Era um mundo sem tempo nem relógios para medi-lo, onde as forças da natureza e da magia estavam soltas e se misturavam pra dar vida aos seres mais majestosos do universo. Ao contrário do que alguém poderia pensar, essa liberdade e esse fluxo natural não rolavam num equilíbrio perfeito de paz e harmonia, mas pareciam mais uma correnteza violenta de água despencando de uma cachoeira gigante. A vida era linda, poderosa, potente, criadora e destruidora ao mesmo tempo, igual uma catarata imensa.
Uma das manifestações da vida nesse cenário era o povo dos Forgach, que viveu na floresta mais extensa e antiga desde sempre. Eles batizaram aquela imensidão cheia de árvores altíssimas e enormes de Floresta Eterna e só saíam de lá pra ir aos Pilares Sagrados prestar tributo aos seus deuses, que lhes tinham dado a vida. Entre os mais velhos, dizia-se que os forgachianos vinham da primeira linhagem de cervos que tomou consciência de si. Um cervo enorme se perdeu perseguindo uma borboleta linda e reluzente que o hipnotizou com seu voo dançante, e tentando alcançá-la, chegou a uma planície solitária onde, ao longe, se erguia um muro de fogo. Quando tentou voltar, viu, estupefato, a borboleta cair no chão e se transformar numa samambaia, e a partir daí nunca mais conseguiu pensar em voltar. Porque a planta falou com ele e ele entendeu: ouviu não só a voz de um Outro, mas a voz do seu Eu pela primeira vez. A samambaia propôs ao cervo atravessar a parede de fogo pra alcançar a felicidade eterna, e ele foi, mesmo passando vários minutos queimando o pelo e sentindo uma dor inexplicável. O muro flamejante se transformou em blocos de pedra, e atrás deles surgiram montanhas das quais nasceram rios cujas águas fizeram crescer a vegetação, e assim se forjou um paraíso do qual emergiu, no brilho do Sol, uma mulher cerva que foi inseminada pelo cervo viajante. Também alcançou o dom da consciência. A terra dos Pilares, a partir dali, foi um bálsamo de paz, abundância e prosperidade para todo aquele que pisasse nela. Os filhos da fêmea Triarach e do macho Adharcach ficaram órfãos ao nascer, já que o espírito dos pais migrou para o mundo dos Deuses, e então os pequenos tiveram que caminhar até a Floresta Eterna para buscar outros cervos e sobreviver. Lá, se misturaram entre os de sua espécie e transmitiram suas capacidades mágicas aos seus filhotes, e com eles foi se criando o povo dos Forgach, umas criaturas híbridas cuja aparência era a de grandes cervos antropomórficos, com grande inteligência, força bruta e instinto selvagem, mas com a capacidade de raciocinar, criar e acreditar não só da forma como nós humanos fazemos, mas também como seres mágicos daquele lugar.
Com o tempo, a sociedade dos Forgach forjou um grande império, e na Floresta Eterna se ergueu uma monarquia de Cervos, construída graças ao fato de que a vontade da magia, ou da natureza, ou de ambas, levou os forgachianos a adotar formas cada vez mais humanas em seus comportamentos e crenças. No começo, apenas alguns escolhidos iam aos Pilares Sagrados para rezar, e depois foram se juntando primeiro os Reis, depois suas cortes, e após várias gerações, toda a realeza de Forgach passou a viver atrás dos Pilares, desfrutando de uma prosperidade eterna e desigual em relação aos seus súditos habitantes da Floresta. Para os forgachianos, a sexualidade era uma parte forte de sua vida e tradições, e eles tinham punições previstas para muitos comportamentos, exceto os relacionados ao sexo, considerado divino por sua função reprodutiva e primordial por sua importância na concepção do poder social, na construção da liderança e na noção de masculinidade. A elite governante pediu aos habitantes da floresta que entregassem voluntariamente donzelas virgens para as cerimônias nos Pilares Sagrados. Inicialmente, foram solicitadas 2 (para uni-las ao espírito de Triarach e Adharcach), mas depois foram mais um par, mais uma dúzia, e assim foi aumentando a exigência de jovenzinhas imaculadas até chegar a um número onde houvesse mais de duas para cada membro da realeza dominante. Devido à ordem de manter um alto número de fêmeas não fecundadas (algo que era cumprido quase à risca) e ao número de machos condenados ao exílio por não seguir as regras dos líderes religiosos, a população forgachí caiu em número em seu lar original e cresceu dentro dos muros. Embora uma boa porcentagem de cervídeas fosse voluntariamente e cumprisse seu dever como sacrifício, se entregando aos desejos famintos de seus governantes, havia algumas que eram selvagemente estupradas e muitas vezes assassinadas para esconder as "provas" daquela aberração. Mesmo quando, por fome ou simples estatística, alguma geração forgachí dos bosques não conseguia cumprir o tributo de donzelas, os membros mais violentos e poderosos da casta governante desciam para estuprar cervas jovens e levá-las para trás dos muros. Diagacht, o Espírito Original que Adharcach viu em forma de borboleta e samambaia, não estava contente com as ações dos monarcas forgachíes e apareceu diante do Velho Rei transformado em serpente para dizer que não era necessário o tributo de virgens para realizar os rituais sagrados. Preso pela desconfiança e cego pela luxúria, Fiannor se convenceu de que aquela manifestação era uma tentativa de engano por parte de seus súditos para nunca mais cumprir o tributo exigido e, furioso, desceu com todos os machos do povo habitante atrás dos Pilares para estuprar todas as fêmeas em idade reprodutiva da Floresta Eterna e matar todos os machos adultos forgachíes de lá. Foi algo brutal e impiedoso que Diagacht puniu primeiro com a morte de todos os que nasceram daquelas violações e depois com um Cataclismo que enterrou a monarquia dos Pilares entre as pedras de suas cavernas, sepultando-os. para sempre após um clarão furioso e um tremor impressionante que derrubou até o bloco de rocha mais sólido.
