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Tem uma reedição completa de "Minha prima, Mara: o caminho da tentação", com narrativa melhorada e capítulos novos em mais de 780 páginas.A ideia maluca da minha irmãDescobrimos há pouquíssimo tempo que nosso velho morreu. Bom, nosso pai biológico, digamos assim.
Já nem lembro quando foi a última vez que a gente viu ele. Pelo menos eu. Com certeza, eu ainda era criança.
Alina e eu éramos muito pequenos quando nosso progenitor tomou a decisão unilateral de ir pra puta que pariu. Ele nos largou e, de repente, nossa mãe ficou desamparada.
Claro que a última coisa que a gente imaginava era que aquilo era o melhor que podia ter acontecido.
Se aquele filho da puta vivia maltratando minha velha…
Mas enfim, ele não tá mais aqui. Não importa.
O que importa, ou melhor, o que importam são as dívidas que ele deixou e que minha mãe, já velha, tinha que carregar.
Ainda escuto o choro dela quando chegou a notificação do embargo da casa. A única casa dela…
Como pode alguém ser tão escroto na vida? Ter que continuar fudendo até depois de morto…
É isso.
Alina e eu não sabíamos o que fazer…
O total das dívidas chegava a quarenta mil dólares.
Como podia ser tanto?
Uma fortuna do caralho…
Pra piorar, os prazos estavam apertados e a gente precisava arrumar o dinheiro urgente, se não quiséssemos perder a casa.
Claro que a primeira coisa que fizemos foi tentar um empréstimo no banco, mas tanto Alina quanto eu, ainda estudantes de universidade e com empregos de merda, estávamos longe de conseguir.
Muito menos minha mãe, já aposentada.
Quarenta mil dólares?
Inacreditável…
Tentamos encontrar conhecidos dele, pra pelo menos ter uma ideia melhor da vida que ele levava. Talvez ele tivesse outros credores, sei lá.
Só levávamos porta na cara cada vez que mencionávamos o nome dele…
Às vezes, é melhor não cavar muito fundo…
Pra começar, eu comecei a fazer horas extras no jornal onde trabalhava. Não era muito, mas pelo menos me deixava fazer alguma coisa.
Vendi os consoles clássicos de videogame que tinha comprado na infância. Sim, com muita dor no coração, mas tive que fazer.
Alina também, no estúdio… contador, pediu hora extra e aumento, ha.
Quando ela teve a ideia de vender as Barbies dela, não deixei. Com muito esforço, minha mãe tinha comprado aquilo pra ela.
“Antes vendo meu corpo”, falei.
Ela agradeceu meu gesto, mas acho que no fundo guardava a possibilidade de fazer isso…
É uma merda que com 25 anos a gente tenha que passar por isso…
Tendo que catar coisas pra conseguir pagar uma dívida que nem é nossa, mas que se a gente deixar, perde a casa. Nosso lar…
Fazia tempo que eu e a Alina mantínhamos isso, já que a gente morava aqui os três. Desde sempre.
Era o nosso lugar…
Como a gente ia perder?
Só tínhamos mais alguns meses pra cobrir essa dívida antes da casa ser leiloada, e as chances eram cada vez menores.
Só um banco nos deu a remota chance, remota, de conceder um empréstimo pela urgência da situação, mas mesmo assim, não cobria o total da dívida, que ainda tinha custas e honorários, claro.
A gente tava na piscina do fundo com a Alina, conversando sobre a estratégia a seguir, sobre um possível financiador.
E sim, se a gente tivesse que ir pra um agiota…
— Não sei, Ali… Esses caras são mais perigosos que o banco…
“A morena da mamãe”, como minha mãe chamava, nadava de um lado pro outro na piscina. Aquela que a gente tanto suou pra construir no fundo do chalé de casa.
— Muitas mais opções não tão sobrando, Joaquim…
Eu tava sentado numa espreguiçadeira, de short, tomando água. Da torneira, claro…
— Ainda não juntamos nem 3 mil dólares…
— E vendemos tudo que dava pra vender… E trabalhar mais, não dá…
— Não, eu sei… Acho que hoje é a primeira vez em meses que relaxo um pouco…
Ela chegou perto da borda da piscina, apoiando as mãos no antitérmico, enquanto me olhava, falando.
