Não sei o que tá rolando comigo ultimamente, mas tem algo em mim que cada vez pede mais. Não sei se é fome, vício ou só um ego que quer se ver refletido nos olhos vidrados dos outros caras quando eu faço eles gozarem como se eu tivesse sugando eles até secar. Mas sei que tô ficando mais criativa, mais... ousada. E o Lucas, coitado, continua aguentando. Feliz? Sim. Excitado? Pra caralho. Mas também confuso. Ele gosta, claro. Me olha com aquela mistura de tesão e admiração, como se não pudesse acreditar que eu sou dele... e ao mesmo tempo de outros.
Dessa vez me veio uma ideia diferente. Algo que a gente nunca tinha feito antes, mas que na minha cabeça parecia emocionante, ou pelo menos inovador.
Tem vezes que só o fato de saber quevouFazer isso já me deixa mais excitada do que a própria foda. É como se meu corpo já se preparasse, como se minha pele começasse a cheirar diferente, a suar diferente. Hoje é um desses dias. Ainda não transei, não vi ele, nem me vesti. Mascêo que vai acontecer. E isso já me deixou toda molhada.
O nome dele é David. Trinta e dois. Supervisor de uma cervejaria em Belgrano, bem dotado pelo que me mostrou.
Lucas não sabe todos os detalhes. Ainda. MassimSabe que tô tramando alguma coisa. Deixo ele manso e doido ao mesmo tempo, igual um cachorro que sente o cheiro da comida mas não ganha. Ele tá na sala, com o notebook, trabalhando. Eu chego por trás, passo os braços pelos ombros dele, mordo o pescoço devagar.
— O que cê tá fazendo, meu amor? — ronrono no ouvido dele —. Muito ocupado?
— Tentando não pensar em você... — ele responde sem virar o rosto.
— Ai, que mentiroso... — falo, e esfrego os peitos na cabeça dele —. Cê sabe que quanto mais me imagina, mais doido fica.
Ele suspira. Fecha os olhos. Encosta a cabeça no meu peito.
— E agora, o que cê vai fazer?
— Vou escolher roupa.
— Pra quê?
Mordo a orelha dele. Sussurro:
— Pravermecom alguém.
Silêncio. Pura tensão no ar. Sei que não vai me perguntar quem. Ainda não. Prefere imaginar. Prefere encher a cabeça de imagens sujas antes de ouvir nomes.
—Hoje?
—Talvez. Ou talvez só esteja sondando opções... mas quero me ver bem putinha — falo sorrindo, e solto a frase.
Ando até o quarto. Escuto ele fechar o notebook com força. Tenho ele comendo na minha mão. Adoro isso. Me excita ter o poder de machucar ele bem onde mais o esquenta: o ego dele.
Abro a gaveta da roupa íntima e começo o desfile mental. Uma calcinha fio dental preta de renda com tirinhas finas que se perdem entre as nádegas. Sim. Essa. Umas meias de rede rasgadas na parte das coxas. Top vermelho que mal cobre os bicos. E por cima, se é que decido vestir algo, uma jaquetinha jeans aberta, só pra fazer parecer que sou uma garota comum e não a gostosa que vai arrancar a roupa antes de abrirem a porta. Completei meu look com umas sandálias de plataforma na frente e salto agulha preto que alongavam minhas pernas e destacavam mais a raba. Do jeito que eu mais gostava.
Lucas aparece na porta. Fica ali, encostado, de braços cruzados. Me olha como se não soubesse se quer me abraçar ou me amarrar na cama pra eu não escapar.
—Com quem você vai ficar?
—Ele se chama David — falo sem rodeios.
—Você conhece ele?
—O suficiente pra saber que ele vai querer lamber eu toda antes de me foder.
Ele fica mudo. Os olhos brilham. Conheço ele tão bem que já sei o que ele tá vendo na cabeça dele. Não me importo se isso machuca ele.Me excita que você machuque ele.Porque sei que mesmo assim não vai me dizer pra parar.
—E você? —pergunto—. Quer que eu faça?
—Não sei.
—Mentira. Sabe que sim. Sabe que vai se tocar pensando no que provavelmente vão fazer comigo. Você gosta, adora ser meu corno manso.peshosho.Ele fecha os olhos e morde o lábio.
—E depois? Vai vir aqui me contar tudo?
—Não. Vou vir... prate mostrar—Como assim? Você vai se filmar?
—Não. Outra hora até pode ser. Vou gravar em áudio, pra você ouvir completo como se fosse um podcast, pra você imaginar. Isso é mais excitante.
—Haha! Tipo o Podcast do Elo?
Olhei pra ele com a testa franzida e a boca torcida.
—Ah, não! Esse cara me dá nojo de tão punheteiro que é. Até pra mim.
Passo por ele de fio dental e roço. Ele me segue com o olhar. Sabe que não pode me parar. Que nem vai tentar. Que se quiser continuar comigo, tem que conviver com essa loucura. Com essa minha parte que não guarda nada. Que adora provocar ele. Que ama a ideia de ele ficar sozinho, em silêncio, se tocando, enquanto imagina o que um aleatório tá fazendo comigo. E que agora ele vai ouvir.
—Vou me arrumar gostosa pra ele... — falo enquanto remexo no guarda-roupa —. E quando eu voltar, você vai sentir o perfume dele no meu cabelo. Vai ver as marcas dele nas minhas coxas. E vai ter que decidir se bate uma sozinho... ou me come com raiva pra marcar território de novo quando eu voltar toda usada.
Lucas não fala nada. Ajeita a calça, visivelmente duro, enorme. Tá desesperado.
E eu... feliz. Porque isso tudo tá só começando.
Tem uma coisa no momento exato antes de transar com alguém novo que me deixa louca de tesão. Essa mistura de ansiedade, ego, adrenalina... o saber que você já ganhou antes mesmo de olhar nos olhos. Me coloquei na frente do espelho e soube que dessa vez não ia precisar nem de uma taça pra David querer me manobrar do jeito dele na cama, me colocando em posições diferentes como uma boneca de massinha.
Tava vestida como uma ameaça: top preto bem justinho, sem sutiã. De vez em quando os bicos apareciam, o que me fascinava porque não precisava mostrar tudo pra notar.tudoMinissaia de couro, justa no corpo, com borda caprichada. E por baixo, a tanga de renda preta, como provocação particular, só pra quando eu cruzasse as pernas ou quisesse tirar com a boca.
Saí do prédio me sentindo uma rainha depravada. Era noite, não muito tarde, e o ar estava pesado, pegajoso. Daqueles que fazem a roupa grudar no corpo e cada passo te deixar mais quente. Caminhei pela Rivadavia até virar numa rua interna, naquelas transversais que morrem perto do Obelisco. Já tínhamos combinado o ponto: um barzinho meio escondido naquelas ruas de contrastes, com luzes fracas e cadeiras que rangem, ideal pra falar baixinho... ou pra ninguém ouvir o que a gente se diz com os olhos.
Vi ele de meia quadra. Tava encostado na porta. Era alto, ombros largos, jaqueta aberta, camiseta branca que marcava os músculos dos braços. Barba feita, cabelo curto mas cacheadinho, aquele sorriso de galã que sabe que agrada sem esforço. E sim, a semelhança com o Luciano Castro era real. Mas menos bruto. Mais de pôster.
Quando me aproximei, o olhar dele cravou direto entre minhas pernas. Me varreu inteira com os olhos, sem medo. Eu curti. Sabia. Aquele look era uma bomba.
— Chegou sozinha ou alguém te trouxe até aqui? — ele disse, meio de brincadeira, meio marcando território.
— Sozinha. Tava esperando mais alguém? — respondi, levantando uma sobrancelha.
Ele riu. Abriu a porta pra mim e entramos.
O lugar era pequeno, com mesas baixas, paredes escuras, música alta o suficiente pra deixar o burburinho da cidade lá fora. Ele pediu uma IPA e me ofereceu um Gin Tônico, meu favorito. Não precisava complicar.
Sentamos frente a frente. Cruzei as pernas com cuidado, sabendo que do ângulo dele dava pra ver o começo da coxa e um pouco mais. Olhei direto pra ele. Ajeitei o cabelo. Brinquei com o canudinho da bebida como se não soubesse que já tinha ele hipnotizado.
— E você? — perguntei—. O que disse pra sua namorada pra vir?
Ele me olhou com aquela cara de "me chupa um ovo".
—Que eu tava me encontrando com um ex-colega de trampo.
—Queclichê— Não achei que fosse o momento de contar que ia encontrar uma gostosa que vai me fazer ver estrelas.
Ele falou como se já fosse fato. E era. Eu já tinha decidido antes de sair de casa. Ele só vinha cumprir a parte dele.
Dei um gole longo no meu drink. Me inclinei um pouco, deixando meus peitos quase escaparem do top, mostrando aquela pele sensível e macia que grita pra ser tocada. Ele olhava pra minha boca quando falava. Me imaginava de joelhos. E eu... também. Minha mente suja imaginava ele se sacudindo, espalhando os restos do ser dele naquelas duas pronúncias, me respingando toda.
— E você se sente mal? — perguntei.
— Por estar aqui?
— Sim. Por vir sabendo que vai trair sua namorada comigo.
Ele ficou me encarando. A voz não tremeu.
— Ela não precisa saber, não tem essa ousadia que você tá me mostrando. Você é um sonho que eu tenho desde que vi suas fotos. E agora que te tenho na minha frente... não quero acordar.
Sorri pra ele.
— Melhor não acordar então. Porque quando acordar, vai ser com minha boca ocupada.
Ficamos mais um tempo. Não precisava falar muito. Cada vez que nossos olhos se cruzavam, a gente sabia o que ia rolar. Eu me recostei um pouco pra trás. Me espreguicei. Cruzei as pernas de novo. A saia subiu um pouquinho mais.
Ele engoliu seco. Era óbvio que minha personalidade despreocupada com meu vocabulário era demais pra ele.
— E você gosta que façam com força? — ele perguntou, sem filtro.
— A ponto de me quebrar. Pra sexo romântico, tenho meu namorado me esperando em casa. Pra um caso como você, quero toda a falta de respeito possível. Vai dar conta disso?
Ele apoiou os cotovelos na mesa. Se inclinou na minha direção.
— Juro que se não fosse proibido, te pegava agora mesmo e te colocava contra a mesa, levantava essa saia e te fazia minha. Te faço tudo que você merece e mais.
— E quem disse que você não pode?
