Durante o trajeto de volta do trampo pra casa, eu não conseguia parar de pensar e repensar. O que eu tinha visto pelas câmeras à tarde foi chocante, mas tenho que admitir que uma parte de mim já esperava. Talvez não daquele jeito que aconteceu, talvez não tão cedo, mas uma parte de mim sabia. Enquanto o ônibus andava e balançava, eu bolava o plano de como contar tudo pra Sara, de um jeito que abalasse ela de uma vez e fizesse ela largar essa atitude permissiva de merda que ela tinha com tudo.
Mas teve uma coisa, bem lá no fundo da minha cabeça, que me chamava estranhamente a atenção em tudo isso. Replayando na minha mente todas as cenas do que vi e tudo que ouvi, tinha algo muito estranho. Algo que não se encaixava direito, tipo uma peça no quebra-cabeça que estranhamente sobrava ou faltava.
Micaela tinha dito pro Armando (e eu ouvi isso claramente) que tinha ligado pra ele pra contar o que a mãe falou. Que ela disse que "tava tudo bem". O que significava aquilo? Queria dizer que a Sara tinha falado pra Mica que "tava tudo bem" e "se cuida"? Eu não sabia da conversa que mãe e filha tinham tido de manhã, mas tinha certeza de que eu não tinha toda a informação do que tava rolando.
Quanto mais eu me aproximava de casa, mais essa dúvida me apertava, a ponto de finalmente me dissuadir do plano que eu tinha de confrontar a Sara. Tinha algo que me faltava em tudo isso e eu não queria ficar em desvantagem na possível discussão que ia ter com minha mina. Decidi, no fim, levar as coisas na calma, contar pra Sara, sim, mas não me apressar e ver como tudo se desenrolava.
Quando cheguei, a Sara já tava cozinhando e a Mica trancada no quarto dela, de onde só saiu pra comer, ficar um tempo com a gente e voltar a dormir, já que tinha ficado tarde. Notei ela de muito bom humor. Não tanto comigo, o tratamento dela foi normal, mas tava de muito bom humor com a Sara. Depois de comer, fiz um café em silêncio, a Sara acendeu o baseado dela de toda noite e a gente sentou. conversar na cozinha, baixinho pra não acordar a Mica.
“Então, love, tenho que te contar o que rolou hoje com a Mica…”, comecei, mas ela me interrompeu.
“É, já sei.”, falou só, olhando meio vago pra fumaça que o baseado soltava.
“Já sabe o quê?”
“A Mica já me contou o que aconteceu. Ela já me falou tudo.”
“Quê? Sério?”, respondi surpreso.
“Claro, Marcos. Você sabe que a gente conta tudo uma pra outra. A gente não tem segredos entre nós.”, respondeu com um tom de arrogância.
“E aí? Então?”
“Então o quê?”
Franzi a testa na hora, “Como assim ‘então o quê’, Sara? Então o que a gente vai fazer?”
Ela suspirou e balançou a cabeça com uma careta, “Lá vem com o ‘vamos fazer’. O que a gente vai fazer. A gente não vai fazer nada, Marcos, já te expliquei. No máximo, quem teria que fazer algo sou eu, que sou a mãe.”
“Claro, então eu sou de vidro, invisível.”, respondi de mal jeito.
“Ufa, para com isso…” protestou e deu mais uma tragada funda no baseado, “Nunca falei que você é invisível, mas você não tem que fazer nada porque não é da sua conta. É a vida da Mica que tá aprendendo a se desenvolver do jeito que ela quiser, que é o melhor que dá pra fazer.”
“Você porque não viu o que eu vi”, respondi de novo puto, tentando não levantar a voz.
Sara me olhou um tempo antes de responder, “Você não tá obcecado, tá?”
Me virei e encarei ela, “O que você disse?”
“Isso mesmo que eu disse. Obcecado. Marcos, olha, eu vejo pais e mães o tempo todo no consultório, mas te juro que nunca encontrei nem o pai mais fechado e repressor das filhas tão, mas tão interessado na vida sexual delas como eu vejo você. E a Mica nem é sua filha.”, respondeu. Quase me fez ferver o sangue.
“Escuta aqui, que porra você tá insinuando?”, cuspi com raiva, “E que porra você falou pra Mica hoje de manhã quando vocês conversaram?”
Sara resmungou baixinho e deu outra tragada no baseado, “Ufa… não tô insinuando nada, love, foi só uma observação…”
“Uma observação de merda, nem si” “Não se preocupa”, cortei.
“… bom, tá. E o que eu falei pra Mica de manhã é entre nós.”
“Fala sério, vacilona!”, rosnei, já tava perdendo a paciência.
“Marcos…”, ela começou. Mas eu cortei.
“Me diz o que você falou pra Mica!”
“É entre nós, Marcos! Dá um tempo!”, ela se defendeu, “Tem coisas entre mãe e filha que têm que ficar nesse nível de intimidade. Que importância tem o que eu falei?”
“Quero saber o que você falou porque ontem à noite a gente teve essa mesma discussão. Você me prometeu que ia conversar com ela pra ajudar a entender o que rolou com o Armando aqui na cozinha, ajudar a entender e parar a parada se precisasse…”, comecei a me soltar, “E de repente em dois dias a gente passou de uma chupada de pau pro preto daquele filho da puta meter nela na própria cama!”
Sara se assustou, “Mas dá um tempo, Marcos! Que porra é essa, cara?!”
“Me diz que merda você falou pra ela!”, insisti.
Finalmente, depois de umas secas, ela contou. Disse que conversaram, que Mica contou o que tinha feito com o Armando na cozinha naquela tarde, que no começo ficou com um pouco de medo, mas depois gostou pra caralho e se sentiu muito excitada com o Armando. Sara disse que entendia ela e que os sentimentos dela eram normais e saudáveis. Que não sentisse culpa por sentir atração sexual, já que tava na idade em que esses sentimentos iam começar a brotar naturalmente. Que era tudo parte de crescer e se tornar mulher.
Também disse que talvez o Armando não fosse a pessoa ideal, que o ideal seria algo mais normal, um começo de relacionamento com algum garoto ou garota da idade dela. Isso era o natural, mas que às vezes essas coisas acontecem, como tinha acontecido com ela no passado, e que às vezes a gente tem que pegar o que a vida dá, não o ideal. Disse também que o Armando precisava ser compreendido e não julgado, que era uma pessoa mais velha, que cresceu num ambiente e numa época muito machista e que às vezes ele ia ter atitudes muito dominantes e fortes com ela. mas contanto que essas atitudes agradem ele, que ele trate ela bem e não machuque, não tinha nada de errado em princípio. Explicou que homens como o Armando precisam ser compreendidos e tratados com paciência, mas que não eram pessoas ruins por natureza.
Eu estava explodindo de raiva ouvindo tudo aquilo. Sentia as veias pulsando na testa enquanto a Sara me contava tudo o que ela tinha dito, mas o pior ela guardou pro final.
Sara contou que finalmente disse pra Mica se cuidar, que ela era uma garota inteligente e sabia quando uma situação era ruim, que sabia reconhecer essas situações. Também perguntou pra Mica como ela se sentia com o que tinha rolado na cozinha, e como ela imaginava que podia continuar, se era algo que a Mica queria que seguisse ou foi uma coisa de uma vez só. Mica disse que se sentiu bem, que gostou muito de satisfazer o Armando daquele jeito, que ele a excitou com coisas que ela nunca tinha sentido antes e que, se rolasse, queria continuar. Sara disse que tudo bem, mas se a coisa continuasse e ficasse mais intensa, que ela se cuidasse e deu um blister de anticoncepcionais que a Sara usava. Disse pra ela começar a tomar, só por precaução. Finalmente, me disse que se abraçaram sorrindo, que tiveram uma conversa excelente na opinião dela, e aí acabou.
Também me disse que hoje à tarde, quando a Sara chegou em casa, depois da visita do Armando hoje no quarto dela, foi a própria Mica que, muito excitada e muito alegre, sentou com ela e contou tudo o que rolou com o Armando, e que estava muito feliz com o que aconteceu. Sara perguntou se o Armando tinha tratado ela bem, se não tinha machucado ela além da dor natural da primeira penetração, e foi aí que a Mica contou tudo, aparentemente com todos os detalhes. Sara e Mica se abraçaram, disseram que se amavam muito e, depois de lembrar novamente a Mica de sempre ter cuidado, Sara disse que estava muito feliz que a Mica tinha aproveitado tanto.
