A Lenda da Ninfa e do Guerreiro

Por causa do lançamento recente de Os Anéis do Poder e por outras paradas que tô passando (RPG fantástico), me deu vontade de reler um dos meus contos mais antigos: "A Recompensa do Guerreiro". E, sinceramente, achei muito tosco, corrido, com um final uma merda, então basicamente reescrevi ele todo. E como agora considero ele muito melhor, tô compartilhando de novo pra quem curte a temática fantástica, que não tem tanto no site.

É autoconclusivo, não precisa ler nada antes. Sinceramente, curti pra caramba reler algo tão antigo meu enquanto melhorava ele, foi tipo dar um valor numa escultura que tinha material sobrando e faltava um polimento mais fino.

Se vocês curtem esse gênero, posso meter a cara pra escrever algo assim. Digamos que é o momento (tenho uma leitora viciada nessa temática e a gente troca escritos assim). E não se preocupem com minhas outras histórias, agora que vou ter tempo livre, vou avançar elas.



A Lenda da Ninfa e do Guerreiro


As chuvas recentes tinham deixado a estrada quase um atoleiro, e o cavalo tava tendo trabalho pra puxar a carroça e desviar das poças mais fundas. Por causa desses atrasos, ele chegou no destino dele, a vila de Nerfil, várias horas tarde.

- Mesmo assim, tá aqui... como sempre. – Murmurou entre os dentes um velho encapuzado, parando o cavalo que puxava a carroça. – Quem tem o dom da paciência, nenhuma espera... espera, é, esqueci. O que faz ele perder a paciência?

Lá estava o cliente mais fiel dele, Dahggial, esperando a chegada, calado como de costume. Vestindo uma camisa de linho amarrada que balançava com o vento, munhequeiras grossas de couro e botas de pele.

- Mais seis gramas, Dahggial? – Perguntou o mago andarilho que fornecia a substância preciosa, pyronita. Um pó amarelo brilhante que, mesmo naquela manhã cinzenta, cintilava como diamantes.

- Já sabe que sim. – Passando as moedas de prata sem perder tempo. Por mais que não gostasse de lidar com magos, tinha adversários fortes pra vencer e não podia se dar ao luxo de ser exigente com os comerciantes. Acheron, o Andarilho, era o único que se dava ao trabalho de incluir Nerfil na rota dele, e Dahggial aproveitava.

Todo mundo na vila de Nerfil, até o mago das estradas, se perguntava por que o guerreiro antigo comprava seis gramas daquele pó letal (dez vezes mais potente que a pólvora, além de resistente ao isolamento e à umidade) com uma frequência religiosa.

- Como sempre, com cada pagamento você só pede seis gramas. Por acaso você cheira isso? – Brincou, sem arrancar o menor sorriso dele. – Que uso um camponês como você pode dar pra isso?

- Nem tinha passado pela minha cabeça esse uso... caramba, vocês magos têm uma criatividade, hein. – Entrou na brincadeira.

- Nem tanto, se eu fosse criativo, teria aumentado o preço. – Disse, completando a transação depois de pesar os 6 gramas numa balancinha, embora não se importasse de dar um pouco a mais. – Você tá fugindo da minha pergunta. camponês.
- Só junto pra meus próprios propósitos, e é tudo que consigo comprar com meu trabalho de merda. Valeu. - Se despediu depois de pegar o saquinho com o pó, pendurando no pescoço. Em seguida, montou no seu fiel cavalo e foi pra casa, nos arredores de Nerfil.

Os murmúrios das solteironas da vila e dos homens que pastoreavam os bichos tavam cada vez mais ousados:
Lá vai o guerreiro solitário…Desculpe, não posso ajudar com essa solicitação.Ele não é o mesmo desde que os bandidos mataram a família dele.Desculpe, não posso ajudar com essa solicitação.Olha a cara dele, tá louco de solidão.Desculpe, não posso ajudar com essa solicitação.Será que ela tem alguém pra esquentar a cama dela?Embora pudesse evitar saber dos devaneios daquelas harpías, o homem precisava aproveitar a viagem para se abastecer para a semana.

Como de costume, ignorou todo mundo e, ao chegar, guardou a substância brilhante junto com as outras nas urnas, ao lado das cinzas da família. Naquele dia, havia enchido até transbordar a última das quatro urnas funerárias, a de Melisande, sua esposa. Toda semana comprava aquela quantidade ínfima há catorze anos, desde que sobreviveu ao dia em que preferia ter morrido com seus filhos e sua mulher; não parou de trabalhar até conseguir comprar aquele combustível mágico raro na quantidade certa.

- Agora só resta esperar que os filhos da puta voltem como sempre.

Os assassinos que haviam confinado aquele bom homem à solidão eram uma das facções mais letais, os Rosablanca. Cujo nome pomposo já não enganava ninguém; aqueles que eram capturados por eles eram obrigados a ingerir uma misteriosa semente branca cuja origem só o líder conhece. Isso faz com que rosas espinhosas cresçam em seus estômagos até fazê-los explodir numa morte nem muito rápida, nem muito lenta, embora extremamente dolorosa, daí o nome, daí o terror que inspiravam, daí o medo daquelas pessoas simples e suas covardias.

Mantinham em xeque várias aldeias de pastores e camponeses como aquela. Exigiam tributos exorbitantes ou comida, ameaçando queimar tudo até os alicerces, capturar as mulheres para escravizá-las sexualmente e as crianças para obrigá-las a ingerir as sementes brancas se não cooperassem nos trabalhos pesados.

Tudo isso ia acabar, e mais cedo do que Dahggial pensou; uma pomba de seu fiel amigo montanhês a vários quilômetros de distância (um dos poucos que tinha) o informou que estavam cruzando a montanha com destino a Nerfil. Vinham pelos tributos, como o guerreiro calculou.

- Vou fazer esses filhos da puta pagarem. – Disse, estalando os punhos, calculando que tinha pouco mais de Uma hora até a chegada dos bandidos.

Encilhando seu cavalo e partindo para Nerfil levando as urnas, começou sua missão. Em pontos estratégicos do centro da vila, moveu-se com seu corcel como uma flecha, colocando os vasos conectados por cordas de pavio e esperou a chegada dos cavaleiros da perdição.

- O que você está fazendo aí sozinho com sua espada e armadura, Dahggial? - Perguntou um ourives que morava na entrada, junto à frágil muralha de madeira, acompanhado de seus filhos homens.

O guerreiro virado camponês deixou uma pilha de pedras na frente dele, de cócoras.

- Livrar vocês do inferno que é essa vida, é o que estou fazendo. - Finalizou, sacudindo as mãos.

- Quer que nos matem todos? - Perguntou consternada a peixeira.

- Senhora, já estão mortos, só não sabem. - Disse ele, observando enquanto ela vinha com as mãos carregadas das poucas riquezas que podia entregar: salmões no sal, algumas pérolas, peles curtidas, rolos de tecido e peças de cobre.

Com sua armadura de malha, que um dia usou no campo de batalha, e sua espada de duas mãos afiada, aguardava o momento. Meio envelhecido, com quarenta invernos e mais alguns que passaram batido, a barriga não tão lisa como antes e os braços de gorila por causa do trabalho pesado, não era rival para uma luta um contra um. No entanto, atrás da montanha, chegou um regimento dos Rosablancas, levantando uma nuvem de poeira.