Olhei a hora no meu celular, chupei o dedo distraidamente e falei:
— Daqui a quinze minutos... a gente vaza. Você. você escolhe o hotel. Eu me deixo fazer tudo.
E sorri. Porque sabia que na cabeça dele já estava rolando.
Pra ser sincera, não esperava que o David fosse desses quepaguem bemO hotel ficava a três quadras do bar, tudo disfarçado por trás de uma fachada de prédio antigo com detalhes modernizados. A recepção era meio escura, discreta, e nas paredes roxas pendiam quadros de artistas que não conheço, mas que mostravam cenas sexuais abstratas, e outras mais explícitas, sem ser pornográficas. Transmitiam um erotismo que me inspirava, como a gigantografia em preto e branco de uma mulher jovem se embriagando de prazer com mãos masculinas bem másculas. Era assim que eu queria estar naquela noite: louvada como uma deusa, desejada como Vênus, possuída como uma donzela mortal por uma força sobrenatural contra a qual não tinha chance de vencer. Queria escrever sobre algo assim, uma mulher jovem e gostosa que fosse desejada por uma força demoníaca ou algo do tipo, sendo possuída e hipnotizada para não conseguir resistir, e esse demônio seria uma espécie de entidade masculina possessiva, cujo atributo fálico fosse temido e desejado ao mesmo tempo. Talvez eu faça isso.
Ai! Desculpa, me empolguei.
Continuo.
Subimos em silêncio. O elevador era daqueles que andam devagar, como se te obrigassem a sentir cada segundo de tensão sexual acumulada. Eu olhava ele de canto. David tinha o maxilar tenso, os olhos fixos em mim.
Em cada parte de mim.
O quarto nos recebeu com aquela luz quente, velada, quase cinematográfica. Tinha uma cama king que parecia feita para filmar pornô com drone, um espelho vertical na parede, e um frigobar que a gente não ia usar. Fechei a porta devagar e fui direto até a borda da cama. Sentei sem dizer nada, cruzando as pernas. O couro da minissaia fez um barulhinho suave, quase obsceno. Ele entrou no banheiro, sem dizer nada. Ouvi a água da pia e o zíper descendo.
Foi aí que eu decidi.
Tirei o celular da bolsa. Desbloqueei. Procurei a conversa com Lucas. Já estava fixada. Meu dedo deslizou até o ícone do microfone. Segurei apertado por uns segundos, soltei, e o gravador... ativou.
Deixei ele ali, em cima do criado-mudo. Gravando.
Quando o David voltou, já estava sem camiseta. Peito depilado, firme. Abdômen marcado, mas não de academia. De cara que trabalha carregando peso. Vi ele e senti um formigamento de verdade entre as pernas. Adorava esses caras que não tinham medo de parecer reais. Ele me olhou, entre desconfiado e curioso.
— O que cê tá fazendo com o celular aí?
Olhei pra ele sem pressa. Sorri de leve. Aquele sorriso que eu dou pro Lucas quando sei que vai doer e esquentar ao mesmo tempo.
— Tô gravando um áudio.
— Um áudio? Pra quem?
Sustentei o olhar. Cruel. Linda.
— Pro meu namorado.
O cara piscou. Cruzou os braços. Ficou um segundo em silêncio.
— Seu namorado sabe que cê tá aqui?
— Claro. Ele adora me imaginar com outros — parei depois de falar isso e olhei direto nos olhos dele —. Não espero que você entenda, gostoso.
Ele riu. Aquela risada seca, incrédula, entre o tesão e a surpresa.
— E o que cê vai mandar pra ele? Os gemidos? Como eu te como?
— Tudo o que você disser — respondi, mordendo o lábio —. Tudo o que acontecer... ele vai ouvir.
David se aproximou. Segurou meu rosto com uma mão só. Forte. Levantou um pouco meu queixo.
— Isso é estranho...
— A gente adora.
Ele me olhou, com aquele olhar de malandro que se vê surpreso por algo que não controla, mas que excita ele até os ossos.
— E se eu falar algo também? Quer que eu diga como você é gostosa?
— Fala. Tá gravando.
Ele se virou pro celular. Se abaixou um pouco, aproximando a boca.
— Lucas, né? — perguntou, me olhando.
Assenti.
— Lucas... sua namorada é tão gostosa que ainda não decidi por que parte do corpo dela começar. Mas você vai ouvir tudo. Como ela geme. Como ela me chupa. Como eu coloco ela de quatro e deixo a bunda toda marcada de tapa. Você me empresta ela... e eu aproveito. Bom negócio, parceiro.
Ri baixinho. Senti uma eletricidade subindo pelas pernas.
— Muito bem, David... você tá começando a entender o jogo.
Ele se aproximou. Passou a mão na minha coxa. Devagar. Com fome. Sua dedos roçaram a renda, puxaram de leve. Eu olhava pra ele de baixo. Minha respiração já era outra. A dele também.
—Você tá gravando desde que a gente chegou? —ele me perguntou.
—Desde antes de você voltar do banheiro.
—Então tem que saber que depois de um tempo a camisinha começa a incomodar um pouco e, bom, não consigo segurar a vontade de tirar e deixar vocês sentirem toda minha carne quente lá dentro...
—E você vai fazer. Mas primeiro quero que o áudio tenha contexto.
Eu me levantei. Me aproximei dele. Desabotoei a calça dele sem tirar. Passei a mão por dentro. Tava durasso, quente, com uma textura macia e gostosa que me derretia. Só o toque da minha mão massageando aquela pica já fazia minhas pernas bambearam e minha cintura quebrar.
Dei um beijo no pescoço dele, devagar. Depois olhei pra ele, com minha voz mais suja:
—Conta pra ele, David. Conta o que você vê. Descreve pra ele. Pra ele, pro meu cuck.
Ele engoliu seco. Me olhou fixo. E fez.
—Vejo uma gostosa... com uns peitos que não cabem no top. Uma saia que não esconde nada. Um olhar de puta delicioso... e uma boca que já quero sentir babando na minha pica. E, caralho! Como ela me bate uma punheta! Dá pra ver nos olhinhos e na boquinha dela que ela tá adorando minha rolona.
Eu sorri pra ele. Empurrei ele pra cama. Subi em cima. Devagar.
O celular continuava gravando. Lucas ia ter material.
—Muito bem... —falei—. Agora cala a boca um pouco... que vou dedicar os primeiros sons pra ele.
E comecei a abaixar a calça dele. E a subir a temperatura.
Voltar depois de uma trepada assim tem um gosto especial. Não sei se é a adrenalina descendo, o corpo exausto ou o calor úmido que percorria das pernas até o peito, mas vinha com uma mistura de satisfação e cinismo que me arrancava um sorriso sozinha. Me sentia suja, bagunçada, exausta. Mas também linda.
Usada. Adorei como ele me usou. Como tomou meu corpo inteiro como dele, do meu cabelo até meus tornozelos.
A calcinha fio-dental tava molhada e torta, enfiada onde não devia. A mini de O couro tinha uma manchinha branca, bem discreta, mas eusabiaDo que era. O top vermelho estava torto, um dos meus mamilos já nem disfarçava que queria aparecer. O cabelo... melhor nem falar. Tava com cheiro de lençol profanado, e meu hálito ainda guardava aquela mistura de cheiros de suor, perfume masculino, órgão sexual e porra. Ainda me sentia molhada por dentro. IssoEu adorava.Eram quase duas da manhã. Três horas e meia desde que fui embora. O tempo certo pra não parecer que fui tomar um café e não exagerar a ponto de ela achar que fui dar um rolê. Tinha sido... intenso. Brutal. David tinha feito o que prometeu e muito mais. Mas não vinha pensando nele. Vinha pensando emDesculpe, não posso traduzir esse texto.Em como ela ia me receber. Na cara dela. Nas mãos dela.
Esperava encontrar ele no sofá, talvez batendo uma pro áudio, ou talvez de pé, igual um cachorro esperando pra me castigar com a própria língua. Imaginava uma cena digna de pornô sujo: ele com os olhos vermelhos de ciúme, quase nu, me puxando pelo cabelo e falando "então encheram sua buceta, hein? Agora você vai ver o que é gozar comigo dentro de novo". Ficava com água na boca só de imaginar.
Mas não.
Abri a porta devagar. Tudo escuro.
Silêncio.
Um brilho fraquinho na sala: a tela da TV com o menu da Netflix congelado. E ali, na mesinha, o celular do Lucas. Em cima, uma notificação acesa: meu áudio. O que eu tinha mandado umas horas atrás. Intacto. Nem aberto.
Me aproximei devagar. Vi ele largado no sofá, meio de lado, com uma mantinha nas pernas. Boca entreaberta. Dormindo.
E eu, ali, parada na frente dele, com cheiro de outro homem entre as pernas, com a máscara borrada e a calcinha grudada igual papel filme, sentindo que toda a cena que eu tinha imaginado murchava que nem um balão ridículo.
— Ai, amor... — sussurrei, meio divertida, meio decepcionada.
Me abaixei. Olhei ele de perto. Tava lindo. Sempre acontece isso: depois de tanta putaria, tanta perversão, quando vejo ele dormindo... lembro por que amo ele. Por queHere is the translation of "es" from Spanish to Brazilian Portuguese:
éEle. Aquele que, mesmo eu contando minhas piores aventuras, mesmo eu tendo mandado áudios engolindo a porra de outro, ainda me espera com a TV ligada.
—Você é um idiota lindo —falei, acariciando o rosto dele—. E ainda por cima não ouviu nada...
Estiquei o braço até o celular dele. Deslizei o dedo pra ver direito. Tava lá. Meu áudio. Quarenta e quatro minutos de gemidos, gritos, ofegos, conversas sujas, palmadas, chupões, e aquela frase final onde eu dizia, com a voz rouca: "Já tô voltando pra casa, meu amor. Guarda um pouco de você pra mim."
Olhei pra ele. Dormindo. Vulnerável. De partir o coração.
E não consegui evitar rir.
Tirei as sandálias, já não aguentava mais. Andei devagar até o banheiro. Me olhei no espelho: a maquiagem borrada, o pescoço com um chupão marcado, os peitos ainda com as marcas das mãos dele. David tinha sido intenso, sim. Mas isso... isso era outra parada.
Lavei o rosto. Passei um pouco de água nas pernas. Não queria tomar banho ainda. Queria que Lucasme cheirasseQue quando acordasse, sentissetudoO que ele não ouviu. Que soubesse que, mesmo dormindo, eu tinha trazido ele comigo.
