A gente tinha ido num restaurante comer com minhas amigas por causa do meu aniversário e também pra resolver nossa viagem pro Chile, quando eu trombei com o Blas ali mesmo... Tava imersa nos meus pensamentos e levei um susto quando senti alguém me tocar por trás. Quando me virei, minha cara ficou pálida ao ver o Blas.
Blas: - Oi, minha linda Fran...
Eu: - Oi... oi... oi, Blas
Blas: - Feliz aniversário...
Eu: - Ah... obrigada...
- Ele chegou mais perto de mim, querendo me dar um beijo
- Não, não... obrigada pelo seu parabéns, mas prefiro só de palavra
Blas: - Olha, Frambu... a gente nunca teve aquela conversa pendente sobre por que terminamos, por que você não quis mais ficar comigo... e acho que chegou a hora da gente conversar, nós dois...
Eu: - Agora não, nesse momento nem hoje, não... outro dia a gente conversa... te prometo
Blas: - Tá bom... e... pena não saber que ia te ver, senão trazia um presente pra você...
Eu: - Não, Blas... não precisa... sério... obrigada
Blas: - Bom... você veio com seus pais almoçar??
Eu: - Não, não... tô com minhas amigas
Blas: - E seu rebelde? Deixou ele na mão?
Eu: - Isso não é da sua conta onde ou com quem ele tá...
Blas: - Não fica brava, linda... achei que ele tava aqui com você
Eu: - Obrigada pelo parabéns, mas eu vim no banheiro e já tô demorando demais...
Blas: - Ok... se diverte aí
Eu: - Obrigada...
Fui pro banheiro e tava com uma cara muito pálida quando me olhei no espelho. Me sentia estranha. Muito tonta, muito nervosa. Quando saí, o Blas ainda tava me esperando e, ao me ver naquele estado:
Blas: - Frambu... Fran... não tô te vendo bem... precisa de alguma coisa?
Eu: - Preciso que você vá embora e me deixe em paz...
Blas: - Não, não vou te deixar, tua cara tá muito pálida, cadê suas amigas? Deixa eu ir chamar elas...
Só apontei e ele foi pra mesa, e eu fiquei tapando o rosto.
Quando descobri o rosto, vejo a Emma, a Natali e, do lado delas, o Blas.
Emma: - Fran... Fran... o que aconteceu com você?
Nati: - Frambu... gata, você tá bem?? Mas o que Caralho, o que você fez com o Blas?? — disse num tom irritado.
Blas: — Para... calma aí, que eu só cumprimentei ela...
Nati: — Vamos, Fran... vamos pra nossa mesa com cuidado... você consegue andar sozinha, Frambu?
Eu: — Sim... sim, acho que sim...
Blas: — Eyyy... me avisa como sua amiga tá depois...
Nati: — Sim, sim, sim...
As duas me pegaram pelo braço e a gente foi andando devagar. Chegamos na nossa mesa, e quando as outras me viram, ficaram preocupadas.
Rosário: — Ai, meu Deus, Fran... o que aconteceu com você?
Nati: — Shhhhh... calma, meninas...
Emma: — Mas olha a cor do rosto dela, tá muito pálida... será que a gente devia ligar pros pais dela?
Jasmim: — Fica tranquila, Fran... o que houve? Você esbarrou naquele insuportável?
Eu: — Sim... sim — enquanto bebia água — mas ele só me cumprimentou, o Blas. O que eu não entendo é por que me afetou tanto vê-lo.
Nati: — E você tá muito sobrecarregada, digamos assim: foi nossa festa, nossa formatura, seu aniversário, a visita do seu namorado, o presente que te deram... tudo pode te afetar, garota.
Eu: — Mas são tudo coisas boas...
Ingrid: — Mesmo sendo coisas boas, às vezes pode te pegar... talvez seu corpo, com essa vida corrida de tanto estudo, viagens, reuniões com seu pai, saídas com a gente e o colégio, pode ter te afetado.
Eu: — Ahhhh... já tô me sentindo melhor... e o Blas?
Nati: — Eu mandei ele embora... falei pra ele vazar, achei que o idiota tinha passado dos limites com você.
Eu: — Não, não... ele só me cumprimentou, e não sei por que, quando vi ele, passei mal.
Jasmim: — Já foi, Fran... fica tranquila, garota... vamos pedir alguma coisa gostosa pra comer?
Já bem mais relaxadas, escolhemos algo do cardápio. Fizemos o pedido pro garçom enquanto conversávamos sobre nossa viagem pro Chile pra fazer as compras.
Depois de almoçar, já eram mais de duas da tarde porque a gente tinha ficado batendo papo e rido de tudo que a gente fez no Brasil e no colégio.
Saímos de lá e levei cada uma pra casa. No caminho pra minha, ouvi meu celular. Quando vi a mensagem, era do Blas:
"Oi, Frambuesita, espero que você esteja melhor. melhor. Fiquei preocupado. Depois ficou aquela nossa conversa pendente. Te mando um beijo. Se cuida, gostosa!" E eu respondi "Oi Blas, sim, tô melhor. Depois vejo que dia posso te ver e a gente conversa. Valeu por se preocupar, mas sendo sincera, você foi tão filho da puta comigo em outras vezes, que agora me surpreende você ser assim..." E saí andando pra minha casa. Quando cheguei, só vi o carro da minha mãe. Entrei em casa e cumprimentei em voz alta. Eu: - Oi... tem alguém em casa? Minha mãe veio da cozinha, secando as mãos. Mãe: - Oi Fran, filha... como você tá? Eu: - Bem... bem. E o pai? O Eze? Mãe: - Seu pai levou o Eze, saíram sem me falar pra onde iam... Eu: - Ok... Mãe: - E aí? Como foi com suas amigas? Eu: - Foi, foi tudo bem... organizando pra ir pro Chile fazer compras e, bom... a gente falou de tudo... Mãe: - Que bom... que sorte... Eu: - Vou aproveitar pra tomar um banho já que não tem tanta gente, caso o Ezequiel volte, sabe? Mãe: - Tá bem, love... Fui tomar banho e aproveitar pra fazer o tratamento pra deixar meu cabelo mais liso e macio. Quando saí do banho, indo pro meu quarto, ouvi minha mãe falando no celular: "De novo a mesma merda com você. Já te falei que não queria que você nos procurasse mais, sério, já não sei como fazer você entender que não te queremos nas nossas vidas, nem eu nem minhas filhas... não precisamos de você. Por favor, você é muito chato, Gaston... já me deixa em paz... se meu marido te bateu, tomara que faça de novo... isso aí, assim você fica no seu lugar... sim, sim, sim... tchau Gaston... não, não, já te falei que a gente tá muito bem... tchau..." E desligou bem irritada, dava pra ouvir ela falando baixinho, tipo xingando. Eu fui pro meu quarto e nisso ouvi meu pai chegando com minha irmã e meu namorado. Pai: - Oi... tem alguém? Mãe: - Sim, tô aqui - minha mãe saiu do quarto - como foi? Guille: - Mãe, nem sabe que lindo... tá maravilhoso o que o pai escolheu... Eze: - Desculpa, e a Fran? Sabem se ela ainda tá com as amigas? Papai: - É, com certeza... mas melhor assim, você vem comigo porque preciso que a gente resolva uns papéis, né... O que acha, Eze querido?