Eu estava cobrindo a Cara, com as mãos cheias de raiva e ódio depois de ouvir tudo isso. Finalmente explodi.
“Mas vai tomar no cu, Sara! Sua puta que te pariu!”
“Marcos!”
“Você é uma idiota!”, cuspi com raiva, “Não acredito!”
Sara também explodiu e a gente começou a gritar, “Seu cuzão! Qual é o seu problema, estúpido?! Você não entende nada, imbecil!”
“Comeram a sua filha, sua burra! Um velho de merda comeu a sua filha de 14 anos, sua retardada! Acorda!”
“Machista de merda!”, ela rebateu, “Não comeram a Mica! Os dois transaram! A gente não é propriedade de ninguém pra fazerem coisas com a gente! Os dois quiseram, seu estúpido! Que, porque a Mica é mulher não pode sentir prazer e escolher? Cuzão!”
Não sei se acordamos a Mica com o tom da nossa discussão, mas a Sara levantou e se trancou no nosso quarto batendo a porta, enquanto eu fiquei remoendo uma raiva danada sozinho na cozinha. Foi nossa primeira briga tão pesada e com xingamentos desde que estávamos juntos, eu e Sara, e acho que nenhum de nós soube como reagir. Tentei me acalmar e ver um pouco de TV baixinho, sozinho na sala, até que depois de algumas horas fui devagar pro nosso quarto e me deitei ao lado da Sara, que já tava dormindo.
Esse foi um ponto de virada em toda a história. Aquela noite, que briguei com a Sara. A partir daí mudou tudo. Nosso relacionamento ficou muito distante, começamos a discutir por qualquer coisa, fosse relacionado à Micaela e ao Armando ou não, enquanto paramos de transar e às vezes até de dormir juntos. Muitas vezes eu ia dormir no sofá, só pra evitar qualquer contato, fosse físico ou verbal. Tava tão esgotado mentalmente com a parada da Micaela que não me sentia com forças pra nada, só ir pro trabalho, fazer o mínimo possível e voltar pra uma casa que cada vez sentia menos minha.
E também por volta dessa época foi quando o Armando começou a se acostumar com a nova situação. A Micaela voltava da escola lá pras 14 horas, já os dois Sabiam, então por volta das 14:30 ou no máximo às 15, o Armando batia na porta de casa e a Mica abria com um sorriso e um beijo. Ele costumava ficar em casa com a Micaela até umas 16 ou 16:30 e depois ia pro apartamento dele lá em cima ou fazer alguma outra coisa no prédio. Parecia que não queria cruzar comigo, por razões óbvias, mas também com a Sara. Foi assim que os dias e as semanas começaram a passar.
No entanto, comecei a notar certos padrões de comportamento, porque todo dia eu verificava as câmeras de casa do trabalho. Como encarregado do prédio, a gente via o Armando sempre de segunda a sexta, mas nos sábados e domingos, além de cumprir a tarefa de tirar o lixo nesses dias, ele não aparecia. Devia sair pra algum lugar com a mulher dele, e acho que a Mica disse pra Sara que eles iam pra uma casa que tinham no interior, perto de Tortuguitas.
O fato é que eu tinha certeza de que, durante os fins de semana, com a mulher dele, o Armando não comia ninguém. Era impressionante ver ele chegar na segunda-feira pro encontro em casa com a Mica e quase se jogar em cima dela, o que a Mica adorava, mas também a força e às vezes até a violência com que ele comia ela nesses dias. Era como se, à força ou não, ele tivesse que se segurar no fim de semana pra descontar tudo na segunda com a Micaela. Nem se fala se, por qualquer motivo de trabalho ou o que fosse, ele não pudesse passar em casa na segunda e tivesse que ser na terça. Nessas terças, tinha vezes que, meio na brincadeira ou meio sério de tão bruto que era, ele dava uns tapas na Micaela se ela não fizesse o que ele queria, ou puxava o cabelo dela com força enquanto comiam. Esse tipo de coisa. A Micaela nunca reclamou, ou pelo menos nunca falou nada pra Sara, e o Armando nunca passou do ponto a ponto de machucar ela, mas nesses dias ele tava visivelmente mais agressivo. Era quase certeza que, se não pudesse passar na segunda, na terça ele pegava a Micaela e comia ela pelo cu, só pra ouvir ela gritar de dor. prazer.
Outra coisa curiosa era que eles não transavam todos os dias que Armando ia. Alguns dias Mica só chupava a pica dele, que era uma das coisas que ela mais adorava, outras vezes só masturbava ele e outras vezes a coisa não passava de beijos e amassos. Armando sabia que tinha "sua putinha", como gostava de chamar Mica, firme nos dias que ele quisesse, então foi perdendo aos poucos a desesperação de ter que comer ela todo dia.
Mas também adquiriu outros comportamentos bem mais feios, à medida que foi se acostumando a ir na casa. Lembro de um dia, depois de comer Mica, quando ele ia embora pediu dinheiro pra ela porque precisava comprar bebida. Mica deu um pouco do dinheiro que ela tinha, dela mesma, mas ele pediu mais e mandou ela ver onde Sara guardava a grana. Mica, sem saber o erro que tava cometendo, foi com ele até nosso quarto e revistou a gaveta. Enquanto contava a grana do maço que tinha achado, Armando arrancou tudo da mão dela e guardou no bolso, mandando Mica não falar nada. Quando Mica reclamou pela grana que ele pegou, ele sentou ela na beirada da nossa cama, desabotoou a calça e obrigou Mica a chupar a pica dele e engolir toda a porra, dizendo que se ela quisesse continuar tendo pica, que calasse a boca. Micaela, por sua vez, obedeceu de boa e nunca mais reclamou nas outras vezes que Armando ia direto e tirava grana da nossa gaveta.
Também a comodidade na nossa casa fez ele começar a beber. Às vezes pegava uma garrafa dos nossos vinhos, abria e começava a tomar na boca, sentado no nosso sofá, vendo TV. Às vezes abraçado com Mica, vendo com ela, e outras vezes com a menina ajoelhada na frente dele, claro, chupando a pica dele enquanto a mão grossa acariciava a cabecinha dela. Um par de vezes ele deu de beber pra Micaela, enquanto conversavam ou enquanto transavam, como pra animar ela a fazer uma coisa ou outra.
Sara, claro, tava completamente por fora, na dela. própria nuvem de peido psicológico, onde nada era inerentemente ruim, tudo era questão de perspectiva e eu tinha que tentar entender os comportamentos. Se a Micaela estava feliz, então ela estava feliz e o problemático era sempre eu.
Micaela, nessa época, também mudou bastante e deixou de parecer uma menina, mesmo que pra mim ainda fosse. Mudou o jeito de se vestir, passando a usar roupas mais curtas e reveladoras, com tecidos justos que marcavam o quadril e a raba. Também começou a se maquiar levemente, coisa que antes nunca fazia de verdade. Nunca disse pra Sara se era o Armando que a incentivava a se vestir assim, ou se era por conta própria que queria impressionar e agradar o Armando. O fato é que várias vezes a Micaela se arrumava quando voltava da escola, só pra receber o Armando daquele jeito.
Às vezes eu nem olhava mais as câmeras do trabalho. Parei de fazer isso com frequência (chegava a olhar várias vezes por dia), porque percebi que ficava mais deprimido quanto mais olhava.
Uma tarde, no entanto, aconteceu que não tinha muito o que fazer no trabalho e acendeu aquela lâmpada proverbial, como dizem. Sabia que naquele dia a Micaela tinha uma atividade extra na escola, então ia fazer um turno duplo e não chegaria em casa no horário de sempre. E também deu o acaso de a Sara não ir ao consultório naquele dia, preferindo ficar em casa pra adiantar o trabalho sossegada e sem distrações. Algo tinha me ocorrido. E se...? Tinha certeza de que o Armando ia aparecer em casa, como quase todas as tardes. E o que acontecia quando ele encontrava a Sara e não a Micaela?
