Tudo começou no mesmo dia em que nasci, embora eu não tivesse consciência disso. Sei que desde aquele dia eu era uma menina. Fui a segunda filha que meus pais tiveram, apesar de eu ter nascido menino. Me colocaram o nome de Carlos. Minha irmã Sara era dois anos mais velha que eu, e um ano e meio depois chegou a Gisela. Meus pais são Antônio e Carmem. Meu pai é advogado e minha mãe tem uma loja de roupas. Eu cresci brincando com minhas irmãs. Mesmo tendo carrinhos e brinquedos de menino, eu gostava de bonecas, de brincar de pentear minhas irmãs e de brincar de casinha. Lembro que meu primeiro presente de Natal que pedi foi um Nenuco e um kit de cabeleireiro. Isso fez meus pais terem uma discussão. Meu pai não achava certo, mas minha mãe era diferente e não via problema nenhum nisso. Fui crescendo e, com o tempo, cada vez ficava mais evidente. Eu era um garoto magrinho, afeminado e com uma voz mais feminina. Desde bem pequeno, eu já tinha certeza: queria ter cabelo comprido como minhas irmãs para poder fazer rabos de cavalo, coisa que elas faziam em mim. Eu tinha cabelo preto. Aos sete anos, já pedi para minha mãe furar minhas orelhas, mas só consegui aos dez. Nessa época, eu já pegava a roupa das minhas irmãs e vestia escondido. Meus pais se separaram nesse meio tempo. Assim fui até chegar no Ensino Médio. Minha vida escolar não foi fácil. Os meninos implicavam comigo, me chamando de bichinha, mas sempre fui forte nesse sentido e não ligava. Já tinha muito claro naquela idade o que eu era. Meu grupo de amigos era só de meninas. Embora tivesse algum amigo, eu não costumava andar com eles. Preferia brincar com elas, e elas me tratavam como uma delas. A ponto de me chamarem de Carla. Mas tudo virou de cabeça para baixo na minha vida em um carnaval, quando eu já estava no 3º ano do Ensino Médio. Decidiram que os meninos iriam de jogadores de futebol e as meninas de cheerleaders. Falaram em fazer o contrário, ideia que eu adorei, mas os meninos não quiseram se vestir de cheerleader por mais que tentassem convencê-los. convencer, eu fiquei muito decepcionado. No caminho pra casa, eu tava com a Laura, uma colega e amiga da escola, e falei: — Sabe, Laura, eu queria ter ido de animadora, acho que seria divertido. — De você eu já esperava isso, hahaha. — Do jeito que os meninos ficaram, eu não teria conseguido nada, e ainda iam começar a me zoar. — Devia ter falado, é carnaval, não tem problema dar sua opinião. — É, mas você sabe como eles são. — Oi, e por que você não se veste de animadora com a gente? — Pois é, vou fazer isso. — Beleza. Faltava um mês ainda pro carnaval, fui com as meninas comprar a fantasia. Os meninos cada um vestiu a do time dele. A de animadora era toda rosa, com a parte do peito branca, em formato de bico até o pescoço, e de alcinhas. Como ia fazer frio, decidiram usar uma malha ou um body rosa de manga comprida. Naquele dia, fomos na casa da Laura e eu experimentei. Ficou perfeito, era bem curto, e com minha inexperiência usando vestidos, no pouco tempo que fiquei com ele, deixei ver a cueca várias vezes, já que o body ainda não tinha. Depois, uma colega emprestou um pra Laura. E assim chegou o dia. Acordei cedo e fui na casa da Laura. Ela deixou tudo preparado no quarto dela. — Bom dia, Laura. — Bom dia, Carla. Em cima da cama tá tudo. Olhei pra cama, me aproximei e, ao ver, reparei que também tinha uma calcinha rosa. — E isso? — falei, pegando ela. — Sua calcinha. — Tenho que vestir a calcinha também? — Claro, você é uma animadora. Além disso, não achou que ia usar aquela cueca feia por baixo do body, né? — Sei lá, se os meninos me virem com isso, vão ter mais motivo pra me zoar. — Ignora eles, além disso, combina com o sutiã. — Tá bom. No fim, coloquei. Pra ser sincero, eu tava morrendo de vontade de usar. Quando vesti, ela deu uma gargalhada, porque fiquei só de calcinha e sutiã na frente dela. Ela colocou umas meias simulando peitos, e o body por cima da calcinha, que Veian pelas bordas do body, era a primeira vez que eu usava um, e por último o vestido, umas meias brancas que iam até os joelhos e uns sapatos de salto branco que a Rosa, mãe da Laura, deixou pra gente, e calçava 37 igual eu. A Laura me disse que todas as minas iam de salto pra ficar mais sexys. Quando cheguei no colégio, vi que ela tinha me enganado: foram todas de tênis, menos eu. Mas, antes disso, a Laura e a Rosa me maquiaram com tons claros, lábios cor de rosinha, e me fizeram duas maria-chiquinhas com lacinhos rosa e dois brincos de menina. Depois de maquiada, tava irreconhecível, parecia uma garota de verdade. — Carla, agora você é uma cheerleader bem sexy e gostosa. — Uau, que loucura, pareço uma mina. — Pois é, no colégio ninguém vai te reconhecer, ninguém ia adivinhar que você é o Carlos à primeira vista. — Bom, Carla, então já podemos ir.
No caminho pro colégio, quase caí várias vezes, era a primeira vez que usava salto na rua. Mas o pior era o body: ele era meio pequeno e ficava enfiado junto com a calcinha no meu cu, me deixando super desconfortável. Além disso, tava um frio do caralho nas pernas, subia até deixar minha bunda gelada. Quando cheguei no colégio, fomos até onde estavam as outras cheerleaders. Eu me aproximei morrendo de vergonha, de cabeça baixa. A Laura cumprimentou: — Oi, minas, bom dia. — Bom dia, Laura. Aí me viram. Minha cara não dava pra ver direito, tava olhando pro chão, sem coragem de levantar a cabeça. — E essa quem é? — Nossa Carla. — Carla, hahaha, que gostosa você tá, se eu te cruzasse na rua não sabia quem era. — Bom, e o que acharam? — Uma loucura, mano, passa perfeitamente por uma de nós. Me juntei a elas no meio do grupo, era a atração, todas me olhavam e comentavam como eu tava bem. Passaram vários caras da sala e nenhum sacou nada quando cumprimentaram a gente. Antes de entrar na sala, as minas tinham que ir no banheiro. Eu fui junto. Primeiro, o banheiro feminino, que assim que chegamos elas foram entrando, e eu ia seguir. Fui andando até o banheiro dos meninos, mas a Laura me pegou pelo braço e me levou com elas. Entrei num box e fiz xixi sentadinho, igual uma menina. Adorava fazer assim, vendo minha calcinha na altura dos joelhos. Quando saí, comentei com a Laura sobre o body.
