Acordamos muito tarde no dia seguinte, minha cabeça doía e minha boca estava extremamente seca por causa do excesso de álcool, María não estava muito melhor e enquanto ela tomava um longo banho frio, eu lembrava do que tinha acontecido na noite anterior com outra perspectiva.
Me surpreendia ter me deixado levar daquele jeito, a ponto de agir de uma maneira que agora me parecia totalmente vulgar, uma coisa era uma insinuação velada e outra bem diferente fazer uma exibição grosseira da María, me sentia sortudo por ela não ter descoberto minhas manobras.
Com uma forte sensação de vergonha, tomei banho enquanto María secava o cabelo.
Descemos para a cafeteria da piscina, era cedo para almoçar e tarde demais para café da manhã, nenhum de nós dois tinha estômago para um almoço pesado, então tomamos uns sucos com um sanduíche dividido e nos instalamos na piscina, protegidos por uma sombra bem grande.
Desde que saí do apartamento, eu vasculhava os olhos de todos os homens que cruzávamos, procurando um sinal que identificasse o voyeur da noite; Achei que vi sorrisos debochados onde não tinha, identifiquei olhares insistentes e, por fim, decidi abandonar essa atitude que estava me deixando nervoso.
Mas não conseguia, me sentia envergonhado comigo mesmo e temia dar de cara com quem tinha sido testemunha da minha estupidez; Pior ainda: temia expor María aos olhares daquele cara.
Os últimos dias de estadia passaram rápido demais e esses pensamentos não me incomodaram muito, mas eu não esquecia e, sempre que me lembrava de levantar a saia da María pra mostrar a bunda dela, uma sensação forte de vergonha me sacudia.
Em setembro, o Pablo me ligou, já não esperava depois de dois meses; cordial como sempre, depois de uma conversa mais profissional do que pessoal, ele perguntou pela María, não fez nenhuma intenção de pedir o telefone dela como eu temia e me avisou da viagem dele pra Madrid em novembro, combinamos de nos ver e também dessa vez mencionou a María, o que me surpreendeu muito. Várias vezes estive prestes a perguntar sobre Elena, mas não quis dar abertura pra falar daqueles dias em Sevilha.
Voltamos à rotina diária.
Numa sexta-feira em meados de outubro, voltei muito tarde pra casa; uma reunião improvisada depois de um almoço com os sócios do escritório se esticou desnecessariamente até as nove da noite. Avisei a María a tempo de mudar os planos que tínhamos de sair pra fazer compras.
Quando cheguei em casa, eram vinte pras dez; me sentia terrivelmente cansado depois de uma semana especialmente tensa e cheia de decisões, cujo auge tinha sido aquela noite em que o álcool tinha rolado um pouco mais que o normal. Mal terminamos de jantar, María sugeriu que fôssemos pra cama, percebendo meu cansaço. Apaguei na hora.
Umas mãos na minha barriga me acordaram do sono profundo; olhei o relógio na mesinha, era uma da manhã. María, colada nas minhas costas, brincava com os dedos percorrendo minha barriga, meu peito, apertando meus mamilos com as unhas... aqueles jogos que tanto me excitam, mas que naquela noite mal conseguiam me dar um prazer que era mais mental do que físico. Virei pra ela e tentei corresponder, enrolando o peito dela na minha mão; logo senti a dureza do mamilo dela, mas meu corpo mal respondia. María percebeu minha falta de reação.
"Opa, opa, vou ter que te mandar pra outro quarto e chamar meu amante pra me consolar" – como um relâmpago, minha cabeça clareou na hora; era a primeira vez que María tomava a iniciativa numa das nossas fantasias e, além disso, trazia detalhes que nunca tinham aparecido. Sempre nossas histórias eram "a três", sempre eu tava como participante junto com nosso convidado imaginário, mas dessa vez María propôs uma ideia nova: ela mandava, ela me excluía da cena e ficava sozinha com o amante. "Amante" era um conceito também novo, dava a ideia de algo fixo, de alguém estável, quando até agora sempre imaginávamos alguém diferente.
Meu corpo reagiu na hora e eu entrei na história – "É? Vai me deixar aqui, no outro quarto enquanto você transa?" – Ela fez biquinho e começou a falar dengosa:
"E o que vou fazer, então? Hoje você tá mansinho e eu preciso de um macho" – Aquela frase, totalmente nova, foi como uma descarga de adrenalina no meu corpo, ela me chamou de manso e, em vez de me humilhar – ou além disso –, me excitou como poucas coisas conseguiam, eu precisava de um macho, não de um homem nem de um amante.
"E quando ele chegar, você vai dizer que estou em casa?"
