El dia despues

Naquela noite, depois de terminarmos exaustos os dois, ficamos um tempinho conversando e rindo do que tinha rolado. O medo, a vergonha ou qualquer coisa que pudesse incomodar já não existia mais. Ela levantou pra ir no banheiro e, quando voltou, falou que ia se deitar. Eu tinha meu quarto, mas perguntei se podia dormir com ela, e ela topou. Dormimos. No dia seguinte, acordamos tarde; eu acordei primeiro e preparei o mate. Acordei ela e tomamos café na cama. Minha mãe não demorou pra puxar o assunto e disse:

MA: Ontem a gente foi longe demais, hein.
EU: É, você tem razão, mas você curtiu e eu também.
MA: SIM, ÓBVIO, mas a gente não pode fazer isso. Agora me sinto mal, estranha, sei lá.
EU: Beleza, calma. Entendo, tô na mesma (mentira). Aqui não rolou nada, esquece. Cortei o papo de boa, minha velha ficou tranquila e eu segui como se nada. Fui embora, passei o dia na piscina com os amigos. Tudo normal, tava de férias, então curtia ao máximo. Trocamos uns WhatsApps com minha mãe, mas nada estranho: "me avisa o que cê tá fazendo?", "vamos ver se a gente se junta com a família" e essas coisas. No fim, nos encontramos na casa da minha avó, com tios, primos, éramos um monte. Cruzei com minha mãe algumas vezes, mas ela tava estranha e me deixava estranho também, então preferi evitar ela ao máximo. Quando a reunião acabou, fomos pra casa. Cheguei e abri uma cerveja na hora. "Você quer uma?" Ofereci pra minha velha e ela disse que sim.

EU: O que que cê tem hoje? Cê tava estranha.
Ela, sem rodeios, falou:
MA: É, não paro de pensar no de ontem, mano.
EU: Mas, mãe, já conversamos, esquece. NÃO ROLOU NADA. Eu também não queria que ela ficasse assim tão mal ou angustiada, até porque já tinha passado e pra mim já era um absurdo. Se repetisse, beleza; se não, tudo bem.
MA: ESSE É O PROBLEMA, ROLOU SIM E NÃO CONSIGO TIRAR A IMAGEM DA CABEÇA.
EU: MAS NÃO ENTENDO. CÊ TÁ COM VERGONHA? NÃO VOU FALAR NADA DISSO. NÃO SEI O QUE CÊ PENSA.
MA: É, TÔ COM VERGONHA. NÃO VOU TE MENTIR. A verdade é que sim, me coloquei no lugar dela e entendia a situação. Foi tudo muito intenso e tal. No final, era tudo culpa da minha mãe. EU: "Olha o que aconteceu, já era, foi tudo pro caralho e pronto. Nós dois curtimos, agora a gente corta e já era, não fica assim. Se você acha que passei dos limites ou te desrespeitei, me desculpa." MÃE: "É, você tem razão, é só até eu me acostumar mesmo." Ela me olhou, sorriu e soltou: "Vou tomar um banho, já volto." Eu fiquei confuso, mas entendi a indireta. Enquanto ela tomava banho, peguei uma cervejinha e dei uma olhada no quarto. Ela tinha separado uma camiseta maior, uma calcinha básica e um short. Corri nos gaveteiros dela e tinha um monte de fio-dental na gaveta. Escolhi uma vermelha que tinha um lacinho bem pequeno atrás, e também tinha o sutiã, era perfeito. Peguei uma saia que tava por perto e deixei tudo na cama.

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