Os ventos do tempo sopram sem piedade em cada corpo, em cada vida, minuto a minuto, segundo a segundo.
Podemos tentar em vão resistir ou podemos nos entregar às suas carícias.
Já passados dos quarenta, nosso casamento está bem, mas cai em poços bem fundos de tédio. Queremos sair, ficar sozinhos, não nos ver, não transar. Outras vezes sim, mas não acontece com tanta frequência.
Para amenizar o vazio em nossas vidas, fomos buscando o que fazer. Eu me refugiando na escrita, vomito textos que às vezes publico aqui, outros lugares, alguns nunca veem a luz. É minha esperança na eternidade, que sei que está fadada ao fracasso.
Ela, nas aulas de teatro, encontrou a fuga da timidez. Novos amigos, novas experiências, o poder de encarar o público nessa relação tão erótica que rola entre quem está no palco e quem assiste.
Tudo começou como se fosse nada. Numa tarde qualquer de fim de semana, voltei mais cedo do que o combinado pra casa. Ela estava reunida com uma das colegas pra passar o texto de uma peça que estavam preparando. Entrei na sala e ouvi as vozes delas no quintal. Estavam meio exaltadas, discutindo sobre um cara em comum. O tom era arrogante, mas tinha um quê de putaria nos chifres compartilhados. O texto não era lá essas coisas, mas tava cheio de obscenidades e referências sexuais. Alma, minha mulher, era a amante; a colega dela, Vitória, a esposa. As duas competiam verbalmente sobre quem tinha feito o cara gozar mais. Sentei pra ouvir extasiado as imagens de sexo explícito que saíam da boca da minha esposa.
— Sei que você não chupa a rola direito, que morde ela, que tem um monte de frescura pra ficar com tesão. Viu, ser casada não te deixa mais próxima dele — disse Alma com um tom arrogante.
— E você, que tem que entregar a bunda pra ganhar um pouco de carinho... Patético e de puta barata — respondeu a outra.
— A bunda eu entrego porque eu gosto, sua frígida. Com certeza você não sabe o que é Gozando com o cu. Você não sabe aproveitar um rabo. Entender a beleza de uma pica grandona igual a do seu marido te furando a bunda e te fazendo gozar igual uma puta!
- Eu me excito com outras coisas, não preciso que enfiem a pica onde sai a merda.
- Merda é você, que tem um garanhão desse na cama e não tira a porra dele como ele merece!
E a conversa seguia depois por outros caminhos mais sensíveis e menos obscenos até terminar em amizade, as duas decidindo largar esse homem em comum e ir tomar uns drinks juntas. Eu, escondido, escutava sem elas perceberem.
O estranho do caso é que a Vitória é bem parecida fisicamente com a Alma. Um pouco mais velha, beirando os 50, talvez um pouco mais alta e de peitão grande, mas o jeito de andar, o corpo, o corte de cabelo, até o formato dos lábios é muito similar.
Espiei por uma janelinha que dá pro jardim e vi elas ensaiando. Como irmãs muito parecidas, discutiam um pouco aos gritos. Os gestos diziam que não concordavam, mas que se queriam bem. As palavras as separavam, mas os corpos se atraíam. Era estranho. Via elas interagindo e não conseguia parar de imaginá-las peladas numa cama, se pegando num beijo apaixonado e, somando à ideia de meter a pica no cu de qualquer uma delas, a piroca ficou dura igual um cacete.
Terminaram e riram juntas. Se abraçaram. E de repente, como se nada fosse, deram um selinho carinhoso. Só isso, não se tocaram nem nada. Um selinho e seguiram na delas como se nada. Os passarinhos da degeneração voavam soltos na minha cabeça. Corri pro banheiro bater uma punheta.
Quando voltei do banheiro, cumprimentei elas. Fiz que não tinha escutado nada. A Vitória tava indo embora, eu preparei um mate. Ofereci um que ela tomou meio na pressa. Vi os lábios carnudos dela e não conseguia parar de imaginá-los beijando os da minha mulher. Me deu um beijo estalado na bochecha e saiu quase correndo.
Na hora, a Ana foi tomar banho, parecia apressada pra entrar. ducha, ela quase nem reparou em mim.
Entrei atrás dela porque queria mijar. Ao abrir a porta, ouvi uma espécie de gemido atrás da cortina, debaixo do chuveiro. Depois, nada. Mijei no meio de um turbilhão de pensamentos quentes. Tinha certeza de que ela estava se tocando debaixo d'água e eu não sabia o que fazer. Saí, dei descarga e me sentei na sala de jantar, olhando para a porta do banheiro.
Esperei uns minutos e me mandei, tirando a roupa atrás da cortina fechada. Apareci na frente dela com o pau duro e a cara descontrolada de tesão. Ela me recebeu mostrando os peitos ensaboados. Nos beijamos. Nos beijamos muito e, aos poucos, ela foi se ajeitando com a buceta em cima do pau duro, se esfregando enquanto a língua dela percorria cada centímetro da minha boca. Estávamos os dois quentes. Senti ela quente nos meus braços, desejosa, com muita vontade de pau. De repente, virei ela. Ela apoiou as mãos nos azulejos roxos do chuveiro e me ofereceu a buceta, levantando um pouco a bunda e abrindo as pernas. Não precisei de lubrificação nenhuma. O porongo entrou de um só empurrão até o fundo da boceta dela. Ela gemeu fundo, jogando a cabeça para trás. Agarrei os peitos dela e comecei a bombar com toda a força. Ela pedia mais e mais. Com os peitos nas minhas mãos, via a bunda dela se mexer em círculos. O cu aparecia só um pouco. Comecei a massagear ele com o polegar da mão direita. Ela recebeu o carinho com gosto. Estranhamente com gosto, porque ela costuma ser bem ciumenta com o cu. Mas dessa vez não só aceitou como, no meio da foda, acompanhou meu dedo para dentro do cu dela com a própria mão.
