O Despertar de um Homem - Cap. 16

O DESPERTAR DE UM HOMEM
Capítulo 16: estamos em perigo PARTE 4

– Fui pra onde fica a fonte, esperar. A mochila deixei no carro da Rocío, por via das dúvidas. De repente, uma dor forte na cabeça, uma Traffic estacionando e tudo ficou preto…

Antes de levar outro golpe, ouvi claramente:
– Pegamos ele, chefe.
E tudo se apagou.

Ponto de vista de Rocío Ugarteche

– Depois que deixei minha irmã, fui pra fonte em frente à igreja. Passando pela salinha na última curva, vi uma Traffic parada. Quatro homens de aparência suspeita carregando uma pessoa pra dentro. A Traffic saiu rápido. Quando estacionei, não vi o Sergio. Uma mulher se aproxima:
– Moça, viu? Seqüestraram um rapaz.
– Porra, é o Sergio. Acelerei, queimando pneu. Peguei o rádio e chamei o chefe.

R: – Chefe, me escuta? Temos um 10-18. Chefe, câmbio.
C: – Informe, cabo. Câmbio.
R: – Temos um 10-16. Acabaram de seqüestrar o Sergio. Câmbio.
C: – Reporte um 10-0 e coordene com a PFA pra localizarem ele. Câmbio.
R: – Sim, meu chefe. Câmbio.

– Mudei o rádio pro canal da PFA pra pedir ajuda. Quando cheguei na Avenida Roca, avistei a Traffic.

R: – Chefe, tenho ele na mira. Câmbio.
C: – Pediu reforços? Câmbio.
R: – Não, meu chefe. Suspendi o reporte. Câmbio.
C: – Persiga ele. Mantenha distância. Informe a trajetória. Câmbio.
R: – Sim, meu chefe. Câmbio. Fora.

– Persegui a camionete a uma distância segura pra não perceberem minha presença. Ela pegou pela General Paz, mão pra Liniers. Fui informando a localização.

R: – 10-20. A camionete tá indo pro oeste. Câmbio.
C: – 10-4. Mantenha distância. Achamos que sabemos onde vão. Câmbio.
R: – 10-4. Copiado. Câmbio e fora.

– Como o chefe disse, a camionete foi pro campo de golfe, entrando pelo portão velho da fábrica.

R: – 10-20. O veículo entrou na fábrica abandonada. Câmbio.
C: – 10-4. Copiado. Dirija-se à delegacia. Câmbio.
R: – Copiado. Câmbio e fora.

Ponto de vista de Sergio Santamarina vista
- me encontrava com os olhos vendados, minhas mãos amarradas e minhas pernas também,
acho que tava sentado numa espécie de poltrona, não entendia muito, mas logo as dúvidas sumiram,

Chefe- quantos problemas você nos causa, Sergio
Ser- eu gosto de causar problemas
Chefe- já vi, sabe que temos um baita problema
Ser- o que foi, não sabe nada de matemática, precisa de ajuda?
- levei um tapa, uma mão grande
Chefe- parece que você não tá entendendo, acha que a polícia vai te ajudar?
Ser- pode ser que sim ou que não
- levei outro tapa
Chefe- acha que isso é um jogo, cara? Por sua culpa e da sua família, tô perdendo milhares de dólares
Ser- não mete a minha família nisso, e a Luz você nunca vai ter
Chefe- agora parece um herói, não tá em posição de exigir nada
Ser- por que não me solta e descobre?
- levei um soco na barriga e outro na cara,
me deixando caído e inconsciente

Enquanto isso, na delegacia

Carlos Malaguer, chefe,
- bem, temos a localização. Segundo nosso informante e os vigias,
sequestraram Sergio Santamarina. Tem três garotas a mais, menores de idade, que
foram sequestradas ontem. A localização do puteiro é dentro do campo de golfe, aqui e aqui. O GRUPO HALCÃO vai entrar pela frente,
o GRUPO GEAT vai entrar por aqui, e na frente do portão esperam a ordem
pra entrar. Nós vamos ser vigia e ataque direto, vocês cobrem nossas costas. Acreditamos que eles estão nessa parte do depósito,
o delegado vai dar apoio com os homens dele nos arredores, um helicóptero do estado vai voar por perto, os serviços de emergência vão ficar em alerta vermelho. Alguma pergunta?
- não, senhor
- bem, todos pras suas posições, boa sorte