Eze: - Sim, sim, Dom Martin... - eles foram de novo pro escritório e minha mãe com minha irmã pra cozinha. Eu fiquei no meu quarto lendo as mensagens novas que chegavam. Tinha os áudios das minhas tias e das minhas amigas do hóquei, até com fotos com dedicatória nas redes delas. Ainda não tinha visto minha rede social e com certeza também ia receber parabéns por lá. Respondi todo mundo enquanto me secava e chegou uma mensagem nova com várias fotos numa colagem: "Hoje é o aniversário da minha grande amiga, minha escolta, minha girl divina e a mais gostosa. Mesmo que o namorado fique com ciúmes, eu vou falar mesmo que essa girl é a mais linda porque eu conheço ela desde criança e foi meu love secreto. Te adoro, girl... feliz 18 anos, vovó, minha velhinha do Pami. PS: precisa que eu te acompanhe pra sacar sua nova idade?" Eu sorri pra caramba, percebendo que era uma mensagem do Rodrigo "Valeu, bobão... ainda bem que é uma mensagem pessoal, senão... eu morria se você postasse uma coisa dessas na minha rede social... sabe que te amo muito" Me troquei e fui pra sala, me sentei no sofá feito uma chininha com meu celular e escrevi pro Eze "Oi, meu love... acho que não volto cedo porque com minhas amigas vamos pra Mendoza. Te amo muito" E sorri. Quase na hora ele respondeu "Ah, não me diga... bom, minha linda, assim que você voltar não vou me afastar de você. Passar o tempo todo juntos. Te amo" E eu me acomodei deitada no sofá de barriga pra cima com um pé em cima do joelho "Mas não se preocupa, sei que vai ficar entretido com meu pai e a parada de trabalho e preencher papéis. Fala pro papai que: Franpa épetapa empe capasapa!" E sorri de novo. Meu celular tocou e era o Eze, eu cortei e ele escreveu "Sai dessa, mentirosa... sei falar em jeringoso, mimi apamapadapa nopovipiapa" Eu ri pra caramba e vi ele vindo na minha direção
Eze: - Achou que eu não ia te entender! Ele me deu um beijo suave nos lábios e sorriu pra mim.
Eu: — Achei que você não sabia... com meu pai às vezes a gente brinca assim...
Eze: — Eu brincava com meus irmãos quando era pequeno, pra falar em código quando meus pais ou outros parentes estavam por perto. Como foi?
— Ele sentou do meu lado e acariciou minha bochecha.
Eu: — Foi bem, sorte... a gente comeu, conversou sobre tudo e organizou uma viagem.
Eze: — Que viagem? Pra onde vocês vão?
Eu: — Com as meninas, a gente queria ir fazer compras no Chile, nuns shoppings de lá. Porque faz uns dois anos que fui com minha mãe e minha irmã, e a verdade é que têm umas coisas lindas de marca e muito mais baratas que aqui. Contei pras minhas amigas e a gente ia passear e comprar...
Eze: — E quando vai ser a viagem?
Eu: — Ainda não sei, porque a gente precisa alugar uma kombi ou uma van que caibam mais de 6 pessoas.
Eze: — Ah, é? E de última... hmm... bom, a gente procura, te ajudo a procurar...
Eu: — Sério mesmo que você faria isso por mim?
Eze: — Claro, meu amor... vou te ajudar. É que meus pais têm uma van, senão eu adoraria levar você e suas amigas pra onde você mandar...
Eu: — Te amo...
— Me joguei em cima dele e ele me abraçou forte na hora, enquanto acariciava devagar meu rosto e me prendia nos braços, eu fiquei deitada no peito dele. Ele se recostou mais no sofá pra ficar mais confortável e me ajeitou mais pro lado dele, com o braço levantou minhas pernas e colocou tudo de um lado só, me mexendo e eu rindo.
Eu: — Ai não, assim não, amor... pareço um bebê...
— Meu pai vinha vindo na nossa direção e sorriu ao me ver assim.
Pai: — Uau... é incrível ver minha princesa crescidona assim posicionada...
Eze: — Espero não estar incomodando, Martin... mas é que essa menina me deixou muito apaixonado e adoro fazer ela rir e brincar com ela, quer dizer, o senhor já sabe, no bom sentido, chamar ela de pequenininha.
Pai: — Sim, sim... te entendo, querido... é que, mesmo que você não acredite, uma noite enquanto estávamos lá em Punta del Este, eu a tive assim, nos meus braços e nas minhas pernas, balançando ela e dizendo o que eu dizia quando ela era criança.
— Meu pai sentou no mesmo sofá. Onde a gente tava? Eu: - Você tava me dizendo "te amo tanto, minha bebê linda" e me perguntava quem era a bebê mais linda do mundo? E eu respondia que era eu... Papai: - Sim, meu amor, lembro... minha menina mais linda - ele acariciou minha bochecha e sorriu emocionado, enquanto Eze beijava devagar minhas bochechas. Meu pai levantou e foi pra cozinha com minha mãe. Prepararam o lanche, dessa vez como o Ezequiel estava lá e ele tinha me pedido pra tomar mate, preparei a cuia que minhas tias e meu nonno me deram há uns anos. Merendamos todos juntos, embora meu pai tenha tomado o café dele com cachaça e o Guille o leite morno sem nada. Minha mãe acompanhou a gente com os mates que eu tinha preparado pro Eze, junto com o bolo que minha mãe e minha irmã tinham feito mais cedo. Quando terminamos, Eze ajudou a levantar tudo, eu fui pro meu quarto pegar o celular e tinha uns áudios da minha amiga Nati: "Oi, minha framboesinha... hoje à noite a gente faz algo ou só no fim de semana?" "Outra coisa... seu ex me escreveu e perguntou por você, como você tava... não sei se quer que eu responda ou bloqueio... a primeira vez que esse idiota fala bem sem xingar..." "Qualquer coisa, escreve no grupo, amiga véia ou como o Rodri te chama, vovó Pami" Eu ri e respondi: "Olha, Laranjinha, ainda não sei o que a gente vai fazer à noite, porque meu pai com certeza vai nos levar pra jantar em algum lugar, então a gente se vê no fim de semana pra putaria. Sim, ele me escreveu, esse otário... mas já tá tudo bem. E sobre o Rodri... vou matar ele... me irrita ele me chamar assim" E ri. Fui trocar de roupa, enquanto lia de canto os outros mensagens e na minha rede social tinha um monte, até que vi uma do Barti: "Oi, gostosa. Feliz aniversário. Feliz 18 anos, minha salvadora. Ainda lembro como você era doce com seus cinco anos e imagino que ainda conserve essa ternura e compaixão por todo mundo que você ama. Te desejo muita felicidade e muito amor pra essa nova idade e também pra essa nova fase. Te mando um beijo grande. Barti" Deixei a mensagem aberta enquanto me trocava, vesti uma calça jeans e uma regata tipo camisola que dava pra deixar solta ou amarrar e deixar o umbigo de fora, calcei minhas sandálias de salto baixo, larguei o celular e fui pro banheiro. Quando saí, vi a porta do meu quarto fechada, pensei "Deve ser o Eze se trocando... e meu celular?" Bati de leve e abri, vi ele de costas e abaixado, esfregando o rosto com as mãos. Sentei perto e acariciei ele.