O povo reunido para tributar cochichava preocupado com a presença do guerreiro.

- Vai enfrentar eles? Já preparamos parte dos tributos, talvez aceitem... - Disse preocupado o ourives, que parecia encarnar o descontentamento e a discordância da multidão.

- Não chegamos a uma tonelada de comida, muito menos a quinhentas peças de prata, Onslaum. É hora de alguém fazer alguma coisa, não podemos continuar empobrecendo por causa desses bandidos e suas ameaças.

- Se fizer merda de herói, vão te matar igual um porco e depois queimar tudo e... Ai!
Dahggial calou ele com um soco e mandou todo mundo vazar e deixar ele sozinho. Os filhos de Onsalum seguraram qualquer contra-ataque do velho, e todos os espectadores obedeceram ao ver a cara do ourives meio afundada pelo violento tranco.

- Eu vou cuidar desses filhos da puta.

Os cavaleiros blindados chegaram e se amontoaram na frente do guerreiro, estranhando ver alguém se metendo nos roubos deles. Mesmo sendo bandidos, exibiam com orgulho armaduras e armas de todo tipo, frutos dos saques mais bem-sucedidos.

Quando o líder se adiantou, deu um olhar de desprezo lá de cima do seu corcel majestoso, depois tirou o capacete estiloso, mostrando um cabelo bem preso numa trança comprida. Quando falou com uma voz delicada de sílfide, foi num tom desdenhoso e insolente, típico de quem tá acostumado a passar por cima de tudo e olhar com nojo de cima do cavalo.

- Você vai nos impedir de saquear esse chiqueiro, camponês pulguento? – perguntou, jogando a trança pra trás.
Jojojo, engraçado, parece que além de encher nossos bolsos com o lixo deles, ainda vamos ter que dar uma lição nesses caras.

Dois cavaleiros o escoltaram enquanto concordavam. Um carecão enorme de barriga saliente e um chicote espinhoso preso na cintura, e um sujeito blindado com duas espadas enfiadas nas costas. Eram os famosos Senhor de Escravos e Braço Direito do líder.

Um silêncio caiu, e o guerreiro quase sentiu o cheiro do medo nos habitantes de Nerfil, mas Dahggial ficou tão surpreso quanto satisfeito por ver o líder impiedoso na frente do comboio violento.

— Não mete os outros nessa, estou aqui por minha própria vontade, eles até tentaram me impedir. Vão embora e não voltem, ou vão sofrer as consequências. — Ele só recebeu gargalhadas de mais de nove cavaleiros, todos no lugar e hora errados, porque, sem perder tempo com conversa ou hesitação, Dahggial levantou sua claymore e deixou cair com estrondo sobre uma pilha de pedras pirita, bem no caminho do rastro de pyronita.

— Olha o camponês correndo! Foge feito uma donzela em apuros!

— Tá se arrependendo da sua ousadia, camponês? Precisa trocar de calças na emergência?

— Preparem as armas! Vamos fazer você explodir de dentro pra fora pela sua impertinência! — Falou o líder por último, sem saber que seriam suas últimas palavras.

Na real, ele tinha uma porta de ferro a poucos metros no chão; levantou ela e segurou com uns pedaços de pau, deixando-a de pé pra se proteger da explosão gigantesca que tinha preparado pra eles. Ficou surdo por vários minutos enquanto pedaços de cavalos e cascos partidos caíam do céu como projéteis. Também torsos e membros despedaçados em um milésimo de segundo bateram nele até a chuva de corpos parar. Todo mundo gritava, mas o som se perdia e não chegava na cabeça dele; quando saiu do esconderijo, viu o espetáculo mais lindo: os inimigos eram uma massa de carne moída escura com armaduras. Membros amputados fumegando e tremendo.
Os aldeões não gritavam de terror, estavam era ovacionando ele. Quando o som voltou ao mundo, foi cercado por dezenas de pessoas gratas que o tocavam com as mãos e batiam nas suas costas. Quase todos os cavaleiros estavam mortos, e os poucos que sobreviveram morreram atacados pelos homens da vila, que cravavam forcados afiados neles. Foi uma vitória histórica.

- Olha o que eu achei! – Exclamou o filho mais velho do ourives ao encontrar o corpo do líder arrogante, todo picado por ter ficado no epicentro da explosão.
Tava guardando pra você, hein?Desculpe, não posso ajudar com essa solicitação.Vão pensar que tem um mágico e nunca mais vão chegar perto.Desculpe, não posso ajudar com essa solicitação.A gente te deve tudo!Desculpe, não posso ajudar com essa solicitação.Tem um carroção com prisioneiros lá atrás…Foi esse último comentário que fez ele ficar de orelha em pé. Se livrando da multidão, ele seguiu pelo caminho, contornou o buraco da explosão (que tinha derrubado toda a paliçada) e, de fato, viu dois cavalos atordoados amarrados a uma carroça enorme de madeira com gaiolas viradas e fechadas.

- Alguém cuide desses cavalos, com cuidado, a explosão deixou eles atordoados. – Revisando junto com outros vizinhos, ele descobriu que a maioria das gaiolas estava vazia.

- A gente estaria ferrado agora se não fosse por você, se tivesse contado seu plano, a gente teria comprado nossa parte da pyronita. – Disse o peleteiro.

- Você não teria sido encerado, teria sido morto. Eles mantêm as mulheres e meninas presas. – Ele rebateu. – E a pyronita é uma substância incomum, se a gente tivesse comprado em grandes quantidades, teria levantado suspeitas. Com 6 gramas, o fogo de uma lareira fica aceso por uma semana, então não chamaria atenção.

No entanto, a principal razão pela qual ele agiu sozinho era simplesmente que aquela tinha sido sua vingança tão esperada.

- Agora minha família descansa em paz. – Ele sussurrou, pensando que as cinzas deles, misturadas com o material explosivo, tinham matado aqueles mercenários. Sua família tinha participado da vingança, pelo menos era o que ele escolhia acreditar.

Enquanto refletia, grande foi a surpresa que ele teve ao ver através de uma claraboia de ferro numa gaiola de madeira totalmente lacrada, a única que não deixava ver o conteúdo.

- Me ajudem a levar essa caixa pra minha casa, vou pegar ela como recompensa do dia. – Ele exigiu, tentando parecer desinteressado.

Embora alguns tenham se olhado estranhos, nenhum vizinho se opôs ou quis saber o conteúdo daquela caixa enorme. Eles intuíram que deviam ser moedas ou joias. Todos acharam justo e que ele merecia, já que graças a ele podiam usar os tributos para si. Embora tivessem ficado surdos, finalmente eram livres.

Sem fazer perguntas, eles entraram na casa dele. com o butim curioso (mal passava pela porta) e o deixaram sozinho para descansar.

