Grávida e infiel. Parte 11

Uma coisa que aconteceu no condomínio depois que voltei com o pedido pra mãe do Salvador. Quando voltei com todas as coisas, tinham chegado várias mensagens. Porque não pegava sinal direito na rua. Ao entrar em casa, larguei minha bolsa no sofá e o resto na mesa. Organizei e arrumei tudo. Enquanto ia dando uma olhada nas mensagens, vi um número novo que não sabia de quem era. Li a mensagem e era do Rodas: "Olá, querida Yuliana. Espero que você e sua gravidez estejam bem. Queria saber se meu filho te pagou, porque senão, posso te transferir, pra te pagar pelo seu trabalho. Não esquece que você e sua família estão convidados pra celebração. Obrigado. Abraço. Rodas." Respondi na hora: "Olá, senhor Rodas. Sim, sim, já tá tudo acertado com seu filho. Pode ficar tranquilo. Tô com tudo pronto pra celebração. Assim que me disser o dia, entrego o pedido pro senhor ou pro seu filho. Abraço." Também tinha mensagem da minha irmã e da minha mãe: "Oi Yuli, agora tô sem as meninas, me conta o que rolou? Brigou com o Dante..?? Porque a velha me mandou que seu marido foi na casa dela te procurar e tava desesperado e angustiado. Onde cê tá?" "Oi filha, como cê tá? Não sei o que houve entre você e seu marido, mas ele me disse que você foi embora depois de uma briga e tá preocupado com você. Tenta me contar e a gente vê como resolver, embora pra mim não seria bom você ir embora se brigarem, tentem conversar. Te amo, minha menina." E não respondi nenhuma e fui preparar algo pra comer enquanto via como tinha ficado tudo pra mãe do Salvador. Foi incrível o lindo que ficou a combinação de papoulas com os cavalos. Me imaginei no futuro morando num sítio com muitos cavalos e um campo coberto de papoulas enquanto cavalgava com meu filho e meu marido, mas nesse pensamento, em vez de ver o Dante, via o Salvador de novo, com aquele sorriso e aquela doçura que ele tem quando olha nos meus olhos. Fiquei corada de imaginar que se fosse assim, meu bebê iria na frente. Eu no meio, e enquanto isso, Salvador ia atrás de mim segurando minha cintura no ritmo do cavalo, roçando o corpo no meu. Eu tava num puta tesão quando ouço meu celular tocar. Olhei e era o Salvador. Fiquei vermelha e pensei: "Ai, chamei ele com o pensamento!"
Eu: - Alô...
Salva: - Oi, Yulita gostosa... como cê tá?
Eu: - Tô, bem... e você? - enquanto suspirava
Salva: - Tudo certo, me diz: quando vai ficar pronto o pedido?
Eu: - Tô organizando tudo e ainda hoje à tarde já posso entregar
Salva: - O teu coração?
Eu: - Não... - ri - o pedido do aniversário da sua mãe
Salva: - Pensei que já tinha o coraçãozinho pronto pra mim... bom, então espero esse pedido com mais ansiedade
Eu: - Isso não vai poder ser entregue, porque já tem dono...
Salva: - Ainda tá nessa de voltar pro teu marido?
Eu: - Sim, claro que sim!
Salva: - Cê tá no condomínio?
Eu: - Tô, vou preparar alguma coisa pra almoçar
Salva: - Perfeito... a gente se vê! E desligou. Meu coração batia desesperado, imaginando que ele podia aparecer a qualquer momento. Continuei cortando legumes pra fazer uma sopa cremosa.

Umas meia hora depois, ouço um carro parar e meu coração começou a bater muito mais forte, parecia que ia pular pra fora do peito. Ouço baterem de leve na porta. Um arrepio subiu dos pés à cabeça. Quando abro, vejo o Salvador com um buquê de jasmins e um sorriso de orelha a orelha, exatamente como eu imaginava.
Salva: - Oi, linda... isso é pra você...
Eu: - Obrigada... vem... entra!
Salva: - Nossa, por Deus... que cheiro gostoso! O que cê tá preparando?
Eu: - Uma sopa cremosa, já experimentou?
Salva: - Já, mas acho que era de saquinho... é dessas?
Eu: - Não, não... essa é caseira.
Salva: - Ai, por Deus, linda... o que cê não sabe cozinhar?
Eu: - De cozinha, acho que sei tudo, porque meus pais trabalhavam o dia inteiro pra sustentar eu e minhas irmãs, então a gente teve que aprender. Daí ensinar as meninas mais novas pra saber se defender... e não depender deles nem de ninguém. Porque eu tinha uma amiga que não sabia nem ferver um ovo. Ela esperava os pais fazerem a comida pra ela, senão comprava comida pronta. No meu caso, raramente compro, tipo uma cazuela de frutos do mar... ou sushi. Porque até meu pai me ensinou a fazer locro e, de nós quatro, o meu sai espetacular.