— Não sei como vocês aguentam usar isso, o body sobe e entra no meu cu, incomoda pra caralho.
— Deixa eu arrumar pra você — ela disse, sem me dar tempo de evitar que levantasse minha saia e todas vissem minha bunda coberta pela calcinha e pelo body.
— Olha lá, hahaha — falou uma — ela também usa calcinha.
Naquela hora, subiu um calorão e minha cara ficou vermelha de vergonha.
— Claro — disse a Laura — o que você queria que ela usasse? Você nunca usou?
— Claro que uso, mas é normal, sou uma menina.
— Hoje você também é, né?
— É — respondi bem baixinho, morrendo de vergonha.
Ela tentou arrumar o body, mas disse que tava pequeno pra mim e por isso subia, que eu teria que me acostumar.
— Então não sei se vou aguentar a manhã toda assim, incomoda demais.
— Pode deixar desabotoado se incomodar muito.
— É, acho melhor.
Ajeitei a parte de baixo do body sem abotoar, puxando pra cima, e fomos pra aula. Chegamos as últimas, todo mundo já sentado. Na sala, a gente era dividido: do lado direito as meninas, do esquerdo os meninos. Fui pra minha carteira enquanto a classe toda me olhava, principalmente os meninos, que ainda não tinham me visto assim. Ouvi uns "gostosa" ou "tá uma delícia", com risadas, mas sem maldade. Até que passei pelo Pedro, o metido da sala, que sempre se achava o melhor e zoava os outros.
— Olha só, se não é o viado do Carlos — ele disse quando passei por ele, e levantou minha saia — olha, o viadinho usa calcinha rosa, já tava falando que ele era viado.
Eu não sabia onde me enfiar, mas aí uma colega rebateu:
— Então olha, Pedro, o Carlos tem mais culhão que qualquer um de vocês. Ele teve coragem de se fantasiar assim e se divertir, diferente de vocês. Que de jogadora de futebol, a gente se veste quase todo dia pra jogar. Vem, Carlos, senta aqui com a gente. Quando terminei de falar, teve colegas que aplaudiram o que ela disse. Eu, enquanto isso, sentei numa carteira que tava no meio delas, e na hora chegou a profe Mercedes, uma profe nova de 30 anos e super gente boa. Ela começa a chamar a lista em ordem alfabética até chegar no meu. — Carlos Ortiz — enquanto olhava pra minha carteira — presente. — Cadê você? Vem, senta no seu lugar. — Aqui, senhorita — falei levantando a mão, mas ela nem ligou pra minha mão porque as minhas colegas da frente estavam me tampando e só dava pra ver uma parte da minha cabeça com um rabo de cavalo rosa. — Carlos, para de brincar e vai pro seu lugar. — Tá bom. Levantei do meu lugar e ia indo pro meu quando ela falou: — E você, aonde vai? Senta aí. — Ué, pro meu lugar, como a senhora mandou. — Carlos, hahaha, como eu ia te reconhecer? Você tá muito bem disfarçada. Vem cá, chega mais perto pra eu te ver direito, hahaha, fica bem em você ir de cheerleader, você tá muito gostosa. — Obrigada, senhorita. — De nada, volta pro seu lugar que a gente termina de chamar a lista porque temos que nos preparar pra sair pelo bairro. — Já vou — e fui pra minha carteira. — Aonde vai, senhorita Ortiz? — disse ela se dirigindo a mim. — Pro meu lugar. — Não, por hoje você pode sentar com as meninas. — Obrigada, senhorita — falei com uma voz bem mais feminina do que já era. — Hahaha, anda, senta, menina. Aquele "senhorita" e "menina" que ela disse com carinho me fez bem. Sentei com minhas colegas e, entre a defesa que elas tinham feito de mim e as palavras da profe, me senti confortável e perdi o nervosismo e a vergonha do começo, e me comportei como sempre tinha querido: como uma garota. Naquele momento, me senti feliz e sortuda por poder viver aquele momento. Saímos pro pátio antes de ir pra rua, onde ensaiamos cantos de cheerleader e dançamos. Já durante a saída, que durou quase duas horas, a gente não parou de dançar e cantar, e sem perceber eu já tava andando de salto como toda uma mocinha. Fui a sensação. Entre as mães dos meus colegas, todo mundo me elogiou pela fantasia. No meio da rua, minha mãe estava esperando pra me ver. Ela não sabia nada do que eu ia vestido. Me procurou, mas não me viu, até que eu me aproximei e a cumprimentei. — Oi, mãe. — Carlos, mas o que você tá fazendo fantasiado assim? hahaha — Bom, já viu, a Laura me enrrolou. — É, claro, e você que nem precisa de muita enrrolação. — Pois é. — Tá muito bom, por isso não te encontrava hahaha — Bom, mãe, vou indo que tão me esperando. — Tchau, filha hahaha — Tchau.
Mas como tudo acaba, chegou o momento final e cada um foi pra sua casa. O tempo passou voando e fiquei triste porque aquilo tinha acabado e eu não sabia quando poderia se repetir. Mas já no caminho de casa, Marta e Sonia nos chamaram de longe. — Querem vir esta tarde pra rua do povoado? — Valeu, tô dentro. — E você, Carla, o que diz? — Valeu. — Ok, até mais, meninas. Ah, Carla, você tem que vir assim. — Sim.