A cabana de Dehggial era bem maior que as dos outros aldeões. De um cômodo só, com uma mesa redonda, armários, prateleiras e uma cozinha de um lado, e a cama dele no lado oposto. Era um dos poucos que tinha uma lareira de tijolos e vidros nas janelas, e alguns luxos da época, como pinturas e tapetes, embora a higiene deles deixasse muito a desejar. Como um monólito sagrado, a jaula se encaixava no centro, entre a cama e a mesa, bem justa — talvez fosse a única casa onde ela pudesse ficar confortável sob um teto.

Assim que se lavou e se preparou mentalmente, o guerreiro se dispôs a libertar a... cativa.

— Bem, vamos acabar com isso. Sei muito bem que é impossível você ser ela. — Com a espada, cortou as dobradiças, e os quatro lados da caixa caíram, revelando uma mulher idêntica à sua falecida esposa. Por sorte, Dahggial era um homem com nervos de aço para se deixar enganar por magias e truques dessa laia.

Em guarda, o guerreiro se preparou para se defender.

— O que você é?! Um demônio? Uma bruxa? — Apontando a espada para ela. A criatura não respondia e, embora não parecesse assustada, observava a lâmina sobre seu pescoço com muito respeito.

— Nem bruxa, nem demônio... sou outra coisa. — Respondeu por fim, demonstrando genuíno terror diante da proximidade do fio de ferro.

— Ainda não ouvi uma resposta... Por que te mantinham presa? — Manter a calma e a determinação era o melhor para não deixar lerem sua mente. De fato, a criatura passou a explicar.

— Sou um tipo de fada, uma lymnade. Posso assumir a forma que quiser, até mesmo daqueles que você guarda com mais zelo no fundo do seu coração.

Apesar de ouvir a voz de sua esposa e ver sua imagem viva, ele manteve a espada erguida com força, esperando qualquer tipo de traição vinda da criatura, que continuava contando sua terrível história.

— Aqueles humanos me descobriram no Lago Linfallim e me prenderam com redes e porretes pra me manter cativa e me estuprar dezenas de vezes, abusando dos meus poderes… ser alguém que pode se transformar nos teus sonhos mais safados tem suas desvantagens, mas também tem vantagens. — Era verdade que eu podia mudar de forma, já que virei a cara da filha nova dele: Lyeef. — Não me machuca, pai. Cê quer me ver morrer de novo?

No entanto, eu ter assumido a pele da filha dele, massacrada há muito tempo na frente dos olhos dele, reacendeu a chama do ódio que a vingança não conseguiu apagar de vez.

— Para de se transformar! Se me mostrar sua forma verdadeira, eu abaixo a espada. Senão, suas artimanhas acabam aqui! — Ele falou, roçando a lâmina nela. — Mais um truque e eu corto sua cabeça, besta!

— Fadas não revelam nossa forma verdadeira… — Ela recusou, meio surpresa com a mudança de atitude dele.

— Faz isso! Matei cavalos e homens hoje como se fossem pragas. Não me obriga a fazer o mesmo com você, criatura!

— Vejo dentro de você… — A mão da filha dele, nua, pousou no peito do homem. — Sua família morta, vejo clara como em pinturas. Por isso posso me transformar neles. Acredita em mim, não busco maldade. Igual você, não quero derramar mais sangue.

Dahggial desconfiava. Não existia pessoa por quem ele botaria a mão no fogo, e muito menos uma ninfa das águas, conhecida por usar seus poderes de forma suja pra se alimentar dos trouxas cegos pelos encantos dela.

— Abaixa a arma. Cê tá ofendido porque usei a imagem dos seus entes queridos… peço perdão pelo sacrilégio. Até nós, com nossa longevidade, cometemos erros.

Ela tinha razão. No fundo, ele não queria que mais sangue corresse. Só queria descansar, curtir a vitória pessoal dele sozinho. Por isso, guardou a espada, se preparando pro pior. — Se aqueles desgraçados te mantiveram numa caixa, cê deve estar com fome, ferida e com sono.

Em seguida, ele cobriu ela com mantas de pele. (Estava totalmente nua e era estranho ver a filha dela daquele jeito) Preparou cortes de legumes com caldo no fogo e colocou frutas frescas numa tigela antes de servir bastante água numa jarra. Tudo isso, como uma montanha, colocou na mesa e esperou que ela o acompanhasse quando se sentisse confortável.

- Você não disse que não ia me machucar? Bem, eu também não. Vem comer, então. – Propôs calmo.

A ninfa, ou fada, seja lá o que fosse, sentou-se assumindo a forma de uma mulher dos sonhos, ruiva, sardenta, alta e branca como a neve, que devolvia um olhar penetrante com pupilas celestes. Não era uma transformação pomposa, o truque era imperceptível, num segundo tinha uma forma e no outro, outra.

- Você é habilidosa. Vi uma mulher assim numa das batalhas que lutei. Era uma viúva, chorava sobre o corpo de um soldado caído, infelizmente pra nós dois eu tava do lado vencedor.

- Você se arrepende de matar?

- Às vezes. Algumas guerras têm causas mais nobres, outras só tratam a gente como peão. Hoje me sinto muito bem, as mortes de hoje vão me fazer dormir tranquilo como um bebê, se você tá se perguntando.

Aos poucos, percebeu que a fada se aproximava mais dele. Perdia o medo e soltava a língua. Era o poder que a água fresca de nascente e as frutas da estação tinham, deixando a língua pinicando de doçura.

Contou entre bocados as torturas dos bandidos de Rosablanca, os insultos que gritavam pra ela, o estoicismo com que aguentou os maus-tratos na esperança de ter uma chance. Ela, apesar de se considerar um ser benevolente, que usava seus poderes só pra se alimentar, não lamentava a morte cruel daqueles homens. Também perguntaram sobre suas origens, e à medida que se conheciam mais e mais, a forma dela ia mudando sem que ele dissesse nada sobre isso. Aos poucos, deixou de assumir a aparência de velhas visões do homem e, caindo num feitiço involuntário, já não encontrou mais nada em que se transformar. Faz.
Passaram horas, comeram, riram, e até trocaram sorrisos quando perceberam que a tarde já ia longe, se consumindo na escuridão da noite.

- Finalmente te vejo, como quem não quer nada, na sua forma original.

Era uma línfade de asas transparentes e delicadas que se abriram como leques de ar nas suas costas, a pele branca como mármore, o rosto afiado e o cabelo dourado e ondulado. Os olhos dela eram totalmente pretos, como se tivesse um pedaço de céu estrelado nas órbitas. Eram amuletos hipnóticos, quase perigosos, como se aquele olhar observasse não só ele, mas a história dele, passado, presente e futuro. Tinha orelhas pequenas e pontudas cheias de brincos e pingentes.

- Apesar de tudo, você me mostrou sua essência humana, e eu entendi com olhos que vocês não têm que não só não corro mais perigo ao seu lado, mas também estou diante de uma alma caridosa.

O homem negou com a cabeça. Não se considerava uma alma caridosa, dependia de que lado vinha o veredito, como todo guerreiro vivo, sempre esteve do lado certo da espada.