Sem seus líderes governantes, com toda uma ninhada de filhos morta e sem machos adultos na Floresta, o desaparecimento do povo de Forgach passou a depender do retorno de alguns exilados à sua terra e dos poucos machos jovens que cresceram e puderam ter descendência. Começou a crescer entre eles a lenda de um procriador colossal, do salvador da linhagem cervídea forgachí que chegaria para salvar o povo da escassez e do caminho para a extinção. Começou-se a falar de uma futura manifestação definitiva de Diagatch, que finalmente desceria à Floresta para viver na forma dos seres que ele mesmo criou. Começaram a chamá-lo e convocá-lo sob o nome de Cernunnus, o deus chifrudo.
Passado um mês desde o Clarão Furioso, emergiu dos escombros dos Pilares o único descendente macho da linhagem real em idade reprodutiva. Como estava ferido e sem entender o que acontecia, ficou sob os cuidados da Sacerdotisa Fianna, encarregada de sua saúde e de sua missão de repovoar a floresta com habitantes forgachíes. Em um ano, a tarefa da "Sióg Sagart" finalmente deu frutos, e o garanhão, em pleno uso de suas faculdades mentais e físicas, dedicou o resto da vida a penetrar gostosamente todas as fêmeas reprodutoras disponíveis até inseminá-las. Não foi possível realizar isso sem dificuldade, já que, como a espécie dos Forgach precisa de um forte desejo das mulheres para que o grande falo do macho entre em seu corpo, e a possibilidade de gravidez depende exclusivamente da substância obtida no orgasmo feminino, o herdeiro precisou de todos os saberes sagrados de Fianna. Mesmo assim, ele conseguiu, e o povo forgachí começou a renascer. O cervídeo que apareceu entre as rochas foi batizado como Cernunnus.
Uma das manifestações da vida nesse cenário era o povo dos Forgach, que viveu na floresta mais extensa e antiga desde sempre. Eles batizaram aquela imensidão cheia de árvores altíssimas e enormes de Floresta Eterna e só saíam de lá pra ir aos Pilares Sagrados prestar tributo aos seus deuses, que lhes tinham dado a vida. Entre os mais velhos, dizia-se que os forgachianos vinham da primeira linhagem de cervos que tomou consciência de si. Um cervo enorme se perdeu perseguindo uma borboleta linda e reluzente que o hipnotizou com seu voo dançante, e tentando alcançá-la, chegou a uma planície solitária onde, ao longe, se erguia um muro de fogo. Quando tentou voltar, viu, estupefato, a borboleta cair no chão e se transformar numa samambaia, e a partir daí nunca mais conseguiu pensar em voltar. Porque a planta falou com ele e ele entendeu: ouviu não só a voz de um Outro, mas a voz do seu Eu pela primeira vez. A samambaia propôs ao cervo atravessar a parede de fogo pra alcançar a felicidade eterna, e ele foi, mesmo passando vários minutos queimando o pelo e sentindo uma dor inexplicável. O muro flamejante se transformou em blocos de pedra, e atrás deles surgiram montanhas das quais nasceram rios cujas águas fizeram crescer a vegetação, e assim se forjou um paraíso do qual emergiu, no brilho do Sol, uma mulher cerva que foi inseminada pelo cervo viajante. Também alcançou o dom da consciência. A terra dos Pilares, a partir dali, foi um bálsamo de paz, abundância e prosperidade para todo aquele que pisasse nela. Os filhos da fêmea Triarach e do macho Adharcach ficaram órfãos ao nascer, já que o espírito dos pais migrou para o mundo dos Deuses, e então os pequenos tiveram que caminhar até a Floresta Eterna para buscar outros cervos e sobreviver. Lá, se misturaram entre os de sua espécie e transmitiram suas capacidades mágicas aos seus filhotes, e com eles foi se criando o povo dos Forgach, umas criaturas híbridas cuja aparência era a de grandes cervos antropomórficos, com grande inteligência, força bruta e instinto selvagem, mas com a capacidade de raciocinar, criar e acreditar não só da forma como nós humanos fazemos, mas também como seres mágicos daquele lugar.
