdamente com o nó de ansiedade que apertava meu estômago.
Olhei de novo o relógio da parede. Duas em ponto.
Exatamente quando o ponteiro dos minutos marcava a hora certa, o telefone fixo em cima da mesinha de cabeceira soltou um chiado estridente que ecoou pelo quarto inteiro.
O som fez meu coração pular. Larguei a lata de uma vez em cima do móvel e me aproximei em passos largos, pegando o telefone com o pulso acelerado.
—Alô...? —tentei dizer, mas minha própria voz saiu seca e engasgada.
—Boa noite, moço. Desculpe o incômodo —respondeu a voz monótona e formal da recepcionista do outro lado da linha—. Estou informando que tem uma moça na área de entrada perguntando pelo quarto 404. Precisamos da sua autorização direta para permitir que ela suba. Quer que a deixemos passar?
O tempo pareceu parar por completo. Meus dedos apertaram com força o plástico do telefone enquanto eu olhava fixamente para a porta de entrada do quarto.
Já não tem volta.
A culpa, o medo da Nicole descobrir, o dinheiro das minhas economias e a irresponsabilidade de ter deixado a Denisse sozinha em casa colidiram na minha mente como uma onda gigantesca. Mas o impulso, aquela curiosidade escura e voraz que tinha me trazido até aqui, acabou esmagando tudo.
Engoli em seco, sentindo a boca completamente ressecada, e soltei o ar preso.
—Sim... —consegui articular, com um fio de voz que tentava soar firme—. Deixa ela subir, por favor.
—Entendido, moço. Tenha uma boa noite.
O tom de discagem soou no meu ouvido. Desliguei com dificuldade e fiquei imóvel ao lado da cama, ouvindo as batidas do meu próprio coração martelando nas têmporas.
Passos leves do outro lado do corredor acarpetado. Um silêncio denso. E, finalmente, duas batidas secas e suaves ecoaram direto na porta do meu quarto.
Minha respiração estava curta, superficial, presa em algum lugar da garganta. Apertei as mãos em punho, sacudi os ombros para soltar os músculos e dei os dois passos que me separavam da entrada.
Estendi a mão, os dedos roçaram o Maçaneta metálica e, com um movimento seco, puxei a porta para dentro.
A luz fraca do corredor se derramou de uma vez na penumbra do quarto, recortando uma silhueta conhecida que me deixou completamente sem ar.
Ali estava ela.
Na minha frente, de pé na soleira, com um leve sorriso nos lábios que rapidamente se desfez ao me ver, e uma bolsa de mão pendurada no ombro, estava Romina.
O tempo, o espaço e o senso comum se desintegraram em uma fração de segundo. Meus olhos percorreram de cima a baixo a figura dela com uma lentidão desesperada, se recusando a aceitar o que as retinas gritavam com crueza: o vestido justo e curto de courino preto que moldava cada curva da silhueta dela, os saltos altos de matar que alongavam as pernas, e aquele perfume intenso, doce e embriagante que já impregnava todo o ar do quarto. Era exatamente a mesma roupa com que ela tinha saído de casa horas antes, me jurando que tinha um compromisso urgente e que não podia voltar.
O sangue abandonou meu rosto por completo. Senti um frio ártico subindo pela espinha enquanto o coração, que até um segundo atrás batia descompassado, pareceu parar de uma vez no peito. Tudo convergia naquele maldito instante, me esmagando sob o peso de uma ironia tão doentia e retorcida que beirava o irreal.
Romina suspirou e balançou a cabeça de um lado para o outro enquanto nos lábios dela voltava aquela curvatura, só que agora acompanhada de um olhar mais malicioso e até um pouco intimidador. Ela deu um passo à frente para cruzar a porta, empurrando-a com o quadril enquanto fechava atrás de si com total naturalidade.
— Achei que você estivesse em casa cuidando da Denisse — disse com reprovação, mas ao mesmo tempo com uma dúvida descarada. Ela ergueu o olhar aos poucos enquanto tirava a jaqueta.
Parou em seco no meio do cômodo. Os olhos escuros dela colidiram diretamente com os meus.
— Você é um idiota... — completou por fim. O silêncio absoluto se instalou-se entre nós dois, quebrado apenas pelo zumbido distante da televisão. E o eco da nossa própria respiração presa.
— Dá pra saber que porra se passa na tua cabeça, Lucas? — estourou num sussurro áspero, cruzando os braços, com o vestido de courino se ajustando a cada respiração ofegante. A expressão dela mudou em segundos... —. Cê tava me espionando? Me armou uma pegadinha?
— Se eu te armei uma pegadinha? — respondi, sentindo o sangue zumbindo nos ouvidos —. Fui eu que mandei mensagem pro número. Eu paguei a reserva! Como eu ia saber que a "profissional" recomendada pelos imbecis da faculdade era você?
Romina soltou uma risada seca, incrédula, e largou a bolsa no sofá do quarto.
— Ah, claro. O grande cliente misterioso que pediu o pacote de "noite inteira" sem economizar era você... Como você caiu baixo, irmãozinho. Que que houve com a Nicole pra você vir procurar uma puta? Achava que tava tudo bem entre vocês, que como você mesmo fala toda hora "é o amor da sua vida"... Essa mina morre por você. E você aqui?
O comentário acertou em cheio no meu orgulho, acendendo uma faísca de raiva.
— Cala a boca! Não se mete no que não te interessa. E aliás, cadê você segundo você? Me disse que tinha um compromisso urgente, que não podia voltar pra casa, e no fim das contas tá aqui vendendo a buceta!
Ela deu um passo à frente, diminuindo a distância entre nós. O perfume doce e intenso dela voltou a me envolver, denso e sufocante. Me olhou fixamente, com uma mistura de superioridade e uma faísca estranha de diversão torta brilhando nos olhos escuros dela.
— Meu "encontro" da noite foi cancelado e decidi ir pra uma festa pra relaxar um pouco. Foi aí que li tua mensagem idiota... Que que tem de mais? Pelo menos eu trabalho pelo que quero, e aliás, de onde você tirou essa grana pra isso?...
Ao dizer isso, pareceu se tocar e então abriu a boca o máximo que pôde com um sorriso. zombeteira... Era fácil cair nos encantos dela, mas pra mim, como irmão dela, também era fácil odiá-la em certos momentos...
- Aguenta... O dinheiro que você tava juntando pro seu terceiro aniversário com a Nicole... É isso, né? - Ela soltou uma gargalhada - Sim... é isso, você ia usar essa grana que tanto te custou juntar pra, em vez de dar pra Nicole o que ela merece, pagar uma qualquer... ou, nesse caso, eu... Sim... É isso...
- Cala a boca! Não é isso, é...
- É o quê? - Ela me interrompeu, arqueando uma sobrancelha com uma lentidão exasperante, enquanto colocava as mãos na cintura, destacando os ombros e o decote pronunciado do vestido - Uma necessidade imperiosa?
O silêncio caiu de novo entre nós, mas já não era um silêncio de surpresa. O ar no quarto ficou denso, carregado de uma eletricidade estranha. A Romina se intrometeu um pouco mais no meu espaço pessoal, me avaliando de cima a baixo com aquele olhar descarado que sempre usou pra me desconcertar, só que agora o contexto mudava absolutamente tudo.
- Deus, Lucas... Você é um imbecil - Ela sussurrou com uma voz baixa, quase um eco de frustração que deslizou pelos meus ouvidos - E ainda deixou a Denisse sozinha... Merda... Você é um idiota...
Ela começou a andar de um lado pro outro. Cada passo era acentuado pela sola dos saltos, como um questionamento constante, uma desaprovação difícil de ignorar.
- E agora, o que você vai fazer? - Ela disse, soltando o ar pela boca, enquanto cruzava os braços de novo e me media com o olhar - Vai me expulsar do quarto, vai me pagar a passagem de volta pra eu ir cuidar da Denisse, ou vai fingir que nada disso aconteceu?
Fiquei mudo, com os punhos apertados dentro dos bolsos e o sangue pulsando nas têmporas. Queria gritar pra ela vazar, que tudo aquilo era um pesadelo ridículo, mas meus lábios não respondiam.
Ela me observou em silêncio por alguns segundos, notando o tremor na minha mandíbula e o jeito que meus olhos, muito apesar de mim, desviavam um segundo para os lábios dela e depois para o decote pronunciado do vestido de courino.
A testa franzida foi mudando aos poucos, se transformando num sorriso lento, como se o predador dentro dela começasse a arranhar a soleira.
—Eu sabia... —murmurou de repente, dando um passo para trás, mas não tão longe a ponto de dissipar o aroma adocicado do perfume dela—. Eu sabia perfeitamente, porra...
—Do que você tá falando? —respondi com a voz quebrada, na defensiva.
—Não se faz de bobo, Lucas —o tom dela baixou, virando um sussurro denso—. Você achava que era muito discreto, mas eu te vi. As vezes que você ficava me encarando demais na cozinha, na piscina da tia Johanna, como você ficava ao me ver de biquíni, ou como você se esfregava em mim quando a gente passava colado pela porta. Você tá há semanas querendo fazer exatamente isso... Não, não semanas... Meses... Anos!, só que precisava de uma desculpa grande o suficiente pra abafar sua culpa.
O golpe foi seco, certeiro e devastador. Não consegui rebater nada porque naquele momento percebi que ela tinha razão. Cada pequena repressão, cada pensamento proibido que eu tinha tentado enterrar sob meu relacionamento com a Nicole e meu papel de irmão, acabava de ser desenterrado e exposto à luz sem piedade, até pra mim mesmo.
A Romina esticou a mão e, com a ponta dos dedos, roçou suavemente a borda da minha mandíbula, enquanto um olhar analítico se desenhava no rosto dela. O toque dela mandou uma descarga elétrica pela minha coluna toda, dissolvendo os últimos fragmentos de compostura que me restavam.