"Eu não vou me levantar, você abre a porta e traz ele até aqui, corno manso" – Uma nova descarga de emoções conflitantes me dominou quando ouvi da boca dela, pela primeira vez, como ela me chamava de cuck, embora suavizando; aceitei o desafio e apostei mais alto, sorri enquanto continuava acariciando ela e respondi:
"O que você me chamou?"
"Cuck, sua mulher precisa de uma rola e como você tá molenga, vou buscar em outro lugar" – Eu não via os olhos dela no escuro, mas não foi difícil imaginar a expressão no rosto dela, aquela que nos momentos de maior excitação me arrepia e me excita mais que qualquer carícia, aquela cara de puro sexo, de luxúria profunda que a transforma. Não consegui formar uma frase, mas Maria estava a mil e continuou fantasiando, me mostrando sua versão inédita de uma fantasia que até agora tinha eu como roteirista principal.
"E amanhã de manhã, você sai pra comprar uns croissants, prepara café e suco de laranja e traz pra gente na cama, isso sim: liga antes por via das dúvidas, se eu estiver dando, não quero interromper no meio de uma boa foda" – Eu estava prestes a explodir, aquilo era mais do que eu esperava de Maria, agora ela segurava as rédeas de uma fantasia em que me colocava não só como cuck, mas como conivente, e me deixava num papel de mansidão e submissão, de servilismo humilhante diante do homem que comia minha mulher, papel que me desconcertava. pela tremenda excitação que me causava. Tentei improvisar, sair do meu torpor e instigá-la a continuar se abrindo sobre seus desejos mais profundos.
"Você não gosta de ficar com a porta fechada, não acredito que vai fechá-la dessa vez" – Era meu jeito de afastá-la de um ambiente irreal e forçá-la a tornar a fantasia dela o mais real possível para nós dois; Fazer ela criar uma fantasia onde até o último detalhe fosse como a realidade faria com que, talvez, um dia…
"E quem te disse que a porta vai estar fechada? Só encostada, mas mesmo assim, bate antes de entrar" – respondeu na hora, como se tivesse a imagem muito clara na mente dela.
"Então, vou poder espiar vocês"
"Nem pense nisso, se eu te ver vou mandar meu boy te expulsar" – meu coração deu um pulo e uma descarga de prazer sacudiu meu corpo inteiro, eu estava prestes a explodir e tentava prolongar o momento de subir nela e foder ela brutalmente. Ela chamava de "meu boy" o homem que na imaginação dela a possuía e ainda mandava ele me expulsar, a mim, do meu próprio quarto. Não aguentei mais e comecei a me mover para ficar por cima dela, enquanto Maria me abraçava com os braços e as coxas e continuou falando sem mais rodeios.
"E enquanto a gente toma café, você prepara a jacuzzi, já sabe, nem muito quente nem muito fria, e quando estiver pronta, avisa a gente, querido"
Ela tinha conseguido apagar qualquer vestígio de cansaço do meu corpo e o sono tinha ido embora, eu estava prestes a explodir num orgasmo violento, não queria gozar tão rápido, mas o inevitável aconteceu e mal senti o interior quente e molhado de Maria absorvendo meu pau, gozei nela sem conseguir controlar.
"Ah, meu menino, parece que esqueceu como estava cansado, hein? E quem vai me aliviar agora, me diz?" – Era uma repreensão doce, suave, mas que me deixava com uma leve humilhação diante da mulher que pedia mais; Tentei formular uma resposta quando ela interrompeu meus pensamentos.
"Vou ter que resolver isso sozinha" – Me enlouquecia vê-la se masturbar e Quando notei como ela movia a mão em direção à buceta, me levantei até alcançar a luz do criado-mudo e acendi. O rosto dela era a expressão mais pura de luxúria e sensualidade que já vi, os dedos se moviam delicadamente entre as coxas dela, provocantemente abertas. Me ajoelhei aos pés da cama para olhar enquanto ela se masturbava.
"Além de cuck, você é um voyeur" – as palavras dela me atingiram como se fossem eletricidade, semicerrei os olhos e os abri de novo quando minha boca só conseguia dizer "sim, sim".
"Cuck… filho da puta… você é um tarado… gosta de ver sua mulher se masturbando…" – eu só dizia "sim" ou balançava a cabeça enquanto meus olhos não se desviavam do corpo dela e minha mão direita agarrava meu pau meio duro e começava a bater uma.
"É assim que você vai ficar quando me comerem?" – Maria levantava as pernas, já dominada pelo prazer que provocava em si mesma.
"Sim, assim, meu anjo."
"Você vai bater uma olhando eles enfiarem em mim?" – Maria tinha quebrado todos os limites que até agora marcavam a participação dela nas nossas fantasias.