Dava pra ver tristeza nos olhos azuis dela…
Por mais que o Sol tentasse esconder, o rosto branco dela aparecia perfeitamente.
Nem as sardas conseguiam disfarçar. Ela tava carregando muita angústia.
— É a nossa casa, Joa… Da mamãe…
— Eu sei, gorda… Mas o que mais a gente pode fazer?
—Aquele empréstimo que a gente pediu…
—O que que tem?
—Não vão nos dar… É óbvio…
—É provável, sim…
—Se deixassem a gente financiar de outro jeito…
—Se fizessem isso… Iam pedir garantias… Garantias que a gente não tem, ha…
Ela se lamentou, saindo da água com sua biquíni preta.
—E é… Se não, onlyfans haha… — Exclamou enquanto se secava.
Eu olhei pra ela.
—Cê é capaz de pensar nisso de verdade, né? — Perguntei brincando.
Ela riu, me batendo com a toalha.
—É… Não tô mal, né? Mamãe me deu raba e peitão… — Disse mostrando a bunda enfiada na calcinha.
—Sai, suja haha… — Falei desviando o olhar e me tapando com a mão.
—Haha, que otário…
—Por quê?
—Você ainda fica vermelho toda vez que vê meus peitos ou a raba… É muito fofo…
—Cê é minha irmã, porra… Quer que eu bata uma punheta também?
Ela se cagou de rir.
Ela tinha razão sobre o corpo dela. Sempre foi muito peituda. E não tô falando porque ficava olhando. Não. É pelo óbvio, ha.
E de rabão também.
Ainda por cima agora ela esfregou na minha cara.
Difícil não ver…
Acho que ela deve ter uns 1,70m. É um pouco mais baixa que eu.
E, sim… Ela levou toda a beleza… Não deixou nada pra mim, ha.
Enfim, apesar de ela estar falando na brincadeira, já não tínhamos muitas alternativas.
O mais irônico é que há meses, nossa vida tinha se resumido completamente a tentar resolver esse problema.
Acho que o único prazer que a gente tinha se dado foi passar aquele sábado um tempinho ao sol juntos.
Já nem lembrava quando tinha comprado algo pra mim…
Nenhum dos dois tava namorando, também. Então não dava pra contar com ajuda extra, se fosse o caso.
Éramos só nós dois, contra o mundo e essa herança maldita que nos empurraram por Lei.
As noites eram as piores…
Ficava horas e horas maquinando. Procurando opções, chances…
Não aguentaria ver minha mãe na rua…
Muito menos a Alina…
Com o salário dela ou o meu, é impossível. Alugar um lugar pra morar. Claro, se não for um barraco num bairro de emergência…
Ainda faltava pra gente se formar e começar a trabalhar na nossa área. Bastante pra dizer: já tô no mercado gerando mais-valia.
Eram umas 2h da manhã quando alguém bateu na porta do meu quarto.
– Sim? – Respondi baixinho.
– Tá acordado, Joa?
Era a Alina.
– Se não tivesse, não tava falando contigo, gênia… – Dei risada.
– Fala sério, mano… Posso entrar?
Me cobri com o lençol, já que dormia só de cueca.
– Claro, sim, entra…
– Licença… –
Ela entrou no quarto na surdina pra não acordar a velha.
Me lembrou quando éramos crianças e tinha tempestade. Fazia exatamente a mesma coisa, hehe…
– O que foi?
Ela entrou com a camiseta cinza da Minnie. Uma daquelas que usava pra dormir.
O cabelo dela, preto fosco, parecia recém-alisado e tava mais comprido que o normal.
– Você também não consegue dormir, né?
Eu ri.
– Parece que a gente tá na mesma…
Ela sentou do meu lado na cama.
– Juro que me quebra ver a mãe assim… Não aguento mais…
– É…
– Ela finge que não, mas vive chorando… Pode crer…
– E viu? Ela não vai te falar… Mas dá pra perceber…
– Tava pensando em levar ela pra algum lugar pra distrair um pouco…
– Pra onde?
– Sei lá… Passear no Tigre, por exemplo…
– Hum… Pode ser…
– Talvez assim o humor dela melhore um pouco…
Suspirei, pensando.