Em casa, teve sessão de fotos com minha mãe e minhas irmãs. Elas morreram de rir quando viram que eu tava de calcinha. Enquanto comíamos, perguntei se podia ir pra rua. Ela disse que sim. Só que fiz algumas mudanças na fantasia: tirei o body e coloquei uma meia-calça cor da pele da minha irmã mais velha, e ela também me emprestou uma jaqueta preta pra ficar mais agasalhada. Ainda retocaram minha maquiagem. Às cinco da tarde, Laura passou pra me buscar e fomos pro ponto de encontro com as outras. Ficamos passeando até a hora da rua, entramos depois que já tinha começado e passamos o tempo todo dançando, pulando e cantando igual umas loucas. O namorado da Marta se juntou a nós com mais cinco amigos, que ele apresentou pra quem não conhecia. E eu, já bem metida no personagem, cumprimentei todos igual as outras, com dois beijinhos. E assim continuamos nos divertindo até a hora de ir embora. Laura e eu tínhamos que estar em casa às nove, mas não sem antes combinar pra sábado à tarde, pra ir na festa de carnaval pros adolescentes, que ia ter uma discoteca móvel. Combinamos de ir fantasiados. diferente. —Bom, amanhã a gente se vê —disse a Marta—, mas vêm fantasiadas de outra coisa. —Ok —disse a Laura. —Pô, eu não sei, não tenho nenhuma —respondi eu. —Fica tranquila, Carla, que eu acho algo pra você entre minhas roupas. —Tá bom, se não tiver outro jeito. —Agora vai me dizer que não se divertiu com a gente? —Claro que sim, me diverti pra caralho. —Então pronto, amanhã você se fantasia de garota de novo. —Ok.
Naquela noite, depois do jantar, minha irmã me ajudou a tirar a maquiagem e fui dormir de calcinha por baixo do pijama. Era a primeira vez que ia dormir usando uma e tava super excitado. Já de manhã, levantei e desci pra tomar café com a família, depois fui tomar banho. Aí me vesti com minhas roupas e fiquei a manhã toda em casa estudando. Contei pra minha mãe o plano da tarde e ela disse que tudo bem, mas que ia pegar umas coisas da minha irmã mais velha. Ela pegou várias saias longas e curtas, mas tinha uma que eu gostei muito e peguei ela, dizendo: "Quero essa." Uma minissaia preta rodada que, experimentada por cima, chegava no meio da coxa. Ela completou com uma camiseta de manga longa e gola redonda branca, uma meia-calça preta, um conjunto de roupa íntima branca, uma jaqueta preta e uns sapatos da minha irmã, um número maior que o meu. Descemos pra almoçar e subimos rápido pra me vestir. Depois me maquiaram um pouco mais forte que no dia anterior, com lábios vermelhos intensos. Me penteou com o cabelo solto de um jeito bem feminino e eu já tava pronto pra sair. Passei um tempão me olhando no espelho. Minha mãe e minhas irmãs riam ao me ver. —Puxa, tenho três filhas lindas agora, né Carlos, ou prefere que eu te chame de Carla? Não é assim que suas amigas te chamam? —Como você sabe disso? —Um dia uma amiga sua ligou e perguntou pela Carla, aí depois pediu desculpas e falou Carlos. —É, elas me chamam assim de brincadeira, sou o único garoto do grupo. —Querido, sou sua mãe, não dá pra me enganar. Desde pequenininho eu percebi. —Percebeu o quê? —Quando a gente descobriu que você ia ser menino. Nós ficamos muito felizes, mas desde pequeno você viveu vida de menina, por dentro sempre foi e está na hora de você se decidir, seja o que for, sou sua mãe e isso ninguém vai mudar, e vou te amar do mesmo jeito, vou estar do seu lado sempre e vou te apoiar em tudo. Agora me diz, ou quando estiver preparado, quem você quer ser: Carlos ou Carla? Eu comecei a chorar de ouvir aquilo, e nem pensei na resposta. — Carla. — Tem certeza? — Sim. Minha mãe me abraçou chorando, e depois minhas irmãs se juntaram, ficamos assim por um tempo. — Então a partir de hoje em casa você será Carla, vou ter que comprar roupas pra você, mas sua irmã tem muita e com certeza vai te emprestar, embora pro colégio você tenha que ir como sempre, e essa semana vou buscar informações sobre a ajuda que você precisa e o que tem que fazer. — Obrigada, mãe, te amo. Bom, vou indo que a Laura está me esperando. Peguei o celular e um pouco de dinheiro, e quando já estava saindo, minha mãe me chamou: — Espera, tá faltando uma bolsinha, não vai sair com isso na mão. Ela me trouxe uma bolsinha preta pequena, pendurou em mim, colocou minhas coisas e me deu um beijo. — Vai, vai se divertir. Abri a porta e, assim que fechei, percebi que estava sozinha na rua pela primeira vez vestida assim, e tinha quase dez minutos até a casa da Laura. Me deu uma mistura de nervosismo e excitação que me fez passar um pouco mal, mas decidi andar firme e rápido. Cruzei com muita gente e com um grupo de caras que falaram umas coisas, mas não liguei pra ninguém. O caminho pareceu eterno, cheguei na casa dela, toquei a campainha e ela mandou subir. A Rosa abriu a porta: — Que gostosa você tá hoje, parece que tá pegando gosto por usar saia. — Sim, tô gostando — saiu da minha boca sem pensar. A Laura apareceu já vestida de bruxa, e de lá fomos buscar a Marta e a Sônia. A princípio iríamos nós quatro e o namorado da Marta com os amigos dele. Quando encontramos elas, demos dois beijos e elas falaram: — Nossa, Carla, que gostosa você tá, vai deixar os caras doidões, hahaha. Rimos. Às quatro fomos pra barraca onde a gente ia encontrar o namorado dela e o resto. A gente chegou primeiro, começou a dançar na hora. Pouco depois eles chegaram e entraram na dança também. Entre eles tava o Ruben, um cara que já tinha vindo no dia anterior, cabelo moreno, um pouquinho mais alto que eu, e pra mim muito gostoso, e também dois anos mais velho. Eu já tinha reparado nele no dia antes, tipo, eu tava afim e via algo especial nele. Depois de um tempinho dançando, ele começou a ficar na minha frente, dançando comigo e falando comigo, mas eu não dei muita bola. Depois de um bom tempo dançando, a gente foi sentar nuns degraus que tinha lá, e o Ruben sentou do