Melanie:
Os olhos dela estavam marejados, o olhar era sutilmente triste, ela estava linda… me apertava nos braços, chorava… me abraçava… me sentir nos braços dela de novo era algo – eu tinha certeza – que jamais viveria com mais ninguém.
Não me importei quem nos visse, também não liguei se minha mãe ia gostar ou não, esqueci a angústia e o ciúme que senti quando a vi se beijando com a Lina, esqueci que ela já tinha outra pessoa na vida dela – o importante naquele momento – é que ela estava comigo, e pelo que eu via, estava tão ou quase mais feliz que eu por nos reencontrarmos.
– O…oi, gostosa – a voz dela estava um pouco mais madura, mas ainda tão meiga… delicada, cuidadosa… frágil
– Manu – olhei nos olhos dela e me aninhei na clavícula dela, apoiando a cabeça no pescoço dela.
– Eu… eu… você… – ela olhou pra todo mundo ao redor e depois voltou a me encarar – você… tá linda
Todo mundo sorriu, era mais que óbvio que o que a gente tinha vivido em tão pouco tempo tinha sido mais forte que qualquer relação de anos.
Largamos todos os rótulos e nos abraçamos de novo, depois de vários minutos sentamos todos e começamos a conversar, comigo sendo o centro das atenções.
Manuela, depois de me cumprimentar, foi falar com meu pai, eles saíram e ela não chegou mais perto de mim, mas o olhar dela de longe me derretia, aquela risadinha de cumplicidade… os lábios dela, ela estava divina… como é que eu aguentei tanto tempo sem ela?
– Acho que já tá ficando tarde – falou Carlos olhando pro relógio – princesa, amanhã a gente combina tudo pra sair pra algum lugar e se ver, que tal?
– Claro que sim – concordei rápido – então a gente se vê amanhã
Um por um passou por mim e a gente se despediu, há muito tempo não me sentia tão feliz
– Manu, vamos – disse Lúcia pegando a bolsa dela – amanhã você tem que acordar cedo
Manuela me olhou com olhinhos de quem não queria ir – não, Lúcia – exclamou meu pai – a Manuela fica aqui, o Pepe leva ela mais tarde.
* * *
Manuela:
Fiquei na casa dela por mais duas horas, Ainda não conseguia acreditar em tudo aquilo, vê-la, tocá-la, abraçá-la… sentir ela tão perto de mim.
— Então agora você é toda uma arquiteta, hein? — ela perguntou, saindo da casa dela e sentando nos degrauzinhos, e naquele momento Lina sumiu pra mim (Outro erro grave).
— Uhum… toda uma arquiteta e profissional — falei de brincadeira — e você, no que tá?
— Publicidade… mais ou menos isso — ela ergueu o olhar pro céu, olhando as estrelas — digamos que me mandaram pra cá pra capital porque sou — tipo demais — muito boa vendedora.
— E vende o quê?
— Bom, a empresa é bem conhecida, mas agora vim fechar um negócio com uns gringos de 500 carros.
— Uhh — que massa — então você deve ser muito boa mesmo.
— Acho que sim.
Olhei pra ela e segurei as mãos dela — Você tá muito linda, Melanie — murmurei olhando bem nos olhos dela — você tá gostosa…
Ela se aproximou de mim de um jeito tão rápido mas ao mesmo tempo tão lento que me confundia, porque eu não sabia se ela queria a mesma coisa que eu desde que a vi…
Eu tava prestes a beijar ela, primeiro levei minhas mãos no rosto dela e acariciei com carinho, depois falei baixinho bem perto da orelhinha dela — Senti sua falta — falei, fechando os olhos e me deixando levar… fui aproximando meus lábios dos dela quando ouvi a voz da Lina gritando meu nome.
— MANUELA!
Levantei na hora, que azar do caralho… merda, merda, merda… não podia aparecer quando o beijo tivesse acabado? Ou pelo menos enquanto eu tava beijando ela? Ah…
— Lina…
— Oi… — Melanie cumprimentou a Lina com um tom bem odioso da parte dela — como cê tá?
— Sabe o quê, menina? Para de se meter entre eu e minha namorada — ela falou alto pra Melanie.
— Poxa, para de ser tão grossa.
— Vamos embora, Manuela — ela ordenou num tom desafiador.