Com o tempo, a sociedade dos Forgach forjou um grande império, e na Floresta Eterna se ergueu uma monarquia de Cervos, construída graças ao fato de que a vontade da magia, ou da natureza, ou de ambas, levou os forgachianos a adotar formas cada vez mais humanas em seus comportamentos e crenças. No começo, apenas alguns escolhidos iam aos Pilares Sagrados para rezar, e depois foram se juntando primeiro os Reis, depois suas cortes, e após várias gerações, toda a realeza de Forgach passou a viver atrás dos Pilares, desfrutando de uma prosperidade eterna e desigual em relação aos seus súditos habitantes da Floresta. Para os forgachianos, a sexualidade era uma parte forte de sua vida e tradições, e eles tinham punições previstas para muitos comportamentos, exceto os relacionados ao sexo, considerado divino por sua função reprodutiva e primordial por sua importância na concepção do poder social, na construção da liderança e na noção de masculinidade. A elite governante pediu aos habitantes da floresta que entregassem voluntariamente donzelas virgens para as cerimônias nos Pilares Sagrados. Inicialmente, foram solicitadas 2 (para uni-las ao espírito de Triarach e Adharcach), mas depois foram mais um par, mais uma dúzia, e assim foi aumentando a exigência de jovenzinhas imaculadas até chegar a um número onde houvesse mais de duas para cada membro da realeza dominante. Devido à ordem de manter um alto número de fêmeas não fecundadas (algo que era cumprido quase à risca) e ao número de machos condenados ao exílio por não seguir as regras dos líderes religiosos, a população forgachí caiu em número em seu lar original e cresceu dentro dos muros. Embora uma boa porcentagem de cervídeas fosse voluntariamente e cumprisse seu dever como sacrifício, se entregando aos desejos famintos de seus governantes, havia algumas que eram selvagemente estupradas e muitas vezes assassinadas para esconder as "provas" daquela aberração. Mesmo quando, por fome ou simples estatística, alguma geração forgachí dos bosques não conseguia cumprir o tributo de donzelas, os membros mais violentos e poderosos da casta governante desciam para estuprar cervas jovens e levá-las para trás dos muros. Diagacht, o Espírito Original que Adharcach viu em forma de borboleta e samambaia, não estava contente com as ações dos monarcas forgachíes e apareceu diante do Velho Rei transformado em serpente para dizer que não era necessário o tributo de virgens para realizar os rituais sagrados. Preso pela desconfiança e cego pela luxúria, Fiannor se convenceu de que aquela manifestação era uma tentativa de engano por parte de seus súditos para nunca mais cumprir o tributo exigido e, furioso, desceu com todos os machos do povo habitante atrás dos Pilares para estuprar todas as fêmeas em idade reprodutiva da Floresta Eterna e matar todos os machos adultos forgachíes de lá. Foi algo brutal e impiedoso que Diagacht puniu primeiro com a morte de todos os que nasceram daquelas violações e depois com um Cataclismo que enterrou a monarquia dos Pilares entre as pedras de suas cavernas, sepultando-os. para sempre após um clarão furioso e um tremor impressionante que derrubou até o bloco de rocha mais sólido.
Sem seus líderes governantes, com toda uma ninhada de filhos morta e sem machos adultos na Floresta, o desaparecimento do povo de Forgach passou a depender do retorno de alguns exilados à sua terra e dos poucos machos jovens que cresceram e puderam ter descendência. Começou a crescer entre eles a lenda de um procriador colossal, do salvador da linhagem cervídea forgachí que chegaria para salvar o povo da escassez e do caminho para a extinção. Começou-se a falar de uma futura manifestação definitiva de Diagatch, que finalmente desceria à Floresta para viver na forma dos seres que ele mesmo criou. Começaram a chamá-lo e convocá-lo sob o nome de Cernunnus, o deus chifrudo.Passado um mês desde o Clarão Furioso, emergiu dos escombros dos Pilares o único descendente macho da linhagem real em idade reprodutiva. Como estava ferido e sem entender o que acontecia, ficou sob os cuidados da Sacerdotisa Fianna, encarregada de sua saúde e de sua missão de repovoar a floresta com habitantes forgachíes. Em um ano, a tarefa da "Sióg Sagart" finalmente deu frutos, e o garanhão, em pleno uso de suas faculdades mentais e físicas, dedicou o resto da vida a penetrar gostosamente todas as fêmeas reprodutoras disponíveis até inseminá-las. Não foi possível realizar isso sem dificuldade, já que, como a espécie dos Forgach precisa de um forte desejo das mulheres para que o grande falo do macho entre em seu corpo, e a possibilidade de gravidez depende exclusivamente da substância obtida no orgasmo feminino, o herdeiro precisou de todos os saberes sagrados de Fianna. Mesmo assim, ele conseguiu, e o povo forgachí começou a renascer. O cervídeo que apareceu entre as rochas foi batizado como Cernunnus.
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