Eu: - Love... cê tá bem?
Eze: - Tô, tô... só um pouco cansado, mas tô bem, linda...
Eu: - Cê acha que eu tô com cara de quê?
Eze: - Como sempre... cê tá maravilhosa. Mas eu adoraria te ver melhor sem roupa nenhuma, sua cama bonita desarrumada e nós dois deitados... - eu sorri e fiquei vermelha - olha só, mocinha, se continuar baixando esse olhar, não vou ter outra escolha a não ser... - ele me pegou com as duas mãos e acariciou minhas bochechas, e com um dos dedos passou nos meus lábios, me olhando nos olhos, com aquele olhar penetrante e tão doce, fechei os olhos e senti os lábios dele nos meus enquanto me beijava devagar. Eu tentava me mexer mais, mas ele ia num ritmo calmo, e tentei sentar em cima dele.
- Não, não, linda... a gente tá pra sair e acho que não é certo... agora, ter intimidade...
Eu: - Uffff... me desculpa...
Eze: - Eu adoro quando cê fica assim... mas a gente podia passar essa noite juntos num hotel ou ir pra algum lugar mais bonito, só nós dois, sossegados...
Eu: - Siiim... adoraria. Cê sabe pra onde meu pai vai me levar?
Eze: - Tem umas coisas que ele me conta e outras que ele guarda pra si... e essa foi uma delas.
Eu: - Ufff... eu, minha mãe e minha irmã odiamos quando ele fica nessa de enigmático, mas depois a gente ama a escolha dele, só que ele nos deixa assim, ansiosas pra saber o que ele fez, pra onde a gente vai ou o que a gente vai fazer.
Eze: - Sabe de uma coisa, love? Cê tem que relaxar e aproveitar... não se apressa...
Eu: - Cê tem razão... e ainda tenho com o que me entreter assim, posso passar o tempo.
Eze: - Mmmmmm... mas a senhora sabe que Adoro muito ver você assim, feliz, tranquila, mas ao mesmo tempo adoro quando você fica louca e histérica... lembra daquela noite na praia, daquela vez que seu pai não atendia?
Eu: - Não me faz lembrar, você me disse que ele podia estar vendo putas...
Eze: - Ai, pelo amor de Deus... - caiu na gargalhada - aquela noite me divertiu ver sua cara com aquela mistura de sentimentos... você realmente acreditou que seu pai tinha ido ver pu...??
Eu: - Shhh - coloquei um dedo na boca dele - que minha mãe não fique sabendo.
Eze: - Pensei que você tinha comentado com ela em algum momento...
Eu: - Não, não, não... imagina, já teve briga demais entre eles por causa do ex dela, pra ainda somar mais uma coisa dessas...
Nisso, a porta do meu quarto bate, e meu pai entra.
Pai: - Coelhinho...
Eu: - Sim, pai... pode entrar... - Meu pai entrou com uma caixa média - uau... e isso?
Pai: - Passou um rapaz e me entregou isso. Deve ser daqueles cadetes ou mensageiros que fazem entregas, só disse que era um presente pra você.
Eze: - Que presente bonito que suas tias te deram...
Pai: - Não, não é das tias, quer dizer, minhas irmãs, elas vão te dar o presente delas hoje à noite.
Eze: - Então... de quem é?
Eu desembrulhava o presente toda animada, e o cartão caiu do lado do meu pai, e o Eze se abaixou pra pegar.
Pai: - Tinha um colega ou amigo da Fran que todo ano vinha e deixava um presente... sei lá, desde que ela tinha 10 anos ou antes... - dentro da caixa estava meu perfume favorito. Eu sorria toda empolgada.
Eu: - Ai, não acredito... me deram meu perfume... olha, sente o cheiro, amor... - passando um pouco no pulso.
Eze: - Quem te deu isso, sabe dos seus gostos, gostosa... - sorriu meio forçado.
Eu: - Só pode ter sido as meninas do instituto ou do hockey... juntaram e compraram pra mim.
Eze: - Aqui está o cartão, que caiu... aí você vai ver quem te mandou.
Enquanto eu lia o que estava escrito, meu rosto foi mudando de expressão de repente:
"Oi, garota divina, feliz aniversário! Consegui encontrar sua fragrância depois de perguntar pras suas amigas e procurar onde venderiam. Aproveita. Te amo" Eu: - Foram meus colegas da escola... Eze: - Ah, tá bom... - ele se levantou e foi pro banheiro, eu deixei o presente e esperei ele sair Quando saiu, vi que ele tava com o olhar baixo Eu: - O que foi, love? Eze: - Ah, nada... nada... é muito cansaço, mas fica tranquila... Nisso, meu pai se aproxima Pai: - Já estão prontos? Eu: - Sim, sim... o que achou de mim? Pai: - Tá linda como sempre... não é, Eze? Eze: - Sim... cê tá maravilhosa, love! Pai: - Bom... vamos, love, vamos, Guille... vocês já estão prontas? Mãe: - Sim, já vou Guille: - Já vou, pai... termino de guardar isso e saio Pai: - Deixa assim, Guille... depois você arruma quando voltar ou amanhã... Meu pai levou no carro dele minha mãe e minha irmã, e eu fui no meu com o Eze. Era a primeira vez no nosso namoro que a gente ficava em silêncio. Liguei o som e começou a tocar a mesma música do Elton John, e o Eze olhava mais pro lado. Quando vi que ele tava com uma cara diferente, parei no acostamento e liguei o pisca-alerta. Eu: - O que foi que aconteceu? Eze: - A verdade é que eu não te entendo, Fran... Eu: - Por que você tá falando isso? Eze: - Por que você tá mentindo pra mim, love? Por que não me conta a verdade de quem te deu esse perfume? Eu vi antes de pegar o cartão quem tinha te mandado... é o mesmo cara que você comeu? Eu: - Pra começar, eu não comi ele, só teve um pouco de sexo oral e nada mais... Eze: - Sabia que era ele... o mesmo da festa... o mesmo que te abraçou durante a dança... Eu: - Mas eu te amo, love... Eze: - O que você tem com ele? Eu: - Já te falei, com ele tenho uma amizade de muitos anos e nunca percebi as intenções dele ou o amor que ele sentia por mim, porque eu não olhava ao redor pra ver se alguém gostava de mim, já que os caras me enchia o saco quando tentavam se aproximar, eram chatos e irritantes... Eze: - Mas então você gosta dele ou não? Eu: - Eu só Eu quero ele e valorizo pra caralho porque ele é meu amigo, mas amor de verdade é só por você, Eze:
- Não me mente...