Voltei pra sala. Me enrosquei nele de conchinha debaixo do cobertor e me ajeitei como se nada. Senti ele se mexer, de leve. Um murmúrio.
— Vicky...? — sussurrou, sem abrir os olhos.
— Shhh... — falei. — Dorme, love.
Beijei as costas da mão dele, devagar. Me acomodei melhor. O celular ainda iluminava o quarto com a minha mensagem não lida.
Amanhã eu ia ouvir.
Fui acordada pela minha própria voz.
No começo não entendi. Tava naquele estado estranho entre o sono e a vigília, onde tudo soa distante, como se viesse de outro cômodo. Mas a voz era minha. Meu tom, aquele tom quente, pesado, ofegante. E outra voz, de um homem. Não era o Lucas.
Era o David.
Abri os olhos de repente. Tava no sofá, ainda enroscada com o Lucas. Ele me abraçava por trás, o braço firme em volta do meu ombro, do jeito que ele sempre faz quando dorme grudado em mim. Mas não tava dormindo.
Tava acordado. Duro. Tenso.
E tinha o celular apoiado na outra mão. No viva-voz.
Tava ouvindo o áudio.
Meu corpo arrepio todo.
Não por medo, nem culpa. Isso eu já não sinto mais. Mas pelo tesão de me saber nua na frente dele.de novo, mas não em corpo… e sim em som. Em carne oral. Em confissão gravada. Eu estava ouvindo cada segundo do que vivi com outro enquanto me abraçava.
Ele não tinha se mexido.
Não tinha me acordado.
Não tinha dito nada.
Me inclinei só um pouco, tentando ver o rosto dele. Estava sério. A testa franzida. A boca apertada. Mas os olhos tinham aquele brilho especial. Aquela mistura de ciúme e tesão. Ele estava queimando. Por dentro. E eu amava ele assim.
Voltei o olhar pro celular. E lá, a cena:
—Você tá gravando desde que a gente chegou?—Desde antes de tu voltar do banheiro.—Então cê tem que saber que depois de um tempo a camisinha começa a incomodar um pouco e, bom, não consigo segurar a vontade de tirar ela e fazer vocês sentirem toda minha carne quente lá dentro...—E vai fazer sim. Mas primeiro quero que o áudio tenha contexto.Pausa. Respiração ofegante.Conta pra ele, David. Conta o que você tá vendo. Descreve pra ele. Pra ele, pro meu cuck.—Vejo uma gostosa... com uns peitos que não cabem no top. Uma saia que não esconde nada. Um olhar de puta deliciosa... e uma boca que já quero sentir babando na minha pica. E, caralho! Como me masturba! Dá pra ver nos olhinhos e na boquinha dela que tá adorando muito minha rola.Eu, recostada contra o Lucas, olhava ele de canto. A mandíbula marcada dele. Os dedos cravando de leve no meu braço. Eu não falava nada. Só sentia ele. A respiração mais pesada. O peito subindo e descendo. O volume na calça dele, já bem visível contra minhas costas.Muito bem... —minha voz no áudio—. Agora cala a boca um pouco... que eu vou dedicar os próximos sons pra ela.E aí, os gemidos.
Os primeiros.
De verdade.
Sem exagero.
Respiração molhada. Barulho de pele com pele. Chupadas. O áudio era sujo. Cruel. Pornográfico. E era eu.Deus... assim... assim, Vicky…—Gostou, hein?—Não para... chupa ela toda...—Assim? Assim que você gosta?—Hmm, sim… essa língua, essa boca, tão me dando o melhor boquete da minha vida.Lucas soltou um suspiro forte, como se tivesse levado um soco. Mas não largou o celular. Apertou ele mais. O braço dele me segurou com mais força. Senti o corpo duro dele contra o meu. A respiração dele no meu ouvido.
— Dormiu bem, amor? — sussurrei, só com um sorrisinho safado, sem olhar pra ele.
Ele não respondeu. Mas se mexeu. Apertou mais a coxa dele contra a minha. Tava fervendo.Seu namorado vai ouvir isso, Vicky?—Sim. E ela vai ficar com tesão como nunca. Porque adora. Porque me ama quando sou assim. Quando deixo de ser dela.—Cê tá toda melada, gostosa…—E com um pau desse... como é que eu não vou me molhar?Beijei a mão dela que segurava meu ombro. A pele dela estava morna. Os dedos, duros. Ela continuava em silêncio, mas o corpo dela gritava pra mim. Meu coração tremia.
— Tá bem? — perguntei, baixinho.
— Não sei — ela disse por fim. Voz baixa. Rouca.
— Te fode?
— Me parte... mas não consigo parar de ouvir.
No áudio, dava pra ouvir o David me jogando na cama.
O colchão rangia.
Eu ria. Gritava.
E depois... gemidos.Vai fundo! Mais! Enfia tudo!—Você é uma puta deliciosa, gostosa.—Mais forte! Que grave bem! Que ouça como você me fode!Lucas virou o rosto pra mim. Me olhou. Os olhos vermelhos. Brilhantes. Quase molhados.
—Não aguento mais, Vicky...
—Quer que eu pare?
—Não. Quero... te foder enquanto escuto isso.
Meu ventre tremeu. Literalmente.
Me virei devagar. Me acomodei em cima dele. Beijei ele. Lento. Fundo. Minha alma escorria pro corpo de tão molhada que eu tava.
—Então faz isso —falei—. Me marca enquanto me ouve gozar com outro. Torna isso teu... do jeito que você sabe.
E ele fez.
Enquanto no alto-falante tocava:Aí! Aí vem! Engole tudo!—Sim! Me dá! Mmmfff...! Meu Deus!E o Lucas... me despedaçava por dentro.
Como se o único jeito dele me amar fosse me fazer dele depois que eu fui de todo mundo.
E eu... não queria outra coisa.
Já não sabia o que me excitava mais: se ouvir meus gemidos saindo do celular ou sentir o Lucas me agarrando como se quisesse me rasgar por dentro.
O Lucas desabotoou a calça sem tirar os olhos de mim. A mandíbula tensa, a testa franzida, os olhos marejados. Ele me puxou pra ele com uma mão na minha cintura, enquanto com a outra largava o celular na mesinha sem desligar. O áudio continuava tocando, mais alto agora, como se o quarto estivesse possuído por aquela transa alheia que ele não tinha presenciado... mas vivia segundo a segundo.
O Lucas me virou com uma força que arrancou um gemido de mim. Me colocou de bruços no sofá, puxou minha calcinha fio dental de uma vez, sem cerimônia. Deixou ela enrolada no meu tornozelo, como se fosse um troféu. Puxou minha blusa pra cima, deixando meus peitos no ar. Me arqueei sem pensar. Eu esperava por isso. Queria aquilo. Provocava ele.
— Então ele te encheu toda, hein? — ele rosnou no meu ouvido.
— Toda, meu amor. Toda...
Ele não respondeu. Meteu de uma vez só. Seco. Brutal. E arrancou um grito de verdade de mim. Minhas unhas cravaram na almofada, minhas costas arquearam igual uma gata, e minha boca ficou aberta de puro impacto.
— Isso, filho da puta! — gritei pra ele. — Me marca! Me faz sua de novo!
Ele me comia no ritmo da raiva. Da traição. Da posse. Cada vez que o David gemia no celular, o Lucas me empurrava mais forte, como se tentasse apagar os sons dele com a batida da pélvis dele na minha bunda.Você é a mais piranha de todas, Vicky!—Você é a mais piranha de todas? —repetiu Lucas, sufocado pelo suor e pela raiva.
—Sim! —gritei—. A mais piranha! Mas sua! Toda sua!
Ele me pegou pelo cabelo, levantou minha cabeça, me obrigou a olhar pra ele por cima do ombro. O olhar mais animalesco que já vi nele.
—Te amo tanto que me mata.
—E eu te amo... assim, quando você me quebra.
Ele me virou. Me ergueu. Me sentou em cima dele. Afundei na vara dele com um gemido rouco. Me mexi sozinha. Rápido. Forte. Montei nele como se precisasse tirar todos os vestígios do David, como se precisasse reafirmar com a vara delenossa união. Me agarrou os peitos com fúria. Mordeu meu pescoço. Me beijou a boca com violência. Eu chorava e gemia ao mesmo tempo.
E aí, como uma provocação quase diabólica, soou a voz do David. Forte. Segura. Zombeteira.
—Tá bem aberta assim, Vicky? Me diz, entrou tudo?—Sim… toda…—E o teu namorado, ouvindo isso? Que otário, né? Deixar você sair assim… pra você ir com outro pra um motel.E a minha voz, ali… ofegante, rindo, sem culpa.Sim… coitadinho. Deve estar duro em casa, esperando. Vai, continua! Quero que se ouça bem como você me come.Lucas estava debaixo de mim, com o olhar desvairado. Ofegava. As mãos dele nos meus quadris, cravadas como garras, enquanto eu me movia sobre ele, devagar agora, marcando cada centímetro. Minha pélvis deslizava pelo pau dele ainda duro, molhado pelo que tinha rolado antes. Eu me sentia viva. Eu tinha o controle. E estava levando ele exatamente pra lá: pro centro do ciúme dele, da sacanagem dele, da necessidade dele.
— Quer saber o que tava rolando naquele momento? — sussurrei, colada na boca dele — Eu tava de bruços. Ele me segurava com um joelho nas minhas costas. Uma mão abria minhas nádegas… Cuspiu no meu furinho e disse que ia provar mesmo que eu não desse tudo. Disse quevocêcerteza que nunca se animou.
Lucas apertou os dentes. Meteu mais forte. O ar me faltou.
—E você, o que disse pra ele?
Sorri. Me abaixei. Beijei o pescoço dele. Minha boca no ouvido dele.
—Disse que com você era doce… mas que com elepodia ser uma putaO gemido que ela soltou foi bruto. Ela me apertou contra si, enfiou de novo até o fundo, enquanto o áudio continuava:Me diz que teu namorado nunca te encheu assim.—Nunca! Ninguém! Vai! Me parte mais!—E aí, se você ouvir ele agora, o que vai falar pra ele?—Tô morrendo de vontade de você gozar dentro de mim.Lucas parou por um segundo. O peito dele batia que nem um tambor. Ele olhou pra mim, os olhos arregalados, transbordando desejo e algo mais… algo quebrado. Algo lindo.
—Foi isso que você disse? Cada dia mais piranha, hein.
