Esperava de pé no espaço aberto que era todo aquele apartamento, bem onde a sala de entrada morria e a sala de estar nascia. Tava com os nervos à flor da pele e não sabia muito bem o que fazer com a bolsa. Será que colocava na frente, segurando com as duas mãos? Não, melhor não, ia parecer que tô na defensiva. Talvez atrás de mim? De onde ela tava agora não dava pra ver, mas eu gostava muito de como o caimento da saia do meu vestido ficava em mim e não queria esconder. Melhor pendurada no ombro? Sim, melhor assim, onde já tava.
Toda a casa e a decoração era quente, sóbria e elegante, e como uma faísca no escuro ela se encontrava no centro, sentada confortavelmente no sofá vestida de seda vermelha. Um conjunto não tão caseiro, mas sensual e poderoso: uma camisola leve que cobria ela até onde a bunda perde o nome, e um roupão mais comprido que ela não tinha amarrado na cintura. Acompanhando, um colar fino de brilhantes parecido com um fio de luz pendia do pescoço dela até o decote, sumindo insinuante entre os peitos. Se ao olhar pra ela você só conseguia reparar nisso, é porque não sabia olhar. O que prendia minha atenção eram aqueles olhos serenos e tranquilos que combinavam com a curva delicada dos lábios dela num esboço de sorriso e emolduravam seu rosto doce e amável.
"Pra que você veio, sweet girl?"
Ela tinha se levantado e os saltos altos das sandálias dela ecoaram com o batucada rítmica dos passos se aproximando de mim.
"Pra te obedecer, Miss"
As palavras tinham saído da minha boca transmitindo mais calma do que eu realmente sentia.
"E o que foi que te trouxe até mim?"
Já tava do meu lado e eu tive que levantar o queixo pra poder responder olhando nos olhos dela.
"A admiração que sinto por você e a confiança que você me passa, Miss"
Com os dedos, ela pegou a borda da minha saia e com a ponta do polegar acariciou o tecido enquanto passava do meu lado e girava ao meu redor.
"Você se arrumou, gostosa" — disse com um tom de voz Suave, o que aliviou parte dos nervos que fervilhavam dentro de mim.
Assenti levemente com a cabeça, sentindo a presença dela atrás de mim. Para a ocasião, escolhi meu vestido preto sem mangas; duas presilhas prendiam meu cabelo, impedindo que ele escondesse meu rosto, e meus sapatos de salto, não tão altos quanto os dela, definiam minhas pernas. Meu dono adorava esse conjunto, dizia que, junto com minha juba ruiva, me fazia parecer uma boneca.
"O que você espera de mim? O que você pode me oferecer?" ela perguntou.
Demorei alguns segundos para responder. As unhas longas e esmaltadas dela acariciaram meu pescoço por baixo da nuca, e entre os dedos ela fez meu cabelo dançar, me ruborizando e me congelando na hora.
"Aprender com seu conhecimento e experiência; explorar e ser explorada, Miss."
"Você tem um cabelo lindo; abundante e forte. Nunca o prenda perto de mim."
E, pegando as presilhas uma por uma, ela o soltou, deixando que se derramasse sobre meus ombros. Depois, o arrumou.
"Assim farei, Miss", consegui dizer num suspiro, com o olhar fixo à frente.
Os dedos dela começaram a deslizar suavemente do meu couro cabeludo até as pontas do meu cabelo. Não o penteava, o contemplava, e eu me sentia grata sem entender bem o porquê. Em seguida, ela colocou todo o meu cabelo sobre um dos meus ombros, expondo meu pescoço, e seu hálito quente me revelou a proximidade dos lábios dela. Nervosa, segurei a respiração e evitei dar um sobressalto.
Hmm... Black Opium, Saint Laurent"
Se ela esperava uma resposta minha, não me deu tempo de dar — passou um dedo pelo contorno da minha cintura e terminou de dar a volta ao meu redor até ficar na minha frente.
"Você teria a bondade de se despir, sweet girl?"
Ela tinha recuado alguns passos e cruzado um braço sobre a barriga. Nele, apoiava o cotovelo do outro braço, e entre o polegar e o indicador segurava o próprio queixo e a bochecha. Não havia lascívia na expressão dela nem no pedido, só uma curiosidade genuína.
"Claro, Miss", assenti assim que consegui reagir.
Mesmo educada, a pergunta dela me pegou de surpresa. Não sei se foi porque me pegou desprevenida ou simplesmente porque meu subconsciente não esperava que ela fizesse isso tão cedo na nossa noite. Meu corpo, diante de uma ordem inesperada, respondeu com a pressa nervosa de quem acha que está atrasado, e tive que parar um momento para respirar, mesmo correndo o risco de parecer hesitar em obedecer aos desejos dela.
"Modo espelho, Hécuba", pensei comigo mesma.
Essa era minha resposta internalizada para momentos como esse, em que não sabia bem o que esperavam de mim. Bastava olhar ao redor e imitar para agir corretamente. O que eu via? Uma mulher uns dez anos mais velha que eu, que sabia se cuidar com dignidade; elegante e sensual na roupa; calma e serena.
E foi exatamente assim que me despi sob o olhar atento dela. Digna, elegante, sensual e calma.
Primeiro, coloquei a bolsa no chão com suavidade. Depois, levei as duas mãos às costas e abaixei o zíper do vestido num movimento lento e fluido. Deslizei os braços para fora, um de cada vez, e, quando o vestido ficou na cintura, puxei até os tornozelos. Dobrei com o maior cuidado possível e deixei à esquerda da bolsa, sem flexionar os joelhos, para oferecer a ela visualmente o pouco decote que tenho. Depois veio meu sutiã e, em seguida, minha calcinha. os quais deixei estendidos sobre o vestido e apontados para ela. Por último, foram os sapatos, perfeitamente alinhados com o resto das minhas coisas.
