Não somos gente do interior, mas sim da cidade. Não somos gente de mato bravo, ou praia e mar, mas de prédios e shoppings, trânsito e metrô. Mas a gente se adapta bem, se adapta rápido; talvez porque na cidade é fácil demais jogar o jogo, quase sem risco.
—Q-quem é...?
—Um amiguinho novo... Bom, é amigo do Alejo, mas cê conhece o ditado: Os amigos dos meus males, são meus amigos...
Era "Os amigos dos meus amigos...", mas tudo bem, não importava. Só de pensar que em breve aquele pauzão grosso também ia curtir minha Nati já me acelerou a punheta.
—Tu não pode ser tão puta... —ofeguei. Nem precisei falar que tava quase gozando na mão, ela já me conhecia bem.
Então a Nati se virou como se nada, como se eu não tivesse tocando ela, nem a gente tivesse se amando.
—Marce, quero que a gente faça uma parada.
Olhei pra ela confuso, com a mão perdida.
—Amor, tô quase, deixa eu...
Ela fez cara de irritada e bateu na minha mão que tava batendo uma.
—Ah, chega de encher o saco com essas paradas doentias. A única coisa que te importa é me comer.
Fiquei sem reação, parado, sabendo que se não gozasse, em meia hora ia ter uma dor do caralho nos colhões.
Ela desligou o celular, o que era sinal de que o que ia falar era sério e de verdade. Me olhou nos olhos, fez carinha de menina boazinha e soltou aquilo.
—Quero que você seja "O corno do Povo", meu amor...
Não entendi. Devia ter ouvido errado porque ela disse "do povo".
—Do que cê tá falando, doida? —perguntei com um sorriso, já sentindo que ia pra algum lugar, mas sem adivinhar mais—. A gente mora na cidade.
—Já sei, bobão.
—Não tô te entendendo, amor. Já sou o corno do bairro.
—Não, não é.
—Te comem na academia, no ferragista e dois vizinhos do prédio.
—Pra virar o corno do bairro eu teria que te chifrar com todos os homens do bairro, não com oito ou dez... Além disso, é impossível saber onde O bairro começa e termina aqui.
Eu começava a desconfiar de algo.
—Numa cidade é a mesma coisa, amor… também não se sabe os limites dos bairros…
—Não, corno manso, que bairros nada! Quero que a gente vá pra uma cidade e que eu seja comida por todos os caras da cidade. Que toda vez que sairmos pra passear ou comprar um sorvete, todos — absolutamente todos — os caras que a gente cruzar me comam regularmente, e você finja que não sabe de nada.
Tem uma coisa que ainda não contei: eu e a Nati somos grandes jogadores. Com certeza os melhores da Argentina. Possivelmente entre os melhores da América Latina. Temos criatividade (eu mais que ela) e ousadia (ela mais que eu), e grana e tempo. Nos nossos anos juntos já cumprimos muitos jogos: o da remisería (um dia conto pra vocês), o do camping (um dia conto), o do ônibus de longa distância (um dia conto) e muitos outros. E a gente joga pra valer, até o fundo.
—Bebuchi — falei — adoro a ideia, mas é impossível. Não tem como você comer uma cidade inteira, e ainda por cima regularmente.
A Nati me olhou com carinha de menina, virou de novo de lado pra mostrar o que sabia que era minha fraqueza: a bunda perfeita e bem apertada.
—Não sei, corno, agora isso é problema seu. Eu sou a beleza e você o músculo, então se vira pra organizar.
Fiz um cálculo rápido das variáveis: grana e transporte não iam ser problemas; meu trampo, também não.
—É uma loucura, Nati, vamos ter que mudar de cidade…
Ela virou de novo, bum pra cima outra vez, com o celular na mão.
—Não é meu problema, amor. Eu vou continuar negociando com meu amiguinho novo.
Ela começou a olhar fotos de paus grandes de caras da cidade e eu fiquei fazendo carinho nela, ou seja, apalpando a rabeta dela e batendo uma punheta.
2.
Freio a caminhonete no cruzamento. A gente tava no meio do nada, com campo pra todo lado, e mato e brejo e riachos à direita e mais na frente. A Nati tinha o GPS.
—É pra lá, corno.
Na frente dos outros, o apelido carinhoso dela pra mim era “papi”, “amor” ou coisa assim. Se a gente tava sozinho, “corno”, “corninho”, “cornudão”, “cuckhold”. Quando ela tava com as crises, me chamava de outros nomes.
Olhei “pra lá”. Não parecia diferente da solidão de qualquer outra direção. Mas obedeci. Um bom cuck sabe perfeitamente quando obedecer a sua mulher, do mesmo jeito que uma boa puta infiel sabe perfeitamente quando respeitar a vontade do seu cuck. Não andamos nem duzentos metros e vimos as primeiras casinhas.
—Tá ali! —gritou a Nati como se a gente tivesse achado o El Dorado—. Chegamos!
Esquece placa ou portal ou marco que dissesse “El Ensanche”. O povoado era tão mas tão pequeno que não tinha placa, nem praça principal, nem igreja, nem nada. Era um punhado de casas jogadas ao acaso, não mais de trinta, que se espalhavam em volta do estaleiro.
Chegamos com a caminhonete até a primeira quadra, onde se via só duas ou três casas aqui e ali, e daí outras quadras igualmente esparsas. Eram casinhas muito humildes. Não eram de madeira ou chapa, como as de uma favela, mas de concreto, com quintal e cerca. E, seja porque já era quase noite e a luz do céu apagava tudo ou porque o lugar realmente parecia pobre, tive uma primeira impressão meio deprimente, tipo um povoado mergulhado eternamente no inverno.
—Meu amor… —consultei ela—. A gente pode dar meia-volta agora mesmo se quiser.
—Cê tá louco, corno? É perfeito, embora eu ache meio pequeno. Vou te transformar no cuck do Povoado em menos de um mês!
Os verdadeiros problemas de me tornar O cuck do Povoado eram dois: o tamanho do povoado e a proporção masculina de habitantes. Um povoado tem milhares de habitantes; e num povoado pequeno, até num bem pequeno —digamos de apenas mil habitantes—, ainda é impossível conseguir comer todos os homens. A Nati não conseguiria manter relações estáveis com 500 caras, não teria oportunidade nem tempo físico. Por outro lado, a geografia apresenta os mesmos problemas que na cidade: ela poderia me fazer de corno manso habitual dos grupos sociais dela, mas sem acesso aos homens de vinte quarteirões além, com empregos sem nenhuma relação com a gente, era a mesma coisa.
Então eu tinha ido até a Nati com minha solução: vilarejos com cerca de cem habitantes. “Isso não é vila, não!”, ela reclamou. “Tecnicamente, é”, tentei convencê-la. “Arranja uma vila com mais homem pra mim, corno”, ela pediu sem rodeios.
— Quer dar uma volta pra ver as casas, antes de decidir se instalar?
— Não, chifrudo, vai ficar estranho… Além disso, já decidi: quero te transformar literalmente no corno manso do Ensanche, quero que cem por cento dos homens da vila me comam regularmente.
Não foi só pela bunda perfeita e pela beleza dela que eu me apaixonei. Também pela determinação, pelo compromisso e pela generosidade e sacrifício dela pra me fazer de corno. Ela sabia que em vilas como essas não tinha muitos homens jovens, do tipo que ela gostava. Que o mais provável era que a maioria fosse velho sem dente, ou quarentão fudido, gente descartada de outros lugares, sem chance nenhuma além de cair ali.
— Deve ser aquela — a Nati apontou pra uma casa igual às outras, baixa, cinza, retangular como uma caixa de sapato gigante, e com o mato da frente alto.
Passei com a caminhonete e virei na esquina, mais pra ver se via alguém pra perguntar, ou um comércio ou algo assim. Nada. A concha esmagada na terra arenosa do caminho rangeu debaixo dos pneus, e estacionei na frente do nosso novo lar. Mesmo sem placa com o nome da rua, o número da casa batia com o papelzinho que a imobiliária em Buenos Aires tinha nos dado.
Descemos. Eu com as chaves na mão, olhando em volta. A Natalia com uma jaquetinha curta que vestiu. na sequência, e que não cobria a bunda pintada pela legging que marcava tudo.
Entramos. A gente tinha alugado a casa mobiliada e era assim, embora com um gosto tão sem graça quanto o exterior. Pelo menos tinha aquecimento e uma TV, além dos dois quartos, a sala, o banheiro, e outro banheirinho e a lavanderia (no fundo), e a cozinha obrigatória. O lugar não era bonito, e comparado com nosso apartamento, era uma pocilga. Pensei que a Nati ia perder a vontade, mas ela tava exultante.
— Corno, esse vai ser nosso ninho de amor! A quantidade de punheta que você vai bater enquanto me comem todos!
Ouvir da boca dela como eu ia ser corno me fazia ficar duro sempre. Sempre.
— Amor, por que você não vai trazendo algumas malas enquanto eu vejo essa parada do gás, pra ligar o aquecedor e tal…? — falei, e encontrei e ligei os disjuntores da luz.
A Nati começou a bisbilhotar a casa e sentou e pulou dando sentadas na cama, testando.
— Porque esse é o trabalho do corno!
Uma caminhonete nova num povoado de 99 habitantes chama atenção na hora. A gente ouviu duas batidas na porta e uma voz rouca, de tabaco e álcool:
— Oi…?