Salva:
- Sério? Olha que minha tia, irmã da minha mãe, é uma gênia e já comi locros dela que são espetaculares... mas se um dia você fizer, me chama, adoraria provar.

Eu:
- Bom... - sorri - já tá pronto. Podia arrumar a mesa que eu já sirvo.

Salva:
- Você serve sempre... eu é que devia te servir.

Eu:
- Tô falando da comida!

Salva:
- Eu tava falando de te servir você... O que eu preciso fazer pra te servir? Preciso operar pra ficar igual ao Dante? - os dois rimos.

Eu:
- Nada... deixa... vamos comer.

Salva:
- Por favor... me diz: o que eu preciso fazer pra você me querer do jeito que quer o Dante?

Eu:
- É que o Dante... conheço ele há muito tempo e quero ele... também amo ele, porque é meu marido!

Salvador sentou e começou a comer calado. Comemos os dois em silêncio, só se ouvia o barulho das nossas colheres, umas gotas de sopa caindo no prato e um pouco de barulho das nossas bocas.

Quando terminou, só passou a mão no meu ombro.

Salva:
- Você cozinhou muito gostoso... obrigado e obrigado pelo que fez pela minha mãe. Espero te ver no aniversário dela.

Eu:
- De nada... vou ver se vou, quer dizer, se a gente vai. Não prometo nada. Avisa seu pai que tô muito grata pelo convite, mas que tenho outro compromisso.

Salva:
- Te entendo... ah, antes de ir - tirou do bolso a carteira e, sem contar, me deu umas notas de mil.

Eu:
- Não, não... isso é mais do que o orçamento que passei.

Salva:
- Tá perfeito. É tudo pelo que você fez por mim.

Eu:
- Tá me pagando por transar com você?

Salva:
- Nãaaaao... pelo amor de Deus... aceita como um presente pro seu bebê do tio dele. do coração. Tchau, bebê... cuida da sua mamãe... — ele acariciou minha barriga e baixou a cabeça. Saiu sem se despedir de mim. Fiquei com uma sensação da dor e da angústia dele. Guardei na minha carteira o dinheiro que ele me deixou sem contar e coloquei na minha bolsa. Lavei todas as coisas e me deitei com meu celular do lado. Escrevi pro Salvador: "Tomara que você não fique bravo, mas eu quero ser sincera comigo mesma e com todo mundo, não posso te prometer ou largar minha vida assim do nada por você. Tomara que você me entenda. Um beijo." Ele leu minha mensagem quase na hora, mas não respondeu. Adormeci com o celular na mão, esperando a resposta dele. No dia seguinte, decidi sair do condomínio, juntei minhas coisas e o que tinha comprado de mantimentos, deixei a chave no vaso de planta da casa dele e fui pra minha casa, que dividia com o Dante. Quando me viu chegar, vi que ele estava muito mais magro, quase como quando o conheci. Ele sorriu de um jeito enorme, me levantou super feliz e me encheu de beijos. Dante: — Ai, Yulita — enquanto me beijava com beijinhos no rosto e nos lábios —, senti tanto, tanto a sua falta... como você tá? Eu: — Preciso que a gente converse... Dante: — Não, não... já não precisa mais... Vamos deixar o passado pra trás e quero que a gente fique bem por nós e pelo nosso filhinho, nosso bebê. Sorri pra ele e entramos com minhas coisas, e tomamos café da manhã juntos, ele acariciando minha mão. Dante: — Me faz muito feliz você estar aqui... pensei tanto em vocês, em como vai ser nosso bebezinho. Eu: — Eu também... até pensei em alguns nomes... gostei de Maximiliano, Ismael ou então Jeremias. Dante: — Gosto mais de Jeremias. Eu: — Vamos ver se ele gosta — ele se aproximou da minha barriga, acariciou e falou baixinho — Dante: — Olá, bebê Jeremias... olá, meu filhinho Jere — nós dois sentimos ele se mexer — uauuuu... parece que ele gostou! — ele sorriu muito enquanto me olhava nos olhos. Fazia tempo que a gente não tinha essa conexão. Eu: — É... ele gostou porque escolhemos o nome dele juntos! Dante: — Te amo, minha Yuli... amo vocês e tomara que a gente nunca mais se separe... Eu: — Eu também te amo. Amor... adoraria que a gente pudesse aproveitar muito como casal e depois, como pais do Jeremias, ficar sempre juntos... - o celular dela tocou - atende. Enquanto isso, eu lavo isso aqui, Dante:

