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Compêndio ITive uma semana corrida.
Como volto ao trabalho na próxima semana, fiquei entrevistando babás.
Liguei pra várias agências e marquei as reuniões no horário em que a Marisol está na aula, pra evitar mais complicações.
Chegaram mulheres de várias idades. Até algumas vizinhas do condomínio.
A maioria achou engraçado eu ser o responsável por cuidar das pequenas durante o dia e fazer a entrevista, enquanto minha esposa estudava.
Expliquei que o serviço era simples: alimentar as pequenas, trocar as fraldas e garantir que comessem.
Aproveitei a semana passada pra tampar todas as tomadas e pedi pra manterem elas no primeiro andar, já que estão engatinhando, e que se precisassem cozinhar ou esquentar as mamadeiras, usassem o micro-ondas.
Veio um par de senhoras querendo trabalhar como empregadas domésticas, mas apesar da casa ser grande e a gente ter um pouco de trabalho pra manter limpa e arrumada, a gente só precisava de uma babá.
Então, minha escolha ficou entre uma senhora de 32 anos, que mora a umas ruas daqui, descendo pela avenida principal (a casa do Kevin e a minha ficam no topo de um morro, de frente pra uma ribanceira e do lado da estrada de serviço por onde entram os caminhões de lixo e as cisternas pros jardins), casada, com filhos de 8 e 12 anos, uns quilinhos a mais, mas com uns lábios bem sensuais e uma cara de safada.
E a outra opção era uma garota de 19 anos, magrinha, cabelo preto e comprido, que tava indecisa sobre o que estudar e queria juntar dinheiro pra viajar pro exterior.
A Marisol era a mais feliz depois de ver as entrevistas pelo sistema de segurança, porque pelo jeito que me olhavam, as duas tinham me achado gostoso.
“Então, você tem que decidir: ou ser o ‘corno manso’ de outra vizinha ou o primeiro amor da menina sem rumo.” Disse a Marisol, tirando sarro de mim.
“Essas são minhas opções?” Respondi, sem muita animação. Parou de tirar sarro.
"Desculpa!" Ela se desculpou. "Sei que pra você não é fácil e você me ama demais... mas você é um bom marido... e eu gosto que outras mulheres saibam disso... que saibam que você é bom e que é meu."
E então, precisei ficar um pouco mais sério.
"Marisol, até quando vamos fazer isso? Você já pensou nisso?"
"Bem, love... enquanto der..."
Segurei o rosto dela e pedi pra ela me olhar nos olhos.
"Você não tá me entendendo, Marisol! Tem que pensar nas pequenas! Elas não vão ser assim pra sempre!"
"Love, você tá exagerando!" ela disse, tentando me acalmar. "Elas ainda não entendem a nossa parada e você não precisa se preocupar..."
"Eu sei, Marisol!" respondi, desanimado. "Mas só te peço pra imaginar daqui a 6 anos..."
"6 anos?"
"As pequenas vão entrar na escola ou até no jardim de infância. O que vai acontecer se tiverem professoras e me acharem gostoso?... Não vamos poder fazer isso!..."
"Por quê?"
É difícil entender que alguém tão doce e com instintos maternais tão fortes como a Marisol não consiga enxergar meu ponto de vista.
Ou talvez a percepção dela das coisas não deixe ela perceber.
"Porque seria feio! Entende, Marisol, que vão ser as pessoas responsáveis pela educação delas! As pequenas vão amar e admirar elas tanto quanto vão nos amar! Você já pensou se uma delas ficar obcecada? E se a gente tiver um término feio?"
"Bem, love... acho que depende de você." Ela respondeu. "Se você não terminar com ela..."
Eu me senti como se estivesse falando com uma parede.
Precisava espairecer e peguei as chaves da caminhonete.
Marisol, aflita, saiu pra me ver.
"Love, desculpa mesmo!" ela se desculpou. "Você é um homem bom e me faz muito feliz!... mas vai visitar a garota do restaurante..."
Olhei pra ela ofendido e ela começou a chorar.
"Eu sei! Talvez... eu tenha um problema..." ela admitiu finalmente. "Mas me coloco no lugar delas... Sabe?... sinto que quando você tá com elas, você é um raio de sol, igual é comigo..."
Mesmo me irritando que ela faça isso, vê-la chorando e com as bochechas rosadas, isso parte meu coração.
“Eu te amo, Marisol! Mesmo que na maioria das vezes eu tenha dificuldade de te entender… eu sempre vou te amar…”
Ela ficou mais feliz, a gente se beijou e eu fui embora.
A real é que eu precisava de um hambúrguer com batata frita e a Liz é gente boa.
Conheci ela em novembro do ano passado, numa situação parecida com a que eu tava vivendo.
Ela trabalhava de garçonete no restaurante. Eu tinha saído do caminho de casa porque a Marisol e o Fio estavam esperando meu retorno, e naqueles momentos eu precisava me distrair porque tava muito pressionado.
Naquela vez, quando pedi a conta, ela me passou o número de telefone e o endereço dela, algo que não acontece comigo sempre.
Pouco tempo depois, enquanto a Amélia e a Verônica estavam nos visitando, fui vê-la e a gente teve nosso primeiro encontro, que curtiu pra caralho.
Mas já tinham passado 3 meses e eu não tinha tido nem tempo nem vontade de ir vê-la.
Dessa vez, ela tinha pintado o cabelo mais claro, entre mel e loiro, e tava mais gostosa.
Deve ter uns 1,74m, porque é mais alta que a Marisol. Tem olhos pretos, com um olhar safado, lábios finos e delicados, nariz empinado e bochechas com sardas.