– Eu… E o advogado, o que te falou, aliás?
– Hum… Que ia tentar montar um plano de financiamento, mas… – Respondi balançando a cabeça.
– Não tá muito confiante, né?
– Acho que não vão aceitar com três mil dólares de base… Mas fazer o quê, pelo menos mostra a boa vontade…
– O que eu não entendo é… Eles ficam com a casa?
– Não… Não é uma hipoteca… O bem tá gravado. Pra pegar o valor da dívida, você tem que liquidar o bem, leiloar… Se não, como transforma em grana?
– Ahh…
– Eles não tão nem aí pra casa… Na real, a casa tá avaliada em 110 mil dólares… E a dívida é de 40… Chuta que com as custas e gastos dá uns 50?
– Nossa, mano… Cada vez mais…
– Pois é…
Ela se deitou em cima de mim. pra eu abraçar ela.
—Tem que sair algum empréstimo… Não pode ser que uma pessoa perca a casa injustamente… Tudo por ser casada?
—Pois é…
Alina se mordia de raiva.
E a verdade é que a situação era muito arbitrária. Demais…
—Ainda por cima não nos deu nada… Não nos deixou nada… E ainda fode a nossa vida com dívidas?
—Bom, nos deixou olhos azuis… Pra nós dois… — respondi entre risadas.
Afinal, tinha que levar na brincadeira, senão…
—Que idiota… — Ela riu, se mordendo.
—Te incomoda eu ficar aqui?
—Tipo quando a gente tinha doze ou treze?
—É… Tô me sentindo muito triste, mano…
Me deu uma ternura danada.
—Beleza, mas fica do lado de fora porque tô de calcinha kkk
—Kkk… Mas não tá frio…
Ela ficou deitada do meu lado.
—A gente vai sair dessa… Né? — Ela perguntou.
—Sim…
—Você acredita mesmo nisso?
—Sim, Ali… Do jeito que sempre fizemos…
Ela sorriu de lado…
Acho que minhas palavras confortavam ela.
—Espero que sim…
—Apaguei o abajur…
—Eu vi errado ou você ainda tem aquele pôster do goleiro do River levantando a taça?
—O do Trapito? Sim… E vai ficar lá pra sempre hehe
—Aquele eu te dei faz tipo uns 10 anos?
—É, mais ou menos… Em 2015…
—Pô, amigo…
Ela me fez rir.
—Eterno…
—Lembro quando vi na banca de jornal… E como você chorava quando eles foram campeões… Tive que comprar…
—Kkk era só um moleque… E você foi foda…
Lembrei disso.
Foi um puta gesto da parte dela.
—Tomara que possa continuar pendurado lá…
—Vai ver que sim, fica tranquila…
Passei a mão no ombro dela.
—Ai, faz uma massagem, vai…
—Não enche o saco… São duas da manhã…
—Vai que eu durmo… Igual quando éramos pequenos e eu vinha dormir com você…
—Mas não somos mais pequenos… E você é bem chata…
Ela começou a rir.
—Qual é o problema agora?
—Lembra quando chovia forte e eu vinha deitar aqui?
—Sim…
—Mamãe não gostava kkk
—Pois é, não… Kkk…
—Meu irmão… Você não falava nada… Me protegia… Mas ela às vezes descobria e te enchia o saco…
—Verdade kkk
—Mas éramos criancinhas inocentes -Jaja
-Mas é, você já não é mais criança e de inocente não tem nada… — Exclamou irônica e entre risadas.
-Epa! E isso?
-Sei lá, pergunta pra sua última namorada, a que você ferrou…
-Ponto número um, não ferrei nada… Ela não entendia que tinha acabado… Ponto número dois, ela me perseguia… E ponto número três… O que você tem a ver com isso, girl? — E fiz cócegas debaixo dos braços dela…
-Ai, não… Para… Não seja otário, Joaquim… — Ela começou a chutar, tentando não fazer barulho.
Eu ri.
Mas tive que soltar ela.
Não seria uma imagem bonita a velha acordar e nos ver brigando na minha cama, jaja.