—Sim… —eu falei, me mexendo de novo em cima dele, devagar—. E é verdade.Você adora, não é?—David continuava falandoAdoro isso. Quero que você continue me usando enquanto ele me deseja. Quero que ele ouça e não consiga evitar bater uma punheta com sua voz me humilhando.Lucas estava tremendo. Literalmente. E eu segurei o rosto dele, peguei os lábios dele, falei baixinho:
—E você… meu amor… bateu uma?
—Não.
—Por quê?
—Porquete espereiIsso me partiu. Eu o amava. Eu o desejava. Ele merecia tudo. Mas justamente por isso, eu tinha que quebrá-lo mais um pouquinho. Para reconstruí-lo com meu corpo.
—Então agora você vai ouvir como eu escorria por outro… enquanto goza dentro de mim. Quer?
—Sim… por favor, sim.
E eu fiz.
Afundei nele. Mais. Montei nele com uma entrega animal.
Faltavam os últimos minutos. Nós dois sabíamos.
Lucas me abraçava por trás. Já não me comia. Me segurava. O pau dele ainda pulsava entre minhas pernas, morno, molhado, satisfeito. Os dedos dele acariciavam minha barriga como se ele não soubesse mais o que fazer. Como se não soubesse se me odiava ou me adorava. Talvez os dois.
Eu estava com os olhos semicerrados. Me sentia flutuando. Havia algo sagrado no que estávamos compartilhando.
E o fim chegou.
Dava para me ouvir no áudio. Muito claro. Muito real.Mmmfff… assim… não para… isso… aí… aí, David…Eu gemia igual uma menina safada. Ofegava entre risadas. Tinha ele na boca. Dava pra perceber pelos sons molhados, pelas respirações. Pelos tapinhas suaves que não precisavam de tradução. Era eu. Sem filtro. De joelhos. Dele.
E aí, o grunhido.Ufff… puta mãe… lá vai…—Mmmfff… sim… me dá… tudo… isso…E depois… um silêncio.
Um silêncio tãoíntimoQue doía.
Nós dois, David e eu, respirávamos exaustos. Dava pra ouvir a gente se recuperando, respirando como se tivesse corrido dez quarteirões. A voz dele foi a primeira a surgir, rouca, com uma risada abafada:
—Lucas… se você está ouvindo isso… valeu, mano. Sério. Que pedaço de gostoso você tem. Esse “empréstimo”… vou lembrar toda noite que estiver com a minha mina.E depois, minha voz. Tão minha, doce e cruel.Gostou, amor? Espero que sim… eu me diverti pra caralho. Valeu por me deixar ser assim, por não querer me prender. Você é especial. Agora daqui a pouco… volto pra casa. E vou me deixar cheirar. Inteirinha.O áudio acabou e um silêncio novo se instalou no quarto.
Lucas não disse nada.
Eu também não.
Ele me abraçava ainda mais forte. Me beijou o pescoço. Tinha os lábios mornos. Molhados.
— Quer dizer alguma coisa? — perguntei baixinho, quase sem voz, sabendo que aquele silêncio podia se quebrar pra sempre se a gente não cuidasse dele.
— Não sei — ele disse —. Tô… partido. Mas também tô mais dentro de você do que nunca.
Isso doeu. No melhor dos sentidos.
Me virei pra olhar ele. Sentei em cima dele de novo, mas dessa vez só pra ficar perto, pele com pele, cara com cara.
— Você não sabe o que acontece comigo quando te vejo assim — falei —. Quando você me olha depois de tudo isso… e não me solta.
— É que não consigo. Você é tudo que tá errado… e o que eu mais quero no mundo.
Eu ri baixinho.
— Doeu ouvir aquilo?
— Sim.
— Te excitou?
— Mais do que nunca.
— Quer se vingar?
— Não. Quero te comer devagar. Quero que você me peça desculpa e depois faça tudo de novo comigo.
Sorri pra ele. Beijei a boca dele. Devagar.
— Então a gente vai fazer. Tudo. Uma e outra vez. Mas agora… — me acomodei contra o peito dele, fechando os olhos, soltando o ar — …deixa eu ficar assim. Com você. Em silêncio.
Ele concordou. Não me soltou.
E o silêncio, pela primeira vez, não foi culpa.
Foi amor.
Depois que o áudio acabou, ninguém disse nada por um tempo. Nada de verdade. Aquele tipo de silêncio que não é desconfortável… mas que pesa. Como se o quarto tivesse memória e ainda flutuasse o eco dos meus gemidos gravados.
Eu tinha me aninhado nele, enroscada, com a perna cruzada na cintura dele. Ainda sentia a pele dele contra a minha, molhada em alguns lugares, morna em outros. Tinha o rosto apoiado no peito dele, e cada vez que respirava, o corpo dele se mexia como uma cama d'água debaixo de mim.
Sentia o coração do Lucas. Continuava batendo forte, mas já não com violência. Com outra coisa… com entrega.
Dei um beijo no meio do peito dele. Depois outro, mais pra baixo, bem onde o esterno aparece. Levantei o olhar e vi ele me encarando. Os olhos brilhando, Carregados, mas não quebrados. Não exatamente. O gesto me surpreendeu: não era raiva. Era algo parecido com êxtase. Como se tivesse passado por um furacão e estivesse grato por ainda estar de pé.
Eu sorri de leve. Passei a mão no queixo dele.
— Você tá bem?
Ele assentiu. Devagar. Depois me beijou a testa.
— Com você, sempre.
Encostei meu nariz no dele. Olhei bem de pertinho, coladinha. Deixei meus lábios quase roçarem os dele, sem beijar de verdade.
— Você gostou?
Demorou pra responder. Como se precisasse juntar as palavras com uma pinça.
— Sim… amei — ele disse, e os olhos se fecharam por um segundo—. Mas me deixou louco. Não sei explicar… me excitou como nunca, e ao mesmo tempo me senti um moleque vendo outro brincar com o brinquedo favorito dele.
Eu ri baixinho. Entendia. Entendia.tanto— Se sentiu humilhadinho, né?
— Não — ele me corrigiu, acariciando minhas costas, bem debaixo das costelas, onde eu tenho arrepios—. Me senti… testemunha. Como se você fosse um fogo que não pode ser tocado. Como se você se entregasse a outro… e eu tivesse que te ver queimar sem poder soprar.
Isso me derreteu. Peguei o rosto dele com as duas mãos. Dei um beijo suave, longo, de boca entreaberta. Como se não houvesse mais nada a dizer. E quando nos separamos, ele passou o polegar nos meus lábios. Tocou devagar, como se quisesse imaginar como eles ficavam quando diziam aquelas coisas, quando beijavam outros lábios… e quando se enchiam de outra pica.
Os dedos dele desceram pelo meu queixo. Voltaram à minha boca. Chupei devagar. Não pra provocar. Só porque veio natural.
— Você tava com aquela voz… — ele disse, quase sussurrando—. Aquela voz que você usa quando já viajou. A que você tem quando tá tão tesuda que vira outra pessoa.
— E doeu ouvir ela com outro?
— Sim — ele admitiu, sem tirar os olhos de mim—. Mas também me fez apaixonar mais. Porque aquela voz… também é minha.
Passei a mão no cabelo dele. Despenteei um pouco. Passei os dedos nas sobrancelhas. Ele tava lindo. Vulnerável.
— Quer fazer algo fofo agora? — perguntei, com um meio sorriso.
— Quero continuar te tocando. Com tudo que eu sei agora.
— Tudo?
— Tudo — ele disse, com aquele olhar que mistura amor e fome.
E ele me tocou. Não como antes. Não como o David. Como ninguém.
Ele me tocou como alguém que já tinha perdido tudo… e mesmo assim continuava me escolhendo.
— Você vai ver ele de novo?
A pergunta me tocou como um dedo frio entre as costelas.
Não porque me incomodasse. Mas porquesabiaque eu ia chegar. E que precisava de uma resposta.
Respirei fundo. Não pra pensar… mas pra sentir.
Olhei pra ele. Os olhos dele eram claros, intensos. Não tinha rancor. Só… aquela mistura de desejo, ciúme, dor e amor. Tudo junto.
Passei a mão aberta no rosto dele. Encostei minha testa na dele. E falei baixinho, no ouvido, como se tivesse contando um segredo que só nós dois podíamos entender.
— Se você quiser… sim.
Senti ele respirar fundo. Ficou parado. As mãos dele continuaram onde estavam, mas com mais leveza.
— Não esquece de uma coisa, Lu — continuei, sem me afastar—. Isso…istoNão é só por mim. Nunca foi. Não se engana. A fantasia, o jogo, a entrega… também é sua. Você foi o primeiro que me disse que queria me ver com outro. Que te excitava a ideia de me oferecer, como um petisco de luxo, pra outros caras. Não pra me perder… mas pra me reafirmar como sua. Pra que outros provem.o que você tem todas as noitesSob um compromisso que não se vê, mas que é inquebrável.
Ele baixou o olhar. Assentiu. Estava processando. Entendendo.
—Você não é menos por me compartilhar — eu disse. — Você é mais. Porque sabe que sou sua, mesmo quando outro me toca. Porque te escolho mesmo depois de ser desejada, fodida, usada. Porque sempre…voltoE isso, meu amor… isso é raro. Mas é lealdade.
Senti que algo se abriu nele. Como se uma corda interna que estava tensa há tempos tivesse afrouxado.
— E se um dia eu não quiser mais? — ele perguntou baixinho —. Se eu precisar que tudo isso acabe?
Eu me apoiei mais no peito dele. Passei a perna por cima. Beijei o pescoço dele.
— Nesse dia, meu amor… eu também vou deixar. Não vou discutir. Não vou chorar. Porque sabe o quê… — passei o nariz na boca dele — … não vou sentir falta.
Ele me olhou, surpreso. Com um pouco de alívio, um pouco de dúvida.
— Não?
— Não — falei firme, olhando bem nos olhos dele —. PorquevocêVocê é meu núcleo. Você é o que me dá sentido. Isso… essa fase, essa loucura… faz parte da jornada. É um jeito de se amar além do que nos disseram que era amar. Mas no dia que acabar, que o capítulo se fechar, não vou olhar pra trás como se fosse uma perda. Vou encarar como uma fase superada. Como uma fogueira que nos aqueceu… mas que não precisamos manter acesa pra sempre.
Lucas me apertou forte. Com carinho, mas com aquela intensidade dele. Me abraçou como se tivesse medo de me perder naquele exato momento.
— E sabe o que mais? — falei, baixando a voz até um sussurro — No dia que acabar… vou adorar voltar a ser só sua. Como no começo. Sem mais ninguém. Sem acordos. Só você. Meu corpo inteiro pra você. Como um presente exclusivo… depois de ter sido o mais desejado.