Fomos com a Natalia ver, a putinha já arrumava os peitos e sorria. Lá na porta tava um velho de uns 65 anos, rústico, do interior, com roupa barata e barba de alguns dias. Tinha o nariz grande e o cabelo branco e ralo, e não conseguiu esconder o sorriso ao ver minha mina.
— Oi-oi… — falou meio sem jeito. Cumprimentou a gente dois mas os olhos iam pra ela. Não pra bunda, porque ela tava de frente, mas pro rosto dela. É que a Nati é muito gostosa. É uma mina na casa dos trinta e poucos, cabelo castanho claro quase loiro, branquinha, com cara de menina boazinha, de garota bem educada e criada, daquelas que se comportam e têm amigas mulheres. Mas quando sorri… Deus, quando sorri e aperta os olhos é a cara do demônio acendendo as caldeiras no inferno.
— Oi — respondeu a Nati, e sorriu.
—Sou… Sou seu Rogério… eu… moro aqui do lado e vi a caminhonete e…
—Oi, seu Rogério —cumprimentei todo simpático, apertando a mão dele—. Somos os novos vizinhos. Eu sou o Marcelo, e ela é a Natália —nos apresentamos, e quando Rogério foi dar a mão pra Nati, a gata se aproximou e deu um beijo nele. Vi a mão do velho recuar como se tivesse queimado quando a aproximação da minha namorada fez ele esbarrar sem querer num peito dela.
—Se falava na vila que vinham dois vizinhos, mas…
Seu Rogério ainda estava surpreso, até mesmo uns minutos depois quando convidamos ele pra entrar e batemos um papo.
—Não esperavam gente de Buenos Aires?
—Não, não é isso. Falaram que vocês vinham de lá, mas é que essa é uma vila que vive do estaleiro, e não tem nada de nada. Aqui só vêm homens pra trabalhar, quase todos sozinhos, nem trazem as famílias.
Enquanto seu Rogério batia papo com a gente na mesa da sala de estar-jantar, a Nati arrumava as coisas, as sacolas, e mexia nos armários e móveis. Vi o velho mais de uma vez olhando pra bunda dela disfarçadamente, toda vez que minha namorada se abaixava e exibia os encantos empinados.
—Ah, mas eu não vim trabalhar no estaleiro —esclareci—. Vou escrever um romance de suspense que se passa numa vila como essa, então vamos morar aqui uns meses.
Imaginei que minha desculpa ia soar excêntrica e render muitas perguntas, mas o velho não falou nada. É possível que estivesse distraído com o vai e vem da Nati. A verdade é que não sou romancista, nem estava escrevendo nada. Meu trabalho é outro, opero ações e títulos pra mim e pra terceiros, e enquanto tiver uma conexão de internet razoável, posso fazer isso de qualquer lugar do mundo.
Seu Rogério me ajudou com o gás, a pedido da Nati, que aproveitou pra soltar aquelas frases destinadas a mim.
—O senhor ajuda ele com o gás, seu Rogério? As coisas de homem não são com o meu namorado.
Rimos da brincadeira, mas olhei pra Natália com cara de repreensão. Minha namorada tinha mania de puxar a apertada demais, e eu costumava ser o oposto: muito medroso de que descobrissem nosso engano.
Antes da hora do jantar, já estavam em casa dom Rogelio e mais três vizinhos, que tinham vindo nos conhecer e dar as boas-vindas. Dois eram um casal de uns 55-60 anos, e o outro era um rapaz baixinho e largo, com cara de bonzinho, de uns 30 anos, muito humilde, que, coitado, não teve defesas contra as pernas da minha noiva, e ficou uma e outra vez em flagrante evidência.
Nossos vizinhos nos colocaram a par do funcionamento da vila. A fonte de tudo era o estaleiro. Todos ali trabalhavam para ele, direta ou indiretamente, exceto o Tune (dono do armazém), o Bagayero, que trazia o que fosse de outras vilas maiores, o açougueiro e o Santo, um brasileiro possivelmente fugido do país, que vivia fazendo bicos de eletricidade, gás, alvenaria ou o que fosse. O resto era umas 60 pessoas, quase todos homens, espalhados aleatoriamente em nove quarteirões. Havia um décimo quarteirão, colado ao estaleiro, que chamavam de As Quadrilhas. Lá a empresa tinha montado alojamentos onde abrigava a equipe de trabalhadores temporários, geralmente homens mais jovens que faziam serviços mais pesados.
Nati se mostrou muito interessada nas Quadrilhas, e eu comecei a sofrer de novo para que ela não evidenciasse nosso jogo. Vi seus olhinhos brilharem.
— Me conte mais sobre essas quadrilhas, dona Maria. Quantos homens têm? Eles vivem sozinhos?
A velha se surpreendeu com a pergunta sem noção, e eu incinerei minha noiva por ser tão impetuosa. Mesmo assim, saí em seu socorro.
— É que enquanto eu escrevo o romance, ela vai fazer comida caseira pra vender — falei, e peguei na mão da Nati, e ela e eu sorrimos um para o outro feito pombinhos. Isso nos divertia: nos fazer de apaixonados melosos, sabendo que ela vai me fazer ou já me faz de corno com algum dos presentes. — Assim ela se mantém ocupada e ajuda na economia da casa.
Dona Maria se aliviou.
— Claro, claro… Então nas Quadrilhas você vai com frequência. São todos Homens sozinhos, deve ter uns vinte ou vinte e cinco. É um alojamento com trinta camas, igualzinho quartel.
—Se não têm esposa, com certeza vão me chamar todo santo dia.
Dona Maria, o marido dela e o cara de bonzinho não desconfiaram de nada — como eu disse, minha Nati tem cara de anjo, quando quer —, mas eu vi os olhos de seu Rogélio, e vi como ele deu mais uma olhada completa, de cima a baixo, e soube que ia ser o primeiro chifre na minha testa, que ele ia comer ela no dia seguinte, sem mais nem menos.
3.
Como eu disse, a Nati sempre me deixa com toda a montagem do jogo: a logística, os álibis, os motivos, tudo. Claro que ela opina, eu consulto ela e ela mete a mão, mas parte da graça — o jogo em si — começa quando ela me diz: “Ah, não sei. Disso quem tem que cuidar é o cuck”. E aí ela se dedica a ficar gostosa pros machos dela e me encher de chifre.
No começo ela não tinha gostado que eu decidi procurar um povoado tão pequeno. Dizia que ela aguentava mais. Queria mais.
— Quero encher tua testa, meu amor… — ela se justificava.
Depois entendeu que, se ela realmente queria realizar a fantasia dela, aquela de TODO MUNDO virar amante fixo, tinha que manter um certo controle. E o controle vai se perdendo conforme mais gente participa sem saber do jogo (de qualquer jogo).——eu propus——Se for cem, calcula que cinquenta vão ser homens…
—Cinquenta é pouco, Cuerni. Eu aguento mais! Não confia em mim?
Confiava de sobra, mas não era essa a questão.
—Me escuta, love… vamos testar num povoado pequeno, faz o que eu digo… E se a gente se divertir, aí a gente parte pra um maior.
—Tá bom, mas um que tenha uma fábrica ou algo assim… com uma proporção maior de machos!
Descartamos um com curtume e outro com fábrica de papel, por causa do cheiro. Ficamos com três opções: com estaleiro, com serraria e com uma destilaria.
—O do estaleiro, sem dúvida! —decidiu Natália, e quando viu minha cara de não entender, explicou—: É onde vão fabricar os seus chifres.
Rimos. A gente sempre ria quando o assunto era chifre.
Ela não riu tanto quando eu disse que ela ia ter que fazer comida pra levar.
—Cê tá doido, Marce, não vou ficar cozinhando pra cidade inteira só pra te meter chifre.
—Não, boba, é só uma desculpa.
—Cuerni, eu te amo, mas inventa outra coisa. Não vou sair pra transar fedendo a comida. Se quiser, cozinha você e eu levo.
—Love, é só uma desculpa. A gente compra empada, congela e esquenta cinco minutos antes de você ir trepar. Confia em mim.
4.
No dia seguinte, já na cidade, o jogo começou. Eu fiquei no meu trampo de verdade, mas não conseguia me concentrar vendo a putinha da Nati se arrumando.
— Gostou de como ficou em mim, corneão? — e aparecia com uma fio dental preta super sexy, bem enterrada naquele rabão. Só de imaginar que algum sortudo da cidade podia estar aproveitando ela naquele mesmo dia, já me fez subir a pica.
Ela vestiu uma legging que marcava tudo, passou uma maquiagem leve, se perfumou, pegou uma cestinha de vime com flores que a dona Maria tinha trazido ontem à noite, e me deu dois beijinhos na testa, um em cada chifre.
— Vou agradecer as boas-vindas ao seu Rogério, amor. Se ouvir gritos ou sentir a testa queimando, já sabe…
— Nati, não exagera, não quero que saibam que eu sei.
— Relaxa, corno manso, quando foi que te deixei na mão?
Ela foi andando até a porta, rebolando aquela bunda linda, perfeita e minha, e saiu.
Seu Rogério é o vizinho do lado. “Do lado” aqui na cidade é um eufemismo, porque tem entre três e cinco casas por quadra. Mas ainda assim era perto. Me diz como é que um cara consegue trabalhar sabendo que a quarenta metros de distância podem estar comendo a sua mulher.