—Você vem procurar uma puta e acaba sendo eu... Não é o destino perfeito? —sussurrou, mas dessa vez com uma sensualidade descarada, inclinando a cabeça, quase assumindo que tinha o controle da situação.
—Cê tá maluca! —exclamei na hora, dando um passo pra trás, com a voz trêmula e as mãos levantadas num gesto defensivo absurdo—. Isso não é verdade! Eu amo a Nicole, jamais faria uma coisa dessas com ela e menos... menos com... Você está inventando qualquer besteira, Romina! Eu vim porque... porque eu errei, foi um impulso idiota de uma noite, mas eu não sou assim, eu juro, eu nunca...
Continuei falando a toda velocidade, tropeçando nas palavras, tentando construir um muro de justificativas e mentiras piedosas pra afogar a verdade que batia no meu peito.
Mas Romina não tirava os olhos de mim. Me observava com uma mistura de arrogância e tédio, ouvindo minha verborragia como quem ouve chuva.
No meio do meu monólogo desesperado, ela deu um passo à frente com uma rapidez inesperada, fechando o espaço que nos separava. Antes que eu pudesse reagir, me agarrou pela gola da camiseta e colou os lábios nos meus.
O mundo apagou de uma vez.
Foi um beijo intenso, firme, carregado de uma autoridade avassaladora e um gosto de proibido que cortou minha respiração na hora. Tentei endurecer o corpo por puro instinto de sobrevivência moral, mas meus lábios cederam quase por traição, respondendo ao estímulo com uma urgência cega que eu guardava a sete chaves há anos. O perfume doce da pele dela, o calor do corpo colado no meu e o peso de toda a culpa se dissolvendo naquele único segundo fizeram minhas mãos, sem eu mandar, se agarrarem com desespero na cintura dela, enquanto aquele volume embaixo da minha calça ia ficando cada vez mais duro.
Romina se afastou só alguns milímetros, ofegando levemente, com um sorriso triunfante e obscuro brilhando nos lábios molhados.
— Você fala demais, irmãozinho... — sussurrou com voz rouca, roçando de novo minha boca —. E nós dois sabemos que você tá morrendo de vontade de parar de fingir... Já estamos aqui os dois, não é...? Você já pagou o hotel...
O ar no quarto parecia ter ficado denso, quase irrespirável, pesado com o aroma do perfume dela e o eco das nossas respirações aceleradas.
Ela não se afastou de todo. As mãos dela, que ainda me seguravam Da gola da camiseta, deslizaram os dedos com parcimônia até meus ombros, cravando levemente enquanto me estudava com aquele olhar que sabia absolutamente tudo.
— Então... — continuou, com um sussurro que percorreu minha espinha como uma descarga elétrica —, me diz uma coisa, Lucas. Se você já está aqui, se já alugou o quarto pela noite inteira, e se nós dois sabemos exatamente o que você quer... Que diabos você está esperando pra terminar de quebrar as regras?
O último vestígio de razão, de moralidade e de culpa se desintegrou dentro de mim, consumido por uma onda de calor que queimava meu sangue. Não havia mais volta. As desculpas tinham se esgotado e a realidade, por mais torta e proibida que fosse, nos tinha presos no centro daquele quarto de hotel.
Apliquei firmeza nas minhas mãos, colocando força na cintura dela e sentindo a curva do corpo dela apertada pelo vestido. Atraí ela pra mim com uma brusquidão faminta, colando de novo meus lábios nos dela num beijo desesperado, esfomeado, que afogou qualquer pensamento racional, no qual minha língua conheceu a dela.
Romina soltou um suspiro abafado, respondendo com a mesma intensidade voraz, abrindo caminho sem reservas enquanto os braços dela envolviam meu pescoço com força.
O mundo lá fora, com a Nicole em casa, com a Denisse dormindo sozinha, com toda aquela repressão, deixou de existir. Não éramos mais irmãos; éramos dois cúmplices caindo voluntariamente no abismo, prontos pra cruzar a linha definitiva.
Minhas mãos deslizaram com desespero pelas costas dela, agarrando o zíper do vestido. Puxei pra baixo com um movimento brusco, e a cremalheira cedeu com um estalo seco que cortou o ar. O material rígido e brilhante se soltou, caindo numa poça preta ao redor dos saltos dela, deixando à mostra o torso, protegido apenas por um sutiã de renda carmesim, e uma calcinha da mesma cor.
Romina não perdeu tempo. Seus dedos ágeis, trêmulos mas certeiros, já estavam brigando com a barra da minha camiseta, puxando o tecido pra cima enquanto me beijava o pescoço com uma voracidade que me tirava o fôlego. O dinheiro, o envelope com as economias que ainda guardava no bolso da calça, as tarifas estipuladas, as regras do negócio... tudo isso deixou de importar no instante em que a pele nua dela colidiu com o meu peito.
Consumidos pela urgência de possuir o que tínhamos proibido por tanto tempo, empurrei-a suavemente pra trás, guiando-a às cegas entre as sombras do quarto até que a parte de trás das pernas dela batesse na borda do colchão.
Romina caiu de costas sobre os lençóis brancos, soltando um gemido abafado que se perdeu na minha boca, e na hora abriu as pernas, como se terminasse de me convidar a provar tudo dela, me enroscando num abraço frenético que nos arrastou sem piedade pro centro da cama.
A gente se devorava em beijos com uma desesperação cega, como se o ar estivesse acabando. Entre um beijo e outro, com os lábios inchados e a respiração quebrada, Romina soltava pedaços de frases direto no meu ouvido, palavras carregadas de uma malícia calculada que me incendiava o sangue:
— Tá gostando, irmãozinho?... Era isso que você queria?...
As palavras dela perfuravam minha consciência, mas em vez de me frear, só conseguiam soltar uma voracidade mais selvagem em mim.
— Não... Isso é mais... — respondi sem fôlego.
Deslizei os lábios da boca dela até a mandíbula, e dali fui descendo devagar pela linha do pescoço, deixando um rastro de beijos molhados enquanto minhas mãos deslizavam com urgência por baixo das costas dela, procurando os fechos do sutiã. Meus dedos tatearam o tecido até achar os ganchos e, com um movimento rápido, a peça cedeu.
Me afastei alguns centímetros, me erguendo levemente pra olhar pra ela.
O ar travou na minha garganta de uma vez.
Tinha Eu já tinha visto o corpo dela naquelas fotos que ela me mandou quando perguntei sobre o serviço, mas meu cérebro tinha se recusado a conectar os pontos. Agora, tendo ela na minha frente, iluminada pela luz fraca do quarto, a experiência era infinitamente superior e brutalmente real. Os peitos dela, perfeitos, enormes, firmes e com os bicos durinhos de tesão, se ofereciam diante dos meus olhos sem filtros nem telas no meio. Era ela. Era minha irmã gêmea, a mesma com quem eu tinha crescido, com quem tinha vivido a vida inteira, com quem dividi o útero da nossa mãe, transformada naquele instante na criatura mais linda e perversa que meus olhos já tinham visto.
Fiquei pasmo, completamente hipnotizado, com as mãos tremendo nas laterais do corpo dela, incapaz de desviar o olhar. Romina, notando meu choque, soltou uma risadinha baixa e felina, arqueando levemente as costas em minha direção com total orgulho.
— Você gostou...? — Ela sussurrou num tom que, apesar de parecer familiar, eu não estava acostumado a ouvir nela... Talvez... Talvez porque ela estivesse usando o mesmo tom que nossa mãe usava pra me perguntar se eu tinha gostado do que ela cozinhou.
— Eu-eu amei... — Respondi quase na hora, sem conseguir falar direito.
— Então vai em frente... São suas.
Sem me deixar recuperar o fôlego, fui abaixando o rosto, completamente hipnotizado pela forma como o corpo dela se arqueava pra me receber. Apoiei meus lábios com suavidade na pele dela, sentindo o calor intenso que irradiava, e comecei a beijar com uma devoção febril, subindo desde a base dos peitos até prender um dos bicos endurecidos entre meus lábios.
Romina soltou um gemido agudo, um som cru que ecoou no quarto e terminou de quebrar as últimas barreiras da minha mente. As mãos dela, antes agarradas nos meus ombros, deslizaram pra nuca, se enroscando no meu cabelo e puxando com força, me obrigando a manter o ritmo, a não me afastar nem por um segundo. —Isso é... Não para, Lucas... —ofegou entrecortadamente, com a voz quebrada pelo prazer, enquanto seus quadris começavam a se mover no ritmo dos meus lábios, buscando o contato desesperado do meu corpo.
O toque da pele dela, o sabor da sua intimidade e a certeza absoluta do proibido que estávamos fazendo me inundaram as veias como uma droga pesada. Meus lábios sugavam com capricho enquanto uma das minhas mãos deslizava suavemente sobre o outro seio dela, apertando e brincando com o mamilo.
Ela gemia e me empurrava mais contra o peito. Depois de alguns segundos, troquei, agora sugando o seio esquerdo e tocando o direito. Meus dedos se aferravam a ele com força, enquanto minha língua fazia pressão contra o céu da boca com o mamilo no meio, e minha garganta aplicava sucção.
Após alguns minutos, me ergui o suficiente para deslizar as mãos pelas coxas dela, percorrendo a maciez das pernas até encontrar a borda da calcinha. Segurei e puxei para cima, deslizando o tecido pelas pernas até abandonar a pele dela, deixando-a completamente exposta diante de mim, enquanto o calor e a umidade do corpo dela me envolviam por completo.
Para terminar de despí-la, e aproveitando que os pés dela estavam elevados, fui desabotoando os saltos, um por um. Olhando nos olhos dela, retirei um, deixando o pé descalço, e depois o outro. Ela me fazia saber o quanto estava gostando pela curva dos lábios, com aquele olhar sedutor que sabia usar tão bem a seu favor.