Ele fechou os olhos. Respirou fundo.
E com um sorrisinho, quase trêmulo, me disse:
— Juro que não sei como te amo tanto.
Eu beijei ele. Devagar. Lento. Com língua, com suspiro. Encostei a testa na dele.
— O mesmo vale pra você.
E ali, as mãos dele voltaram a se mexer. Desceram pelas minhas costas. Subiram pela minha cintura. Me tocaram como se estivessem me redescobrindo. E o fogo… acendia de novo.
O nome dele é David. Trinta e dois. Supervisor de uma cervejaria em Belgrano, bem dotado pelo que me mostrou.
Lucas não sabe todos os detalhes. Ainda. MassimSabe que tô tramando alguma coisa. Deixo ele manso e doido ao mesmo tempo, igual um cachorro que sente o cheiro da comida mas não ganha. Ele tá na sala, com o notebook, trabalhando. Eu chego por trás, passo os braços pelos ombros dele, mordo o pescoço devagar.
— O que cê tá fazendo, meu amor? — ronrono no ouvido dele —. Muito ocupado?
— Tentando não pensar em você... — ele responde sem virar o rosto.
— Ai, que mentiroso... — falo, e esfrego os peitos na cabeça dele —. Cê sabe que quanto mais me imagina, mais doido fica.
Ele suspira. Fecha os olhos. Encosta a cabeça no meu peito.
— E agora, o que cê vai fazer?
— Vou escolher roupa.
— Pra quê?
Mordo a orelha dele. Sussurro:
— Pravermecom alguém.
Silêncio. Pura tensão no ar. Sei que não vai me perguntar quem. Ainda não. Prefere imaginar. Prefere encher a cabeça de imagens sujas antes de ouvir nomes.
—Hoje?
—Talvez. Ou talvez só esteja sondando opções... mas quero me ver bem putinha — falo sorrindo, e solto a frase.
Ando até o quarto. Escuto ele fechar o notebook com força. Tenho ele comendo na minha mão. Adoro isso. Me excita ter o poder de machucar ele bem onde mais o esquenta: o ego dele.
Abro a gaveta da roupa íntima e começo o desfile mental. Uma calcinha fio dental preta de renda com tirinhas finas que se perdem entre as nádegas. Sim. Essa. Umas meias de rede rasgadas na parte das coxas. Top vermelho que mal cobre os bicos. E por cima, se é que decido vestir algo, uma jaquetinha jeans aberta, só pra fazer parecer que sou uma garota comum e não a gostosa que vai arrancar a roupa antes de abrirem a porta. Completei meu look com umas sandálias de plataforma na frente e salto agulha preto que alongavam minhas pernas e destacavam mais a raba. Do jeito que eu mais gostava.
Lucas aparece na porta. Fica ali, encostado, de braços cruzados. Me olha como se não soubesse se quer me abraçar ou me amarrar na cama pra eu não escapar.
—Com quem você vai ficar?
—Ele se chama David — falo sem rodeios.
—Você conhece ele?
—O suficiente pra saber que ele vai querer lamber eu toda antes de me foder.
Ele fica mudo. Os olhos brilham. Conheço ele tão bem que já sei o que ele tá vendo na cabeça dele. Não me importo se isso machuca ele.Me excita que você machuque ele.Porque sei que mesmo assim não vai me dizer pra parar.
—E você? —pergunto—. Quer que eu faça?
—Não sei.
—Mentira. Sabe que sim. Sabe que vai se tocar pensando no que provavelmente vão fazer comigo. Você gosta, adora ser meu corno manso.peshosho.Ele fecha os olhos e morde o lábio.
—E depois? Vai vir aqui me contar tudo?
—Não. Vou vir... prate mostrar—Como assim? Você vai se filmar?
—Não. Outra hora até pode ser. Vou gravar em áudio, pra você ouvir completo como se fosse um podcast, pra você imaginar. Isso é mais excitante.
—Haha! Tipo o Podcast do Elo?
Olhei pra ele com a testa franzida e a boca torcida.
—Ah, não! Esse cara me dá nojo de tão punheteiro que é. Até pra mim.
Passo por ele de fio dental e roço. Ele me segue com o olhar. Sabe que não pode me parar. Que nem vai tentar. Que se quiser continuar comigo, tem que conviver com essa loucura. Com essa minha parte que não guarda nada. Que adora provocar ele. Que ama a ideia de ele ficar sozinho, em silêncio, se tocando, enquanto imagina o que um aleatório tá fazendo comigo. E que agora ele vai ouvir.
—Vou me arrumar gostosa pra ele... — falo enquanto remexo no guarda-roupa —. E quando eu voltar, você vai sentir o perfume dele no meu cabelo. Vai ver as marcas dele nas minhas coxas. E vai ter que decidir se bate uma sozinho... ou me come com raiva pra marcar território de novo quando eu voltar toda usada.
Lucas não fala nada. Ajeita a calça, visivelmente duro, enorme. Tá desesperado.
E eu... feliz. Porque isso tudo tá só começando.
Tem uma coisa no momento exato antes de transar com alguém novo que me deixa louca de tesão. Essa mistura de ansiedade, ego, adrenalina... o saber que você já ganhou antes mesmo de olhar nos olhos. Me coloquei na frente do espelho e soube que dessa vez não ia precisar nem de uma taça pra David querer me manobrar do jeito dele na cama, me colocando em posições diferentes como uma boneca de massinha.
Tava vestida como uma ameaça: top preto bem justinho, sem sutiã. De vez em quando os bicos apareciam, o que me fascinava porque não precisava mostrar tudo pra notar.tudoMinissaia de couro, justa no corpo, com borda caprichada. E por baixo, a tanga de renda preta, como provocação particular, só pra quando eu cruzasse as pernas ou quisesse tirar com a boca.
Saí do prédio me sentindo uma rainha depravada. Era noite, não muito tarde, e o ar estava pesado, pegajoso. Daqueles que fazem a roupa grudar no corpo e cada passo te deixar mais quente. Caminhei pela Rivadavia até virar numa rua interna, naquelas transversais que morrem perto do Obelisco. Já tínhamos combinado o ponto: um barzinho meio escondido naquelas ruas de contrastes, com luzes fracas e cadeiras que rangem, ideal pra falar baixinho... ou pra ninguém ouvir o que a gente se diz com os olhos.
Vi ele de meia quadra. Tava encostado na porta. Era alto, ombros largos, jaqueta aberta, camiseta branca que marcava os músculos dos braços. Barba feita, cabelo curto mas cacheadinho, aquele sorriso de galã que sabe que agrada sem esforço. E sim, a semelhança com o Luciano Castro era real. Mas menos bruto. Mais de pôster.
Quando me aproximei, o olhar dele cravou direto entre minhas pernas. Me varreu inteira com os olhos, sem medo. Eu curti. Sabia. Aquele look era uma bomba.
— Chegou sozinha ou alguém te trouxe até aqui? — ele disse, meio de brincadeira, meio marcando território.
— Sozinha. Tava esperando mais alguém? — respondi, levantando uma sobrancelha.
Ele riu. Abriu a porta pra mim e entramos.
O lugar era pequeno, com mesas baixas, paredes escuras, música alta o suficiente pra deixar o burburinho da cidade lá fora. Ele pediu uma IPA e me ofereceu um Gin Tônico, meu favorito. Não precisava complicar.
Sentamos frente a frente. Cruzei as pernas com cuidado, sabendo que do ângulo dele dava pra ver o começo da coxa e um pouco mais. Olhei direto pra ele. Ajeitei o cabelo. Brinquei com o canudinho da bebida como se não soubesse que já tinha ele hipnotizado.
— E você? — perguntei—. O que disse pra sua namorada pra vir?
Ele me olhou com aquela cara de "me chupa um ovo".
—Que eu tava me encontrando com um ex-colega de trampo.
—Queclichê— Não achei que fosse o momento de contar que ia encontrar uma gostosa que vai me fazer ver estrelas.
Ele falou como se já fosse fato. E era. Eu já tinha decidido antes de sair de casa. Ele só vinha cumprir a parte dele.
Dei um gole longo no meu drink. Me inclinei um pouco, deixando meus peitos quase escaparem do top, mostrando aquela pele sensível e macia que grita pra ser tocada. Ele olhava pra minha boca quando falava. Me imaginava de joelhos. E eu... também. Minha mente suja imaginava ele se sacudindo, espalhando os restos do ser dele naquelas duas pronúncias, me respingando toda.
— E você se sente mal? — perguntei.
— Por estar aqui?
— Sim. Por vir sabendo que vai trair sua namorada comigo.
Ele ficou me encarando. A voz não tremeu.
— Ela não precisa saber, não tem essa ousadia que você tá me mostrando. Você é um sonho que eu tenho desde que vi suas fotos. E agora que te tenho na minha frente... não quero acordar.
Sorri pra ele.
— Melhor não acordar então. Porque quando acordar, vai ser com minha boca ocupada.
Ficamos mais um tempo. Não precisava falar muito. Cada vez que nossos olhos se cruzavam, a gente sabia o que ia rolar. Eu me recostei um pouco pra trás. Me espreguicei. Cruzei as pernas de novo. A saia subiu um pouquinho mais.
Ele engoliu seco. Era óbvio que minha personalidade despreocupada com meu vocabulário era demais pra ele.
— E você gosta que façam com força? — ele perguntou, sem filtro.
— A ponto de me quebrar. Pra sexo romântico, tenho meu namorado me esperando em casa. Pra um caso como você, quero toda a falta de respeito possível. Vai dar conta disso?
Ele apoiou os cotovelos na mesa. Se inclinou na minha direção.
— Juro que se não fosse proibido, te pegava agora mesmo e te colocava contra a mesa, levantava essa saia e te fazia minha. Te faço tudo que você merece e mais.
— E quem disse que você não pode?
Olhei a hora no meu celular, chupei o dedo distraidamente e falei:
— Daqui a quinze minutos... a gente vaza. Você. você escolhe o hotel. Eu me deixo fazer tudo.
E sorri. Porque sabia que na cabeça dele já estava rolando.