- Não é importante... deixa que eu faço! - ele se levantou, lavou as xícaras e eu fui arrumar minhas roupas. Tirei a camiseta que tava usando e fiquei só de sutiã, porque era mais confortável. Quando passei na frente do espelho e vi minha silhueta, sorri. Passei a mão na minha barriga e sorria pra caramba, mas por dentro sentia uma pontinha de dor, por tudo que tinha passado com o Salvador.

Chegou uma mensagem e vi pela tela que me mandaram o comprovante de pagamento. Não entendi nada. Abri e olhei, quase desmaiei. Vi o nome do Salvador Rodas naquele comprovante e o valor do pedido. Um arrepio enorme me percorreu e recebi uma mensagem dele: "Oi, Yulita. Meu pai insistiu pra eu depositar o dinheiro e te convidar de novo pra hoje à noite. Sei que se você vier, vai vir com seu amigo, então vou tentar não ficar muito tempo sozinho com você, porque acho que de novo ia querer te abraçar, sentir você e tocar seu corpo. Não do jeito que você tá pensando, mas sim, faria isso de forma sutil, sentindo seu gemido leve perto do meu ouvido. Já tô imaginando essa cena e tô enlouquecendo. Obrigado por tudo e desculpa por ser tão sem noção." Eu sorri e deixei o celular dentro da bolsa. Me troquei pra ir ver o salão onde ia ser a festa da mãe do Salvador. Levei todas as coisas pro lugar onde seria a comemoração. Fui arrumando tudo enquanto via que tinha garçons e outros responsáveis organizando os lugares.

De repente, ouço uma voz muito familiar e, achando que era o Salvador, me virei sorrindo, mas era um dos irmãos dele. Bernardo se aproximou de mim:

- Oi, você deve ser a famosa Yuliana. Sou o Bernardo, irmão mais velho do Salvador e filho da homenageada - quando sorriu, me lembrou o sorriso do Salvador.

Eu: - Oi, Bernardo... é um prazer, sério - ele me deu um beijo na bochecha e eu fiquei toda vermelha. Bernardo: - Por favor, me trata de "você"... me chama como todo mundo me chama: Berni ou Ber. Precisa de ajuda em alguma coisa?
Eu: - Não, não, tá tudo bem. Só acho que ali eu colocaria tudo que é lembrancinha e o álbum de fotos da família junto com o caderno de dedicatórias.
Bernardo: - É... e a gente vai trazer umas fotos inéditas da minha mãe quando era criança e da família dela. Então vai ser um momento bem emocionante. Meu pai já te falou que você tá convidada, né?
Eu: - Sim, sim... obrigada. Tanto seu pai quanto o Salvador me convidaram. São muito gentis, embora não saiba se vou conseguir ir por causa da minha gravidez.
Bernardo: - Bom... tomara que você consiga. Porque, pelos comentários do meu irmão e do meu pai, você é uma mulher encantadora.
Eu: - Desculpa... mas não entendi o que você quer dizer...
Bernardo: - Sou o irmão mais velho do Salvador e, se ele não me conta, eu meio que percebo sozinho o que rola entre vocês.
Eu: - Tomara que ele não tenha dito nada fora do lugar, porque meu marido é o melhor amigo dele e não queria problemas entre eles.
Bernardo: - Não, não... fica tranquila. Mas por algum motivo ele sente uma atração por você. Então... bom. Vou seguir em frente. Se precisar de algo, me chama, ou se quiser beber alguma coisa, pede pra galera daqui.
Eu: - Tá bem, obrigada...