— Vai, enfia devagarzinho. Passa um pouco de sabão e enfia. — ela disse, me alcançando um pote de sabão líquido. Joguei um jato no cu dela e empurrei com o polegar para dentro, sem parar de bombar com o pau.
— Isso, assim, devagar e pra dentro. Assim. — ela dizia entre gemidos, com a cara apoiada nos braços esticados contra os azulejos. azulejos.
Ficamos assim por mais uns momentos até que achei que ela já tinha dilatado o suficiente. Tirei ela da buceta e encostei na entrada do cu.
— Quer no cu? — perguntei umas mil vezes, esperando um "não" como quase sempre.
— Sim. — disse, pra minha surpresa. — Quero gozar pelo cu. — completou, mostrando que o texto com a amiga tinha esquentado ela e deixado ela com tesão.
Fui abrindo caminho no cu dela devagar. Acariciando o clitóris dela na frente com a mão direita enquanto isso. A bunda apertada dela me fazia ver estrelas. Ela se mexia em círculos, dando cada vez mais espaço pra minha pica. Eu não parava de bater punheta pra ela enquanto isso, e nossos gemidos ecoavam cada vez mais fortes nas paredes do banheiro da nossa casa. Continuei assim até que as bolas bateram na buceta dela. Deixei ela parada uns segundos pra se acostumar de vez com a pica dentro, e depois comecei a bombar. Ela se contorcia de prazer nas minhas mãos até que senti ela gozar barulhenta. Se separou um pouco rápido de mim, parecia que já tava doendo. Depois se ajoelhou na minha frente e disse:
— Goza na minha boca. Tira a pica e enche de porra. — enquanto lavava minha pica com sabão e enxaguava. Depois começou a chupar, acariciando minhas bolas também, até que a beleza do rosto dela com minha pica entre os lábios fez eu gozar dentro da boca dela. Ela sorriu com a porra escorrendo pelos cantos dos lábios.
Tomamos banho juntos depois de muito tempo e caímos exaustos, dormindo abraçados como namorados.
No dia seguinte, comecei a escrever uma pequena cena teatral entre duas mulheres, pensando na Alma e na Vitória. Esse é o texto:
Mariel está sozinha em casa, vestida só com uma camiseta comprida do Snoopy, descalça, sem calcinha e com o cabelo bagunçado. São 9 da manhã e o sol entra morno pela janela da cozinha. Ela tem uns 39 anos, é morena e tem o Pelo enrolado e bagunçado. As tetas grandes se movem livres por baixo do tecido da camiseta. Os bicos dos peitos estão duros.. Ela esfrega os olhos, está com sono. Enquanto prepara um café, a campainha do porteiro toca insistentemente três vezes.
- Quem é? - pergunta mal-humorada pela interrupção naquele pequeno lugar de paz que estava curtindo.
- Marucha, sou a Anita! Acorda, gata, que temos que entregar o projeto hoje!. -
Mariel segura a cabeça, irritada com o próprio esquecimento.
- Sobe. - diz apertando o botão que abre a porta da entrada. Pendura o fone no lugar e vai pro quarto. Tá tudo bagunçado. Ela só consegue pegar uma legging curtinha que veste atrapalhada enquanto começam a bater na porta do apartamento.
- Que intensidade, Ani! - grita de dentro enquanto procura as chaves pra abrir. Acha as chaves e, como um furacão, Anita entra. Ela tem uns anos a mais que Mariel, é da mesma altura. Cabelo comprido preso num coque arrumadinho no topo da cabeça. Tá usando umas plataformas enormes e um vestido-tipo-tailleur bem curto. Joga os papéis que trouxe nos braços em cima da mesa da sala. Dá um beijo estalado na bochecha esquerda dela. Depois olha Mariel de cima a baixo.
- Que bagaço, pelo amor de Deus! - Não é à toa que você não arruma namorado, gata, se acorda assim espanta os caras depois da primeira trepada. - E sentou na mesa, abrindo pastas e um notebook pequeno branco com uma butty na tampa.
- Que intensidade, Anita! Para um pouco que ainda não tomei café. - Repete Mariel e vai pra cozinha terminar de preparar o café.
- Saiu com o Sérgio ontem? - pergunta Anita.
- Não, nada a ver. -
- Qual é, tá pelada, acabou de acordar às 9:30 e com essa cara de satisfação... Não me engana. - diz Anita sem parar de digitar no computador.
- Não saí com o Sérgio. Não significa que não tenha saído... - responde Mariel, misteriosa, da cozinha.
- E com quem então? Não para nunca, gata. É O terror do Tinder!
- Tô sozinha, deixa eu aproveitar, Anita. Você não sabe como é bom ficar sem aquele babaca. Kkkkk.
- É verdade, é mais inveja que outra coisa. E com quem, então?