Me conectei e fiquei observando com atenção, com meus fones de ouvido pequenos, decidido a não perder nada, por mais chato que fosse. E a verdade é que foi chato. Deram 14h e o Armando não aparecia, só vi a Sara cozinhar alguma coisa, comer, ler e escrever nuns papéis que tinha em cima da mesa da cozinha e nada mais. As 14h viraram 14h30, e tudo continuava na mesma. igual. Mas às 14h50, quando já tava quase largando minha vigília de tanto tédio, vi o Armando sair do elevador do nosso andar, ir até nossa porta e bater como sempre.
Por sorte consegui ouvir tudo, já que tavam bem debaixo da câmera do hall de entrada. A Sara abriu a porta e cumprimentou ele com um sorriso.
"Ah, oi Armando, beleza?"
O Armando ficou sem graça, não esperava encontrar a Sara em casa, "Ah... oi Sara... boa tarde... eeeh..."
"Veio ver a Micaela? Ela não tá."
"Sim... eeeh... uh... bom, não..."
A Sara sorriu e mandou ele entrar. Pra quê?, pensei, "Mas entra, Armando, vem cá, tem um tempinho? Queria falar com você."
"Tem certeza? Não quero te atrapalhar..."
"Mas não é atrapalho não, vem.", ela disse e os dois foram pra cozinha. O Armando sentou na mesa e a Sara também, do outro lado.
"Sabe, Sara... ehh... eu quero te explicar...", começou o Armando, mas a Sara cortou ele na hora com um sorriso doce que derretia qualquer um.
"Não, olha Armando, não se preocupa. Não tô brava nem vou te dar sermão nem nada. Já sei, já imagino o que cê quer dizer. É sobre a Micaela, né?"
"Sim, olha Sara... ela me disse várias vezes que tava tudo bem, né? E eu acredito nela, mas cê sabe como é isso.", começou a explicar o Armando enquanto a Sara prestava atenção.
"Sim, imagino, ah, desculpa, quer um café? Faço um?", perguntou a Sara levantando e indo pro fogão.
"Bom, valeu. Se cê vai fazer...", disse o Armando e não sei se foi impressão minha, mas me pareceu que ele tava olhando fixo pra ela, do mesmo jeito que olhava pra Micaela naquela primeira vez, que na real era o mesmo olhar que ele dava pra todas as minas que ele achava gostosas.
Enquanto a Sara preparava o café, acendeu um baseado, se virou e mostrou pro Armando, "Nossa, não te incomoda, né? Eu fumo desses."
O Armando sorriu e fez um gesto, "Nada, Sara, se é tua casa. Fica à vontade, não me enche o saco."
"Você não fuma desses? De maconha, digo", perguntou.
"Ah, não. Quando eu era mais novo, sim, agora não."
Sara sorriu para ele, "Bom, se quiser, é só pedir, ok? Eu tenho um monte."
Finalmente, Sara serviu os dois cafés e voltou a sentar à mesa, "Bom, olha, Armando, eu queria..."
"Me trata de você, não", riu Armando, interrompendo-a, "Tantos anos aqui no prédio já."
Sara sorriu, "Bom, ok, verdade, você tem razão. Além do mais, com sua relação agora com a Micaela, bom, melhor tratar por 'tu'. Então, enfim, você sabe que eu sou psicóloga e terapeuta, né?", disse enquanto Armando concordava e tomava um gole de café, "Então, bom, te garanto que já vi de tudo e realmente pouco me impressiona ou me incomoda. Eu sou mais de... viver e deixar viver, sabe? Não julgar, não ter preconceito de nenhum tipo e, claro, ajudar as pessoas."
"É, claro, sabia", respondeu Armando.
"Então, sobre a Micaela, fica tranquilo. Sério. Eu já sei tudo o que aconteceu e tudo o que está acontecendo. Sei porque ela me conta."
Armando pareceu se preocupar, "Ah... ela te conta tudo?"
"Bom, quase tudo. Tem coisas muito íntimas que talvez não. E tá tudo bem. Todos temos uma vida interior privada, até meninas como a Micaela, que a gente tem que respeitar. Eu não me intrometo se ela não me conta ou se não vejo algo errado ou perigoso acontecendo."
"E você acha que tem algo errado ou perigoso aqui?", perguntou Armando. Ao que Sara só balançou a cabeça e sorriu.
"Não, de jeito nenhum. A Micaela está feliz com isso que ela está experimentando, que é novo pra ela. Eu vejo ela feliz, vejo ela contente, vejo ela crescendo. Como pessoa e como mulher, né?", respondeu Sara.
"Acho que você faz muito bem pra ela", disse Sara, "Sim, ok, com certeza é uma situação incomum, por causa das idades de vocês. Não é o normal. Mas muitas meninas precisam de uma figura masculina na vida delas, principalmente em períodos de formação. Você sabe que o pai da Micaela... não o Marcos, o que você conhece que mora aqui, o pai biológico já não está há muitos anos, desde que ela era pequena, e então é bom que agora ela tenha essa figura. masculina presente."
Armando tomou mais café e pareceu pensar no que ia dizer em seguida, demorando seu tempo e encarando Sara.
"Sara, 'cê me escuta... a gente tem intimidade, né? Digo... pode falar?", perguntou Armando.
"Claro, Armando!", ela sorriu, "Pode falar de qualquer coisa, do que quiser, e claro que a gente tem intimidade." Sara parecia estar psicanalisando ele, sem querer ou querendo.
"Bom, olha. O que eu não quero é confusão.", disse Armando, "Sim, tá bem, pra você não incomoda que eu fique com a menina. Eu entendi. Mas não quero confusão pesada, sabe. Confusão pesada tipo ir pra cadeia. Vai ver que por ficar com a menina, do nada ela abre a boca e quem se fode sou eu..."
"Que vai abrir a boca, Armando?"
"Tô falando que talvez a menina fale demais, saca, conta pra alguém, ou fala na escola e pronto, fodeu."
"Não, que vai falar?", respondeu Sara, "Primeiro que eu já disse pra ela que isso é algo particular entre vocês dois e mais ninguém. E segundo que já expliquei que como isso é... incomum, digamos, seria melhor não falar nada nem comentar com ninguém. Se tiver algum problema ou algo incomodar, que fale comigo e com mais ninguém."
"Outra coisa..."
"Fala, pode dizer.", convidou Sara enquanto beijava o baseado.
Armando pareceu se interromper e olhar pra ela por um segundo, "Sabe que? Me dá um desses? Vamo' experimentar, que merda...". Os dois riram e Sara foi pro quarto, voltando com um baseado bem grande que entregou pra Armando enquanto procurava o isqueiro.
"Eeeeh, mas olha que canudo", riu Armando.
Sara sorriu orgulhosa, "Viu? Eu fumo dos bons."
Armando aceitou o fogo de Sara e deu umas tragadas, "Ufff... esse bate, hein?"
"Óbvio. Fala, o que ia me dizer?"
"Que bom... se a gente tem intimidade... eu não sou de me intrometer, saca, mas é tão estranho isso. Como que não te incomoda eu comer a menina?", perguntou Armando encarando ela enquanto fumavam.
"Ai, Armando. Se você fala assim, sim, me incomoda...", disse Sara.
"Bom, desculpa aí, eu. Eu Falei assim. Não quis te ofender."
"Relaxa, tá tudo bem.", respondeu Sara, "E olha, sendo sincera, se eu puder te confessar uma coisa?" Sara esperou enquanto Armando acenava com a cabeça, "Não me incomoda porque eu também, quando era novinha, tive uns encontros com um cara bem mais velho, então entendo ela e sei como pode ser lindo."
"Sério?", perguntou Armando, "Mas cê tem quantos anos, se puder perguntar..."
Sara sorriu pra ele, "Tenho 37."
Armando riu, "Pô... cê é uma menina ainda. Nem parece. Tá mó gostosa."
Sara riu feliz e deu mais um trago no baseado, "Ai, Armando, valeu. É sempre um elogio ouvir isso."
"Sim, sim", disse Armando enquanto continuava com o baseado e o café, "Desde que cê chegou no prédio que eu te notei. Sério. Falei, essa mina deve ser uma delícia. Deve ser uma bomba."
"Ah, mas quantos anos faz isso?", perguntou Sara.
"Ué... onze, doze anos fácil. Desde que cê se mudou pra cá."
