Acordei sem memória com um estranho do lado.

Olá, sou a Eve, a mulher do Santy, peguei a conta emprestada pra contar uma história minha.

O Santy me descreve nos contos assim: Tenho 29 anos, 1,70m de altura, uma bunda linda, peitos operados, grandes, mas não desproporcionais, morena de cabelo liso e olhos meio verdes, meio castanhos, corpo mais puxado pra menina de academia, definido, mas sem ser marcado demais, aquele tom de pele que parece levemente bronzeado no inverno.

Isso aconteceu quando eu tinha 23.

Acordei, abri os olhos e tinha um cara dormindo do meu lado. Não lembrava o nome dele, nem como cheguei ali, nem onde estava. Tava completamente nua, descoberta, assim como a pessoa do meu lado. Ele tava com uma camisinha colocada, parecia que tinha ficado tão destruído quanto eu.
A última coisa que lembrava era que saí com minhas amigas pra uma puta farra, nem sei o que consumi, nem quanto bebi. Minha memória tinha apagado.
Olhei pela janela do quarto pra ver se conseguia me localizar, claramente tava em Puerto Madero, a vista era inconfundível, um apartamento alto.
Olhei pro meu parceiro da noite. Uns 35 anos, cabelo loiro puxando pro castanho, cacheado, alto, corpo bonito, nem um único pelo abaixo do pescoço. O nome dele continuava desconhecido por enquanto, e a voz também.

Bateu uma vontade de fazer xixi e me deparei com um problema enorme, não sabia o que tinha atrás da porta, supunha que estávamos só nós dois, mas a verdade era obviamente desconhecida. Por via das dúvidas, coloquei a calcinha fio dental e uma camiseta dele com um perfume gostoso que, ao sentir, minha memória começou a lembrar algo da balada, dançar com ele e ficar com tesão que nem a maior putinha.
Abri a porta do quarto. Show, não tinha mais ninguém, era um apartamento de dois cômodos. Fui ao banheiro e depois peguei meu celular pra ver se lembrava de algo, mas tava sem bateria. Encontrei um carregador e liguei na tomada, enquanto carregava um pouco pra conseguir ligar. Comecei a observar as fotos expostas, que eram muitas. De quando ele se formou, na praia com Amigos, esquiando na neve, uma estante de fotos jogando tênis e troféus, uma bola que tinha escrito "Parabéns, Mati", uma boa pista.

M: Você roubou minha camiseta. – Dei um pulo de susto. – Desculpa, não quis te assustar.
E: Desculpa, me assustei do mesmo jeito, não te ouvi. – Falei enquanto virava pra ver ele de cueca box justa.
M: Como você tá?
E: Com um pouco de ressaca. E você?
M: Com bastante ressaca. Quer comer alguma coisa no café da manhã?
E: Um café e qualquer besteira pra comer, meu estômago tá queimando de tanto que bebi.
M: Eu nem lembro de tudo que bebi. Pra ser sincero, não lembro de nada.
E: Eu também não, Mati.
M: Pelo menos você lembra meu nome.
E: Você traz uma gostosa pro seu apê e não lembra o nome dela?
M: Honestamente, não lembrava que tinha vindo acompanhado e vi sua roupa no chão, do lado da cama.
E: Bom, sou Evelin e pra ser sincera não lembrava nem que tinha vindo, nem seu nome, li ali. – Falei apontando pros troféus dele.
M: Prazer. Vamos tomar café? Aqui na esquina tem um lugar legal.
E: Aceito.

Fomos tomar café. Enquanto esperávamos, fizemos um pacto, sem filtros: mostrar fotos e mensagens da noite dos dois celulares, mas mesmo assim, nenhuma pista de nada. Fotos dele com os amigos, fotos minhas com as amigas. Conversamos, tentamos lembrar e não teve jeito. Mandamos mensagem pra quem tava com a gente e viu a gente dançar, beijar e ir embora juntos. Não acrescentava nada.

M: Não é possível que a gente não lembre de nada.
E: A gente consumiu alguma coisa que apagou nossa memória. Evidentemente a gente transou, mas a verdade é que não lembro.
M: Não tenho certeza.
E: Qual é, mano, acordamos pelados na sua cama e você ainda com uma camisinha enfiada. Gozou e dormiu, manual básico.
M: Não gozei, a camisinha tava vazia.
E: Bom, eu não lembro, mas tem que ter rolado isso.
M: Não lembro e pra ser sincero, apesar da camisinha, duvido. Agora lembro de ter beijado na balada, mas também que com o que consumi não subia.
E: Disso eu lembro, que eu tava procurando. Te esquentar e não subir pra você na balada.
M: Nunca me aconteceu antes, eu sei, é o clichê, mas é verdade.
E: A gente devia sair de novo, né? Bebendo um pouco menos.
M: Tem um puta problema, Eve. Vou ser sincero: tô namorando. Pode ser que não tenha subido por causa do que usei ou pela culpa mesmo.
E: Isso eu não esperava. Não tem foto dela, ou tem?
M: Eu não esperava acordar acompanhado. Não, não tem foto dela, faz menos de um mês que a gente tá junto.

Trocamos os contatos, graças às redes sociais descobrimos que temos amigos em comum e ficamos muito amigos. Em algumas semanas, Mati vai casar com ela, Santy e eu fomos convidados, óbvio que vamos pra festa.
Nunca vamos saber o que rolou naquela noite.
Vou passar a noite inteira dançando, bebendo e pensando: será que eu comi o noivo...?

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