Fui pro quintal dos fundos pra ver se enxergava a casa ou uma janela, ou se ouvia alguma coisa. Impossível. Umas meia hora depois, ouvi a chave na porta, e a minha Nati entrou. Feliz. Radiante. Com uma luz diferente nela.
— Cuck, me beija! — ela ofegou, e se jogou em cima de mim com desespero.
A gente se beijou na boca, e o cheiro de sexo e gosto de porra era evidente. Tentei me afastar pra ela me contar, mas ela me segurou.
— Me beija, papai, me beija que engoli toda a goza!
A gente se beijou mais um pouco, eu tava com uma ereção que doía.
— Ele te comeu?
— Chupei ele. Foi muito excitante!
— O que aconteceu, amor? Me conta!
— Fui feito uma mocinha pra agradecer, e quando ele me viu sozinha, me fez entrar. Ele me devorava com os olhos, tu não tem ideia. A gente começou a conversar sobre a cidade, e o trabalho, e os homens, e a solidão…
— Ele partiu pra cima de você?
— Não, tive que dar uma avançada. Mas dava pra ver que ele tava Recaliente. Tava pegando fogo, entendeu?! Me virei com desculpas pra ele olhar minha bunda, ele falou umas vinte vezes como eu era gostosa e a sorte que você tinha, então numa dessas eu cheguei perto e falei que sorte nenhuma, que com você não transava há anos porque não sobe — nessa hora minha pica começou a pulsar, enquanto ela contava—. Fui beijar ele, um beijo só, e já peguei no volume dele… O pobre velho tava meio perdido, mas ia pra cima. Começou a me apalpar, nem acredita como ele meteu a mão na sua “bunda”, corno. Me bateu uma, bati uma pra ele. Mas falei que tinha que voltar, que quando seria melhor fazer, porque se alguém me visse entrar na casa dele e eu não saísse num tempo decente, ia ficar parecendo uma puta. Ele perguntou se você tirava sesta, falei que sim, e ele disse que aqui na cidade a sesta é sagrada, que se eu entrar na casa dele naquele horário ninguém vai saber. E de presentinho, fiz um boquete nele, pra ele saber o que espera.
Eu tava com a pica explodindo na calça. Abri o zíper e tirei minha pica.
— Como você chupou ele, amor? Me mostra.
Nati caiu na risada na minha cara.
— Ai, cuck, às vezes você é tão engraçado…
Ela me contou mais detalhes e eu fiquei de pau duro até a hora da sesta.
Duas da tarde, Nati tava pronta pra ir pro matadouro. Trocou a camiseta por uma de modal, super justa, e enfiou a legging de um jeito que entrou tudo na bunda dela e marcou a buceta de forma vulgar.
— Corno, vou estrear seus chifres. Nas próximas duas horas, vão me foder e gozar dentro de um jeito que você não consegue enquanto a gente tiver nessa cidade — Pegou as chaves, virou e mostrou a raba pra eu admirar: ela tinha uma bunda de secretária de televisão, desenhada pela legging que afundava entre as nádegas. Aproveitei pra apalpar ela, patético. Ela adorava me transformar no punheteiro particular dela—. Não quero que você goze sozinho, hein, cuck? Quero que você se masturbe enquanto o velho me fode. mas nada de porra.
E foi embora. E do quintal dos fundos eu espiei ela chegando na casa de seu Rogélio, e como a porta se abriu na hora e ela olhou pra um lado e pro outro vendo se ninguém via ela, e entrou.
Uma hora e meia só na punheta. Uma hora e meia do velho metendo a pica na minha mina, como se conhecesse ela há tempos, como se a gente tivesse mudado pra cá há anos e eu já fosse o corno da cidade.
Nati voltou mais exultante que ao meio-dia.
— Meu amor! — falou carinhosa e enchendo minha cara de beijinhos —. Já é oficialmente corno, amor! Já comeram sua mulherzinha!
Ela me arrastou pro quarto e se jogou na cama, com a calcinha nos tornozelos.
— Me limpa, chifrudo! — ordenou com as pernas abertas —. Começa a fazer a única coisa que sabe…
Eu mergulhei entre as pernas dela, e mesmo o cheiro sendo forte e horrível, puxei a tanga e comecei a devorar, enquanto ela contava como o velho inaugurou minha galhada na cidade.
“Seu Rogélio ainda tava meio com medo, até pensou que eu não voltaria na hora da sesta. Mas voltei com a desculpa dos dois anos sem dar, e o velho acabou me levando pro quartinho. Fui me despindo devagar, fazendo o showzinho pra ele, virando de costas pra ele ver bem a raba. A verdade é que o velho não me atrai muito, mas saber que você tava aqui pensando em como me comiam, e só na punheta, me deixava com o cu na mão.”
“Ele me comeu uma hora e quinze, parece que a porra do meio-dia fez bem. Não tem uma pica muito grande, mais ou menos normal, mas aguenta e sabe rebolar. Ficava atrás de mim e amassava minha bunda enquanto me comia pela buceta, e murmurava o tempo todo.”
“— Não é possível o que tô comendo… Não é possível o que tô comendo…”
“No meio da fodida, coloquei mais tesão, você me conhece. Ele me deixou de joelhos na cama com o tronco no colchão, me enfiando até o saco com picaços por trás.”
“— Ai, seu Rogélio, quanto tempo que não sentia isso…”
“E o velho me bombava mais” forte.”
“—É uma pena… Uma chininha gostosa como você devia se sentir mulher todo dia…”
“O velho já quer me comer de segunda a sexta. Não sei se ele vai aguentar o tranco, mas a ideia é que todos levem uns males regulares, pelo menos uma vez por semana.”
“Naquela hora e meia eu gozei duas vezes e ele uma, corno, não sei se conta como uma ou duas chifradas. Quando ele terminou de me foder e eu tava me trocando, fiz a santinha. Pedi pra ele, por favor, não contar pra ninguém, que eu não era de fazer essas coisas, mas que era mulher jovem e tinha necessidades. Ele acreditou, e eu falei que uma dessas sestas a gente tinha que repetir. E pedi pra ele me ajudar com a parada das empadas, me apresentar pra outros vizinhos e amigos pra eu poder oferecer empada delivery. Ele disse que não achava que ia dar certo aqui, mas que mesmo assim ia dar uma força.”
5.
Às quatro da tarde acaba a sesta no povoado, às cinco ou um pouco mais é o lanche. Às seis termina o expediente no estaleiro, e os peões voltam pros alojamentos e os administrativos pras suas casas. O problema é que entre essa hora e o jantar não tem nada pra fazer em Ensanche. Não tem bares nem passeios. No verão sim, todo mundo vai pro rio, mas ainda era primavera. O mais parecido com um ponto de encontro era o armazém do Tune, porque o pessoal ia comprar alguma coisa (um vinho, uma cachaça) e ficava batendo papo. Com o açougue-verdureira era a mesma coisa.
— Vizinhos! — gritou na porta de casa o seu Rogélio.
Saímos com a Nati feito dois recém-casados, de mãos dadas e bem agarradinhos. A Nati tinha trocado pra legging e regata, tão justinhas quanto as que usava na hora da sesta. Claro que a legging não estava tão enfiada assim. Foi engraçado ver o desespero na cara do seu Rogélio quando apertei a mão dele. Eu me divertia fazendo o papel de corno perfeito, sei que minha mina fica molhada toda vez que um macho dela fala comigo de igual pra igual na cara depois de ter comido ela. Seu Rogélio desviava o olhar de mim, e dessa vez não olhava tanto pra Nati.
— Seu Rogélio vai me dar uma força com a parada das empadas. Vai me apresentar pros vizinhos e assim eu conto pra eles o que faço. E vai dizer que provou as minhas.
— As empadas! — esclareceu alarmado o velho, de um jeito tão suspeito que, se eu não fosse o corno cúmplice que sou, minha mina estaria enrascada.
Era a hora de maior movimento no povoado — entre 6 e 7:30 —, e antes mesmo de chegar no armazém cruzamos com alguns vizinhos, que seu Rogélio nos apresentou bem cordialmente. Um foi "o doutor", um quarentão bem arrumado que comeu com os olhos a minha mina. Foi tão agressivo e escancarado o desejo dele pela Nati que comecei a endurecer o pau na hora, especialmente quando vi na minha mina uns gestos inequívocos de que ela também tinha gostado. A gente comentou sobre nós, sobre minha suposta novela e do empreendimento da Nati de cozinhar empanadas pra viagem. O doutor se interessou, disse desnecessariamente que morava sozinho e odiava cozinhar, e como a gente não tinha telefone fixo, a Nati passou o zap dele porque ia gerenciar todos os pedidos por lá. Era um eufemismo pra mim. Tava me dizendo que ia gerenciar todas as roçadas dela pelo zap.
O depósito do Tune era tipo um galpão grande e alto, bem iluminado, cheio de prateleiras com mercadoria de todo tipo. Lembrava um pouco os supermercados chineses, mas não chegava a ser um minimercado. A primeira surpresa foi que o Tune não era da região. Chamavam ele de Tune, apelido de O Tunecino, porque veio da Tunísia nos anos 90. Era preto, uns 45 anos, corpo mediano e cara de esperto, daquele tipo de rua que você nunca vai enganar, dava pra ver nos olhos e no jeito que se movia entre os outros. Falava pouco.