"Nossa, aí sim que eu era uma menina de verdade", riu Sara.
Os dois ficaram num breve silêncio, parecendo se olhar, ambos fumando e tomando café. Sara parecia examinar Armando, talvez pela perspectiva psicológica dela ou de outro jeito, enquanto Armando tinha o olhar e o jeito que ela já conhecia. Ele tava de olho em Sara e os olhos dele desviavam inevitavelmente pro decote que a blusa dela mostrava. Foi Armando quem quebrou o silêncio que dividiam.
"E aí, e teu marido, o que ele acha da menina? Sabe, né?", perguntou o velho.
Sara concordou, "Sabe, sim, e ele não é meu marido. A gente não é casado."
"Ah, não?", disse Armando enquanto se ajeitava um pouco na cadeira, "Pensei que sim..."
Sara balançou a cabeça, "Não, não somos casados. E Marcos... é todo um caso, como dizem."
"Por quê?"
"Sei lá, não vem ao caso, Armando."
"Tá bom, mas aconteceu algo? Porque se ele sabe, vai querer me encher de porrada...", disse Armando sem saber o quanto aquilo era verdade.
"Marcos não é desse tipo de cara, fica tranquilo.", disse ela. Sara: "Sabe, e não gosta do que tá rolando, mas já falei pra ele que não é problema dele. Várias vezes. A mãe da Micaela sou eu, não é ele."
"Mas e se ele me denunciar...", argumentou Armando.
Sara mordeu o lábio com desdém, "Esse aí vai denunciar nada, pelo amor de Deus. Fica tranquilo que ele não vai fazer nada, é um molenga. Não é de arrumar confusão. Fica bravo, mas cê sabe como é o ditado... cão que late...", terminou Sara dando de ombros.
"Mas tá tudo bem? Entre vocês, quero dizer..."
Sara ficou em silêncio por um momento e respondeu, "Não, verdade que agora não tá tudo bem. Como ele se irritou com toda essa história da Micaela, a gente tá brigando muito, discutindo, enfim... dificuldades de casal."
"Que pena, eu..."
"São coisas que acontecem em todo casal. Você também deve discutir com sua mulher."
"Não, digo que é uma pena que uma gostosa como você esteja com um cara desse tipo", disse Armando fixando o olhar nela.
Sara se surpreendeu um pouco e sustentou o olhar, "Desse tipo como?"
"Ah, desse jeito, sabe... que briga, que trata mal, que não te dá atenção...", disse Armando enquanto fumava.
"Para, nunca falei que ele me tratava mal...", respondeu Sara.
Armando sorriu, "Se ele não te dá atenção, então te trata mal."
Sara olhou fixo pra ele e engoliu seco, examinando Armando longamente enquanto ele fumava. Vai saber o que ela tava pensando. Finalmente disse, "Bom... eh... a gente tá saindo do assunto. Enfim, sério Armando, fica tranquilo com a história da menina, não vai dar em nada contanto que nada aconteça com ela."
Armando concordou, "Sim, fica tranquila Sara. Cê sabe que eu trato ela bem, do jeito que ela gosta. Dou atenção pra ela e ela me dá atenção também."
"Sim, eu sei, ela me conta.", disse Sara
"O que ela te conta?"
"Ah, isso é pessoal, Armando...", riu Sara.
"Fala, me conta uma pelo menos. Só de curioso..." Armando riu junto.
Sara pensou um momento e disse, "Que ela se sente muito desejada sempre. Que você é muito forte e dominador. Que você faz ela se sentir plena e bem mulher... isso é muito bom."
Armando sorriu feliz, "É... ela também, verdade... é uma bonequinha. E ela gosta muito, hein?"
Agora foi a vez de Sara exibir um sorriso maroto, "Ah, é? E do que ela gosta?"
Armando riu, "Pera... não era tudo privado isso?"
Sara sorriu e apoiou o queixo no cotovelo, inclinando-se pra prestar mais atenção, "Fala, me conta, só de curiosa mesmo...", disse ela, rebatendo o que Armando tinha respondido.
"É que você não vai gostar, Sara. Viu como eu falo... vai achar ruim, com certeza."
Sara continuou sorrindo e olhando fixo pra ele, "Vamos fazer uma exceção então. Te prometo que não vou achar ruim."
Armando fez uma pausa, olhando fixo também pra Sara, tamborilando os dedos na mesa enquanto pensava.
"A menina adora chupar minha pica. Ela fica louca."
Sara pareceu não se abalar muito, "Ah, é? Acho que já sabia disso, ela me falou algo..."
Armando concordou, "Pode ser... parece que ela gosta muito do jeito que eu tenho. E a verdade é que sua menina sempre deixa ela bem dura.", e como um reflexo, baixou a mão e ajustou o volume na calça.
"Olha só...", foi só o que Sara conseguiu dizer, com o olhar entre fixo e perdido em Armando, "Mais o quê?"
Armando pensou mais um momento e continuou, "Ela gosta quando eu gozo na boquinha dela... bom... nessa bocona que ela tem. Ela gosta de engolir quando eu gozo... é... a verdade é que sua menina gosta quando eu gozo em qualquer lugar...", ele riu.
"É, evidentemente ela gosta disso, ela já me falou", sorriu Sara.
"Ela gosta que eu bata forte também..."
"Ah? Essa eu não sabia...", disse Sara.
Armando concordou, "Sim... eu adoro, e ela também. Mana, viu, não sei como ela aguenta do jeito que eu tenho, mas ela dá conta."
Sara riu e apagou o baseado depois de dar uma última tragada, "Ai, bom, acho que já estamos passando dos limites... melhor mudar de assunto."
"Não, sabe o que, Sara...", disse Armando se levantando, "Vou nessa, tenho coisas pra fazer. Valeu pela conversa, pelo café e pelo baseado."
Sara riu e o acompanhou. até o hallzinho, "Sem problema, Armando, quando você quiser, ok? Adorei a conversa e é bom que a gente tenha esclarecido as coisas e que você fique tranquilo."
Pararam no hallzinho enquanto se deram um beijo na bochecha de despedida, mas quando Sara tentou abrir a porta, Armando colocou uma mão para segurá-la "Ah, pera aí, uma coisa... que eu tava esquecendo..."
"O quê?"
"Na confiança, né? Entre nós dois?", ele perguntou olhando fixo pra ela e baixando um pouco a voz.
Sara fez o mesmo, "Fala, pode falar..."
Armando se aproximou e colocou uma mão suavemente na cintura de Sara, o que ela não pareceu interpretar mal e deixou rolar. "Escuta... já que a gente tá na confiança, se um dia você precisar que te atendam... ou qualquer outra coisa, é só me falar, ok?"
Os olhos de Sara se arregalaram e ela o encarou por um momento, "Mas Armando, o que você tá me dizendo?"
Armando a interrompeu, "Não tô dizendo nada, só tô falando isso. Se a gente tá na confiança, a gente tá na confiança. Por isso tô te falando. Se um dia precisar, é só me falar."
"Mas você é o namorado da Mica, Armando", respondeu Sara
Armando se aproximou um pouco mais e, sem ser muito forte ou brusco, fez Sara sentir a presença do corpo musculoso dele mais perto, roçando nela e fazendo ela encostar as costas na parede "Não, Sara, escuta... eu não sou namorado de ninguém, entendeu? Eu sou o macho que mete na sua filha. E ela adora. E se o outro otário que tá com você me disse que não é seu marido, então já te falei, quando precisar de alguma coisa, é só me falar..."
Sara engoliu saliva de novo, encarando ele, "Armando, eu não sei..."
O velho a interrompeu, "Sabe como sua filha goza com essa pica que eu tenho aqui? Hein? Ela te contou? Sabe os gritos que ela dá, tenho que tapar a boca dela pra não ter treta com os vizinhos. Você me disse que faz bem pra menina, e sim, eu atendo ela muito bem. Olha só. Talvez não seja a única que precisa de um macho de verdade que coma ela bem comida. Por isso... quando precisar, é só me falar."
"Melhor você ir, Armando.", conseguiu dizer Sara Ela parecia bem perturbada com o que acabara de ouvir.
"É, melhor eu ir", disse Armando e deu um beijão na bochecha dela, que Sara não evitou.