- Melhor eu te contar mais tarde, é um pouco pesado e a gente precisa terminar isso hoje. – continua enigmática a Mariel.
- Fala, você me conhece e sabe que eu trouxe tudo pronto. Deixei dois parágrafos no final pra você fazer alguma coisa. Em observação ninguém me ganha. Fala logo, Marucha, solta de uma vez.
Mariel, com a xícara de café entre as duas mãos, caminha devagar, pisando firme com os pés descalços no tapete meio gasto do apartamento. Senta-se cerimoniosamente e, prestes a soltar tudo, faz um gesto de negação.
- Não, melhor deixar. Não sei qual é a onda e tô com um pouco de vergonha.
- Fala, se você já me contou que comeu meio Mar del Plata! É alguém do trampo? Não vai me dizer que pegou o Fran?
Mariel riu, soltando uma gargalhada e uma careta de nojo. Tomou um gole longo de café com leite e continuou com o olhar fixo na janela.
- Ok, você é uma merda, mas te perdoo porque é minha amiga. Termina essa porcaria você. No final, é sempre a mesma coisa: eu faço todo o trabalho e você coloca o ponto final e ainda sai como a queridinha.
Mariel se levantou e colocou um disco de vinil no toca-discos largado no chão. Começou a tocar uma música calma de uma banda inglesa. Elas conversaram um pouco sobre o trabalho, mexeram em alguns papéis e, meia hora depois, tinham terminado. Era verdade que a Anita tinha feito 95% antes.
- E...? – voltou a perguntar Anita.
- É que não sei como te contar. Tô com vergonha...
- Eita, tão feio assim? O cara era tão horrível? O que aconteceu?
- É que... não era um cara, Anita... – disse Mariel com os olhos fixos no chão e a xícara de café entre as mãos.
Fez-se um silêncio meio desconfortável. Anita olhava para ela, estranhando, como se não entendesse aquilo que entendia perfeitamente, mas não conseguia acreditar.
- Como assim, não era um cara?
- Não era um cara, gata. Tinha peitos, cabelo... longo e se chamava Analía. Não era o tipo da Anita. — Nesse momento, Mariel levantou o olhar e cravou nos olhos espantados da amiga. Um sorriso daqueles que brotam espontaneamente iluminou o rosto dela na hora. Anita ficou quieta e começou a rir junto com ela.
— Que nojo, Marucha! Sério? Como foi, onde, tirou ela do Tinder? Não acredito! Sério, não me enche, Marucha, olha que somos amigas há vinte anos... Sério? Você gostou, vai, me conta tudo. Gostou mesmo?
— É estranho, Anita, sei lá. É diferente, muito diferente. A pele, o jeito de beijar, as mãos.
— Não fez sexo oral nela, né? — Disse Anita quando a ideia passou pela cabeça dela e ela não conseguiu segurar uma careta de nojo.
Mariel aumentou ainda mais o sorriso que não conseguia disfarçar. Olhando lá fora pela janela do apartamento, lembrou do gosto dos fluidos da Analía entre os lábios.
— Sim, e adorei.
— Nãaaaaao. Não, Maruchi, você não pode. Não seja nojenta. Sério? — Anita se levantou e ficou andando em círculos como uma desesperada em volta da mesa da sala. Mariel olhava divertida enquanto ela fazia um esforço sobre-humano pra entender o que tava ouvindo.
— Sim. É tudo tão macio. Não sei como explicar. Me explodiu a cabeça, Anita. É outro mundo. Macio, delicado, sem pressa. Não querem te arrebentar o cu na primeira oportunidade, sei lá, é outra parada.
— É estranho pra mim, minha filha. Entende que você não pode virar sapatão do dia pra noite.
— É que não me sinto sapatão, Anita. É outra coisa. A *young lady* me abordou e tava meio bêbada e eu me deixei levar e uma coisa levou à outra e de repente já fazia umas duas horas que a gente tava conversando e sem dizer nada ela me arrebentou a boca com um beijo no meio do bar e foi como se eu visse estrelas. E de repente me vi pelada com ela aqui na cama e era como tocar o céu com as mãos. Sei lá se sou bicha ou não.
— Me deixou sem palavras. Em que bar?
— No Orlando. Saí com as meninas da yoga e me deixaram sozinha cedo e eu tava tomando uma Trouxe ela antes de vir dormir e ela me encarou no balcão.
- E você trouxe ela pra cá? Você é terrível.
- E o que você queria que eu fizesse? Se ela mora com os pais...
- Para, para, para. Quantos anos ela tem?
- Ela me disse 20, mas podia ser menos.
- Que filha da puta. Não dá. E ainda por cima uma guria!
- É, você não sabe da pele, Anita. Tudo no lugar. A inveja que eu sentia. Os peitos empinados, a bunda no lugar. Nem um pingo de gordura na barriga. Uma beleza. O mais lindo de tudo é que foi natural. Sem rodeios nem nada. Pele, beijos. Depois a gente conversou até amanhecer e ela foi embora.
- E... como foi?
- Já te falei, me encarou no balcão do Orlando enquanto eu tomava um gim tônico.
- Não, como foi na cama?
Mariel começou a rir meio nervosa.
- Como, como foi na cama?
- É, gata. Sei lá, quem fez de homem, não sei. O que vocês fazem? Metem os dedos?