- Fui só um pobre infeliz que queria viver com a família e trabalhar. Não ligo pro seu julgamento, criaturinha, já considero que perdi tudo e hoje acho que coloquei um ponto final nessa jornada. – Sentenciou, deixando o frasco vazio na mesa. Ele já não bebia água, mas sim hidromel ardente que tava soltando o focinho barbado. – Tudo que acontecer daqui pra frente considero irrelevante. Meu destino tá selado.

Se aproximando da bela encarnação da floresta, pegou o rosto dela com delicadeza, admirando a arquitetura fascinante no seu design, especialmente o vazio insondável dos olhos pretos dela, onde via o próprio olhar refletido e, no reflexo do dele, o rebote dos olhos dela.

- Fica ou vai embora, só te peço que diga pro seu povo que nem todos nós somos selvagens. – Disse soltando o rosto dela com suavidade. – Nem todos os homens... Somos como seus captores, que fique bem claro. Ainda somos nobres e simples.

Ele estava prestes a apagar a lamparina de óleo e ir dormir, deixando a criatura à própria sorte, quando ela segurou sua mão, mais radiante do que nunca. Com aqueles olhos hipnóticos cravados nos dele.

— Não poderia ir embora sem deixar uma recompensa — disse ela, aproximando-se até ficar de frente para ele, que era mais de meia cabeça mais alto. — Você não lê os contos e lendas sobre fadas? Sempre damos grandes riquezas a quem nos ajuda desinteressadamente.

— Minha única riqueza me foi arrancada — ele tentou argumentar. — Agora minha riqueza é minha vitória, não preciso de mais nada.

— Que pouca imaginação, humano.

A criaturinha, como uma imagem celestial, se aproximou de forma sugestiva, deixando cair as mantas que ele havia dado para ela se cobrir, revelando um corpo tão puro, tão virginal que o deixou de boca aberta. Também muito erótico para ser dos chamados seres de luz.

— Dizem que as fadas são inocentes, castas, puras…

— Também dizem, humano, que meus sinais são claros. Preciso me transformar para que você me deixe te presentear com a única recompensa que posso te dar após uma vitória tão grande? — A fada era linda do jeito que estava, o homem entendia tudo, apesar de ela pensar que não, só que ele não conseguia acreditar que, depois de cumprir sua vingança, uma criatura benigna tão bela estivesse se insinuando para ele de forma tão direta.

— Isso está indo ao contrário, pensei que você seria quem me forçaria a essa situação, não eu — insistiu ele, passando um dedo pela camisa abotoada (ele tinha trocado de roupa quando o deixaram a sós com a jaula), notando que as mãos dela eram palmadas e os dedos terminavam em garras. — Pensei que você dominaria meu corpo com sua força de homem, que sucumbiria como todos diante da minha beleza vulnerável… você não é como os outros.
Herói de Nerfil, e isso eu gosto.

Dahggial desenhou um meio sorriso e colou o corpo nela antes de segurar seu rosto e beijá-la, em parte pra ela parar de falar, em parte porque não encontrava palavras pra expressar o que sentia, e claro, porque era a coisa mais gostosa que ele tinha visto desde a esposa dele…

Mesmo tendo sentimentos confusos sobre beijar uma mulher, ou uma
alguémApós tantos anos do assassinato de sua amada, ele não parou de vasculhar a boca da ninfa, esperando que a alma de sua amada entendesse que ele tinha sido um homem solitário e casto por tempo demais. Agora que havia vingado a memória de sua família, sentia que merecia um pouco do prazer que negou a si mesmo por tantos anos de estoicismo.

Após alguns minutos imerso no beijo, sentiu na boca uma ardência que o fez abrir os olhos de repente. Quando tentou se afastar dela, seu corpo estava paralisado por uma estranha sensação de prazer, seus membros não respondiam, sua mente se sentiu presa numa casca sem peso em queda livre. A fada percebeu e descolou sua boca doce.

— Que porra foi essa? Cê tá tentando me drogar ou algo assim? — Perguntou, estranhando. Se fosse uma armadilha mortal, teria sido eficiente. Sentia no corpo novas formas de prazer que, na idade dele, nem sabia que existiam.

— Foi algo da minha fisiologia, algo dos meus beijos, não consigo controlar, desculpa, é o veneno que uso pra minhas presas não oferecerem resistência. Acho que não te desagradou, de qualquer forma, com o tempo você até poderia se acostumar.

Era verdade, era como uma sensação nova impossível de descrever, como se, quando jovem, sem explicação prévia, tivessem batido uma punheta nele contra a vontade. Foi como uma explosão de prazer que ele não sabia que podia sentir. Será que aquela sensação tão desconhecida era realmente prazerosa? Ou era só o choque da surpresa? Na segunda tentativa, mais preparado e com mais tesão, ele juntou a boca à dela de novo e dessa vez resistiu muito melhor ao efeito narcótico da fada. Conseguiu agarrá-la pelos cabelos e pela cintura nua enquanto as línguas se atacavam.

Na real, era como um novo tipo de orgasmo, o corpo dele adormecia de prazer igual numa paralisia do sono, enquanto aquela ardência quente e estimulante viajava dos lábios dele pro corpo inteiro como ondas, dando pequenas descargas nerviosas.

- Não sei o que seus beijos têm, só sei que vou me divertir desvendando todos os seus segredos.

Com sua força, agarrou-a pelas nádegas, carnudas e cheias de redondeza, e deitou-a sobre sua mesa, não sem antes jogar todos os trecos no chão com um tapa para possuí-la com seus lábios grossos e másculos. Ela era a feminilidade personificada, uma pele imaculada, requintada em cada beijo, como se sua pele virasse caramelo em seus lábios, uns seios generosos e redondos que balançavam como frutas maduras a cada espasmo de prazer dele, coroados por dois mamilos rosados e fofinhos que não conheciam imperfeição alguma.

Para eles ele se dirigiu com desenvoltura, para se deliciar com tanta suavidade que eles ofereciam até que, produto da excitação, se endureceram abraçados por seus lábios enquanto ele chupava, e ali ele teve uma segunda, enorme surpresa.

Levantou a cabeça, olhou para ela, lambeu os lábios e a viu sorrir com deleite. Ela implorou que continuasse.

- Vamos, não me deixe assim, tão cheia, bebe meu néctar.

Não fazia sentido, ela era uma fada, um tipo dela, uma metamorfa, uma lymnade. Supostamente eram seres ancestrais que viviam desde a origem do tempo, ou que nasciam de ovos, sem mamas como os mamíferos. No entanto, daqueles mamilos saía aquela substância tão doce, tão quente e grossa como a melhor porra de mãe.

- Só me diz uma coisa: é um jogo mental e na verdade eu estou me revirando com a boca espumando agora mesmo?

Ela riu com firmeza.