Eu:
- Não tô mentindo, amo só você, Eze, só você, meu amor... nunca estive apaixonada de verdade e com você tudo foi incrível...
Eze:
- Eu sempre te amei desde o primeiro minuto que te vi pela primeira vez, senti um amor imenso por você, mas talvez eu tenha me enganado... talvez eu tenha me confundido, te ver tão gostosa e sentir uma atração forte por você com querer você como namorada... não sei...
Eu:
- Então é algo confuso o que você sentiu por mim?
Eze:
- É disso que se trata o amor, mas você não sabia e talvez eu devesse ter te explicado e ensinado melhor...
Eu:
- Talvez se você tivesse sido um pouco meu professor do amor, eu teria prestado muito mais atenção em você
Eze:
- Você fantasia com um professor? Que perigosa você é...
Eu:
- E você me levou a isso... - eu ri
Eze:
- Eu não... só fui um homem carinhoso, atencioso e doce com você... mas você é algo indescritível em beleza, em saber e no seu coração
Eu:
- Por isso mesmo que te amo, você é o namorado que um dia sonhei, alguém doce e atencioso como meu pai é com minha mãe
Eze:
- Te amo, gostosa... amo só você... - ele me beijou devagar
A mão dele percorreu meus ombros e me arrepiei toda, aquela sensação que ele sempre me despertava ao me tocar
Quando a outra mão dele acariciava minha cintura, senti que a respiração dele mudou, parei de beijá-lo
Eu:
- Amor... não... vamos parar...
Eze:
- Uffff... desculpa... precisamos ir onde seu pai me falou
Eu:
- Você mentiu pra mim... disse que não sabia...
Eze:
- Seu pai confia muito em mim, eu sei muitas coisas que acontecem com ele, que nenhuma de vocês sabe...
Eu:
- Agora me conta...
Eze:
- Isso fica pra outra hora...
Seguimos caminho até chegar numa estrada de terra ou cascalho e dava pra ver vários carros perto de uma casa
Paramos ali, só reconheci o carro dos meus pais pelo adesivo de família que tinha na parte do porta-malas. Descemos, trancamos o carro. Eze pegou minha mão e fomos Caminhando pra lá, quando cheguei foi incrível porque todo mundo gritou junto: "Surpresa!" Fiquei chocada, porque estavam todos: minha família, meus pais, meus três avós, minhas duas tias, minha irmã, meus amigos da escola, do colégio e do hóquei. Recebi muitos parabéns, elogios e muito carinho de toda essa gente. Quando me aproximei dos meus pais, os dois estavam emocionados e me abraçaram juntos, e eu não aguentei tanta emoção e chorei nos braços deles. Eu: — Obrigada... obrigada por tudo isso... amo vocês. Mãe: — Você merece muito, meu amor... feliz aniversário, filha. Pai: — Ai, minha princesa... como eu te amo, minha parceira... como sua mãe disse, você merece isso e muito mais, minha gostosa... aproveita! Foram servindo comida fria numa mesa grande, todo mundo se aproximou e eu fui ver o que tinha, e do meu lado sentou o Ezequiel. Eze: — Parece o rodízio do Uruguai... Eu: — Nossa... sim... prepararam de tudo... Uiii... fizeram o vitel toné que eu tanto gosto. Eze: — Não lembro de ter provado... vai me dar um pouco do seu? Eu: — Claro... Fomos andando até as mesas e olhei ao redor, tava quase comendo quando vejo a Natali correndo na minha direção, levantei na hora. Eu: — Você também sabia disso? Nati: — Claro!! Sua mãe deu o OK pra gente convidar todos os seus amigos... Eu: — Vocês são as melhores... você e as meninas... Nati: — Não convidamos todos os seus namoradinhos porque senão... Eu: — Shhh... — bati no braço dela — a gente tava meio brigado por causa disso com o Eze. Nati: — Uai... o rebelde ficou ciumento... — a gente riu baixinho. Eu: — Para... não fala assim... — ela acenou de longe pro Eze. — Nati... quem é aquele casal do lado do meu pai? Nati: — Sei lá... nem ideia... devem ser amigos do seu pai ou algum organizador disso... Eu: — Ah, tá... vou cumprimentar. Quando me aproximei, meu pai ria animado com o casal. Pai: — Justo, coelhinho... lembra do Ricky? Eu: — Sim, sim... como ele tá? Ricardo: — Feliz aniversário, Fran... Pai: — E ela é a Silvia. A mulher do Ricky e mãe do seu namorado... Silvia:
- Que prazer estar aqui... feliz aniversário, Francesca...
Eu:
- É uma honra finalmente conhecer você... O Eze falou muito de você...
Silvia:
- Obrigada... o mesmo aconteceu com você. Não tem outro assunto na boca dele a não ser você. Dá pra ver que meu filho te ama... ah... e por algum lado minha filha se meteu. Ai Rick... você não viu a Amby?
Ricardo:
- Ela estava com a irmã dela... a mocinha que deu o WiFi...
Fran, é um grande prazer estar aqui.
Eu:
- Obrigada por virem, e o prazer é meu de finalmente conhecer a mãe do Eze.
Silvia:
- Obrigada... igualmente... digo o mesmo - enquanto pegava na minha mão, apertava e acariciava - lá vem o senhor de quem estávamos falando... - vinha o Ezequiel na nossa direção - Oi, filho...
Eze:
- Oi, Silvita... oi, Rick... - eles se cumprimentaram.
Silvia:
- A verdade é que você tinha razão, a Fran é uma graça...
Eu:
- Obrigada... vou continuar cumprimentando. Obrigada por virem e aproveitem...
Fui andando e vi que minhas amigas estavam na porta de entrada.
Eu:
- O que aconteceu?
Emma:
- Não, nada... nada...
Ingrid:
- Só estamos aqui porque aqui pega melhor o WiFi... e... - quando me virei, vi o Blas.
Eu:
- O que você tá fazendo aqui?
Blas:
- Feliz aniversário, gostosa...
Eu:
- Bom, obrigada... mas você não pode ficar aqui...
Blas:
- Por que não? Vim com o Lucas, o namorado da sua amiga...
Eu:
- Você não pode ficar aqui... o que você quer?
Blas:
- Só te ver... só estar no seu aniversário com meu amigo, te olhando...
Eu:
- Juro que se você fizer alguma merda, vai se arrepender...
Blas:
- Seu namorado tá aqui?
Eu:
- Claro que sim... meu namorado e a família toda dele...
Blas:
- Ah, olha só... então se comporta direitinho... porque você anda com outros pelas costas do seu uruguaio - ele se virou e foi pra mesa da comida.
