Bom, voltando às lembranças da minha adolescência, elas vêm todas de uma vez e são muitas, talvez vocês possam ir me guiando e perguntando pra eu lembrar. Como eu disse, a gente se juntava na casa desse colega que tinha revistas pornô. Em troca, eu fazia praticamente todas as figurinhas da escola secundária no industrial pra ele. O turno e o contraturno da escola eram as desculpas perfeitas pra cair naquele quartinho que ele tinha no terraço, sentar no banco comprido e ficar vendo revista pornô. Pra garantir que ninguém nos descobrisse, a gente já tinha aceitado a sugestão do dono da casa de bater uma sentados no quarto, um do lado do outro. A gente limpava a porra depois com roupa suja que tinha num cesto de lavar ou com panos velhos. Na maioria das vezes, a gente se juntava só eu e ele. Muitas vezes teve um terceiro amigo, algumas vezes um quarto, e um dia chegamos a ser seis. Cada vez que entrava um novo punheteiro, eu alimentava duas esperanças opostas, e sempre pensava que era bem possível que uma ou outra se realizasse, justamente por serem tão diferentes: ou o novo integrante tinha o pau maior que o do dono da casa, pra ele parar de encher o saco e humilhar todo mundo... ou que tivesse menor que o meu, pra eu não ser sempre o alvo das piadas por ser o de pinto pequeno do grupo. Nunca aconteceu nem uma coisa nem outra. Falando do problema que meu tamanho me causava, sempre nossos progressos nas atividades punheteiras tinham a premissa de que: "quem tem o menor faz de mulher", situação que eu sempre contestava, mas perdia na votação geral. A situação que mais me lembro disso foi um dia que um dos meninos na escola rasgou a calça de ginástica na virilha. Não dava pra notar muito, mas bastou um perceber pra todo mundo do grupo começar a zoar ele. Até que alguém teve a ideia de dizer que era uma buceta o que ele tinha, e assim ficou o apelido do rasgo na calça. Naquele dia, aquele garoto, outro, meu amigo dono da casa e eu fomos na saída da escola pro quartinho do meu amigo ver revistas pornô. A revista nova era sobre uma mulher que ia a uma oficina consertar o carro e acabava sendo comida pelos mecânicos, que eram vários. A revista era muito boa, a trama cheia de putaria, e logo estávamos todos com o pau na mão olhando e batendo uma. O garoto da calça rasgada, num momento que se levantou pra ajeitar a calça, brincou fazendo o gesto de enfiar o pau pelo buraco como se fosse uma buceta, e todos rimos pra caralho. Não sei de quem foi, mas a ideia de brincar de repetir a situação da mulher na oficina usando a buceta da calça de ginástica animou todo mundo. A ideia agradou a todos, mas claro, ninguém queria fazer de mulher. Naquele instante apareceu a famosa frase: quem tem o menor pau faz de mulher! Eu me opus terminantemente, mas o argumento de todos era o mesmo: não faria sentido e seria chato que os mecânicos que comessem a mulher tivessem paus pequenos. Foi assim que, por votação, acabei usando a calça do meu amigo e fui convidado a atuar como a mulher casada que vinha buscar na oficina um carro que o marido tinha deixado pra consertar. Nós rachamos o bico de rir no começo, até eu conseguir pegar o tom, a atitude e o cenário que o papel exigia. Todos nós nos envolvemos tanto que a atuação saiu perfeita. Claro que, quando estávamos no auge da cena, começaram a rolar muitas situações que não tínhamos imaginado (ou eu não tinha imaginado) antes de começar a brincadeira. Vou tirar uns dias pra lembrar bem da situação e montar um relato maneiro sobre isso.
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