Olhei pra Melanie e ela já não olhava mais nos meus olhos, inacreditável que fosse acontecer a mesma coisa de antes de novo.
— Já vou.
— NÃO, você vem agora comigo.
— Melhor eu entrar logo — Melanie se desculpou.
— Não, espera por favor… não vai embora.
Peguei Lina pelo braço e a Leva até sua casa – me faz o favor e vai largando esse maldito vício de fazer esse tipo de escândalo, ok?
– Agora a culpada sou eu? – começou a reclamar – É que você tem que ficar fazendo o quê com essa aparecida?
– Ora, uma aparecida que foi muito importante pra mim e que mal vejo depois de 5 anos, Lina…
– Não me importa
– Pra mim importa… e vou ficar mais um tempo com ela, quer você goste ou não
– Manuela, se você ficar com ela, aqui acaba tudo
Olhei pra ela por um momento sério, não ia deixar que ela me fizesse perder de novo nem que fosse uma conversa com a Melanie
– Tchau – Saí da casa dela batendo a porta com força.
De novo ia vê-la, estava tremendo, com frio… se entrássemos na casa dela seria meio desconfortável e se ficássemos lá fora íamos congelar com o ventão impressionante que estava fazendo.
Quando ia convidá-la pra minha casa, talvez pra gente conversar sobre tudo que passou, ela se adiantou e me cortou a vontade
– Então você tá saindo com ela… – começou a falar – Como é que vocês estão?
– Mel… eu… quero falar sobre o que aconteceu
– Já não vale a pena, Manuela, pra quê?...
– Já que você tá com ela e eu…
– Você o quê?
– Nada
– Tem alguém na sua vida?
– Não é alguém tão importante quanto parece ser a Lina pra você
Merda!!! Tinha cagado de novo… que vacilo… por que a gente não conseguia ter um momento em paz?
– Me perdoa…
– Já tenho que entrar – Ela chegou perto de mim, me deu um beijo na bochecha e entrou – Tchau.
Melanie:
Lina chegou e ele falou com ela como se fosse a esposa dele… doeu tanto ver que a Manuela foi embora com ela e me deixou… embora ela tenha dito pra eu não entrar, preferiu ela… agh e o que você queria, Melanie, que ela te preferisse em vez da namorada dela? Pfff Meu Deus… sou tão ingênua…
Espero ela, tô congelando… tô com frio, tô com felicidade, tô com tristeza… tanta coisa que aconteceu hoje… ela chega em 5 minutos mordendo o lábio (sempre fazia isso quando não sabia o que fazer ou dizer)
Comecei a falar e não deixei a conversa que Há minutos atrás, continuava... ver ela com a Lina me irritou... me despedi dela e entrei, fiquei mais um tempo com minha família e finalmente cheguei no hotel.
(Dia seguinte)
7:45 da manhã
A porra do despertador toca... toca... toca... ontem à noite virei a madrugada, não consegui dormir pensando nela... Por que ainda não consigo esquecê-la?
Levanto sem muita vontade, tomo café... confirmo o encontro com os gringos e vou pra minha primeira reunião com eles... parece que a oferta que estamos propondo tá agradando, porque eles tão animados, ainda não fechamos nada... faltam – ainda – mais 2 reuniões.
Volto pro meu quarto, ligo pro seu Sebastião e atualizo ele sobre as coisas, entro no chuveiro e me refresco com a água caindo em mim...
Aquele beijo que vi entre elas... namoradas... mas... Manuela, por que ela tava prestes a me beijar? Deus...
Meu celular toca, vou pegar, é o Andrés... não quero falar com ele, talvez esse tempo nos ajude a saber se devemos continuar juntos. Eu amo ele, mas... é óbvio que não sinto algo mais forte por ele.
Passo o dia com minha família, minha atitude com minha mãe ainda não cede, mas tento mudar...
(...)
-Oi, Lucí
-Oi, Mel... como cê tá?
-Bem, e você?
-Bastante bem, olha, a gente tá aqui na balada "Mundo Azul", vem que a gente tá te esperando
-Ehm...
-O que foi, não quer vir?
-A Manuela tá?
-Não
Agh... que raiva, será que não faço falta pra ela? Ela nem teve a decência de me ligar... quero morrer
-Melanie, cê tá aí? – ouço a voz da Lúcia na linha
-Sim, me desculpa... vou me arrumar e saio pra aí
-Bem...