- Ah, então a nojenta sou eu. Olha como você gosta de saber detalhezinhos... Você é uma pervertida, Anita.
- O que você quer, me dá vontade de saber.
- Ninguém faz de homem porque não tem homem, Anita. São duas mulheres gozando como mulheres. Por isso, beijos, carícias, muita pele. Beijos.
- E dedos?
- Para com os dedos, gata! Sim, ela enfiou três dedos e me fez gozar como você não imagina.
Anita ficou calada uns segundos, pensativa.
- Você gozou assim?
- Sim, mas de um jeito completamente diferente. Mais suave, com carinho, eu diria.
- Não consigo imaginar, isso não rola comigo.
- Nunca passou pela sua cabeça?
- Fazer assim como você, não. Mas sim, na academia e tal, às vezes vejo as garotas peladas e sinto alguma coisa. Mas não pra me deitar com uma gatinha.
- Eu também nunca tinha pensado nisso, mas, sabe como é. Os caminhos da vida...
Mariel cantou um pedaço da música do Vicentico enquanto se levantava e, dançando, foi pra cozinha deixar a xícara vazia de café.
- Quer um?
Anita se levantou e caminhou até a cozinha atrás de Mariel. Viu ela meio radiante, com o cabelo bagunçado e de legging. metida entre as nádegas, de um jeito que dava pra ver que não tava de calcinha. Parou atrás dela enquanto ela lavava a caneca na pia. Hesitando, disse:
— Na real, até passou pela minha cabeça sim. Um monte de vezes e nunca consegui falar. —
Mariel se virou e, apoiando as mãos na pia, se preparou pra ouvir divertida a confissão da amiga, tão certinha que era.
— É? Pra tanto assim? —
— Mil vezes, Maruchi. Me imaginei mil vezes com uma gostosa. Fiquei com tesão um monte de vezes. Me acabei na siririca, na real. Mas sempre com a mesma. —
— É? Com quem? —
— Com você, Marucha. — E sem dizer mais nada, quase se jogou em cima da amiga, que foi pega de surpresa.
Anita enfiou fundo a língua na boca de Mariel, que, meio surpresa, se deixou levar. Sentiu a respiração ofegante de Anita e as mãos dela procurando os peitos nus por baixo da camiseta.
— Calma, Anita. Calma. Melhor a gente ir pra cama.
Fim.
Acelerei o ponto final porque já não aguentava mais o tesão. Agarrei minha rola que escorria gotinhas de porra. As bolas tavam prestes a estourar. Tudo era tesão no meu cérebro. A imagem da minha mulher e Vitória se beijando no final dessas linhas me deixava louco. Gozei na minha mão e dois jatos grossos no chão. Me joguei pra trás na cadeira do computador. Pensei num jeito de mostrar pra Alma.
Passou um mês, a exposição onde apresentaram a cena que presenciei em casa e várias semanas longas que pareceram voar no meio da roda da vida que continuava correndo sem sentido como sempre.
Até que um dia, conversando sobre qualquer coisa e enquanto tomávamos a segunda garrafa de vinho branco daquele sábado de jantar juntos, criei coragem.
A conversa rolava sobre literatura. Não sei por que ela puxou o assunto de Cinquenta Tons de Cinza e a gente começou a rir da literatura erótica. Dos clichês que costumam ter nela e que é preciso manter um equilíbrio fino entre fantasia, sacanagem e explícito pra conseguir excitar. Ela dizia que A literatura erótica funcionava muito melhor com as mulheres do que com os homens. Ela ria, nos acusando de ser muito punheteiros e tarados pra aguentar mais de duas páginas sem gozar.
Criei coragem e contei, meio como uma confissão, que às vezes eu escrevia textos sexuais. Que era uma coisa minha, de tarado e punheteiro como ela dizia, mas que já que tava nessa, seria legal ela ler alguma coisa.
A Alma achou extremamente divertido e até me deu uma vergonha o tom meio debochado que ela usava pra falar comigo.
Mesmo assim, abri o computador e deixei ela sozinha com meu texto onde eu imaginava ela transando com a amiga Victoria.
Sentados um de frente pro outro na mesa da cozinha, eu via ela ler e tomar uns goles de vinho enquanto fazia isso. O silêncio me matava e o rosto dela não deixava escapar nenhuma expressão. Parecia ir e vir pelos parágrafos, subindo e descendo o texto no Word aberto.
Finalmente, ela terminou. Levantou a taça e brindou comigo.
— É lindo. — falou, me olhando nos olhos.
— Não sabia dos seus dotes pornográficos. — e riu. Depois se levantou, deu a volta na mesa e montou em mim, me dando um beijo longo e quente. Puxou a calcinha pro lado, eu abri a braguilha como pude e ela enfiou a pica, cavalgando gostoso. Depois me ofereceu os peitos pra eu chupar, sem parar de subir e descer com a pica enfiada. Assim por uns longos minutos, onde várias coisas caíram de cima da mesa, até que gozamos juntos, exaustos.
Ela me deu um selinho e me convidou pra cama. Deitamos assim mesmo, sem nos despir, em cima da colcha.
Os dois de barriga pra cima, um do lado do outro, em silêncio.
— Isso você escreveu pensando em mim e na Victoria, né? — perguntou de repente.
— A verdade é que sim. — não conseguia mentir pra ela.
— Tem uma coisa que preciso te contar sobre a Victoria e eu.