Já não tínhamos doze anos…
-Acabei de lembrar que você tem muitas cócegas…
-Sim, não seja otário… Infiel…
-Na, na… Não me enche…
-Jaja… Como você se altera…
-Se ela me deixou louco…
-Sim, confesso que ela me parecia um pouquinho… — Ela parou.
-O quê?
-Possessiva? Jaja
-Maçã…
-Não se faz, porque ela dormiu aqui um bocado, hein…
-E daí? Até você dormiu aqui…
-Jaja, você tem razão!
-Mas um dia você parou de vir… Certeza que a mamãe te deu uma bronca, né?
-Eu?
-É…
-Não jaja… Não foi por isso que parei de vir…
-Não? Eu achava que sim
-Não… — Ela riu
-Então?
-Vou te contar, Coração… Numa certa idade… As garotas… Temos nossa primeira… Não sei como explicar…
Claro!
Que otário eu sou…
Nossa…
Que vergonha…
-Já entendi, não me fala nada…
-Bom, por isso… Imagina se isso acontecesse comigo…
-Alina!
-O quê?
-Não quero essa imagem… Obrigado…
Ela me deu uma palmada na bunda.
-Jaja… Que girl…
-Como?
Ela me deu outra…
-Agora valorizo a felicidade de todos esses anos dormindo sozinho…
-Cala a boca, idiota…
-Jaja…
-Bem que você olhou pra minha bunda hoje…
-Você é louca… Acha que sou um degenerado?
-Mmm…
-Jaja, tá duvidando?
Essa young lady me tirava do sério…
Mas sabia que era na brincadeira, por isso aguentava.
-Você não é degenerado se a bunda na sua frente é gostosa…
-Ah, olha… Claro…
-Ou não é?
Incrível o que a gente conversava no escuro…
-Não, não, óbvio… Sim…
-Sim, o quê?
Eu ri.
-Você é uma idiota… Como é que eu ia ficar olhando pra bunda dela?
Ela tava viajando…
Suspirou.
— O que foi?
— E se eu te perguntar de verdade?
— Como?
Meio que não entendi.
— Isso…
— O que, se você perguntar de verdade?
— Se eu tenho uma bunda boa… O que você diria? E não vem com essa de que sou sua irmã…
What???
Por que ela tá me perguntando isso?
— Eu não responderia…
— Por quê?
— Porque você é minha irmã… Seria sem noção…
— Mas eu que tô perguntando…
— E você é sem noção, haha… — Eu ri. Pra ser sincero, já tava meio desconfortável.
— Fala sério, mano… Não é brincadeira…
— E precisa perguntar pra mim?
— Sim, você tá aqui…
Comecei a morrer de rir.
— Pergunta pra um ficante seu… Ou seu ex…
— Nada… Não adianta, haha
— Meu Deus…
— Bom… Você me viu hoje, né?
— Quando? Do que você tá falando?
— Na piscina, Joa… Como outras vezes…
— Haha, você tá falando sério, sua filha da puta…
— Shh, mano… Sim, óbvio… Quero te perguntar uma coisa, por isso…
— Pra mim?
— Sim…
— O quê?
Já tava mais acordado que o diabo…
O que essa maluca queria?
— Você, como homem…
— Sim…
— Se eu não fosse sua irmã… Você diria que sou gostosa?
— Haha… — Ri nervoso.
— Não vou ficar brava, idiota…
— Sim, idiota… Você é bonita… E tem um corpo legal… Qual é?
— Então… Se você visse uma gostosa igual hoje, quando a gente tava na piscina… Se não fosse eu, você pegava…
— Haha… E… Sim… Claro…
— Certeza? Seria eu, mas não eu, entendeu?
— Como?
— Se você visse uma pessoa igual a mim, mas que não fosse sua irmã… Assim de fio dental e sutiã…
Engoli seco.
— Mmm…
— O quê?
— Sssim… Sim… Por quê? — Perguntei passando a mão na nuca.
— Porque preciso da sua ajuda com uma coisa… Já pensei…
— Com o quê?
— Preciso que me ajude com umas fotos…
Fotos?
Não tava entendendo nada…
— Que fotos?