"E quando ele gozar dentro de você, quero te comer logo em seguida" – Maria se espreguiçou como uma gata ao ouvir isso e murmurou algo incompreensível.
"Pra me sentir cheia, né? Seu safado" – eu já estava pronto pra foder ela de novo, porque aquilo não era fazer amor, e tentei me posicionar, mas ela me parou.
"Não, meu anjo, vem cá" – e me fez chegar de joelhos até o peito dela. Imaginei o que ela queria e continuei batendo uma na frente do rosto dela. Fui me preparando pra gozar junto com ela enquanto as palavras dela nos excitavam cada vez mais, e quando vi o começo do orgasmo dela, explodi, soltando jorros grossos no peito dela, no rosto, no cabelo, na boca, que ela recolheu com a língua e os dedos.
Olhei pra ela, exausta, suada, manchada de porra, linda pra caralho, a respiração ofegante elevando o peito coberto de sêmen. Ela moveu a mão preguiçosamente até o mamilo, pegou uma gota de porra e levou aos lábios, saboreando devagar. Você parece uma puta" – ele sorriu de olhos fechados, eu estava extasiado olhando pra ela e então falei:
"Um dia vou te ver assim, nessa cama, quando seu amante já tiver ido embora" – ela abriu seus lindos olhos e me encarou fundo.
"Você é louco, amor"
"Por você" – um longo silêncio se fez enquanto os dois descansávamos lado a lado.
Ela me pegou desprevenido quando a ouvi falar de novo.
"Você não aguentaria" – ela ainda estava pensando no que eu tinha dito! Isso me dizia muito sobre o estado interior dela, me fiz de desentendido e fingi não saber do que ela falava.
"Você sabe, não acho que aguentaria me ver com outro homem"
"Eu morreria de prazer" – respondi.
"Você não sabe o que diz, querido, fantasia é uma coisa, a gente se diverte, mas não confunde as coisas" – o tom sereno, quase sério dela me alertou porque o clima que a gente tinha criado, onde tudo era possível, estava se desfazendo, agora Maria voltava à sensatez. Tentei dar às minhas palavras o mesmo tom, quase solene, que ela tinha usado.
"Tenho certeza, Maria, tenho certeza de você e de mim, quero te ver foder com outros homens, quero te compartilhar, quero que você me olhe nos olhos enquanto seus amantes acariciam esses peitos que foram só meus, enquanto beijam esses lábios, enquanto penetram essa buceta apertada e quente que foi só minha, quero ver você pegar outras picas na mão e curtir as diferenças, quero ver você se ajoelhar na frente dos seus amantes e fazer um boquete como só você sabe fazer… me olhando nos olhos." – não dava pra dizer mais nada. Calei e esperei. Maria continuava de olhos fechados, mas a respiração dela tinha mudado.
"Você quer que eu me comporte como uma…"
"Como uma puta, sim, quero que você seja minha puta" – me assustei com o que tinha acabado de dizer, algo que nem tinha deixado passar pela minha cabeça, esperei assustado a resposta dela.
"Repete" – ela disse secamente, sem que eu pudesse adivinhar que emoção sentia; calculei o risco, não tinha certeza da intenção de Maria, era uma aposta arriscada. mas eu fui fundo.
"Quero ver você agir como uma puta, e acho que você também quer, tenho certeza, mais ainda: sei que agora sua buceta está encharcada só de pensar nisso, só que os medos, as normas e os preconceitos te impedem de admitir" – respirei fundo e, diante do silêncio dela, continuei – "o que eu proponho é que você quebre tudo isso e, pela primeira vez, tente saber como é ser livre, totalmente livre, livre de vergonhas, de reprovações, de culpas, livre de guardar sua reputação, livre da sua educação, livre por completo, só tenta e me diz o que sente, depois volta pra vida normal onde todas essas coisas ainda são necessárias".
Maria conhecia meus trabalhos teóricos sobre a influência do aprendizado na percepção e na tomada de decisões, não era alheia ao meu interesse por esses temas, ela sabia bem do que eu estava falando. Ficou em silêncio por um instante, como se estivesse pensando no que responder, me olhou várias vezes antes de falar.
"Você não aguentaria" – limitou-se a dizer.
"Me testa" – um silêncio denso, interminável, se instalou. Eu continuava ao lado dela, sentado na cama, olhando aquele corpo gostoso, invejável, desejado por qualquer um que a visse. Os olhos dela estavam cravados nos meus, tentando descobrir se eu estava falando sério, embora a essa altura ela já soubesse.
"E por que você acha que eu posso querer fazer uma coisa dessas?"
"Negue, me diga que a ideia não te excita e nunca mais toco nesse assunto" – eu tinha certeza de que ela não mentiria, mas também esperava que a opção de não voltar a falar sobre isso, mesmo que só no nível da fantasia, não estivesse nos planos dela. Ela calou e desviou o olhar do meu, estava encurralada e eu não ia deixar passar a oportunidade.