Diante do sorriso agradável que a minha miss me oferecia, respondi da mesma forma antes de levar as mãos para trás das costas e apoiar o peso do corpo no pé esquerdo.
O dedo onde descansava a bochecha dela foi até os lábios vermelhos, e eu pude sentir as pupilas dela atravessando com cuidado e uma avidez inocente cada centímetro de pele que contemplavam.
Era a primeira vez que me expunha assim para uma mulher e, curiosamente, meu nervosismo inicial tinha passado. Eu admirava minha miss, pelo quão sofisticada ela era, pela segurança que irradiava, pelo tratamento requintado que sempre oferecia. Alguém como ela me olhar naqueles momentos com tanta atenção me fazia sentir bem, muito bem, e isso transparecia no sorriso no meu rosto.
Absorta e sem parecer perceber as emoções que despertava em mim, ela pediu que eu me virasse com um movimento circular do dedo, e obedeci, levando desta vez as mãos para a frente e cruzando-as. Não queria esconder minha nudez, não queria que nada a impedisse de me observar à vontade.
Os passos dela ecoaram novamente, suaves, por toda a casa, anunciando que se aproximava de mim de novo. Quando parou, a mão dela levantou uma nádega minha, primeiro uma, depois a outra.
"Você malha", afirmou, não perguntou.
"Sim, Miss. Saio para correr", respondi, e logo senti uma pontada de arrependimento por ter dado uma informação que ela não tinha pedido. Não foi por ter sido sincera com ela que fiquei nervosa, foi pelo medo de ter me excedido numa explicação que ela não solicitou.
"Você se alimenta de forma saudável?"
As mãos dela tinham se apoiado delicadamente nos meus ombros, quase sem tocá-los, e ela me virou para podermos nos olhar nos olhos de novo. Com a ponta de um dedo, levantou meu queixo. Ela era bem mais alta que eu.
"Sim, Miss"
E, em silêncio, ficamos nos olhando nos olhos por dois, três, quatro batidas. Ela era gostosa. Muito gostosa. Pensei que se chegasse à idade dela, gostaria de ser como ela.
Ela se afastou sem dizer nada e eu observei hipnotizada o movimento dos quadris dela enquanto fazia isso. A elegância dela ao andar, adquirida ou inata, não passou despercebida por mim.
"Você não vem, sweet girl?" disse sem se virar e, dobrando o dedo duas vezes, me indicou que a seguisse.
"Às suas ordens, Miss"
Ela se sentou de novo no sofá e com a palma da mão me mostrou uma almofada no chão bem ao lado dela. Eu sabia o que significava e estava morrendo de vontade de dar pra ela. Me ajoelhei na hora aos pés dela e acomodei minhas coxas sobre minhas panturrilhas. Não sabia se essa era a posição que ela mais gostava que as submissas ficassem ajoelhadas diante dela, mas achei que era a mais adequada já que minha cabeça ficava mais baixa com minha Miss sentada daquele jeito.
Sem prestar mais atenção em mim, ela pegou uma pasta que estava em cima da mesinha bem na frente dela e vi o rosto dela desaparecer atrás dela. O barulho de papéis passando de um lado pro outro encheu o quarto e, expectante, fiquei olhando pra ela em perfeito silêncio.
E esperei, e esperei, e esperei.
Sou uma pessoa ativa, meio que uma abelhinha ocupada que não gosta de ficar sem fazer nada, e esse tipo de situação é meio puxada pra mim. Mas nem uma reclamação ela ouviu de mim, nem um pingo de inconformismo encontrou no meu rosto. Sem mais nada pra me entreter, fiquei observando o que dava pra ver dela. Reparei nas pernas longas cruzadas e nuas, em como as sandálias de salto alto estavam impecáveis, na manicure fina das unhas dos pés dela. Ela se cuidava mais do que eu e isso me deu uma certa vergonha...
Ela esticou a mão e pegou um dos meus fios de cabelo entre os dedos sem parar de prestar atenção no que quer que lesse na pasta. Como algo gostoso de tocar. Eu enrolei aquele cabelo, estiquei e acariciei a ponta dele distraidamente. Eu adorava aquilo, sempre fui fascinada por alguém passar a mão no meu cabelo, e sem perceber, aproximei minha cabeça baixa da mão dela, que começou a acariciar. Grata por aquela amostra de atenção e carinho, sorri com os olhos fixos no chão.
"Você poderia me servir uma taça de vinho, *sweet girl*? Na cozinha você encontra tudo que precisa."
Olhando naquela direção, vi em cima da mesa o que ela indicava. Levantei, fui pegar e voltei com a garrafa de tinto e a taça Borgonha na mão direita, e o saca-rolhas de dois tempos na esquerda. Sabia exatamente o que estava fazendo e adorava mostrar pra minha *miss* como eu era boa e elegante nesses serviços. De joelhos, ao lado dela, apoiei a garrafa na mesinha em cima de um sousplat com o rótulo à vista, cortei a cápsula abaixo da marca do gargalo, girei o saca-rolhas, inseri e puxei a rolha com dois movimentos precisos, deixando-a em seguida sobre a cápsula recém-cortada. Com uma mão nas costas, servi o vinho com delicadeza, evitando que caísse aos trancos, e com um giro de pulso não deixei escorrer uma única gota pelo vidro da garrafa. Peguei a taça pela base e a estendi para que ela pudesse segurá-la pelo cabo.
