Poema erótico do Neruda

A luz que dos teus pés sobe até teu cabelo,
a firmeza que envolve tua forma delicada,
não é de nácar marinho, nunca de prata fria:
és de pão, de pão amado pelo fogo.

A farinha ergueu seu celeiro contigo
e cresceu aumentada pela idade venturosa,
quando os cereais dobraram teu peito
meu amor era o carvão trabalhando na terra.

Oh, pão tua testa, pão tuas pernas, pão tua boca,
pão que devoro e nasce com luz cada manhã,
bem-amada, bandeira das padarias.

Uma lição de sangue te deu o fogo,
da farinha aprendeste a ser sagrada,
e do pão a língua e o aroma.

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