"Negue" – insisti, ela se remexeu na cama, como se lutasse consigo mesma.
"Olha, me excita, claro que sim. Mas você percebe os riscos? E se a gente der de cara com um psicopata? E se eu me apaixonar e te largar?" – sem perceber, ela já tinha se colocado no dia seguinte, o que equivalia a dar como certo o Postulado principal: que ele transava com outros homens; Ela percebeu ao mesmo tempo que eu ou talvez tenha sido o brilho no meu olhar que me entregou, então reagiu rápido – "Mas o que eu tô falando? Você acha que eu sou capaz de dar pro primeiro cara que aparecer na nossa frente só pra satisfazer sua fantasia?"
"Nossa fantasia" – corrigi – "E sim, acho que nas circunstâncias certas, com a pessoa certa e a preparação certa… você dava pra outros caras" – não deixei ela me rebater – "E além disso, não vai fazer isso pra me satisfazer" – os olhos dela mostraram uma expressão de interrogação – "vai fazer por você, pra se conhecer, pra provar que é capaz, pra sentir o gosto do ilícito, do clandestino, do proibido, vai fazer porque no fundo você adoraria ser puta além de mulher, por tudo isso e também por mim, você vai fazer" – ela contra-atacou ironizando.
"Como é fácil pra você teorizar, você dita as regras e me diz como eu devo quebrar meus preconceitos, e os seus? Você seria capaz de quebrar seus preconceitos mais profundos?" – Não tava seguro do que ela queria dizer.
"O que você quer, que eu coma minha secretária?" – Eu intuía que não era por aí, mas dessa vez a sensação de acuado era minha e eu não ia me arriscar. Ela sorriu, sabendo que me pegou.
"Mole demais, querido, não é aí que estão seus preconceitos de macho, você sabe bem, tem coisas mais difíceis de encarar pra você" – Ela não especificava, tava esperando eu dar o passo, mas eu não ia entrar nesse jogo.
"Então o que você quer é que eu trilhe um caminho paralelo ao seu… vai, dita as condições e a gente fecha o pacto."
"Eu não disse que vou fazer nada"
"Também não disse que não vai fazer" – Por um tempo que pareceu uma eternidade, Maria ficou pensando na resposta, eu aguentei o silêncio. De repente, ela olhou nos meus olhos e respirou fundo.
"Você já imaginou como vai ser estar com outro homem? Sim, claro que já pensou nisso, com certeza" – Minha intuição tinha acertado, eu sabia que ela atacaria por aí. por aí; hesitei um instante e isso deu força pra ela. – "vamo, não pensa tanto, nós dois sabemos a resposta" – ela sorriu e eu sorri.
"Então… é isso que você quer? Quer me ver com um cara?"
"Quero ver se você só prega ou também é capaz de botar suas teorias em prática" – ela tinha parado de se sentir pressionada e agora era ela quem pressionava, imaginei que isso dava segurança pra ela, a segurança de que tudo voltaria pro terreno da fantasia.
"Tá bom" – eu não sabia bem o que tava dizendo, mas a consequência imediata dessa frase na María tinha valido a pena, de novo vi ela encurralada – "Vou começar a pensar nisso, sério, vou questionar minhas ideias sobre isso, em troca…" – María arregalou mais os olhos e me olhou, não tinha medo nos olhos dela, mas algo parecido – "…em troca, peço que você faça o mesmo, que pense nisso como algo possível, até como algo provável, que questione seus medos, suas desconfianças, seus pudores… que se coloque em como viveria o dia seguinte" – estendi a mão como sinal de compromisso, ela ficou olhando. Ignorou minha mão e ficou pensativa.
"Você tá indo rápido demais, ainda acho que você não aguentaria me ver dando"
"Você tá enganada"
"Você não ia aguentar"
"Me testa" – ela fez menção de começar a falar, mas parou, de repente os olhos dela brilharam, um sorriso brotou nos lábios dela e ela disse
"Tá bom, vou te botar à prova" – o silêncio dela em seguida me deixou sem reação e ela percebeu, prolongou o silêncio pra saborear o triunfo e no fim falou – "Vou provar que você não aguenta não saber, não controlar, não ser o diretor dessa história, vou provar que minha autonomia nisso vai te enlouquecer, você não vai ser capaz de aguentar mais de… quinze dias, que tal?"
"Quinze dias de quê? Você ainda não disse qual é a prova" – argumentei
"A prova já começou, se você aceitar" – fiquei desconcertado, mas concordei com a cabeça.
"E se eu passar na prova?" – os olhos dela pegaram de novo aquela expressão sensual que me quebra.