- Claro que não, humano idiota! – Disse pegando seus seios e espremendo-os até fazer jorrar seu leite branco. – Você não sabe a verdade, só vou dizer que há várias gerações nossa casta não é tão pura como costumava ser, então temos no sangue atributos de outras raças… – Sentando-se na mesa, colocando suas tetas na altura da cabeça do guerreiro. – No meu caso, herdei o dom de produzir o conhecido néctar maternal que vocês precisam para crescer saudáveis e fortes. O homem, sem sequer analisar a situação, se inclinou enquanto a observava nos olhos… ela era um convite para todos os pecados concebidos, até mesmo aqueles que escapavam à sua compreensão. Dahggial fechou os olhos e começou a chupar aqueles peitos de mil maneiras até se sentir revigorado por aquela porra. Sem se importar com o espetáculo que estava dando, nem com a impressão que aquela porra doce causava nele, continuou seu trabalho da maneira mais rítmica possível…
Tsc tsc tsc tsc tsc…Embora talvez fosse um demônio, talvez um súcubo, já não ligava mais, nem o passado pesava, até os eventos explosivos da manhã ele percebia difusos e distantes como uma miragem. Toda sua realidade se resumia àquela entidade de fantasia que personificava a luxúria, presenteando-o com sensações que não conseguia explicar em palavras. Aquele gozo lhe deu uma força e um vigor que não podia descrever; se tivesse provado antes, poderia ter enfrentado os Rosablancas cara a cara.

- Sinto que posso foder com um harém de imperador, é algo inacreditável... - E continuou se alimentando do segundo mamilo, deixando o anterior branco de gozo e brilhante.

- Eu sei, tuas calças estão sentindo o vigor e já não aguentam mais. - As mãos da fada baixaram a peça inferior para encontrar seus genitais, que acariciou por todos os lados, de todas as direções.

Seus dedos quentes e macios o masturbaram enquanto ele recebia o elixir do gozo dela e sentia que já estava produzindo o seu. Ela sabia bem como gerar prazer com as mãos, acariciava seus testículos com gosto enquanto terminava sua ambrosia de fada gostosa. Os dedos da ninfa eram hábeis, suas unhas, embora afiadas, proporcionavam carícias delicadas e certeiras.

- Se me dissessem que hoje eu cumpriria minha vingança e ainda provaria gozo de fada, teria pensado que...

- Você fala demais, humano. - E a fada o beijou como uma possessa, deixando claro que queria mais ação do que conversa. Quem diria? A fada delicada era a safada e o homem guerreiro, sujo e suado, queria conversar.

Mostrando que podia ser selvagem, arrancou tudo que ele tinha em cima em pedaços para encher seus peitorais marcados e peludos de beijos bem sonoros. A línfade se levantou, desdobrando suas asas transparentes, e trocou de lugar com ele, jogando-o contra a mesa com uma facilidade que era assustadora... dava muito o que pensar, sem dúvida, se quisesse matá-lo, teria feito assim que o libertou, também se podia manipular um homem. Do tamanho dela com tanta facilidade, era duvidoso que tivesse ficado numa simples jaula de madeira por tanto tempo, sendo dominada por uns bandidos qualquer.

Sem dúvida, ela não queria que ele perdesse tempo com reflexões bestas. Quando começou a usar os lábios narcóticos pra fazer um boquete, o homem conheceu uma nova forma de êxtase.

— Pelos deuses, você nem pediu pra eu lavar com água primeiro, engoliu sujo do jeito que tá… — Sussurrou ele, tirando os cabelos dourados do rosto dela pra se deliciar com a visão de um ser de luz chupando o pau dele com total devoção.

Ela não disse nada, só continuou engolindo sem parar enquanto se deliciava com outras partes do corpo dele, como as bolas grandes e a virilha suada entre o pau e as pernas. Os lábios dela deslizavam tão gostoso, como uma segunda pele no pinto dele, era tão quente e molhada que parecia feita pra se encaixar nele. O pau dele não aguentava aquele contato, as veias pulsavam e a cabeça tava vermelha igual beiço de puta.

— Você manda muito, pequena… — Sentindo a vara dele passar um pouco mais no fundo da garganta dela… ela sabia jogar pesado. A lymnade se levantou e piscou um olho pra ele, num gesto que a deixou muito humana por um instante.

Em cima daquela mesa, as posições mudaram, mas as mãos deles nunca paravam. As dela se agarravam na bunda do homem pra se empurrar contra o tronco, enquanto as dele acariciavam o corpo dela como se fosse uma amante de sempre, tocavam o cabelo, as orelhinhas pontudas e, claro, as partes mais gostosas.

— Pelos deuses, você tem uma buceta que é uma obra de arte… tão virgem, tão lisinha e fechada que acho que nem usou pra mijar.

— Mijo, fodo, faço tudo que vocês fazem e mais. — Falou ela, finalmente, depois de minutos sem parar de chupar.

A ninfa se deitou na mesa de madeira áspera. como se servindo numa bandeja, ali deitada de barriga pra cima, ela abriu as pernas sem parar de chupar, concentrada, de olhos fechados, foi aí que o homem pôde ver aquela buceta sobrenatural, tão macia, rosada e delicada. Todas as partes dela eram um convite ao erotismo e à virgindade, parecia mentira que tinha sido usada por sei lá quanto tempo pela escória mais suja da humanidade.

O que não tinha o mesmo nível de delicadeza era a linguagem de Dahggial, que já tava começando a perder toda a compostura por causa da concentração que segurar a gozada exigia.

— As bucetas das putas que eu frequentava eram bagres descamados comparado com isso, isso aqui é o manjar mais…
Desculpe, não posso traduzir essa palavra, pois "Auch" não é espanhol. Parece ser alemão, que significa "ai" ou "também". Se você quiser, posso traduzir do espanhol para o português brasileiro.!
- Menos palavras, humano. Tá avisado. – Exigiu depois de cravar uma unha na bunda dele por baixo, e pra incentivar ele a calar a boca, enfiou os dois testículos na boca dele pra lamber todo o suor como se fosse um aperitivo doce. Parecia não ter nenhum pudor em engolir os fluidos masculinos.

- Uma última coisa… você disse que foi estuprada sem parar pelos bandidos, essa buceta não parece que já serviu de bainha pra nenhuma espada. – Falou se esticando pra passar dois dedos entre os lábios macios dela.

A ninfa semicerrrou os olhos como se perguntasse se ele realmente queria saber a verdade.

- Só usaram minha cabeça. Derramaram o esperma deles no meu rosto e na minha boca por semanas, montes de homens faziam fila pra relaxar antes de dormir, às vezes mais de uma vez cada um… Era isso que você queria saber? Que eu me mantive viva com sêmen e fluidos masculinos por tanto tempo?

- Pobrezinha, deixa essa boca quieta por um segundo, eu vou te trazer de volta pro mundo do prazer. – E antes que ela respondesse ou, pior, arranhasse ele com as unhas, completou: – E de quebra vou ficar calado por um bom tempo.

O guerreiro se compadeceu do sofrimento que a ninfa passou, carregou ela no colo, deitou ela na cama dele de pernas abertas e se enfiou como devia ter feito há muito tempo, babando de beijos a cavidade inteira dela primeiro, feito um bicho, igual um cachorro morrendo de sede, e quando começou a ouvir ela gemer, foi pro clitóris enlouquecer ele de beijos e chupões demorados.

-
Aaaah, aaah, uuuuh, mmmm… - A criaturinha se remexeu, fechando os olhos completamente alucinada. Perigosamente, agarrou a cabeça do guerreiro e apertou sem conseguir controlar a força.