Obrigada" — disse ela, me dedicando um sorriso ao qual correspondi.
"O prazer é meu, senhorita"
E ela voltou ao que estava fazendo, e eu, aos pés dela, deixei que aproveitasse a leitura e o vinho em silêncio.
"Me diga o que achou" — disse ela, me estendendo a taça depois de um tempo.
A marca dos lábios dela impressa em batom vermelho dominava a borda do cristal e, afastando meu cabelo para o lado, fundi meu batom coral com o dela. O vinho estava excessivamente doce para o meu gosto, parecia uma bala, sem nenhum traço de carvalho. Não era meu estilo e já tinha provado melhores.
"Deixa um gosto final marcado de fruta preta, e a doçura faz com que seja ideal para tomar sem acompanhamento. No entanto, faltam nuances, é muito raso na minha humilde opinião. Um vinho que vai agradar mais a bebedores esporádicos do que a frequentes de paladar mais treinado"
Não sabia como ela ia receber minhas palavras. Era o vinho que ela tinha escolhido, devia ser do gosto dela, e o que eu disse podia ter magoado. Ela pediu minha opinião, e eu a dei honestamente, mas com cuidado. Não gosto de mentir nem queria fazer isso, é tudo.
E se minhas palavras tivessem podido incomodá-la, ela não demonstrou. Simplesmente ficou me olhando de novo daquele jeito, safado e agradável. Tão educada no trato quanto requintada nas formas, ela pegou de volta a bebida que eu estava estendendo e, deixando a pasta fechada em cima da mesa, cruzou as pernas no sofá, deitando-se um pouco e ficando de lado.
"Na caixa que você vai encontrar embaixo da mesinha tem uma pequena surpresa para você" — disse ela antes de dar um gole delicado na taça e levar aos lábios o batom que eu tinha deixado nela.
Tentei conter a empolgação, pelo menos no rosto, mas sei que sou transparente demais e que com certeza ela percebeu a animação que aquela deferência me causou. Era uma caixinha de madeira laqueada, e dentro dela havia umas pinças unidas por uma corrente e um plug anal de metal ornamentado com um cristal vermelho.
Meus olhos Acudiram aos seus e, com os lábios apertados pra disfarçar o sorriso que vinha, observei como, em silêncio, ele traçava círculos com um dedo na borda do copo. Não me apressou, não disse nada e nem precisava. A surpresa já era um convite por si só.
Peguei as pinças. Era a primeira vez que segurava umas daquelas e elas eram mais pesadas do que pareciam à primeira vista. Tava tão excitada que nem precisei me estimular os biquinhos e, segurando um peito com a mão, fechei a mandíbula de aço em volta do primeiro. Depois, seguindo a mesma cerimônia, fiz o mesmo com o outro. Apertavam, sim, mas nada que eu não aguentasse sem reclamar e sem expressar nada no rosto. O peso da corrente dava uma pressão extra, fazendo meus peitos penderem um pouco mais pra baixo.
Em seguida, peguei o plug. Era tamanho médio, não um pequeno e confortável como os que eu usava pra sair de casa quando meu dono pedia, mas não era nada que eu não desse conta. O único problema é que não tinha nem sinal de lubrificante, ia custar um pouquinho satisfazer minha miss, mas eu tava mais do que disposta a fazer isso.
De novo, depois de me dar uns segundos de distanciamento emocional, optei que o melhor seria entrar no modo espelho de novo. Sem tentar provocar luxúria ou lascívia na minha miss, mas me mostrando digna, elegante e serena como ela, coloquei a língua pra fora e passei o plug na superfície dela de baixo pra cima, mantendo meus olhos fixos nos dela. Depois, introduzi ele completamente na minha boca, fechei os lábios em volta do pescoço fino até ficar como uma chupeta e girei ele devagar pela base dentro de mim.
De joelhos, me virei e levei uma das bochechas até o chão. Oferecendo uma visão sem pudor da minha bunda, levei o plug recém-lubrificado com saliva até meu buraquinho e comecei a introduzir. Com o esfíncter relaxado e, não sendo exatamente novata nisso, fui enfiando ele aos poucos. dando espaço dentro de mim e no momento em que atingiu a circunferência máxima, enrolei um instante antes de engolir ele por completo. Com um leve suspiro, voltei à minha posição inicial de joelhos, com as mãos nas costas. Minha miss tinha se recostado no sofá e, sentada com os pés no chão, se inclinava em minha direção, com o rosto parcialmente escondido atrás da taça de vinho.
"Beija meus pés"
Foi um choque e eu congelei. Não que eu estivesse processando aquele pedido, era que meu orgulho tinha disparado na hora, varrendo qualquer traço de submissão das minhas veias. Isso eu não fazia e nunca faria. Era um limite pra mim, e a filha única do meu pai não ultrapassava um limite seu por nada nem por ninguém.
"Não" falei com firmeza e, depois de uma pausa, completei: "Miss"
Olhava pra ela desafiadora, sem piscar, com a cabeça levemente inclinada e o rosto num ricto que escondia uma mandíbula apertada e tensa. Se ela se incomodava com o jeito que eu a encarava, não pareceu se importar nem um pouco, e aquela indiferença atiçou as chamas do meu orgulho. Ela se inclinou em minha direção, com um dedo pegou a corrente que ligava as presilhas nos meus mamilos e a levou até a boca.