Armando foi embora, Sara fechou a porta e eu vi ela ficar parada no hall, levando a mão ao peito e recuperando o fôlego que tinha segurado por um tempo.
Eu, já cansado de ver a coisa indo de mal a pior, só desliguei o celular e parei de olhar.
Mas teve uma coisa, bem lá no fundo da minha cabeça, que me chamava estranhamente a atenção em tudo isso. Replayando na minha mente todas as cenas do que vi e tudo que ouvi, tinha algo muito estranho. Algo que não se encaixava direito, tipo uma peça no quebra-cabeça que estranhamente sobrava ou faltava.
Micaela tinha dito pro Armando (e eu ouvi isso claramente) que tinha ligado pra ele pra contar o que a mãe falou. Que ela disse que "tava tudo bem". O que significava aquilo? Queria dizer que a Sara tinha falado pra Mica que "tava tudo bem" e "se cuida"? Eu não sabia da conversa que mãe e filha tinham tido de manhã, mas tinha certeza de que eu não tinha toda a informação do que tava rolando.
Quanto mais eu me aproximava de casa, mais essa dúvida me apertava, a ponto de finalmente me dissuadir do plano que eu tinha de confrontar a Sara. Tinha algo que me faltava em tudo isso e eu não queria ficar em desvantagem na possível discussão que ia ter com minha mina. Decidi, no fim, levar as coisas na calma, contar pra Sara, sim, mas não me apressar e ver como tudo se desenrolava.
Quando cheguei, a Sara já tava cozinhando e a Mica trancada no quarto dela, de onde só saiu pra comer, ficar um tempo com a gente e voltar a dormir, já que tinha ficado tarde. Notei ela de muito bom humor. Não tanto comigo, o tratamento dela foi normal, mas tava de muito bom humor com a Sara. Depois de comer, fiz um café em silêncio, a Sara acendeu o baseado dela de toda noite e a gente sentou. conversar na cozinha, baixinho pra não acordar a Mica.
“Então, love, tenho que te contar o que rolou hoje com a Mica…”, comecei, mas ela me interrompeu.
“É, já sei.”, falou só, olhando meio vago pra fumaça que o baseado soltava.
“Já sabe o quê?”
“A Mica já me contou o que aconteceu. Ela já me falou tudo.”
“Quê? Sério?”, respondi surpreso.
“Claro, Marcos. Você sabe que a gente conta tudo uma pra outra. A gente não tem segredos entre nós.”, respondeu com um tom de arrogância.
“E aí? Então?”
“Então o quê?”
Franzi a testa na hora, “Como assim ‘então o quê’, Sara? Então o que a gente vai fazer?”
Ela suspirou e balançou a cabeça com uma careta, “Lá vem com o ‘vamos fazer’. O que a gente vai fazer. A gente não vai fazer nada, Marcos, já te expliquei. No máximo, quem teria que fazer algo sou eu, que sou a mãe.”
“Claro, então eu sou de vidro, invisível.”, respondi de mal jeito.
“Ufa, para com isso…” protestou e deu mais uma tragada funda no baseado, “Nunca falei que você é invisível, mas você não tem que fazer nada porque não é da sua conta. É a vida da Mica que tá aprendendo a se desenvolver do jeito que ela quiser, que é o melhor que dá pra fazer.”
“Você porque não viu o que eu vi”, respondi de novo puto, tentando não levantar a voz.
Sara me olhou um tempo antes de responder, “Você não tá obcecado, tá?”
Me virei e encarei ela, “O que você disse?”
“Isso mesmo que eu disse. Obcecado. Marcos, olha, eu vejo pais e mães o tempo todo no consultório, mas te juro que nunca encontrei nem o pai mais fechado e repressor das filhas tão, mas tão interessado na vida sexual delas como eu vejo você. E a Mica nem é sua filha.”, respondeu. Quase me fez ferver o sangue.
“Escuta aqui, que porra você tá insinuando?”, cuspi com raiva, “E que porra você falou pra Mica hoje de manhã quando vocês conversaram?”
Sara resmungou baixinho e deu outra tragada no baseado, “Ufa… não tô insinuando nada, love, foi só uma observação…”
“Uma observação de merda, nem si” “Não se preocupa”, cortei.
“… bom, tá. E o que eu falei pra Mica de manhã é entre nós.”
“Fala sério, vacilona!”, rosnei, já tava perdendo a paciência.
“Marcos…”, ela começou. Mas eu cortei.
“Me diz o que você falou pra Mica!”
“É entre nós, Marcos! Dá um tempo!”, ela se defendeu, “Tem coisas entre mãe e filha que têm que ficar nesse nível de intimidade. Que importância tem o que eu falei?”
“Quero saber o que você falou porque ontem à noite a gente teve essa mesma discussão. Você me prometeu que ia conversar com ela pra ajudar a entender o que rolou com o Armando aqui na cozinha, ajudar a entender e parar a parada se precisasse…”, comecei a me soltar, “E de repente em dois dias a gente passou de uma chupada de pau pro preto daquele filho da puta meter nela na própria cama!”
Sara se assustou, “Mas dá um tempo, Marcos! Que porra é essa, cara?!”
“Me diz que merda você falou pra ela!”, insisti.
Finalmente, depois de umas secas, ela contou. Disse que conversaram, que Mica contou o que tinha feito com o Armando na cozinha naquela tarde, que no começo ficou com um pouco de medo, mas depois gostou pra caralho e se sentiu muito excitada com o Armando. Sara disse que entendia ela e que os sentimentos dela eram normais e saudáveis. Que não sentisse culpa por sentir atração sexual, já que tava na idade em que esses sentimentos iam começar a brotar naturalmente. Que era tudo parte de crescer e se tornar mulher.
Também disse que talvez o Armando não fosse a pessoa ideal, que o ideal seria algo mais normal, um começo de relacionamento com algum garoto ou garota da idade dela. Isso era o natural, mas que às vezes essas coisas acontecem, como tinha acontecido com ela no passado, e que às vezes a gente tem que pegar o que a vida dá, não o ideal. Disse também que o Armando precisava ser compreendido e não julgado, que era uma pessoa mais velha, que cresceu num ambiente e numa época muito machista e que às vezes ele ia ter atitudes muito dominantes e fortes com ela. mas contanto que essas atitudes agradem ele, que ele trate ela bem e não machuque, não tinha nada de errado em princípio. Explicou que homens como o Armando precisam ser compreendidos e tratados com paciência, mas que não eram pessoas ruins por natureza.
Eu estava explodindo de raiva ouvindo tudo aquilo. Sentia as veias pulsando na testa enquanto a Sara me contava tudo o que ela tinha dito, mas o pior ela guardou pro final.
Sara contou que finalmente disse pra Mica se cuidar, que ela era uma garota inteligente e sabia quando uma situação era ruim, que sabia reconhecer essas situações. Também perguntou pra Mica como ela se sentia com o que tinha rolado na cozinha, e como ela imaginava que podia continuar, se era algo que a Mica queria que seguisse ou foi uma coisa de uma vez só. Mica disse que se sentiu bem, que gostou muito de satisfazer o Armando daquele jeito, que ele a excitou com coisas que ela nunca tinha sentido antes e que, se rolasse, queria continuar. Sara disse que tudo bem, mas se a coisa continuasse e ficasse mais intensa, que ela se cuidasse e deu um blister de anticoncepcionais que a Sara usava. Disse pra ela começar a tomar, só por precaução. Finalmente, me disse que se abraçaram sorrindo, que tiveram uma conversa excelente na opinião dela, e aí acabou.
Também me disse que hoje à tarde, quando a Sara chegou em casa, depois da visita do Armando hoje no quarto dela, foi a própria Mica que, muito excitada e muito alegre, sentou com ela e contou tudo o que rolou com o Armando, e que estava muito feliz com o que aconteceu. Sara perguntou se o Armando tinha tratado ela bem, se não tinha machucado ela além da dor natural da primeira penetração, e foi aí que a Mica contou tudo, aparentemente com todos os detalhes. Sara e Mica se abraçaram, disseram que se amavam muito e, depois de lembrar novamente a Mica de sempre ter cuidado, Sara disse que estava muito feliz que a Mica tinha aproveitado tanto.