Eu fiquei paralisada, muito assustada e pensei: "Será que o Blas me viu com o meu colega Rodrigo? Ai, meu Deus... tomara que ele não abra a boca..."
CONTINUA... (Falta um capítulo pro Final)
Blas: - Oi, minha linda Fran...
Eu: - Oi... oi... oi, Blas
Blas: - Feliz aniversário...
Eu: - Ah... obrigada...
- Ele chegou mais perto de mim, querendo me dar um beijo
- Não, não... obrigada pelo seu parabéns, mas prefiro só de palavra
Blas: - Olha, Frambu... a gente nunca teve aquela conversa pendente sobre por que terminamos, por que você não quis mais ficar comigo... e acho que chegou a hora da gente conversar, nós dois...
Eu: - Agora não, nesse momento nem hoje, não... outro dia a gente conversa... te prometo
Blas: - Tá bom... e... pena não saber que ia te ver, senão trazia um presente pra você...
Eu: - Não, Blas... não precisa... sério... obrigada
Blas: - Bom... você veio com seus pais almoçar??
Eu: - Não, não... tô com minhas amigas
Blas: - E seu rebelde? Deixou ele na mão?
Eu: - Isso não é da sua conta onde ou com quem ele tá...
Blas: - Não fica brava, linda... achei que ele tava aqui com você
Eu: - Obrigada pelo parabéns, mas eu vim no banheiro e já tô demorando demais...
Blas: - Ok... se diverte aí
Eu: - Obrigada...
Fui pro banheiro e tava com uma cara muito pálida quando me olhei no espelho. Me sentia estranha. Muito tonta, muito nervosa. Quando saí, o Blas ainda tava me esperando e, ao me ver naquele estado:
Blas: - Frambu... Fran... não tô te vendo bem... precisa de alguma coisa?
Eu: - Preciso que você vá embora e me deixe em paz...
Blas: - Não, não vou te deixar, tua cara tá muito pálida, cadê suas amigas? Deixa eu ir chamar elas...
Só apontei e ele foi pra mesa, e eu fiquei tapando o rosto.
Quando descobri o rosto, vejo a Emma, a Natali e, do lado delas, o Blas.
Emma: - Fran... Fran... o que aconteceu com você?
Nati: - Frambu... gata, você tá bem?? Mas o que Caralho, o que você fez com o Blas?? — disse num tom irritado.
Blas: — Para... calma aí, que eu só cumprimentei ela...
Nati: — Vamos, Fran... vamos pra nossa mesa com cuidado... você consegue andar sozinha, Frambu?
Eu: — Sim... sim, acho que sim...
Blas: — Eyyy... me avisa como sua amiga tá depois...
Nati: — Sim, sim, sim...
As duas me pegaram pelo braço e a gente foi andando devagar. Chegamos na nossa mesa, e quando as outras me viram, ficaram preocupadas.
Rosário: — Ai, meu Deus, Fran... o que aconteceu com você?
Nati: — Shhhhh... calma, meninas...
Emma: — Mas olha a cor do rosto dela, tá muito pálida... será que a gente devia ligar pros pais dela?
Jasmim: — Fica tranquila, Fran... o que houve? Você esbarrou naquele insuportável?
Eu: — Sim... sim — enquanto bebia água — mas ele só me cumprimentou, o Blas. O que eu não entendo é por que me afetou tanto vê-lo.
Nati: — E você tá muito sobrecarregada, digamos assim: foi nossa festa, nossa formatura, seu aniversário, a visita do seu namorado, o presente que te deram... tudo pode te afetar, garota.
Eu: — Mas são tudo coisas boas...
Ingrid: — Mesmo sendo coisas boas, às vezes pode te pegar... talvez seu corpo, com essa vida corrida de tanto estudo, viagens, reuniões com seu pai, saídas com a gente e o colégio, pode ter te afetado.
Eu: — Ahhhh... já tô me sentindo melhor... e o Blas?
Nati: — Eu mandei ele embora... falei pra ele vazar, achei que o idiota tinha passado dos limites com você.
Eu: — Não, não... ele só me cumprimentou, e não sei por que, quando vi ele, passei mal.
Jasmim: — Já foi, Fran... fica tranquila, garota... vamos pedir alguma coisa gostosa pra comer?
Já bem mais relaxadas, escolhemos algo do cardápio. Fizemos o pedido pro garçom enquanto conversávamos sobre nossa viagem pro Chile pra fazer as compras.
Depois de almoçar, já eram mais de duas da tarde porque a gente tinha ficado batendo papo e rido de tudo que a gente fez no Brasil e no colégio.
Saímos de lá e levei cada uma pra casa. No caminho pra minha, ouvi meu celular. Quando vi a mensagem, era do Blas:
"Oi, Frambuesita, espero que você esteja melhor. melhor. Fiquei preocupado. Depois ficou aquela nossa conversa pendente. Te mando um beijo. Se cuida, gostosa!" E eu respondi "Oi Blas, sim, tô melhor. Depois vejo que dia posso te ver e a gente conversa. Valeu por se preocupar, mas sendo sincera, você foi tão filho da puta comigo em outras vezes, que agora me surpreende você ser assim..." E saí andando pra minha casa. Quando cheguei, só vi o carro da minha mãe. Entrei em casa e cumprimentei em voz alta. Eu: - Oi... tem alguém em casa? Minha mãe veio da cozinha, secando as mãos. Mãe: - Oi Fran, filha... como você tá? Eu: - Bem... bem. E o pai? O Eze? Mãe: - Seu pai levou o Eze, saíram sem me falar pra onde iam... Eu: - Ok... Mãe: - E aí? Como foi com suas amigas? Eu: - Foi, foi tudo bem... organizando pra ir pro Chile fazer compras e, bom... a gente falou de tudo... Mãe: - Que bom... que sorte... Eu: - Vou aproveitar pra tomar um banho já que não tem tanta gente, caso o Ezequiel volte, sabe? Mãe: - Tá bem, love... Fui tomar banho e aproveitar pra fazer o tratamento pra deixar meu cabelo mais liso e macio. Quando saí do banho, indo pro meu quarto, ouvi minha mãe falando no celular: "De novo a mesma merda com você. Já te falei que não queria que você nos procurasse mais, sério, já não sei como fazer você entender que não te queremos nas nossas vidas, nem eu nem minhas filhas... não precisamos de você. Por favor, você é muito chato, Gaston... já me deixa em paz... se meu marido te bateu, tomara que faça de novo... isso aí, assim você fica no seu lugar... sim, sim, sim... tchau Gaston... não, não, já te falei que a gente tá muito bem... tchau..." E desligou bem irritada, dava pra ouvir ela falando baixinho, tipo xingando. Eu fui pro meu quarto e nisso ouvi meu pai chegando com minha irmã e meu namorado. Pai: - Oi... tem alguém? Mãe: - Sim, tô aqui - minha mãe saiu do quarto - como foi? Guille: - Mãe, nem sabe que lindo... tá maravilhoso o que o pai escolheu... Eze: - Desculpa, e a Fran? Sabem se ela ainda tá com as amigas? Papai: - É, com certeza... mas melhor assim, você vem comigo porque preciso que a gente resolva uns papéis, né... O que acha, Eze querido?