Tira os grampos então"
Mostrando os dentes e sem hesitar, estiquei o pescoço o máximo que pude com um puxão firme, mas o comprimento da corrente era tão longo que a única coisa que consegui foi machucar meus mamilos sem soltá-los. Um leve gemido escapou de mim e, com a língua, empurrei a corrente mais para dentro. No segundo puxão, um dos grampos voou pelos ares. Soltei um bufado e me queixei de dor. Respirando pesado pelo nariz e fechando os olhos, repeti a operação cumprindo a ordem da minha Miss. Meu peito não parava de subir e descer, por causa da adrenalina, da dor lancinante que rastejava por todos os meus seios desde a ponta dos meus mamilos, mas com o queixo bem levantado e a corrente ainda pendurada na minha boca, eu a encarava com os olhos bem fixos e abertos.
"Beija meus pés", repetiu no mesmo tom da primeira vez.
Dessa vez, não me dei ao trabalho de responder. Sem frescuras nem delicadezas, peguei eu mesma os grampos e os coloquei de novo, soltando um grunhido a cada vez que as mandíbulas deles se fechavam em volta dos meus mamilos doloridos. Deixando meus peitos pendurados sobre a ponta da mesinha, passei a corrente por baixo dela e a prendi, pressionando com minha coxa. Com um balanço da cabeça, ajeitei meu cabelo na direção oposta à da minha miss e, com o rosto virado para ela, perfurei suas pupilas com o olhar. Com as mãos nas costas, fiquei esperando a ordem que eu sabia que ela me daria.
Tira elas"
Como uma mola, pulei e obedeci. Dessa vez a dor foi muito pior, eu pulei no lugar, me contorci, bufei e gritei com os dentes apertados, e uma única, solitária e lastimosa lágrima escapou da minha pálpebra.
"Deus... Porra..." soltei na minha língua natal, o espanhol.
Pegando aquelas malditas pinças de novo, bati elas na mesinha com um baque seco e, sem soltá-las, dolorida, olhei pra minha miss com mais orgulho do que desafio real nos meus olhos. Se ela achava que, por eu estar como estava, ia usar minha palavra de segurança pra encerrar a sessão, é porque não me conhecia nada.
"Que brutinha você é, sweet girl" — ela disse com um tom que não consegui decifrar. Era admiração? Ou talvez pena? Impossível saber, eu estava tão dormente de dor que os pensamentos não se formavam com clareza na minha cabeça. "Você deixou seu ponto claro."
Ela se ajoelhou ao meu lado e, com o polegar, pegou minha lágrima. Depois, colocou a mão sobre a minha e, afastando-a com suavidade, pegou as pinças que estavam debaixo dela e as devolveu à sua caixa de madeira.
Me espera aqui"
E acariciando minha bochecha, me deu um beijo na cabeça antes de se levantar e ir pra cozinha. Ouvi a porta da geladeira abrir e o tilintar de alguns cubos de gelo se chocando. A tensão que acumulei naqueles momentos começou a se dissipar e deu lugar ao cansaço. Minhas mãos descansavam no meu colo e, quando os saltos soaram perto de mim, levantei a cabeça para ver justo como seu pingente de brilhantes cintilava diante dos meus olhos.
Ela trouxe um cubo de gelo preso entre os lábios e, levantando um dos meus peitos com as costas dos dedos, começou a esfregá-lo no meu mamilo dolorido. Primeiro na auréola, depois no topo. Um suspiro escapou da minha garganta, minhas pálpebras caíram e um pequeno arrepio de alívio prazeroso percorreu toda a minha espinha. Eu me sentia me desfazendo e joguei a cabeça pra trás. Quando ela terminou de cuidar dele, a dor que eu mesma tinha causado tinha sumido do meu corpo e da minha memória. Feliz da vida, ofereci o outro e recebi a mesma atenção.
Pequenas gotas de água começaram a escorrer pela minha barriga, e com os dedos coroados por aquelas unhas vermelhas lindas, ela as recolheu uma por uma. Um sorriso carinhoso apareceu dos dois lados do gelo que ainda segurava entre os dentes. Com o polegar, puxou meu lábio pra baixo, abrindo levemente minha boca, e depositou nela aquela pequena esfera de água congelada. Chupei com gosto, sem ceder à tentação de quebrá-la com mordidas, e, com nossos olhos a centímetros um do outro, nos olhamos. Não sei ela, mas eu me conectei emocionalmente. Aquela sensação de me sentir indefesa, mas ao mesmo tempo cuidada, era o que sempre me atraiu em ser submissa...
Prometi ao seu dono que você estaria em casa na hora do jantar. E eu sou uma pessoa zelosa em cumprir minhas promessas", disse ele colocando um fio de cabelo atrás da minha orelha. "Como o tempo passa rápido, né, sweet girl?"
"Sim, Miss", respondi, baixando o olhar inconscientemente. Poxa... Não queria ir embora... Estava tão bem aqui e a experiência tinha sido curta demais...
Ela se levantou primeiro e estendeu a mão pra me ajudar a levantar também. Me acompanhou até onde estavam minhas coisas e me ajudou a vestir o vestido primeiro e depois os sapatos, deixando esquecida no chão a roupa íntima com que eu tinha vindo. Me segurando pela cintura, nos olhamos no reflexo do espelho da entrada. Estávamos gostosas assim as duas, ela de vermelho atrás de mim, alta e elegante; eu na frente dela, mais baixinha, com meu vestido preto justinho.
"O plug é um presente meu pro seu dono. Tenho certeza que você vai achar o momento perfeito pra dar pra ele", ela começou a dizer. "Quanto a você... Toma isso e não tira.
Na superfície do espelho, vi o colar passar por cima da cabeça dela e depois ela o colocou ao redor do meu pescoço, por cima do meu vestido. Era lindo e minha mão correu para acariciá-lo. A alegria que esse presente me deu ficou estampada no meu rosto, que vibrava feito uma menininha.