meu lado e foi se aproximando devagar. Daí, depois de um tempo, ele levantou os braços e colocou um por cima do meu ombro. Eu peguei no braço dele e tirei, e a gente continuou conversando como se nada tivesse acontecido, mas ele continuava se chegando em mim e o braço direito dele foi passando por trás das minhas costas. Eu fui deixando, e ele percebeu, e quando chegou do outro lado, subiu o braço e me pegou pela cintura. — Ruben, você tá se enganando, sou um garoto fantasiado de garota, não sei se você percebeu. — Já sei, Carla, e é isso que eu gosto em você. — O que você gosta em mim? — É que eu gosto de você como garota, você é bonita e feminina, e parece sexy. — Valeu, mas sou um garoto por baixo da fantasia. — Sim, mas eu vejo você. A gente continuou um tempão falando sobre isso e cada vez ele me puxava mais pra perto dele e eu me sentia cada vez mais confortável assim, fui relaxando aos poucos até que, sem perceber, eu tava com a cabeça apoiada no ombro dele e a gente continuava conversando. O resto do pessoal tava na deles e a Laura tinha ido pegar uma garrafa d'água. Eu me sentia cada vez melhor assim e fui me acomodando mais nele, até que senti um beijo na bochecha. Nessa hora, levantei a cabeça um pouco e meus lábios encontraram os dele. Ele me beijou de leve, se afastou um pouco, olhou nos meus olhos, eu sorri e devolvi o beijo. nossos lábios não se separaram mais, era minha primeira vez, meu primeiro beijo e eu tava vestida de garota e com um garoto, eu não sabia como agir mas continuei com meus lábios colados nos dele me deixando levar. Aos poucos fui mudando minha posição, me virei pra ele, encolhi minhas pernas e passei um braço por trás do pescoço dele e a outra mão apoiada no ombro dele enquanto ele me envolvia com os braços por trás, ficando os dois de frente e os lábios bem grudados, percorrendo nossas bocas com a língua. Pela primeira vez me senti uma menina de verdade. Teve um momento de pausa em que ficamos nos olhando e dando beijinhos, e o Ruben no meu ouvido perguntou: — Carla, você quer ser minha namorada? Um momento de silêncio. — Não sei, você me gusta mas a gente acabou de se conhecer. — Não precisa me responder agora, mas me promete que vai pensar. — Te prometo. A gente tava de novo se pegando quando a Laura chegou e perguntou por mim: — E a Carla, cadê? — Tá ali enroscada com o Ruben. — Pussy, Carla, o que você tá fazendo? Olhei pra ela e sorri, mas não soube o que dizer. Ela me pegou pelo braço e quase me arrastando me levou pra fora, na rua. — Mas pode me dizer o que você tá fazendo? — Não sei. Ela foi se aproximando de mim e sem perceber eu tinha a boca dela colada na minha. — Porra, tia, já era hein. — É, tenho que te contar uma coisa, mas como é que eu explico isso? Não sei, bom, olha, é que eu sou uma garota, me sinto garota, e a partir de hoje vou ser uma garota. Conversei com minha mãe e ela vai me ajudar. — Tô chocada contigo. — Sabe de uma coisa? O Ruben me perguntou se quero ser namorada dele. — Conta, conta, o que você disse? — Que ia pensar, mas já pensei. — É? E o que vai dizer? — Que sim. — Porra, tia, que rápida você vai. — É que eu gosto muito dele e ele beija tão bem. — Kkkkk. Voltamos pra dentro com os outros e eu me aninhei de novo com o Ruben, e continuamos nos pegando sem parar. Um tempo depois soltei: — Ruben, já pensei e sim, quero ser sua namorada. Ele não disse nada, só me abraçou mais forte e me deu um beijo que durou dez. Minutos depois, a gente foi dar uma volta. Ficamos de mãos dadas o tempo todo e ele me acompanhou quase até a porta de casa. Combinamos de nos ver de novo no dia seguinte. Quando cheguei em casa, minha mãe tinha uma surpresa pra mim: em cima da minha cama, tinha um monte de coisas pra mim. Ela tinha ido comprar calcinhas, sutiãs, uma minissaia preta elástica, um vestido branco, um pijama rosa, um par de sapatos, um Nike rosa e umas roupas da minha irmã que ela não usava mais. Depois do jantar, experimentei tudo. Fiquei tão feliz de ter minhas próprias roupas. Fui dormir com meu pijama novo. No dia seguinte, acordei, tomei um banho e me vesti com o que ia usar naquele dia: uma minissaia jeans, uma legging preta, uma tanga preta, uma camiseta rosa clarinho e meu Nike novo. Só faltava a jaqueta. Desci, ajudei minha mãe e o que me surpreendeu foi que tudo foi normal, o tratamento comigo. Como se eu sempre tivesse sido uma menina. Me tratavam no feminino o tempo todo e isso me fazia sentir muito confortável. Chegou a hora do almoço e depois minhas irmãs me ajudaram com a maquiagem. Saí sozinha de novo. Duas ruas abaixo, o Ruben estava me esperando. A gente deu um passeio e depois ele me convidou pra uma Coca Booty. E como tava muito frio, ele sugeriu ir pra casa do pai dele, que não tinha ninguém, e a gente podia ficar tranquilo e ver um filme. Lá, ele ligou a TV e a gente nem deu bola. Começamos a nos beijar assim que sentamos no sofá. Daqui a pouco, ele já tinha uma mão no meu peito, me acariciando como se eu tivesse peitos de verdade, e a outra tinha levantado minha saia e tava passando a mão na minha bunda. Uffffff, que gostoso que tava aquilo. Eu tava totalmente entregue aos beijos e carícias dele. Comecei a acariciar o peito dele e ele não demorou pra tirar a camiseta. Com uma mão, eu ia acariciando e descendo até o umbigo dele, mas não passava dali, não tinha coragem de descer mais. Mas daí ele pegou minha mão e colocou em cima do volume dele, por cima da calça. Comecei a acariciar e sentia que ele Ele tava bem duro, já fazia um tempo que tava assim quando ele desabotoou a calça e eu, sem pensar, meti minha mão e comecei a acariciar ele por dentro. Era a primeira vez que eu tocava numa que não fosse a minha, mas sabia o que ele queria. Enquanto continuava beijando ele, comecei a bater uma pra ele. Num momento que a gente parou de se beijar, eu olhei pra baixo pra ver ela, ele riu