Em questão de 20 minutos, saio de novo do hotel, pego um táxi e enquanto o motorista faz o trabalho dele, mergulho nos meus pensamentos... que pensamentos? Melhor dizer que mergulho na Manuela---
O caminho é um pouco longo, não entendo por que eles tiveram que ir pro outro lado da cidade... mas, que importa? Tanto faz, vou ficar com eles, quero aproveitar esse dia, mesmo sem ela.
-Aqui é Senhorita – o motorista me avisa me olhando pelo retrovisor – são 19.800 $
Pago e me preparo pra descer do táxi, é um lugar novo, ou talvez tenham reformado bem.
Que curioso, agora não preciso mais implorar pro porteiro me deixar entrar, agora sou maior de idade, tantas lembranças que perdi e que nunca mais vão voltar.
Entro e procuro os caras com o olhar, vejo o grupo mais barulhento – lá estão eles – Carlos apostando com Nicolás quem bebe a cerveja mais rápido – Lucia, Estefânia, Cláudia e Tomás – gritando, dois torcendo pro Carlos e os outros dois pro Nicolás… vou rindo até onde eles estão, largo minha bolsa e aposto no Nico, não porque me dou melhor com ele – mas – porque ele tá ganhando além – de ser – um expert em bebida.
Abraço todo mundo e me sento num sofá gigante, me acomodo e peço um coquetel pra mim.
– Então fala, mal… conta como cê tá vivendo?
– Bem, bem demais, feliz porque tô indo superbem no meu trampo – falei feliz
– E como vai esse coraçãozinho? – me perguntou Estefânia, ansiosa pra saber minha resposta – hein?
– Meu coração, bem também
– Melanie – Lucia me falou séria – cê tá saindo com alguém?
– Aham – respondi sem olhar nos olhos dela – chama Andrés
– E há quanto tempo?
– Vai fazer 3 anos
– Que legal – murmurou ironicamente
Começamos a dançar, me divertia pra caralho… meu irmãozinho chegou com a namorada e terminei de me acabar de felicidade, queria – com isso – não pensar tanto na Manuela, mas me surpreendi de um jeito inédito vendo o Andrés entrar com meus pais na balada.
– Oi, meu amor – ele chegou perto de mim e me abraçou rapidinho – surpresa!
– Oi – murmurei ainda sem acreditar no que via – o que cê tá fazendo aqui?
– Você não atendeu o celular, liguei pros seus pais e quis vir conhecer toda sua família e seus amigos – disse, olhando pra toda a galera.
Abracei ele porque ele pediu, e pela entrada vi a Manuela entrando, me olhando só com ele.
Fechei meus olhos e balancei a cabeça. minha cabeça implorando que o que estava acontecendo naquele momento fosse só coisa da minha imaginação, mas quando abri os olhos, a Manuela já estava cumprimentando meus pais e se colocou na minha frente – e, para os olhos de todos – do meu namorado.
- Muito prazer – cumprimentou o Andrés, estendendo a mão
- O prazer é meu – respondeu Andrés, sem saber ainda quem ela era – Meu nome é Andrés e sou o namorado da Melanie – disse em voz alta para todos na mesa.
Ela olhou pra mim e sorriu de um jeito que naquela hora eu odiei, não sabia o que aquela expressão significava! – Manuela – respondeu, fazendo o Andrés me olhar rapidamente, pedindo uma explicação que eu não tinha por que dar.
- Bom, bom, aqui te deixo ele, filha – falou meu pai, me dando um beijo na bochecha – Gostei muito dele, espero que não tenha te incomodado a gente ter trazido ele
Assenti, dando a entender que não tinha problema, eles se despediram e meus pais saíram de lá.
Agora, o que eu fazia? A Manuela não tirava os olhos de mim, meus amigos começaram a puxar conversa com o Andrés, e o Andrés, quando podia, me olhava com uma certa desconfiança.
- O que estamos esperando – levantou o Pepe, pegando a Alejandra pela mão – vamos todos dançar!
Saímos todos pra dançar e vi que a Manuela ficou conversando com o Nicolás, eu olhava disfarçadamente enquanto começava a mexer meus quadris, era uma dança bem quente.
- Então ela é a Manuela
- Sim
- Já falou com ela?
