Esclarecimento 1: essa história não é de minha autoria, foi escrita pelo adrianreload que não está mais aqui no P!, estou repostando porque também gostei muito na época.
**Esclarecimento 2: todos os personagens são maiores de idade**
Após semanas de angústia, mal amenizadas por algumas ligações da Mili, que funcionavam como placebo pra minha alma jovem e apaixonada ferida… fui visitar minha consciência.
- Você ama ela?... perguntei.
- Acho que sim… mas… é uma mudança radical… gosto de estar aqui, sempre quis fazer coisas no meu país… lá já tá tudo pronto… sempre pensei que, se fosse pra fora, seria pra aprender e depois voltar pra aplicar o que aprendi no meu país… não pra ficar lá fora ajudando países ricos a ficarem mais ricos… falei com um ar romântico patriota.
- Então aí tá sua resposta… ele replicou.
- Porra… Guille, quer falar na lata… não tô pra adivinhação… falei frustrado, tudo bem que eu tava buscando conselho, mas ele já tava se achando o Yoda.
- Você mesmo disse que se um dia fosse pra fora era pra aprender… então faz isso, amadurece, estuda, aprende… procura uma bolsa ou algo pra ir pros Estados Unidos…
- Parece fácil… mas quanto tempo isso levaria?, tipo, esses processos de seleção de bolsa podem levar meses… Será que a gente aguenta tanto… completei na dúvida.
- Sua pergunta na real é: será que vale a pena?... e essa, meu amigo, é uma pergunta que ninguém mais pode responder… só você… concluiu o Guille.
- Tô fudido?... perguntei lembrando do famoso veredito dele.
- Mais que o normal… com isso você ganhou o Prêmio Nobel dos fudidos… disse o Guille.
Era verdade, era uma decisão que cabia a mim, avaliando o que vivi com a Mili e o que achava que a gente poderia se tornar. Minhas dúvidas vinham do fato de que um ano atrás eu amava a Viviana… uns meses atrás me apaixonei pela Mili… tinha acabado de me formar na faculdade, era jovem, quão volúvel pode ser o amor nessa idade…
- E como cê tá com a Marce?... me atrevi a perguntar, já que a gente tinha falado muito de mim.
- Ah, bem… é uma boa mina, trouxe paz pra minha vida, depois da (Vane)… bom, você já sabe. Sabe, depois daquilo... — disse Guille timidamente, sem querer entrar em detalhes sobre Vane ou Marce.
A resposta de Guille me fez lembrar que também houve uma época de tranquilidade na minha vida, uma mina que me trouxe paz. Depois da bagunça de um relacionamento familiar com uma prima. Antes de me despedir do Guille, quis matar uma curiosidade antiga…
— Ei… e… você nunca se interessou pela Mili? — perguntei sem rodeios.
— Não, na verdade não… — respondeu seguro, e depois, vendo minha cara de incredulidade, completou: — depois do que rolou com… você já sabe (Vane, que nessa altura já era a sem nome), decidi evitar me envolver com minas que estavam a fim de outras pessoas… pra não arrumar problema.
Achei a resposta sincera dele. Bom, de tudo isso, Guille também aprendeu alguma coisa. Depois ele me contou que ele e a Mili até trocaram uma ideia sobre as desventuras no amor, mas nunca chegaram a ficar… nenhum dos dois tava com cabeça pra aprofundar esses assuntos.
Eu achava engraçado como tanto a Mili quanto o Guille evitavam falar daquilo que podia machucar… Mili evitava dizer câncer, Guille evitava mencionar Vane.
Voltei pra casa pensando que as morenas de corpo escultural têm uma maldição pra mim… me atraíam de um jeito passional… mas já tinha três experiências que terminavam comigo aqui e elas a quilômetros de distância.
A primeira morena com quem me iniciei jovem no sexo e exploramos tudo o que a curiosidade mandava. Foi com ela que, meio na brincadeira, descobrimos o sexo anal, que marcaria meus gostos daí pra frente. Pois é, ela acabou indo embora no fim do colégio, a família dela se mudou.
A outra morena na minha vida, que foi minha prima, na verdade já morava fora da cidade, só veio de visita. Eu amava ela, mas éramos muito novos, foi sexo puro e bestial, tinha aquele tesão e o gostinho do proibido por sermos parentes. A entrega fogosa e jovem dela, uma mistura de inocência e aprendizado. Tive que abrir mão dela. pressionado pelo meu pai e pela complicação que era, e também porque eu era muito jovem… mas sabia que não era amor.
E agora a última morena na minha vida… era a Mili, que iria mais longe que as outras duas. Claro que teve outras morenas, na minha pouca experiência, mas foram histórias passageiras, que não valiam a pena comentar agora, porque não me envolvi além de algum encontro casual.
Já tinham passado semanas desde que a Mili foi embora, até que recebi uma ligação, ouvi a voz dela e a reconheci…
- Como você tá?... ela perguntou.
- Se ligou pra zoar, não tô com cabeça… respondi.
- Por que você continua tão agressivo comigo?... perguntou a Vane.
- Qual é… você sabe bem o porquê… falei, entediado.
- Liguei em tom de paz… pra fazer uma proposta… disse ela, insinuante.
- Te falei que não tô pra joguinhos… retruquei, perdendo a paciência.
- Achei que você ia se interessar em saber que minha família tem conhecidos nos Estados Unidos… especialmente em Nova York… completou, um pouco mais misteriosa.
Essa maluca ficava sabendo de tudo, cheguei a acreditar que ela tinha rastreado meu celular… me deixou meio frio. O que será que essa bruxa quer agora?...
- Pois bem, por vocês… O que tem isso?... perguntei.
- Bemmm… falei pro meu pai que queria estudar meu mestrado e ver universidades por lá…
- Fico feliz por você… respondi sem dar corda, mas com inveja da sorte dela.
- Falei pro meu pai que, talvez pra me ajudar, poderia me acompanhar alguém que estudou comigo e que se formou entre os primeiros colocados… completou, mais claramente.
Um dia meu pai me diria que, se eu não tivesse me metido em tanta confusão de saia (com minha prima, com a Mili e mais uma por aí, talvez se tivesse ficado com a Viviana), teria terminado em primeiro lugar… a verdade é que terminei em terceiro… mas quero acreditar que nos anos de faculdade cumpri com o acadêmico e não me privei de aproveitar a experiência completa: com festas, esporte, rolos amorosos, etc. Já a Vane, no boletim escolar, ficava do meio da tabela pra baixo... Muita gente dizia que ela se formou graças às doações generosas do pai dela pra faculdade. Parecia que ela estudava mais pra agradar os pais do que por necessidade ou interesse.
Enfim, o negócio é que, quando você tem grana e tempo livre, que nem a Vane, pode fazer o que quiser, até (só por sacanagem) ir estudar no país onde mora a namorada do cara pelo qual ela tá obcecada… a questão era… em troca de quê?...
- Bom, preciso de alguém pra me orientar em questões educacionais… além disso, você poderia aproveitar pra conhecer gente e se candidatar a alguma bolsa ou algo por lá… ela me disse pra me interessar.
- Só isso… me orientar em questões educacionais?… perguntei incrédulo.
- É que não iríamos só pra Nova York, teríamos que ver outras opções em outros estados: Boston, Chicago, Washington, talvez Los Angeles… e no final Nova York… é uma viagem longa e qualquer coisa pode rolar… ela disse com um certo jeito de provocação.
Porra… pra Vane se formar, o velho dela praticamente deu de presente um passeio pelos Estados Unidos pra ela avaliar opções de mestrado. Pra mim, meu velho mal me deu um abraço morno e me passou o relógio dele, que foi do meu avô também… bom, pelo menos o relógio do avô tinha um valor sentimental.
Voltando ao assunto, a proposta da Vane era tipo uma lua de mel, passeando pelos Estados Unidos e visitando universidades… O que ela esperava?, que eu arrombasse ela em cada estado, na frente de cada universidade… Ela achava que eu ia me apaixonar por ela nessa jornada?... Estrategicamente, a Vane deixou Nova York pro final…
Será que ela pensava em chegar em Nova York e falar pra Mili… na tua cara, vagabunda!... tipo uma vingança pelo rolê da balada. Mostrar que ela ganhou, que passeou pelos Estados Unidos com o cara da rival, tendo ele quase como um escravo sexual… Será que a Mili entenderia?, que eu tava fazendo isso pra ficar mais perto dela.
- Pensa aí… e me avisa… ela completou insinuante, já que eu não respondi nada. Mía.