Carlos M- beleza, vamos avançar. Vamos ficar em contato nessa frequência

De volta ao depósito

- senti alguém me segurando nos braços, alguém me dando uns tapinhas suaves
- mãe, é você?
- não, não somos Fechado,
,- abri meus olhos, estava cercado por três garotas, tinha uma quarta mulher,
sentada encostada na parede, chorando, olhei pras três garotas e era óbvio que ia
perguntar quem eram, a que me segurava nos braços, eu sou Lucia Martinez_ (16 anos, magra, morena), a que me dava tapas,_ ela é Micaela Díaz (17 anos, era loira e também magra), e a outra garota que me olhava, sacudindo meu corpo, _ e ela é Valery Garcia (16 anos, também magra, cabelo castanho, seu sotaque me dizia que não era argentina), ;_ e ela quem- ela é Solange Vargas (peruana, 30 anos)
já tava aqui quando nos trouxeram

Ser- vocês tão bem?
Lucia M- sim, tão bem, machucadas mas bem
Mica D- quem é você, sabe por que fomos sequestradas?
Ser- eu sou Sergio Santamarina, acho que por não ter entregado minha irmã adotiva
Valery G- sua irmã, queriam ela
Ser- sim, é uma banda que prostitui mulheres, além de trambique com droga
Solange V- por sua culpa eu tô aqui
;- fiquei surpreso com essa acusação
Ser- desculpa, por que cê fala que é por minha culpa se nem sei quem é, se cê não percebe
tamos todos fechados no mesmo lugar
Solange V- sabe sim, sou a funcionária do chinês, da quitanda
não me reconhece?
Ser- como quer que eu te reconheça, se não consigo ver teu rosto
Ser- por que te trouxeram pra cá?
Solange V- lembra da briga com os policiais e sua namorada?
eu saí como testemunha, uns dias depois passou uma caminhonete branca e me sequestraram,
por depor a seu favor me meteram aqui
Ser- me desculpa, mas não sabíamos que cê tava aqui, a garota que tava comigo
não era minha namorada, é policial, e nesse momento, ao ver que eu sumi, vão vir nos buscar
;- vocês garotas, de onde são?
Lucia M- somos 3 amigas, tava voltando pra casa, quando apareceu a van branca, nos meteram as 3 pra dentro, e aqui tamos, até agora não nos maltrataram
Ser- bom, isso por um lado, alguém viu alguma coisa quando te meteram aqui?
Mica D- não muito, nos meteram pra uma porta, subimos uma escada, tinha 3 portas, numa dava pra ver o depósito e a outra é igual a essa, com aquela janelinha
Ser- legal, preciso chegar e ver o que tem
,- tentei me pendurar como dava, as minhas ajudaram, consegui ver os fundos do depósito, a janela abria pra cima, consegui entrar e sair lá em cima no telhado, era tipo uma sala de controle do depósito, vi uma escada que saía pro telhado, subi na maciota, espiei a laje, primeiro olhando se não tinha ninguém, sabia que no tanque tava o vigia, fiz sinal pra ele e tentei falar onde ele nos mantinha presos, mexendo os lábios, vi uma equipe de polícia entrando pelo tanque, espero que ele tenha me entendido, voltei pras minas, vi uns caixotes que dava pra usar pra subir pro terraço pela janela, peguei 3 e me aproximei pela janela, fiz sinal pra elas, passei os caixotes um por um, entrei de volta
Ser- beleza minas, temos que vazar daqui, a polícia tá pra entrar e podem vir nos matar pra apagar as provas, vão subir pro terraço, vai ter uma escada que sobe, fiquem abaixadas, cheguem no final, mas não se mostrem
,- começaram a subir, as minas uma por uma, a solange resistiu um pouco, tive que convencer ela a sair, depois que saíram empilhei os caixotes e me pendurei, uma vez lá em cima, o quarto do lado tinha a janela quebrada, vi duas meninas de uns 10 anos, não dava pra deixar elas lá, entrei pela janela e desci, elas se assustaram, pediam pra não machucar, não sabia como falar pra ganhar a confiança delas
Ser- meninas, sou sergio santamarina, tava aqui do lado sequestrado com outras 4 minas
Meninas- sabe de algo da minha mãe?
Ser- quem é sua mãe, como ela se chama
Meninas- solange vargas
Ser- são as filhas da solange do supermercado
Meninas- conhece ela, quando ela vem nos buscar?
Ser- acabei de ajudar ela a sair daqui, agora ela tá no terraço, temos que vazar daqui rápido, a polícia vem e a gente corre perigo
;- indiquei pra elas onde subir e pra onde ir, ajudei elas a subir, as duas saíram pra cima, arrastei um móvel como pude sem fazer barulho, quando tava saindo, alguém abriu a porta, ;_ quieto aí filho da puta - e o tiro soou, corri pra escada