Eu estava cobrindo a Cara, com as mãos cheias de raiva e ódio depois de ouvir tudo isso. Finalmente explodi.
“Mas vai tomar no cu, Sara! Sua puta que te pariu!”
“Marcos!”
“Você é uma idiota!”, cuspi com raiva, “Não acredito!”
Sara também explodiu e a gente começou a gritar, “Seu cuzão! Qual é o seu problema, estúpido?! Você não entende nada, imbecil!”
“Comeram a sua filha, sua burra! Um velho de merda comeu a sua filha de 14 anos, sua retardada! Acorda!”
“Machista de merda!”, ela rebateu, “Não comeram a Mica! Os dois transaram! A gente não é propriedade de ninguém pra fazerem coisas com a gente! Os dois quiseram, seu estúpido! Que, porque a Mica é mulher não pode sentir prazer e escolher? Cuzão!”
Não sei se acordamos a Mica com o tom da nossa discussão, mas a Sara levantou e se trancou no nosso quarto batendo a porta, enquanto eu fiquei remoendo uma raiva danada sozinho na cozinha. Foi nossa primeira briga tão pesada e com xingamentos desde que estávamos juntos, eu e Sara, e acho que nenhum de nós soube como reagir. Tentei me acalmar e ver um pouco de TV baixinho, sozinho na sala, até que depois de algumas horas fui devagar pro nosso quarto e me deitei ao lado da Sara, que já tava dormindo.
Esse foi um ponto de virada em toda a história. Aquela noite, que briguei com a Sara. A partir daí mudou tudo. Nosso relacionamento ficou muito distante, começamos a discutir por qualquer coisa, fosse relacionado à Micaela e ao Armando ou não, enquanto paramos de transar e às vezes até de dormir juntos. Muitas vezes eu ia dormir no sofá, só pra evitar qualquer contato, fosse físico ou verbal. Tava tão esgotado mentalmente com a parada da Micaela que não me sentia com forças pra nada, só ir pro trabalho, fazer o mínimo possível e voltar pra uma casa que cada vez sentia menos minha.
E também por volta dessa época foi quando o Armando começou a se acostumar com a nova situação. A Micaela voltava da escola lá pras 14 horas, já os dois Sabiam, então por volta das 14:30 ou no máximo às 15, o Armando batia na porta de casa e a Mica abria com um sorriso e um beijo. Ele costumava ficar em casa com a Micaela até umas 16 ou 16:30 e depois ia pro apartamento dele lá em cima ou fazer alguma outra coisa no prédio. Parecia que não queria cruzar comigo, por razões óbvias, mas também com a Sara. Foi assim que os dias e as semanas começaram a passar.
No entanto, comecei a notar certos padrões de comportamento, porque todo dia eu verificava as câmeras de casa do trabalho. Como encarregado do prédio, a gente via o Armando sempre de segunda a sexta, mas nos sábados e domingos, além de cumprir a tarefa de tirar o lixo nesses dias, ele não aparecia. Devia sair pra algum lugar com a mulher dele, e acho que a Mica disse pra Sara que eles iam pra uma casa que tinham no interior, perto de Tortuguitas.
O fato é que eu tinha certeza de que, durante os fins de semana, com a mulher dele, o Armando não comia ninguém. Era impressionante ver ele chegar na segunda-feira pro encontro em casa com a Mica e quase se jogar em cima dela, o que a Mica adorava, mas também a força e às vezes até a violência com que ele comia ela nesses dias. Era como se, à força ou não, ele tivesse que se segurar no fim de semana pra descontar tudo na segunda com a Micaela. Nem se fala se, por qualquer motivo de trabalho ou o que fosse, ele não pudesse passar em casa na segunda e tivesse que ser na terça. Nessas terças, tinha vezes que, meio na brincadeira ou meio sério de tão bruto que era, ele dava uns tapas na Micaela se ela não fizesse o que ele queria, ou puxava o cabelo dela com força enquanto comiam. Esse tipo de coisa. A Micaela nunca reclamou, ou pelo menos nunca falou nada pra Sara, e o Armando nunca passou do ponto a ponto de machucar ela, mas nesses dias ele tava visivelmente mais agressivo. Era quase certeza que, se não pudesse passar na segunda, na terça ele pegava a Micaela e comia ela pelo cu, só pra ouvir ela gritar de dor. prazer.
Outra coisa curiosa era que eles não transavam todos os dias que Armando ia. Alguns dias Mica só chupava a pica dele, que era uma das coisas que ela mais adorava, outras vezes só masturbava ele e outras vezes a coisa não passava de beijos e amassos. Armando sabia que tinha "sua putinha", como gostava de chamar Mica, firme nos dias que ele quisesse, então foi perdendo aos poucos a desesperação de ter que comer ela todo dia.
Mas também adquiriu outros comportamentos bem mais feios, à medida que foi se acostumando a ir na casa. Lembro de um dia, depois de comer Mica, quando ele ia embora pediu dinheiro pra ela porque precisava comprar bebida. Mica deu um pouco do dinheiro que ela tinha, dela mesma, mas ele pediu mais e mandou ela ver onde Sara guardava a grana. Mica, sem saber o erro que tava cometendo, foi com ele até nosso quarto e revistou a gaveta. Enquanto contava a grana do maço que tinha achado, Armando arrancou tudo da mão dela e guardou no bolso, mandando Mica não falar nada. Quando Mica reclamou pela grana que ele pegou, ele sentou ela na beirada da nossa cama, desabotoou a calça e obrigou Mica a chupar a pica dele e engolir toda a porra, dizendo que se ela quisesse continuar tendo pica, que calasse a boca. Micaela, por sua vez, obedeceu de boa e nunca mais reclamou nas outras vezes que Armando ia direto e tirava grana da nossa gaveta.
Também a comodidade na nossa casa fez ele começar a beber. Às vezes pegava uma garrafa dos nossos vinhos, abria e começava a tomar na boca, sentado no nosso sofá, vendo TV. Às vezes abraçado com Mica, vendo com ela, e outras vezes com a menina ajoelhada na frente dele, claro, chupando a pica dele enquanto a mão grossa acariciava a cabecinha dela. Um par de vezes ele deu de beber pra Micaela, enquanto conversavam ou enquanto transavam, como pra animar ela a fazer uma coisa ou outra.
Sara, claro, tava completamente por fora, na dela. própria nuvem de peido psicológico, onde nada era inerentemente ruim, tudo era questão de perspectiva e eu tinha que tentar entender os comportamentos. Se a Micaela estava feliz, então ela estava feliz e o problemático era sempre eu.
Micaela, nessa época, também mudou bastante e deixou de parecer uma menina, mesmo que pra mim ainda fosse. Mudou o jeito de se vestir, passando a usar roupas mais curtas e reveladoras, com tecidos justos que marcavam o quadril e a raba. Também começou a se maquiar levemente, coisa que antes nunca fazia de verdade. Nunca disse pra Sara se era o Armando que a incentivava a se vestir assim, ou se era por conta própria que queria impressionar e agradar o Armando. O fato é que várias vezes a Micaela se arrumava quando voltava da escola, só pra receber o Armando daquele jeito.
Às vezes eu nem olhava mais as câmeras do trabalho. Parei de fazer isso com frequência (chegava a olhar várias vezes por dia), porque percebi que ficava mais deprimido quanto mais olhava.
Uma tarde, no entanto, aconteceu que não tinha muito o que fazer no trabalho e acendeu aquela lâmpada proverbial, como dizem. Sabia que naquele dia a Micaela tinha uma atividade extra na escola, então ia fazer um turno duplo e não chegaria em casa no horário de sempre. E também deu o acaso de a Sara não ir ao consultório naquele dia, preferindo ficar em casa pra adiantar o trabalho sossegada e sem distrações. Algo tinha me ocorrido. E se...? Tinha certeza de que o Armando ia aparecer em casa, como quase todas as tardes. E o que acontecia quando ele encontrava a Sara e não a Micaela?
Me conectei e fiquei observando com atenção, com meus fones de ouvido pequenos, decidido a não perder nada, por mais chato que fosse. E a verdade é que foi chato. Deram 14h e o Armando não aparecia, só vi a Sara cozinhar alguma coisa, comer, ler e escrever nuns papéis que tinha em cima da mesa da cozinha e nada mais. As 14h viraram 14h30, e tudo continuava na mesma. igual. Mas às 14h50, quando já tava quase largando minha vigília de tanto tédio, vi o Armando sair do elevador do nosso andar, ir até nossa porta e bater como sempre.