e perguntou: — O que você achou? — Sei lá, é a primeira que vejo assim, e é maior que a minha. — Você gostou? — Sei lá, acho que sim. — Por que não dá um beijinho nela? — Safado, que nojo. — Nojo por quê? Minha outra parceira gostava. — Dava beijos? Quantas namoradas você já teve? — Dava beijinhos e chupava ela, assim como você é a primeira, o outro era um cara. — Sei lá, chupar ali que nojo. — Você não sabe, nunca experimentou. — Já, mas sei lá, dá um medo. — Experimenta e vai saber. — Mas só um beijinho. Aproximei minha boca e dei um beijo, mas não senti gosto de nada especial. Voltei a aproximar meus lábios e dessa vez chupei a pontinha e notei um gosto meio salgado, e ouvi um "mmmmm" saindo da boca dele. Continuei chupando e comecei a percorrer ela com minha língua, e aos poucos fui enfiando ela inteira na boca, que ia ficando cheia de um líquido viscoso. Eu ouvia ele aproveitando, e isso me deixava com mais tesão, fazendo eu chupar com mais vontade até que no final ele disse: — Mmmmmm, vou gozar. Não deu tempo de tirar ela da boca quando senti um jato quente dentro dela, que me deu ânsia e fez eu tirar ela da boca. Mas passado aquele primeiro susto, o gosto que ficou na minha boca me agradou, e eu voltei a me agarrar nela até deixar bem limpinha. Ficou a beirada da minha boca toda cheia de porra que tinha escorrido pra fora. Subi pra beijar ele, mas ele não deixou: — Agora não, gostosa, você tá com a boca cheia do meu gozo e eu não gosto. Aquilo me deixou meio chateada, mas entendi. Aquele dia foi o começo da minha grande devoção de hoje em dia, que é curtir uma boa rola na minha boca. Meu relacionamento com o Ruben durou 8 meses, até que meu... Meu corpo começou a ganhar formas femininas, e aí ele já não gostava mais. Nosso relacionamento se resumia a beijos e boquetes que eu dava nele, mas lembro com muito carinho, foi meu primeiro amor. Um mês depois de começar com ele, iniciei minha terapia hormonal. No ano seguinte, já comecei como Carla, embora na minha documentação ainda constasse Carlos, coisa que só consegui mudar depois de completar 18 anos. Com um ano de terapia, já estava toda uma mocinha, com uns peitinhos pequenos e bonitos, mas já faziam um belo decote. Não tive mais relações até bem depois dos 18, quando conheci o Andrés. Conheci ele numa noite de festa numa balada LGBT, por intermédio de um amigo, e um mês depois cruzei com ele de novo e acabamos nos pegando. Ele me levou pra casa dele e, entre um beijo e outro, fomos nos despindo. Passei meus lábios pelo corpo dele até meter na boca um pau de 19 cm. Enquanto isso, ele brincava com meus peitos com as mãos. Ele não deixou eu gozar no boquete, me levou pra cama, lubrificou bem meu cu, me colocou de quatro e, aos poucos, foi enfiando tudo até o fundo. Doeu pra caralho no começo, mas depois de umas estocadas leves, ele já me fazia gozar que nem uma puta. Depois do Andrés, vieram vários caras até hoje, que continuo curtindo a vida sem amarras com ninguém.
No caminho pro colégio, quase caí várias vezes, era a primeira vez que usava salto na rua. Mas o pior era o body: ele era meio pequeno e ficava enfiado junto com a calcinha no meu cu, me deixando super desconfortável. Além disso, tava um frio do caralho nas pernas, subia até deixar minha bunda gelada. Quando cheguei no colégio, fomos até onde estavam as outras cheerleaders. Eu me aproximei morrendo de vergonha, de cabeça baixa. A Laura cumprimentou: — Oi, minas, bom dia. — Bom dia, Laura. Aí me viram. Minha cara não dava pra ver direito, tava olhando pro chão, sem coragem de levantar a cabeça. — E essa quem é? — Nossa Carla. — Carla, hahaha, que gostosa você tá, se eu te cruzasse na rua não sabia quem era. — Bom, e o que acharam? — Uma loucura, mano, passa perfeitamente por uma de nós. Me juntei a elas no meio do grupo, era a atração, todas me olhavam e comentavam como eu tava bem. Passaram vários caras da sala e nenhum sacou nada quando cumprimentaram a gente. Antes de entrar na sala, as minas tinham que ir no banheiro. Eu fui junto. Primeiro, o banheiro feminino, que assim que chegamos elas foram entrando, e eu ia seguir. Fui andando até o banheiro dos meninos, mas a Laura me pegou pelo braço e me levou com elas. Entrei num box e fiz xixi sentadinho, igual uma menina. Adorava fazer assim, vendo minha calcinha na altura dos joelhos. Quando saí, comentei com a Laura sobre o body.
— Não sei como vocês aguentam usar isso, o body sobe e entra no meu cu, incomoda pra caralho.
— Deixa eu arrumar pra você — ela disse, sem me dar tempo de evitar que levantasse minha saia e todas vissem minha bunda coberta pela calcinha e pelo body.
— Olha lá, hahaha — falou uma — ela também usa calcinha.
Naquela hora, subiu um calorão e minha cara ficou vermelha de vergonha.
— Claro — disse a Laura — o que você queria que ela usasse? Você nunca usou?
— Claro que uso, mas é normal, sou uma menina.
— Hoje você também é, né?
— É — respondi bem baixinho, morrendo de vergonha.
Ela tentou arrumar o body, mas disse que tava pequeno pra mim e por isso subia, que eu teria que me acostumar.
— Então não sei se vou aguentar a manhã toda assim, incomoda demais.
— Pode deixar desabotoado se incomodar muito.
— É, acho melhor.
Ajeitei a parte de baixo do body sem abotoar, puxando pra cima, e fomos pra aula. Chegamos as últimas, todo mundo já sentado. Na sala, a gente era dividido: do lado direito as meninas, do esquerdo os meninos. Fui pra minha carteira enquanto a classe toda me olhava, principalmente os meninos, que ainda não tinham me visto assim. Ouvi uns "gostosa" ou "tá uma delícia", com risadas, mas sem maldade. Até que passei pelo Pedro, o metido da sala, que sempre se achava o melhor e zoava os outros.
— Olha só, se não é o viado do Carlos — ele disse quando passei por ele, e levantou minha saia — olha, o viadinho usa calcinha rosa, já tava falando que ele era viado.