Lá embaixo tem um táxi te esperando pra te levar pra casa"
Ele segurou minha bochecha e, virando meu rosto, me deu um beijo de despedida. Um beijo tão perto dos meus lábios que nossos cantinhos se tocaram e se encontraram.
Tinha sido uma noite mágica.
Toda a casa e a decoração era quente, sóbria e elegante, e como uma faísca no escuro ela se encontrava no centro, sentada confortavelmente no sofá vestida de seda vermelha. Um conjunto não tão caseiro, mas sensual e poderoso: uma camisola leve que cobria ela até onde a bunda perde o nome, e um roupão mais comprido que ela não tinha amarrado na cintura. Acompanhando, um colar fino de brilhantes parecido com um fio de luz pendia do pescoço dela até o decote, sumindo insinuante entre os peitos. Se ao olhar pra ela você só conseguia reparar nisso, é porque não sabia olhar. O que prendia minha atenção eram aqueles olhos serenos e tranquilos que combinavam com a curva delicada dos lábios dela num esboço de sorriso e emolduravam seu rosto doce e amável.
"Pra que você veio, sweet girl?"
Ela tinha se levantado e os saltos altos das sandálias dela ecoaram com o batucada rítmica dos passos se aproximando de mim.
"Pra te obedecer, Miss"
As palavras tinham saído da minha boca transmitindo mais calma do que eu realmente sentia.
"E o que foi que te trouxe até mim?"
Já tava do meu lado e eu tive que levantar o queixo pra poder responder olhando nos olhos dela.
"A admiração que sinto por você e a confiança que você me passa, Miss"
Com os dedos, ela pegou a borda da minha saia e com a ponta do polegar acariciou o tecido enquanto passava do meu lado e girava ao meu redor.
"Você se arrumou, gostosa" — disse com um tom de voz Suave, o que aliviou parte dos nervos que fervilhavam dentro de mim.
Assenti levemente com a cabeça, sentindo a presença dela atrás de mim. Para a ocasião, escolhi meu vestido preto sem mangas; duas presilhas prendiam meu cabelo, impedindo que ele escondesse meu rosto, e meus sapatos de salto, não tão altos quanto os dela, definiam minhas pernas. Meu dono adorava esse conjunto, dizia que, junto com minha juba ruiva, me fazia parecer uma boneca.
"O que você espera de mim? O que você pode me oferecer?" ela perguntou.
Demorei alguns segundos para responder. As unhas longas e esmaltadas dela acariciaram meu pescoço por baixo da nuca, e entre os dedos ela fez meu cabelo dançar, me ruborizando e me congelando na hora.
"Aprender com seu conhecimento e experiência; explorar e ser explorada, Miss."
"Você tem um cabelo lindo; abundante e forte. Nunca o prenda perto de mim."
E, pegando as presilhas uma por uma, ela o soltou, deixando que se derramasse sobre meus ombros. Depois, o arrumou.
"Assim farei, Miss", consegui dizer num suspiro, com o olhar fixo à frente.
Os dedos dela começaram a deslizar suavemente do meu couro cabeludo até as pontas do meu cabelo. Não o penteava, o contemplava, e eu me sentia grata sem entender bem o porquê. Em seguida, ela colocou todo o meu cabelo sobre um dos meus ombros, expondo meu pescoço, e seu hálito quente me revelou a proximidade dos lábios dela. Nervosa, segurei a respiração e evitei dar um sobressalto.
Hmm... Black Opium, Saint Laurent" Se ela esperava uma resposta minha, não me deu tempo de dar — passou um dedo pelo contorno da minha cintura e terminou de dar a volta ao meu redor até ficar na minha frente.
"Você teria a bondade de se despir, sweet girl?"
Ela tinha recuado alguns passos e cruzado um braço sobre a barriga. Nele, apoiava o cotovelo do outro braço, e entre o polegar e o indicador segurava o próprio queixo e a bochecha. Não havia lascívia na expressão dela nem no pedido, só uma curiosidade genuína.
"Claro, Miss", assenti assim que consegui reagir.
Mesmo educada, a pergunta dela me pegou de surpresa. Não sei se foi porque me pegou desprevenida ou simplesmente porque meu subconsciente não esperava que ela fizesse isso tão cedo na nossa noite. Meu corpo, diante de uma ordem inesperada, respondeu com a pressa nervosa de quem acha que está atrasado, e tive que parar um momento para respirar, mesmo correndo o risco de parecer hesitar em obedecer aos desejos dela.
"Modo espelho, Hécuba", pensei comigo mesma.
Essa era minha resposta internalizada para momentos como esse, em que não sabia bem o que esperavam de mim. Bastava olhar ao redor e imitar para agir corretamente. O que eu via? Uma mulher uns dez anos mais velha que eu, que sabia se cuidar com dignidade; elegante e sensual na roupa; calma e serena.
E foi exatamente assim que me despi sob o olhar atento dela. Digna, elegante, sensual e calma.
Primeiro, coloquei a bolsa no chão com suavidade. Depois, levei as duas mãos às costas e abaixei o zíper do vestido num movimento lento e fluido. Deslizei os braços para fora, um de cada vez, e, quando o vestido ficou na cintura, puxei até os tornozelos. Dobrei com o maior cuidado possível e deixei à esquerda da bolsa, sem flexionar os joelhos, para oferecer a ela visualmente o pouco decote que tenho. Depois veio meu sutiã e, em seguida, minha calcinha. os quais deixei estendidos sobre o vestido e apontados para ela. Por último, foram os sapatos, perfeitamente alinhados com o resto das minhas coisas.