No depósito tinha uma velha e um casal comprando, mas no caixa junto com o Tune estavam uns três ou quatro conterrâneos a mais, vagabundos que nem o preto, com certeza parceiros de pôquer, jogo ou putaria.
Eram de se temer, não no sentido de violência, mas sexual. Vou ser direto: um homem comum (não um corno como eu) que morasse nessa vila com uma mulher minimamente gostosa corria sérios riscos com esses caras por perto. Pensei na hora no casal com o menino que a gente tinha cruzado antes. A mulher não era feia, mais do tipo comum. A gravidez devia ter deixado ela com uns peitões bons e, por baixo dos pneuzinhos, ela tinha uma bunda bem comível, inchada, redonda. Me perguntei quantos e quais desses filhos da puta já tinham comido ela enquanto o corno tava no estaleiro. Ou se ainda tavam comendo.
Seu Rogélio nos apresentou pra pequena irmandade, e foi engraçado ver o esforço deles em disfarçar o interesse sexual que minha namorada despertou. Também o esforço pra parecer menos vagabundos do que eram. Não entenderam o empreendimento da Nati. Empadas pra viagem? Um deles morava com a mãe e zoou a ideia com uma piada. Não me preocupei, eles iam entender depois, ou iam vir com o fuxico: a puta das empadas leva o pedido na sua casa e deixa comer. Quem viu as oportunidades foi o preto, talvez mais acostumado com trocas sexuais por causa do negócio dele.
Minha princesa, num momento, fez uma das coisas que ela mais gosta. fazer na minha frente: se mostrar como um objeto de foda pra um bom macho. Ela se afastou dois passos pra olhar uns produtos de limpeza, pra que vissem ela toda, com aquelas leggings que desnudavam a perfeição dela. Ela se abaixou um pouco e os quatro vagabundos olharam pra bunda dela. Foi engraçado porque naquele momento eu tava comentando algo do meu romance e nenhum deles olhava na minha cara. Foi tão sem-vergonha que o Tune, mais esperto, apontou pro que supostamente a Nati tava olhando e disse: "são três pelo preço de dois", com isso legalizou olhar pra ela um bom tempo sem nenhum disfarce.
— Aqui tem tudo pras empanadas — me disse a Nati —. Vou ter que vir direto — Sempre me jogava esses comentários em código.
No meio da conversa e de uns vizinhos pagando e outros entrando, num momento minha mina ficou entre os vagabundos e eu, olhando na direção deles, de costas pra mim. Eu sei o quanto ela curte negão, sei da fraqueza dela por essas picas e o poder que eles têm sobre ela. E tenho certeza que ela olhou nos olhos do Tune e comeu ele com o olhar. Ela sempre faz isso quando quer dar pra um macho.
A gente ficou batendo papo por um bom tempo, não só com os vagabundos, mas também com os vizinhos que vinham comprar. A gente era a novidade num lugar sem novidades, então todo mundo nos dava boas-vindas, perguntava sobre a gente, sobre Buenos Aires, e nos convidava pras casas deles. Lá pras 19:30 eu me senti integrado na pequena comunidade, não digo como se tivesse nascido lá, mas bem à vontade e entre gente boa. Claro que uma grande parte de tanta simpatia era culpa da Nati. A bunda perfeita dela e as leggings de puta caíam bem pros homens, e a carinha de anjo e os modos doces, pras velhas.
À noite começaram a chegar os primeiros WhatsApps. A Nati tinha dado o número pra todo mundo, mas claro que as respostas cedo eram dos homens solteiros: o doutor, o Tune e os outros quatro vagabundos, e algum outro vizinho que o dom Rogelio tinha apresentado. Nenhum passou dos limites nem foi sem noção. Todo mundo perguntou detalhes sobre o sistema. Se eles tinham que ir buscar as empanadas ou se ela entregava em casa.
A Nati escrevia com um calor e uma certa malícia, e respondia pra todo mundo: “Isso como você quiser”, e assinava “Nati” com um coraçãozinho.
E enquanto eu me punhetava em cima da Booty da minha mina, ela, sem parar de trocar zap, me disse:
— Corninho, tenho certeza que amanhã começa a pedir. Limpa a testa aí que vou encher ela logo.
6.
Não precisei esperar muito. Ao meio-dia, a Nati foi ao armazém do Tune, com a desculpa de comprar coisas para as empanadas. Era mentira, porque a gente tinha trazido várias dúzias congeladas de Buenos Aires, não era questão de ela cozinhar tanto. Olhei pra ela com cara de "qual é a tua?", e ela me devolveu um sorriso safado.
Dessa vez foi direto provocar. Saiu de casa às 12, que era a hora que o armazém fechava, e foi com um short curto (não de puta, mas curtinho), que marcava bem apertado a bunda dela e realçava as pernas. Não tinha ninguém no negócio, ela me disse, e assim que o Tune a viu, sexy e sozinha, ficou babando e começou a enche-la de elogios, falando que ela era uma senhora linda, que era fina, que sorte que o marido tinha, e todas essas coisas de manual. Nati é uma mulher que faz você notar claramente se ela tá a fim, e do negro ela tava a fim.
Trancaram a porta de vidro e colocaram a placa de fechado.
— O que cê tá fazendo, Tune? Não vai querer que a gente faça aqui. De fora dá pra ver tudo.
— Não, linda, vamos lá pra trás que tenho um lugar. Mas não se preocupa, até às quatro não tem uma alma na cidade.
Nati me disse que foi assim, fácil. Foi tão fácil que ela achou que tinha que se fazer de difícil, um pouco pra manter a farsa, e outro pouco por puro tesão. Com o shortinho nos tornozelos e o Tune apalpando a bunda dela e puxando a calcinha pra tirar, minha namorada — de repente — disse:
— Ah, não sei, Tune. Eu não sou de fazer essas coisas. Meu marido não merece isso…
— Vai, linda, dá pra ver que cê tá a fim… Além disso, com a cara que seu marido tem, deve fazer um ano que vocês não transam…
— Dois anos… — Nati pegou a rola dele por cima da cueca e suspirou. Uma rola grossa e grande, como convém a um bom negro —. Tá tão na cara assim?
O comentário foi ambíguo e o tunecino não pegou a deixa. Estavam num quartinho minúsculo improvisado no fundo do armazém. Tinha um colchãozinho velho de solteiro, jogado no chão, e um banho mínimo. Nati se perguntou quantas vizinhas da cidade o preto já teria comido ali mesmo.
—Tá na cara… Tá na cara dela —disse o Tune, sem dar mais detalhes, e enfiou um dedão na buceta, beijou o pescoço dela e apalpou um dos peitos.
Como estavam ajoelhados um de frente pro outro em cima do colchãozinho, minha namorada enfiou uma das mãos na cueca dele e pegou o pauzão que já começava a endurecer e engrossar.
—Deveria ir pra casa… —insistiu ela, e começou a bater uma punheta suave no pau do preto— Não quero chegar tarde e o Marce desconfiar…
—Relaxa, gostosa… com essa cara aí ele não vai desconfiar de nada…
Isso acendeu Nati, porque foi quase como dizer “com essa cara de corno”. Beijou o preto, pegou o pau com as duas mãos e se abaixou pra chupar ele igual a puta que ela é.
E um tempo depois, enquanto o preto enchia a buceta dela de pau e socava até matar ela no colchão, minha namorada, ofegante, quase gozando, toda puta, provocava:
—Que cara…? Que cara que o meu Marce deve ter agora, Tune…?
E o preto filho da puta, que devia estar vendo o próprio pau de um metro enterrando e saindo brilhando de dentro daquela puta, respondeu:
—Cara de corno, ele tem!
—Ele não sabe… Não sabe que tão comendo a mulher dele…
—Não sabe que eu tô enchendo ela de pau e que vou encher todo santo dia!
E a puta da minha namorada começou a gozar com essas palavras e com aquele pau dentro.
—Sim, sim, preto, me enche todo dia… Assim ele aprende, o cara de corno…
E o preto, que tava possuindo minha namorada por trás, segurando uma nádega com cada mão e empurrando o pau no meio, vendo aquela buceta apertada engolir o pau até o saco, se soltou.
—Vou gozar, meu amor! Deixo dentro…? —implorou.
—Cê tá limpinho? —teve a lucidez de perguntar Nati.
—Tô, meu amor, tô… Senão nem perguntava…
—Então me enche, Tune! Me enche de porra que eu levo pro corno!
O preto relaxou e a socada ficou mais violenta, mais selvagem. Nati sentiu o endurecimento e logo o chicote, e a buceta apertada inundando de porra.
—¡¡¡AHHHHHHHHHH…!!!
Por mais que a Nati pedisse “pro cuck”, o preto não se ligou mais nessa onda de tesão, só vivia pelo próprio orgasmo. Já ia se ligar mais pra frente.
Lá pra uma da tarde minha namorada voltou pra casa. Lá pra uma da tarde saiu do armazém, com a promessa de repetir a foda no dia seguinte, “na hora da sesta, que é quando o cuck tá dormindo”.
E foi nessa hora que a Nati, vindo pra casa, cruzou numa esquina no meio da cidade vazia, com a Elisabeth, a mulher de trinta e poucos anos que a gente tinha conhecido na tardezinha anterior, com o marido e o filhinho dela. Ela vinha como quem vem do açougue, com um saco de carne, mas uma hora depois de ter fechado. As duas mulheres se olharam. Numa esquina e num horário em que não deviam estar, com surpresa no rosto, com um pouco de medo. A Nati de shortinho, a outra de saia acima do joelho. Ambas com a cara e o cabelo de quem acabou de dar. Se cruzaram em silêncio, sabendo no que a outra tava.