Ela me deixou com a cabeça cheia de dúvidas. O que fazer? É uma boa oportunidade, pensei, mas era entrar de novo no jogo da Vane, que com dinheiro e vendo meu desespero achava que podia me manipular… aquela bruxa tinha tanto tempo livre que parecia que isso era um dos hobbies dela, esse negócio de planejar se meter na vida dos outros…
Talvez eu estivesse na lista de presentes ou troféus dela que ela nunca conseguiu ter… e quando me tivesse, o que aconteceria? Assim que satisfizesse o ego dela e se vingasse, me daria um pé na bunda… me deixando queimado na frente da Mili… Será que valia a pena arriscar?
Era tipo fazer um pacto com o diabo, ou com a diaba, pela minha alma, era arriscado demais e perigoso… porque a Vane era uma garota yummy e mimada… era uma gostosa, com um corpo escultural, mas era maluca… e já estava começando a me dar medo…
O telefone tocou de novo… aquele "pensa aí e me avisa, não demoro", a Vane parecia ansiosa…
— Vane… é muito cedo… deixa eu pensar mais um pouco… falei, sobrecarregado.
— Não sou a Vane… respondeu ela, tímida.
— Ah, me desculpa… Só vi seu número agora… foi mal… falei, sem graça.
— Você tá bem?… perguntou, preocupada.
— Ah… sim, sim, tudo bem… respondi, atordoado.
— Não mente, eu te conheço… e então, liguei pra sua mãe pra saber como ela estava e ela me contou o que aconteceu… ela disse, como se quisesse evitar meu drama de respostas evasivas, afinal, me conhecia.
— Minha mãe… bom, o que esperar… com certeza ela ligou pra você… falei, desanimado.
— Ai, não culpa ela, ela se preocupa com você… respondeu, num tom de repreensão.
— É que, depois de tudo que aconteceu, não cabe a mim falar disso com você… me desculpei.
— Por que não? Quero acreditar que ainda somos amigos… falou, com doçura.
— Ah… sei lá… seria estranho… falei, resistindo.
— Só sai comigo pra conversar e pronto… insistiu.
— Tá bom… Viviana… respondi.
Nos últimos dias, tinha sido uma avalanche de possibilidades: a proposta da Vane de ir com ela pros Estados Unidos num curto prazo… a opção que o Guille me deu de tentar uma bolsa e ir estudar pra lá, que eu via como médio prazo… a ligação da Viviana e os desejos escondidos dela de retomar a relação que foi interrompida pela aparição da Mili… isso aqui tava latente e na minha cara.
- Filho… e pra quando é que você pensa em trabalhar… disse meu velho.
Ele tinha invadido meu quarto, enquanto eu procurava respostas no teto, ele queria respostas de frente… esses dias eu tinha vegetado em casa, sem ânimo pra fazer merda nenhuma… já tava formado, o lógico era que, depois de uns dias de descanso, eu procurasse emprego… mas meu velho não via nenhum sinal meu de querer me candidatar a nada… me via perdido, e queria me pressionar pra me endireitar…
- Pai, eu sei… mas (não tô a fim de sermão) me deixa resolver meus papéis primeiro… falei, tentando ganhar tempo pra superar a parada da Mili ou achar um jeito de resolver.
- Sei que você tá na bad por causa da sua mina… mas a vida não espera… muitos se formaram igual você e já tão vendo opções… insistiu.
- Eu saí no quadro de honra da minha turma… sabe que quando pude trabalhei como professor e como estagiário, até trabalhei no campo ajudando meu tio… não sou nenhum vagabundo… é que agora eu não sei… não sei o que fazer… por um momento você podia… podia só fingir que me entende… e me dar um conselho pra isso… reclamei, sobrecarregado.
Eu tava um caco… pra pensar em emprego… já tinha passado por uma situação parecida quando larguei minha prima… quando terminei com a Viviana… mas dessa vez era diferente, era pior… me dava vergonha meu velho me ver assim, mas já tinha batido no fundo do poço… ele percebeu e baixou a guarda.
- Na minha vida eu também tive atração por uma prima, tive uma Mili na minha universidade e uma Viviana… Sabe quem eu escolhi?... perguntou.
- Minha mãe?... respondi feito idiota, não tava a fim de adivinhação.
- Sim, sua mãe. Foi minha... minha Viviana... eu a escolhi e nunca me arrependi disso... ele me disse.
Meu pai, salvando as distâncias e as épocas, me fez entender que não fui o único idiota com esse dilema... na época dele, ele escolheu a garota que lhe deu tranquilidade, que equilibrou o mundo dele, com quem ele achou que poderia construir um bom lar, que também o colocou nos eixos e o ajudou a amadurecer...
Agora eu entendia por que meu velho e minha mãe adoravam a Viviana... era a escolha lógica... a nora que qualquer mãe gostaria de ter... no entanto, meu pai, ao me ver mais confuso, completou.
- Mas essa foi minha decisão... ninguém vai tomar a decisão por você... a única coisa que você pode fazer é escolher a pessoa que acha certa para você... não por 5 minutos de paixão, nem pela beleza que dura pouco... você precisa pensar com quem gostaria de passar a vida, formar uma família, enfrentar momentos difíceis... e, quando decidir, se arriscar por essa pessoa.
- Se a decisão que eu tomar não te agradar... eu disse.
- É a sua vida, filho... ninguém vai viver ela por você... eu tenho minha família, meu trabalho, minhas conquistas... você precisa amadurecer e fazer suas escolhas e aprender a viver com elas... faça o que quiser, mas faça alguma coisa, você não pode continuar assim... ele finalizou o sermão, quase me desafiando.
Em parte, ele tinha razão, ficar olhando pro teto não resolvia nada. Era óbvio que eu não aceitaria a proposta da Vane, que sempre terminava mal. Cair nessa com a Viviana também não era justo com ela... eu ia focar na solução do Guille e do meu velho... arrumar um trampo e tentar uma bolsa.
Consegui um emprego em pouco tempo, isso mantinha minha cabeça ocupada, mas ainda mais na busca por oportunidades de bolsa e estudando inglês (pra revisar), depois do trabalho. Claro que, nos dois lugares, vi alguns olhares de interesse de garotas, no trampo e no estudo... mas não queria me meter em outras complicações... por enquanto não... mesmo assim, as complicações me encontrariam...
Eu estava focado na Mili... as ligações noturnas que a gente fazia quase todos os dias, Mantinham minha esperança na relação. Ela me contava como tava indo… de vez em quando as coisas esquentavam com as lembranças… me mandava umas fotos sugestivas e eu batia uma punheta ouvindo a voz dela, enquanto ela também se excitava.
Claro que não era a mesma coisa, mas aliviava um pouco pra mim e pra ela. O único reclamão era meu pai, por causa das contas de telefone, mesmo eu pagando elas, que na real nem eram tão caras por causa do horário que a gente fazia, mas meu pai achava que eu devia gastar melhor meu salário.
Já tinham passado uns meses, era óbvio que eu não ficava trancado em casa, saía com algum grupo de amigos do trabalho ou do curso de inglês, mesmo algumas dando em cima de mim pra sair sozinho. Já a Mili também saía com os primos ou um grupo de amigos no bairro onde morava.
Amor à distância… complicado… as coisas também não ajudavam… se no começo com a Mili parecia que tudo conspirava pra gente ficar junto apesar do Javier e da Vane… agora parecia bem o contrário, a empresa onde meu pai trabalhava tava mal, eu tinha que ajudar mais em casa… por causa dos gastos médicos da mãe da Mili, o pai dela vendeu a casa e foi morar num apê alugado pequeno… mas me dava a impressão que ela tava mais perto de arrumar as malas e ir embora do que de voltar.
Mesmo assim, com o tempo, aceitei sair com uma ou outra mina, mas quando contava minha situação, por mais que elas tivessem interesse em mim, em vez de me animar, me desanimavam. Já a Mili resistiu mais que eu, mas foi me contando de um médico jovem que tinha acabado de se formar e tratava muito bem a mãe dela e, bom, tinha dado em cima dela pra sair, mas ela recusou várias vezes, e que talvez por educação pensasse em aceitar… de algum jeito senti que ela tava me pedindo permissão ou me avisando pra eu me apressar…
Não podia ser hipócrita, dei liberdade pra ela decidir… afinal, eu já tinha saído umas duas vezes, mas nada sério, só pra passar o tempo, no final quase sempre No meio do encontro, eu acabava pensando que tinha perdido algo na TV: algum jogo ou filme mais interessante do que a mina que tava comigo…
Essas situações estavam rolando, sem eu perceber… já tinha passado um ano daquela festa do Guille em que acabei brigando com o Javier… na real, foi um convite do Guille que me fez lembrar, pra outra festa… dessa vez era tipo um reencontro dos formandos…
No começo, não queria ir, mas a Mili, por gratidão, já tinha aceitado jantar com aquele médico jovem que cuidava da mãe dela. Então não tava a fim de ficar sozinho em casa, pensando no pior… ia pra festa encher a cara e esquecer tudo… se o rolê da Mili era o começo do fim, talvez eu também devesse levar a sério essa parada de começar a ver outras minas.