FIM.
Podemos tentar em vão resistir ou podemos nos entregar às suas carícias.
Já passados dos quarenta, nosso casamento está bem, mas cai em poços bem fundos de tédio. Queremos sair, ficar sozinhos, não nos ver, não transar. Outras vezes sim, mas não acontece com tanta frequência.
Para amenizar o vazio em nossas vidas, fomos buscando o que fazer. Eu me refugiando na escrita, vomito textos que às vezes publico aqui, outros lugares, alguns nunca veem a luz. É minha esperança na eternidade, que sei que está fadada ao fracasso.
Ela, nas aulas de teatro, encontrou a fuga da timidez. Novos amigos, novas experiências, o poder de encarar o público nessa relação tão erótica que rola entre quem está no palco e quem assiste.
Tudo começou como se fosse nada. Numa tarde qualquer de fim de semana, voltei mais cedo do que o combinado pra casa. Ela estava reunida com uma das colegas pra passar o texto de uma peça que estavam preparando. Entrei na sala e ouvi as vozes delas no quintal. Estavam meio exaltadas, discutindo sobre um cara em comum. O tom era arrogante, mas tinha um quê de putaria nos chifres compartilhados. O texto não era lá essas coisas, mas tava cheio de obscenidades e referências sexuais. Alma, minha mulher, era a amante; a colega dela, Vitória, a esposa. As duas competiam verbalmente sobre quem tinha feito o cara gozar mais. Sentei pra ouvir extasiado as imagens de sexo explícito que saíam da boca da minha esposa.
— Sei que você não chupa a rola direito, que morde ela, que tem um monte de frescura pra ficar com tesão. Viu, ser casada não te deixa mais próxima dele — disse Alma com um tom arrogante.
— E você, que tem que entregar a bunda pra ganhar um pouco de carinho... Patético e de puta barata — respondeu a outra.
— A bunda eu entrego porque eu gosto, sua frígida. Com certeza você não sabe o que é Gozando com o cu. Você não sabe aproveitar um rabo. Entender a beleza de uma pica grandona igual a do seu marido te furando a bunda e te fazendo gozar igual uma puta!
- Eu me excito com outras coisas, não preciso que enfiem a pica onde sai a merda.
- Merda é você, que tem um garanhão desse na cama e não tira a porra dele como ele merece!
E a conversa seguia depois por outros caminhos mais sensíveis e menos obscenos até terminar em amizade, as duas decidindo largar esse homem em comum e ir tomar uns drinks juntas. Eu, escondido, escutava sem elas perceberem.
O estranho do caso é que a Vitória é bem parecida fisicamente com a Alma. Um pouco mais velha, beirando os 50, talvez um pouco mais alta e de peitão grande, mas o jeito de andar, o corpo, o corte de cabelo, até o formato dos lábios é muito similar.
Espiei por uma janelinha que dá pro jardim e vi elas ensaiando. Como irmãs muito parecidas, discutiam um pouco aos gritos. Os gestos diziam que não concordavam, mas que se queriam bem. As palavras as separavam, mas os corpos se atraíam. Era estranho. Via elas interagindo e não conseguia parar de imaginá-las peladas numa cama, se pegando num beijo apaixonado e, somando à ideia de meter a pica no cu de qualquer uma delas, a piroca ficou dura igual um cacete.
Terminaram e riram juntas. Se abraçaram. E de repente, como se nada fosse, deram um selinho carinhoso. Só isso, não se tocaram nem nada. Um selinho e seguiram na delas como se nada. Os passarinhos da degeneração voavam soltos na minha cabeça. Corri pro banheiro bater uma punheta.
Quando voltei do banheiro, cumprimentei elas. Fiz que não tinha escutado nada. A Vitória tava indo embora, eu preparei um mate. Ofereci um que ela tomou meio na pressa. Vi os lábios carnudos dela e não conseguia parar de imaginá-los beijando os da minha mulher. Me deu um beijo estalado na bochecha e saiu quase correndo.
Na hora, a Ana foi tomar banho, parecia apressada pra entrar. ducha, ela quase nem reparou em mim.
Entrei atrás dela porque queria mijar. Ao abrir a porta, ouvi uma espécie de gemido atrás da cortina, debaixo do chuveiro. Depois, nada. Mijei no meio de um turbilhão de pensamentos quentes. Tinha certeza de que ela estava se tocando debaixo d'água e eu não sabia o que fazer. Saí, dei descarga e me sentei na sala de jantar, olhando para a porta do banheiro.
Esperei uns minutos e me mandei, tirando a roupa atrás da cortina fechada. Apareci na frente dela com o pau duro e a cara descontrolada de tesão. Ela me recebeu mostrando os peitos ensaboados. Nos beijamos. Nos beijamos muito e, aos poucos, ela foi se ajeitando com a buceta em cima do pau duro, se esfregando enquanto a língua dela percorria cada centímetro da minha boca. Estávamos os dois quentes. Senti ela quente nos meus braços, desejosa, com muita vontade de pau. De repente, virei ela. Ela apoiou as mãos nos azulejos roxos do chuveiro e me ofereceu a buceta, levantando um pouco a bunda e abrindo as pernas. Não precisei de lubrificação nenhuma. O porongo entrou de um só empurrão até o fundo da boceta dela. Ela gemeu fundo, jogando a cabeça para trás. Agarrei os peitos dela e comecei a bombar com toda a força. Ela pedia mais e mais. Com os peitos nas minhas mãos, via a bunda dela se mexer em círculos. O cu aparecia só um pouco. Comecei a massagear ele com o polegar da mão direita. Ela recebeu o carinho com gosto. Estranhamente com gosto, porque ela costuma ser bem ciumenta com o cu. Mas dessa vez não só aceitou como, no meio da foda, acompanhou meu dedo para dentro do cu dela com a própria mão.