— Descobri um jeito de fazer grana rápido…
— Hã? A gente não tinha combinado que nenhum dos dois ia se prostituir, haha
— Não, idiota… Vou criar um onlyfans…
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Tem uma reedição completa de "Minha prima, Mara: o caminho da tentação", com narrativa melhorada e capítulos novos em mais de 780 páginas.A ideia maluca da minha irmãDescobrimos há pouquíssimo tempo que nosso velho morreu. Bom, nosso pai biológico, digamos assim.
Já nem lembro quando foi a última vez que a gente viu ele. Pelo menos eu. Com certeza, eu ainda era criança.
Alina e eu éramos muito pequenos quando nosso progenitor tomou a decisão unilateral de ir pra puta que pariu. Ele nos largou e, de repente, nossa mãe ficou desamparada.
Claro que a última coisa que a gente imaginava era que aquilo era o melhor que podia ter acontecido.
Se aquele filho da puta vivia maltratando minha velha…
Mas enfim, ele não tá mais aqui. Não importa.
O que importa, ou melhor, o que importam são as dívidas que ele deixou e que minha mãe, já velha, tinha que carregar.
Ainda escuto o choro dela quando chegou a notificação do embargo da casa. A única casa dela…
Como pode alguém ser tão escroto na vida? Ter que continuar fudendo até depois de morto…
É isso.
Alina e eu não sabíamos o que fazer…
O total das dívidas chegava a quarenta mil dólares.
Como podia ser tanto?
Uma fortuna do caralho…
Pra piorar, os prazos estavam apertados e a gente precisava arrumar o dinheiro urgente, se não quiséssemos perder a casa.
Claro que a primeira coisa que fizemos foi tentar um empréstimo no banco, mas tanto Alina quanto eu, ainda estudantes de universidade e com empregos de merda, estávamos longe de conseguir.
Muito menos minha mãe, já aposentada.
Quarenta mil dólares?
Inacreditável…
Tentamos encontrar conhecidos dele, pra pelo menos ter uma ideia melhor da vida que ele levava. Talvez ele tivesse outros credores, sei lá.
Só levávamos porta na cara cada vez que mencionávamos o nome dele…
Às vezes, é melhor não cavar muito fundo…
Pra começar, eu comecei a fazer horas extras no jornal onde trabalhava. Não era muito, mas pelo menos me deixava fazer alguma coisa.
Vendi os consoles clássicos de videogame que tinha comprado na infância. Sim, com muita dor no coração, mas tive que fazer.
Alina também, no estúdio… contador, pediu hora extra e aumento, ha.
Quando ela teve a ideia de vender as Barbies dela, não deixei. Com muito esforço, minha mãe tinha comprado aquilo pra ela.
“Antes vendo meu corpo”, falei.
Ela agradeceu meu gesto, mas acho que no fundo guardava a possibilidade de fazer isso…
É uma merda que com 25 anos a gente tenha que passar por isso…
Tendo que catar coisas pra conseguir pagar uma dívida que nem é nossa, mas que se a gente deixar, perde a casa. Nosso lar…
Fazia tempo que eu e a Alina mantínhamos isso, já que a gente morava aqui os três. Desde sempre.
Era o nosso lugar…
Como a gente ia perder?
Só tínhamos mais alguns meses pra cobrir essa dívida antes da casa ser leiloada, e as chances eram cada vez menores.
Só um banco nos deu a remota chance, remota, de conceder um empréstimo pela urgência da situação, mas mesmo assim, não cobria o total da dívida, que ainda tinha custas e honorários, claro.
A gente tava na piscina do fundo com a Alina, conversando sobre a estratégia a seguir, sobre um possível financiador.
E sim, se a gente tivesse que ir pra um agiota…
— Não sei, Ali… Esses caras são mais perigosos que o banco…
“A morena da mamãe”, como minha mãe chamava, nadava de um lado pro outro na piscina. Aquela que a gente tanto suou pra construir no fundo do chalé de casa.
— Muitas mais opções não tão sobrando, Joaquim…
Eu tava sentado numa espreguiçadeira, de short, tomando água. Da torneira, claro…
— Ainda não juntamos nem 3 mil dólares…
— E vendemos tudo que dava pra vender… E trabalhar mais, não dá…
— Não, eu sei… Acho que hoje é a primeira vez em meses que relaxo um pouco…
Ela chegou perto da borda da piscina, apoiando as mãos no antitérmico, enquanto me olhava, falando.