Por sorte consegui ouvir tudo, já que tavam bem debaixo da câmera do hall de entrada. A Sara abriu a porta e cumprimentou ele com um sorriso.
"Ah, oi Armando, beleza?"
O Armando ficou sem graça, não esperava encontrar a Sara em casa, "Ah... oi Sara... boa tarde... eeeh..."
"Veio ver a Micaela? Ela não tá."
"Sim... eeeh... uh... bom, não..."
A Sara sorriu e mandou ele entrar. Pra quê?, pensei, "Mas entra, Armando, vem cá, tem um tempinho? Queria falar com você."
"Tem certeza? Não quero te atrapalhar..."
"Mas não é atrapalho não, vem.", ela disse e os dois foram pra cozinha. O Armando sentou na mesa e a Sara também, do outro lado.
"Sabe, Sara... ehh... eu quero te explicar...", começou o Armando, mas a Sara cortou ele na hora com um sorriso doce que derretia qualquer um.
"Não, olha Armando, não se preocupa. Não tô brava nem vou te dar sermão nem nada. Já sei, já imagino o que cê quer dizer. É sobre a Micaela, né?"
"Sim, olha Sara... ela me disse várias vezes que tava tudo bem, né? E eu acredito nela, mas cê sabe como é isso.", começou a explicar o Armando enquanto a Sara prestava atenção.
"Sim, imagino, ah, desculpa, quer um café? Faço um?", perguntou a Sara levantando e indo pro fogão.
"Bom, valeu. Se cê vai fazer...", disse o Armando e não sei se foi impressão minha, mas me pareceu que ele tava olhando fixo pra ela, do mesmo jeito que olhava pra Micaela naquela primeira vez, que na real era o mesmo olhar que ele dava pra todas as minas que ele achava gostosas.
Enquanto a Sara preparava o café, acendeu um baseado, se virou e mostrou pro Armando, "Nossa, não te incomoda, né? Eu fumo desses."
O Armando sorriu e fez um gesto, "Nada, Sara, se é tua casa. Fica à vontade, não me enche o saco."
"Você não fuma desses? De maconha, digo", perguntou.
"Ah, não. Quando eu era mais novo, sim, agora não."
Sara sorriu para ele, "Bom, se quiser, é só pedir, ok? Eu tenho um monte."
Finalmente, Sara serviu os dois cafés e voltou a sentar à mesa, "Bom, olha, Armando, eu queria..."
"Me trata de você, não", riu Armando, interrompendo-a, "Tantos anos aqui no prédio já."
Sara sorriu, "Bom, ok, verdade, você tem razão. Além do mais, com sua relação agora com a Micaela, bom, melhor tratar por 'tu'. Então, enfim, você sabe que eu sou psicóloga e terapeuta, né?", disse enquanto Armando concordava e tomava um gole de café, "Então, bom, te garanto que já vi de tudo e realmente pouco me impressiona ou me incomoda. Eu sou mais de... viver e deixar viver, sabe? Não julgar, não ter preconceito de nenhum tipo e, claro, ajudar as pessoas."
"É, claro, sabia", respondeu Armando.
"Então, sobre a Micaela, fica tranquilo. Sério. Eu já sei tudo o que aconteceu e tudo o que está acontecendo. Sei porque ela me conta."
Armando pareceu se preocupar, "Ah... ela te conta tudo?"
"Bom, quase tudo. Tem coisas muito íntimas que talvez não. E tá tudo bem. Todos temos uma vida interior privada, até meninas como a Micaela, que a gente tem que respeitar. Eu não me intrometo se ela não me conta ou se não vejo algo errado ou perigoso acontecendo."
"E você acha que tem algo errado ou perigoso aqui?", perguntou Armando. Ao que Sara só balançou a cabeça e sorriu.
"Não, de jeito nenhum. A Micaela está feliz com isso que ela está experimentando, que é novo pra ela. Eu vejo ela feliz, vejo ela contente, vejo ela crescendo. Como pessoa e como mulher, né?", respondeu Sara.
"Acho que você faz muito bem pra ela", disse Sara, "Sim, ok, com certeza é uma situação incomum, por causa das idades de vocês. Não é o normal. Mas muitas meninas precisam de uma figura masculina na vida delas, principalmente em períodos de formação. Você sabe que o pai da Micaela... não o Marcos, o que você conhece que mora aqui, o pai biológico já não está há muitos anos, desde que ela era pequena, e então é bom que agora ela tenha essa figura. masculina presente."
Armando tomou mais café e pareceu pensar no que ia dizer em seguida, demorando seu tempo e encarando Sara.
"Sara, 'cê me escuta... a gente tem intimidade, né? Digo... pode falar?", perguntou Armando.
"Claro, Armando!", ela sorriu, "Pode falar de qualquer coisa, do que quiser, e claro que a gente tem intimidade." Sara parecia estar psicanalisando ele, sem querer ou querendo.
"Bom, olha. O que eu não quero é confusão.", disse Armando, "Sim, tá bem, pra você não incomoda que eu fique com a menina. Eu entendi. Mas não quero confusão pesada, sabe. Confusão pesada tipo ir pra cadeia. Vai ver que por ficar com a menina, do nada ela abre a boca e quem se fode sou eu..."
"Que vai abrir a boca, Armando?"
"Tô falando que talvez a menina fale demais, saca, conta pra alguém, ou fala na escola e pronto, fodeu."
"Não, que vai falar?", respondeu Sara, "Primeiro que eu já disse pra ela que isso é algo particular entre vocês dois e mais ninguém. E segundo que já expliquei que como isso é... incomum, digamos, seria melhor não falar nada nem comentar com ninguém. Se tiver algum problema ou algo incomodar, que fale comigo e com mais ninguém."
"Outra coisa..."
"Fala, pode dizer.", convidou Sara enquanto beijava o baseado.
Armando pareceu se interromper e olhar pra ela por um segundo, "Sabe que? Me dá um desses? Vamo' experimentar, que merda...". Os dois riram e Sara foi pro quarto, voltando com um baseado bem grande que entregou pra Armando enquanto procurava o isqueiro.
"Eeeeh, mas olha que canudo", riu Armando.
Sara sorriu orgulhosa, "Viu? Eu fumo dos bons."
Armando aceitou o fogo de Sara e deu umas tragadas, "Ufff... esse bate, hein?"
"Óbvio. Fala, o que ia me dizer?"
"Que bom... se a gente tem intimidade... eu não sou de me intrometer, saca, mas é tão estranho isso. Como que não te incomoda eu comer a menina?", perguntou Armando encarando ela enquanto fumavam.
"Ai, Armando. Se você fala assim, sim, me incomoda...", disse Sara.
"Bom, desculpa aí, eu. Eu Falei assim. Não quis te ofender."
"Relaxa, tá tudo bem.", respondeu Sara, "E olha, sendo sincera, se eu puder te confessar uma coisa?" Sara esperou enquanto Armando acenava com a cabeça, "Não me incomoda porque eu também, quando era novinha, tive uns encontros com um cara bem mais velho, então entendo ela e sei como pode ser lindo."
"Sério?", perguntou Armando, "Mas cê tem quantos anos, se puder perguntar..."
Sara sorriu pra ele, "Tenho 37."
Armando riu, "Pô... cê é uma menina ainda. Nem parece. Tá mó gostosa."
Sara riu feliz e deu mais um trago no baseado, "Ai, Armando, valeu. É sempre um elogio ouvir isso."
"Sim, sim", disse Armando enquanto continuava com o baseado e o café, "Desde que cê chegou no prédio que eu te notei. Sério. Falei, essa mina deve ser uma delícia. Deve ser uma bomba."
"Ah, mas quantos anos faz isso?", perguntou Sara.
"Ué... onze, doze anos fácil. Desde que cê se mudou pra cá."
"Nossa, aí sim que eu era uma menina de verdade", riu Sara.