— Vai, enfia devagarzinho. Passa um pouco de sabão e enfia. — ela disse, me alcançando um pote de sabão líquido. Joguei um jato no cu dela e empurrei com o polegar para dentro, sem parar de bombar com o pau.
— Isso, assim, devagar e pra dentro. Assim. — ela dizia entre gemidos, com a cara apoiada nos braços esticados contra os azulejos. azulejos.
Ficamos assim por mais uns momentos até que achei que ela já tinha dilatado o suficiente. Tirei ela da buceta e encostei na entrada do cu.
— Quer no cu? — perguntei umas mil vezes, esperando um "não" como quase sempre.
— Sim. — disse, pra minha surpresa. — Quero gozar pelo cu. — completou, mostrando que o texto com a amiga tinha esquentado ela e deixado ela com tesão.
Fui abrindo caminho no cu dela devagar. Acariciando o clitóris dela na frente com a mão direita enquanto isso. A bunda apertada dela me fazia ver estrelas. Ela se mexia em círculos, dando cada vez mais espaço pra minha pica. Eu não parava de bater punheta pra ela enquanto isso, e nossos gemidos ecoavam cada vez mais fortes nas paredes do banheiro da nossa casa. Continuei assim até que as bolas bateram na buceta dela. Deixei ela parada uns segundos pra se acostumar de vez com a pica dentro, e depois comecei a bombar. Ela se contorcia de prazer nas minhas mãos até que senti ela gozar barulhenta. Se separou um pouco rápido de mim, parecia que já tava doendo. Depois se ajoelhou na minha frente e disse:
— Goza na minha boca. Tira a pica e enche de porra. — enquanto lavava minha pica com sabão e enxaguava. Depois começou a chupar, acariciando minhas bolas também, até que a beleza do rosto dela com minha pica entre os lábios fez eu gozar dentro da boca dela. Ela sorriu com a porra escorrendo pelos cantos dos lábios.
Tomamos banho juntos depois de muito tempo e caímos exaustos, dormindo abraçados como namorados.
No dia seguinte, comecei a escrever uma pequena cena teatral entre duas mulheres, pensando na Alma e na Vitória. Esse é o texto:
Mariel está sozinha em casa, vestida só com uma camiseta comprida do Snoopy, descalça, sem calcinha e com o cabelo bagunçado. São 9 da manhã e o sol entra morno pela janela da cozinha. Ela tem uns 39 anos, é morena e tem o Pelo enrolado e bagunçado. As tetas grandes se movem livres por baixo do tecido da camiseta. Os bicos dos peitos estão duros.. Ela esfrega os olhos, está com sono. Enquanto prepara um café, a campainha do porteiro toca insistentemente três vezes.
- Quem é? - pergunta mal-humorada pela interrupção naquele pequeno lugar de paz que estava curtindo.
- Marucha, sou a Anita! Acorda, gata, que temos que entregar o projeto hoje!. -
Mariel segura a cabeça, irritada com o próprio esquecimento.
- Sobe. - diz apertando o botão que abre a porta da entrada. Pendura o fone no lugar e vai pro quarto. Tá tudo bagunçado. Ela só consegue pegar uma legging curtinha que veste atrapalhada enquanto começam a bater na porta do apartamento.
- Que intensidade, Ani! - grita de dentro enquanto procura as chaves pra abrir. Acha as chaves e, como um furacão, Anita entra. Ela tem uns anos a mais que Mariel, é da mesma altura. Cabelo comprido preso num coque arrumadinho no topo da cabeça. Tá usando umas plataformas enormes e um vestido-tipo-tailleur bem curto. Joga os papéis que trouxe nos braços em cima da mesa da sala. Dá um beijo estalado na bochecha esquerda dela. Depois olha Mariel de cima a baixo.
- Que bagaço, pelo amor de Deus! - Não é à toa que você não arruma namorado, gata, se acorda assim espanta os caras depois da primeira trepada. - E sentou na mesa, abrindo pastas e um notebook pequeno branco com uma butty na tampa.
- Que intensidade, Anita! Para um pouco que ainda não tomei café. - Repete Mariel e vai pra cozinha terminar de preparar o café.
- Saiu com o Sérgio ontem? - pergunta Anita.
- Não, nada a ver. -
- Qual é, tá pelada, acabou de acordar às 9:30 e com essa cara de satisfação... Não me engana. - diz Anita sem parar de digitar no computador.
- Não saí com o Sérgio. Não significa que não tenha saído... - responde Mariel, misteriosa, da cozinha.
- E com quem então? Não para nunca, gata. É O terror do Tinder!
- Tô sozinha, deixa eu aproveitar, Anita. Você não sabe como é bom ficar sem aquele babaca. Kkkkk.
- É verdade, é mais inveja que outra coisa. E com quem, então?
- Melhor eu te contar mais tarde, é um pouco pesado e a gente precisa terminar isso hoje. – continua enigmática a Mariel.