Depositei um beijo suave em cada pé, e então me acomodei de forma que minha cabeça ficou entre as pernas abertas dela, sentindo o aroma de mulher no cio entrando pelo meu nariz. Romina me olhou fixamente nos olhos, com uma mistura de desafio, triunfo e um desejo voraz que refletia exatamente o mesmo abismo no qual eu tinha decidido cair.
—Vamos, irmãozinho... —sussurrou com um sorriso perverso nos lábios—. Me mostra o quão safado você está disposto a ser... Sorri entre suas coxas abertas, sentindo o calor abrasador que emanava do corpo dela. O aroma intenso, doce e almiscarado da excitação dela aguçava meus sentidos e nublava qualquer vestígio de razão que ainda me restasse. Romina, com a cabeça afundada no travesseiro e o cabelo bagunçado, soltou um gemido gutural, cortando o último laço da minha própria contenção.
Baixei a cabeça e, com a língua, tracei um caminho úmido e lento pela parte interna das coxas dela, parando para saborear a pele trêmula antes de chegar ao centro. Ela arqueou as costas bruscamente, cravando as unhas nos meus ombros, enquanto o quadril começava um movimento involuntário, me procurando, se oferecendo.
Não consegui esperar mais. Com uma mão, separei suavemente os lábios dela, encontrando-a completamente encharcada e pronta. Sem hesitar, afundei o rosto na buceta dela e comecei a lamber com uma devoção febril, absorvendo os fluidos com avidez, buscando o ponto exato que a fizesse perder o controle.
Romina explodiu num grito rasgado, um som primitivo que ecoou pelas paredes do quarto de hotel. O corpo inteiro dela se tensionava, sacudido por espasmos violentos, e as coxas se fecharam com força ao redor da minha cabeça, me aprisionando contra ela enquanto a buceta dela se derretia na minha boca.
—Lucas! Meu Deus, Lucas! —sussurrou entrecortada, com a voz rouca de prazer, enquanto eu continuava trabalhando o corpo dela com a língua e os lábios, aproveitando a entrega absoluta dela, o som do meu nome saindo da boca dela num contexto tão torcido e proibido quanto inevitável.
Deslizei as mãos para cima pelas pernas dela, percorrendo a pele macia e febril até me acomodar por completo entre elas. A proximidade era avassaladora; o calor úmido e penetrante da buceta dela me envolvia. Soltando as pernas dela por um instante, desafivelei o cinto e, então, deixei cair a calça jeans e a cueca. Com mais alguns movimentos, fiquei completamente nu.
Romina cravou a olhar para o meu membro. Estava duro e, ao mesmo tempo, agradecido por finalmente poder sair, pulsando como uma fera faminta. Ela o contemplava, quase com tanta admiração quanto eu sentia pelos seios dela.
Então, com aquele sorriso que já estava virando meu vício, ela abriu as pernas com total naturalidade, me convidando a chegar ainda mais perto, enquanto as mãos dela se firmavam nos meus ombros, me guiando com uma autoridade silenciosa. Segurei a respiração por um instante, sentindo o pulso acelerado na têmpora, e me ajustei ao tamanho dela.
Uma batida seca, um choque de peles e uma fricção intensa marcaram o início. Meu membro penetrou exatamente como estava, sentindo cada centímetro dela... Aquele interior quente e molhado.
Avancei com um movimento firme e deliberado, rompendo a última resistência física que nos separava. O eco de um gemido abafado brotou da garganta dela, se misturando na hora com meu próprio suspiro de rendição. Senti as pernas dela se fecharem com força ao redor da minha cintura, me agarrando como se temesse que o mundo inteiro pudesse roubar aquele momento da gente.
— Deus... Lucas... — ela conseguiu articular entrecortado, com a voz trêmula, arqueando as costas com desespero enquanto as unhas dela se cravavam na minha pele—. Não para...
O ritmo começou a acelerar sozinho, guiado por uma urgência cega e uma fome acumulada durante anos de olhares disfarçados, silêncios e desejos reprimidos. Cada estocada era um golpe direto na moral, um lembrete constante do quanto aquilo era proibido, mas nada disso importava mais. As paredes do quarto de hotel pareciam se dissolver, deixando só nós dois no meio de um abismo que escolhemos atravessar juntos.
Romina me encarava nos olhos, com as pupilas dilatadas e um sorriso selvagem e triunfante dançando nos lábios inchados dela. A respiração dela ficou errática, sincronizada com cada um dos meus movimentos, marcando o compasso de uma dança caótica e perfeita.
—Isso... Assim... —sussurrava, devorando o ar, me incitando a ir mais fundo, a perder o controle por completo.
A fricção se intensificou, virando um fogo que percorria nossa espinha e queimava nosso sangue. O clímax começou a se acumular no centro do meu peito, um nó apertado de prazer e loucura que ameaçava explodir a qualquer momento. Senti Romina começando a se tensionar debaixo de mim, com o quadril respondendo com uma força desesperada, buscando o ponto exato da colisão, enquanto meu pau pulsava dentro dela como uma bomba prestes a estourar.
—Lucas... Porra, Lucas... Vamos... Goza dentro de mim... Goza dentro da sua irmã... —exclamou com um grito abafado que terminou de acender o pavio.
Eu tava como uma fera, como um animal sem razão... Ou melhor ainda, como um animal sabendo perfeitamente o que faz. Naquele momento não existiam consequências, não existia moralidade. Com uma última estocada profunda, o mundo desabou ao nosso redor. A explosão nos varreu por dentro, uma descarga de calor e vertigem que nos deixou sem fôlego, unidos num abraço frenético enquanto um jorro forte e intenso de porra se espalhava lá dentro... O eco do último gemido se apagava lentamente contra os lençóis do quarto.
Segunda parte: https://www.poringa.net/posts/relatos/6409321/Mi-hermana-da-el-mejor-sexo-anal-2.html
Porém, sob aquela calma aparente, minha mente girava em torno do mesmo assunto. Tínhamos tido um bom encontro, mas uma ideia me obcecava há dias: eu queria senti-la por completo. Queria provar aquele paraíso do qual todo mundo falava.
— amor... — murmurei, passando minha mão livre pelas costas da Nicole, descendo lentamente até os quadris dela, acariciando cada centímetro da pele clara com a ponta dos meus dedos.
— Hmm? — respondeu ela, meio sonolenta, procurando mais conforto no meu peito.
— Sabe...? Eu estava pensando... E se a gente tentar algo diferente na próxima vez? — soltei num tom casual, mas com meu pulso acelerando.
— Diferente como? — ela levantou a cabeça, me olhando com aqueles olhos castanhos que eu amava.
— Sei lá... Talvez... sexo anal.
A verdade é que ela tinha me consentido muito desde que começamos nosso namoro. Tinha topado sem problemas coisas simples como me deliciar com os pés macios, lisos e bem cuidados dela, até complexidades como brincar de que ela era minha mãe. Ela me conhecia muito bem quando se tratava das minhas fantasias, porém, o silêncio se instalou no quarto. Não foi um silêncio desconfortável, mas sim um tanto cômico. Ela me olhou por mais um segundo, analisando a proposta com aquela tranquilidade que a caracterizava. Não era a primeira vez que eu perguntava aquilo.
— amor... — soltou ela, com uma voz suave mas firme, sem um pingo de dúvida —. Você sabe que eu prefiro não experimentar isso por enquanto...
Eu nunca tinha insistido. Todas as vezes que fiz aquela pergunta e ela recusou, eu não tocava no assunto de novo até vários encontros depois. Agora senti um pequeno impulso, uma vontade de tantear um pouco mais, de não me afastar de forma tão simples.
—Dizem que é incrível... É só tentar. —falei pausadamente num sussurro grave. A frustração aparecia com sutileza na minha voz.
—Amor... A gente já conversou sobre isso —suspirou ela, com um tom de carinho que tentava me acalmar, subindo delicadamente a mão para acariciar meu peito com os dedos—. Eu tô muito bem assim, com você. Não vamos complicar as coisas.
Os dias passaram, a recusa dela começava a causar um pequeno incômodo. Eu tinha sido paciente com ela, tinha dado tempo e atenção. Sei que é meu dever como namorado, e também sei que ela sempre me recompensou por isso: ela é gentil, atenciosa, complacente... Mas sempre existe uma parte interior que é egoísta, que mesmo sabendo que está errada, te faz acreditar que você merece mais e mais.
O recreio na escola sempre parecia um momento distópico. Sentado na última fileira da sala, com uma caneta entre os dedos e a mão apoiada no caderno, eu ouvia o burburinho lá fora, sem me sentir realmente parte dele. Às vezes saía pra dar umas voltas, às vezes me escondia no banheiro, às vezes (como hoje) preferia ficar sentado na minha carteira rabiscando a última página dos meus cadernos ou escrevendo algo sem propósito fixo. Já não podia passar tanto tempo com a Nicole lá, porque o inspetor sabia do nosso relacionamento e tinha nos proibido de dar qualquer indício dele na escola.
Logo naquele dia, o grupo de caras com quem — de vez em quando — eu me juntava mais pra matar o tempo do que pra me divertir de verdade, tinha decidido ficar na sala. Pra eles, eu era aquele amigo que só se juntava em momentos pontuais; pra mim, eles não passavam de colegas de classe. Havia uma distância invisível que me separava do jeito deles de ver o mundo.
—Tô te falando que a magrinha te deixa maluco na primeira hora —bocejava o Christian, se apoiando no encosto da carteira, enquanto o resto do grupo ria com uma cumplicidade grosseira—. Ela é uma profissional, mas ela faz com uma vontade que parece que te odeia e te ama ao mesmo tempo. Ninguém te chupa a rola como ela. — Completou despreocupado enquanto levava à boca a cerveja que tinham despejado numa garrafa de refrigerante pra passar despercebido.