- Um pouco
- Te incomoda que ela tenha vindo, meu amor?
- Não, Andrés, é só que eu queria que você tivesse me avisado
- E como, se você não atendia seu celular?
Fiquei calada, não podia falar mais nada, além disso, minha atenção foi roubada quando vi uma das garçonetes do lugar falar no ouvido da Manuela.
Deus... que ela vá embora do lado dela, não me faça sentir isso – olhei pro teto do lugar tentando ignorar a raiva que o atrevimento da Manuela me causava – mas o que eu tô falando? Ela tem namorada, eu tenho – quase namorado – então que seja a Lina, a que Diga alguma coisa pra ela.
- Aconteceu alguma coisa? – Andrés perguntou me olhando nos olhos
- Nada, amor
- Você tá dançando muito bem – ele sussurrou beijando minha orelha e ao mesmo tempo dando uma mordidinha – Tô louco pra ficar logo com você, Melanie
- Ei, você acabou de chegar e já tá pensando nisso?
- Quem mandou você ser tão gostosa?
Agradeci a Deus que a música acabou e fui sentar, mas a Lúcia me pegou pelo braço e me afastou um pouco de todo mundo
- O que foi?
- Fala com a Manuela, Melanie, vocês duas têm muito o que resolver
- NÃO!
- Por quê?
- NÃO – mantive minha resposta firme por só mais cinco segundos – É que olha ela com aquela garçonete – apontei pra onde a Manuela estava, que naquele momento tava se levantando pra ir ao banheiro – com certeza vai se encontrar com ela lá
- Vai
- No banheiro?
- Ué, claro, vai que a gente cuida do seu namorado.
Não me fiz de rogada e fui direto seguindo a Manuela, tava furiosa. Por que ela fazia isso? Será que não percebia que tava me machucando?
Entrei no banheiro e fechei a porta com força, de um jeito que ela virasse e me visse
- Oi
- Oi – cheguei perto dela e segurei seus braços com força – Qual é o seu jogo, hein?
Ela me olhou e ficou séria – Nenhum, por quê?
- Pra que você veio, pra se encontrar com aquela mulher? – pedi quase que uma explicação
- Que mulher?
- Ali, Manuela – me virei bem irritada – Aquela…
- Ah, você tá falando da Luísa?
- Não me importa o nome dela, você não tem namorada, né? Então o que cê tá fazendo com ela?
- E isso te importa o quê, Melanie? – ela virou as costas – Você deveria se importar com quem seu namorado tá, não é?
Pensei um instante… – Sabe que sim, isso é a única coisa que deveria me importar – me virei e saí do banheiro
Manuela:
Eu queria saber se – depois de tanto tempo – ela ainda sentia alguma coisa por mim ou se eu era totalmente indiferente pra ela.
Vi ela sair com o namorado pra pista de dança… o que senti quando entrei nesse lugar e vi ela abraçada com ele doeu, pensei que ela tava sozinha ou pelo menos não era tão Sério, mas desde que o cara chegou aqui, eu queria dizer que sentia algo forte por ela.
• Sei que meu comportamento é igual ao de uma adolescente imatura, sei que não estou agindo bem, que estou sendo – pra piorar – bem infantil…
• Mas o que eu faço se é isso tudo que essa mulher causa em mim?
Vejo ela sair do banheiro e grito o nome dela bem alto, mas ela me ignora.
– Porra!! – consigo dizer pra mim mesma, não penso nem mais um segundo e vou atrás dela… e quando ela tá a 6 passos de chegar na mesa, agarro ela pelo braço com toda minha força e levo ela – sem o consentimento dela – de volta pro banheiro.
Entramos e fecho a porta, ela me olha com raiva… e eu só fico olhando ela também, como sinto falta dela… ela tá tão gostosa assim, me aproximo e ela treme, tá nervosa… ainda deixo ela nervosa.
Batem na porta, não abro… continuo me aproximando, continuo olhando ela…
Agarro ela pelos lados da cintura e encosto ela na parede mais próxima.