Não sabia o que falar pra me desculpar, e quando ela me olhou, fiquei nervoso.
Ela me reconheceu na hora!
“Fred, vou tirar uma hora de folga!” gritou pro cara que tava no balcão.
“O quê?” ele exclamou surpreso, porque a Liz tava atendendo as mesas na área dela.
Ela olhou pra ele com desafio.
“Tem algum problema com isso?”
Ele não conseguiu responder.
Ela tava puta, pegou o avental e o chapéu e jogou nele, deixando as mesas sem atender.
Depois me olhou e perguntou:
“Vamos?”
A gente caminhou sem rumo. Ela tava complicada e não queria falar comigo. Só caminhava, apoiada no meu braço.
“Desculpa ter agido assim!” ela disse, finalmente, sem olhar nos meus olhos.
“Relaxa!” respondi, mais aliviado. “Achei que você tava brava comigo!”
Ela riu e me olhou.
“Que isso?”
Fomos pra outro lugar. restaurante, com um balcão. Ofereci uma cerveja pra ela, enquanto tive que me contentar com um hot-dog…
E digo me contentar, porque não se compara com os completos que eu comia na minha terra: com tomate, abacate, cebola picada…
Esse era um pão miserável com uma salsicha, maionese, ketchup e mostarda.
Ela percebeu o quanto eu estava decepcionado.
“Me desculpa!... talvez você quisesse seu hambúrguer…” ela disse, bem arrependida.
“Na verdade, eu tava mais afim das batatas fritas… e de te ver de novo…” falei, provando aquele bocado sem graça.
Ela sorriu.
“Você curtiu daquela vez?”
“Sim… e pensei que você estaria puta comigo, porque não te vejo há 3 meses…”
“Relaxa!” respondeu, rindo baixinho. “Já te falei que gosto de ficar com caras casados… e te entendo… você não deve ter tempo.”
Ela falou tão desanimada que tive que perguntar.
“É o Fred!” respondeu. “Ele me traiu!”
Eu sorri… e ela também.
“Eu sei, eu sei!... também não fui a namorada perfeita… mas estamos juntos há 2 anos… e ele me enganou com uma mina do restaurante.” Disse, olhando pro copo de cerveja. “Todo mundo sabe… e o pior é que quero me mudar… mas sinto que não consigo escapar…”
E aí, meu cérebro de engenheiro encaixou tudo…
“Quanto você ganha?” perguntei.
“Não é muito!... como morava com o Fred, não precisava de mais…”
Na real, era uma miséria e ela tinha razão em se sentir presa, porque mal dava pra cobrir o básico.
“O que acha se eu te pagar o triplo disso?” perguntei.
Ela me olhou, envergonhada.
“Ei!... o que rolou entre a gente… foi algo casual…” respondeu, meio ofendida. “Eu não cobro…”
Eu ri.
“Me desculpa, não é isso! Tô te oferecendo um trampo. Trabalhar pra mim…”
“Um trampo?” perguntou, mais curiosa.
E expliquei nossa situação.
“Mas… eu não sei cuidar de criança!” exclamou, assustada e virando o resto do copo. “Tipo… Olha pra mim!... Você não me vê há 3 meses!...”
E segurei as mãos dela pra acalmar.
“Eu sei!... mas a gente tá desesperado.” As pequenas precisam de alguém pra cuidar delas, só por umas horas. Tô te oferecendo um trampo e um teto. Lembro que você disse que estudava arte, no noturno… então vai ter tempo pra isso também…”
E aí, os olhos dela ficaram melosos.
“Você lembra disso?”
“Sim, porque minha esposa também estuda e é por isso que a gente precisa de você. Eu volto pra cutie na semana que vem e minha esposa já começou o semestre.” Respondi. “Você vai ter comida, moradia, televisão, internet… o que você quiser!”
Ela ficou vermelha…
“Não sei! Ia ter que pensar!”
“Dá até pra se mudar hoje à noite, se quiser…” falei, pra convencer ela um pouco mais. “Vou fazer um contrato e vai ser tudo legal, com salário fixo!”
E voltamos pro restaurante e ela pediu demissão. Fez um escândalo daqueles.
Fred me olhava, como se eu tivesse culpa naquela miséria de quarto que ele tinha, enquanto ela pegava as poucas coisas dela e carregava na minha caminhonete.
Sabia que ela tava puta e queria se afastar do Fred, mas me toquei.
Tinha sido um encontro repentino.
Andamos umas duas quadras e pegamos um sinal vermelho.
“Tem certeza que quer fazer isso? Você mal me conhece…”
“Não… se você tá me pedindo…” ela se envergonhou, ao perceber a pressa da decisão dela. “Além disso… eu queria ir embora… e qualquer lugar é melhor que com ele.”
Mas depois completou.
“Não sei!... tem algo no seu olhar que me passa confiança… você é um bom amigo… e se algo mais rolasse… Não sei!... com você… deixaria rolar…”
E seguimos em frente. Ela via as casas ficando mais chiques e os olhos dela ficavam maiores.
Quando estacionei no estacionamento, ela tinha um olhar de quem tava sonhando acordada.
Marisol saiu pra me receber, mas quando viu que eu não tava sozinho, sorriu.
De um jeito inesperado, tinha encontrado a solução pro nosso problema.
E enquanto a Liz se acomoda no quarto novo dela e depois de uma conversa rápida pra conhecer ela melhor, vejo o brilho safado nos olhos da minha esposa, que quer dormir com a porta aberta de novo.Post seguinte
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