Na festa, os anfitriões eram basicamente o Marce e o Guille, que pareciam não ter mais medo de se mostrar como casal. Parabenizei eles, enquanto roubava uns minutos do Guille pra contar meu drama.
— O tempo e a distância… ela tá passando por uma situação difícil lá, sem o apoio que você dava aqui — sentenciou o Guille, como se quisesse justificar a Mili, e depois completou, talvez pra se alinhar comigo: — Na real, esse médico também é um pilantra, sabendo como ela tá, de algum jeito tá tirando vantagem da situação.
— É um filho da puta…
— Só tem uma opção…
— Qual?
— Beber… saúde…
— Isso não me ajuda…
— Também não adianta ficar pensando em coisas que ainda não aconteceram, talvez depois desse jantar, a Mili sinta ainda mais sua falta… sei lá… você tá se envenenando, satanizando as coisas — ele disse.
No fim das contas, obedeci, bebi e bebi, dancei com algumas amigas, e a clássica pergunta: "E a Mili?"… já tava cansado de explicar… embora percebesse que algumas perguntavam de boa fé, enquanto outras pareciam sondar a situação pra saber se eu tava disponível ou não… Até me convidavam pra sair pra tomar um café ou algo pra conversar… colocar o papo em dia… "Por que não?", eu pensava, já tinha encontros marcados pras semanas seguintes.
Até que senti um frio descendo pelas minhas costas, tipo uns dedos passando com confiança pelos meus ombros…
— Sentiu minha falta?... ouvi uma voz provocante dizer.
A expressão do Guille, que tava felizão a poucos metros, ficou turva. Na hora ele se aproximou de mim, enquanto eu, no meu estado etílico, virava pra confirmar o que aquela voz tava insinuando.
— O que cê tá fazendo aqui?... perguntei, surpreso com a audácia dela de aparecer ali.
— É… eu não te convidei… completou o Guille, meio agressivo.
— Calma, galera, é um reencontro… já passou o tempo… tem que esquecer o passado e deixar as coisas fluírem… disse a Vane, bem soltinha.
— Pra você é fácil falar… retrucou o Guille, ofendido, lembrando de tudo que sofreu por causa dela.
— Ok… Guille, só vamos baixar a bola… falei no ouvido dele.
O Guille percebeu que não devia arrumar confusão, ainda mais na reunião onde ele tava com a Marce como casal. Não podia deixar a Vane estragar a festa. A Vane sorriu pra gente quando viu que a gente tava cochichando, depois foi pegar uma bebida, mas parecia que queria voltar pra perto da gente, acho que adorava nos torturar.
— Cê falou alguma coisa pra Marce sobre o teu rolo com a Vane?... perguntei, tentando ser discreto.
— Não… preferi deixar isso de lado… disse o Guille, preocupado.
— Bom… eu teria feito o mesmo… falei.
— Danny… posso te pedir um favor… na real, você me deve vários… disse o Guille, como se fosse pra eu não negar.
— Claro, fala aí… o que é?... perguntei, curioso.
— Cê podia manter a Vane longe de mim… e da Marce… ele falou, meio angustiado.
O Guille tava começando um relacionamento sério com a Marce, e aquela cobra venenosa da Vane podia estragar algo que tava pintando bem. De má vontade, aceitei fazer o favor pro Guille, era verdade, ele tinha sido um bom amigo esse tempo todo… então valeu a pena comer aquela buceta ou cobra por ele.
Enquanto Vane voltava, Guille retomava seu papel de anfitrião, indo e vindo com grupos de amigos, passeando com Marce. Claro que Vane percebeu, e já tinha me trazido uma bebida, cumprimentado alguns amigos. Embora a verdade fosse que naquela reunião ela conhecia pouca gente.
A maioria do grupo de amigos dela era mais rica e desencanada, eles ainda estavam na universidade fazendo cursos. Vane mal tinha socializado com o pessoal daquela festa, o que fez com que ela grudasse ainda mais em mim. Pra evitar falar ou lembrar das minhas mágoas com a Mili, ou que a Vane tirasse vantagem disso, comecei a dançar com ela. De longe, via o sorriso aliviado do Guille por manter a Vane longe e ocupada.
Tentava manter distância, mas a Vane, sempre que podia, esfregava o corpo no meu… me tentando com suas formas arredondadas. Ela tinha vindo de diabinho, com um vestido vermelho colado no corpo, um decote sugestivo que deixava ver seus peitões branquinhos e uma minissaia curta que mostrava suas pernas bem torneadas e envolvia a bunda gorda dela.
Na minha bebedeira, mais de uma vez me perdi nos peitos dela, enquanto ela sorria, toda safada e satisfeita por seus atributos causarem esse efeito em mim. Mais de um amigo que tinha ido acompanhado me invejava, enquanto as outras minas que tinham se oferecido pra sair comigo sentiam outro tipo de inveja, ao ver como a Vane roubava minha atenção tão fácil.
Num momento, Vane quis descansar, me pediu pra esperar um pouco, sumiu uns instantes e voltou com uma garrafa de vinho que roubou por aí, junto com uns copos. Ela disse que tava com calor, então saímos pro jardim pra refrescar, beber e conversar… na minha bebedeira, não percebia que ela tava armando a armadilha dela, ou se percebia, me deixava levar pra evitar pensar na Mili.
Sentamos nuns bancos que pareciam balanços no jardim, a poucos metros do banheiro onde eu tinha arrombado a bunda da Mili um ano atrás. Viajei nos lembranças por uns segundos depois, ao reagir, Vane tinha se aninhado ao meu lado, numa intimidade quase de casal. Ela adorava que eu visse os peitos e as pernas dela, naquela posição sentada, a minissaia tinha subido deixando à mostra parte da calcinha preta pequenininha dela. Ela me contava, num tom de brincadeira e reclamação, que por minha culpa viajou com a mãe dela pros Estados Unidos, e aproveitou pra me mostrar umas fotos no celular moderno que tinha na época, enquanto colava o rosto dela mais perto do meu.
Vane, ao perceber que a proximidade dela, apesar da minha bebedeira, começava a me deixar perturbado e nervoso, avançou ainda mais… colocou a mão na minha perna, enquanto meu pau ia endurecendo ao sentir também o peito dela encostado no meu… não sei como, mas eu já tava abraçando ela.
- Pensar que… disse ela melancólica, me olhando com desejo.
- O quê?... perguntei curioso.
- Aqui mesmo você devia ter arrombado meu cu há um ano… disse ela de forma morbidamente excitante pra aumentar minha tesão.
- Ah, é… respondi incrédulo com o que ouvia.
- Eu que devia ter sido… não ela (Mili)… a quem você submetesse como uma puta naquele banheiro… disse ela também excitada.
Nunca tinha ouvido ela falar assim, acho que nesse ponto ela também tava bêbada e sem vergonha, afinal tinha passado um ano. Ela confessou que naquela época tinha vindo preparada pra aceitar que eu fizesse qualquer coisa com ela, que tava morrendo de vontade de me dar, que não teria se importado de fazer num quarto daquela casa ou naquele banheiro.
A próxima coisa que eu soube, diante da minha indecisão por causa do conflito mental que eu tava tendo (aquela mulher era o capeta), foi que Vane já tinha a língua dela na minha boca e tava passando a mão no meu pau por cima da calça. Ela não tava nem aí se iam nos ver de dentro ou se alguém viesse… ela queria fazer aquilo que há um ano atrás achou que Mili tinha roubado dela… ela não sabia que a história com Mili era de antes…
- Espera, vão nos ver… falei com o pouco de consciência que me restava.
- Vem… disse ela apressada, me puxando pela mão.
Ela me levou pra aquele banheiro onde, segundo ela, Devia ter inaugurado o cu dela um ano atrás. No caminho, percebi que a saia dela tinha subido e deixava ver uma parte das nádegas musculosas dela (pensar que hoje em dia mostrar parte da bunda nos shorts tá virando normal), o que me deixava com a pica dura na calça.
- Agora vamos corrigir as coisas... você vai meter no meu cu... igual te vi naquele dia... falou cheia de tesão, levantando um pouco mais a saia e afastando a calcinha fio dental.
- Como? Assim?... falei excitado, enfiando meia pica sem deixar ela reagir.
- Ouuuu... siiiiim... Uhmmm... gritou extasiada.