Eu não sabia onde me enfiar, mas aí uma colega rebateu:
— Então olha, Pedro, o Carlos tem mais culhão que qualquer um de vocês. Ele teve coragem de se fantasiar assim e se divertir, diferente de vocês. Que de jogadora de futebol, a gente se veste quase todo dia pra jogar. Vem, Carlos, senta aqui com a gente. Quando terminei de falar, teve colegas que aplaudiram o que ela disse. Eu, enquanto isso, sentei numa carteira que tava no meio delas, e na hora chegou a profe Mercedes, uma profe nova de 30 anos e super gente boa. Ela começa a chamar a lista em ordem alfabética até chegar no meu. — Carlos Ortiz — enquanto olhava pra minha carteira — presente. — Cadê você? Vem, senta no seu lugar. — Aqui, senhorita — falei levantando a mão, mas ela nem ligou pra minha mão porque as minhas colegas da frente estavam me tampando e só dava pra ver uma parte da minha cabeça com um rabo de cavalo rosa. — Carlos, para de brincar e vai pro seu lugar. — Tá bom. Levantei do meu lugar e ia indo pro meu quando ela falou: — E você, aonde vai? Senta aí. — Ué, pro meu lugar, como a senhora mandou. — Carlos, hahaha, como eu ia te reconhecer? Você tá muito bem disfarçada. Vem cá, chega mais perto pra eu te ver direito, hahaha, fica bem em você ir de cheerleader, você tá muito gostosa. — Obrigada, senhorita. — De nada, volta pro seu lugar que a gente termina de chamar a lista porque temos que nos preparar pra sair pelo bairro. — Já vou — e fui pra minha carteira. — Aonde vai, senhorita Ortiz? — disse ela se dirigindo a mim. — Pro meu lugar. — Não, por hoje você pode sentar com as meninas. — Obrigada, senhorita — falei com uma voz bem mais feminina do que já era. — Hahaha, anda, senta, menina. Aquele "senhorita" e "menina" que ela disse com carinho me fez bem. Sentei com minhas colegas e, entre a defesa que elas tinham feito de mim e as palavras da profe, me senti confortável e perdi o nervosismo e a vergonha do começo, e me comportei como sempre tinha querido: como uma garota. Naquele momento, me senti feliz e sortuda por poder viver aquele momento. Saímos pro pátio antes de ir pra rua, onde ensaiamos cantos de cheerleader e dançamos. Já durante a saída, que durou quase duas horas, a gente não parou de dançar e cantar, e sem perceber eu já tava andando de salto como toda uma mocinha. Fui a sensação. Entre as mães dos meus colegas, todo mundo me elogiou pela fantasia. No meio da rua, minha mãe estava esperando pra me ver. Ela não sabia nada do que eu ia vestido. Me procurou, mas não me viu, até que eu me aproximei e a cumprimentei. — Oi, mãe. — Carlos, mas o que você tá fazendo fantasiado assim? hahaha — Bom, já viu, a Laura me enrrolou. — É, claro, e você que nem precisa de muita enrrolação. — Pois é. — Tá muito bom, por isso não te encontrava hahaha — Bom, mãe, vou indo que tão me esperando. — Tchau, filha hahaha — Tchau.
Mas como tudo acaba, chegou o momento final e cada um foi pra sua casa. O tempo passou voando e fiquei triste porque aquilo tinha acabado e eu não sabia quando poderia se repetir. Mas já no caminho de casa, Marta e Sonia nos chamaram de longe. — Querem vir esta tarde pra rua do povoado? — Valeu, tô dentro. — E você, Carla, o que diz? — Valeu. — Ok, até mais, meninas. Ah, Carla, você tem que vir assim. — Sim.
Em casa, teve sessão de fotos com minha mãe e minhas irmãs. Elas morreram de rir quando viram que eu tava de calcinha. Enquanto comíamos, perguntei se podia ir pra rua. Ela disse que sim. Só que fiz algumas mudanças na fantasia: tirei o body e coloquei uma meia-calça cor da pele da minha irmã mais velha, e ela também me emprestou uma jaqueta preta pra ficar mais agasalhada. Ainda retocaram minha maquiagem. Às cinco da tarde, Laura passou pra me buscar e fomos pro ponto de encontro com as outras. Ficamos passeando até a hora da rua, entramos depois que já tinha começado e passamos o tempo todo dançando, pulando e cantando igual umas loucas. O namorado da Marta se juntou a nós com mais cinco amigos, que ele apresentou pra quem não conhecia. E eu, já bem metida no personagem, cumprimentei todos igual as outras, com dois beijinhos. E assim continuamos nos divertindo até a hora de ir embora. Laura e eu tínhamos que estar em casa às nove, mas não sem antes combinar pra sábado à tarde, pra ir na festa de carnaval pros adolescentes, que ia ter uma discoteca móvel. Combinamos de ir fantasiados. diferente. —Bom, amanhã a gente se vê —disse a Marta—, mas vêm fantasiadas de outra coisa. —Ok —disse a Laura. —Pô, eu não sei, não tenho nenhuma —respondi eu. —Fica tranquila, Carla, que eu acho algo pra você entre minhas roupas. —Tá bom, se não tiver outro jeito. —Agora vai me dizer que não se divertiu com a gente? —Claro que sim, me diverti pra caralho. —Então pronto, amanhã você se fantasia de garota de novo. —Ok.