Dava pra ver tristeza nos olhos azuis dela…
Por mais que o Sol tentasse esconder, o rosto branco dela aparecia perfeitamente.
Nem as sardas conseguiam disfarçar. Ela tava carregando muita angústia.
— É a nossa casa, Joa… Da mamãe…
— Eu sei, gorda… Mas o que mais a gente pode fazer?
—Aquele empréstimo que a gente pediu…
—O que que tem?
—Não vão nos dar… É óbvio…
—É provável, sim…
—Se deixassem a gente financiar de outro jeito…
—Se fizessem isso… Iam pedir garantias… Garantias que a gente não tem, ha…
Ela se lamentou, saindo da água com sua biquíni preta.
—E é… Se não, onlyfans haha… — Exclamou enquanto se secava.
Eu olhei pra ela.
—Cê é capaz de pensar nisso de verdade, né? — Perguntei brincando.
Ela riu, me batendo com a toalha.
—É… Não tô mal, né? Mamãe me deu raba e peitão… — Disse mostrando a bunda enfiada na calcinha.
—Sai, suja haha… — Falei desviando o olhar e me tapando com a mão.
—Haha, que otário…
—Por quê?
—Você ainda fica vermelho toda vez que vê meus peitos ou a raba… É muito fofo…
—Cê é minha irmã, porra… Quer que eu bata uma punheta também?
Ela se cagou de rir.
Ela tinha razão sobre o corpo dela. Sempre foi muito peituda. E não tô falando porque ficava olhando. Não. É pelo óbvio, ha.
E de rabão também.
Ainda por cima agora ela esfregou na minha cara.
Difícil não ver…
Acho que ela deve ter uns 1,70m. É um pouco mais baixa que eu.
E, sim… Ela levou toda a beleza… Não deixou nada pra mim, ha.
Enfim, apesar de ela estar falando na brincadeira, já não tínhamos muitas alternativas.
O mais irônico é que há meses, nossa vida tinha se resumido completamente a tentar resolver esse problema.
Acho que o único prazer que a gente tinha se dado foi passar aquele sábado um tempinho ao sol juntos.
Já nem lembrava quando tinha comprado algo pra mim…
Nenhum dos dois tava namorando, também. Então não dava pra contar com ajuda extra, se fosse o caso.
Éramos só nós dois, contra o mundo e essa herança maldita que nos empurraram por Lei.
As noites eram as piores…
Ficava horas e horas maquinando. Procurando opções, chances…
Não aguentaria ver minha mãe na rua…
Muito menos a Alina…
Com o salário dela ou o meu, é impossível. Alugar um lugar pra morar. Claro, se não for um barraco num bairro de emergência…
Ainda faltava pra gente se formar e começar a trabalhar na nossa área. Bastante pra dizer: já tô no mercado gerando mais-valia.
Eram umas 2h da manhã quando alguém bateu na porta do meu quarto.
– Sim? – Respondi baixinho.
– Tá acordado, Joa?
Era a Alina.
– Se não tivesse, não tava falando contigo, gênia… – Dei risada.
– Fala sério, mano… Posso entrar?
Me cobri com o lençol, já que dormia só de cueca.
– Claro, sim, entra…
– Licença… –
Ela entrou no quarto na surdina pra não acordar a velha.
Me lembrou quando éramos crianças e tinha tempestade. Fazia exatamente a mesma coisa, hehe…
– O que foi?
Ela entrou com a camiseta cinza da Minnie. Uma daquelas que usava pra dormir.
O cabelo dela, preto fosco, parecia recém-alisado e tava mais comprido que o normal.
– Você também não consegue dormir, né?
Eu ri.
– Parece que a gente tá na mesma…
Ela sentou do meu lado na cama.
– Juro que me quebra ver a mãe assim… Não aguento mais…
– É…
– Ela finge que não, mas vive chorando… Pode crer…
– E viu? Ela não vai te falar… Mas dá pra perceber…
– Tava pensando em levar ela pra algum lugar pra distrair um pouco…
– Pra onde?
– Sei lá… Passear no Tigre, por exemplo…
– Hum… Pode ser…
– Talvez assim o humor dela melhore um pouco…
Suspirei, pensando.