Ele se afastou e eu fiquei muito surpresa. Pensava: "Talvez o Salvador só tenha falado do love que ele sente por mim e só isso... não acho que ele seja desses cínicos que contam com quantas mulheres transam... ai meu deus... em que merda eu me meti com o Salvador..."

Continuei arrumando tudo e, num momento, subi numa cadeira pra colocar umas guirlandas quando sinto uma mão segurando minhas pernas. Abaixo o olhar pra ver quem era e era o Salvador.
Salva: - Calma... eu te seguro.
Eu: - Ai, Salva... que susto...
Salva: - Que susto foi o meu ao te ver lá em cima, gostosa! Deixa que eu penduro as coisas que você precisar e você vai me passando aos poucos.
Eu: - Tá bem...

Ele me segurou pra me descer e subiu enquanto pendurava tudo. No final, olhamos o resultado e, verdade seja dita, tinha ficado fantástico.
Salva: - A Você é incrível mesmo... seu trabalho ficou lindo!
Eu: — Obrigada... mas preciso falar com você sobre um "assuntinho"
Salva: — Ah... sobre o dinheiro que te depositei, é que meu pai achou que não tinha te pago e...
Eu: — Não, não era isso... mas vai ser o segundo assunto que a gente precisa conversar
— a gente se afastou andando pro pátio, onde não tinha tanta gente — é sobre seu irmão...
Salva: — Não entendi... sobre... ahhh... meu irmão Berni
Eu: — É... ele me disse que sabia de você e eu... não entendi o que ele sabe sobre a gente...
Salva: — Ele só sabe que quando eu era criança eu te amava, mas não sabe nada sobre a gente ter rolado algo atualmente
Eu: — Não, não... ele deu a entender que sabe que tem algo entre a gente, que sabe que você sente atração por mim
Salva: — Mas não... não, não... ele acredita nessa coisa do passado, só isso...
Eu: — Pra mim ele sabe de algo atual... eu preferia te evitar e não vir com meu marido pra festa
Salva: — Mas isso seria mais suspeito. Você vem e eu fico em outro canto...
Eu: — Não sei... não me sinto confortável
Salva: — Não vou te pressionar
Eu: — Ok... obrigada. E sobre o dinheiro que você me transferiu...
Salva: — É que meu pai queria te pagar por isso, porque sabia que você vinha decorar e ele achou que seu orçamento tava baixo, então resolveu te pagar. A verdade é que todo mundo vai amar tudo isso, você é incrível, gostosa...
Eu: — Bom, obrigada... vou tirar umas fotos pra guardar de lembrança.
Salva: — Tá bem... vou continuar observando e orientando pra tudo ficar em ordem e do jeito que planejaram. Ele segurou minha mão, me deu um beijo e eu fiquei toda vermelha

Voltei pra dentro, tirei umas fotos e amei o resultado de como tinha ficado. Com certeza a Ramona ia adorar.

Fui até meu carro e alguém se aproximou. Era o Salvador. Abri o vidro da janela
Eu: — O que foi?
Salva: — Já vai embora?
Eu: — É... preciso tomar um banho... e provavelmente vou aproveitar pra descansar...
Salva: — Tá bem... mas lembra que você pode vir com meu amigo, umas 21h...
Eu: — Ok, tchau Salvador... Salva:- Tchau, linda Yulita. Saí de lá e fui pra casa. O Dante tava limpando as janelas. Dante:- Minha gostosa. Eu:- O que cê tava fazendo, amor? Dante:- Tava limpando as janelas... também arrumei tudo e preparei uma comidinha gostosa pra gente comer. E meu amigo me escreveu sobre o aniversário de dona Ramona, a mãe dele. Se você quiser, a gente podia ir... Eu:- Ah, sim, sim... ele me falou também. Dante:- O quê?? Cê tava com ele? Eu:- Tô voltando do salão onde vai ser a festa de entrega, quer dizer, de deixar o que precisavam pra festa... Dante:- Ah, sim... certo. E eles gostaram? O que te falaram? Eu:- Sim... todo mundo amou. Guardei tudo e ele foi servir a comida. Comemos em silêncio e, quando terminamos, eu juntei, lavei os pratos e o que usei pra cozinhar. Fui me deitar e vi o Dante com o celular, mas ele desligou na hora que me viu. CONTINUA...

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