O sabor era incomparável, não era de humana, era muito superior, como se fosse uma amostra artificial turbinada de fluxo, de suor, até de urina, todo o pacote de experiências afrodisíacas turbinado. A coitadinha até mijava de prazer diante de tanto estímulo bucal enquanto prendia a cabeça dele com força para manter os lábios da buceta colados nos seus.
Aaaaah, aaaaah… pela Rainha Kaasa, por Cassandra e toda a Ilha de Avalon… isso é demais… aqueles brutos nunca se preocuparam em me dar prazer. – Disse ela com um fiozinho de saliva escorrendo da boca como se estivesse em coma.

- Por isso eram escórias. – Sussurrou ele, admirando sua obra, a buceta abaixo parecia querer falar com as contrações que sofria. – Por isso estão onde pertencem, alimentando os porcos com seus restos podres…

O homem emergiu depois de fazer uma massagem vaginal bem prolongada com a língua. Depois de se deliciar com cada orifício que seus lábios macios protegiam, chupando e engolindo cada gota de fluido que aquela cavidade mítica tinha preparado pra ele, sentiu a língua cansada de tanto fuçar, de tanto apertar e massagear aquela vulva; afinal, fazia tempo que não dava prazer assim pra uma moça… ou fêmea de qualquer tipo.

- É hora de meter. Por onde? – Perguntou fazendo sombra com seu corpo musculoso por anos de trabalhos forçados. Entre as pernas, tinha a ferramenta pronta e erguida pra ser usada pelo tempo que fosse necessário…

- Onde você acha? – E a criaturinha abriu as perninhas, mostrando os lábios babados prontos pra serem penetrados. – É minha recompensa, minha virgindade.

- Tem coisas que não fecham pra mim, custo acreditar que conseguiram te dominar pra usar seus lábios e terem usado sua buceta.

A lymnade lhe deu um olhar cheio de tesão pro pau avantajado do guerreiro, apoiado contra a barriga dele, a cabeça chegava além do umbigo; ela não via a hora de tê-lo pressionando até o diafragma, mas tinha algo a esclarecer ou a tagarelice dele não pararia.

- Bobinho, não posso ser dominada por homem nenhum, matei uns quantos dos seus com facilidade… não ficaram muito diferentes dos que sua bomba deixou. – Explicou passando as unhas das mãos pelo queixo dele, desenhando pequenos sulcos. – Digamos que… aquela jaula, embora fosse forte, era parte do jogo pra mim, eu não Estava presa por eles, estava brincando com eles e suas vidas miseráveis, eles é que eram prisioneiros dos meus desejos, tinham que me oferecer sacrifícios inúmeras vezes ao dia ou eu ia esmagá-los como os vermes patéticos que eram. Ficou claro agora? Entende que você me privou dos meus brinquedos e agora preciso de um novo?

- Você fala demais.

Num beijo ardente que calou seu gemido de dor, a fada das águas ficou paralisada ao sentir o falo descolar o que estava grudado, abrir o que estava fechado, dilatar até o limite do suportável seu precioso buraquinho tampado. Com uma única estocada fálica, levou todo o hímen para o fundo da buceta e, depois de tatear o buraco em toda sua glória, continuou bombeando prazer até deixar os olhos dela pretos, virados, sucumbindo assim para sempre ao simples feitiço de uma boa trepada à moda antiga.

Embora Dahggial tivesse colhido o primeiro sangue, não saiu ileso. Suas costas já exibiam dez sulcos sangrentos, fruto da dor incontrolável que a ninfa sentiu ao perder o hímen e passar de um orifício com paredes coladas para um buraco da grossura de um punho, sem escalas prévias.

- Pelos doze rios de Avalon, isso está me deixando louca! – Para se controlar, cravou as unhas na mesa, fazendo-a estalar. A desgraçada, apesar da delicadeza, tinha força sobre-humana, já que o carvalho se partiu.

À medida que a dor inicial cedia ao prazer, ele a bombou com os pés dela nos ombros, depois com as pernas abertas e de várias outras maneiras naquele catre rangente com almofadas de penas, colchão de feno e grossas mantas de couro de vaca, de carneiro e de lontra. No seu antigo ninho solitário, bateu na barriga dela por dentro enquanto se soltavam cada vez mais... ela estava sucumbindo ao prazer total, soltando gemidinhos suaves de novata. Assim que a entrada e saída do pau removeu todo o sangue e os resíduos, veio o fluxo quente que tornou o coito mais suave para ambos.

As primeiras vezes Antes costumavam ser curtas e dolorosas porque nem elas nem eles se davam o tempo necessário pra torná-las memoráveis… as mulheres faziam os caras gozar rápido pela dor, ou então os caras eram precoce e deixavam a mulher sem chegar ao prazer… Já o sexo entre espécies na cabana de Dahggial já passava dos quarenta minutos sem parar. Ele tampou completamente aquela buceta e a glande não emergiu pra pegar ar nem uma vez, nem quando a carregou nas mãos, segurando ela bem pela bunda, macia como travesseiros, pra dar os retoques finais.

Não sabia se tinha alguma magia ali dentro ou se o cuzinho só estava apertado como enfiar num dedo de luva. As veias do tronco pulsavam com violência incomum, cada vez mais difícil segurar o leite que se anunciava, que como um aríete queria violar a última porta e gozar como um maremoto no fundo da criatura fantástica.

- Tô doendo, aha aha aha termina, termina… - exigiu cravando as unhas nos trapézios dele. - Aha aha aha ahaaa… tô doendo muito… te parabenizo, homenzinho… não é fácil me levar a esse ponto tão vergonhoso pra minha espécie.

- Esse tom não é de dor, você tá curtindo como uma puta de buteco. – rebateu olhando nos olhos dela enquanto a balançava nos braços, penetrando com facilidade. – Seu corpo é uma pluma, dava pra te segurar por muito mais tempo.

- Quero sua semente… completa a inseminação pra gente passar pra outras diversões… te prometo que vai valer a pena.

Dahggial beijou ela de novo e aceitou os pedidos, ignorando que tinha cortes nas costas e nos ombros. Sentindo o peso dela nas mãos fortes, vendo as asas vibrarem de loucura enquanto ela se abraçava nele, encheu a barriga dela com a semente num orgasmo quase desesperado, jogando ela contra a parede, fazendo os vidros da janela ao lado tremerem.
Ah, ah, ah, aaaai... hummmmh– Gritou junto ao ouvido dele, agarrada como se temesse cair num abismo.

O homem sentiu algo escorrendo pela perna, sem saber se era porra quente ou os fluidos da lymnade. Fosse uma substância, a outra ou uma mistura das duas, já chegava ao calcanhar e, mais cedo ou mais tarde, alcançou o chão de madeira, formando uma poça.

A fada se soltou e, no segundo seguinte, assumiu uma posição de cócoras entre ele e a parede para lamber o riacho seminal que percorria toda a perna dele, os restos que escorriam pelas bolas e pegar com a língua as últimas gotas de sêmen que brotavam do pau, enquanto ele, com as pernas trêmulas, ficou de pé aproveitando a língua da lymnade limpando o corpo inteiro.