– Eu… E o advogado, o que te falou, aliás?
– Hum… Que ia tentar montar um plano de financiamento, mas… – Respondi balançando a cabeça.
– Não tá muito confiante, né?
– Acho que não vão aceitar com três mil dólares de base… Mas fazer o quê, pelo menos mostra a boa vontade…
– O que eu não entendo é… Eles ficam com a casa?
– Não… Não é uma hipoteca… O bem tá gravado. Pra pegar o valor da dívida, você tem que liquidar o bem, leiloar… Se não, como transforma em grana?
– Ahh…
– Eles não tão nem aí pra casa… Na real, a casa tá avaliada em 110 mil dólares… E a dívida é de 40… Chuta que com as custas e gastos dá uns 50?
– Nossa, mano… Cada vez mais…
– Pois é…
Ela se deitou em cima de mim. pra eu abraçar ela.
—Tem que sair algum empréstimo… Não pode ser que uma pessoa perca a casa injustamente… Tudo por ser casada?
—Pois é…
Alina se mordia de raiva.
E a verdade é que a situação era muito arbitrária. Demais…
—Ainda por cima não nos deu nada… Não nos deixou nada… E ainda fode a nossa vida com dívidas?
—Bom, nos deixou olhos azuis… Pra nós dois… — respondi entre risadas.
Afinal, tinha que levar na brincadeira, senão…
—Que idiota… — Ela riu, se mordendo.
—Te incomoda eu ficar aqui?
—Tipo quando a gente tinha doze ou treze?
—É… Tô me sentindo muito triste, mano…
Me deu uma ternura danada.
—Beleza, mas fica do lado de fora porque tô de calcinha kkk
—Kkk… Mas não tá frio…
Ela ficou deitada do meu lado.
—A gente vai sair dessa… Né? — Ela perguntou.
—Sim…
—Você acredita mesmo nisso?
—Sim, Ali… Do jeito que sempre fizemos…
Ela sorriu de lado…
Acho que minhas palavras confortavam ela.
—Espero que sim…
—Apaguei o abajur…
—Eu vi errado ou você ainda tem aquele pôster do goleiro do River levantando a taça?
—O do Trapito? Sim… E vai ficar lá pra sempre hehe
—Aquele eu te dei faz tipo uns 10 anos?
—É, mais ou menos… Em 2015…
—Pô, amigo…
Ela me fez rir.
—Eterno…
—Lembro quando vi na banca de jornal… E como você chorava quando eles foram campeões… Tive que comprar…
—Kkk era só um moleque… E você foi foda…
Lembrei disso.
Foi um puta gesto da parte dela.
—Tomara que possa continuar pendurado lá…
—Vai ver que sim, fica tranquila…
Passei a mão no ombro dela.
—Ai, faz uma massagem, vai…
—Não enche o saco… São duas da manhã…
—Vai que eu durmo… Igual quando éramos pequenos e eu vinha dormir com você…
—Mas não somos mais pequenos… E você é bem chata…
Ela começou a rir.
—Qual é o problema agora?
—Lembra quando chovia forte e eu vinha deitar aqui?
—Sim…
—Mamãe não gostava kkk
—Pois é, não… Kkk…
—Meu irmão… Você não falava nada… Me protegia… Mas ela às vezes descobria e te enchia o saco…
—Verdade kkk
—Mas éramos criancinhas inocentes -Jaja
-Mas é, você já não é mais criança e de inocente não tem nada… — Exclamou irônica e entre risadas.
-Epa! E isso?
-Sei lá, pergunta pra sua última namorada, a que você ferrou…
-Ponto número um, não ferrei nada… Ela não entendia que tinha acabado… Ponto número dois, ela me perseguia… E ponto número três… O que você tem a ver com isso, girl? — E fiz cócegas debaixo dos braços dela…
-Ai, não… Para… Não seja otário, Joaquim… — Ela começou a chutar, tentando não fazer barulho.
Eu ri.
Mas tive que soltar ela.
Não seria uma imagem bonita a velha acordar e nos ver brigando na minha cama, jaja.