É fácil ser corno na cidade. Não tem mérito nenhum em virar uma corneadora profissional. Não tem risco, nem julgamento pra se preocupar. Só tem um oceano de gente que olha e não enxerga nada.
Naquela noite, a gente tava transando, como quase toda noite: ela largada na cama, de camiseta e calcinha enfiada naquele rabão perfeito, trocando zap com dois caras pra marcar as fodas do dia seguinte; e eu, apalpando ela desesperado e batendo uma como um adolescente de primeira viagem.
—Meu amor, tu tá cada dia mais punheteira... —disse, e me deu um sorriso safado. Eu continuava do lado dela, me excitando com o contato das curvas dela, que eu amava. As mesmas curvas que umas horas antes o filho da puta do Alejo (ou sei lá quem) tinha penetrado impunemente—. Olha —E me mostrou o celular com a foto de um pauzão enorme ereto. —Q-quem é...?
—Um amiguinho novo... Bom, é amigo do Alejo, mas cê conhece o ditado: Os amigos dos meus males, são meus amigos...
Era "Os amigos dos meus amigos...", mas tudo bem, não importava. Só de pensar que em breve aquele pauzão grosso também ia curtir minha Nati já me acelerou a punheta.
—Tu não pode ser tão puta... —ofeguei. Nem precisei falar que tava quase gozando na mão, ela já me conhecia bem.
Então a Nati se virou como se nada, como se eu não tivesse tocando ela, nem a gente tivesse se amando.
—Marce, quero que a gente faça uma parada.
Olhei pra ela confuso, com a mão perdida.
—Amor, tô quase, deixa eu...
Ela fez cara de irritada e bateu na minha mão que tava batendo uma.
—Ah, chega de encher o saco com essas paradas doentias. A única coisa que te importa é me comer.
Fiquei sem reação, parado, sabendo que se não gozasse, em meia hora ia ter uma dor do caralho nos colhões.
Ela desligou o celular, o que era sinal de que o que ia falar era sério e de verdade. Me olhou nos olhos, fez carinha de menina boazinha e soltou aquilo.
—Quero que você seja "O corno do Povo", meu amor...
Não entendi. Devia ter ouvido errado porque ela disse "do povo".
—Do que cê tá falando, doida? —perguntei com um sorriso, já sentindo que ia pra algum lugar, mas sem adivinhar mais—. A gente mora na cidade.
—Já sei, bobão.
—Não tô te entendendo, amor. Já sou o corno do bairro.
—Não, não é.
—Te comem na academia, no ferragista e dois vizinhos do prédio.
—Pra virar o corno do bairro eu teria que te chifrar com todos os homens do bairro, não com oito ou dez... Além disso, é impossível saber onde O bairro começa e termina aqui.
Eu começava a desconfiar de algo.
—Numa cidade é a mesma coisa, amor… também não se sabe os limites dos bairros…
—Não, corno manso, que bairros nada! Quero que a gente vá pra uma cidade e que eu seja comida por todos os caras da cidade. Que toda vez que sairmos pra passear ou comprar um sorvete, todos — absolutamente todos — os caras que a gente cruzar me comam regularmente, e você finja que não sabe de nada.
Tem uma coisa que ainda não contei: eu e a Nati somos grandes jogadores. Com certeza os melhores da Argentina. Possivelmente entre os melhores da América Latina. Temos criatividade (eu mais que ela) e ousadia (ela mais que eu), e grana e tempo. Nos nossos anos juntos já cumprimos muitos jogos: o da remisería (um dia conto pra vocês), o do camping (um dia conto), o do ônibus de longa distância (um dia conto) e muitos outros. E a gente joga pra valer, até o fundo.
—Bebuchi — falei — adoro a ideia, mas é impossível. Não tem como você comer uma cidade inteira, e ainda por cima regularmente.
A Nati me olhou com carinha de menina, virou de novo de lado pra mostrar o que sabia que era minha fraqueza: a bunda perfeita e bem apertada.
—Não sei, corno, agora isso é problema seu. Eu sou a beleza e você o músculo, então se vira pra organizar.
Fiz um cálculo rápido das variáveis: grana e transporte não iam ser problemas; meu trampo, também não.
—É uma loucura, Nati, vamos ter que mudar de cidade…
Ela virou de novo, bum pra cima outra vez, com o celular na mão.
—Não é meu problema, amor. Eu vou continuar negociando com meu amiguinho novo.
Ela começou a olhar fotos de paus grandes de caras da cidade e eu fiquei fazendo carinho nela, ou seja, apalpando a rabeta dela e batendo uma punheta.
—É pra lá, corno.
Na frente dos outros, o apelido carinhoso dela pra mim era “papi”, “amor” ou coisa assim. Se a gente tava sozinho, “corno”, “corninho”, “cornudão”, “cuckhold”. Quando ela tava com as crises, me chamava de outros nomes.
Olhei “pra lá”. Não parecia diferente da solidão de qualquer outra direção. Mas obedeci. Um bom cuck sabe perfeitamente quando obedecer a sua mulher, do mesmo jeito que uma boa puta infiel sabe perfeitamente quando respeitar a vontade do seu cuck. Não andamos nem duzentos metros e vimos as primeiras casinhas.
—Tá ali! —gritou a Nati como se a gente tivesse achado o El Dorado—. Chegamos!
Esquece placa ou portal ou marco que dissesse “El Ensanche”. O povoado era tão mas tão pequeno que não tinha placa, nem praça principal, nem igreja, nem nada. Era um punhado de casas jogadas ao acaso, não mais de trinta, que se espalhavam em volta do estaleiro.
Chegamos com a caminhonete até a primeira quadra, onde se via só duas ou três casas aqui e ali, e daí outras quadras igualmente esparsas. Eram casinhas muito humildes. Não eram de madeira ou chapa, como as de uma favela, mas de concreto, com quintal e cerca. E, seja porque já era quase noite e a luz do céu apagava tudo ou porque o lugar realmente parecia pobre, tive uma primeira impressão meio deprimente, tipo um povoado mergulhado eternamente no inverno.
—Meu amor… —consultei ela—. A gente pode dar meia-volta agora mesmo se quiser.
—Cê tá louco, corno? É perfeito, embora eu ache meio pequeno. Vou te transformar no cuck do Povoado em menos de um mês!
Os verdadeiros problemas de me tornar O cuck do Povoado eram dois: o tamanho do povoado e a proporção masculina de habitantes. Um povoado tem milhares de habitantes; e num povoado pequeno, até num bem pequeno —digamos de apenas mil habitantes—, ainda é impossível conseguir comer todos os homens. A Nati não conseguiria manter relações estáveis com 500 caras, não teria oportunidade nem tempo físico. Por outro lado, a geografia apresenta os mesmos problemas que na cidade: ela poderia me fazer de corno manso habitual dos grupos sociais dela, mas sem acesso aos homens de vinte quarteirões além, com empregos sem nenhuma relação com a gente, era a mesma coisa.
Então eu tinha ido até a Nati com minha solução: vilarejos com cerca de cem habitantes. “Isso não é vila, não!”, ela reclamou. “Tecnicamente, é”, tentei convencê-la. “Arranja uma vila com mais homem pra mim, corno”, ela pediu sem rodeios.
— Quer dar uma volta pra ver as casas, antes de decidir se instalar?
— Não, chifrudo, vai ficar estranho… Além disso, já decidi: quero te transformar literalmente no corno manso do Ensanche, quero que cem por cento dos homens da vila me comam regularmente.
Não foi só pela bunda perfeita e pela beleza dela que eu me apaixonei. Também pela determinação, pelo compromisso e pela generosidade e sacrifício dela pra me fazer de corno. Ela sabia que em vilas como essas não tinha muitos homens jovens, do tipo que ela gostava. Que o mais provável era que a maioria fosse velho sem dente, ou quarentão fudido, gente descartada de outros lugares, sem chance nenhuma além de cair ali.
— Deve ser aquela — a Nati apontou pra uma casa igual às outras, baixa, cinza, retangular como uma caixa de sapato gigante, e com o mato da frente alto.
Passei com a caminhonete e virei na esquina, mais pra ver se via alguém pra perguntar, ou um comércio ou algo assim. Nada. A concha esmagada na terra arenosa do caminho rangeu debaixo dos pneus, e estacionei na frente do nosso novo lar. Mesmo sem placa com o nome da rua, o número da casa batia com o papelzinho que a imobiliária em Buenos Aires tinha nos dado.
Descemos. Eu com as chaves na mão, olhando em volta. A Natalia com uma jaquetinha curta que vestiu. na sequência, e que não cobria a bunda pintada pela legging que marcava tudo.
Entramos. A gente tinha alugado a casa mobiliada e era assim, embora com um gosto tão sem graça quanto o exterior. Pelo menos tinha aquecimento e uma TV, além dos dois quartos, a sala, o banheiro, e outro banheirinho e a lavanderia (no fundo), e a cozinha obrigatória. O lugar não era bonito, e comparado com nosso apartamento, era uma pocilga. Pensei que a Nati ia perder a vontade, mas ela tava exultante.