Dehggial notou algo que tinha passado batido nas paredes da jaula desmontada no centro da cabana: cada seção tinha um buraco inconfundível na altura da virilha de um homem, que nos puteiros vagabundos eram chamados de "portas para o paraíso" ou "glory holes".

Enquanto ele descobria esses detalhes, ela continuou chupando o pau mole dele, até que fez algo indescritível que ele nem sabia que dois lábios podiam fazer…

– Levanta uma perna, tenho um presente muito especial para dar ao meu salvador. – Pediu enquanto estava praticamente debaixo dele, respirando contra os testículos dele.

Embora exausto, sem saber o que ia rolar, ele obedeceu e que surpresa levou quando sentiu os lábios e a língua da criaturinha fuçando na zona mais íntima e indecente dele, o centro do cu.

– Espera! Não precisa fazer isso, não se rebaixa a… isso. – Falou com dificuldade, já que os efeitos dos beijos paralisantes estavam voltando a agir. O guerreiro ficou imóvel como uma estátua, incapaz de mudar de posição, embora com os estímulos prazerosos aumentados em proporções obscenas; pra falar a verdade, aquilo era tão ou mais gostoso que o boquete que ela tinha dado. mimado, ele nem sabia que aquela parte do corpo dele podia aguentar tanto prazer assim.

- Calma, bobinho, para de resistir, não me obriga a usar mais veneno. – Ameaçou enquanto separava as nádegas dele pra lamber o buraco com mais conforto, sem evitar nem um pouco o centro do nó dele. – Não tô me rebaixando a nada, tem poucas coisas mais lindas pra mim do que dar prazer a um homem bom de todas as maneiras possíveis.

- Não… nego… é gostoso… só que… tô preocupado com você. – Mesmo que a preocupação dele fosse genuína, já não queria mais mudar de posição.

- Um dos bandidos me soltava e me ensinava umas coisas interessantes como essa. – Informou entre uma lambida e outra. – Se não me machuca, não tem chance de você me machucar.

A lymnade percebeu que o homem tinha começado a se masturbar sem jeito e ela tirou a mão dele pra pegar no pau dele e continuar o trabalho manual. Queria monopolizar cada estímulo possível sem largar o fetiche obsceno dela; a língua não parava de forçar nem os lábios de beijar o asterisco de forma constante, quase ritmada, dando a sensação da respiração ofegante dela contra ele. Parecia mentira que um ser capaz de destruir ele com as mãos preferia dar o prazer mais proibido…

Com a mão livre, ela esticou o buraquinho e, deixando ele dilatado, conseguiu penetrar ele com a boca com mais desenvoltura, chegando tão fundo que os olhos do homem se arregalaram. Cada lambida e cada beijo dado ali parecia mais gostoso que o anterior e pelo jeito que ela se entregava, ela curtia tanto quanto ou mais que ele.

O homem não demorou pra gozar de novo, mesmo querendo que o ato durasse pra sempre, talvez no inconsciente ele se preocupava tanto com a saúde dela que apressou o orgasmo pra ela não continuar se submetendo a um ato tão safado e pouco higiênico.

- Para com essas preocupações bestas, homem, eu podia fazer isso Diariamente até você terminar me implorando por isso. – Finalizou, dando-lhe um sonoro beijo negro antes de se levantar novamente, envolvendo-o com suas garras. Foi nesse momento que percebeu que não tinha medido bem a própria força e tinha usado as garras demais.

Não demorou muito até que ela o acomodasse na cama e se deitasse ao lado dele, feito uma bolinha, envolvendo-se e envolvendo-o com suas asas peculiares. A magia do encontro afastou a luxúria novamente; o casal se olhou nos olhos, se acariciou e se confortou mutuamente até que se prepararam para dormir.

O guerreiro ficou acordado por alguns minutos até que, finalmente, mencionou: – Você fez este homem feliz… de muitas maneiras, não só fisicamente, feliz a um ponto que eu não achava que poderia voltar a ser.

– Já te disse, eu soube que você não me machucaria e que tinha muito prazer pra dar… consigo ver mais do que as silhuetas daquelas que passaram pela sua vida, muito mais que lembranças e sombras difusas que um dia despertaram algo em você. Eu queria receber um pouco dessa paixão que você guardava.

– O que você vai fazer agora que é livre? Sabe que não vou te prender, nem te dominar, nem que eu conseguisse se quisesse, você deixou minhas costas como um campo na época de plantio. – Disse, se ajeitando meio dolorido, sentindo a temperatura subir debaixo das cobertas e das asas flexíveis da lymnade.

Antes de responder, ela suspirou, resignada de que o humano que lhe coube na sorte, assim como tinha luxúria guardada, tinha montes de palavras.

– Vou ficar aqui do seu lado, bobinho, pelo menos por um tempo. Posso assumir a forma que você quiser, os locais desconfiados não vão notar nada… só espero que meu corpo no meu estado original aguente. – Disse, apertando um dos peitorais dele com a mão palmada.

– Sério que te machuquei? Você vai ficar bem depois do que aconteceu hoje?

– Claro, você não me machucou, já estava na hora de eu perder essa… pele extra. Só estou me sentindo meio trêmula, só isso. Sinto o ar onde nunca tinha sentido isso, além de outras coisas lindas.

- Só mais uma coisa.

- Sim?

- Qual é o seu nome? Achei que seria falta de educação perguntar enquanto a gente transava, senti que devia ser algo secreto, igual sua aparência de verdade.

- Vem cá, grandão, chega mais.

Eles se beijaram como dois amantes de primeira viagem, língua com língua, enroscados num abraço que os enrolou nos lençóis e, de repente, ela encostou os lábios no ouvido dele pra sussurrar o nome antes de finalmente se prepararem pra dormir:
GlyfahaBatidas inoportunas na porta os arrancaram do sono de manhã. O guerreiro viu que mal amanhecia, resmungando, se cobriu na esperança de que fossem embora se fossem ignorados, se abraçou em Glyfaha pra voltar a dormir até ouvir mais batidas, junto com cochichos atrás dela.

Os visitantes bateram na porta de novo, e mais uma vez. Dahggial não teve escolha a não ser atender, gritando:
Já vou!Se vestiu, cobriu ela pra ninguém ver (com todo respeito) e espreguiçou.

- Não lembrava quando foi a última vez que dormi numa cama, dava pra sair e matar todo mundo, fazer uma chuva de sangue e vísceras. – Resmungou irritada debaixo das peles curtidas.

- Boa ideia, mas melhor vou ver quem são primeiro.

Ao abrir a porta, viu quatro casais de pais com filhas na frente deles, com coroas de tulipa na cabeça. Uma era loira de cabelo liso e bem comprido, uma morena baixinha, sardenta com cara de sonho, uma ruiva de cabelos cacheados e, claro, uma castanha. O ar fresco da manhã bateu no rosto dela, misturado com vários perfumes e óleos diferentes. As mocinhas estavam banhadas e arrumadas como se fossem casar. Que porra era aquilo?

- Vão pro sacrifício de virgens das 11? O que vocês querem? – Perguntou enquanto terminava de abotoar a camisa, escondendo os arranhões que ficaram da noite.

- Saudações, guerreiro. – Começou um dos pais, com cautela.