Diante do sorriso agradável que a minha miss me oferecia, respondi da mesma forma antes de levar as mãos para trás das costas e apoiar o peso do corpo no pé esquerdo.
O dedo onde descansava a bochecha dela foi até os lábios vermelhos, e eu pude sentir as pupilas dela atravessando com cuidado e uma avidez inocente cada centímetro de pele que contemplavam.
Era a primeira vez que me expunha assim para uma mulher e, curiosamente, meu nervosismo inicial tinha passado. Eu admirava minha miss, pelo quão sofisticada ela era, pela segurança que irradiava, pelo tratamento requintado que sempre oferecia. Alguém como ela me olhar naqueles momentos com tanta atenção me fazia sentir bem, muito bem, e isso transparecia no sorriso no meu rosto.
Absorta e sem parecer perceber as emoções que despertava em mim, ela pediu que eu me virasse com um movimento circular do dedo, e obedeci, levando desta vez as mãos para a frente e cruzando-as. Não queria esconder minha nudez, não queria que nada a impedisse de me observar à vontade.
Os passos dela ecoaram novamente, suaves, por toda a casa, anunciando que se aproximava de mim de novo. Quando parou, a mão dela levantou uma nádega minha, primeiro uma, depois a outra.
"Você malha", afirmou, não perguntou.
"Sim, Miss. Saio para correr", respondi, e logo senti uma pontada de arrependimento por ter dado uma informação que ela não tinha pedido. Não foi por ter sido sincera com ela que fiquei nervosa, foi pelo medo de ter me excedido numa explicação que ela não solicitou.
"Você se alimenta de forma saudável?"
As mãos dela tinham se apoiado delicadamente nos meus ombros, quase sem tocá-los, e ela me virou para podermos nos olhar nos olhos de novo. Com a ponta de um dedo, levantou meu queixo. Ela era bem mais alta que eu.
"Sim, Miss"
E, em silêncio, ficamos nos olhando nos olhos por dois, três, quatro batidas. Ela era gostosa. Muito gostosa. Pensei que se chegasse à idade dela, gostaria de ser como ela.
Ela se afastou sem dizer nada e eu observei hipnotizada o movimento dos quadris dela enquanto fazia isso. A elegância dela ao andar, adquirida ou inata, não passou despercebida por mim.
"Você não vem, sweet girl?" disse sem se virar e, dobrando o dedo duas vezes, me indicou que a seguisse.
"Às suas ordens, Miss"
Ela se sentou de novo no sofá e com a palma da mão me mostrou uma almofada no chão bem ao lado dela. Eu sabia o que significava e estava morrendo de vontade de dar pra ela. Me ajoelhei na hora aos pés dela e acomodei minhas coxas sobre minhas panturrilhas. Não sabia se essa era a posição que ela mais gostava que as submissas ficassem ajoelhadas diante dela, mas achei que era a mais adequada já que minha cabeça ficava mais baixa com minha Miss sentada daquele jeito.
Sem prestar mais atenção em mim, ela pegou uma pasta que estava em cima da mesinha bem na frente dela e vi o rosto dela desaparecer atrás dela. O barulho de papéis passando de um lado pro outro encheu o quarto e, expectante, fiquei olhando pra ela em perfeito silêncio.
E esperei, e esperei, e esperei.
Sou uma pessoa ativa, meio que uma abelhinha ocupada que não gosta de ficar sem fazer nada, e esse tipo de situação é meio puxada pra mim. Mas nem uma reclamação ela ouviu de mim, nem um pingo de inconformismo encontrou no meu rosto. Sem mais nada pra me entreter, fiquei observando o que dava pra ver dela. Reparei nas pernas longas cruzadas e nuas, em como as sandálias de salto alto estavam impecáveis, na manicure fina das unhas dos pés dela. Ela se cuidava mais do que eu e isso me deu uma certa vergonha...
Ela esticou a mão e pegou um dos meus fios de cabelo entre os dedos sem parar de prestar atenção no que quer que lesse na pasta. Como algo gostoso de tocar. Eu enrolei aquele cabelo, estiquei e acariciei a ponta dele distraidamente. Eu adorava aquilo, sempre fui fascinada por alguém passar a mão no meu cabelo, e sem perceber, aproximei minha cabeça baixa da mão dela, que começou a acariciar. Grata por aquela amostra de atenção e carinho, sorri com os olhos fixos no chão.
"Você poderia me servir uma taça de vinho, *sweet girl*? Na cozinha você encontra tudo que precisa."
Olhando naquela direção, vi em cima da mesa o que ela indicava. Levantei, fui pegar e voltei com a garrafa de tinto e a taça Borgonha na mão direita, e o saca-rolhas de dois tempos na esquerda. Sabia exatamente o que estava fazendo e adorava mostrar pra minha *miss* como eu era boa e elegante nesses serviços. De joelhos, ao lado dela, apoiei a garrafa na mesinha em cima de um sousplat com o rótulo à vista, cortei a cápsula abaixo da marca do gargalo, girei o saca-rolhas, inseri e puxei a rolha com dois movimentos precisos, deixando-a em seguida sobre a cápsula recém-cortada. Com uma mão nas costas, servi o vinho com delicadeza, evitando que caísse aos trancos, e com um giro de pulso não deixei escorrer uma única gota pelo vidro da garrafa. Peguei a taça pela base e a estendi para que ela pudesse segurá-la pelo cabo.
Obrigada" — disse ela, me dedicando um sorriso ao qual correspondi. "O prazer é meu, senhorita"
E ela voltou ao que estava fazendo, e eu, aos pés dela, deixei que aproveitasse a leitura e o vinho em silêncio.