As conversas sobre minas naquele grupo sempre caíam no mesmo terreno: a banalização absoluta do corpo, a carne desprovida de qualquer afeto. Normalmente, eu ficava entediado ou sentia uma rejeição sutil, porém, naquele exato momento, com o eco fresco da negativa da Nicole rondando na minha cabeça, as palavras do Christian bateram de outro jeito. O pulso acelerou.
— É, mas você sempre fica com ela só pra você, imbecil — disse outro da mesa, dando um cotovelaço no Christian entre risadas abafadas enquanto tirava a garrafa dele pra dar um gole —. Chama outra esse fim de semana, pra ver se ela tem tempo de atender a gente também.
Christian balançou a cabeça, como quem reafirma a posição privilegiada de "cliente frequente". Então, virou pra me olhar.
— Ei, Lu... Desenhando a profe Gabi de novo?
Os outros caíram na risada. Às vezes eu não sabia se era zoação ou cumplicidade. De qualquer forma, achava eles uns idiotas, mas nunca tinham mexido comigo, talvez só por isso eu tinha paciência.
— Não, Chris, hoje eu tava desenhando a sua mãe.
Os outros riram ainda mais. Ele não ficou pra trás e deu uns aplausos leves enquanto acompanhava as gargalhadas.
— Vem, idiota, toma um gole com a gente.
— Você sabe que eu não bebo.
— Um golezinho, homem... Ou prefere um suquinho de manga?
Soltando um suspiro, fechei meu caderno e guardei embaixo da pasta. Dava pra ver aquela sorriso safado nos lábios dele ao confirmar que tinha conseguido o que queria. Ele me passou a garrafa e então eu dei um gole...
— Porra... Tem gosto de cu... — falei tossindo e fazendo cara de nojo. Simplesmente não curtia álcool.
— Porra, careca... Dá pra ver que você nunca comeu um cu na vida. — Soltou Christian, seguido das risadas dos outros. — A "senhorita" Nicole tá te botando o freio de mão? — Completou com um sorriso torto, arqueando uma sobrancelha —. Não me diga que você pediu um pouquinho de ação por trás e ela te mandou pastar.
Senti o calor subir pro meu rosto. Me xinguei internamente por ter topado entrar na conversa dele de novo, por ter baixado a guarda. Quis me defender, xingar ele, mas o silêncio expectante da mesa me fez engolir seco.
— Vou te falar que a verdade é que sim... — Revelei, me surpreendendo com a minha própria boca.
Christian suspirou de novo com aquele sorriso idiota no rosto, então apoiou as mãos nos ombros dos que estavam mais perto.
— Galera, galera... Não riam... Isso é um código negro, vocês sabem...
Olhei pra ele com uma mistura de confusão e desprezo.
— Código negro...?
— Olha aqui, cabeludo... Conta pra gente, como é que é isso de a Nicole não te abrir a porta da entrada dos fundos?
O jeito tão informal e vulgar dele de falar me dava repulsa, mas eu começava a entender por que diziam que burrice é contagiosa.
— Porra, é o que você tá ouvindo... Ela simplesmente não quer fazer. — Respondi, sentindo que tava traindo minha reserva, mas ao mesmo tempo percebendo como uma faísca acendia dentro de mim ao revelar essas coisas.
Christian balançou a cabeça pra cima e pra baixo enquanto apertava os lábios. Se fazia de interessante analisando a situação.
— Beleza... Ela topou alguma outra fantasia ou fetiche seu?
— Sim.
— Tipo o quê...?
— Cê é idiota? Não acha que vou contar isso pra vocês. — Voltei pra minha zona de conforto.
— Qual é, Lu, é que se você não me contar, não vou saber a "gravidade" da situação. — Enfatizou mexendo os dedos.
— Bom, roleplay... Parcialismo...
Ele soltou uma risada interrompida pelos lábios fechados, por onde escaparam algumas gotas de cerveja. Os outros ao redor seguiram na mesma.
— Parcialismo é a palavra mais pretensiosa que você podia usar pra dizer que você gosta que façam uma masturbação com os pés. —os outros riam ainda mais alto— Vai peruca, não tem nada de errado em admitir que você gosta dos pés da sua mina, todo mundo aqui já recebeu uma masturbação com os pés.
- Eu nunca recebi uma masturbação com os pés. - Falou na hora um dos caras.
- Gordão, a única amostra de carinho feminino que você já recebeu foram os beijos de boa noite da sua mãe. - Respondeu na mesma hora o Christian.
- Gordão, eu queria mais que um beijo de boa noite da sua mãe. - Botou mais lenha na fogueira outro.
As risadas desse bando de neandertais tava me tirando do sério, então cortei o momento pra voltar ao assunto.
- Bom, é, é isso...
- Beleza peruca... Pelo que você tá contando, posso te dizer que você vai esperar muito mais pra poder aproveitar a raba da Nicole.
Eu sentia o sangue no meu rosto tão claramente ao ouvir aquilo. Me dava raiva ele falar daquele jeito, mas ao mesmo tempo graça. Era contraditoriamente satisfatório.
- Por quê?
- Roleplay, punheta com os pés... Tipo, sim, foge do sexo convencional, mas não deixam de ser coisas fáceis de testar com uma mina.
- Fantástico Christian... Agradeço muito a ajuda hein. - Respondi levantando um pouco a voz, de forma irônica.
- Vadia, você é impaciente demais... Olha... - E naquele momento ele virou pra olhar os amigos. Eles devolveram o olhar e começaram a rir, mas ao mesmo tempo demonstrando incredulidade diante do que sabiam que ele estava prestes a fazer... Dava até pra ouvir um "Não..." sussurrado.
Christian soltou uma gargalhada seca, uma mistura de deboche e arrogância, enquanto se inclinava pra frente. Os outros trocaram um olhar rápido, um lampejo de malícia contida que durou apenas um milissegundo e que naquele momento eu interpretei errado. Tinha um código implícito entre eles, um segredo compartilhado do qual eu era o único idiota excluído.
—Olha irmão, você tá perdendo do verdadeiro paraíso —disse ele, tirando o celular com fingida displicência. — Como agradecimento por deleitar nossos olhos toda vez que sua mãe vem à escola, vou te dar uma coisa.
Olhando para o celular, escreveu rápido num canto de uma folha do caderno e estendeu a mão.
— Toma. Escreve pra esse número, pergunta pelo serviço de hotel. Te garanto que essa mulher vai te virar a cabeça... e vai te fazer esquecer qualquer recusa. Experimenta você mesmo.
Olhei o papel por alguns segundos, arqueando a sobrancelha. Será que ele realmente me achava tão da laia dele a ponto de fazer uma coisa dessas?
— Você é bem idiota se acha que eu vou contratar uma puta.
Outra gargalhada começou a inundar aquele canto da sala.
— Ah não, careca... Não é uma puta... É A puta.
Com desconfiança, guardei o papelzinho no bolso, sentindo o peso frio do papel contra o tecido. Não disse mais nada. Eles riram de novo, um som denso e carregado de intenções sombrias que atribuí à burrice habitual deles, sem suspeitar nem por um segundo da monstruosa ironia que escondia aquele contato.
O papelzinho amassado com o número de telefone andou do meu bolso pra minha mesa de cabeceira e da minha mesa de cabeceira pro meu bolso durante quase uma semana. Naquele sábado eu teria todo o tempo do mundo pra pensar nisso, porque os pais da Nicole tinham saído e ela ficou em casa com a irmã mais nova.
Dando voltas num parque, minha mente foi um campo de batalha.
O que eu estou fazendo? —me perguntava uma e outra vez—. A Nicole é uma ótima namorada. Cuida de mim, me atura, me mima nos meus caprichos mais estranhos... Será que vou mesmo jogar tudo fora e meter outra mulher na minha cama —ou num hotel, o que é pior— só pela mania idiota de experimentar sexo anal?
Por outro lado, a frustração continuava latejando forte, alimentada pelo eco das zoações do Christian, que nos dias seguintes ficou insistindo pra eu fazer. Sentia que se não fizesse agora, aquela espinha ficaria cravada pra sempre, apodrecendo dentro de mim.
Quando abri a porta da minha casa ao voltar, o burburinho da rua se apagou de repente. A sala cheirava a uma mistura de canela e umas ervas de procedência duvidosa. E lá estava ela.
Romina caminhava da cozinha para a sala com uma blusa leve e um short jeans que deixava à mostra suas pernas grossas e torneadas, com aquele jeito de andar despreocupado e natural que sempre chamava a atenção de todos os nossos colegas de classe. Ao me ver entrar, ela parou por um segundo e me dedicou aquele sorriso maroto, marca registrada, que compartilhávamos desde criança.
— Uau, finalmente apareces, Lucas. Achei que o show de gemidos noturnos tinha se mudado pra casa da Nicole. — Ela falou mantendo aquela picardia nos lábios, como se saboreasse cada palavra.
— Para de falar besteira, eu tava ocupado — respondi, tentando manter a voz calma, enquanto desviava o olhar por um segundo, sentindo de repente um desconforto estranho e sutil que antes não existia.
Ela soltou uma risada leve, apoiando uma mão na cintura, com aquela faísca nos olhos que às vezes beirava a provocação sem que ela mesma parecesse notar. Romina sempre foi assim: desinibida, dona de um charme magnético que não precisava de esforço, e com uma confiança no próprio corpo que desconcertava qualquer um.
— Bem... de qualquer forma, maninho, vou precisar que você me cubra. — Ela soltou enquanto juntava as mãos e fazia um bico debochado.
— O quê? O que você vai fazer agora?
— A única coisa que você precisa saber é que vou sair à noite. Sinceramente, acho que a Denisse já tem idade pra passar uma noite sozinha, mas não quero a mãe no meu pé enchendo o saco por ter deixado ela sozinha por algumas horinhas... Porque claro, pro filhinho querido dela ela nunca reclama de nada... — Ela acrescentou com uma mistura de reprovação e deboche ao mesmo tempo, cravando os olhos com mais intensidade.
— O quê? Não fode... Que horas você volta? — Perguntei enquanto dava passos em direção a vá em frente, deixando-a para trás.