- Fala, você me conhece e sabe que eu trouxe tudo pronto. Deixei dois parágrafos no final pra você fazer alguma coisa. Em observação ninguém me ganha. Fala logo, Marucha, solta de uma vez.
Mariel, com a xícara de café entre as duas mãos, caminha devagar, pisando firme com os pés descalços no tapete meio gasto do apartamento. Senta-se cerimoniosamente e, prestes a soltar tudo, faz um gesto de negação.
- Não, melhor deixar. Não sei qual é a onda e tô com um pouco de vergonha.
- Fala, se você já me contou que comeu meio Mar del Plata! É alguém do trampo? Não vai me dizer que pegou o Fran?
Mariel riu, soltando uma gargalhada e uma careta de nojo. Tomou um gole longo de café com leite e continuou com o olhar fixo na janela.
- Ok, você é uma merda, mas te perdoo porque é minha amiga. Termina essa porcaria você. No final, é sempre a mesma coisa: eu faço todo o trabalho e você coloca o ponto final e ainda sai como a queridinha.
Mariel se levantou e colocou um disco de vinil no toca-discos largado no chão. Começou a tocar uma música calma de uma banda inglesa. Elas conversaram um pouco sobre o trabalho, mexeram em alguns papéis e, meia hora depois, tinham terminado. Era verdade que a Anita tinha feito 95% antes.
- E...? – voltou a perguntar Anita.
- É que não sei como te contar. Tô com vergonha...
- Eita, tão feio assim? O cara era tão horrível? O que aconteceu?
- É que... não era um cara, Anita... – disse Mariel com os olhos fixos no chão e a xícara de café entre as mãos.
Fez-se um silêncio meio desconfortável. Anita olhava para ela, estranhando, como se não entendesse aquilo que entendia perfeitamente, mas não conseguia acreditar.
- Como assim, não era um cara?
- Não era um cara, gata. Tinha peitos, cabelo... longo e se chamava Analía. Não era o tipo da Anita. — Nesse momento, Mariel levantou o olhar e cravou nos olhos espantados da amiga. Um sorriso daqueles que brotam espontaneamente iluminou o rosto dela na hora. Anita ficou quieta e começou a rir junto com ela.
— Que nojo, Marucha! Sério? Como foi, onde, tirou ela do Tinder? Não acredito! Sério, não me enche, Marucha, olha que somos amigas há vinte anos... Sério? Você gostou, vai, me conta tudo. Gostou mesmo?
— É estranho, Anita, sei lá. É diferente, muito diferente. A pele, o jeito de beijar, as mãos.
— Não fez sexo oral nela, né? — Disse Anita quando a ideia passou pela cabeça dela e ela não conseguiu segurar uma careta de nojo.
Mariel aumentou ainda mais o sorriso que não conseguia disfarçar. Olhando lá fora pela janela do apartamento, lembrou do gosto dos fluidos da Analía entre os lábios.
— Sim, e adorei.
— Nãaaaaao. Não, Maruchi, você não pode. Não seja nojenta. Sério? — Anita se levantou e ficou andando em círculos como uma desesperada em volta da mesa da sala. Mariel olhava divertida enquanto ela fazia um esforço sobre-humano pra entender o que tava ouvindo.
— Sim. É tudo tão macio. Não sei como explicar. Me explodiu a cabeça, Anita. É outro mundo. Macio, delicado, sem pressa. Não querem te arrebentar o cu na primeira oportunidade, sei lá, é outra parada.
— É estranho pra mim, minha filha. Entende que você não pode virar sapatão do dia pra noite.
— É que não me sinto sapatão, Anita. É outra coisa. A *young lady* me abordou e tava meio bêbada e eu me deixei levar e uma coisa levou à outra e de repente já fazia umas duas horas que a gente tava conversando e sem dizer nada ela me arrebentou a boca com um beijo no meio do bar e foi como se eu visse estrelas. E de repente me vi pelada com ela aqui na cama e era como tocar o céu com as mãos. Sei lá se sou bicha ou não.
— Me deixou sem palavras. Em que bar?
— No Orlando. Saí com as meninas da yoga e me deixaram sozinha cedo e eu tava tomando uma Trouxe ela antes de vir dormir e ela me encarou no balcão.
- E você trouxe ela pra cá? Você é terrível.
- E o que você queria que eu fizesse? Se ela mora com os pais...
- Para, para, para. Quantos anos ela tem?
- Ela me disse 20, mas podia ser menos.
- Que filha da puta. Não dá. E ainda por cima uma guria!
- É, você não sabe da pele, Anita. Tudo no lugar. A inveja que eu sentia. Os peitos empinados, a bunda no lugar. Nem um pingo de gordura na barriga. Uma beleza. O mais lindo de tudo é que foi natural. Sem rodeios nem nada. Pele, beijos. Depois a gente conversou até amanhecer e ela foi embora.
- E... como foi?
- Já te falei, me encarou no balcão do Orlando enquanto eu tomava um gim tônico.
- Não, como foi na cama?
Mariel começou a rir meio nervosa.
- Como, como foi na cama?
- É, gata. Sei lá, quem fez de homem, não sei. O que vocês fazem? Metem os dedos?
- Ah, então a nojenta sou eu. Olha como você gosta de saber detalhezinhos... Você é uma pervertida, Anita.