"Se você passar na prova, querido, aí… O melhor é que você já conseguiu o que queria de mim, quem sabe.
Me surpreendia ter me deixado levar daquele jeito, a ponto de agir de uma maneira que agora me parecia totalmente vulgar, uma coisa era uma insinuação velada e outra bem diferente fazer uma exibição grosseira da María, me sentia sortudo por ela não ter descoberto minhas manobras.
Com uma forte sensação de vergonha, tomei banho enquanto María secava o cabelo.
Descemos para a cafeteria da piscina, era cedo para almoçar e tarde demais para café da manhã, nenhum de nós dois tinha estômago para um almoço pesado, então tomamos uns sucos com um sanduíche dividido e nos instalamos na piscina, protegidos por uma sombra bem grande.
Desde que saí do apartamento, eu vasculhava os olhos de todos os homens que cruzávamos, procurando um sinal que identificasse o voyeur da noite; Achei que vi sorrisos debochados onde não tinha, identifiquei olhares insistentes e, por fim, decidi abandonar essa atitude que estava me deixando nervoso.
Mas não conseguia, me sentia envergonhado comigo mesmo e temia dar de cara com quem tinha sido testemunha da minha estupidez; Pior ainda: temia expor María aos olhares daquele cara.
Os últimos dias de estadia passaram rápido demais e esses pensamentos não me incomodaram muito, mas eu não esquecia e, sempre que me lembrava de levantar a saia da María pra mostrar a bunda dela, uma sensação forte de vergonha me sacudia.
Em setembro, o Pablo me ligou, já não esperava depois de dois meses; cordial como sempre, depois de uma conversa mais profissional do que pessoal, ele perguntou pela María, não fez nenhuma intenção de pedir o telefone dela como eu temia e me avisou da viagem dele pra Madrid em novembro, combinamos de nos ver e também dessa vez mencionou a María, o que me surpreendeu muito. Várias vezes estive prestes a perguntar sobre Elena, mas não quis dar abertura pra falar daqueles dias em Sevilha.
Voltamos à rotina diária.
Numa sexta-feira em meados de outubro, voltei muito tarde pra casa; uma reunião improvisada depois de um almoço com os sócios do escritório se esticou desnecessariamente até as nove da noite. Avisei a María a tempo de mudar os planos que tínhamos de sair pra fazer compras.
Quando cheguei em casa, eram vinte pras dez; me sentia terrivelmente cansado depois de uma semana especialmente tensa e cheia de decisões, cujo auge tinha sido aquela noite em que o álcool tinha rolado um pouco mais que o normal. Mal terminamos de jantar, María sugeriu que fôssemos pra cama, percebendo meu cansaço. Apaguei na hora.
Umas mãos na minha barriga me acordaram do sono profundo; olhei o relógio na mesinha, era uma da manhã. María, colada nas minhas costas, brincava com os dedos percorrendo minha barriga, meu peito, apertando meus mamilos com as unhas... aqueles jogos que tanto me excitam, mas que naquela noite mal conseguiam me dar um prazer que era mais mental do que físico. Virei pra ela e tentei corresponder, enrolando o peito dela na minha mão; logo senti a dureza do mamilo dela, mas meu corpo mal respondia. María percebeu minha falta de reação.
"Opa, opa, vou ter que te mandar pra outro quarto e chamar meu amante pra me consolar" – como um relâmpago, minha cabeça clareou na hora; era a primeira vez que María tomava a iniciativa numa das nossas fantasias e, além disso, trazia detalhes que nunca tinham aparecido. Sempre nossas histórias eram "a três", sempre eu tava como participante junto com nosso convidado imaginário, mas dessa vez María propôs uma ideia nova: ela mandava, ela me excluía da cena e ficava sozinha com o amante. "Amante" era um conceito também novo, dava a ideia de algo fixo, de alguém estável, quando até agora sempre imaginávamos alguém diferente.
Meu corpo reagiu na hora e eu entrei na história – "É? Vai me deixar aqui, no outro quarto enquanto você transa?" – Ela fez biquinho e começou a falar dengosa:
"E o que vou fazer, então? Hoje você tá mansinho e eu preciso de um macho" – Aquela frase, totalmente nova, foi como uma descarga de adrenalina no meu corpo, ela me chamou de manso e, em vez de me humilhar – ou além disso –, me excitou como poucas coisas conseguiam, eu precisava de um macho, não de um homem nem de um amante.
"E quando ele chegar, você vai dizer que estou em casa?"
"Eu não vou me levantar, você abre a porta e traz ele até aqui, corno manso" – Uma nova descarga de emoções conflitantes me dominou quando ouvi da boca dela, pela primeira vez, como ela me chamava de cuck, embora suavizando; aceitei o desafio e apostei mais alto, sorri enquanto continuava acariciando ela e respondi:
"O que você me chamou?"