Eu tinha esmagado ela contra a pia do banheiro, como um ano atrás fazia com a Mili. A Vane também se segurou na pia com as mãos, enquanto pelo espelho eu via a expressão de dor e tesão dela por se sentir empalada como merecia e queria.
Quando reagiu depois de uns segundos curtindo minha pica no cu dela, ela mesma baixou o decote do vestido, deixando os peitos redondos no ar. Os bicos tinham endurecido ao máximo, só me restou apertar eles enquanto ela sorria satisfeita e excitada.
Comecei a bombar a bunda branca dela, enquanto ela começava a gemer e eu apertava as nádegas carnudas. Não eram macias como as da Mili, mas eram gordas e firmes. De vez em quando, a Vane procurava meus lábios ansiosa, descarregando toda a dor em beijos molhados com língua.
- Uhmmm... Não acredito que isso tá acontecendo... uhmm... murmurou.
- O quê?... perguntei.
- Que você tá enfiando no meu cu aqui... falou com lágrimas de felicidade.
De vez em quando, ela se curvava mais pra me receber, abria as nádegas, encostando o rosto no espelho, as bochechas vermelhas, um pouco de suor, a bunda dela avermelhada pelo martelar da minha virilha. Eu segurava a cintura dela, na minha embriaguez era uma das poucas coisas que me mantinha equilibrado.
Até que num momento de luxúria, a Vane se desgrudou de mim, repetindo freneticamente uma e outra vez como possessa:
- Cachorrinho... cachorrinho... cachorrinho... falou. Me puxando.
Queria que eu possuísse ela de quatro, igual tinha visto naquela vez que eu metia em Mili. Nessa altura, eu já tava no automático, embora não quisesse pensar em Mili, talvez meu ego tivesse ferido por saber que ela tinha aceitado sair com aquele médico. Talvez na minha bebedeira eu tivesse no modo vingança. Por outro lado, meu ego tava inflado por aquele monumento de mulher que era a Vane, que tava obcecada em eu arrebentar a buceta dela, realizar a fantasia dela de um ano atrás.
- Ah... siim... assim... assim... você tinha que arrebentar meu cu... ela gemia satisfeita.
A Vane já tinha se posicionado feito uma puta naquele chão sujo de banheiro, não ligou. Tinha arqueado as costas e aberto as pernas, apoiando os cotovelos no chão. No meu delírio etílico, no começo acertei a buceta dela... coisa que não pareceu agradar...
- Não... não... aí nãooo... ela reclamou, quase colocando a mão na buceta pra evitar que meu pau entrasse por ali.
Foi aí que eu meti violentamente pelo cu dela, fiz ela arquear as costas em rigor mortis, mas ela gritou satisfeita pela vitória, de que finalmente eu tava arrebentando o cu dela como ela sempre quis desde que nos viu naquele banheiro... talvez sentisse que tava corrigindo as coisas, que ali ia se endireitar o que segundo ela devia ter sido... que eu devia ter sido o primeiro a furar o cu dela, não o Guille numa sacanagem... ou que eu possuísse ela depois por acaso, não por escolha, como naquela noite.
Lembrei rapidamente das coisas que a Vane nos fez passar, me deu vontade de castigar ela mais... me levantei e, com minhas pernas ladeando os quadris dela, comecei a meter meu pau nela pra baixo, Vane aguentou de boa vontade, ainda mais empinou mais a bunda.
- Uhm... auuu... uhm... você tá rasgando meu cu... uhm... ela reclamava gostoso.
Longe de se assustar com o castigo criminoso que eu tava dando no esfíncter dela... ela tava feliz que eu tava me acabando pra arrebentar o cu dela. Explodia de prazer... até que não aguentou mais... num momento, soltou um grito alto, enquanto o corpo dela se contorcia da cabeça aos pés, passando depois pra uma tensão máxima. aproveitando um orgasmo sonoro, enquanto a buceta dela ficava toda molhada, jorrando litros.
- Ouuu… uhmmm… ufff… não acredito… você fez eu mijar… uhmmm… — gemeu satisfeita.
Enquanto meu pau começava a cuspir litros de porra, fazendo a coluna dela se contrair a cada jato, e ela curtia tudo com uns tremeliques. Tava há um tempão sem aproveitar um buraquinho apertado e um corpo escultural… por isso demorei pra soltar meus líquidos, e a Vane sorria satisfeita por saber tudo que fez eu jorrar.
Depois de uns segundos curtindo aquele orgasmo, ela se recompôs enquanto eu me levantava e me apoiava cansado na pia. A Vane chegou de joelhos, toda acabada, agarrou meu pau e começou a limpar, batendo uma e chupando igual uma obcecada…
- Você vai me dar mais… — disse pro meu pau.
Meu pau, prestes a murchar, endureceu de novo, enquanto a Vane começava a mamar com mais gosto… acho que lembrou daquela vez que me pegou esvaziando meus líquidos na boca da Mili e queria a mesma coisa… serviço completo… ou então pensou que, se eu fiz ela mijar agora, ela ia fazer o mesmo comigo.
- Ohhh…. Ufff! — exclamei surpreso ao ver outra descarga de porra saindo.
A Vane engoliu uma parte, e por um tempo soltou meu pau, deixando a porra espirrar na boca e no rosto dela. Talvez aquela imagem tivesse chamado a atenção dela na cabana do clube campestre, talvez ela achasse que aquilo me agradaria mais. Fato é que, depois disso, lambeu o resto de porra e me deixou descansar.
Aquela maluca tinha me sugado e exorcizado minha lembrança da Mili, e as lembranças dela do que rolou nesse tempo. Depois de um tempo, ela se recompôs com minha ajuda e começou a se arrumar. Ficava rindo às vezes daquela safadeza ou daquela fantasia que ela tinha há tempos. Depois pareceu cair em si…
- Merda… ainda tem gente na festa… será que perceberam? — exclamou.
- Acho que não… — falei, ainda viajando e bêbado, e também não tava nem aí naquele momento.
- Danny, melhor Vamos embora… disse ela, se virando envergonhada.
Uma coisa era agir como uma puta na intimidade, ou todas as loucuras e enrascadas que ela armava contra o Guille ou comigo em particular… mas outra coisa era as pessoas verem que ela era uma vadia fácil, capaz de se envolver com um cara cuja namorada está viajando…
Nos arrumamos rápido e fugimos daquele banheiro, achando que ninguém tinha notado. Saímos na rua e pegamos um táxi. Deixei ela em casa, com um beijo morno no rosto de despedida, talvez um pouco de vergonha dos dois lados.
Cheguei em casa e me joguei na cama. Tinha um bilhete que minha mãe deixou na minha mesa, dizendo que a Mili tinha ligado. Não tava com cabeça pra saber como foi a consulta dela com o médico, e ainda por cima a consciência me pesava por ter caído na tentação com a Vane depois de meses recusando viajar com ela.
Acordei com um barulho irritante… era só o telefone, mas parecia uma sirene de bombeiro.
— Você é um idiota… — me cobrou o Guille no telefone.
— Calma… calma… tô de ressaca… — falei, vendo que já era dia.
— Eu te falei pra distrair ela, não pra comer ela na frente de todo mundo… — gritou o Guille.
— Ei… porra… não foi na frente de todo mundo… foi no banheiro… — me desculpei, feito um idiota.
— É verdade… mas todo mundo percebeu… — disse ele, sarcástico.
— Porra… ferrei tudo… — me recriminei.
— Se for fazer essas merdas com aquela vadia, seja mais discreto…
— Cê acha que alguém? Sabe… vai contar pra Mili? — perguntei.
— Olha… várias te olharam ontem… não vai faltar uma despeitada que pode abrir o bico… — me alertou o Guille.
— Desculpa pelo de ontem… deixa eu fazer umas ligações pra resolver as coisas…
— Ok… mas não sei se vai funcionar… sorte… — disse o Guille.
Antes de começar a ligar, liguei meu laptop… às vezes, quando a Mili não conseguia falar comigo no telefone, me deixava um e-mail… e ela deixou… bem curto e direto, por sinal.
— Pensei bem e não quis sair com aquele cara… mas já fiquei sabendo… como você pôde fazer isso? Depois de tudo que aconteceu… com ela?... Tchau… (Mili)
Porra… caralho… puta… merda… de todas as minas que deram em cima de mim no trampo e na faculdade, fui trair ela logo com a Vane numa reunião de amigos da faculdade que conhecem a Mili. Já não era como antes, que eu tinha ela por perto e podia tentar reconquistar… ela tinha recusado sair com aquele cara… agora com minhas atitudes, talvez eu empurre ela pra isso…
Por que sempre acabo cagando tudo?… é o karma?... foi o começo do fim… mas o destino ia me compensar do jeito dele com uma oportunidade que demoraria pra chegar…
Continua…
**Esclarecimento 2: todos os personagens são maiores de idade**
Após semanas de angústia, mal amenizadas por algumas ligações da Mili, que funcionavam como placebo pra minha alma jovem e apaixonada ferida… fui visitar minha consciência.