Já não tínhamos doze anos…
-Acabei de lembrar que você tem muitas cócegas…
-Sim, não seja otário… Infiel…
-Na, na… Não me enche…
-Jaja… Como você se altera…
-Se ela me deixou louco…
-Sim, confesso que ela me parecia um pouquinho… — Ela parou.
-O quê?
-Possessiva? Jaja
-Maçã…
-Não se faz, porque ela dormiu aqui um bocado, hein…
-E daí? Até você dormiu aqui…
-Jaja, você tem razão!
-Mas um dia você parou de vir… Certeza que a mamãe te deu uma bronca, né?
-Eu?
-É…
-Não jaja… Não foi por isso que parei de vir…
-Não? Eu achava que sim
-Não… — Ela riu
-Então?
-Vou te contar, Coração… Numa certa idade… As garotas… Temos nossa primeira… Não sei como explicar…
Claro!
Que otário eu sou…
Nossa…
Que vergonha…
-Já entendi, não me fala nada…
-Bom, por isso… Imagina se isso acontecesse comigo…
-Alina!
-O quê?
-Não quero essa imagem… Obrigado…
Ela me deu uma palmada na bunda.
-Jaja… Que girl…
-Como?
Ela me deu outra…
-Agora valorizo a felicidade de todos esses anos dormindo sozinho…
-Cala a boca, idiota…
-Jaja…
-Bem que você olhou pra minha bunda hoje…
-Você é louca… Acha que sou um degenerado?
-Mmm…
-Jaja, tá duvidando?
Essa young lady me tirava do sério…
Mas sabia que era na brincadeira, por isso aguentava.
-Você não é degenerado se a bunda na sua frente é gostosa…
-Ah, olha… Claro…
-Ou não é?
Incrível o que a gente conversava no escuro…
-Não, não, óbvio… Sim…
-Sim, o quê?
Eu ri.
-Você é uma idiota… Como é que eu ia ficar olhando pra bunda dela?
Ela tava viajando…
Suspirou.
— O que foi?
— E se eu te perguntar de verdade?
— Como?
Meio que não entendi.
— Isso…
— O que, se você perguntar de verdade?
— Se eu tenho uma bunda boa… O que você diria? E não vem com essa de que sou sua irmã…
What???
Por que ela tá me perguntando isso?
— Eu não responderia…
— Por quê?
— Porque você é minha irmã… Seria sem noção…
— Mas eu que tô perguntando…
— E você é sem noção, haha… — Eu ri. Pra ser sincero, já tava meio desconfortável.
— Fala sério, mano… Não é brincadeira…
— E precisa perguntar pra mim?
— Sim, você tá aqui…
Comecei a morrer de rir.
— Pergunta pra um ficante seu… Ou seu ex…
— Nada… Não adianta, haha
— Meu Deus…
— Bom… Você me viu hoje, né?
— Quando? Do que você tá falando?
— Na piscina, Joa… Como outras vezes…
— Haha, você tá falando sério, sua filha da puta…
— Shh, mano… Sim, óbvio… Quero te perguntar uma coisa, por isso…
— Pra mim?
— Sim…
— O quê?
Já tava mais acordado que o diabo…
O que essa maluca queria?
— Você, como homem…
— Sim…
— Se eu não fosse sua irmã… Você diria que sou gostosa?
— Haha… — Ri nervoso.
— Não vou ficar brava, idiota…
— Sim, idiota… Você é bonita… E tem um corpo legal… Qual é?
— Então… Se você visse uma gostosa igual hoje, quando a gente tava na piscina… Se não fosse eu, você pegava…
— Haha… E… Sim… Claro…
— Certeza? Seria eu, mas não eu, entendeu?
— Como?
— Se você visse uma pessoa igual a mim, mas que não fosse sua irmã… Assim de fio dental e sutiã…
Engoli seco.
— Mmm…
— O quê?
— Sssim… Sim… Por quê? — Perguntei passando a mão na nuca.
— Porque preciso da sua ajuda com uma coisa… Já pensei…
— Com o quê?
— Preciso que me ajude com umas fotos…
Fotos?
Não tava entendendo nada…
— Que fotos?
— Descobri um jeito de fazer grana rápido…
— Hã? A gente não tinha combinado que nenhum dos dois ia se prostituir, haha
— Não, idiota… Vou criar um onlyfans…
9 comentários - Alina