"Cuck, sua mulher precisa de uma rola e como você tá molenga, vou buscar em outro lugar" – Eu não via os olhos dela no escuro, mas não foi difícil imaginar a expressão no rosto dela, aquela que nos momentos de maior excitação me arrepia e me excita mais que qualquer carícia, aquela cara de puro sexo, de luxúria profunda que a transforma. Não consegui formar uma frase, mas Maria estava a mil e continuou fantasiando, me mostrando sua versão inédita de uma fantasia que até agora tinha eu como roteirista principal.
"E amanhã de manhã, você sai pra comprar uns croissants, prepara café e suco de laranja e traz pra gente na cama, isso sim: liga antes por via das dúvidas, se eu estiver dando, não quero interromper no meio de uma boa foda" – Eu estava prestes a explodir, aquilo era mais do que eu esperava de Maria, agora ela segurava as rédeas de uma fantasia em que me colocava não só como cuck, mas como conivente, e me deixava num papel de mansidão e submissão, de servilismo humilhante diante do homem que comia minha mulher, papel que me desconcertava. pela tremenda excitação que me causava. Tentei improvisar, sair do meu torpor e instigá-la a continuar se abrindo sobre seus desejos mais profundos.
"Você não gosta de ficar com a porta fechada, não acredito que vai fechá-la dessa vez" – Era meu jeito de afastá-la de um ambiente irreal e forçá-la a tornar a fantasia dela o mais real possível para nós dois; Fazer ela criar uma fantasia onde até o último detalhe fosse como a realidade faria com que, talvez, um dia…
"E quem te disse que a porta vai estar fechada? Só encostada, mas mesmo assim, bate antes de entrar" – respondeu na hora, como se tivesse a imagem muito clara na mente dela.
"Então, vou poder espiar vocês"
"Nem pense nisso, se eu te ver vou mandar meu boy te expulsar" – meu coração deu um pulo e uma descarga de prazer sacudiu meu corpo inteiro, eu estava prestes a explodir e tentava prolongar o momento de subir nela e foder ela brutalmente. Ela chamava de "meu boy" o homem que na imaginação dela a possuía e ainda mandava ele me expulsar, a mim, do meu próprio quarto. Não aguentei mais e comecei a me mover para ficar por cima dela, enquanto Maria me abraçava com os braços e as coxas e continuou falando sem mais rodeios.
"E enquanto a gente toma café, você prepara a jacuzzi, já sabe, nem muito quente nem muito fria, e quando estiver pronta, avisa a gente, querido"
Ela tinha conseguido apagar qualquer vestígio de cansaço do meu corpo e o sono tinha ido embora, eu estava prestes a explodir num orgasmo violento, não queria gozar tão rápido, mas o inevitável aconteceu e mal senti o interior quente e molhado de Maria absorvendo meu pau, gozei nela sem conseguir controlar.
"Ah, meu menino, parece que esqueceu como estava cansado, hein? E quem vai me aliviar agora, me diz?" – Era uma repreensão doce, suave, mas que me deixava com uma leve humilhação diante da mulher que pedia mais; Tentei formular uma resposta quando ela interrompeu meus pensamentos.
"Vou ter que resolver isso sozinha" – Me enlouquecia vê-la se masturbar e Quando notei como ela movia a mão em direção à buceta, me levantei até alcançar a luz do criado-mudo e acendi. O rosto dela era a expressão mais pura de luxúria e sensualidade que já vi, os dedos se moviam delicadamente entre as coxas dela, provocantemente abertas. Me ajoelhei aos pés da cama para olhar enquanto ela se masturbava.
"Além de cuck, você é um voyeur" – as palavras dela me atingiram como se fossem eletricidade, semicerrei os olhos e os abri de novo quando minha boca só conseguia dizer "sim, sim".
"Cuck… filho da puta… você é um tarado… gosta de ver sua mulher se masturbando…" – eu só dizia "sim" ou balançava a cabeça enquanto meus olhos não se desviavam do corpo dela e minha mão direita agarrava meu pau meio duro e começava a bater uma.
"É assim que você vai ficar quando me comerem?" – Maria levantava as pernas, já dominada pelo prazer que provocava em si mesma.
"Sim, assim, meu anjo."
"Você vai bater uma olhando eles enfiarem em mim?" – Maria tinha quebrado todos os limites que até agora marcavam a participação dela nas nossas fantasias.
"E quando ele gozar dentro de você, quero te comer logo em seguida" – Maria se espreguiçou como uma gata ao ouvir isso e murmurou algo incompreensível.