Os dois ficaram num breve silêncio, parecendo se olhar, ambos fumando e tomando café. Sara parecia examinar Armando, talvez pela perspectiva psicológica dela ou de outro jeito, enquanto Armando tinha o olhar e o jeito que ela já conhecia. Ele tava de olho em Sara e os olhos dele desviavam inevitavelmente pro decote que a blusa dela mostrava. Foi Armando quem quebrou o silêncio que dividiam.
"E aí, e teu marido, o que ele acha da menina? Sabe, né?", perguntou o velho.
Sara concordou, "Sabe, sim, e ele não é meu marido. A gente não é casado."
"Ah, não?", disse Armando enquanto se ajeitava um pouco na cadeira, "Pensei que sim..."
Sara balançou a cabeça, "Não, não somos casados. E Marcos... é todo um caso, como dizem."
"Por quê?"
"Sei lá, não vem ao caso, Armando."
"Tá bom, mas aconteceu algo? Porque se ele sabe, vai querer me encher de porrada...", disse Armando sem saber o quanto aquilo era verdade.
"Marcos não é desse tipo de cara, fica tranquilo.", disse ela. Sara: "Sabe, e não gosta do que tá rolando, mas já falei pra ele que não é problema dele. Várias vezes. A mãe da Micaela sou eu, não é ele."
"Mas e se ele me denunciar...", argumentou Armando.
Sara mordeu o lábio com desdém, "Esse aí vai denunciar nada, pelo amor de Deus. Fica tranquilo que ele não vai fazer nada, é um molenga. Não é de arrumar confusão. Fica bravo, mas cê sabe como é o ditado... cão que late...", terminou Sara dando de ombros.
"Mas tá tudo bem? Entre vocês, quero dizer..."
Sara ficou em silêncio por um momento e respondeu, "Não, verdade que agora não tá tudo bem. Como ele se irritou com toda essa história da Micaela, a gente tá brigando muito, discutindo, enfim... dificuldades de casal."
"Que pena, eu..."
"São coisas que acontecem em todo casal. Você também deve discutir com sua mulher."
"Não, digo que é uma pena que uma gostosa como você esteja com um cara desse tipo", disse Armando fixando o olhar nela.
Sara se surpreendeu um pouco e sustentou o olhar, "Desse tipo como?"
"Ah, desse jeito, sabe... que briga, que trata mal, que não te dá atenção...", disse Armando enquanto fumava.
"Para, nunca falei que ele me tratava mal...", respondeu Sara.
Armando sorriu, "Se ele não te dá atenção, então te trata mal."
Sara olhou fixo pra ele e engoliu seco, examinando Armando longamente enquanto ele fumava. Vai saber o que ela tava pensando. Finalmente disse, "Bom... eh... a gente tá saindo do assunto. Enfim, sério Armando, fica tranquilo com a história da menina, não vai dar em nada contanto que nada aconteça com ela."
Armando concordou, "Sim, fica tranquila Sara. Cê sabe que eu trato ela bem, do jeito que ela gosta. Dou atenção pra ela e ela me dá atenção também."
"Sim, eu sei, ela me conta.", disse Sara
"O que ela te conta?"
"Ah, isso é pessoal, Armando...", riu Sara.
"Fala, me conta uma pelo menos. Só de curioso..." Armando riu junto.
Sara pensou um momento e disse, "Que ela se sente muito desejada sempre. Que você é muito forte e dominador. Que você faz ela se sentir plena e bem mulher... isso é muito bom."
Armando sorriu feliz, "É... ela também, verdade... é uma bonequinha. E ela gosta muito, hein?"
Agora foi a vez de Sara exibir um sorriso maroto, "Ah, é? E do que ela gosta?"
Armando riu, "Pera... não era tudo privado isso?"
Sara sorriu e apoiou o queixo no cotovelo, inclinando-se pra prestar mais atenção, "Fala, me conta, só de curiosa mesmo...", disse ela, rebatendo o que Armando tinha respondido.
"É que você não vai gostar, Sara. Viu como eu falo... vai achar ruim, com certeza."
Sara continuou sorrindo e olhando fixo pra ele, "Vamos fazer uma exceção então. Te prometo que não vou achar ruim."
Armando fez uma pausa, olhando fixo também pra Sara, tamborilando os dedos na mesa enquanto pensava.
"A menina adora chupar minha pica. Ela fica louca."
Sara pareceu não se abalar muito, "Ah, é? Acho que já sabia disso, ela me falou algo..."
Armando concordou, "Pode ser... parece que ela gosta muito do jeito que eu tenho. E a verdade é que sua menina sempre deixa ela bem dura.", e como um reflexo, baixou a mão e ajustou o volume na calça.
"Olha só...", foi só o que Sara conseguiu dizer, com o olhar entre fixo e perdido em Armando, "Mais o quê?"
Armando pensou mais um momento e continuou, "Ela gosta quando eu gozo na boquinha dela... bom... nessa bocona que ela tem. Ela gosta de engolir quando eu gozo... é... a verdade é que sua menina gosta quando eu gozo em qualquer lugar...", ele riu.
"É, evidentemente ela gosta disso, ela já me falou", sorriu Sara.
"Ela gosta que eu bata forte também..."
"Ah? Essa eu não sabia...", disse Sara.
Armando concordou, "Sim... eu adoro, e ela também. Mana, viu, não sei como ela aguenta do jeito que eu tenho, mas ela dá conta."
Sara riu e apagou o baseado depois de dar uma última tragada, "Ai, bom, acho que já estamos passando dos limites... melhor mudar de assunto."
"Não, sabe o que, Sara...", disse Armando se levantando, "Vou nessa, tenho coisas pra fazer. Valeu pela conversa, pelo café e pelo baseado."
Sara riu e o acompanhou. até o hallzinho, "Sem problema, Armando, quando você quiser, ok? Adorei a conversa e é bom que a gente tenha esclarecido as coisas e que você fique tranquilo."
Pararam no hallzinho enquanto se deram um beijo na bochecha de despedida, mas quando Sara tentou abrir a porta, Armando colocou uma mão para segurá-la "Ah, pera aí, uma coisa... que eu tava esquecendo..."
"O quê?"
"Na confiança, né? Entre nós dois?", ele perguntou olhando fixo pra ela e baixando um pouco a voz.
Sara fez o mesmo, "Fala, pode falar..."
Armando se aproximou e colocou uma mão suavemente na cintura de Sara, o que ela não pareceu interpretar mal e deixou rolar. "Escuta... já que a gente tá na confiança, se um dia você precisar que te atendam... ou qualquer outra coisa, é só me falar, ok?"
Os olhos de Sara se arregalaram e ela o encarou por um momento, "Mas Armando, o que você tá me dizendo?"
Armando a interrompeu, "Não tô dizendo nada, só tô falando isso. Se a gente tá na confiança, a gente tá na confiança. Por isso tô te falando. Se um dia precisar, é só me falar."
"Mas você é o namorado da Mica, Armando", respondeu Sara
Armando se aproximou um pouco mais e, sem ser muito forte ou brusco, fez Sara sentir a presença do corpo musculoso dele mais perto, roçando nela e fazendo ela encostar as costas na parede "Não, Sara, escuta... eu não sou namorado de ninguém, entendeu? Eu sou o macho que mete na sua filha. E ela adora. E se o outro otário que tá com você me disse que não é seu marido, então já te falei, quando precisar de alguma coisa, é só me falar..."
Sara engoliu saliva de novo, encarando ele, "Armando, eu não sei..."
O velho a interrompeu, "Sabe como sua filha goza com essa pica que eu tenho aqui? Hein? Ela te contou? Sabe os gritos que ela dá, tenho que tapar a boca dela pra não ter treta com os vizinhos. Você me disse que faz bem pra menina, e sim, eu atendo ela muito bem. Olha só. Talvez não seja a única que precisa de um macho de verdade que coma ela bem comida. Por isso... quando precisar, é só me falar."
"Melhor você ir, Armando.", conseguiu dizer Sara Ela parecia bem perturbada com o que acabara de ouvir.
"É, melhor eu ir", disse Armando e deu um beijão na bochecha dela, que Sara não evitou.
Armando foi embora, Sara fechou a porta e eu vi ela ficar parada no hall, levando a mão ao peito e recuperando o fôlego que tinha segurado por um tempo.
Eu, já cansado de ver a coisa indo de mal a pior, só desliguei o celular e parei de olhar.
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