Brigada Ponto de Vista

R.M;_ principal me copia urgente-câmbio
C.M;_ Tô ouvindo vigia-câmbio
R.M;_ vi o sergio sair na laje do depósito-câmbio
C.M;_ repita sargento-câmbio
R.M;_ que o sergio apareceu na laje do depósito-câmbio
C.M;_ ainda tá aí sargento-câmbio
R.M;_ negativo principal, fez uns sinais e desceu de volta-câmbio
C.M;_ que sinais sargento-câmbio
R.M;_ pelo que entendi, tem mais quatro mulheres com ele-câmbio
C.M;_ bom trabalho vigia-câmbio
R.M;_ aviso se aparecer de novo-câmbio
C.M;_ afirmativo principal-câmbio e fora

;- o principal avança rápido, atrás dele vem Melisa S. (Sargento), Rocio U.(cabo 1º), Oscar G.(cabo 1º) e Alan Baez (cabo 1º), chegaram num dos acessos do depósito, na entrada principal tava Sabrina M.(cabo 1º) com o grupo halcão, tavam entrando, derrubando as portas, no grito,
ALTO POLÍCIA, TÃO CERCADOS, reduzindo todo mundo que tava lá,
o grupo Halcão tava cercando o lugar inteiro, lá fora se ouve tiro

BRIGADA Ponto de Vista

Carlos M- Beleza, vamos avançar, tu e tu por aqui, vem comigo,
;- assim que o grupo GEAT entrou pelo portão principal, alertaram quem tava lá no depósito, pegaram as armas e se posicionaram, pra pegar de surpresa quem entrava pela frente, a surpresa foi deles,
aparecer por trás,
Carlos M- POLÍCIA FEDERAL ABAIXEM AS ARMAS, TÃO CERCADOS
,- o tiroteio começou, um monte de bala, a gangue tinha metralhadoras,
o grupo GEAT tinha submetralhadora IWI ACE-N 22, a outra parte do grupo já tinha cercado a frente, tava seguro, o tiroteio acabou, temos alguns
feridos na força, do lado deles alguns mortos e feridos, a gente reduziu eles A todos, foi o que pensamos,