— Corno, esse vai ser nosso ninho de amor! A quantidade de punheta que você vai bater enquanto me comem todos!
Ouvir da boca dela como eu ia ser corno me fazia ficar duro sempre. Sempre.
— Amor, por que você não vai trazendo algumas malas enquanto eu vejo essa parada do gás, pra ligar o aquecedor e tal…? — falei, e encontrei e ligei os disjuntores da luz.
A Nati começou a bisbilhotar a casa e sentou e pulou dando sentadas na cama, testando.
— Porque esse é o trabalho do corno!
Uma caminhonete nova num povoado de 99 habitantes chama atenção na hora. A gente ouviu duas batidas na porta e uma voz rouca, de tabaco e álcool:
— Oi…?
Fomos com a Natalia ver, a putinha já arrumava os peitos e sorria. Lá na porta tava um velho de uns 65 anos, rústico, do interior, com roupa barata e barba de alguns dias. Tinha o nariz grande e o cabelo branco e ralo, e não conseguiu esconder o sorriso ao ver minha mina.
— Oi-oi… — falou meio sem jeito. Cumprimentou a gente dois mas os olhos iam pra ela. Não pra bunda, porque ela tava de frente, mas pro rosto dela. É que a Nati é muito gostosa. É uma mina na casa dos trinta e poucos, cabelo castanho claro quase loiro, branquinha, com cara de menina boazinha, de garota bem educada e criada, daquelas que se comportam e têm amigas mulheres. Mas quando sorri… Deus, quando sorri e aperta os olhos é a cara do demônio acendendo as caldeiras no inferno.
— Oi — respondeu a Nati, e sorriu.
—Sou… Sou seu Rogério… eu… moro aqui do lado e vi a caminhonete e…
—Oi, seu Rogério —cumprimentei todo simpático, apertando a mão dele—. Somos os novos vizinhos. Eu sou o Marcelo, e ela é a Natália —nos apresentamos, e quando Rogério foi dar a mão pra Nati, a gata se aproximou e deu um beijo nele. Vi a mão do velho recuar como se tivesse queimado quando a aproximação da minha namorada fez ele esbarrar sem querer num peito dela.
—Se falava na vila que vinham dois vizinhos, mas…
Seu Rogério ainda estava surpreso, até mesmo uns minutos depois quando convidamos ele pra entrar e batemos um papo.
—Não esperavam gente de Buenos Aires?
—Não, não é isso. Falaram que vocês vinham de lá, mas é que essa é uma vila que vive do estaleiro, e não tem nada de nada. Aqui só vêm homens pra trabalhar, quase todos sozinhos, nem trazem as famílias.
Enquanto seu Rogério batia papo com a gente na mesa da sala de estar-jantar, a Nati arrumava as coisas, as sacolas, e mexia nos armários e móveis. Vi o velho mais de uma vez olhando pra bunda dela disfarçadamente, toda vez que minha namorada se abaixava e exibia os encantos empinados.
—Ah, mas eu não vim trabalhar no estaleiro —esclareci—. Vou escrever um romance de suspense que se passa numa vila como essa, então vamos morar aqui uns meses.
Imaginei que minha desculpa ia soar excêntrica e render muitas perguntas, mas o velho não falou nada. É possível que estivesse distraído com o vai e vem da Nati. A verdade é que não sou romancista, nem estava escrevendo nada. Meu trabalho é outro, opero ações e títulos pra mim e pra terceiros, e enquanto tiver uma conexão de internet razoável, posso fazer isso de qualquer lugar do mundo.
Seu Rogério me ajudou com o gás, a pedido da Nati, que aproveitou pra soltar aquelas frases destinadas a mim.
—O senhor ajuda ele com o gás, seu Rogério? As coisas de homem não são com o meu namorado.
Rimos da brincadeira, mas olhei pra Natália com cara de repreensão. Minha namorada tinha mania de puxar a apertada demais, e eu costumava ser o oposto: muito medroso de que descobrissem nosso engano.
Antes da hora do jantar, já estavam em casa dom Rogelio e mais três vizinhos, que tinham vindo nos conhecer e dar as boas-vindas. Dois eram um casal de uns 55-60 anos, e o outro era um rapaz baixinho e largo, com cara de bonzinho, de uns 30 anos, muito humilde, que, coitado, não teve defesas contra as pernas da minha noiva, e ficou uma e outra vez em flagrante evidência.
Nossos vizinhos nos colocaram a par do funcionamento da vila. A fonte de tudo era o estaleiro. Todos ali trabalhavam para ele, direta ou indiretamente, exceto o Tune (dono do armazém), o Bagayero, que trazia o que fosse de outras vilas maiores, o açougueiro e o Santo, um brasileiro possivelmente fugido do país, que vivia fazendo bicos de eletricidade, gás, alvenaria ou o que fosse. O resto era umas 60 pessoas, quase todos homens, espalhados aleatoriamente em nove quarteirões. Havia um décimo quarteirão, colado ao estaleiro, que chamavam de As Quadrilhas. Lá a empresa tinha montado alojamentos onde abrigava a equipe de trabalhadores temporários, geralmente homens mais jovens que faziam serviços mais pesados.
Nati se mostrou muito interessada nas Quadrilhas, e eu comecei a sofrer de novo para que ela não evidenciasse nosso jogo. Vi seus olhinhos brilharem.
— Me conte mais sobre essas quadrilhas, dona Maria. Quantos homens têm? Eles vivem sozinhos?
A velha se surpreendeu com a pergunta sem noção, e eu incinerei minha noiva por ser tão impetuosa. Mesmo assim, saí em seu socorro.
— É que enquanto eu escrevo o romance, ela vai fazer comida caseira pra vender — falei, e peguei na mão da Nati, e ela e eu sorrimos um para o outro feito pombinhos. Isso nos divertia: nos fazer de apaixonados melosos, sabendo que ela vai me fazer ou já me faz de corno com algum dos presentes. — Assim ela se mantém ocupada e ajuda na economia da casa.
Dona Maria se aliviou.
— Claro, claro… Então nas Quadrilhas você vai com frequência. São todos Homens sozinhos, deve ter uns vinte ou vinte e cinco. É um alojamento com trinta camas, igualzinho quartel.
—Se não têm esposa, com certeza vão me chamar todo santo dia.
Dona Maria, o marido dela e o cara de bonzinho não desconfiaram de nada — como eu disse, minha Nati tem cara de anjo, quando quer —, mas eu vi os olhos de seu Rogélio, e vi como ele deu mais uma olhada completa, de cima a baixo, e soube que ia ser o primeiro chifre na minha testa, que ele ia comer ela no dia seguinte, sem mais nem menos.
No começo ela não tinha gostado que eu decidi procurar um povoado tão pequeno. Dizia que ela aguentava mais. Queria mais.
— Quero encher tua testa, meu amor… — ela se justificava.
Depois entendeu que, se ela realmente queria realizar a fantasia dela, aquela de TODO MUNDO virar amante fixo, tinha que manter um certo controle. E o controle vai se perdendo conforme mais gente participa sem saber do jogo (de qualquer jogo).——eu propus——Se for cem, calcula que cinquenta vão ser homens…
—Cinquenta é pouco, Cuerni. Eu aguento mais! Não confia em mim?
Confiava de sobra, mas não era essa a questão.
—Me escuta, love… vamos testar num povoado pequeno, faz o que eu digo… E se a gente se divertir, aí a gente parte pra um maior.
—Tá bom, mas um que tenha uma fábrica ou algo assim… com uma proporção maior de machos!
Descartamos um com curtume e outro com fábrica de papel, por causa do cheiro. Ficamos com três opções: com estaleiro, com serraria e com uma destilaria.
—O do estaleiro, sem dúvida! —decidiu Natália, e quando viu minha cara de não entender, explicou—: É onde vão fabricar os seus chifres.
Rimos. A gente sempre ria quando o assunto era chifre.
Ela não riu tanto quando eu disse que ela ia ter que fazer comida pra levar.
—Cê tá doido, Marce, não vou ficar cozinhando pra cidade inteira só pra te meter chifre.
—Não, boba, é só uma desculpa.
—Cuerni, eu te amo, mas inventa outra coisa. Não vou sair pra transar fedendo a comida. Se quiser, cozinha você e eu levo.
—Love, é só uma desculpa. A gente compra empada, congela e esquenta cinco minutos antes de você ir trepar. Confia em mim.
— Gostou de como ficou em mim, corneão? — e aparecia com uma fio dental preta super sexy, bem enterrada naquele rabão. Só de imaginar que algum sortudo da cidade podia estar aproveitando ela naquele mesmo dia, já me fez subir a pica.
Ela vestiu uma legging que marcava tudo, passou uma maquiagem leve, se perfumou, pegou uma cestinha de vime com flores que a dona Maria tinha trazido ontem à noite, e me deu dois beijinhos na testa, um em cada chifre.
— Vou agradecer as boas-vindas ao seu Rogério, amor. Se ouvir gritos ou sentir a testa queimando, já sabe…
— Nati, não exagera, não quero que saibam que eu sei.
— Relaxa, corno manso, quando foi que te deixei na mão?
Ela foi andando até a porta, rebolando aquela bunda linda, perfeita e minha, e saiu.
Seu Rogério é o vizinho do lado. “Do lado” aqui na cidade é um eufemismo, porque tem entre três e cinco casas por quadra. Mas ainda assim era perto. Me diz como é que um cara consegue trabalhar sabendo que a quarenta metros de distância podem estar comendo a sua mulher.