- Não passa da 1h da manhã, eu prometo. - Acrescentou, se aproximando por trás de mim. Ao me alcançar, colocou as mãos nos meus ombros. —Se você me cobrir dessa vez, te devo dois favores... Eu faço... O que você quiser. — Sussurrou com malícia no meu ouvido.
Fiquei parado ali mesmo, com a mão ainda apertando o papel no meu bolso. A Romina tinha aquele charme difícil de evitar até pra mim. Ela me irritava, mas sabia como falar comigo pra me convencer do que fosse. Sempre fingia ser durão, mas no final nunca conseguia dizer não pra ela.
Já no meu quarto, o contraste entre a cumplicidade fraternal com minha irmã e a ideia suja que os caras tinham plantado na minha cabeça criou um curto-circuito na minha mente. Se eu quisesse fazer algo, tinha até a 1h da manhã pra me decidir.
Talvez procurando algo que me fizesse me segurar e não fazer isso, abri uma das gavetas do meu guarda-roupa. Ali, embaixo das minhas roupas, tirei o envelope com o dinheiro que eu vinha juntando pro meu próximo aniversário com a Nicole... Já tinha mais do que valiam três salários mínimos, tava planejando dar o melhor dia da vida dela... Porém, naquele momento, mais do que encontrar uma âncora, senti algo diferente... Senti poder nas minhas mãos.
O tempo voou, o envelope com as economias continuava entre minhas mãos, estalando levemente sob a pressão dos meus dedos. Fiquei sentado na beira da cama, encarando fixamente o número no papel que tinha deixado sobre o criado-mudo.
Você tem certeza disso? — repetia a voz da consciência —. Contratar uma profissional só por uma obsessão caprichosa era cruzar uma linha da qual não haveria volta. Se a Nicole descobrisse, se ainda por cima ficasse sabendo que gastei um dinheiro que tava juntando pro nosso aniversário com algo assim... a relação ia pro caralho.
Me levantei de repente, começando a andar de um lado pro outro do quarto, com o celular na mão e o pulso acelerado. A indecisão me corroía. Por um lado, a culpa e o medo de estragar tudo; por outro, a espinha cravada da recusa da Nicole e o eco das zombarias do Christian ecoando na minha cabeça.
Uns nós dos dedos batendo suavemente na porta do meu quarto interromperam meus pensamentos. Antes que eu pudesse responder, a porta se abriu com um leve rangido.
Era a Romina.
Ela parou na soleira, pronta pra sair. Vestia um vestido curto e justo de courino preto que moldava cada curva da sua silhueta, marcando a cintura e realçando a figura de um jeito descarado, complementado com uns saltos altos de matar que alongavam as pernas e faziam eco com um tique-taque seco no chão, combinado com um perfume intenso, doce e embriagador que na hora invadiu cada canto do meu quarto. O aroma e a segurança com que ela vestia a roupa provocaram em mim um choque instantâneo, uma reação física que me obrigou a desviar o olhar de uma vez, sentindo o calor subir pelo meu pescoço.
—Já vou indo, maninho. Você sabe... Me dá uma força —disse ela, me dando um sorriso safado, apoiando levemente o ombro no batente da porta com toda a naturalidade.
—É... já sei, vai com cuidado —respondi com a voz meio seca, tentando que ela não notasse a tensão repentina que a presença dela tinha instalado no ar.
Eu sabia, ou pelo menos tinha uma ideia de pra onde ela ia. Não era segredo o quanto ela era "desejada", e olha que, mesmo sendo irmão, eu conseguia reconhecer os atributos dela. Ela era gostosa, alta, de pele morena clara e com cabelo ondulado castanho escuro, tingido da metade pra baixo de vermelho vinho. Com um peitão volumoso que deixava as outras minas da sala com inveja, umas coxas grossas e carnudas, e uma bunda que tinha me forçado a ouvir meus colegas falando o quanto queriam ser sufocados por ela... E olha que pelo volume ela deixaria qualquer um sem ar.
Ela soltou uma risada curta, girou nos calcanhares e foi embora, deixando atrás de si um rastro de perfume que parecia se recusar a desaparecer.
Fiquei paralisado no meio do quarto, com o coração batendo nas têmporas. O contraste entre a imagem da Romina saindo e as palavras do Christian ecoando como uma repreensão, fez algo dentro de mim finalmente se quebrar. A hesitação sumiu, substituída por uma urgência cega.
Eu faria, era definitivo. Só precisava esperar a Romina voltar pra poder sair de casa.
Peguei meu celular e escrevi a mensagem. Simples e direta.
"Oi! (: Me falaram sobre seus serviços e queria saber os detalhes. Muito obrigado"
Olhei pro botão de enviar na tela. Sem hesitar, apertei e me joguei na cama, encarando o teto.
Passou uma hora e meia. Depois duas.
O tempo no meu quarto passava pesado como chumbo enquanto o celular ficava virado pra baixo no colchão. A urgência inicial virou uma mistura de ansiedade e ceticismo; comecei a me convencer de que aquilo tudo era uma pegadinha do Christian e dos amigos dele, uma piada idiota pra me fazer perder tempo.
Tava prestes a soltar um suspiro de frustração e descartar a ideia de vez quando a tela acendeu de repente com um zumbido seco.
Uma mensagem nova.
Peguei rápido, sentindo o pulso acelerar na hora. Ao desbloquear, vi a resposta...
💬: Oi, gostoso. Desculpa a demora, a noite foi agitada e só agora vi o celular. Aqui tá a lista dos meus serviços:
- 1/2 hora: S/150
- 1 Hora: S/250
- 2 Horas: S/400
- Noite inteira: S/700
O serviço inclui:
- Vaginal
- Oral
- Beijos na boca
Extras:
- BDSM: S/30
- Footjob: S/30
- Anal: S/50
- Fetiche específico: A combinar.
💬: Os extras só valem pro serviço de 2 Horas pra baixo. "Noite inteira" já vem com tudo incluso.
Me fala qual te atende melhor, meu amor. Vou ficar feliz em te atender 🥰😘.
E logo em seguida, Ela mandou três fotos dela. O rosto não aparecia, mas dava pra notar os atributos... Vestia uma lingerie de renda vermelha, meia arrastão... E na última foto estava nua. A pele parecia macia, num tom moreno claro, enquanto os seios eram grandes, enormes, de tirar o fôlego, com bicos grossos e carnudos... Carnudos como a bunda dela, que na frente da câmera parecia dois monumentos dignos de admiração mundial.
Li a mensagem duas vezes. O tom era safado, profissional e direto ao ponto, assim como as fotos. A ideia de que do outro lado da tela tinha uma mulher totalmente alheia ao meu mundo, pronta pra realizar qualquer fantasia sem questionamentos, apagou o último resquício de hesitação que me restava.
Não parei pra pensar nos números. Peguei o envelope com as economias do aniversário, contei as notas sabendo exatamente quanto tinha e sem me importar de esvaziá-lo quase por completo... Não tinha mais volta. Digitei a resposta com total determinação.
«Quero o serviço de noite inteira..»
A resposta demorou só uns dois minutos pra chegar.
💬: Perfeito então... Comigo não tem depósito exigido... Eu realmente curto meu trabalho 😏😋. Você tá num hotel ou quer que eu vá até sua casa?
Era completamente surreal. Dava pra sentir a disposição da parte dela, e sim, era o trabalho dela, mas eu conhecia profissionais do sexo que te tratavam como se você devesse algo a elas.
"Temos que nos ver num hotel. Me dá uns minutos pra fazer a reserva."
Cada ação parecia estar derrubando meus filtros morais, tudo que tinha me ajudado a construir minha relação com a Nicole, como se eu estivesse ignorando aqueles pensamentos que tentavam me trazer de volta à sobriedade.
Procurei o hotel mais perto da minha casa e liguei. Não levou mais que 2 minutos e o quarto já estava reservado...
Mandei o endereço pra ela e o seguinte:
"Que tal você chegar às 2AM?"
A reserva estava feita a partir da 1:30AM. Eu sabia que Romina disse que não chegaria depois da 1, mas conhecendo ela, com certeza ia demorar. Marcar a escort uma hora depois me pareceu o mais precavido.
A resposta demorou alguns minutos a mais... Tempo em que os nervos me corroíam. Cheguei até a sentir uma dorzinha no estômago... Mas finalmente recebi a resposta dela:
💬: Claro, meu amor. A gente se vê no hotel às 2AM... Me dá tempo de me arrumar direitinho 😉
Tinha passado apenas um quarto de hora desde que combinamos o encontro, ainda sentindo a adrenalina de ter torrado as economias no chat, quando a tela do meu celular vibrou de novo.
Pensei que era outra mensagem da escort confirmando algum detalhe, mas ao desbloquear a tela me deparei com uma mensagem da Romina.
💬: Me desculpa, maninho... Não vou conseguir voltar pra casa essa noite. Por favor, me cobre com a mãe se ela perguntar, juro que é super importante e te devo o maior favor do mundo. Faço o que você quiser depois, de verdade.
Fiquei petrificado olhando a mensagem. A raiva e a frustração me bateram no peito na hora, fazendo eu soltar um xingamento no ar na escuridão do quarto.
"Porra, Romina!"
Todo o meu plano perfeito, a coartada milimetricamente calculada pra deixar uma margem prudente entre a volta dela à 1:00 AM e minha saída às 2:00 AM, tinha acabado de ir pro caralho por causa da irresponsabilidade dela. Comecei a digitar com fúria no chat, reclamando:
«Como assim você não vai voltar? A gente tinha combinado que você estaria aqui à 1. Você fodeu meus planos por completo, volta agora.»
A resposta dela não demorou, seca e definitiva:
💬: Não posso, Lucas. Simplesmente não dá pra eu chegar em casa hoje. Confio em você, por favor, me cobre.