"Pra me sentir cheia, né? Seu safado" – eu já estava pronto pra foder ela de novo, porque aquilo não era fazer amor, e tentei me posicionar, mas ela me parou.
"Não, meu anjo, vem cá" – e me fez chegar de joelhos até o peito dela. Imaginei o que ela queria e continuei batendo uma na frente do rosto dela. Fui me preparando pra gozar junto com ela enquanto as palavras dela nos excitavam cada vez mais, e quando vi o começo do orgasmo dela, explodi, soltando jorros grossos no peito dela, no rosto, no cabelo, na boca, que ela recolheu com a língua e os dedos.
Olhei pra ela, exausta, suada, manchada de porra, linda pra caralho, a respiração ofegante elevando o peito coberto de sêmen. Ela moveu a mão preguiçosamente até o mamilo, pegou uma gota de porra e levou aos lábios, saboreando devagar. Você parece uma puta" – ele sorriu de olhos fechados, eu estava extasiado olhando pra ela e então falei:
"Um dia vou te ver assim, nessa cama, quando seu amante já tiver ido embora" – ela abriu seus lindos olhos e me encarou fundo.
"Você é louco, amor"
"Por você" – um longo silêncio se fez enquanto os dois descansávamos lado a lado.
Ela me pegou desprevenido quando a ouvi falar de novo.
"Você não aguentaria" – ela ainda estava pensando no que eu tinha dito! Isso me dizia muito sobre o estado interior dela, me fiz de desentendido e fingi não saber do que ela falava.
"Você sabe, não acho que aguentaria me ver com outro homem"
"Eu morreria de prazer" – respondi.
"Você não sabe o que diz, querido, fantasia é uma coisa, a gente se diverte, mas não confunde as coisas" – o tom sereno, quase sério dela me alertou porque o clima que a gente tinha criado, onde tudo era possível, estava se desfazendo, agora Maria voltava à sensatez. Tentei dar às minhas palavras o mesmo tom, quase solene, que ela tinha usado.
"Tenho certeza, Maria, tenho certeza de você e de mim, quero te ver foder com outros homens, quero te compartilhar, quero que você me olhe nos olhos enquanto seus amantes acariciam esses peitos que foram só meus, enquanto beijam esses lábios, enquanto penetram essa buceta apertada e quente que foi só minha, quero ver você pegar outras picas na mão e curtir as diferenças, quero ver você se ajoelhar na frente dos seus amantes e fazer um boquete como só você sabe fazer… me olhando nos olhos." – não dava pra dizer mais nada. Calei e esperei. Maria continuava de olhos fechados, mas a respiração dela tinha mudado.
"Você quer que eu me comporte como uma…"
"Como uma puta, sim, quero que você seja minha puta" – me assustei com o que tinha acabado de dizer, algo que nem tinha deixado passar pela minha cabeça, esperei assustado a resposta dela.
"Repete" – ela disse secamente, sem que eu pudesse adivinhar que emoção sentia; calculei o risco, não tinha certeza da intenção de Maria, era uma aposta arriscada. mas eu fui fundo.
"Quero ver você agir como uma puta, e acho que você também quer, tenho certeza, mais ainda: sei que agora sua buceta está encharcada só de pensar nisso, só que os medos, as normas e os preconceitos te impedem de admitir" – respirei fundo e, diante do silêncio dela, continuei – "o que eu proponho é que você quebre tudo isso e, pela primeira vez, tente saber como é ser livre, totalmente livre, livre de vergonhas, de reprovações, de culpas, livre de guardar sua reputação, livre da sua educação, livre por completo, só tenta e me diz o que sente, depois volta pra vida normal onde todas essas coisas ainda são necessárias".
Maria conhecia meus trabalhos teóricos sobre a influência do aprendizado na percepção e na tomada de decisões, não era alheia ao meu interesse por esses temas, ela sabia bem do que eu estava falando. Ficou em silêncio por um instante, como se estivesse pensando no que responder, me olhou várias vezes antes de falar.
"Você não aguentaria" – limitou-se a dizer.
"Me testa" – um silêncio denso, interminável, se instalou. Eu continuava ao lado dela, sentado na cama, olhando aquele corpo gostoso, invejável, desejado por qualquer um que a visse. Os olhos dela estavam cravados nos meus, tentando descobrir se eu estava falando sério, embora a essa altura ela já soubesse.
"E por que você acha que eu posso querer fazer uma coisa dessas?"
"Negue, me diga que a ideia não te excita e nunca mais toco nesse assunto" – eu tinha certeza de que ela não mentiria, mas também esperava que a opção de não voltar a falar sobre isso, mesmo que só no nível da fantasia, não estivesse nos planos dela. Ela calou e desviou o olhar do meu, estava encurralada e eu não ia deixar passar a oportunidade.