Eze: - Sim, sim, Dom Martin... - eles foram de novo pro escritório e minha mãe com minha irmã pra cozinha. Eu fiquei no meu quarto lendo as mensagens novas que chegavam. Tinha os áudios das minhas tias e das minhas amigas do hóquei, até com fotos com dedicatória nas redes delas. Ainda não tinha visto minha rede social e com certeza também ia receber parabéns por lá. Respondi todo mundo enquanto me secava e chegou uma mensagem nova com várias fotos numa colagem: "Hoje é o aniversário da minha grande amiga, minha escolta, minha girl divina e a mais gostosa. Mesmo que o namorado fique com ciúmes, eu vou falar mesmo que essa girl é a mais linda porque eu conheço ela desde criança e foi meu love secreto. Te adoro, girl... feliz 18 anos, vovó, minha velhinha do Pami. PS: precisa que eu te acompanhe pra sacar sua nova idade?" Eu sorri pra caramba, percebendo que era uma mensagem do Rodrigo "Valeu, bobão... ainda bem que é uma mensagem pessoal, senão... eu morria se você postasse uma coisa dessas na minha rede social... sabe que te amo muito" Me troquei e fui pra sala, me sentei no sofá feito uma chininha com meu celular e escrevi pro Eze "Oi, meu love... acho que não volto cedo porque com minhas amigas vamos pra Mendoza. Te amo muito" E sorri. Quase na hora ele respondeu "Ah, não me diga... bom, minha linda, assim que você voltar não vou me afastar de você. Passar o tempo todo juntos. Te amo" E eu me acomodei deitada no sofá de barriga pra cima com um pé em cima do joelho "Mas não se preocupa, sei que vai ficar entretido com meu pai e a parada de trabalho e preencher papéis. Fala pro papai que: Franpa épetapa empe capasapa!" E sorri de novo. Meu celular tocou e era o Eze, eu cortei e ele escreveu "Sai dessa, mentirosa... sei falar em jeringoso, mimi apamapadapa nopovipiapa" Eu ri pra caramba e vi ele vindo na minha direção
Eze: - Achou que eu não ia te entender! Ele me deu um beijo suave nos lábios e sorriu pra mim.
Eu: — Achei que você não sabia... com meu pai às vezes a gente brinca assim...
Eze: — Eu brincava com meus irmãos quando era pequeno, pra falar em código quando meus pais ou outros parentes estavam por perto. Como foi?
— Ele sentou do meu lado e acariciou minha bochecha.
Eu: — Foi bem, sorte... a gente comeu, conversou sobre tudo e organizou uma viagem.
Eze: — Que viagem? Pra onde vocês vão?
Eu: — Com as meninas, a gente queria ir fazer compras no Chile, nuns shoppings de lá. Porque faz uns dois anos que fui com minha mãe e minha irmã, e a verdade é que têm umas coisas lindas de marca e muito mais baratas que aqui. Contei pras minhas amigas e a gente ia passear e comprar...
Eze: — E quando vai ser a viagem?
Eu: — Ainda não sei, porque a gente precisa alugar uma kombi ou uma van que caibam mais de 6 pessoas.
Eze: — Ah, é? E de última... hmm... bom, a gente procura, te ajudo a procurar...
Eu: — Sério mesmo que você faria isso por mim?
Eze: — Claro, meu amor... vou te ajudar. É que meus pais têm uma van, senão eu adoraria levar você e suas amigas pra onde você mandar...
Eu: — Te amo...
— Me joguei em cima dele e ele me abraçou forte na hora, enquanto acariciava devagar meu rosto e me prendia nos braços, eu fiquei deitada no peito dele. Ele se recostou mais no sofá pra ficar mais confortável e me ajeitou mais pro lado dele, com o braço levantou minhas pernas e colocou tudo de um lado só, me mexendo e eu rindo.
Eu: — Ai não, assim não, amor... pareço um bebê...
— Meu pai vinha vindo na nossa direção e sorriu ao me ver assim.
Pai: — Uau... é incrível ver minha princesa crescidona assim posicionada...
Eze: — Espero não estar incomodando, Martin... mas é que essa menina me deixou muito apaixonado e adoro fazer ela rir e brincar com ela, quer dizer, o senhor já sabe, no bom sentido, chamar ela de pequenininha.
Pai: — Sim, sim... te entendo, querido... é que, mesmo que você não acredite, uma noite enquanto estávamos lá em Punta del Este, eu a tive assim, nos meus braços e nas minhas pernas, balançando ela e dizendo o que eu dizia quando ela era criança.
— Meu pai sentou no mesmo sofá. Onde a gente tava? Eu: - Você tava me dizendo "te amo tanto, minha bebê linda" e me perguntava quem era a bebê mais linda do mundo? E eu respondia que era eu... Papai: - Sim, meu amor, lembro... minha menina mais linda - ele acariciou minha bochecha e sorriu emocionado, enquanto Eze beijava devagar minhas bochechas. Meu pai levantou e foi pra cozinha com minha mãe. Prepararam o lanche, dessa vez como o Ezequiel estava lá e ele tinha me pedido pra tomar mate, preparei a cuia que minhas tias e meu nonno me deram há uns anos. Merendamos todos juntos, embora meu pai tenha tomado o café dele com cachaça e o Guille o leite morno sem nada. Minha mãe acompanhou a gente com os mates que eu tinha preparado pro Eze, junto com o bolo que minha mãe e minha irmã tinham feito mais cedo. Quando terminamos, Eze ajudou a levantar tudo, eu fui pro meu quarto pegar o celular e tinha uns áudios da minha amiga Nati: "Oi, minha framboesinha... hoje à noite a gente faz algo ou só no fim de semana?" "Outra coisa... seu ex me escreveu e perguntou por você, como você tava... não sei se quer que eu responda ou bloqueio... a primeira vez que esse idiota fala bem sem xingar..." "Qualquer coisa, escreve no grupo, amiga véia ou como o Rodri te chama, vovó Pami" Eu ri e respondi: "Olha, Laranjinha, ainda não sei o que a gente vai fazer à noite, porque meu pai com certeza vai nos levar pra jantar em algum lugar, então a gente se vê no fim de semana pra putaria. Sim, ele me escreveu, esse otário... mas já tá tudo bem. E sobre o Rodri... vou matar ele... me irrita ele me chamar assim" E ri. Fui trocar de roupa, enquanto lia de canto os outros mensagens e na minha rede social tinha um monte, até que vi uma do Barti: "Oi, gostosa. Feliz aniversário. Feliz 18 anos, minha salvadora. Ainda lembro como você era doce com seus cinco anos e imagino que ainda conserve essa ternura e compaixão por todo mundo que você ama. Te desejo muita felicidade e muito amor pra essa nova idade e também pra essa nova fase. Te mando um beijo grande. Barti" Deixei a mensagem aberta enquanto me trocava, vesti uma calça jeans e uma regata tipo camisola que dava pra deixar solta ou amarrar e deixar o umbigo de fora, calcei minhas sandálias de salto baixo, larguei o celular e fui pro banheiro. Quando saí, vi a porta do meu quarto fechada, pensei "Deve ser o Eze se trocando... e meu celular?" Bati de leve e abri, vi ele de costas e abaixado, esfregando o rosto com as mãos. Sentei perto e acariciei ele.