– O que cê tá fazendo, Manuela? – ela pergunta com os olhos fechados enquanto beijo o pescoço dela…
Não respondo, só olho pra ela com a esperança de que minhas palavras consigam dizer o que não sou capaz… me aproximo dos lábios dela e, com uma lentidão do caralho, junto os lábios dela com os meus… Deus… que gostoso que é… beijo ela com ternura, abraço ela… suspiro… fecho meus olhos e mexo minha cintura junto com a dela…
Batem na porta de novo, nem me preocupo em desgrudar da boca dela… continuo no meu rumo, tava com medo dela não corresponder, mas com isso que ela tá fazendo, fica claro que ela ainda sente algo por mim – por menor que seja.
Escuto ela gemer quando desço minhas mãos pros peitos dela, acaricio eles, embora essa cena esteja me deixando com muito tesão, não faço como se a gente tivesse transando, pelo contrário, minhas mãos ficam frágeis no contato com o corpo dela, é como se eu tivesse com um bebê indefeso, a Melanie sempre me pareceu isso… alguém que só precisa de quem queira ela, cuide dela e ame ela…
Por que Por que tudo teve que acabar assim?
- Por quê? – eu disse, saindo dos meus pensamentos sem perceber
Ela abriu os olhos, fechou a boquinha e me olhou estranha - Por quê, o quê?
Eu olho pra ela, se tá comigo é porque não quer o namorado dela…
Continuo beijando ela… me ajoelho e vou desabotoando a calça dela, enquanto ao mesmo tempo vou subindo a blusa dela e acaricio sua barriga.
A excitação começa a percorrer meu corpo pra me avisar pela minha área íntima, meio que me toco e percebo o quanto tô molhada.
Ela faz eu subir até a altura dela e volto a beijá-la, contemplo o corpo dela com minhas mãos, a silhueta igualmente magra, os peitos mais firmes e desafiadores, as pernas mais duras… o quadril com mais curvas… Deus…
- Manuuu… – ela diz entre gemidos – o que cê tá esperando?
Eu sorrio ao ver o desespero dela pra que eu a faça minha – que você me peça
- Você não mudou nada, Manuela – ela diz se levantando
- Exato – eu confirmo – me pede
- Não
- Por que não?
- Você foi quem começou, então assume o que começa
- Me pede
- Não
Suspiro, se eu sou teimosa, ela me ganha – me viro – ah, tá bom… então fica na vontade – me aproximo dela pela última vez e dou um beijo rápido
- Ok – ela arruma a roupa na hora – eu tenho quem termine, sem precisar pedir
Essas palavras… o que eu senti com essas palavras? Uff… de tudo, raiva, tristeza, meu ego ferido, orgulho…
- Ah, é? – me viro e olho pra ela desafiadora
- É – ela responde secamente e me pede licença pra ir embora
Não dou, e volto a encurralar ela contra aquela parede
- Tem certeza que ele sabe terminar como eu terminei um dia?
Ela me olha, não responde… fica calada, baixa o olhar; com minhas mãos levanto o rosto dela e com sutileza pergunto de novo – tem certeza?
O silêncio dela me diz tudo, o que eu tô esperando?
Volto a desabotoar a calça jeans dela e enfio a mão por dentro da calcinha dela…
- Melanie – eu digo entre suspiros – cê tá muito molhada…
- Mmm…
Abro minhas olhos e a observo novamente começando a se agitar, a respiração dela ficando entrecortada, as palavras dela se transformando em pequenos gemidos e as mãos apertando forte minha cabeça.
Ela se mexe. Eu me mexo… e com meus movimentos também mexo minha mão dentro dela, em circulozinhos pequenos, fazendo ela esquentar mais… consigo sentir como ela me aperta entre as pernas… como as paredes da buceta dela ganham vida própria… mexo um pouquinho, só mais um pouquinho e ela explode talvez no melhor orgasmo que já vi na vida… foi tão forte que tive que segurar ela pra não cair no chão…
Olho pra ela, ela fica calada, arruma a roupa dela… suspiro – que que tá rolando aqui? –
Quero falar tanta coisa pra ela, mas tudo volta ao começo… pro meu medo e meu orgulho vencerem… me vejo no espelho, tento recuperar o fôlego – como se fosse eu que tivesse gozado ¬¬ –
Olho pra ela pela última vez e quando vou sair a voz dela me para
– cê vai pra onde?
– lá fora – respondo indiferente
– e vai ficar assim? Ela pergunta se aproximando
– assim como? Tô bem – minto
– certeza?