Naquela noite, depois do jantar, minha irmã me ajudou a tirar a maquiagem e fui dormir de calcinha por baixo do pijama. Era a primeira vez que ia dormir usando uma e tava super excitado. Já de manhã, levantei e desci pra tomar café com a família, depois fui tomar banho. Aí me vesti com minhas roupas e fiquei a manhã toda em casa estudando. Contei pra minha mãe o plano da tarde e ela disse que tudo bem, mas que ia pegar umas coisas da minha irmã mais velha. Ela pegou várias saias longas e curtas, mas tinha uma que eu gostei muito e peguei ela, dizendo: "Quero essa." Uma minissaia preta rodada que, experimentada por cima, chegava no meio da coxa. Ela completou com uma camiseta de manga longa e gola redonda branca, uma meia-calça preta, um conjunto de roupa íntima branca, uma jaqueta preta e uns sapatos da minha irmã, um número maior que o meu. Descemos pra almoçar e subimos rápido pra me vestir. Depois me maquiaram um pouco mais forte que no dia anterior, com lábios vermelhos intensos. Me penteou com o cabelo solto de um jeito bem feminino e eu já tava pronto pra sair. Passei um tempão me olhando no espelho. Minha mãe e minhas irmãs riam ao me ver. —Puxa, tenho três filhas lindas agora, né Carlos, ou prefere que eu te chame de Carla? Não é assim que suas amigas te chamam? —Como você sabe disso? —Um dia uma amiga sua ligou e perguntou pela Carla, aí depois pediu desculpas e falou Carlos. —É, elas me chamam assim de brincadeira, sou o único garoto do grupo. —Querido, sou sua mãe, não dá pra me enganar. Desde pequenininho eu percebi. —Percebeu o quê? —Quando a gente descobriu que você ia ser menino. Nós ficamos muito felizes, mas desde pequeno você viveu vida de menina, por dentro sempre foi e está na hora de você se decidir, seja o que for, sou sua mãe e isso ninguém vai mudar, e vou te amar do mesmo jeito, vou estar do seu lado sempre e vou te apoiar em tudo. Agora me diz, ou quando estiver preparado, quem você quer ser: Carlos ou Carla? Eu comecei a chorar de ouvir aquilo, e nem pensei na resposta. — Carla. — Tem certeza? — Sim. Minha mãe me abraçou chorando, e depois minhas irmãs se juntaram, ficamos assim por um tempo. — Então a partir de hoje em casa você será Carla, vou ter que comprar roupas pra você, mas sua irmã tem muita e com certeza vai te emprestar, embora pro colégio você tenha que ir como sempre, e essa semana vou buscar informações sobre a ajuda que você precisa e o que tem que fazer. — Obrigada, mãe, te amo. Bom, vou indo que a Laura está me esperando. Peguei o celular e um pouco de dinheiro, e quando já estava saindo, minha mãe me chamou: — Espera, tá faltando uma bolsinha, não vai sair com isso na mão. Ela me trouxe uma bolsinha preta pequena, pendurou em mim, colocou minhas coisas e me deu um beijo. — Vai, vai se divertir. Abri a porta e, assim que fechei, percebi que estava sozinha na rua pela primeira vez vestida assim, e tinha quase dez minutos até a casa da Laura. Me deu uma mistura de nervosismo e excitação que me fez passar um pouco mal, mas decidi andar firme e rápido. Cruzei com muita gente e com um grupo de caras que falaram umas coisas, mas não liguei pra ninguém. O caminho pareceu eterno, cheguei na casa dela, toquei a campainha e ela mandou subir. A Rosa abriu a porta: — Que gostosa você tá hoje, parece que tá pegando gosto por usar saia. — Sim, tô gostando — saiu da minha boca sem pensar. A Laura apareceu já vestida de bruxa, e de lá fomos buscar a Marta e a Sônia. A princípio iríamos nós quatro e o namorado da Marta com os amigos dele. Quando encontramos elas, demos dois beijos e elas falaram: — Nossa, Carla, que gostosa você tá, vai deixar os caras doidões, hahaha. Rimos. Às quatro fomos pra barraca onde a gente ia encontrar o namorado dela e o resto. A gente chegou primeiro, começou a dançar na hora. Pouco depois eles chegaram e entraram na dança também. Entre eles tava o Ruben, um cara que já tinha vindo no dia anterior, cabelo moreno, um pouquinho mais alto que eu, e pra mim muito gostoso, e também dois anos mais velho. Eu já tinha reparado nele no dia antes, tipo, eu tava afim e via algo especial nele. Depois de um tempinho dançando, ele começou a ficar na minha frente, dançando comigo e falando comigo, mas eu não dei muita bola. Depois de um bom tempo dançando, a gente foi sentar nuns degraus que tinha lá, e o Ruben sentou do meu lado e foi se aproximando devagar. Daí, depois de um tempo, ele levantou os braços e colocou um por cima do meu ombro. Eu peguei no braço dele e tirei, e a gente continuou conversando como se nada tivesse acontecido, mas ele continuava se chegando em mim e o braço direito dele foi passando por trás das minhas costas. Eu fui deixando, e ele percebeu, e quando chegou do outro lado, subiu o braço e me pegou pela cintura. — Ruben, você tá se enganando, sou um garoto fantasiado de garota, não sei se você percebeu. — Já sei, Carla, e é isso que eu gosto em você. — O que você gosta em mim? — É que eu gosto de você como garota, você é bonita e feminina, e parece sexy. — Valeu, mas sou um garoto por baixo da fantasia. — Sim, mas eu vejo você. A gente continuou um tempão falando sobre isso e cada vez ele me puxava mais pra perto dele e eu me sentia cada vez mais confortável assim, fui relaxando aos poucos até que, sem perceber, eu tava com a cabeça apoiada no ombro dele e a gente continuava conversando. O resto do pessoal tava na deles e a Laura tinha ido pegar uma garrafa d'água. Eu me sentia cada vez melhor assim e fui me acomodando mais nele, até que senti um beijo na bochecha. Nessa hora, levantei a cabeça um pouco e meus lábios encontraram os dele. Ele me beijou de leve, se afastou um pouco, olhou nos meus olhos, eu sorri e devolvi o beijo. nossos lábios não se separaram mais, era minha primeira vez, meu primeiro beijo e eu tava vestida de garota e com um garoto, eu não sabia como agir mas continuei com meus lábios colados nos dele me deixando levar. Aos poucos fui mudando minha posição, me virei pra ele, encolhi minhas pernas e passei um braço por trás do pescoço dele e a outra mão apoiada no ombro dele enquanto ele me envolvia com os braços por trás, ficando os dois de frente e os lábios bem grudados, percorrendo nossas bocas com a língua. Pela primeira vez me senti uma menina de verdade. Teve um momento de pausa em que ficamos nos olhando e dando beijinhos, e o Ruben no meu ouvido perguntou: — Carla, você quer ser minha namorada? Um momento de silêncio. — Não sei, você me gusta mas a gente acabou de se conhecer. — Não precisa me responder agora, mas me promete que vai pensar. — Te prometo. A gente tava de novo se pegando quando