- Você ama ela?... perguntei.
- Acho que sim… mas… é uma mudança radical… gosto de estar aqui, sempre quis fazer coisas no meu país… lá já tá tudo pronto… sempre pensei que, se fosse pra fora, seria pra aprender e depois voltar pra aplicar o que aprendi no meu país… não pra ficar lá fora ajudando países ricos a ficarem mais ricos… falei com um ar romântico patriota.
- Então aí tá sua resposta… ele replicou.
- Porra… Guille, quer falar na lata… não tô pra adivinhação… falei frustrado, tudo bem que eu tava buscando conselho, mas ele já tava se achando o Yoda.
- Você mesmo disse que se um dia fosse pra fora era pra aprender… então faz isso, amadurece, estuda, aprende… procura uma bolsa ou algo pra ir pros Estados Unidos…
- Parece fácil… mas quanto tempo isso levaria?, tipo, esses processos de seleção de bolsa podem levar meses… Será que a gente aguenta tanto… completei na dúvida.
- Sua pergunta na real é: será que vale a pena?... e essa, meu amigo, é uma pergunta que ninguém mais pode responder… só você… concluiu o Guille.
- Tô fudido?... perguntei lembrando do famoso veredito dele.
- Mais que o normal… com isso você ganhou o Prêmio Nobel dos fudidos… disse o Guille.
Era verdade, era uma decisão que cabia a mim, avaliando o que vivi com a Mili e o que achava que a gente poderia se tornar. Minhas dúvidas vinham do fato de que um ano atrás eu amava a Viviana… uns meses atrás me apaixonei pela Mili… tinha acabado de me formar na faculdade, era jovem, quão volúvel pode ser o amor nessa idade…
- E como cê tá com a Marce?... me atrevi a perguntar, já que a gente tinha falado muito de mim.
- Ah, bem… é uma boa mina, trouxe paz pra minha vida, depois da (Vane)… bom, você já sabe. Sabe, depois daquilo... — disse Guille timidamente, sem querer entrar em detalhes sobre Vane ou Marce.
A resposta de Guille me fez lembrar que também houve uma época de tranquilidade na minha vida, uma mina que me trouxe paz. Depois da bagunça de um relacionamento familiar com uma prima. Antes de me despedir do Guille, quis matar uma curiosidade antiga…
— Ei… e… você nunca se interessou pela Mili? — perguntei sem rodeios.
— Não, na verdade não… — respondeu seguro, e depois, vendo minha cara de incredulidade, completou: — depois do que rolou com… você já sabe (Vane, que nessa altura já era a sem nome), decidi evitar me envolver com minas que estavam a fim de outras pessoas… pra não arrumar problema.
Achei a resposta sincera dele. Bom, de tudo isso, Guille também aprendeu alguma coisa. Depois ele me contou que ele e a Mili até trocaram uma ideia sobre as desventuras no amor, mas nunca chegaram a ficar… nenhum dos dois tava com cabeça pra aprofundar esses assuntos.
Eu achava engraçado como tanto a Mili quanto o Guille evitavam falar daquilo que podia machucar… Mili evitava dizer câncer, Guille evitava mencionar Vane.
Voltei pra casa pensando que as morenas de corpo escultural têm uma maldição pra mim… me atraíam de um jeito passional… mas já tinha três experiências que terminavam comigo aqui e elas a quilômetros de distância.
A primeira morena com quem me iniciei jovem no sexo e exploramos tudo o que a curiosidade mandava. Foi com ela que, meio na brincadeira, descobrimos o sexo anal, que marcaria meus gostos daí pra frente. Pois é, ela acabou indo embora no fim do colégio, a família dela se mudou.
A outra morena na minha vida, que foi minha prima, na verdade já morava fora da cidade, só veio de visita. Eu amava ela, mas éramos muito novos, foi sexo puro e bestial, tinha aquele tesão e o gostinho do proibido por sermos parentes. A entrega fogosa e jovem dela, uma mistura de inocência e aprendizado. Tive que abrir mão dela. pressionado pelo meu pai e pela complicação que era, e também porque eu era muito jovem… mas sabia que não era amor.
E agora a última morena na minha vida… era a Mili, que iria mais longe que as outras duas. Claro que teve outras morenas, na minha pouca experiência, mas foram histórias passageiras, que não valiam a pena comentar agora, porque não me envolvi além de algum encontro casual.
Já tinham passado semanas desde que a Mili foi embora, até que recebi uma ligação, ouvi a voz dela e a reconheci…
- Como você tá?... ela perguntou.
- Se ligou pra zoar, não tô com cabeça… respondi.
- Por que você continua tão agressivo comigo?... perguntou a Vane.
- Qual é… você sabe bem o porquê… falei, entediado.
- Liguei em tom de paz… pra fazer uma proposta… disse ela, insinuante.
- Te falei que não tô pra joguinhos… retruquei, perdendo a paciência.
- Achei que você ia se interessar em saber que minha família tem conhecidos nos Estados Unidos… especialmente em Nova York… completou, um pouco mais misteriosa.
Essa maluca ficava sabendo de tudo, cheguei a acreditar que ela tinha rastreado meu celular… me deixou meio frio. O que será que essa bruxa quer agora?...
- Pois bem, por vocês… O que tem isso?... perguntei.
- Bemmm… falei pro meu pai que queria estudar meu mestrado e ver universidades por lá…
- Fico feliz por você… respondi sem dar corda, mas com inveja da sorte dela.
- Falei pro meu pai que, talvez pra me ajudar, poderia me acompanhar alguém que estudou comigo e que se formou entre os primeiros colocados… completou, mais claramente.
Um dia meu pai me diria que, se eu não tivesse me metido em tanta confusão de saia (com minha prima, com a Mili e mais uma por aí, talvez se tivesse ficado com a Viviana), teria terminado em primeiro lugar… a verdade é que terminei em terceiro… mas quero acreditar que nos anos de faculdade cumpri com o acadêmico e não me privei de aproveitar a experiência completa: com festas, esporte, rolos amorosos, etc. Já a Vane, no boletim escolar, ficava do meio da tabela pra baixo... Muita gente dizia que ela se formou graças às doações generosas do pai dela pra faculdade. Parecia que ela estudava mais pra agradar os pais do que por necessidade ou interesse.
Enfim, o negócio é que, quando você tem grana e tempo livre, que nem a Vane, pode fazer o que quiser, até (só por sacanagem) ir estudar no país onde mora a namorada do cara pelo qual ela tá obcecada… a questão era… em troca de quê?...
- Bom, preciso de alguém pra me orientar em questões educacionais… além disso, você poderia aproveitar pra conhecer gente e se candidatar a alguma bolsa ou algo por lá… ela me disse pra me interessar.
- Só isso… me orientar em questões educacionais?… perguntei incrédulo.
- É que não iríamos só pra Nova York, teríamos que ver outras opções em outros estados: Boston, Chicago, Washington, talvez Los Angeles… e no final Nova York… é uma viagem longa e qualquer coisa pode rolar… ela disse com um certo jeito de provocação.
Porra… pra Vane se formar, o velho dela praticamente deu de presente um passeio pelos Estados Unidos pra ela avaliar opções de mestrado. Pra mim, meu velho mal me deu um abraço morno e me passou o relógio dele, que foi do meu avô também… bom, pelo menos o relógio do avô tinha um valor sentimental.
Voltando ao assunto, a proposta da Vane era tipo uma lua de mel, passeando pelos Estados Unidos e visitando universidades… O que ela esperava?, que eu arrombasse ela em cada estado, na frente de cada universidade… Ela achava que eu ia me apaixonar por ela nessa jornada?... Estrategicamente, a Vane deixou Nova York pro final…
Será que ela pensava em chegar em Nova York e falar pra Mili… na tua cara, vagabunda!... tipo uma vingança pelo rolê da balada. Mostrar que ela ganhou, que passeou pelos Estados Unidos com o cara da rival, tendo ele quase como um escravo sexual… Será que a Mili entenderia?, que eu tava fazendo isso pra ficar mais perto dela.
- Pensa aí… e me avisa… ela completou insinuante, já que eu não respondi nada. Mía.