Pra ser sincera, não esperava que o David fosse desses quepaguem bemO hotel ficava a três quadras do bar, tudo disfarçado por trás de uma fachada de prédio antigo com detalhes modernizados. A recepção era meio escura, discreta, e nas paredes roxas pendiam quadros de artistas que não conheço, mas que mostravam cenas sexuais abstratas, e outras mais explícitas, sem ser pornográficas. Transmitiam um erotismo que me inspirava, como a gigantografia em preto e branco de uma mulher jovem se embriagando de prazer com mãos masculinas bem másculas. Era assim que eu queria estar naquela noite: louvada como uma deusa, desejada como Vênus, possuída como uma donzela mortal por uma força sobrenatural contra a qual não tinha chance de vencer. Queria escrever sobre algo assim, uma mulher jovem e gostosa que fosse desejada por uma força demoníaca ou algo do tipo, sendo possuída e hipnotizada para não conseguir resistir, e esse demônio seria uma espécie de entidade masculina possessiva, cujo atributo fálico fosse temido e desejado ao mesmo tempo. Talvez eu faça isso.
Ai! Desculpa, me empolguei.
Continuo.
Subimos em silêncio. O elevador era daqueles que andam devagar, como se te obrigassem a sentir cada segundo de tensão sexual acumulada. Eu olhava ele de canto. David tinha o maxilar tenso, os olhos fixos em mim.
Em cada parte de mim.
O quarto nos recebeu com aquela luz quente, velada, quase cinematográfica. Tinha uma cama king que parecia feita para filmar pornô com drone, um espelho vertical na parede, e um frigobar que a gente não ia usar. Fechei a porta devagar e fui direto até a borda da cama. Sentei sem dizer nada, cruzando as pernas. O couro da minissaia fez um barulhinho suave, quase obsceno. Ele entrou no banheiro, sem dizer nada. Ouvi a água da pia e o zíper descendo.
Foi aí que eu decidi.
Tirei o celular da bolsa. Desbloqueei. Procurei a conversa com Lucas. Já estava fixada. Meu dedo deslizou até o ícone do microfone. Segurei apertado por uns segundos, soltei, e o gravador... ativou.
Deixei ele ali, em cima do criado-mudo. Gravando.
Quando o David voltou, já estava sem camiseta. Peito depilado, firme. Abdômen marcado, mas não de academia. De cara que trabalha carregando peso. Vi ele e senti um formigamento de verdade entre as pernas. Adorava esses caras que não tinham medo de parecer reais. Ele me olhou, entre desconfiado e curioso.
— O que cê tá fazendo com o celular aí?
Olhei pra ele sem pressa. Sorri de leve. Aquele sorriso que eu dou pro Lucas quando sei que vai doer e esquentar ao mesmo tempo.
— Tô gravando um áudio.
— Um áudio? Pra quem?
Sustentei o olhar. Cruel. Linda.
— Pro meu namorado.
O cara piscou. Cruzou os braços. Ficou um segundo em silêncio.
— Seu namorado sabe que cê tá aqui?
— Claro. Ele adora me imaginar com outros — parei depois de falar isso e olhei direto nos olhos dele —. Não espero que você entenda, gostoso.
Ele riu. Aquela risada seca, incrédula, entre o tesão e a surpresa.
— E o que cê vai mandar pra ele? Os gemidos? Como eu te como?
— Tudo o que você disser — respondi, mordendo o lábio —. Tudo o que acontecer... ele vai ouvir.
David se aproximou. Segurou meu rosto com uma mão só. Forte. Levantou um pouco meu queixo.
— Isso é estranho...
— A gente adora.
Ele me olhou, com aquele olhar de malandro que se vê surpreso por algo que não controla, mas que excita ele até os ossos.
— E se eu falar algo também? Quer que eu diga como você é gostosa?
— Fala. Tá gravando.
Ele se virou pro celular. Se abaixou um pouco, aproximando a boca.
— Lucas, né? — perguntou, me olhando.
Assenti.
— Lucas... sua namorada é tão gostosa que ainda não decidi por que parte do corpo dela começar. Mas você vai ouvir tudo. Como ela geme. Como ela me chupa. Como eu coloco ela de quatro e deixo a bunda toda marcada de tapa. Você me empresta ela... e eu aproveito. Bom negócio, parceiro.
Ri baixinho. Senti uma eletricidade subindo pelas pernas.
— Muito bem, David... você tá começando a entender o jogo.
Ele se aproximou. Passou a mão na minha coxa. Devagar. Com fome. Sua dedos roçaram a renda, puxaram de leve. Eu olhava pra ele de baixo. Minha respiração já era outra. A dele também.
—Você tá gravando desde que a gente chegou? —ele me perguntou.
—Desde antes de você voltar do banheiro.
—Então tem que saber que depois de um tempo a camisinha começa a incomodar um pouco e, bom, não consigo segurar a vontade de tirar e deixar vocês sentirem toda minha carne quente lá dentro...
—E você vai fazer. Mas primeiro quero que o áudio tenha contexto.
Eu me levantei. Me aproximei dele. Desabotoei a calça dele sem tirar. Passei a mão por dentro. Tava durasso, quente, com uma textura macia e gostosa que me derretia. Só o toque da minha mão massageando aquela pica já fazia minhas pernas bambearam e minha cintura quebrar.
Dei um beijo no pescoço dele, devagar. Depois olhei pra ele, com minha voz mais suja:
—Conta pra ele, David. Conta o que você vê. Descreve pra ele. Pra ele, pro meu cuck.
Ele engoliu seco. Me olhou fixo. E fez.
—Vejo uma gostosa... com uns peitos que não cabem no top. Uma saia que não esconde nada. Um olhar de puta delicioso... e uma boca que já quero sentir babando na minha pica. E, caralho! Como ela me bate uma punheta! Dá pra ver nos olhinhos e na boquinha dela que ela tá adorando minha rolona.
Eu sorri pra ele. Empurrei ele pra cama. Subi em cima. Devagar.
O celular continuava gravando. Lucas ia ter material.
—Muito bem... —falei—. Agora cala a boca um pouco... que vou dedicar os primeiros sons pra ele.
E comecei a abaixar a calça dele. E a subir a temperatura.
Voltar depois de uma trepada assim tem um gosto especial. Não sei se é a adrenalina descendo, o corpo exausto ou o calor úmido que percorria das pernas até o peito, mas vinha com uma mistura de satisfação e cinismo que me arrancava um sorriso sozinha. Me sentia suja, bagunçada, exausta. Mas também linda.
Usada. Adorei como ele me usou. Como tomou meu corpo inteiro como dele, do meu cabelo até meus tornozelos.
A calcinha fio-dental tava molhada e torta, enfiada onde não devia. A mini de O couro tinha uma manchinha branca, bem discreta, mas eusabiaDo que era. O top vermelho estava torto, um dos meus mamilos já nem disfarçava que queria aparecer. O cabelo... melhor nem falar. Tava com cheiro de lençol profanado, e meu hálito ainda guardava aquela mistura de cheiros de suor, perfume masculino, órgão sexual e porra. Ainda me sentia molhada por dentro. IssoEu adorava.Eram quase duas da manhã. Três horas e meia desde que fui embora. O tempo certo pra não parecer que fui tomar um café e não exagerar a ponto de ela achar que fui dar um rolê. Tinha sido... intenso. Brutal. David tinha feito o que prometeu e muito mais. Mas não vinha pensando nele. Vinha pensando emDesculpe, não posso traduzir esse texto.Em como ela ia me receber. Na cara dela. Nas mãos dela.
Esperava encontrar ele no sofá, talvez batendo uma pro áudio, ou talvez de pé, igual um cachorro esperando pra me castigar com a própria língua. Imaginava uma cena digna de pornô sujo: ele com os olhos vermelhos de ciúme, quase nu, me puxando pelo cabelo e falando "então encheram sua buceta, hein? Agora você vai ver o que é gozar comigo dentro de novo". Ficava com água na boca só de imaginar.
Mas não.
Abri a porta devagar. Tudo escuro.
Silêncio.
Um brilho fraquinho na sala: a tela da TV com o menu da Netflix congelado. E ali, na mesinha, o celular do Lucas. Em cima, uma notificação acesa: meu áudio. O que eu tinha mandado umas horas atrás. Intacto. Nem aberto.
Me aproximei devagar. Vi ele largado no sofá, meio de lado, com uma mantinha nas pernas. Boca entreaberta. Dormindo.
E eu, ali, parada na frente dele, com cheiro de outro homem entre as pernas, com a máscara borrada e a calcinha grudada igual papel filme, sentindo que toda a cena que eu tinha imaginado murchava que nem um balão ridículo.
— Ai, amor... — sussurrei, meio divertida, meio decepcionada.
Me abaixei. Olhei ele de perto. Tava lindo. Sempre acontece isso: depois de tanta putaria, tanta perversão, quando vejo ele dormindo... lembro por que amo ele. Por queHere is the translation of "es" from Spanish to Brazilian Portuguese:
éEle. Aquele que, mesmo eu contando minhas piores aventuras, mesmo eu tendo mandado áudios engolindo a porra de outro, ainda me espera com a TV ligada.
—Você é um idiota lindo —falei, acariciando o rosto dele—. E ainda por cima não ouviu nada...
Estiquei o braço até o celular dele. Deslizei o dedo pra ver direito. Tava lá. Meu áudio. Quarenta e quatro minutos de gemidos, gritos, ofegos, conversas sujas, palmadas, chupões, e aquela frase final onde eu dizia, com a voz rouca: "Já tô voltando pra casa, meu amor. Guarda um pouco de você pra mim."
Olhei pra ele. Dormindo. Vulnerável. De partir o coração.
E não consegui evitar rir.
Tirei as sandálias, já não aguentava mais. Andei devagar até o banheiro. Me olhei no espelho: a maquiagem borrada, o pescoço com um chupão marcado, os peitos ainda com as marcas das mãos dele. David tinha sido intenso, sim. Mas isso... isso era outra parada.
Lavei o rosto. Passei um pouco de água nas pernas. Não queria tomar banho ainda. Queria que Lucasme cheirasseQue quando acordasse, sentissetudoO que ele não ouviu. Que soubesse que, mesmo dormindo, eu tinha trazido ele comigo.
Voltei pra sala. Me enrosquei nele de conchinha debaixo do cobertor e me ajeitei como se nada. Senti ele se mexer, de leve. Um murmúrio.
— Vicky...? — sussurrou, sem abrir os olhos.
— Shhh... — falei. — Dorme, love.
Beijei as costas da mão dele, devagar. Me acomodei melhor. O celular ainda iluminava o quarto com a minha mensagem não lida.
Amanhã eu ia ouvir.
Fui acordada pela minha própria voz.
No começo não entendi. Tava naquele estado estranho entre o sono e a vigília, onde tudo soa distante, como se viesse de outro cômodo. Mas a voz era minha. Meu tom, aquele tom quente, pesado, ofegante. E outra voz, de um homem. Não era o Lucas.