- O que você quer, me dá vontade de saber.
- Ninguém faz de homem porque não tem homem, Anita. São duas mulheres gozando como mulheres. Por isso, beijos, carícias, muita pele. Beijos.
- E dedos?
- Para com os dedos, gata! Sim, ela enfiou três dedos e me fez gozar como você não imagina.
Anita ficou calada uns segundos, pensativa.
- Você gozou assim?
- Sim, mas de um jeito completamente diferente. Mais suave, com carinho, eu diria.
- Não consigo imaginar, isso não rola comigo.
- Nunca passou pela sua cabeça?
- Fazer assim como você, não. Mas sim, na academia e tal, às vezes vejo as garotas peladas e sinto alguma coisa. Mas não pra me deitar com uma gatinha.
- Eu também nunca tinha pensado nisso, mas, sabe como é. Os caminhos da vida...
Mariel cantou um pedaço da música do Vicentico enquanto se levantava e, dançando, foi pra cozinha deixar a xícara vazia de café.
- Quer um?
Anita se levantou e caminhou até a cozinha atrás de Mariel. Viu ela meio radiante, com o cabelo bagunçado e de legging. metida entre as nádegas, de um jeito que dava pra ver que não tava de calcinha. Parou atrás dela enquanto ela lavava a caneca na pia. Hesitando, disse:
— Na real, até passou pela minha cabeça sim. Um monte de vezes e nunca consegui falar. —
Mariel se virou e, apoiando as mãos na pia, se preparou pra ouvir divertida a confissão da amiga, tão certinha que era.
— É? Pra tanto assim? —
— Mil vezes, Maruchi. Me imaginei mil vezes com uma gostosa. Fiquei com tesão um monte de vezes. Me acabei na siririca, na real. Mas sempre com a mesma. —
— É? Com quem? —
— Com você, Marucha. — E sem dizer mais nada, quase se jogou em cima da amiga, que foi pega de surpresa.
Anita enfiou fundo a língua na boca de Mariel, que, meio surpresa, se deixou levar. Sentiu a respiração ofegante de Anita e as mãos dela procurando os peitos nus por baixo da camiseta.
— Calma, Anita. Calma. Melhor a gente ir pra cama.
Fim.
Acelerei o ponto final porque já não aguentava mais o tesão. Agarrei minha rola que escorria gotinhas de porra. As bolas tavam prestes a estourar. Tudo era tesão no meu cérebro. A imagem da minha mulher e Vitória se beijando no final dessas linhas me deixava louco. Gozei na minha mão e dois jatos grossos no chão. Me joguei pra trás na cadeira do computador. Pensei num jeito de mostrar pra Alma.
Passou um mês, a exposição onde apresentaram a cena que presenciei em casa e várias semanas longas que pareceram voar no meio da roda da vida que continuava correndo sem sentido como sempre.
Até que um dia, conversando sobre qualquer coisa e enquanto tomávamos a segunda garrafa de vinho branco daquele sábado de jantar juntos, criei coragem.
A conversa rolava sobre literatura. Não sei por que ela puxou o assunto de Cinquenta Tons de Cinza e a gente começou a rir da literatura erótica. Dos clichês que costumam ter nela e que é preciso manter um equilíbrio fino entre fantasia, sacanagem e explícito pra conseguir excitar. Ela dizia que A literatura erótica funcionava muito melhor com as mulheres do que com os homens. Ela ria, nos acusando de ser muito punheteiros e tarados pra aguentar mais de duas páginas sem gozar.
Criei coragem e contei, meio como uma confissão, que às vezes eu escrevia textos sexuais. Que era uma coisa minha, de tarado e punheteiro como ela dizia, mas que já que tava nessa, seria legal ela ler alguma coisa.
A Alma achou extremamente divertido e até me deu uma vergonha o tom meio debochado que ela usava pra falar comigo.
Mesmo assim, abri o computador e deixei ela sozinha com meu texto onde eu imaginava ela transando com a amiga Victoria.
Sentados um de frente pro outro na mesa da cozinha, eu via ela ler e tomar uns goles de vinho enquanto fazia isso. O silêncio me matava e o rosto dela não deixava escapar nenhuma expressão. Parecia ir e vir pelos parágrafos, subindo e descendo o texto no Word aberto.
Finalmente, ela terminou. Levantou a taça e brindou comigo.
— É lindo. — falou, me olhando nos olhos.
— Não sabia dos seus dotes pornográficos. — e riu. Depois se levantou, deu a volta na mesa e montou em mim, me dando um beijo longo e quente. Puxou a calcinha pro lado, eu abri a braguilha como pude e ela enfiou a pica, cavalgando gostoso. Depois me ofereceu os peitos pra eu chupar, sem parar de subir e descer com a pica enfiada. Assim por uns longos minutos, onde várias coisas caíram de cima da mesa, até que gozamos juntos, exaustos.
Ela me deu um selinho e me convidou pra cama. Deitamos assim mesmo, sem nos despir, em cima da colcha.
Os dois de barriga pra cima, um do lado do outro, em silêncio.
— Isso você escreveu pensando em mim e na Victoria, né? — perguntou de repente.
— A verdade é que sim. — não conseguia mentir pra ela.
— Tem uma coisa que preciso te contar sobre a Victoria e eu.
FIM.
22 comentários - Minha esposa e a amiga dela
No puedo menos que felicitarte
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