Ela me deixou com a cabeça cheia de dúvidas. O que fazer? É uma boa oportunidade, pensei, mas era entrar de novo no jogo da Vane, que com dinheiro e vendo meu desespero achava que podia me manipular… aquela bruxa tinha tanto tempo livre que parecia que isso era um dos hobbies dela, esse negócio de planejar se meter na vida dos outros…
Talvez eu estivesse na lista de presentes ou troféus dela que ela nunca conseguiu ter… e quando me tivesse, o que aconteceria? Assim que satisfizesse o ego dela e se vingasse, me daria um pé na bunda… me deixando queimado na frente da Mili… Será que valia a pena arriscar?
Era tipo fazer um pacto com o diabo, ou com a diaba, pela minha alma, era arriscado demais e perigoso… porque a Vane era uma garota yummy e mimada… era uma gostosa, com um corpo escultural, mas era maluca… e já estava começando a me dar medo…
O telefone tocou de novo… aquele "pensa aí e me avisa, não demoro", a Vane parecia ansiosa…
— Vane… é muito cedo… deixa eu pensar mais um pouco… falei, sobrecarregado.
— Não sou a Vane… respondeu ela, tímida.
— Ah, me desculpa… Só vi seu número agora… foi mal… falei, sem graça.
— Você tá bem?… perguntou, preocupada.
— Ah… sim, sim, tudo bem… respondi, atordoado.
— Não mente, eu te conheço… e então, liguei pra sua mãe pra saber como ela estava e ela me contou o que aconteceu… ela disse, como se quisesse evitar meu drama de respostas evasivas, afinal, me conhecia.
— Minha mãe… bom, o que esperar… com certeza ela ligou pra você… falei, desanimado.
— Ai, não culpa ela, ela se preocupa com você… respondeu, num tom de repreensão.
— É que, depois de tudo que aconteceu, não cabe a mim falar disso com você… me desculpei.
— Por que não? Quero acreditar que ainda somos amigos… falou, com doçura.
— Ah… sei lá… seria estranho… falei, resistindo.
— Só sai comigo pra conversar e pronto… insistiu.
— Tá bom… Viviana… respondi.
Nos últimos dias, tinha sido uma avalanche de possibilidades: a proposta da Vane de ir com ela pros Estados Unidos num curto prazo… a opção que o Guille me deu de tentar uma bolsa e ir estudar pra lá, que eu via como médio prazo… a ligação da Viviana e os desejos escondidos dela de retomar a relação que foi interrompida pela aparição da Mili… isso aqui tava latente e na minha cara.
- Filho… e pra quando é que você pensa em trabalhar… disse meu velho.
Ele tinha invadido meu quarto, enquanto eu procurava respostas no teto, ele queria respostas de frente… esses dias eu tinha vegetado em casa, sem ânimo pra fazer merda nenhuma… já tava formado, o lógico era que, depois de uns dias de descanso, eu procurasse emprego… mas meu velho não via nenhum sinal meu de querer me candidatar a nada… me via perdido, e queria me pressionar pra me endireitar…
- Pai, eu sei… mas (não tô a fim de sermão) me deixa resolver meus papéis primeiro… falei, tentando ganhar tempo pra superar a parada da Mili ou achar um jeito de resolver.
- Sei que você tá na bad por causa da sua mina… mas a vida não espera… muitos se formaram igual você e já tão vendo opções… insistiu.
- Eu saí no quadro de honra da minha turma… sabe que quando pude trabalhei como professor e como estagiário, até trabalhei no campo ajudando meu tio… não sou nenhum vagabundo… é que agora eu não sei… não sei o que fazer… por um momento você podia… podia só fingir que me entende… e me dar um conselho pra isso… reclamei, sobrecarregado.
Eu tava um caco… pra pensar em emprego… já tinha passado por uma situação parecida quando larguei minha prima… quando terminei com a Viviana… mas dessa vez era diferente, era pior… me dava vergonha meu velho me ver assim, mas já tinha batido no fundo do poço… ele percebeu e baixou a guarda.
- Na minha vida eu também tive atração por uma prima, tive uma Mili na minha universidade e uma Viviana… Sabe quem eu escolhi?... perguntou.
- Minha mãe?... respondi feito idiota, não tava a fim de adivinhação.
- Sim, sua mãe. Foi minha... minha Viviana... eu a escolhi e nunca me arrependi disso... ele me disse.
Meu pai, salvando as distâncias e as épocas, me fez entender que não fui o único idiota com esse dilema... na época dele, ele escolheu a garota que lhe deu tranquilidade, que equilibrou o mundo dele, com quem ele achou que poderia construir um bom lar, que também o colocou nos eixos e o ajudou a amadurecer...
Agora eu entendia por que meu velho e minha mãe adoravam a Viviana... era a escolha lógica... a nora que qualquer mãe gostaria de ter... no entanto, meu pai, ao me ver mais confuso, completou.
- Mas essa foi minha decisão... ninguém vai tomar a decisão por você... a única coisa que você pode fazer é escolher a pessoa que acha certa para você... não por 5 minutos de paixão, nem pela beleza que dura pouco... você precisa pensar com quem gostaria de passar a vida, formar uma família, enfrentar momentos difíceis... e, quando decidir, se arriscar por essa pessoa.
- Se a decisão que eu tomar não te agradar... eu disse.
- É a sua vida, filho... ninguém vai viver ela por você... eu tenho minha família, meu trabalho, minhas conquistas... você precisa amadurecer e fazer suas escolhas e aprender a viver com elas... faça o que quiser, mas faça alguma coisa, você não pode continuar assim... ele finalizou o sermão, quase me desafiando.
Em parte, ele tinha razão, ficar olhando pro teto não resolvia nada. Era óbvio que eu não aceitaria a proposta da Vane, que sempre terminava mal. Cair nessa com a Viviana também não era justo com ela... eu ia focar na solução do Guille e do meu velho... arrumar um trampo e tentar uma bolsa.
Consegui um emprego em pouco tempo, isso mantinha minha cabeça ocupada, mas ainda mais na busca por oportunidades de bolsa e estudando inglês (pra revisar), depois do trabalho. Claro que, nos dois lugares, vi alguns olhares de interesse de garotas, no trampo e no estudo... mas não queria me meter em outras complicações... por enquanto não... mesmo assim, as complicações me encontrariam...
Eu estava focado na Mili... as ligações noturnas que a gente fazia quase todos os dias, Mantinham minha esperança na relação. Ela me contava como tava indo… de vez em quando as coisas esquentavam com as lembranças… me mandava umas fotos sugestivas e eu batia uma punheta ouvindo a voz dela, enquanto ela também se excitava.
Claro que não era a mesma coisa, mas aliviava um pouco pra mim e pra ela. O único reclamão era meu pai, por causa das contas de telefone, mesmo eu pagando elas, que na real nem eram tão caras por causa do horário que a gente fazia, mas meu pai achava que eu devia gastar melhor meu salário.
Já tinham passado uns meses, era óbvio que eu não ficava trancado em casa, saía com algum grupo de amigos do trabalho ou do curso de inglês, mesmo algumas dando em cima de mim pra sair sozinho. Já a Mili também saía com os primos ou um grupo de amigos no bairro onde morava.
Amor à distância… complicado… as coisas também não ajudavam… se no começo com a Mili parecia que tudo conspirava pra gente ficar junto apesar do Javier e da Vane… agora parecia bem o contrário, a empresa onde meu pai trabalhava tava mal, eu tinha que ajudar mais em casa… por causa dos gastos médicos da mãe da Mili, o pai dela vendeu a casa e foi morar num apê alugado pequeno… mas me dava a impressão que ela tava mais perto de arrumar as malas e ir embora do que de voltar.
Mesmo assim, com o tempo, aceitei sair com uma ou outra mina, mas quando contava minha situação, por mais que elas tivessem interesse em mim, em vez de me animar, me desanimavam. Já a Mili resistiu mais que eu, mas foi me contando de um médico jovem que tinha acabado de se formar e tratava muito bem a mãe dela e, bom, tinha dado em cima dela pra sair, mas ela recusou várias vezes, e que talvez por educação pensasse em aceitar… de algum jeito senti que ela tava me pedindo permissão ou me avisando pra eu me apressar…
Não podia ser hipócrita, dei liberdade pra ela decidir… afinal, eu já tinha saído umas duas vezes, mas nada sério, só pra passar o tempo, no final quase sempre No meio do encontro, eu acabava pensando que tinha perdido algo na TV: algum jogo ou filme mais interessante do que a mina que tava comigo…
Essas situações estavam rolando, sem eu perceber… já tinha passado um ano daquela festa do Guille em que acabei brigando com o Javier… na real, foi um convite do Guille que me fez lembrar, pra outra festa… dessa vez era tipo um reencontro dos formandos…
No começo, não queria ir, mas a Mili, por gratidão, já tinha aceitado jantar com aquele médico jovem que cuidava da mãe dela. Então não tava a fim de ficar sozinho em casa, pensando no pior… ia pra festa encher a cara e esquecer tudo… se o rolê da Mili era o começo do fim, talvez eu também devesse levar a sério essa parada de começar a ver outras minas.