ENQUANTO ISSO, NO TERRAÇO

- Assim que consegui subir e me encontrar com o resto, a Solange abraçava as filhas dela.
Me viu chegando correndo e me abraçou também ;_ Valeu, Sérgio, valeu-
Sér- Ainda não acabou
Matão- Para aí, filho da puta ,- soou um tiro e depois disso um tiroteio
,- corremos, tinha uma espécie de quarto, tampado com madeira, corremos pra
nos proteger e ao chegar demos de cara com uma surpresa: três caras
amarrados pelos pulsos, pelados, um tava desacordado,
ensanguentado, espancados, amordaçados, a cena era de arrepiar
Sér- Porra, eles têm mais três
Lúcia M- Meu Deus, coitados dos meninos
Sér- Vamos soltar eles, alguém tem roupa sobrando pra cobrir eles?
,- tiramos algumas peças e cobrimos eles como deu, descemos eles
como dava, o mais ferido deitamos no chão, os outros dois sentamos
Sér- Rapazes, quem são vocês? ,- o mais ferido tava desacordado, não respondia, mas respirava, tinha pulso, outro dos caras tava na mesma, um a gente conseguiu acordar, o coitado se assustou,
tapando os olhos e gritando ;_ Não vi eles, não vi eles, não me machuca, por favor- desatou a chorar
Sér- Calma, rapaz, você tá seguro, a polícia já entrou no lugar, a gente
tava sequestrado igual a vocês, olha, vê as minas? Elas também foram sequestradas. O cara olhou, ainda em pânico, e me perguntou ;_ Você é viado?-
Respondi que não, ;_ Por que pergunta? ;_ Pegaram a gente por causa disso, por ser viado, nos bateram, nos humilharam,-
Calma, amigo, eu não vou te julgar, em casa tenho um casal de sapatão, minha mãe e minha tia adotiva, fica tranquilo, vou tentar pedir ajuda pra sair daqui
;-quem tava falando era Mateo Zabala, 21 anos, de Merlo, o irmão dele, que tava desacordado, era Lucas Zabala, 18 anos, também de Merlo, e o que tava ferido
era o amigo deles, Marcelino Paniagua, 25 anos, de Morón,
,- saí de Aí, deixando as minas e os caras, naquele instante apareceram 2 pela escada, tentei me esconder mas já era tarde, tinham me pegado.

VIGIA Ricardo Maza PONTO DE VISTA

,- são as mulheres que ele mencionou, tem 2 meninas também

R.M;_ Principal, vigia com novidade-câmbio
C.M;_ afirmativo, escuto-câmbio
R.M;_ Sergio, com 4 minas e 2 meninas saíram pra varanda-câmbio
C.M;_ posição vigia-câmbio
R.M;_ oeste no final da fábrica-câmbio
C.M;_ afirmativo-câmbio

,- correram pra um quarto que tinha no outro lado, entraram lá,
pela escada tinha saído dois, um de terno com uma arma na mão e o outro
com uma metralhadora, se esconderam de novo pra ver que entravam no
quarto, de repente o Sergio sai pra buscar ajuda

R.M;_ principal, principal, vai pra varanda urgente-câmbio
C.M;_ afirmativo sargento, que que tá rolando-câmbio
R.M;_ vão matar o Sergio-câmbio
C.M;_ caralho, chegaram os franco-atiradores, informa enquanto a gente avança-câmbio
R.M;_ Sim senhor, tão preparando as armas
C.M;_ atira pra matar se precisar-câmbio
R.M;_ Afirmativo principal-câmbio

,- ouviram se precisar a gente derruba ele, eu tinha meu fuzil, não era grande mas servia, o Sergio chegou na escada e tava cercado, pegaram ele pelo pescoço, levando pra beirada, temos que agir agora, pela escada aparecem mais 2 atirando, um cai morto o outro corre, o Sergio tava com o cara de terno segurando o pescoço dele com a pistola apontada na cabeça, o terceiro se aproximou, tavam conversando algo
, os 2 restantes foram pra onde estavam os reféns,
;_ atira pra matar- dois tiros certeiros, caíram abatidos
,- o principal e a sargento com um punhado do grupo GEAT apareceram cercando
o Sergio e o captor dele, um grupo foi atrás das reféns cobrindo a entrada,
tavam chegando 2 helicópteros, um da PFA e outro de canal de notícias

R.M;_ principal, tão chegando 2 helicópteros, um da PFA e um civil-câmbio C.M;_ copiado, sargento-câmbio

Principal Carlos Malaver Ponto de Vista

- A gente foi subindo pela escada, atrás de mim vinham Melisa Sanches, Oscar Galarza, Alan Baez e Rocio Ugarteche. Um punhado do grupo GEAT vinha atrás com os escudos. A gente tava chegando no final da escada quando ouvimos 2 tiros dos franco-atiradores. Avistei os 3 no tanque, dei uma olhada e vi os dois marginais abatidos. Vi o Sergio e o sequestrador dele. Avançamos pra cima deles. Pro grupo GEAT, ordenei que protegessem os reféns.