Tentei ligar pra ela, mas a chamada caiu na hora. Eu a conhecia bem demais; quando a Romina se fechava em algo e colocava aquele muro de teimosia, era impossível fazê-la mudar de ideia. Por mais que eu insistisse, ela não ia dar o braço a torcer.
Passei as mãos no cabelo, andando de um lado para o outro do quarto com o pulso acelerado. As opções se reduziram a zero em questão de segundos: ou eu cancelava o encontro com a acompanhante, perdendo a oportunidade e engolindo a frustração, ou seguia em frente apesar de tudo.
E então, uma ideia ainda mais irresponsável cruzou minha mente.
Saí no corredor e olhei para a porta da Denisse, pensando nela, minha irmã mais nova, que já devia estar dormindo no quarto dela. Deixá-la sozinha em casa a madrugada inteira era uma burrice monumental, um risco que beirava a irresponsabilidade total. Se a mãe descobrisse, ela ficaria muito brava com a Romina, e isso significaria problema pra mim.
Mas a espinha encravada, o desejo urgente e cego que pulsava forte dentro de mim, falou mais alto que o bom senso. Resmunguei baixo, xingando a Romina, o Christian, a Nicole e a minha própria sorte, mas tomei a decisão final.
Se ela não pensava em cumprir a parte dela no trato de família, eu também não ia cumprir. A Denisse já era crescida, só 2 anos mais nova que eu e a Romina, ela ia ter que ficar dormindo sozinha por algumas horas. Eu não ia voltar atrás agora...
Troquei de roupa com uma calma estranha, procurando entre minhas roupas as melhores que eu tinha. Enquanto ajustava a camiseta e vestia a jaqueta, uma pontada de culpa percorreu meu peito de forma inevitável. O ritual de se arrumar com capricho, de cuidar de cada detalhe na frente do espelho antes de sair pra um encontro, me trouxe de repente as lembranças do meu primeiro encontro com a Nicole, dos nervos limpos e da ilusão genuína daquela época. Vi o rosto dela com expressão inocente, os olhos castanhos e o cabelo liso da mesma cor, a pele branca e macia...
Apertei os dentes, afastando esse pensamento intrusivo pra não fraquejar agora que não tinha mais volta.
Saí de casa com o pulso acelerado, garantindo que a porta estivesse bem fechada e confiando que a Denisse continuaria profundamente dormindo no quarto dela.
O hotel escolhido ficava a uns quinze minutos a pé da minha casa, uma distância curta que percorri sob a luz fraca dos postes, sentindo o ar frio da madrugada bater no meu rosto e acalmar pela metade o fogo que eu carregava por dentro.
Cheguei no estabelecimento bem na hora prevista, à 1h30 da manhã. Passei pela recepção de cabeça baixa, paguei o que era devido e me entregaram o cartão-chave. Caminhei pelo carpete até o elevador e entrei. Uma vez no quarto andar, andei pelo corredor comprido até achar meu quarto e entrei.
O quarto era grande, iluminado por um abajur e uns holofotes de luz quente que mal disfarçavam o cheiro de lençol limpo e desinfetante. Sentei na beirada da cama de casal, olhando os números avançarem no relógio de parede, enquanto o silêncio do lugar me esmagava.
Eu tinha exatamente meia hora de folga. Trinta minutos longos sozinho com meus pensamentos, com a culpa de estar prestes a gastar as economias do aniversário, com o peso de ter deixado minha irmã mais nova sozinha em casa, e com a estranha e febril antecipação do que estava prestes a acontecer.
O relógio avançava com uma lentidão agonizante. Os ponteiros marcavam cada vez mais perto das 2h da manhã, o momento em que eu receberia alguma mensagem da acompanhante ou uma ligação da recepção...
Pra aliviar um pouco o nervosismo, liguei a televisão e entrei no YouTube pra colocar uma música, um rock alternativo mais suave. Pendurei a jaqueta no cabideiro e dei uma olhada no frigobar que ficava embaixo da cômoda onde estava a TV. Só cerveja... Mas fuçando até o fundo, achei uma lata de refrigerante.
Fiquei de pé ao lado da cômoda, dando um gole pequeno na lata de refrigerante enquanto a música tocava num volume baixo e constante vindo da TV. O sabor doce e inofensivo da bebida contrastava absurdamente com o nó de ansiedade que apertava meu estômago.
Olhei de novo o relógio da parede. Duas em ponto.
Exatamente quando o ponteiro dos minutos marcava a hora certa, o telefone fixo em cima da mesinha de cabeceira soltou um chiado estridente que ecoou pelo quarto inteiro.
O som fez meu coração pular. Larguei a lata de uma vez em cima do móvel e me aproximei em passos largos, pegando o telefone com o pulso acelerado.
—Alô...? —tentei dizer, mas minha própria voz saiu seca e engasgada.
—Boa noite, moço. Desculpe o incômodo —respondeu a voz monótona e formal da recepcionista do outro lado da linha—. Estou informando que tem uma moça na área de entrada perguntando pelo quarto 404. Precisamos da sua autorização direta para permitir que ela suba. Quer que a deixemos passar?
O tempo pareceu parar por completo. Meus dedos apertaram com força o plástico do telefone enquanto eu olhava fixamente para a porta de entrada do quarto.
Já não tem volta.
A culpa, o medo da Nicole descobrir, o dinheiro das minhas economias e a irresponsabilidade de ter deixado a Denisse sozinha em casa colidiram na minha mente como uma onda gigantesca. Mas o impulso, aquela curiosidade escura e voraz que tinha me trazido até aqui, acabou esmagando tudo.
Engoli em seco, sentindo a boca completamente ressecada, e soltei o ar preso.
—Sim... —consegui articular, com um fio de voz que tentava soar firme—. Deixa ela subir, por favor.
—Entendido, moço. Tenha uma boa noite.
O tom de discagem soou no meu ouvido. Desliguei com dificuldade e fiquei imóvel ao lado da cama, ouvindo as batidas do meu próprio coração martelando nas têmporas.
Passos leves do outro lado do corredor acarpetado. Um silêncio denso. E, finalmente, duas batidas secas e suaves ecoaram direto na porta do meu quarto.
Minha respiração estava curta, superficial, presa em algum lugar da garganta. Apertei as mãos em punho, sacudi os ombros para soltar os músculos e dei os dois passos que me separavam da entrada.
Estendi a mão, os dedos roçaram o Maçaneta metálica e, com um movimento seco, puxei a porta para dentro.
A luz fraca do corredor se derramou de uma vez na penumbra do quarto, recortando uma silhueta conhecida que me deixou completamente sem ar.
Ali estava ela.
Na minha frente, de pé na soleira, com um leve sorriso nos lábios que rapidamente se desfez ao me ver, e uma bolsa de mão pendurada no ombro, estava Romina.
O tempo, o espaço e o senso comum se desintegraram em uma fração de segundo. Meus olhos percorreram de cima a baixo a figura dela com uma lentidão desesperada, se recusando a aceitar o que as retinas gritavam com crueza: o vestido justo e curto de courino preto que moldava cada curva da silhueta dela, os saltos altos de matar que alongavam as pernas, e aquele perfume intenso, doce e embriagante que já impregnava todo o ar do quarto. Era exatamente a mesma roupa com que ela tinha saído de casa horas antes, me jurando que tinha um compromisso urgente e que não podia voltar.
O sangue abandonou meu rosto por completo. Senti um frio ártico subindo pela espinha enquanto o coração, que até um segundo atrás batia descompassado, pareceu parar de uma vez no peito. Tudo convergia naquele maldito instante, me esmagando sob o peso de uma ironia tão doentia e retorcida que beirava o irreal.
Romina suspirou e balançou a cabeça de um lado para o outro enquanto nos lábios dela voltava aquela curvatura, só que agora acompanhada de um olhar mais malicioso e até um pouco intimidador. Ela deu um passo à frente para cruzar a porta, empurrando-a com o quadril enquanto fechava atrás de si com total naturalidade.
— Achei que você estivesse em casa cuidando da Denisse — disse com reprovação, mas ao mesmo tempo com uma dúvida descarada. Ela ergueu o olhar aos poucos enquanto tirava a jaqueta.
Parou em seco no meio do cômodo. Os olhos escuros dela colidiram diretamente com os meus.
— Você é um idiota... — completou por fim. O silêncio absoluto se instalou-se entre nós dois, quebrado apenas pelo zumbido distante da televisão. E o eco da nossa própria respiração presa.
— Dá pra saber que porra se passa na tua cabeça, Lucas? — estourou num sussurro áspero, cruzando os braços, com o vestido de courino se ajustando a cada respiração ofegante. A expressão dela mudou em segundos... —. Cê tava me espionando? Me armou uma pegadinha?
— Se eu te armei uma pegadinha? — respondi, sentindo o sangue zumbindo nos ouvidos —. Fui eu que mandei mensagem pro número. Eu paguei a reserva! Como eu ia saber que a "profissional" recomendada pelos imbecis da faculdade era você?
Romina soltou uma risada seca, incrédula, e largou a bolsa no sofá do quarto.
— Ah, claro. O grande cliente misterioso que pediu o pacote de "noite inteira" sem economizar era você... Como você caiu baixo, irmãozinho. Que que houve com a Nicole pra você vir procurar uma puta? Achava que tava tudo bem entre vocês, que como você mesmo fala toda hora "é o amor da sua vida"... Essa mina morre por você. E você aqui?
O comentário acertou em cheio no meu orgulho, acendendo uma faísca de raiva.
— Cala a boca! Não se mete no que não te interessa. E aliás, cadê você segundo você? Me disse que tinha um compromisso urgente, que não podia voltar pra casa, e no fim das contas tá aqui vendendo a buceta!
Ela deu um passo à frente, diminuindo a distância entre nós. O perfume doce e intenso dela voltou a me envolver, denso e sufocante. Me olhou fixamente, com uma mistura de superioridade e uma faísca estranha de diversão torta brilhando nos olhos escuros dela.