Na festa, os anfitriões eram basicamente o Marce e o Guille, que pareciam não ter mais medo de se mostrar como casal. Parabenizei eles, enquanto roubava uns minutos do Guille pra contar meu drama.
— O tempo e a distância… ela tá passando por uma situação difícil lá, sem o apoio que você dava aqui — sentenciou o Guille, como se quisesse justificar a Mili, e depois completou, talvez pra se alinhar comigo: — Na real, esse médico também é um pilantra, sabendo como ela tá, de algum jeito tá tirando vantagem da situação.
— É um filho da puta…
— Só tem uma opção…
— Qual?
— Beber… saúde…
— Isso não me ajuda…
— Também não adianta ficar pensando em coisas que ainda não aconteceram, talvez depois desse jantar, a Mili sinta ainda mais sua falta… sei lá… você tá se envenenando, satanizando as coisas — ele disse.
No fim das contas, obedeci, bebi e bebi, dancei com algumas amigas, e a clássica pergunta: "E a Mili?"… já tava cansado de explicar… embora percebesse que algumas perguntavam de boa fé, enquanto outras pareciam sondar a situação pra saber se eu tava disponível ou não… Até me convidavam pra sair pra tomar um café ou algo pra conversar… colocar o papo em dia… "Por que não?", eu pensava, já tinha encontros marcados pras semanas seguintes.
Até que senti um frio descendo pelas minhas costas, tipo uns dedos passando com confiança pelos meus ombros…
— Sentiu minha falta?... ouvi uma voz provocante dizer.
A expressão do Guille, que tava felizão a poucos metros, ficou turva. Na hora ele se aproximou de mim, enquanto eu, no meu estado etílico, virava pra confirmar o que aquela voz tava insinuando.
— O que cê tá fazendo aqui?... perguntei, surpreso com a audácia dela de aparecer ali.
— É… eu não te convidei… completou o Guille, meio agressivo.
— Calma, galera, é um reencontro… já passou o tempo… tem que esquecer o passado e deixar as coisas fluírem… disse a Vane, bem soltinha.
— Pra você é fácil falar… retrucou o Guille, ofendido, lembrando de tudo que sofreu por causa dela.
— Ok… Guille, só vamos baixar a bola… falei no ouvido dele.
O Guille percebeu que não devia arrumar confusão, ainda mais na reunião onde ele tava com a Marce como casal. Não podia deixar a Vane estragar a festa. A Vane sorriu pra gente quando viu que a gente tava cochichando, depois foi pegar uma bebida, mas parecia que queria voltar pra perto da gente, acho que adorava nos torturar.
— Cê falou alguma coisa pra Marce sobre o teu rolo com a Vane?... perguntei, tentando ser discreto.
— Não… preferi deixar isso de lado… disse o Guille, preocupado.
— Bom… eu teria feito o mesmo… falei.
— Danny… posso te pedir um favor… na real, você me deve vários… disse o Guille, como se fosse pra eu não negar.
— Claro, fala aí… o que é?... perguntei, curioso.
— Cê podia manter a Vane longe de mim… e da Marce… ele falou, meio angustiado.
O Guille tava começando um relacionamento sério com a Marce, e aquela cobra venenosa da Vane podia estragar algo que tava pintando bem. De má vontade, aceitei fazer o favor pro Guille, era verdade, ele tinha sido um bom amigo esse tempo todo… então valeu a pena comer aquela buceta ou cobra por ele.
Enquanto Vane voltava, Guille retomava seu papel de anfitrião, indo e vindo com grupos de amigos, passeando com Marce. Claro que Vane percebeu, e já tinha me trazido uma bebida, cumprimentado alguns amigos. Embora a verdade fosse que naquela reunião ela conhecia pouca gente.
A maioria do grupo de amigos dela era mais rica e desencanada, eles ainda estavam na universidade fazendo cursos. Vane mal tinha socializado com o pessoal daquela festa, o que fez com que ela grudasse ainda mais em mim. Pra evitar falar ou lembrar das minhas mágoas com a Mili, ou que a Vane tirasse vantagem disso, comecei a dançar com ela. De longe, via o sorriso aliviado do Guille por manter a Vane longe e ocupada.
Tentava manter distância, mas a Vane, sempre que podia, esfregava o corpo no meu… me tentando com suas formas arredondadas. Ela tinha vindo de diabinho, com um vestido vermelho colado no corpo, um decote sugestivo que deixava ver seus peitões branquinhos e uma minissaia curta que mostrava suas pernas bem torneadas e envolvia a bunda gorda dela.
Na minha bebedeira, mais de uma vez me perdi nos peitos dela, enquanto ela sorria, toda safada e satisfeita por seus atributos causarem esse efeito em mim. Mais de um amigo que tinha ido acompanhado me invejava, enquanto as outras minas que tinham se oferecido pra sair comigo sentiam outro tipo de inveja, ao ver como a Vane roubava minha atenção tão fácil.
Num momento, Vane quis descansar, me pediu pra esperar um pouco, sumiu uns instantes e voltou com uma garrafa de vinho que roubou por aí, junto com uns copos. Ela disse que tava com calor, então saímos pro jardim pra refrescar, beber e conversar… na minha bebedeira, não percebia que ela tava armando a armadilha dela, ou se percebia, me deixava levar pra evitar pensar na Mili.
Sentamos nuns bancos que pareciam balanços no jardim, a poucos metros do banheiro onde eu tinha arrombado a bunda da Mili um ano atrás. Viajei nos lembranças por uns segundos depois, ao reagir, Vane tinha se aninhado ao meu lado, numa intimidade quase de casal. Ela adorava que eu visse os peitos e as pernas dela, naquela posição sentada, a minissaia tinha subido deixando à mostra parte da calcinha preta pequenininha dela. Ela me contava, num tom de brincadeira e reclamação, que por minha culpa viajou com a mãe dela pros Estados Unidos, e aproveitou pra me mostrar umas fotos no celular moderno que tinha na época, enquanto colava o rosto dela mais perto do meu.
Vane, ao perceber que a proximidade dela, apesar da minha bebedeira, começava a me deixar perturbado e nervoso, avançou ainda mais… colocou a mão na minha perna, enquanto meu pau ia endurecendo ao sentir também o peito dela encostado no meu… não sei como, mas eu já tava abraçando ela.
- Pensar que… disse ela melancólica, me olhando com desejo.
- O quê?... perguntei curioso.
- Aqui mesmo você devia ter arrombado meu cu há um ano… disse ela de forma morbidamente excitante pra aumentar minha tesão.
- Ah, é… respondi incrédulo com o que ouvia.
- Eu que devia ter sido… não ela (Mili)… a quem você submetesse como uma puta naquele banheiro… disse ela também excitada.
Nunca tinha ouvido ela falar assim, acho que nesse ponto ela também tava bêbada e sem vergonha, afinal tinha passado um ano. Ela confessou que naquela época tinha vindo preparada pra aceitar que eu fizesse qualquer coisa com ela, que tava morrendo de vontade de me dar, que não teria se importado de fazer num quarto daquela casa ou naquele banheiro.
A próxima coisa que eu soube, diante da minha indecisão por causa do conflito mental que eu tava tendo (aquela mulher era o capeta), foi que Vane já tinha a língua dela na minha boca e tava passando a mão no meu pau por cima da calça. Ela não tava nem aí se iam nos ver de dentro ou se alguém viesse… ela queria fazer aquilo que há um ano atrás achou que Mili tinha roubado dela… ela não sabia que a história com Mili era de antes…
- Espera, vão nos ver… falei com o pouco de consciência que me restava.
- Vem… disse ela apressada, me puxando pela mão.
Ela me levou pra aquele banheiro onde, segundo ela, Devia ter inaugurado o cu dela um ano atrás. No caminho, percebi que a saia dela tinha subido e deixava ver uma parte das nádegas musculosas dela (pensar que hoje em dia mostrar parte da bunda nos shorts tá virando normal), o que me deixava com a pica dura na calça.
- Agora vamos corrigir as coisas... você vai meter no meu cu... igual te vi naquele dia... falou cheia de tesão, levantando um pouco mais a saia e afastando a calcinha fio dental.
- Como? Assim?... falei excitado, enfiando meia pica sem deixar ela reagir.
- Ouuuu... siiiiim... Uhmmm... gritou extasiada.