Eu: - Love... cê tá bem?
Eze: - Tô, tô... só um pouco cansado, mas tô bem, linda...
Eu: - Cê acha que eu tô com cara de quê?
Eze: - Como sempre... cê tá maravilhosa. Mas eu adoraria te ver melhor sem roupa nenhuma, sua cama bonita desarrumada e nós dois deitados... - eu sorri e fiquei vermelha - olha só, mocinha, se continuar baixando esse olhar, não vou ter outra escolha a não ser... - ele me pegou com as duas mãos e acariciou minhas bochechas, e com um dos dedos passou nos meus lábios, me olhando nos olhos, com aquele olhar penetrante e tão doce, fechei os olhos e senti os lábios dele nos meus enquanto me beijava devagar. Eu tentava me mexer mais, mas ele ia num ritmo calmo, e tentei sentar em cima dele.
- Não, não, linda... a gente tá pra sair e acho que não é certo... agora, ter intimidade...
Eu: - Uffff... me desculpa...
Eze: - Eu adoro quando cê fica assim... mas a gente podia passar essa noite juntos num hotel ou ir pra algum lugar mais bonito, só nós dois, sossegados...
Eu: - Siiim... adoraria. Cê sabe pra onde meu pai vai me levar?
Eze: - Tem umas coisas que ele me conta e outras que ele guarda pra si... e essa foi uma delas.
Eu: - Ufff... eu, minha mãe e minha irmã odiamos quando ele fica nessa de enigmático, mas depois a gente ama a escolha dele, só que ele nos deixa assim, ansiosas pra saber o que ele fez, pra onde a gente vai ou o que a gente vai fazer.
Eze: - Sabe de uma coisa, love? Cê tem que relaxar e aproveitar... não se apressa...
Eu: - Cê tem razão... e ainda tenho com o que me entreter assim, posso passar o tempo.
Eze: - Mmmmmm... mas a senhora sabe que Adoro muito ver você assim, feliz, tranquila, mas ao mesmo tempo adoro quando você fica louca e histérica... lembra daquela noite na praia, daquela vez que seu pai não atendia?
Eu: - Não me faz lembrar, você me disse que ele podia estar vendo putas...
Eze: - Ai, pelo amor de Deus... - caiu na gargalhada - aquela noite me divertiu ver sua cara com aquela mistura de sentimentos... você realmente acreditou que seu pai tinha ido ver pu...??
Eu: - Shhh - coloquei um dedo na boca dele - que minha mãe não fique sabendo.
Eze: - Pensei que você tinha comentado com ela em algum momento...
Eu: - Não, não, não... imagina, já teve briga demais entre eles por causa do ex dela, pra ainda somar mais uma coisa dessas...
Nisso, a porta do meu quarto bate, e meu pai entra.
Pai: - Coelhinho...
Eu: - Sim, pai... pode entrar... - Meu pai entrou com uma caixa média - uau... e isso?
Pai: - Passou um rapaz e me entregou isso. Deve ser daqueles cadetes ou mensageiros que fazem entregas, só disse que era um presente pra você.
Eze: - Que presente bonito que suas tias te deram...
Pai: - Não, não é das tias, quer dizer, minhas irmãs, elas vão te dar o presente delas hoje à noite.
Eze: - Então... de quem é?
Eu desembrulhava o presente toda animada, e o cartão caiu do lado do meu pai, e o Eze se abaixou pra pegar.
Pai: - Tinha um colega ou amigo da Fran que todo ano vinha e deixava um presente... sei lá, desde que ela tinha 10 anos ou antes... - dentro da caixa estava meu perfume favorito. Eu sorria toda empolgada.
Eu: - Ai, não acredito... me deram meu perfume... olha, sente o cheiro, amor... - passando um pouco no pulso.
Eze: - Quem te deu isso, sabe dos seus gostos, gostosa... - sorriu meio forçado.
Eu: - Só pode ter sido as meninas do instituto ou do hockey... juntaram e compraram pra mim.
Eze: - Aqui está o cartão, que caiu... aí você vai ver quem te mandou.
Enquanto eu lia o que estava escrito, meu rosto foi mudando de expressão de repente:
"Oi, garota divina, feliz aniversário! Consegui encontrar sua fragrância depois de perguntar pras suas amigas e procurar onde venderiam. Aproveita. Te amo" Eu: - Foram meus colegas da escola... Eze: - Ah, tá bom... - ele se levantou e foi pro banheiro, eu deixei o presente e esperei ele sair Quando saiu, vi que ele tava com o olhar baixo Eu: - O que foi, love? Eze: - Ah, nada... nada... é muito cansaço, mas fica tranquila... Nisso, meu pai se aproxima Pai: - Já estão prontos? Eu: - Sim, sim... o que achou de mim? Pai: - Tá linda como sempre... não é, Eze? Eze: - Sim... cê tá maravilhosa, love! Pai: - Bom... vamos, love, vamos, Guille... vocês já estão prontas? Mãe: - Sim, já vou Guille: - Já vou, pai... termino de guardar isso e saio Pai: - Deixa assim, Guille... depois você arruma quando voltar ou amanhã... Meu pai levou no carro dele minha mãe e minha irmã, e eu fui no meu com o Eze. Era a primeira vez no nosso namoro que a gente ficava em silêncio. Liguei o som e começou a tocar a mesma música do Elton John, e o Eze olhava mais pro lado. Quando vi que ele tava com uma cara diferente, parei no acostamento e liguei o pisca-alerta. Eu: - O que foi que aconteceu? Eze: - A verdade é que eu não te entendo, Fran... Eu: - Por que você tá falando isso? Eze: - Por que você tá mentindo pra mim, love? Por que não me conta a verdade de quem te deu esse perfume? Eu vi antes de pegar o cartão quem tinha te mandado... é o mesmo cara que você comeu? Eu: - Pra começar, eu não comi ele, só teve um pouco de sexo oral e nada mais... Eze: - Sabia que era ele... o mesmo da festa... o mesmo que te abraçou durante a dança... Eu: - Mas eu te amo, love... Eze: - O que você tem com ele? Eu: - Já te falei, com ele tenho uma amizade de muitos anos e nunca percebi as intenções dele ou o amor que ele sentia por mim, porque eu não olhava ao redor pra ver se alguém gostava de mim, já que os caras me enchia o saco quando tentavam se aproximar, eram chatos e irritantes... Eze: - Mas então você gosta dele ou não? Eu: - Eu só Eu quero ele e valorizo pra caralho porque ele é meu amigo, mas amor de verdade é só por você, Eze:
- Não me mente...