Carlos M- Tá cercado, comissário. Larga a arma.
Comissário- hahahaha, cê não tá em posição de pedir nada.
Carlos M- Cê não tem saída, tá cercado. A gente tomou o lugar.
Comissário- Tem certeza? Ou cê me deixa ir, ou a família desse moleque morre.
Carlos M- Como cê tem tanta certeza? Seus homens tão abatidos.
Comissário- Tem certeza? O sangue deles vai ficar nas suas mãos.
Carlos M- Isso é impossível.

Horas antes…

Carlos M- Tá bem, família. A gente tem que tirar vocês daqui agora. As coisas a gente vem buscar depois.
Mãe- O que tá rolando? Não mente pra mim, Carlos. O que tá rolando?
Carlos M- Tá bom, não posso mentir. Hoje a gente ia dar o golpe na gangue, enquanto vocês eram levadas pra outro lugar. Mas aconteceu algo que a gente não esperava. Seguiram o cabo Ugarteche e o Sergio até Lugano. Eles foram capturados.
- Minha mãe desabou no choro, e os outros gritaram. Pedi calma pra todo mundo. A cabo tá seguindo ele. A gente tem ele na mira. Precisamos tirar vocês agora pela terceira saída. Já abrimos ela, e uma caminhonete tá esperando pra deixar vocês a salvo. Confia em mim. Vou trazer seu filho são e salvo.
Mãe- Cê me promete, principal?
Carlos M- Prometo pela minha família. A gente precisa sair agora. Um grupo de polícia vai estar esperando vocês à paisana. São de confiança e vão levar vocês pra um lugar seguro. Aqui vai ficar outro grupo esperando. Com certeza vão vir sequestrar vocês.
Viviana- Vamos, meninas. Não temos tempo a perder.

- Graças ao informante. podemos nos antecipar aos movimentos deles e o do Sergio, se ele já sabia, sim, ele sabia, já tinha tido uma conversa com ele, decidimos manter em segredo, ele tava por dentro da operação e ia fazer parte dela, ele tinha a informação de onde os reféns estavam e pra onde levar, sabíamos que não eram vigiados, prometi que responderia por ele, e estaríamos cuidando dele pelo ar e por terra,
ele sabia bem onde estava o vigia e os franco-atiradores, por onde entrariam,
posso dizer que tem um grande futuro pela frente, seria um excelente agente,
diria que um dos melhores, inquebrável, contra ele não teriam chance, se ele seguisse essa carreira, eu seria o padrinho dele, tinha a questão da família dele, quando você entra nisso, coloca em risco tudo ao seu redor, inimigos pra caralho e o alvo principal
seria sempre a família dele,

DE VOLTA NO TERRAÇO Sergio

,- depois de ver os dois caírem abatidos, o principal e o grupo dele aparecem
em cena, acompanhados por um grupo de combate, nos cercam, ele não tem mais saída, enquanto ouvia o que diziam..

Carlos M- você tá cercado, comissário, larga a arma
Comissário- hahaha você não tá em posição de pedir nada,
Carlos M- não tem saída, você tá cercado, tomamos o lugar
Comissário- tem certeza? ou me deixa ir ou a família desse moleque morre
Carlos M- como você tem tanta certeza? seus homens tão abatidos
Comissário- tem certeza? o sangue deles vai estar nas suas mãos
Carlos M- você tá muito confiante, quer ligar e saber o que tá rolando?