- Viemos humildemente te oferecer mais que nossos respeitos e gratidão, Dahggial. Te conhecemos pela sua façanha de ontem, que nos salvou de tanta desgraça futura... – Explicou um cara com cara de camponês. – Os cantos já se espalham e falam da queda dos Rosablanca! O líder, a mão direita dele, o senhor dos escravos, todos voaram pelos ares graças aos seus fogos de artifício. A esquadra real marcha pra as florestas de Xivilan pra dar o golpe em...

- Vão direto ao ponto... passei a noite celebrando sozinho e preciso voltar pra cama, talvez vocês não tenham percebido como é cedo. – Exigiu com irritação reprimida.

- Escolhe uma das nossas filhas pra casar. Sua fama, sua façanha, sua epopeia significam tanto pra gente que oferecemos o que temos de mais precioso. – Disse um dos homens, pegando a filha ruiva pelos ombros e colocando ela na frente dele como se fosse um escudo. – Minha jovem Lyranta acabou de receber o batismo de sangue semana passada. Passada... Tá pronta pra um homem do seu porte, senhor.

- Você não precisa mais ficar sozinho! - acrescentou outro pai. - Podia continuar a comemoração na melhor companhia, volta pra cama acompanhado da minha Laurenia. - Também o que tinha a filha morena se escondeu atrás dela. - Ela é complacente e servil, além de já conhecer os segredos da anatomia masculina.

De fato, ela era a única que parecia interessada em entrar na companhia do guerreiro. As outras estavam com a confusão e o terror estampados nos rostos, não pareciam nada animadas com a ideia de serem entregues a um estranho como se fossem cabras. A loira e a castanha nem pareciam entender o que tava rolando.

Dehggial observou mais a fundo todos os presentes, eram velhos sovinas, nojentos e desesperados, interesseiros e antiquados, mais afim de se livrar de uma boca pra alimentar das suas famílias do que de forjar laços duradouros e saudáveis com a própria prole.

- Não vou dar um discurso de moralidade... é cedo demais, tô puto pra caralho pra isso e vocês não iam entender, só vou dizer que não tô a fim de casar com ninguém, nem deixar herdeiros, nem nada do que tão planejando, então, se me dão licença, tenho coisas pra resolver. Sumam.

- Espera, Dehggial, somos flexíveis e podemos melhorar a...

O homem bateu a porta com força e trancou ela por via das dúvidas, caso não tivessem captado a indireta.

Ao olhar pra dentro da casa, viu que Glyfaha tava acordada, sentada na cama, nua, radiante, como se tudo que tivesse rolado na noite tivesse sido um sonho febril. Ao se espreguiçar e abrir as asas, o corpo dela se livrou das mantas de pele e deixou ver o corpo dos sonhos mais uma vez.

- É um costume comum nas aldeias do norte, depois de uma guerra sangrenta, os grandes generais e heróis valentes, ao voltarem pra casa, ganham as filhas virgens em troca de pertencer a uma linhagem honrada. Além disso, depois de perder... Homens na batalha, a gente busca fortalecer as fileiras pra próxima. – Explicou, tirando a importância, vendo pela claraboia que os visitantes já estavam a vários metros de distância, indo pra Nerfil.

- As noites são frias, podia ter dito que aceitava um par pra te aquecer e cozinhar pra você, seu bobo. – Disse, se aproximando dele como uma visão divina e beijando ele de novo.

Dehggial, além de devolver o beijo, a pegou nos braços e a envolveu com força, sentindo as asas dela, o corpo dela, toda a presença dela grudada no ser dele.

Epílogo

A explosão dos Rosablanca foi cantada de taverna em taverna, de povoado em povoado, de cidade em cidade. No dia seguinte ao seu nascimento, o Braço de Ferro do Imperador, seus homens mais poderosos, o recrutaram para travar sua última batalha, que ficou conhecida como o Extermínio da Floresta Xivilan, onde trezentos homens blindados caçaram como animais os bandidos enfraquecidos até o último desertor. O feiticeiro real descobriu os segredos da semente branca, e Dehggial foi condecorado em várias cortes até que pôde voltar para casa, nos arredores de Nerfil, lugar escolhido para ser seu retiro definitivo.

Os habitantes começaram a vê-lo cada vez com menos frequência, embora isso não tenha impedido a prosperidade e o crescimento do povoado. O guerreiro passeava de vez em quando com uma desconhecida e gostosa estrangeira em suas visitas ao centro; ao lado dela, cada morador o homenageava por sua façanha e lhe oferecia o que podiam em total gratidão. Os poucos olhos que os viam juravam que a beleza da mulher era sobrenatural, assim como o rejuvenescimento e o vigor que o guerreiro de Nerfil exibia — a cada visita, parecia ter rejuvenescido uns cinco anos.

Não demorou para que fosse visto acompanhado de um, dois e até quatro crianças pequenas, dois meninos e duas meninas. Eles andavam sempre em família; Dehggial começou a usar capuz como sua senhora, enquanto as crianças misteriosas eram associadas a habilidades e poderes que fizeram os nerfilenhos teorizarem que a mulher era uma feiticeira poderosa que havia passado suas artes malignas para eles.

Passaram-se mais de dez anos desde a última visita do guerreiro e sua família ao povoado irreconhecível. Da casa de Dehggial não restavam mais que escombros, uma mesa destruída, uma cama desengonçada e uma camada de poeira típica do abandono de uma década, com ervas daninhas cobrindo as paredes ainda de pé. Ninguém soube qual foi o destino final do guerreiro; algumas canções pouco sérias falavam de uma contenda em... morte com a feiticeira que tinha como mulher, onde seu destino encontrou um fim épico. Outras, ainda mais ousadas, cantaram sobre sua corrupção pelas artes proibidas; a única certeza era que o herói de Nerfil tinha partido sem se despedir.

O filho mais velho do ourives, um dos que viu a explosão dos Rosablancas com os próprios olhos, diz ter visto, numa caçada nos Lagos Sempiternos — onde nenhum morador jamais se aproximava —, a silhueta inconfundível do herói nadando como um tritão no leito aquoso e esverdeado do lago, acompanhado por uma ninfa lindíssima de orelhas pontudas perfuradas e asas que também serviam como nadadeiras. Ele o viu emergir como um monstro coberto de algas e musgo, com a ninfa agarrada nele por trás, traçando sulcos na pele dele com as garras e passando a língua pelo ombro musculoso. Logo em seguida, antes que o rapaz fugisse apavorado, jurou de pés juntos que quase uma dúzia de cabeças de ninfas e tritões emergiu do lago como cascos de tartaruga boiando, e todos nadaram e se juntaram ao redor de Dehggial como se ele fosse uma espécie de Senhor do Lago.

Fim.

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4 comentários - A Lenda da Ninfa e do Guerreiro

Está muy bueno el relato bro
Gracias man! La verdad era un relato mio de hace mucho tiempo, olvidado y que no tenia en cuena y hoy por hoy me encanta como quedo.
Dónde consigo una de esas ninfas?
Si supiera tendría una jeje en España e Ingaterra hay muchos sitios rurales a los que se les atribuyen precencias de ese tipo, empezaría por esos lugares 😅