a Laura chegou e perguntou por mim: — E a Carla, cadê? — Tá ali enroscada com o Ruben. — Pussy, Carla, o que você tá fazendo? Olhei pra ela e sorri, mas não soube o que dizer. Ela me pegou pelo braço e quase me arrastando me levou pra fora, na rua. — Mas pode me dizer o que você tá fazendo? — Não sei. Ela foi se aproximando de mim e sem perceber eu tinha a boca dela colada na minha. — Porra, tia, já era hein. — É, tenho que te contar uma coisa, mas como é que eu explico isso? Não sei, bom, olha, é que eu sou uma garota, me sinto garota, e a partir de hoje vou ser uma garota. Conversei com minha mãe e ela vai me ajudar. — Tô chocada contigo. — Sabe de uma coisa? O Ruben me perguntou se quero ser namorada dele. — Conta, conta, o que você disse? — Que ia pensar, mas já pensei. — É? E o que vai dizer? — Que sim. — Porra, tia, que rápida você vai. — É que eu gosto muito dele e ele beija tão bem. — Kkkkk. Voltamos pra dentro com os outros e eu me aninhei de novo com o Ruben, e continuamos nos pegando sem parar. Um tempo depois soltei: — Ruben, já pensei e sim, quero ser sua namorada. Ele não disse nada, só me abraçou mais forte e me deu um beijo que durou dez. Minutos depois, a gente foi dar uma volta. Ficamos de mãos dadas o tempo todo e ele me acompanhou quase até a porta de casa. Combinamos de nos ver de novo no dia seguinte. Quando cheguei em casa, minha mãe tinha uma surpresa pra mim: em cima da minha cama, tinha um monte de coisas pra mim. Ela tinha ido comprar calcinhas, sutiãs, uma minissaia preta elástica, um vestido branco, um pijama rosa, um par de sapatos, um Nike rosa e umas roupas da minha irmã que ela não usava mais. Depois do jantar, experimentei tudo. Fiquei tão feliz de ter minhas próprias roupas. Fui dormir com meu pijama novo. No dia seguinte, acordei, tomei um banho e me vesti com o que ia usar naquele dia: uma minissaia jeans, uma legging preta, uma tanga preta, uma camiseta rosa clarinho e meu Nike novo. Só faltava a jaqueta. Desci, ajudei minha mãe e o que me surpreendeu foi que tudo foi normal, o tratamento comigo. Como se eu sempre tivesse sido uma menina. Me tratavam no feminino o tempo todo e isso me fazia sentir muito confortável. Chegou a hora do almoço e depois minhas irmãs me ajudaram com a maquiagem. Saí sozinha de novo. Duas ruas abaixo, o Ruben estava me esperando. A gente deu um passeio e depois ele me convidou pra uma Coca Booty. E como tava muito frio, ele sugeriu ir pra casa do pai dele, que não tinha ninguém, e a gente podia ficar tranquilo e ver um filme. Lá, ele ligou a TV e a gente nem deu bola. Começamos a nos beijar assim que sentamos no sofá. Daqui a pouco, ele já tinha uma mão no meu peito, me acariciando como se eu tivesse peitos de verdade, e a outra tinha levantado minha saia e tava passando a mão na minha bunda. Uffffff, que gostoso que tava aquilo. Eu tava totalmente entregue aos beijos e carícias dele. Comecei a acariciar o peito dele e ele não demorou pra tirar a camiseta. Com uma mão, eu ia acariciando e descendo até o umbigo dele, mas não passava dali, não tinha coragem de descer mais. Mas daí ele pegou minha mão e colocou em cima do volume dele, por cima da calça. Comecei a acariciar e sentia que ele Ele tava bem duro, já fazia um tempo que tava assim quando ele desabotoou a calça e eu, sem pensar, meti minha mão e comecei a acariciar ele por dentro. Era a primeira vez que eu tocava numa que não fosse a minha, mas sabia o que ele queria. Enquanto continuava beijando ele, comecei a bater uma pra ele. Num momento que a gente parou de se beijar, eu olhei pra baixo pra ver ela, ele riu e perguntou: — O que você achou? — Sei lá, é a primeira que vejo assim, e é maior que a minha. — Você gostou? — Sei lá, acho que sim. — Por que não dá um beijinho nela? — Safado, que nojo. — Nojo por quê? Minha outra parceira gostava. — Dava beijos? Quantas namoradas você já teve? — Dava beijinhos e chupava ela, assim como você é a primeira, o outro era um cara. — Sei lá, chupar ali que nojo. — Você não sabe, nunca experimentou. — Já, mas sei lá, dá um medo. — Experimenta e vai saber. — Mas só um beijinho. Aproximei minha boca e dei um beijo, mas não senti gosto de nada especial. Voltei a aproximar meus lábios e dessa vez chupei a pontinha e notei um gosto meio salgado, e ouvi um "mmmmm" saindo da boca dele. Continuei chupando e comecei a percorrer ela com minha língua, e aos poucos fui enfiando ela inteira na boca, que ia ficando cheia de um líquido viscoso. Eu ouvia ele aproveitando, e isso me deixava com mais tesão, fazendo eu chupar com mais vontade até que no final ele disse: — Mmmmmm, vou gozar. Não deu tempo de tirar ela da boca quando senti um jato quente dentro dela, que me deu ânsia e fez eu tirar ela da boca. Mas passado aquele primeiro susto, o gosto que ficou na minha boca me agradou, e eu voltei a me agarrar nela até deixar bem limpinha. Ficou a beirada da minha boca toda cheia de porra que tinha escorrido pra fora. Subi pra beijar ele, mas ele não deixou: — Agora não, gostosa, você tá com a boca cheia do meu gozo e eu não gosto. Aquilo me deixou meio chateada, mas entendi. Aquele dia foi o começo da minha grande devoção de hoje em dia, que é curtir uma boa rola na minha boca. Meu relacionamento com o Ruben durou 8 meses, até que meu... Meu corpo começou a ganhar formas femininas, e aí ele já não gostava mais. Nosso relacionamento se resumia a beijos e boquetes que eu dava nele, mas lembro com muito carinho, foi meu primeiro amor. Um mês depois de começar com ele, iniciei minha terapia hormonal. No ano seguinte, já comecei como Carla, embora na minha documentação ainda constasse Carlos, coisa que só consegui mudar depois de completar 18 anos. Com um ano de terapia, já estava toda uma mocinha, com uns peitinhos pequenos e bonitos, mas já faziam um belo decote. Não tive mais relações até bem depois dos 18, quando conheci o Andrés. Conheci ele numa noite de festa numa balada LGBT, por intermédio de um amigo, e um mês depois cruzei com ele de novo e acabamos nos pegando. Ele me levou pra casa dele e, entre um beijo e outro, fomos nos despindo. Passei meus lábios pelo corpo dele até meter na boca um pau de 19 cm. Enquanto isso, ele brincava com meus peitos com as mãos. Ele não deixou eu gozar no boquete, me levou pra cama, lubrificou bem meu cu, me colocou de quatro e, aos poucos, foi enfiando tudo até o fundo. Doeu pra caralho no começo, mas depois de umas estocadas leves, ele já me fazia gozar que nem uma puta. Depois do Andrés, vieram vários caras até hoje, que continuo curtindo a vida sem amarras com ninguém.
0 comentários - Carla Ortiz Gostosa