Eu tinha esmagado ela contra a pia do banheiro, como um ano atrás fazia com a Mili. A Vane também se segurou na pia com as mãos, enquanto pelo espelho eu via a expressão de dor e tesão dela por se sentir empalada como merecia e queria.
Quando reagiu depois de uns segundos curtindo minha pica no cu dela, ela mesma baixou o decote do vestido, deixando os peitos redondos no ar. Os bicos tinham endurecido ao máximo, só me restou apertar eles enquanto ela sorria satisfeita e excitada.
Comecei a bombar a bunda branca dela, enquanto ela começava a gemer e eu apertava as nádegas carnudas. Não eram macias como as da Mili, mas eram gordas e firmes. De vez em quando, a Vane procurava meus lábios ansiosa, descarregando toda a dor em beijos molhados com língua.
- Uhmmm... Não acredito que isso tá acontecendo... uhmm... murmurou.
- O quê?... perguntei.
- Que você tá enfiando no meu cu aqui... falou com lágrimas de felicidade.
De vez em quando, ela se curvava mais pra me receber, abria as nádegas, encostando o rosto no espelho, as bochechas vermelhas, um pouco de suor, a bunda dela avermelhada pelo martelar da minha virilha. Eu segurava a cintura dela, na minha embriaguez era uma das poucas coisas que me mantinha equilibrado.
Até que num momento de luxúria, a Vane se desgrudou de mim, repetindo freneticamente uma e outra vez como possessa:
- Cachorrinho... cachorrinho... cachorrinho... falou. Me puxando.
Queria que eu possuísse ela de quatro, igual tinha visto naquela vez que eu metia em Mili. Nessa altura, eu já tava no automático, embora não quisesse pensar em Mili, talvez meu ego tivesse ferido por saber que ela tinha aceitado sair com aquele médico. Talvez na minha bebedeira eu tivesse no modo vingança. Por outro lado, meu ego tava inflado por aquele monumento de mulher que era a Vane, que tava obcecada em eu arrebentar a buceta dela, realizar a fantasia dela de um ano atrás.
- Ah... siim... assim... assim... você tinha que arrebentar meu cu... ela gemia satisfeita.
A Vane já tinha se posicionado feito uma puta naquele chão sujo de banheiro, não ligou. Tinha arqueado as costas e aberto as pernas, apoiando os cotovelos no chão. No meu delírio etílico, no começo acertei a buceta dela... coisa que não pareceu agradar...
- Não... não... aí nãooo... ela reclamou, quase colocando a mão na buceta pra evitar que meu pau entrasse por ali.
Foi aí que eu meti violentamente pelo cu dela, fiz ela arquear as costas em rigor mortis, mas ela gritou satisfeita pela vitória, de que finalmente eu tava arrebentando o cu dela como ela sempre quis desde que nos viu naquele banheiro... talvez sentisse que tava corrigindo as coisas, que ali ia se endireitar o que segundo ela devia ter sido... que eu devia ter sido o primeiro a furar o cu dela, não o Guille numa sacanagem... ou que eu possuísse ela depois por acaso, não por escolha, como naquela noite.
Lembrei rapidamente das coisas que a Vane nos fez passar, me deu vontade de castigar ela mais... me levantei e, com minhas pernas ladeando os quadris dela, comecei a meter meu pau nela pra baixo, Vane aguentou de boa vontade, ainda mais empinou mais a bunda.
- Uhm... auuu... uhm... você tá rasgando meu cu... uhm... ela reclamava gostoso.
Longe de se assustar com o castigo criminoso que eu tava dando no esfíncter dela... ela tava feliz que eu tava me acabando pra arrebentar o cu dela. Explodia de prazer... até que não aguentou mais... num momento, soltou um grito alto, enquanto o corpo dela se contorcia da cabeça aos pés, passando depois pra uma tensão máxima. aproveitando um orgasmo sonoro, enquanto a buceta dela ficava toda molhada, jorrando litros.
- Ouuu… uhmmm… ufff… não acredito… você fez eu mijar… uhmmm… — gemeu satisfeita.
Enquanto meu pau começava a cuspir litros de porra, fazendo a coluna dela se contrair a cada jato, e ela curtia tudo com uns tremeliques. Tava há um tempão sem aproveitar um buraquinho apertado e um corpo escultural… por isso demorei pra soltar meus líquidos, e a Vane sorria satisfeita por saber tudo que fez eu jorrar.
Depois de uns segundos curtindo aquele orgasmo, ela se recompôs enquanto eu me levantava e me apoiava cansado na pia. A Vane chegou de joelhos, toda acabada, agarrou meu pau e começou a limpar, batendo uma e chupando igual uma obcecada…
- Você vai me dar mais… — disse pro meu pau.
Meu pau, prestes a murchar, endureceu de novo, enquanto a Vane começava a mamar com mais gosto… acho que lembrou daquela vez que me pegou esvaziando meus líquidos na boca da Mili e queria a mesma coisa… serviço completo… ou então pensou que, se eu fiz ela mijar agora, ela ia fazer o mesmo comigo.
- Ohhh…. Ufff! — exclamei surpreso ao ver outra descarga de porra saindo.
A Vane engoliu uma parte, e por um tempo soltou meu pau, deixando a porra espirrar na boca e no rosto dela. Talvez aquela imagem tivesse chamado a atenção dela na cabana do clube campestre, talvez ela achasse que aquilo me agradaria mais. Fato é que, depois disso, lambeu o resto de porra e me deixou descansar.
Aquela maluca tinha me sugado e exorcizado minha lembrança da Mili, e as lembranças dela do que rolou nesse tempo. Depois de um tempo, ela se recompôs com minha ajuda e começou a se arrumar. Ficava rindo às vezes daquela safadeza ou daquela fantasia que ela tinha há tempos. Depois pareceu cair em si…
- Merda… ainda tem gente na festa… será que perceberam? — exclamou.
- Acho que não… — falei, ainda viajando e bêbado, e também não tava nem aí naquele momento.
- Danny, melhor Vamos embora… disse ela, se virando envergonhada.
Uma coisa era agir como uma puta na intimidade, ou todas as loucuras e enrascadas que ela armava contra o Guille ou comigo em particular… mas outra coisa era as pessoas verem que ela era uma vadia fácil, capaz de se envolver com um cara cuja namorada está viajando…
Nos arrumamos rápido e fugimos daquele banheiro, achando que ninguém tinha notado. Saímos na rua e pegamos um táxi. Deixei ela em casa, com um beijo morno no rosto de despedida, talvez um pouco de vergonha dos dois lados.
Cheguei em casa e me joguei na cama. Tinha um bilhete que minha mãe deixou na minha mesa, dizendo que a Mili tinha ligado. Não tava com cabeça pra saber como foi a consulta dela com o médico, e ainda por cima a consciência me pesava por ter caído na tentação com a Vane depois de meses recusando viajar com ela.
Acordei com um barulho irritante… era só o telefone, mas parecia uma sirene de bombeiro.
— Você é um idiota… — me cobrou o Guille no telefone.
— Calma… calma… tô de ressaca… — falei, vendo que já era dia.
— Eu te falei pra distrair ela, não pra comer ela na frente de todo mundo… — gritou o Guille.
— Ei… porra… não foi na frente de todo mundo… foi no banheiro… — me desculpei, feito um idiota.
— É verdade… mas todo mundo percebeu… — disse ele, sarcástico.
— Porra… ferrei tudo… — me recriminei.
— Se for fazer essas merdas com aquela vadia, seja mais discreto…
— Cê acha que alguém? Sabe… vai contar pra Mili? — perguntei.
— Olha… várias te olharam ontem… não vai faltar uma despeitada que pode abrir o bico… — me alertou o Guille.
— Desculpa pelo de ontem… deixa eu fazer umas ligações pra resolver as coisas…
— Ok… mas não sei se vai funcionar… sorte… — disse o Guille.
Antes de começar a ligar, liguei meu laptop… às vezes, quando a Mili não conseguia falar comigo no telefone, me deixava um e-mail… e ela deixou… bem curto e direto, por sinal.
— Pensei bem e não quis sair com aquele cara… mas já fiquei sabendo… como você pôde fazer isso? Depois de tudo que aconteceu… com ela?... Tchau… (Mili)
Porra… caralho… puta… merda… de todas as minas que deram em cima de mim no trampo e na faculdade, fui trair ela logo com a Vane numa reunião de amigos da faculdade que conhecem a Mili. Já não era como antes, que eu tinha ela por perto e podia tentar reconquistar… ela tinha recusado sair com aquele cara… agora com minhas atitudes, talvez eu empurre ela pra isso…
Por que sempre acabo cagando tudo?… é o karma?... foi o começo do fim… mas o destino ia me compensar do jeito dele com uma oportunidade que demoraria pra chegar…
Continua…
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