— Meu "encontro" da noite foi cancelado e decidi ir pra uma festa pra relaxar um pouco. Foi aí que li tua mensagem idiota... Que que tem de mais? Pelo menos eu trabalho pelo que quero, e aliás, de onde você tirou essa grana pra isso?...
Ao dizer isso, pareceu se tocar e então abriu a boca o máximo que pôde com um sorriso. zombeteira... Era fácil cair nos encantos dela, mas pra mim, como irmão dela, também era fácil odiá-la em certos momentos...
- Aguenta... O dinheiro que você tava juntando pro seu terceiro aniversário com a Nicole... É isso, né? - Ela soltou uma gargalhada - Sim... é isso, você ia usar essa grana que tanto te custou juntar pra, em vez de dar pra Nicole o que ela merece, pagar uma qualquer... ou, nesse caso, eu... Sim... É isso...
- Cala a boca! Não é isso, é...
- É o quê? - Ela me interrompeu, arqueando uma sobrancelha com uma lentidão exasperante, enquanto colocava as mãos na cintura, destacando os ombros e o decote pronunciado do vestido - Uma necessidade imperiosa?
O silêncio caiu de novo entre nós, mas já não era um silêncio de surpresa. O ar no quarto ficou denso, carregado de uma eletricidade estranha. A Romina se intrometeu um pouco mais no meu espaço pessoal, me avaliando de cima a baixo com aquele olhar descarado que sempre usou pra me desconcertar, só que agora o contexto mudava absolutamente tudo.
- Deus, Lucas... Você é um imbecil - Ela sussurrou com uma voz baixa, quase um eco de frustração que deslizou pelos meus ouvidos - E ainda deixou a Denisse sozinha... Merda... Você é um idiota...
Ela começou a andar de um lado pro outro. Cada passo era acentuado pela sola dos saltos, como um questionamento constante, uma desaprovação difícil de ignorar.
- E agora, o que você vai fazer? - Ela disse, soltando o ar pela boca, enquanto cruzava os braços de novo e me media com o olhar - Vai me expulsar do quarto, vai me pagar a passagem de volta pra eu ir cuidar da Denisse, ou vai fingir que nada disso aconteceu?
Fiquei mudo, com os punhos apertados dentro dos bolsos e o sangue pulsando nas têmporas. Queria gritar pra ela vazar, que tudo aquilo era um pesadelo ridículo, mas meus lábios não respondiam.
Ela me observou em silêncio por alguns segundos, notando o tremor na minha mandíbula e o jeito que meus olhos, muito apesar de mim, desviavam um segundo para os lábios dela e depois para o decote pronunciado do vestido de courino.
A testa franzida foi mudando aos poucos, se transformando num sorriso lento, como se o predador dentro dela começasse a arranhar a soleira.
—Eu sabia... —murmurou de repente, dando um passo para trás, mas não tão longe a ponto de dissipar o aroma adocicado do perfume dela—. Eu sabia perfeitamente, porra...
—Do que você tá falando? —respondi com a voz quebrada, na defensiva.
—Não se faz de bobo, Lucas —o tom dela baixou, virando um sussurro denso—. Você achava que era muito discreto, mas eu te vi. As vezes que você ficava me encarando demais na cozinha, na piscina da tia Johanna, como você ficava ao me ver de biquíni, ou como você se esfregava em mim quando a gente passava colado pela porta. Você tá há semanas querendo fazer exatamente isso... Não, não semanas... Meses... Anos!, só que precisava de uma desculpa grande o suficiente pra abafar sua culpa.
O golpe foi seco, certeiro e devastador. Não consegui rebater nada porque naquele momento percebi que ela tinha razão. Cada pequena repressão, cada pensamento proibido que eu tinha tentado enterrar sob meu relacionamento com a Nicole e meu papel de irmão, acabava de ser desenterrado e exposto à luz sem piedade, até pra mim mesmo.
A Romina esticou a mão e, com a ponta dos dedos, roçou suavemente a borda da minha mandíbula, enquanto um olhar analítico se desenhava no rosto dela. O toque dela mandou uma descarga elétrica pela minha coluna toda, dissolvendo os últimos fragmentos de compostura que me restavam.
—Você vem procurar uma puta e acaba sendo eu... Não é o destino perfeito? —sussurrou, mas dessa vez com uma sensualidade descarada, inclinando a cabeça, quase assumindo que tinha o controle da situação.
—Cê tá maluca! —exclamei na hora, dando um passo pra trás, com a voz trêmula e as mãos levantadas num gesto defensivo absurdo—. Isso não é verdade! Eu amo a Nicole, jamais faria uma coisa dessas com ela e menos... menos com... Você está inventando qualquer besteira, Romina! Eu vim porque... porque eu errei, foi um impulso idiota de uma noite, mas eu não sou assim, eu juro, eu nunca...
Continuei falando a toda velocidade, tropeçando nas palavras, tentando construir um muro de justificativas e mentiras piedosas pra afogar a verdade que batia no meu peito.
Mas Romina não tirava os olhos de mim. Me observava com uma mistura de arrogância e tédio, ouvindo minha verborragia como quem ouve chuva.
No meio do meu monólogo desesperado, ela deu um passo à frente com uma rapidez inesperada, fechando o espaço que nos separava. Antes que eu pudesse reagir, me agarrou pela gola da camiseta e colou os lábios nos meus.
O mundo apagou de uma vez.
Foi um beijo intenso, firme, carregado de uma autoridade avassaladora e um gosto de proibido que cortou minha respiração na hora. Tentei endurecer o corpo por puro instinto de sobrevivência moral, mas meus lábios cederam quase por traição, respondendo ao estímulo com uma urgência cega que eu guardava a sete chaves há anos. O perfume doce da pele dela, o calor do corpo colado no meu e o peso de toda a culpa se dissolvendo naquele único segundo fizeram minhas mãos, sem eu mandar, se agarrarem com desespero na cintura dela, enquanto aquele volume embaixo da minha calça ia ficando cada vez mais duro.
Romina se afastou só alguns milímetros, ofegando levemente, com um sorriso triunfante e obscuro brilhando nos lábios molhados.
— Você fala demais, irmãozinho... — sussurrou com voz rouca, roçando de novo minha boca —. E nós dois sabemos que você tá morrendo de vontade de parar de fingir... Já estamos aqui os dois, não é...? Você já pagou o hotel...
O ar no quarto parecia ter ficado denso, quase irrespirável, pesado com o aroma do perfume dela e o eco das nossas respirações aceleradas.
Ela não se afastou de todo. As mãos dela, que ainda me seguravam Da gola da camiseta, deslizaram os dedos com parcimônia até meus ombros, cravando levemente enquanto me estudava com aquele olhar que sabia absolutamente tudo.
— Então... — continuou, com um sussurro que percorreu minha espinha como uma descarga elétrica —, me diz uma coisa, Lucas. Se você já está aqui, se já alugou o quarto pela noite inteira, e se nós dois sabemos exatamente o que você quer... Que diabos você está esperando pra terminar de quebrar as regras?
O último vestígio de razão, de moralidade e de culpa se desintegrou dentro de mim, consumido por uma onda de calor que queimava meu sangue. Não havia mais volta. As desculpas tinham se esgotado e a realidade, por mais torta e proibida que fosse, nos tinha presos no centro daquele quarto de hotel.
Apliquei firmeza nas minhas mãos, colocando força na cintura dela e sentindo a curva do corpo dela apertada pelo vestido. Atraí ela pra mim com uma brusquidão faminta, colando de novo meus lábios nos dela num beijo desesperado, esfomeado, que afogou qualquer pensamento racional, no qual minha língua conheceu a dela.
Romina soltou um suspiro abafado, respondendo com a mesma intensidade voraz, abrindo caminho sem reservas enquanto os braços dela envolviam meu pescoço com força.
O mundo lá fora, com a Nicole em casa, com a Denisse dormindo sozinha, com toda aquela repressão, deixou de existir. Não éramos mais irmãos; éramos dois cúmplices caindo voluntariamente no abismo, prontos pra cruzar a linha definitiva.
Minhas mãos deslizaram com desespero pelas costas dela, agarrando o zíper do vestido. Puxei pra baixo com um movimento brusco, e a cremalheira cedeu com um estalo seco que cortou o ar. O material rígido e brilhante se soltou, caindo numa poça preta ao redor dos saltos dela, deixando à mostra o torso, protegido apenas por um sutiã de renda carmesim, e uma calcinha da mesma cor.
Romina não perdeu tempo. Seus dedos ágeis, trêmulos mas certeiros, já estavam brigando com a barra da minha camiseta, puxando o tecido pra cima enquanto me beijava o pescoço com uma voracidade que me tirava o fôlego. O dinheiro, o envelope com as economias que ainda guardava no bolso da calça, as tarifas estipuladas, as regras do negócio... tudo isso deixou de importar no instante em que a pele nua dela colidiu com o meu peito.
Consumidos pela urgência de possuir o que tínhamos proibido por tanto tempo, empurrei-a suavemente pra trás, guiando-a às cegas entre as sombras do quarto até que a parte de trás das pernas dela batesse na borda do colchão.
Romina caiu de costas sobre os lençóis brancos, soltando um gemido abafado que se perdeu na minha boca, e na hora abriu as pernas, como se terminasse de me convidar a provar tudo dela, me enroscando num abraço frenético que nos arrastou sem piedade pro centro da cama.
A gente se devorava em beijos com uma desesperação cega, como se o ar estivesse acabando. Entre um beijo e outro, com os lábios inchados e a respiração quebrada, Romina soltava pedaços de frases direto no meu ouvido, palavras carregadas de uma malícia calculada que me incendiava o sangue:
— Tá gostando, irmãozinho?... Era isso que você queria?...
As palavras dela perfuravam minha consciência, mas em vez de me frear, só conseguiam soltar uma voracidade mais selvagem em mim.