Fui pro quintal dos fundos pra ver se enxergava a casa ou uma janela, ou se ouvia alguma coisa. Impossível. Umas meia hora depois, ouvi a chave na porta, e a minha Nati entrou. Feliz. Radiante. Com uma luz diferente nela.
— Cuck, me beija! — ela ofegou, e se jogou em cima de mim com desespero.
A gente se beijou na boca, e o cheiro de sexo e gosto de porra era evidente. Tentei me afastar pra ela me contar, mas ela me segurou.
— Me beija, papai, me beija que engoli toda a goza!
A gente se beijou mais um pouco, eu tava com uma ereção que doía.
— Ele te comeu?
— Chupei ele. Foi muito excitante!
— O que aconteceu, amor? Me conta!
— Fui feito uma mocinha pra agradecer, e quando ele me viu sozinha, me fez entrar. Ele me devorava com os olhos, tu não tem ideia. A gente começou a conversar sobre a cidade, e o trabalho, e os homens, e a solidão…
— Ele partiu pra cima de você?
— Não, tive que dar uma avançada. Mas dava pra ver que ele tava Recaliente. Tava pegando fogo, entendeu?! Me virei com desculpas pra ele olhar minha bunda, ele falou umas vinte vezes como eu era gostosa e a sorte que você tinha, então numa dessas eu cheguei perto e falei que sorte nenhuma, que com você não transava há anos porque não sobe — nessa hora minha pica começou a pulsar, enquanto ela contava—. Fui beijar ele, um beijo só, e já peguei no volume dele… O pobre velho tava meio perdido, mas ia pra cima. Começou a me apalpar, nem acredita como ele meteu a mão na sua “bunda”, corno. Me bateu uma, bati uma pra ele. Mas falei que tinha que voltar, que quando seria melhor fazer, porque se alguém me visse entrar na casa dele e eu não saísse num tempo decente, ia ficar parecendo uma puta. Ele perguntou se você tirava sesta, falei que sim, e ele disse que aqui na cidade a sesta é sagrada, que se eu entrar na casa dele naquele horário ninguém vai saber. E de presentinho, fiz um boquete nele, pra ele saber o que espera.
Eu tava com a pica explodindo na calça. Abri o zíper e tirei minha pica.
— Como você chupou ele, amor? Me mostra.
Nati caiu na risada na minha cara.
— Ai, cuck, às vezes você é tão engraçado…
Ela me contou mais detalhes e eu fiquei de pau duro até a hora da sesta.
Duas da tarde, Nati tava pronta pra ir pro matadouro. Trocou a camiseta por uma de modal, super justa, e enfiou a legging de um jeito que entrou tudo na bunda dela e marcou a buceta de forma vulgar.
— Corno, vou estrear seus chifres. Nas próximas duas horas, vão me foder e gozar dentro de um jeito que você não consegue enquanto a gente tiver nessa cidade — Pegou as chaves, virou e mostrou a raba pra eu admirar: ela tinha uma bunda de secretária de televisão, desenhada pela legging que afundava entre as nádegas. Aproveitei pra apalpar ela, patético. Ela adorava me transformar no punheteiro particular dela—. Não quero que você goze sozinho, hein, cuck? Quero que você se masturbe enquanto o velho me fode. mas nada de porra.
E foi embora. E do quintal dos fundos eu espiei ela chegando na casa de seu Rogélio, e como a porta se abriu na hora e ela olhou pra um lado e pro outro vendo se ninguém via ela, e entrou.
Uma hora e meia só na punheta. Uma hora e meia do velho metendo a pica na minha mina, como se conhecesse ela há tempos, como se a gente tivesse mudado pra cá há anos e eu já fosse o corno da cidade.
Nati voltou mais exultante que ao meio-dia.
— Meu amor! — falou carinhosa e enchendo minha cara de beijinhos —. Já é oficialmente corno, amor! Já comeram sua mulherzinha!
Ela me arrastou pro quarto e se jogou na cama, com a calcinha nos tornozelos.
— Me limpa, chifrudo! — ordenou com as pernas abertas —. Começa a fazer a única coisa que sabe…
Eu mergulhei entre as pernas dela, e mesmo o cheiro sendo forte e horrível, puxei a tanga e comecei a devorar, enquanto ela contava como o velho inaugurou minha galhada na cidade.
“Seu Rogélio ainda tava meio com medo, até pensou que eu não voltaria na hora da sesta. Mas voltei com a desculpa dos dois anos sem dar, e o velho acabou me levando pro quartinho. Fui me despindo devagar, fazendo o showzinho pra ele, virando de costas pra ele ver bem a raba. A verdade é que o velho não me atrai muito, mas saber que você tava aqui pensando em como me comiam, e só na punheta, me deixava com o cu na mão.”
“Ele me comeu uma hora e quinze, parece que a porra do meio-dia fez bem. Não tem uma pica muito grande, mais ou menos normal, mas aguenta e sabe rebolar. Ficava atrás de mim e amassava minha bunda enquanto me comia pela buceta, e murmurava o tempo todo.”
“— Não é possível o que tô comendo… Não é possível o que tô comendo…”
“No meio da fodida, coloquei mais tesão, você me conhece. Ele me deixou de joelhos na cama com o tronco no colchão, me enfiando até o saco com picaços por trás.”
“— Ai, seu Rogélio, quanto tempo que não sentia isso…”
“E o velho me bombava mais” forte.”
“—É uma pena… Uma chininha gostosa como você devia se sentir mulher todo dia…”
“O velho já quer me comer de segunda a sexta. Não sei se ele vai aguentar o tranco, mas a ideia é que todos levem uns males regulares, pelo menos uma vez por semana.”
“Naquela hora e meia eu gozei duas vezes e ele uma, corno, não sei se conta como uma ou duas chifradas. Quando ele terminou de me foder e eu tava me trocando, fiz a santinha. Pedi pra ele, por favor, não contar pra ninguém, que eu não era de fazer essas coisas, mas que era mulher jovem e tinha necessidades. Ele acreditou, e eu falei que uma dessas sestas a gente tinha que repetir. E pedi pra ele me ajudar com a parada das empadas, me apresentar pra outros vizinhos e amigos pra eu poder oferecer empada delivery. Ele disse que não achava que ia dar certo aqui, mas que mesmo assim ia dar uma força.”
— Vizinhos! — gritou na porta de casa o seu Rogélio.
Saímos com a Nati feito dois recém-casados, de mãos dadas e bem agarradinhos. A Nati tinha trocado pra legging e regata, tão justinhas quanto as que usava na hora da sesta. Claro que a legging não estava tão enfiada assim. Foi engraçado ver o desespero na cara do seu Rogélio quando apertei a mão dele. Eu me divertia fazendo o papel de corno perfeito, sei que minha mina fica molhada toda vez que um macho dela fala comigo de igual pra igual na cara depois de ter comido ela. Seu Rogélio desviava o olhar de mim, e dessa vez não olhava tanto pra Nati.
— Seu Rogélio vai me dar uma força com a parada das empadas. Vai me apresentar pros vizinhos e assim eu conto pra eles o que faço. E vai dizer que provou as minhas.
— As empadas! — esclareceu alarmado o velho, de um jeito tão suspeito que, se eu não fosse o corno cúmplice que sou, minha mina estaria enrascada.
Era a hora de maior movimento no povoado — entre 6 e 7:30 —, e antes mesmo de chegar no armazém cruzamos com alguns vizinhos, que seu Rogélio nos apresentou bem cordialmente. Um foi "o doutor", um quarentão bem arrumado que comeu com os olhos a minha mina. Foi tão agressivo e escancarado o desejo dele pela Nati que comecei a endurecer o pau na hora, especialmente quando vi na minha mina uns gestos inequívocos de que ela também tinha gostado. A gente comentou sobre nós, sobre minha suposta novela e do empreendimento da Nati de cozinhar empanadas pra viagem. O doutor se interessou, disse desnecessariamente que morava sozinho e odiava cozinhar, e como a gente não tinha telefone fixo, a Nati passou o zap dele porque ia gerenciar todos os pedidos por lá. Era um eufemismo pra mim. Tava me dizendo que ia gerenciar todas as roçadas dela pelo zap.
Os outros vizinhos que nos apresentaram foram dois caras grandes, uma mulher na casa dos trinta e poucos.
—chamada Elizabeth—
com um moleque no colo e um marido na outra mão, e um velho da mesma idade que seu Rogério, claramente muito amigo dele e parceiro de putaria. Foi só ver ele falar e perceber que no que restava do dia, seu Rogério ia contar com todos os detalhes a trepada com a minha mina. Me perguntei então quem ia comer ela primeiro, se o doutor ou o amigo do seu Rogério.
Até que chegamos ao depósito. O depósito do Tune era tipo um galpão grande e alto, bem iluminado, cheio de prateleiras com mercadoria de todo tipo. Lembrava um pouco os supermercados chineses, mas não chegava a ser um minimercado. A primeira surpresa foi que o Tune não era da região. Chamavam ele de Tune, apelido de O Tunecino, porque veio da Tunísia nos anos 90. Era preto, uns 45 anos, corpo mediano e cara de esperto, daquele tipo de rua que você nunca vai enganar, dava pra ver nos olhos e no jeito que se movia entre os outros. Falava pouco.