"Me diga o que achou" — disse ela, me estendendo a taça depois de um tempo.
A marca dos lábios dela impressa em batom vermelho dominava a borda do cristal e, afastando meu cabelo para o lado, fundi meu batom coral com o dela. O vinho estava excessivamente doce para o meu gosto, parecia uma bala, sem nenhum traço de carvalho. Não era meu estilo e já tinha provado melhores.
"Deixa um gosto final marcado de fruta preta, e a doçura faz com que seja ideal para tomar sem acompanhamento. No entanto, faltam nuances, é muito raso na minha humilde opinião. Um vinho que vai agradar mais a bebedores esporádicos do que a frequentes de paladar mais treinado"
Não sabia como ela ia receber minhas palavras. Era o vinho que ela tinha escolhido, devia ser do gosto dela, e o que eu disse podia ter magoado. Ela pediu minha opinião, e eu a dei honestamente, mas com cuidado. Não gosto de mentir nem queria fazer isso, é tudo.
E se minhas palavras tivessem podido incomodá-la, ela não demonstrou. Simplesmente ficou me olhando de novo daquele jeito, safado e agradável. Tão educada no trato quanto requintada nas formas, ela pegou de volta a bebida que eu estava estendendo e, deixando a pasta fechada em cima da mesa, cruzou as pernas no sofá, deitando-se um pouco e ficando de lado.
"Na caixa que você vai encontrar embaixo da mesinha tem uma pequena surpresa para você" — disse ela antes de dar um gole delicado na taça e levar aos lábios o batom que eu tinha deixado nela.
Tentei conter a empolgação, pelo menos no rosto, mas sei que sou transparente demais e que com certeza ela percebeu a animação que aquela deferência me causou. Era uma caixinha de madeira laqueada, e dentro dela havia umas pinças unidas por uma corrente e um plug anal de metal ornamentado com um cristal vermelho.
Meus olhos Acudiram aos seus e, com os lábios apertados pra disfarçar o sorriso que vinha, observei como, em silêncio, ele traçava círculos com um dedo na borda do copo. Não me apressou, não disse nada e nem precisava. A surpresa já era um convite por si só.
Peguei as pinças. Era a primeira vez que segurava umas daquelas e elas eram mais pesadas do que pareciam à primeira vista. Tava tão excitada que nem precisei me estimular os biquinhos e, segurando um peito com a mão, fechei a mandíbula de aço em volta do primeiro. Depois, seguindo a mesma cerimônia, fiz o mesmo com o outro. Apertavam, sim, mas nada que eu não aguentasse sem reclamar e sem expressar nada no rosto. O peso da corrente dava uma pressão extra, fazendo meus peitos penderem um pouco mais pra baixo.
Em seguida, peguei o plug. Era tamanho médio, não um pequeno e confortável como os que eu usava pra sair de casa quando meu dono pedia, mas não era nada que eu não desse conta. O único problema é que não tinha nem sinal de lubrificante, ia custar um pouquinho satisfazer minha miss, mas eu tava mais do que disposta a fazer isso.
De novo, depois de me dar uns segundos de distanciamento emocional, optei que o melhor seria entrar no modo espelho de novo. Sem tentar provocar luxúria ou lascívia na minha miss, mas me mostrando digna, elegante e serena como ela, coloquei a língua pra fora e passei o plug na superfície dela de baixo pra cima, mantendo meus olhos fixos nos dela. Depois, introduzi ele completamente na minha boca, fechei os lábios em volta do pescoço fino até ficar como uma chupeta e girei ele devagar pela base dentro de mim.
De joelhos, me virei e levei uma das bochechas até o chão. Oferecendo uma visão sem pudor da minha bunda, levei o plug recém-lubrificado com saliva até meu buraquinho e comecei a introduzir. Com o esfíncter relaxado e, não sendo exatamente novata nisso, fui enfiando ele aos poucos. dando espaço dentro de mim e no momento em que atingiu a circunferência máxima, enrolei um instante antes de engolir ele por completo. Com um leve suspiro, voltei à minha posição inicial de joelhos, com as mãos nas costas. Minha miss tinha se recostado no sofá e, sentada com os pés no chão, se inclinava em minha direção, com o rosto parcialmente escondido atrás da taça de vinho.
"Beija meus pés"
Foi um choque e eu congelei. Não que eu estivesse processando aquele pedido, era que meu orgulho tinha disparado na hora, varrendo qualquer traço de submissão das minhas veias. Isso eu não fazia e nunca faria. Era um limite pra mim, e a filha única do meu pai não ultrapassava um limite seu por nada nem por ninguém.
"Não" falei com firmeza e, depois de uma pausa, completei: "Miss"
Olhava pra ela desafiadora, sem piscar, com a cabeça levemente inclinada e o rosto num ricto que escondia uma mandíbula apertada e tensa. Se ela se incomodava com o jeito que eu a encarava, não pareceu se importar nem um pouco, e aquela indiferença atiçou as chamas do meu orgulho. Ela se inclinou em minha direção, com um dedo pegou a corrente que ligava as presilhas nos meus mamilos e a levou até a boca.
Tira os grampos então"Mostrando os dentes e sem hesitar, estiquei o pescoço o máximo que pude com um puxão firme, mas o comprimento da corrente era tão longo que a única coisa que consegui foi machucar meus mamilos sem soltá-los. Um leve gemido escapou de mim e, com a língua, empurrei a corrente mais para dentro. No segundo puxão, um dos grampos voou pelos ares. Soltei um bufado e me queixei de dor. Respirando pesado pelo nariz e fechando os olhos, repeti a operação cumprindo a ordem da minha Miss. Meu peito não parava de subir e descer, por causa da adrenalina, da dor lancinante que rastejava por todos os meus seios desde a ponta dos meus mamilos, mas com o queixo bem levantado e a corrente ainda pendurada na minha boca, eu a encarava com os olhos bem fixos e abertos.