— Não... Isso é mais... — respondi sem fôlego.
Deslizei os lábios da boca dela até a mandíbula, e dali fui descendo devagar pela linha do pescoço, deixando um rastro de beijos molhados enquanto minhas mãos deslizavam com urgência por baixo das costas dela, procurando os fechos do sutiã. Meus dedos tatearam o tecido até achar os ganchos e, com um movimento rápido, a peça cedeu.
Me afastei alguns centímetros, me erguendo levemente pra olhar pra ela.
O ar travou na minha garganta de uma vez.
Tinha Eu já tinha visto o corpo dela naquelas fotos que ela me mandou quando perguntei sobre o serviço, mas meu cérebro tinha se recusado a conectar os pontos. Agora, tendo ela na minha frente, iluminada pela luz fraca do quarto, a experiência era infinitamente superior e brutalmente real. Os peitos dela, perfeitos, enormes, firmes e com os bicos durinhos de tesão, se ofereciam diante dos meus olhos sem filtros nem telas no meio. Era ela. Era minha irmã gêmea, a mesma com quem eu tinha crescido, com quem tinha vivido a vida inteira, com quem dividi o útero da nossa mãe, transformada naquele instante na criatura mais linda e perversa que meus olhos já tinham visto.
Fiquei pasmo, completamente hipnotizado, com as mãos tremendo nas laterais do corpo dela, incapaz de desviar o olhar. Romina, notando meu choque, soltou uma risadinha baixa e felina, arqueando levemente as costas em minha direção com total orgulho.
— Você gostou...? — Ela sussurrou num tom que, apesar de parecer familiar, eu não estava acostumado a ouvir nela... Talvez... Talvez porque ela estivesse usando o mesmo tom que nossa mãe usava pra me perguntar se eu tinha gostado do que ela cozinhou.
— Eu-eu amei... — Respondi quase na hora, sem conseguir falar direito.
— Então vai em frente... São suas.
Sem me deixar recuperar o fôlego, fui abaixando o rosto, completamente hipnotizado pela forma como o corpo dela se arqueava pra me receber. Apoiei meus lábios com suavidade na pele dela, sentindo o calor intenso que irradiava, e comecei a beijar com uma devoção febril, subindo desde a base dos peitos até prender um dos bicos endurecidos entre meus lábios.
Romina soltou um gemido agudo, um som cru que ecoou no quarto e terminou de quebrar as últimas barreiras da minha mente. As mãos dela, antes agarradas nos meus ombros, deslizaram pra nuca, se enroscando no meu cabelo e puxando com força, me obrigando a manter o ritmo, a não me afastar nem por um segundo. —Isso é... Não para, Lucas... —ofegou entrecortadamente, com a voz quebrada pelo prazer, enquanto seus quadris começavam a se mover no ritmo dos meus lábios, buscando o contato desesperado do meu corpo.
O toque da pele dela, o sabor da sua intimidade e a certeza absoluta do proibido que estávamos fazendo me inundaram as veias como uma droga pesada. Meus lábios sugavam com capricho enquanto uma das minhas mãos deslizava suavemente sobre o outro seio dela, apertando e brincando com o mamilo.
Ela gemia e me empurrava mais contra o peito. Depois de alguns segundos, troquei, agora sugando o seio esquerdo e tocando o direito. Meus dedos se aferravam a ele com força, enquanto minha língua fazia pressão contra o céu da boca com o mamilo no meio, e minha garganta aplicava sucção.
Após alguns minutos, me ergui o suficiente para deslizar as mãos pelas coxas dela, percorrendo a maciez das pernas até encontrar a borda da calcinha. Segurei e puxei para cima, deslizando o tecido pelas pernas até abandonar a pele dela, deixando-a completamente exposta diante de mim, enquanto o calor e a umidade do corpo dela me envolviam por completo.
Para terminar de despí-la, e aproveitando que os pés dela estavam elevados, fui desabotoando os saltos, um por um. Olhando nos olhos dela, retirei um, deixando o pé descalço, e depois o outro. Ela me fazia saber o quanto estava gostando pela curva dos lábios, com aquele olhar sedutor que sabia usar tão bem a seu favor.
Depositei um beijo suave em cada pé, e então me acomodei de forma que minha cabeça ficou entre as pernas abertas dela, sentindo o aroma de mulher no cio entrando pelo meu nariz. Romina me olhou fixamente nos olhos, com uma mistura de desafio, triunfo e um desejo voraz que refletia exatamente o mesmo abismo no qual eu tinha decidido cair.
—Vamos, irmãozinho... —sussurrou com um sorriso perverso nos lábios—. Me mostra o quão safado você está disposto a ser... Sorri entre suas coxas abertas, sentindo o calor abrasador que emanava do corpo dela. O aroma intenso, doce e almiscarado da excitação dela aguçava meus sentidos e nublava qualquer vestígio de razão que ainda me restasse. Romina, com a cabeça afundada no travesseiro e o cabelo bagunçado, soltou um gemido gutural, cortando o último laço da minha própria contenção.
Baixei a cabeça e, com a língua, tracei um caminho úmido e lento pela parte interna das coxas dela, parando para saborear a pele trêmula antes de chegar ao centro. Ela arqueou as costas bruscamente, cravando as unhas nos meus ombros, enquanto o quadril começava um movimento involuntário, me procurando, se oferecendo.
Não consegui esperar mais. Com uma mão, separei suavemente os lábios dela, encontrando-a completamente encharcada e pronta. Sem hesitar, afundei o rosto na buceta dela e comecei a lamber com uma devoção febril, absorvendo os fluidos com avidez, buscando o ponto exato que a fizesse perder o controle.
Romina explodiu num grito rasgado, um som primitivo que ecoou pelas paredes do quarto de hotel. O corpo inteiro dela se tensionava, sacudido por espasmos violentos, e as coxas se fecharam com força ao redor da minha cabeça, me aprisionando contra ela enquanto a buceta dela se derretia na minha boca.
—Lucas! Meu Deus, Lucas! —sussurrou entrecortada, com a voz rouca de prazer, enquanto eu continuava trabalhando o corpo dela com a língua e os lábios, aproveitando a entrega absoluta dela, o som do meu nome saindo da boca dela num contexto tão torcido e proibido quanto inevitável.
Deslizei as mãos para cima pelas pernas dela, percorrendo a pele macia e febril até me acomodar por completo entre elas. A proximidade era avassaladora; o calor úmido e penetrante da buceta dela me envolvia. Soltando as pernas dela por um instante, desafivelei o cinto e, então, deixei cair a calça jeans e a cueca. Com mais alguns movimentos, fiquei completamente nu.
Romina cravou a olhar para o meu membro. Estava duro e, ao mesmo tempo, agradecido por finalmente poder sair, pulsando como uma fera faminta. Ela o contemplava, quase com tanta admiração quanto eu sentia pelos seios dela.
Então, com aquele sorriso que já estava virando meu vício, ela abriu as pernas com total naturalidade, me convidando a chegar ainda mais perto, enquanto as mãos dela se firmavam nos meus ombros, me guiando com uma autoridade silenciosa. Segurei a respiração por um instante, sentindo o pulso acelerado na têmpora, e me ajustei ao tamanho dela.
Uma batida seca, um choque de peles e uma fricção intensa marcaram o início. Meu membro penetrou exatamente como estava, sentindo cada centímetro dela... Aquele interior quente e molhado.
Avancei com um movimento firme e deliberado, rompendo a última resistência física que nos separava. O eco de um gemido abafado brotou da garganta dela, se misturando na hora com meu próprio suspiro de rendição. Senti as pernas dela se fecharem com força ao redor da minha cintura, me agarrando como se temesse que o mundo inteiro pudesse roubar aquele momento da gente.
— Deus... Lucas... — ela conseguiu articular entrecortado, com a voz trêmula, arqueando as costas com desespero enquanto as unhas dela se cravavam na minha pele—. Não para...
O ritmo começou a acelerar sozinho, guiado por uma urgência cega e uma fome acumulada durante anos de olhares disfarçados, silêncios e desejos reprimidos. Cada estocada era um golpe direto na moral, um lembrete constante do quanto aquilo era proibido, mas nada disso importava mais. As paredes do quarto de hotel pareciam se dissolver, deixando só nós dois no meio de um abismo que escolhemos atravessar juntos.
Romina me encarava nos olhos, com as pupilas dilatadas e um sorriso selvagem e triunfante dançando nos lábios inchados dela. A respiração dela ficou errática, sincronizada com cada um dos meus movimentos, marcando o compasso de uma dança caótica e perfeita.
—Isso... Assim... —sussurrava, devorando o ar, me incitando a ir mais fundo, a perder o controle por completo.
A fricção se intensificou, virando um fogo que percorria nossa espinha e queimava nosso sangue. O clímax começou a se acumular no centro do meu peito, um nó apertado de prazer e loucura que ameaçava explodir a qualquer momento. Senti Romina começando a se tensionar debaixo de mim, com o quadril respondendo com uma força desesperada, buscando o ponto exato da colisão, enquanto meu pau pulsava dentro dela como uma bomba prestes a estourar.
—Lucas... Porra, Lucas... Vamos... Goza dentro de mim... Goza dentro da sua irmã... —exclamou com um grito abafado que terminou de acender o pavio.
Eu tava como uma fera, como um animal sem razão... Ou melhor ainda, como um animal sabendo perfeitamente o que faz. Naquele momento não existiam consequências, não existia moralidade. Com uma última estocada profunda, o mundo desabou ao nosso redor. A explosão nos varreu por dentro, uma descarga de calor e vertigem que nos deixou sem fôlego, unidos num abraço frenético enquanto um jorro forte e intenso de porra se espalhava lá dentro... O eco do último gemido se apagava lentamente contra os lençóis do quarto.
Segunda parte: https://www.poringa.net/posts/relatos/6409321/Mi-hermana-da-el-mejor-sexo-anal-2.html
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