No depósito tinha uma velha e um casal comprando, mas no caixa junto com o Tune estavam uns três ou quatro conterrâneos a mais, vagabundos que nem o preto, com certeza parceiros de pôquer, jogo ou putaria.
Eram de se temer, não no sentido de violência, mas sexual. Vou ser direto: um homem comum (não um corno como eu) que morasse nessa vila com uma mulher minimamente gostosa corria sérios riscos com esses caras por perto. Pensei na hora no casal com o menino que a gente tinha cruzado antes. A mulher não era feia, mais do tipo comum. A gravidez devia ter deixado ela com uns peitões bons e, por baixo dos pneuzinhos, ela tinha uma bunda bem comível, inchada, redonda. Me perguntei quantos e quais desses filhos da puta já tinham comido ela enquanto o corno tava no estaleiro. Ou se ainda tavam comendo.
Seu Rogélio nos apresentou pra pequena irmandade, e foi engraçado ver o esforço deles em disfarçar o interesse sexual que minha namorada despertou. Também o esforço pra parecer menos vagabundos do que eram. Não entenderam o empreendimento da Nati. Empadas pra viagem? Um deles morava com a mãe e zoou a ideia com uma piada. Não me preocupei, eles iam entender depois, ou iam vir com o fuxico: a puta das empadas leva o pedido na sua casa e deixa comer. Quem viu as oportunidades foi o preto, talvez mais acostumado com trocas sexuais por causa do negócio dele.
Minha princesa, num momento, fez uma das coisas que ela mais gosta. fazer na minha frente: se mostrar como um objeto de foda pra um bom macho. Ela se afastou dois passos pra olhar uns produtos de limpeza, pra que vissem ela toda, com aquelas leggings que desnudavam a perfeição dela. Ela se abaixou um pouco e os quatro vagabundos olharam pra bunda dela. Foi engraçado porque naquele momento eu tava comentando algo do meu romance e nenhum deles olhava na minha cara. Foi tão sem-vergonha que o Tune, mais esperto, apontou pro que supostamente a Nati tava olhando e disse: "são três pelo preço de dois", com isso legalizou olhar pra ela um bom tempo sem nenhum disfarce.
— Aqui tem tudo pras empanadas — me disse a Nati —. Vou ter que vir direto — Sempre me jogava esses comentários em código.
No meio da conversa e de uns vizinhos pagando e outros entrando, num momento minha mina ficou entre os vagabundos e eu, olhando na direção deles, de costas pra mim. Eu sei o quanto ela curte negão, sei da fraqueza dela por essas picas e o poder que eles têm sobre ela. E tenho certeza que ela olhou nos olhos do Tune e comeu ele com o olhar. Ela sempre faz isso quando quer dar pra um macho.
A gente ficou batendo papo por um bom tempo, não só com os vagabundos, mas também com os vizinhos que vinham comprar. A gente era a novidade num lugar sem novidades, então todo mundo nos dava boas-vindas, perguntava sobre a gente, sobre Buenos Aires, e nos convidava pras casas deles. Lá pras 19:30 eu me senti integrado na pequena comunidade, não digo como se tivesse nascido lá, mas bem à vontade e entre gente boa. Claro que uma grande parte de tanta simpatia era culpa da Nati. A bunda perfeita dela e as leggings de puta caíam bem pros homens, e a carinha de anjo e os modos doces, pras velhas.
À noite começaram a chegar os primeiros WhatsApps. A Nati tinha dado o número pra todo mundo, mas claro que as respostas cedo eram dos homens solteiros: o doutor, o Tune e os outros quatro vagabundos, e algum outro vizinho que o dom Rogelio tinha apresentado. Nenhum passou dos limites nem foi sem noção. Todo mundo perguntou detalhes sobre o sistema. Se eles tinham que ir buscar as empanadas ou se ela entregava em casa.
A Nati escrevia com um calor e uma certa malícia, e respondia pra todo mundo: “Isso como você quiser”, e assinava “Nati” com um coraçãozinho.
E enquanto eu me punhetava em cima da Booty da minha mina, ela, sem parar de trocar zap, me disse:
— Corninho, tenho certeza que amanhã começa a pedir. Limpa a testa aí que vou encher ela logo.
Dessa vez foi direto provocar. Saiu de casa às 12, que era a hora que o armazém fechava, e foi com um short curto (não de puta, mas curtinho), que marcava bem apertado a bunda dela e realçava as pernas. Não tinha ninguém no negócio, ela me disse, e assim que o Tune a viu, sexy e sozinha, ficou babando e começou a enche-la de elogios, falando que ela era uma senhora linda, que era fina, que sorte que o marido tinha, e todas essas coisas de manual. Nati é uma mulher que faz você notar claramente se ela tá a fim, e do negro ela tava a fim.
Trancaram a porta de vidro e colocaram a placa de fechado.
— O que cê tá fazendo, Tune? Não vai querer que a gente faça aqui. De fora dá pra ver tudo.
— Não, linda, vamos lá pra trás que tenho um lugar. Mas não se preocupa, até às quatro não tem uma alma na cidade.
Nati me disse que foi assim, fácil. Foi tão fácil que ela achou que tinha que se fazer de difícil, um pouco pra manter a farsa, e outro pouco por puro tesão. Com o shortinho nos tornozelos e o Tune apalpando a bunda dela e puxando a calcinha pra tirar, minha namorada — de repente — disse:
— Ah, não sei, Tune. Eu não sou de fazer essas coisas. Meu marido não merece isso…
— Vai, linda, dá pra ver que cê tá a fim… Além disso, com a cara que seu marido tem, deve fazer um ano que vocês não transam…
— Dois anos… — Nati pegou a rola dele por cima da cueca e suspirou. Uma rola grossa e grande, como convém a um bom negro —. Tá tão na cara assim?
O comentário foi ambíguo e o tunecino não pegou a deixa. Estavam num quartinho minúsculo improvisado no fundo do armazém. Tinha um colchãozinho velho de solteiro, jogado no chão, e um banho mínimo. Nati se perguntou quantas vizinhas da cidade o preto já teria comido ali mesmo.
—Tá na cara… Tá na cara dela —disse o Tune, sem dar mais detalhes, e enfiou um dedão na buceta, beijou o pescoço dela e apalpou um dos peitos.
Como estavam ajoelhados um de frente pro outro em cima do colchãozinho, minha namorada enfiou uma das mãos na cueca dele e pegou o pauzão que já começava a endurecer e engrossar.
—Deveria ir pra casa… —insistiu ela, e começou a bater uma punheta suave no pau do preto— Não quero chegar tarde e o Marce desconfiar…
—Relaxa, gostosa… com essa cara aí ele não vai desconfiar de nada…
Isso acendeu Nati, porque foi quase como dizer “com essa cara de corno”. Beijou o preto, pegou o pau com as duas mãos e se abaixou pra chupar ele igual a puta que ela é.
E um tempo depois, enquanto o preto enchia a buceta dela de pau e socava até matar ela no colchão, minha namorada, ofegante, quase gozando, toda puta, provocava:
—Que cara…? Que cara que o meu Marce deve ter agora, Tune…?
E o preto filho da puta, que devia estar vendo o próprio pau de um metro enterrando e saindo brilhando de dentro daquela puta, respondeu:
—Cara de corno, ele tem!
—Ele não sabe… Não sabe que tão comendo a mulher dele…
—Não sabe que eu tô enchendo ela de pau e que vou encher todo santo dia!
E a puta da minha namorada começou a gozar com essas palavras e com aquele pau dentro.
—Sim, sim, preto, me enche todo dia… Assim ele aprende, o cara de corno…
E o preto, que tava possuindo minha namorada por trás, segurando uma nádega com cada mão e empurrando o pau no meio, vendo aquela buceta apertada engolir o pau até o saco, se soltou.
—Vou gozar, meu amor! Deixo dentro…? —implorou.
—Cê tá limpinho? —teve a lucidez de perguntar Nati.
—Tô, meu amor, tô… Senão nem perguntava…
—Então me enche, Tune! Me enche de porra que eu levo pro corno!
O preto relaxou e a socada ficou mais violenta, mais selvagem. Nati sentiu o endurecimento e logo o chicote, e a buceta apertada inundando de porra.
—¡¡¡AHHHHHHHHHH…!!!
Por mais que a Nati pedisse “pro cuck”, o preto não se ligou mais nessa onda de tesão, só vivia pelo próprio orgasmo. Já ia se ligar mais pra frente.
Lá pra uma da tarde minha namorada voltou pra casa. Lá pra uma da tarde saiu do armazém, com a promessa de repetir a foda no dia seguinte, “na hora da sesta, que é quando o cuck tá dormindo”.
E foi nessa hora que a Nati, vindo pra casa, cruzou numa esquina no meio da cidade vazia, com a Elisabeth, a mulher de trinta e poucos anos que a gente tinha conhecido na tardezinha anterior, com o marido e o filhinho dela. Ela vinha como quem vem do açougue, com um saco de carne, mas uma hora depois de ter fechado. As duas mulheres se olharam. Numa esquina e num horário em que não deviam estar, com surpresa no rosto, com um pouco de medo. A Nati de shortinho, a outra de saia acima do joelho. Ambas com a cara e o cabelo de quem acabou de dar. Se cruzaram em silêncio, sabendo no que a outra tava.
Só que a Nati tava rindo quando me contou.
autor: rebeldeb
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