Paleto 2

que quer se aposentar, perdoa se te ofendi durante o jantar, às vezes eu fico meio idiota_ _Não é boa ideia você vir ao meu apartamento, melhor nos despedirmos aqui_ disse ela Então me escondi dentro de um portal escuro e peguei o celular e mandei uma mensagem e escutei o celular da Cristina. _Aceita essa última dose no seu apartamento_ escrevi, não sei por que fiz isso, queria continuar escutando meu pai falando merda e batendo de frente com a vontade dela que o rejeitava, queria estar imerso nessa merda, não sei. _Quem te escreve? Meu filho?_ disse meu pai _Tem certeza? Olha que esse aí vai pensar qualquer coisa_ escreveu ela _Quero que você meta ele pra fora do seu apartamento a pontapés, eu vou estar lá escondido_ escrevi _Manda um abraço pro meu filho_ disse ele Escutei um suspiro profundo dela. _Tá, vamos pra minha casa, você toma a última e vai embora_ disse ela _Fenomenal_ disse ele _Mas se você tentar alguma idiotice eu te mato de porrada_ disse ela _Que nada, vou me comportar como um menino bom, como o Fermín_ disse ele, rindo com aquela risada falsa e estridente. _É melhor mesmo_ disse ela _Podemos pegar um táxi na avenida e de quebra caminhamos um pouco_ disse ele Vi eles se afastando, meu pai pegando o braço da Cristina, ela caminhando devagar ao lado dele, com as duas mãos dentro dos bolsos da jaqueta de couro e a pequena carteira pendurada no ombro. Caminhei na direção contrária até meu carro, subi apressadamente, ainda doía a humilhação das coisas que meu pai tinha dito, a anedota do basquete que era verdade, mas depois uns anos mais tarde eu tinha me desenvolvido e dado um estirão e nunca tinha tido problemas com o tamanho do meu pau, no entanto ele tinha ficado com aquilo e se eu não levava garotas em casa era pra que não conhecessem meu pai. Que puto dum filho da puta, sempre tinha ele contra mim, essa era a verdade, sempre tinha sido meu inimigo, meu próprio pai, que merda duma puta, que cara mais egoísta e miserável, sempre competindo comigo, até esse ponto de querer dar em cima da minha própria namorada, sem se importar com nada. Dirigi pelas ruas já com pouca gente naquela hora da noite e estacionei em frente ao apartamento da Cristina, desci do carro, abri a porta e subi até o andar apressadamente, eles não tinham chegado. O que eu esperava ouvir? Não sabia, queria ver como ela mandava ele se foder, presenciar aquela humilhação máxima e sair do meu esconderijo e abraçar a Cristina e ver como meu pai ia embora com o rabo entre as pernas e eu ficava no apartamento com ela. Agora eu percebia que havia algo doentio por trás do meu comportamento, pra que dar tantas voltas? Era só mandar ele se foder de uma vez, mas eu adiava o momento e expunha minha namorada que agora estaria voltando de táxi pra casa, dividindo o banco de trás com ele. Será que ele tentaria beijá-la de novo? Era capaz, o filho da puta. Mas ela ia rejeitar. Ou será que não? Ou será que ela consentiria com o beijo? Imaginei eles se beijando no banco de trás do táxi, inclinando as cabeças, ele segurando o braço dela e ela ainda com as mãozinhas delicadas e fortes nos bolsos da jaqueta, com a bolsinha pendurada. Uma mulherão, uma putona, pensaria o taxista, uma prostituta e seu cliente velho, se beijando e se agarrando como preliminar pra foder. E de novo tive uma ereção e dessa vez me toquei por cima da calça. Era doentio, era nojento, meu próprio pai e minha namorada, praticamente minha mulher. Sentei na cama, peguei meu rosto entre as mãos. Lembrei do tapa que ela tinha dado nele, um belo tapa naquela cara redonda e surpresa dele, ele não esperava, isso tinha sido muito bom. Não imaginava a Cristina capaz daquela reação e depois lembrei da noite anterior quando eu apertava o pescoço longo e grácil dela e ela fechava os olhos. _Aperta forte_ ela tinha dito num momento. Eu adoraria te amarrar, tinha dito meu pai. Violência e sexo, sexo violento e brutal, desprovido de sentimentos. _Você é virgem, nunca te foderam forte, mas bem forte_ sério_ As frases do meu pai continuavam caindo pesadamente dentro de mim, sempre seria assim até eu morrer, as frases do meu pai tinham um peso ainda pra mim, peso demais. Aí eu escutei a porta, a chave na fechadura. _Porra, isso é demais, que apartamentozinho, que ninho de love…_ disse a voz do meu pai. _O que você quer beber?, vamo que já é tarde_ disse ela _Temos a noite toda, menina_ _A noite toda não, você bebe a última e vaza_ disse ela _No táxi você não reclamava tanto quando eu passava a mão nas suas pernas gostosas_ disse ele _Eu tava com frio, só isso_ disse ela

0 comentários - Paleto 2