"Negue" – insisti, ela se remexeu na cama, como se lutasse consigo mesma.
"Olha, me excita, claro que sim. Mas você percebe os riscos? E se a gente der de cara com um psicopata? E se eu me apaixonar e te largar?" – sem perceber, ela já tinha se colocado no dia seguinte, o que equivalia a dar como certo o Postulado principal: que ele transava com outros homens; Ela percebeu ao mesmo tempo que eu ou talvez tenha sido o brilho no meu olhar que me entregou, então reagiu rápido – "Mas o que eu tô falando? Você acha que eu sou capaz de dar pro primeiro cara que aparecer na nossa frente só pra satisfazer sua fantasia?"
"Nossa fantasia" – corrigi – "E sim, acho que nas circunstâncias certas, com a pessoa certa e a preparação certa… você dava pra outros caras" – não deixei ela me rebater – "E além disso, não vai fazer isso pra me satisfazer" – os olhos dela mostraram uma expressão de interrogação – "vai fazer por você, pra se conhecer, pra provar que é capaz, pra sentir o gosto do ilícito, do clandestino, do proibido, vai fazer porque no fundo você adoraria ser puta além de mulher, por tudo isso e também por mim, você vai fazer" – ela contra-atacou ironizando.
"Como é fácil pra você teorizar, você dita as regras e me diz como eu devo quebrar meus preconceitos, e os seus? Você seria capaz de quebrar seus preconceitos mais profundos?" – Não tava seguro do que ela queria dizer.
"O que você quer, que eu coma minha secretária?" – Eu intuía que não era por aí, mas dessa vez a sensação de acuado era minha e eu não ia me arriscar. Ela sorriu, sabendo que me pegou.
"Mole demais, querido, não é aí que estão seus preconceitos de macho, você sabe bem, tem coisas mais difíceis de encarar pra você" – Ela não especificava, tava esperando eu dar o passo, mas eu não ia entrar nesse jogo.
"Então o que você quer é que eu trilhe um caminho paralelo ao seu… vai, dita as condições e a gente fecha o pacto."
"Eu não disse que vou fazer nada"
"Também não disse que não vai fazer" – Por um tempo que pareceu uma eternidade, Maria ficou pensando na resposta, eu aguentei o silêncio. De repente, ela olhou nos meus olhos e respirou fundo.
"Você já imaginou como vai ser estar com outro homem? Sim, claro que já pensou nisso, com certeza" – Minha intuição tinha acertado, eu sabia que ela atacaria por aí. por aí; hesitei um instante e isso deu força pra ela. – "vamo, não pensa tanto, nós dois sabemos a resposta" – ela sorriu e eu sorri.
"Então… é isso que você quer? Quer me ver com um cara?"
"Quero ver se você só prega ou também é capaz de botar suas teorias em prática" – ela tinha parado de se sentir pressionada e agora era ela quem pressionava, imaginei que isso dava segurança pra ela, a segurança de que tudo voltaria pro terreno da fantasia.
"Tá bom" – eu não sabia bem o que tava dizendo, mas a consequência imediata dessa frase na María tinha valido a pena, de novo vi ela encurralada – "Vou começar a pensar nisso, sério, vou questionar minhas ideias sobre isso, em troca…" – María arregalou mais os olhos e me olhou, não tinha medo nos olhos dela, mas algo parecido – "…em troca, peço que você faça o mesmo, que pense nisso como algo possível, até como algo provável, que questione seus medos, suas desconfianças, seus pudores… que se coloque em como viveria o dia seguinte" – estendi a mão como sinal de compromisso, ela ficou olhando. Ignorou minha mão e ficou pensativa.
"Você tá indo rápido demais, ainda acho que você não aguentaria me ver dando"
"Você tá enganada"
"Você não ia aguentar"
"Me testa" – ela fez menção de começar a falar, mas parou, de repente os olhos dela brilharam, um sorriso brotou nos lábios dela e ela disse
"Tá bom, vou te botar à prova" – o silêncio dela em seguida me deixou sem reação e ela percebeu, prolongou o silêncio pra saborear o triunfo e no fim falou – "Vou provar que você não aguenta não saber, não controlar, não ser o diretor dessa história, vou provar que minha autonomia nisso vai te enlouquecer, você não vai ser capaz de aguentar mais de… quinze dias, que tal?"
"Quinze dias de quê? Você ainda não disse qual é a prova" – argumentei
"A prova já começou, se você aceitar" – fiquei desconcertado, mas concordei com a cabeça.
"E se eu passar na prova?" – os olhos dela pegaram de novo aquela expressão sensual que me quebra.
"Se você passar na prova, querido, aí… O melhor é que você já conseguiu o que queria de mim, quem sabe.
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