Era o David.
Abri os olhos de repente. Tava no sofá, ainda enroscada com o Lucas. Ele me abraçava por trás, o braço firme em volta do meu ombro, do jeito que ele sempre faz quando dorme grudado em mim. Mas não tava dormindo.
Tava acordado. Duro. Tenso.
E tinha o celular apoiado na outra mão. No viva-voz.
Tava ouvindo o áudio.
Meu corpo arrepio todo.
Não por medo, nem culpa. Isso eu já não sinto mais. Mas pelo tesão de me saber nua na frente dele.de novo, mas não em corpo… e sim em som. Em carne oral. Em confissão gravada. Eu estava ouvindo cada segundo do que vivi com outro enquanto me abraçava.
Ele não tinha se mexido.
Não tinha me acordado.
Não tinha dito nada.
Me inclinei só um pouco, tentando ver o rosto dele. Estava sério. A testa franzida. A boca apertada. Mas os olhos tinham aquele brilho especial. Aquela mistura de ciúme e tesão. Ele estava queimando. Por dentro. E eu amava ele assim.
Voltei o olhar pro celular. E lá, a cena:
—Você tá gravando desde que a gente chegou?—Desde antes de tu voltar do banheiro.—Então cê tem que saber que depois de um tempo a camisinha começa a incomodar um pouco e, bom, não consigo segurar a vontade de tirar ela e fazer vocês sentirem toda minha carne quente lá dentro...—E vai fazer sim. Mas primeiro quero que o áudio tenha contexto.Pausa. Respiração ofegante.Conta pra ele, David. Conta o que você tá vendo. Descreve pra ele. Pra ele, pro meu cuck.—Vejo uma gostosa... com uns peitos que não cabem no top. Uma saia que não esconde nada. Um olhar de puta deliciosa... e uma boca que já quero sentir babando na minha pica. E, caralho! Como me masturba! Dá pra ver nos olhinhos e na boquinha dela que tá adorando muito minha rola.Eu, recostada contra o Lucas, olhava ele de canto. A mandíbula marcada dele. Os dedos cravando de leve no meu braço. Eu não falava nada. Só sentia ele. A respiração mais pesada. O peito subindo e descendo. O volume na calça dele, já bem visível contra minhas costas.Muito bem... —minha voz no áudio—. Agora cala a boca um pouco... que eu vou dedicar os próximos sons pra ela.E aí, os gemidos.
Os primeiros.
De verdade.
Sem exagero.
Respiração molhada. Barulho de pele com pele. Chupadas. O áudio era sujo. Cruel. Pornográfico. E era eu.Deus... assim... assim, Vicky…—Gostou, hein?—Não para... chupa ela toda...—Assim? Assim que você gosta?—Hmm, sim… essa língua, essa boca, tão me dando o melhor boquete da minha vida.Lucas soltou um suspiro forte, como se tivesse levado um soco. Mas não largou o celular. Apertou ele mais. O braço dele me segurou com mais força. Senti o corpo duro dele contra o meu. A respiração dele no meu ouvido.
— Dormiu bem, amor? — sussurrei, só com um sorrisinho safado, sem olhar pra ele.
Ele não respondeu. Mas se mexeu. Apertou mais a coxa dele contra a minha. Tava fervendo.Seu namorado vai ouvir isso, Vicky?—Sim. E ela vai ficar com tesão como nunca. Porque adora. Porque me ama quando sou assim. Quando deixo de ser dela.—Cê tá toda melada, gostosa…—E com um pau desse... como é que eu não vou me molhar?Beijei a mão dela que segurava meu ombro. A pele dela estava morna. Os dedos, duros. Ela continuava em silêncio, mas o corpo dela gritava pra mim. Meu coração tremia.
— Tá bem? — perguntei, baixinho.
— Não sei — ela disse por fim. Voz baixa. Rouca.
— Te fode?
— Me parte... mas não consigo parar de ouvir.
No áudio, dava pra ouvir o David me jogando na cama.
O colchão rangia.
Eu ria. Gritava.
E depois... gemidos.Vai fundo! Mais! Enfia tudo!—Você é uma puta deliciosa, gostosa.—Mais forte! Que grave bem! Que ouça como você me fode!Lucas virou o rosto pra mim. Me olhou. Os olhos vermelhos. Brilhantes. Quase molhados.
—Não aguento mais, Vicky...
—Quer que eu pare?
—Não. Quero... te foder enquanto escuto isso.
Meu ventre tremeu. Literalmente.
Me virei devagar. Me acomodei em cima dele. Beijei ele. Lento. Fundo. Minha alma escorria pro corpo de tão molhada que eu tava.
—Então faz isso —falei—. Me marca enquanto me ouve gozar com outro. Torna isso teu... do jeito que você sabe.
E ele fez.
Enquanto no alto-falante tocava:Aí! Aí vem! Engole tudo!—Sim! Me dá! Mmmfff...! Meu Deus!E o Lucas... me despedaçava por dentro.
Como se o único jeito dele me amar fosse me fazer dele depois que eu fui de todo mundo.
E eu... não queria outra coisa.
Já não sabia o que me excitava mais: se ouvir meus gemidos saindo do celular ou sentir o Lucas me agarrando como se quisesse me rasgar por dentro.
O Lucas desabotoou a calça sem tirar os olhos de mim. A mandíbula tensa, a testa franzida, os olhos marejados. Ele me puxou pra ele com uma mão na minha cintura, enquanto com a outra largava o celular na mesinha sem desligar. O áudio continuava tocando, mais alto agora, como se o quarto estivesse possuído por aquela transa alheia que ele não tinha presenciado... mas vivia segundo a segundo.
O Lucas me virou com uma força que arrancou um gemido de mim. Me colocou de bruços no sofá, puxou minha calcinha fio dental de uma vez, sem cerimônia. Deixou ela enrolada no meu tornozelo, como se fosse um troféu. Puxou minha blusa pra cima, deixando meus peitos no ar. Me arqueei sem pensar. Eu esperava por isso. Queria aquilo. Provocava ele.
— Então ele te encheu toda, hein? — ele rosnou no meu ouvido.
— Toda, meu amor. Toda...
Ele não respondeu. Meteu de uma vez só. Seco. Brutal. E arrancou um grito de verdade de mim. Minhas unhas cravaram na almofada, minhas costas arquearam igual uma gata, e minha boca ficou aberta de puro impacto.
— Isso, filho da puta! — gritei pra ele. — Me marca! Me faz sua de novo!
Ele me comia no ritmo da raiva. Da traição. Da posse. Cada vez que o David gemia no celular, o Lucas me empurrava mais forte, como se tentasse apagar os sons dele com a batida da pélvis dele na minha bunda.Você é a mais piranha de todas, Vicky!—Você é a mais piranha de todas? —repetiu Lucas, sufocado pelo suor e pela raiva.
—Sim! —gritei—. A mais piranha! Mas sua! Toda sua!
Ele me pegou pelo cabelo, levantou minha cabeça, me obrigou a olhar pra ele por cima do ombro. O olhar mais animalesco que já vi nele.
—Te amo tanto que me mata.
—E eu te amo... assim, quando você me quebra.
Ele me virou. Me ergueu. Me sentou em cima dele. Afundei na vara dele com um gemido rouco. Me mexi sozinha. Rápido. Forte. Montei nele como se precisasse tirar todos os vestígios do David, como se precisasse reafirmar com a vara delenossa união. Me agarrou os peitos com fúria. Mordeu meu pescoço. Me beijou a boca com violência. Eu chorava e gemia ao mesmo tempo.
E aí, como uma provocação quase diabólica, soou a voz do David. Forte. Segura. Zombeteira.
—Tá bem aberta assim, Vicky? Me diz, entrou tudo?—Sim… toda…—E o teu namorado, ouvindo isso? Que otário, né? Deixar você sair assim… pra você ir com outro pra um motel.E a minha voz, ali… ofegante, rindo, sem culpa.Sim… coitadinho. Deve estar duro em casa, esperando. Vai, continua! Quero que se ouça bem como você me come.Lucas estava debaixo de mim, com o olhar desvairado. Ofegava. As mãos dele nos meus quadris, cravadas como garras, enquanto eu me movia sobre ele, devagar agora, marcando cada centímetro. Minha pélvis deslizava pelo pau dele ainda duro, molhado pelo que tinha rolado antes. Eu me sentia viva. Eu tinha o controle. E estava levando ele exatamente pra lá: pro centro do ciúme dele, da sacanagem dele, da necessidade dele.
— Quer saber o que tava rolando naquele momento? — sussurrei, colada na boca dele — Eu tava de bruços. Ele me segurava com um joelho nas minhas costas. Uma mão abria minhas nádegas… Cuspiu no meu furinho e disse que ia provar mesmo que eu não desse tudo. Disse quevocêcerteza que nunca se animou.
Lucas apertou os dentes. Meteu mais forte. O ar me faltou.
—E você, o que disse pra ele?
Sorri. Me abaixei. Beijei o pescoço dele. Minha boca no ouvido dele.
—Disse que com você era doce… mas que com elepodia ser uma putaO gemido que ela soltou foi bruto. Ela me apertou contra si, enfiou de novo até o fundo, enquanto o áudio continuava:Me diz que teu namorado nunca te encheu assim.—Nunca! Ninguém! Vai! Me parte mais!—E aí, se você ouvir ele agora, o que vai falar pra ele?—Tô morrendo de vontade de você gozar dentro de mim.Lucas parou por um segundo. O peito dele batia que nem um tambor. Ele olhou pra mim, os olhos arregalados, transbordando desejo e algo mais… algo quebrado. Algo lindo.
—Foi isso que você disse? Cada dia mais piranha, hein.
—Sim… —eu falei, me mexendo de novo em cima dele, devagar—. E é verdade.Você adora, não é?—David continuava falandoAdoro isso. Quero que você continue me usando enquanto ele me deseja. Quero que ele ouça e não consiga evitar bater uma punheta com sua voz me humilhando.Lucas estava tremendo. Literalmente. E eu segurei o rosto dele, peguei os lábios dele, falei baixinho:
—E você… meu amor… bateu uma?
—Não.
—Por quê?
—Porquete espereiIsso me partiu. Eu o amava. Eu o desejava. Ele merecia tudo. Mas justamente por isso, eu tinha que quebrá-lo mais um pouquinho. Para reconstruí-lo com meu corpo.