,- naquele momento, na distração dele ao sacar o celular, agarrei a mão dele onde tava a arma, puxei pra trás das costas, soltando ela e colocando ele de joelhos

Ser- fim de jogo, comissário ;- peguei o telefone dele- discando o número e coloquei no ouvido dele-
,- a cara dele mudou na hora
Ser- que foi, comissário? os ratos comeram sua língua?
Comissário- como isso é possível?
Carlos M- estamos um passo à frente de você, comissário, e dessa vez não tem escapatória
Ser- nunca mais volta me aproximar da minha família de novo,— dei um chute nos ovos dele

,— o que posso dizer, a operação saiu melhor do que eu esperava, o chefe vai ser um grande comissário inspetor, trocamos um aperto de mão, com um grande abraço, cumprimentei o resto também, a Melissa me deu vários beijos, me dedicou um sorriso lindo, a Rocío se aproximou me abraçando, chorando

Ser— calma, amiga, tudo acabou

Rocio U.— tive medo de te perder pra sempre

Ser— sim, eu sei, Ro, aqui estou e não vai me perder

Rocio U.— me senti com medo, e até não te ver de volta, esse medo não ia embora

Ser— já foi, Ro, tudo terminou, agora é hora de comemorar

;— ela me olhou com aqueles olhos lindos cheios de lágrimas, me beijou, um beijo doce e suave

e eu correspondi também,

;— assim que terminamos os cumprimentos e também cumprimentei o grupo GEAT,

fomos com as reféns, tinha trazido água e cobertores, elas estavam esperando a equipe médica

Ser— galera, tudo acabou, apresento a vocês o chefe Malaver, ele comandou a operação

ela é a Ugarteche, também fez parte da operação

Malaver— oi pra todos, vocês estão a salvo agora, têm que agradecer ao Sergio, sem ele essa operação não teria funcionado, ;— Rocío me olhou como se não entendesse, eu fiz parte da operação?

Ser— sim, como ele disse, eu sabia onde vocês estavam e meu trabalho era tirar vocês de lá e colocar num lugar seguro, e a única forma que eu tinha de me aproximar de vocês

era ser capturado,— enquanto eu falava, a Rocío tinha saído, ;— o chefe

contou que elas sairiam dali, lá embaixo estão as ambulâncias pra levar vocês a um hospital pra fazer os curativos

Ser— Rocío, o que foi

Rocio— me usaram, você me usou, como sempre, você fez parte da operação

Ser— calma, posso explicar, o plano era esse, ir pra Lugano e ser capturado lá,

a Melissa ia vir no seu lugar, eu ia me deixar capturar e ela ia me seguir de longe se tudo desse certo, como você se ofereceu, o plano teve que mudar, gostei da ideia de você vir, sei que você não ia me deixar ser capturado por isso Mudei o lugar, e a parada da sua irmã caiu como uma luva pra mim.
Rocío – quem sabia era todo mundo, menos eu.
Ser – só eu e o Carlos sabíamos, nem a família, ninguém ficou sabendo disso.
Rocío – entendo. E o que rolou entre a gente também foi real.
Ser – mais real do que você imagina. E a primeira pessoa com quem quero comemorar é você. Você e eu, a sós. Avancei na boca dela, devorando ela, cheguei perto do ouvido dela.
Ser – cê me atrai, sabia? ;- me afastei dela, sem dar tempo dela responder.

;- já tinham descido os reféns. Os três caras desceram na maca.
O resto das minas tava na ambulância.
Passando pelo depósito, pude ver tudo o que tinha: pacotes de droga, uma mesa cheia de dinheiro, corpos dos bandidos, oficiais fazendo a perícia. Já tinham colocado os que sobraram vivos num camburão. Vi uma caminhonete da penitenciária – tavam colocando eles lá dentro.
O delegado Bomprezzi tinha subido. Quando me viu, chegou perto.
Bomprezzi – Sergio, que bom te ver vivo, a gente tava com medo do pior.
Ser – fica tranquilo, Roberto, tava tudo planejado.
Bomprezzi – como assim planejado? Não entendi.
Ser – calma, Roberto, depois a gente explica.
Bomprezzi – quero ouvir isso. Depois a gente conversa sobre essa putaria toda.
Ser – e vai ser assim. Excelente trabalho, delegado.

,- infelizmente, aconteceu o que eu temia. Os canais de notícia já estavam lá e já tinham me fotografado e filmado junto com o chefe da operação e o delegado da área.

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