Eu:
- Não tô mentindo, amo só você, Eze, só você, meu amor... nunca estive apaixonada de verdade e com você tudo foi incrível...
Eze:
- Eu sempre te amei desde o primeiro minuto que te vi pela primeira vez, senti um amor imenso por você, mas talvez eu tenha me enganado... talvez eu tenha me confundido, te ver tão gostosa e sentir uma atração forte por você com querer você como namorada... não sei...
Eu:
- Então é algo confuso o que você sentiu por mim?
Eze:
- É disso que se trata o amor, mas você não sabia e talvez eu devesse ter te explicado e ensinado melhor...
Eu:
- Talvez se você tivesse sido um pouco meu professor do amor, eu teria prestado muito mais atenção em você
Eze:
- Você fantasia com um professor? Que perigosa você é...
Eu:
- E você me levou a isso... - eu ri
Eze:
- Eu não... só fui um homem carinhoso, atencioso e doce com você... mas você é algo indescritível em beleza, em saber e no seu coração
Eu:
- Por isso mesmo que te amo, você é o namorado que um dia sonhei, alguém doce e atencioso como meu pai é com minha mãe
Eze:
- Te amo, gostosa... amo só você... - ele me beijou devagar
A mão dele percorreu meus ombros e me arrepiei toda, aquela sensação que ele sempre me despertava ao me tocar
Quando a outra mão dele acariciava minha cintura, senti que a respiração dele mudou, parei de beijá-lo
Eu:
- Amor... não... vamos parar...
Eze:
- Uffff... desculpa... precisamos ir onde seu pai me falou
Eu:
- Você mentiu pra mim... disse que não sabia...
Eze:
- Seu pai confia muito em mim, eu sei muitas coisas que acontecem com ele, que nenhuma de vocês sabe...
Eu:
- Agora me conta...
Eze:
- Isso fica pra outra hora...
Seguimos caminho até chegar numa estrada de terra ou cascalho e dava pra ver vários carros perto de uma casa
Paramos ali, só reconheci o carro dos meus pais pelo adesivo de família que tinha na parte do porta-malas. Descemos, trancamos o carro. Eze pegou minha mão e fomos Caminhando pra lá, quando cheguei foi incrível porque todo mundo gritou junto: "Surpresa!" Fiquei chocada, porque estavam todos: minha família, meus pais, meus três avós, minhas duas tias, minha irmã, meus amigos da escola, do colégio e do hóquei. Recebi muitos parabéns, elogios e muito carinho de toda essa gente. Quando me aproximei dos meus pais, os dois estavam emocionados e me abraçaram juntos, e eu não aguentei tanta emoção e chorei nos braços deles. Eu: — Obrigada... obrigada por tudo isso... amo vocês. Mãe: — Você merece muito, meu amor... feliz aniversário, filha. Pai: — Ai, minha princesa... como eu te amo, minha parceira... como sua mãe disse, você merece isso e muito mais, minha gostosa... aproveita! Foram servindo comida fria numa mesa grande, todo mundo se aproximou e eu fui ver o que tinha, e do meu lado sentou o Ezequiel. Eze: — Parece o rodízio do Uruguai... Eu: — Nossa... sim... prepararam de tudo... Uiii... fizeram o vitel toné que eu tanto gosto. Eze: — Não lembro de ter provado... vai me dar um pouco do seu? Eu: — Claro... Fomos andando até as mesas e olhei ao redor, tava quase comendo quando vejo a Natali correndo na minha direção, levantei na hora. Eu: — Você também sabia disso? Nati: — Claro!! Sua mãe deu o OK pra gente convidar todos os seus amigos... Eu: — Vocês são as melhores... você e as meninas... Nati: — Não convidamos todos os seus namoradinhos porque senão... Eu: — Shhh... — bati no braço dela — a gente tava meio brigado por causa disso com o Eze. Nati: — Uai... o rebelde ficou ciumento... — a gente riu baixinho. Eu: — Para... não fala assim... — ela acenou de longe pro Eze. — Nati... quem é aquele casal do lado do meu pai? Nati: — Sei lá... nem ideia... devem ser amigos do seu pai ou algum organizador disso... Eu: — Ah, tá... vou cumprimentar. Quando me aproximei, meu pai ria animado com o casal. Pai: — Justo, coelhinho... lembra do Ricky? Eu: — Sim, sim... como ele tá? Ricardo: — Feliz aniversário, Fran... Pai: — E ela é a Silvia. A mulher do Ricky e mãe do seu namorado... Silvia:
- Que prazer estar aqui... feliz aniversário, Francesca...
Eu:
- É uma honra finalmente conhecer você... O Eze falou muito de você...
Silvia:
- Obrigada... o mesmo aconteceu com você. Não tem outro assunto na boca dele a não ser você. Dá pra ver que meu filho te ama... ah... e por algum lado minha filha se meteu. Ai Rick... você não viu a Amby?
Ricardo:
- Ela estava com a irmã dela... a mocinha que deu o WiFi...
Fran, é um grande prazer estar aqui.
Eu:
- Obrigada por virem, e o prazer é meu de finalmente conhecer a mãe do Eze.
Silvia:
- Obrigada... igualmente... digo o mesmo - enquanto pegava na minha mão, apertava e acariciava - lá vem o senhor de quem estávamos falando... - vinha o Ezequiel na nossa direção - Oi, filho...
Eze:
- Oi, Silvita... oi, Rick... - eles se cumprimentaram.
Silvia:
- A verdade é que você tinha razão, a Fran é uma graça...
Eu:
- Obrigada... vou continuar cumprimentando. Obrigada por virem e aproveitem...
Fui andando e vi que minhas amigas estavam na porta de entrada.
Eu:
- O que aconteceu?
Emma:
- Não, nada... nada...
Ingrid:
- Só estamos aqui porque aqui pega melhor o WiFi... e... - quando me virei, vi o Blas.
Eu:
- O que você tá fazendo aqui?
Blas:
- Feliz aniversário, gostosa...
Eu:
- Bom, obrigada... mas você não pode ficar aqui...
Blas:
- Por que não? Vim com o Lucas, o namorado da sua amiga...
Eu:
- Você não pode ficar aqui... o que você quer?
Blas:
- Só te ver... só estar no seu aniversário com meu amigo, te olhando...
Eu:
- Juro que se você fizer alguma merda, vai se arrepender...
Blas:
- Seu namorado tá aqui?
Eu:
- Claro que sim... meu namorado e a família toda dele...
Blas:
- Ah, olha só... então se comporta direitinho... porque você anda com outros pelas costas do seu uruguaio - ele se virou e foi pra mesa da comida.
Eu fiquei paralisada, muito assustada e pensei: "Será que o Blas me viu com o meu colega Rodrigo? Ai, meu Deus... tomara que ele não abra a boca..."
CONTINUA... (Falta um capítulo pro Final)
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