—Então agora você vai ouvir como eu escorria por outro… enquanto goza dentro de mim. Quer?
—Sim… por favor, sim.
E eu fiz.
Afundei nele. Mais. Montei nele com uma entrega animal.
Faltavam os últimos minutos. Nós dois sabíamos.
Lucas me abraçava por trás. Já não me comia. Me segurava. O pau dele ainda pulsava entre minhas pernas, morno, molhado, satisfeito. Os dedos dele acariciavam minha barriga como se ele não soubesse mais o que fazer. Como se não soubesse se me odiava ou me adorava. Talvez os dois.
Eu estava com os olhos semicerrados. Me sentia flutuando. Havia algo sagrado no que estávamos compartilhando.
E o fim chegou.
Dava para me ouvir no áudio. Muito claro. Muito real.Mmmfff… assim… não para… isso… aí… aí, David…Eu gemia igual uma menina safada. Ofegava entre risadas. Tinha ele na boca. Dava pra perceber pelos sons molhados, pelas respirações. Pelos tapinhas suaves que não precisavam de tradução. Era eu. Sem filtro. De joelhos. Dele.
E aí, o grunhido.Ufff… puta mãe… lá vai…—Mmmfff… sim… me dá… tudo… isso…E depois… um silêncio.
Um silêncio tãoíntimoQue doía.
Nós dois, David e eu, respirávamos exaustos. Dava pra ouvir a gente se recuperando, respirando como se tivesse corrido dez quarteirões. A voz dele foi a primeira a surgir, rouca, com uma risada abafada:
—Lucas… se você está ouvindo isso… valeu, mano. Sério. Que pedaço de gostoso você tem. Esse “empréstimo”… vou lembrar toda noite que estiver com a minha mina.E depois, minha voz. Tão minha, doce e cruel.Gostou, amor? Espero que sim… eu me diverti pra caralho. Valeu por me deixar ser assim, por não querer me prender. Você é especial. Agora daqui a pouco… volto pra casa. E vou me deixar cheirar. Inteirinha.O áudio acabou e um silêncio novo se instalou no quarto.
Lucas não disse nada.
Eu também não.
Ele me abraçava ainda mais forte. Me beijou o pescoço. Tinha os lábios mornos. Molhados.
— Quer dizer alguma coisa? — perguntei baixinho, quase sem voz, sabendo que aquele silêncio podia se quebrar pra sempre se a gente não cuidasse dele.
— Não sei — ele disse —. Tô… partido. Mas também tô mais dentro de você do que nunca.
Isso doeu. No melhor dos sentidos.
Me virei pra olhar ele. Sentei em cima dele de novo, mas dessa vez só pra ficar perto, pele com pele, cara com cara.
— Você não sabe o que acontece comigo quando te vejo assim — falei —. Quando você me olha depois de tudo isso… e não me solta.
— É que não consigo. Você é tudo que tá errado… e o que eu mais quero no mundo.
Eu ri baixinho.
— Doeu ouvir aquilo?
— Sim.
— Te excitou?
— Mais do que nunca.
— Quer se vingar?
— Não. Quero te comer devagar. Quero que você me peça desculpa e depois faça tudo de novo comigo.
Sorri pra ele. Beijei a boca dele. Devagar.
— Então a gente vai fazer. Tudo. Uma e outra vez. Mas agora… — me acomodei contra o peito dele, fechando os olhos, soltando o ar — …deixa eu ficar assim. Com você. Em silêncio.
Ele concordou. Não me soltou.
E o silêncio, pela primeira vez, não foi culpa.
Foi amor.
Depois que o áudio acabou, ninguém disse nada por um tempo. Nada de verdade. Aquele tipo de silêncio que não é desconfortável… mas que pesa. Como se o quarto tivesse memória e ainda flutuasse o eco dos meus gemidos gravados.
Eu tinha me aninhado nele, enroscada, com a perna cruzada na cintura dele. Ainda sentia a pele dele contra a minha, molhada em alguns lugares, morna em outros. Tinha o rosto apoiado no peito dele, e cada vez que respirava, o corpo dele se mexia como uma cama d'água debaixo de mim.
Sentia o coração do Lucas. Continuava batendo forte, mas já não com violência. Com outra coisa… com entrega.
Dei um beijo no meio do peito dele. Depois outro, mais pra baixo, bem onde o esterno aparece. Levantei o olhar e vi ele me encarando. Os olhos brilhando, Carregados, mas não quebrados. Não exatamente. O gesto me surpreendeu: não era raiva. Era algo parecido com êxtase. Como se tivesse passado por um furacão e estivesse grato por ainda estar de pé.
Eu sorri de leve. Passei a mão no queixo dele.
— Você tá bem?
Ele assentiu. Devagar. Depois me beijou a testa.
— Com você, sempre.
Encostei meu nariz no dele. Olhei bem de pertinho, coladinha. Deixei meus lábios quase roçarem os dele, sem beijar de verdade.
— Você gostou?
Demorou pra responder. Como se precisasse juntar as palavras com uma pinça.
— Sim… amei — ele disse, e os olhos se fecharam por um segundo—. Mas me deixou louco. Não sei explicar… me excitou como nunca, e ao mesmo tempo me senti um moleque vendo outro brincar com o brinquedo favorito dele.
Eu ri baixinho. Entendia. Entendia.tanto— Se sentiu humilhadinho, né?
— Não — ele me corrigiu, acariciando minhas costas, bem debaixo das costelas, onde eu tenho arrepios—. Me senti… testemunha. Como se você fosse um fogo que não pode ser tocado. Como se você se entregasse a outro… e eu tivesse que te ver queimar sem poder soprar.
Isso me derreteu. Peguei o rosto dele com as duas mãos. Dei um beijo suave, longo, de boca entreaberta. Como se não houvesse mais nada a dizer. E quando nos separamos, ele passou o polegar nos meus lábios. Tocou devagar, como se quisesse imaginar como eles ficavam quando diziam aquelas coisas, quando beijavam outros lábios… e quando se enchiam de outra pica.
Os dedos dele desceram pelo meu queixo. Voltaram à minha boca. Chupei devagar. Não pra provocar. Só porque veio natural.
— Você tava com aquela voz… — ele disse, quase sussurrando—. Aquela voz que você usa quando já viajou. A que você tem quando tá tão tesuda que vira outra pessoa.
— E doeu ouvir ela com outro?
— Sim — ele admitiu, sem tirar os olhos de mim—. Mas também me fez apaixonar mais. Porque aquela voz… também é minha.
Passei a mão no cabelo dele. Despenteei um pouco. Passei os dedos nas sobrancelhas. Ele tava lindo. Vulnerável.
— Quer fazer algo fofo agora? — perguntei, com um meio sorriso.
— Quero continuar te tocando. Com tudo que eu sei agora.
— Tudo?
— Tudo — ele disse, com aquele olhar que mistura amor e fome.
E ele me tocou. Não como antes. Não como o David. Como ninguém.
Ele me tocou como alguém que já tinha perdido tudo… e mesmo assim continuava me escolhendo.
— Você vai ver ele de novo?
A pergunta me tocou como um dedo frio entre as costelas.
Não porque me incomodasse. Mas porquesabiaque eu ia chegar. E que precisava de uma resposta.
Respirei fundo. Não pra pensar… mas pra sentir.
Olhei pra ele. Os olhos dele eram claros, intensos. Não tinha rancor. Só… aquela mistura de desejo, ciúme, dor e amor. Tudo junto.
Passei a mão aberta no rosto dele. Encostei minha testa na dele. E falei baixinho, no ouvido, como se tivesse contando um segredo que só nós dois podíamos entender.
— Se você quiser… sim.
Senti ele respirar fundo. Ficou parado. As mãos dele continuaram onde estavam, mas com mais leveza.
— Não esquece de uma coisa, Lu — continuei, sem me afastar—. Isso…istoNão é só por mim. Nunca foi. Não se engana. A fantasia, o jogo, a entrega… também é sua. Você foi o primeiro que me disse que queria me ver com outro. Que te excitava a ideia de me oferecer, como um petisco de luxo, pra outros caras. Não pra me perder… mas pra me reafirmar como sua. Pra que outros provem.o que você tem todas as noitesSob um compromisso que não se vê, mas que é inquebrável.
Ele baixou o olhar. Assentiu. Estava processando. Entendendo.
—Você não é menos por me compartilhar — eu disse. — Você é mais. Porque sabe que sou sua, mesmo quando outro me toca. Porque te escolho mesmo depois de ser desejada, fodida, usada. Porque sempre…voltoE isso, meu amor… isso é raro. Mas é lealdade.
Senti que algo se abriu nele. Como se uma corda interna que estava tensa há tempos tivesse afrouxado.
— E se um dia eu não quiser mais? — ele perguntou baixinho —. Se eu precisar que tudo isso acabe?
Eu me apoiei mais no peito dele. Passei a perna por cima. Beijei o pescoço dele.
— Nesse dia, meu amor… eu também vou deixar. Não vou discutir. Não vou chorar. Porque sabe o quê… — passei o nariz na boca dele — … não vou sentir falta.
Ele me olhou, surpreso. Com um pouco de alívio, um pouco de dúvida.
— Não?
— Não — falei firme, olhando bem nos olhos dele —. PorquevocêVocê é meu núcleo. Você é o que me dá sentido. Isso… essa fase, essa loucura… faz parte da jornada. É um jeito de se amar além do que nos disseram que era amar. Mas no dia que acabar, que o capítulo se fechar, não vou olhar pra trás como se fosse uma perda. Vou encarar como uma fase superada. Como uma fogueira que nos aqueceu… mas que não precisamos manter acesa pra sempre.
Lucas me apertou forte. Com carinho, mas com aquela intensidade dele. Me abraçou como se tivesse medo de me perder naquele exato momento.
— E sabe o que mais? — falei, baixando a voz até um sussurro — No dia que acabar… vou adorar voltar a ser só sua. Como no começo. Sem mais ninguém. Sem acordos. Só você. Meu corpo inteiro pra você. Como um presente exclusivo… depois de ter sido o mais desejado.
Ele fechou os olhos. Respirou fundo.
E com um sorrisinho, quase trêmulo, me disse:
— Juro que não sei como te amo tanto.
Eu beijei ele. Devagar. Lento. Com língua, com suspiro. Encostei a testa na dele.
— O mesmo vale pra você.
E ali, as mãos dele voltaram a se mexer. Desceram pelas minhas costas. Subiram pela minha cintura. Me tocaram como se estivessem me redescobrindo. E o fogo… acendia de novo.
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