"Beija meus pés", repetiu no mesmo tom da primeira vez.
Dessa vez, não me dei ao trabalho de responder. Sem frescuras nem delicadezas, peguei eu mesma os grampos e os coloquei de novo, soltando um grunhido a cada vez que as mandíbulas deles se fechavam em volta dos meus mamilos doloridos. Deixando meus peitos pendurados sobre a ponta da mesinha, passei a corrente por baixo dela e a prendi, pressionando com minha coxa. Com um balanço da cabeça, ajeitei meu cabelo na direção oposta à da minha miss e, com o rosto virado para ela, perfurei suas pupilas com o olhar. Com as mãos nas costas, fiquei esperando a ordem que eu sabia que ela me daria.
Tira elas" Como uma mola, pulei e obedeci. Dessa vez a dor foi muito pior, eu pulei no lugar, me contorci, bufei e gritei com os dentes apertados, e uma única, solitária e lastimosa lágrima escapou da minha pálpebra.
"Deus... Porra..." soltei na minha língua natal, o espanhol.
Pegando aquelas malditas pinças de novo, bati elas na mesinha com um baque seco e, sem soltá-las, dolorida, olhei pra minha miss com mais orgulho do que desafio real nos meus olhos. Se ela achava que, por eu estar como estava, ia usar minha palavra de segurança pra encerrar a sessão, é porque não me conhecia nada.
"Que brutinha você é, sweet girl" — ela disse com um tom que não consegui decifrar. Era admiração? Ou talvez pena? Impossível saber, eu estava tão dormente de dor que os pensamentos não se formavam com clareza na minha cabeça. "Você deixou seu ponto claro."
Ela se ajoelhou ao meu lado e, com o polegar, pegou minha lágrima. Depois, colocou a mão sobre a minha e, afastando-a com suavidade, pegou as pinças que estavam debaixo dela e as devolveu à sua caixa de madeira.
Me espera aqui" E acariciando minha bochecha, me deu um beijo na cabeça antes de se levantar e ir pra cozinha. Ouvi a porta da geladeira abrir e o tilintar de alguns cubos de gelo se chocando. A tensão que acumulei naqueles momentos começou a se dissipar e deu lugar ao cansaço. Minhas mãos descansavam no meu colo e, quando os saltos soaram perto de mim, levantei a cabeça para ver justo como seu pingente de brilhantes cintilava diante dos meus olhos.
Ela trouxe um cubo de gelo preso entre os lábios e, levantando um dos meus peitos com as costas dos dedos, começou a esfregá-lo no meu mamilo dolorido. Primeiro na auréola, depois no topo. Um suspiro escapou da minha garganta, minhas pálpebras caíram e um pequeno arrepio de alívio prazeroso percorreu toda a minha espinha. Eu me sentia me desfazendo e joguei a cabeça pra trás. Quando ela terminou de cuidar dele, a dor que eu mesma tinha causado tinha sumido do meu corpo e da minha memória. Feliz da vida, ofereci o outro e recebi a mesma atenção.
Pequenas gotas de água começaram a escorrer pela minha barriga, e com os dedos coroados por aquelas unhas vermelhas lindas, ela as recolheu uma por uma. Um sorriso carinhoso apareceu dos dois lados do gelo que ainda segurava entre os dentes. Com o polegar, puxou meu lábio pra baixo, abrindo levemente minha boca, e depositou nela aquela pequena esfera de água congelada. Chupei com gosto, sem ceder à tentação de quebrá-la com mordidas, e, com nossos olhos a centímetros um do outro, nos olhamos. Não sei ela, mas eu me conectei emocionalmente. Aquela sensação de me sentir indefesa, mas ao mesmo tempo cuidada, era o que sempre me atraiu em ser submissa...
Prometi ao seu dono que você estaria em casa na hora do jantar. E eu sou uma pessoa zelosa em cumprir minhas promessas", disse ele colocando um fio de cabelo atrás da minha orelha. "Como o tempo passa rápido, né, sweet girl?" "Sim, Miss", respondi, baixando o olhar inconscientemente. Poxa... Não queria ir embora... Estava tão bem aqui e a experiência tinha sido curta demais...
Ela se levantou primeiro e estendeu a mão pra me ajudar a levantar também. Me acompanhou até onde estavam minhas coisas e me ajudou a vestir o vestido primeiro e depois os sapatos, deixando esquecida no chão a roupa íntima com que eu tinha vindo. Me segurando pela cintura, nos olhamos no reflexo do espelho da entrada. Estávamos gostosas assim as duas, ela de vermelho atrás de mim, alta e elegante; eu na frente dela, mais baixinha, com meu vestido preto justinho."O plug é um presente meu pro seu dono. Tenho certeza que você vai achar o momento perfeito pra dar pra ele", ela começou a dizer. "Quanto a você... Toma isso e não tira.
Na superfície do espelho, vi o colar passar por cima da cabeça dela e depois ela o colocou ao redor do meu pescoço, por cima do meu vestido. Era lindo e minha mão correu para acariciá-lo. A alegria que esse presente me deu ficou estampada no meu rosto, que vibrava feito uma menininha.
Lá embaixo tem um táxi te esperando pra te levar pra casa" Ele segurou minha bochecha e, virando meu rosto, me deu um beijo de despedida. Um beijo tão perto dos meus lábios que nossos cantinhos se tocaram e se encontraram.
Tinha sido uma noite mágica.
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