– sim
Ela me beija tão de repente que no começo não consigo corresponder… ela quer me dizer algo mas eu não deixo, dou outro beijo nela e deixo ela fazer o que quiser comigo…
Rapidamente ela vai descendo até meu jeans, abaixa um pouco e sem quase perceber começa a me beijar na minha buceta…
Não quero que as coisas sejam assim com ela, na pressa… mas não consigo segurar ela mais, ela tá fazendo muito muito bem… ahh pelo amor de Deus… que delíciaaaa…
Melanie:
Quando menos esperava e sem quase perceber, tava me deixando fazer o que ela quisesse de mim, no começo a gente parou e eu quase fui embora mas só bastou eu falar que tinha o Andrés; pro ego dela se machucar feio e ela reagir do jeito que eu queria… ela me pegou com força e me colocou de novo contra a parede e entre beijos e carícias, foi enfiando a mão dentro da minha calcinha, de novo com ela eu sentia vergonha Me senti assim, mas já não conseguia parar, era tarde demais... deixei que me tocasse, seus dedos acariciavam meu clitóris enquanto seus lábios beijavam meu pescoço
!!!COMO EU PRECISAVA DESSA MULHER!!!
Sentia tanta falta dela, sentir a voz dela perto dos meus ouvidos... o corpo dela junto ao meu, o olhar dela penetrando o meu com aquela intensidade que só ela conseguia ter comigo...
Não sei quantos minutos se passaram quando senti um vazio percorrer meu corpo...
Deus... o melhor orgasmo que já tive na minha vida
Demorei quase 4 minutos para me recuperar dele... não sei se foi pela emoção de ser ela quem me tocava, não sei se foi por sentir tanta falta dela ou simplesmente porque ela fez do melhor jeito possível.
Agora sabia que era minha vez... ela, tinha intenção de ir embora, mas eu não queria deixá-la ir assim; queria beijá-la, sentir a pele dela... ver no que mudou... saber se os pontos fracos dela eram os mesmos de antes, comecei a beijá-la, mas rapidamente desci até a virilha dela, fazendo-a suspirar numa velocidade sem igual...
As reações dela me garantiam que eu estava no caminho certo, com a pontinha da minha língua rocei o clitóris dela, ela estremeceu e com as mãos apertou minha cabeça mais contra ela...
Comecei a estimulá-la com meus lábios quando, sem aviso, no mesmo instante em que senti ela chegar ao clímax, eu também gozei, me excitava tanto vê-la assim, ver como ela ficava molhada por mim; que eu também fui me tocando até que ambas chegamos lá ao mesmo tempo.
Me levantei e olhei para ela sem saber bem o que fazer ou dizer... tinha tantas coisas para esclarecer, tantos sentimentos confusos desde que a vi, mas não conseguia.
Toc, toc
Nos olhamos assustadas porque era a voz da Lina chamando a Manuela com força, ela se arrumou igual a mim, sem pressa, nem se preocupou que a Lina estivesse tão desesperada para saber dela...
Dei de ombros, é tão triste saber que agora ela tem outra pessoa...
- se quiser, eu me escondo para você sair e não dar problema – falei indiferente ao olhar dela
- não - Por quê?
Ela não me respondeu e se aproximou de novo de mim – precisamos conversar – falou me abraçando
- Sentiu minha falta?
- Muita
- Muita?
Ela sorriu e me beijou com uma ternura que me levava ao céu e me trazia de volta
- Do que você tem medo agora?
- Do que você tá falando, Manuela?
Ela se afastou de mim e foi se olhar no espelho do banheiro – antes – respirou me encarando pelo reflexo – você tinha medo da opinião dos seus amigos, das pessoas, da sua família, da sua mãe… agora, do que você tem medo?
As palavras dela me machucaram, eu sabia que ela tinha toda a razão e que talvez, enquanto estive com ela, nunca quis aceitar o que eu era…
Fiquei em silêncio, sem saber o que responder
- Melanie?
- Não sei, Manuela – falei hesitante
- Por que você não sabe?
- Você… quer dizer, eu tinha certeza… e te vejo, e meu mundo e minha vida viram de cabeça pra baixo de novo
- Quer dizer que minha presença te faz mal?
- Não é isso – tentei fazer ela entender o que queria dizer – é só que você aparece na minha vida e muda tudo ao meu redor
- Isso quer dizer que você sente algo por mim – disse segura
- …
- Você não sabe a falta que me fez… – exclamou com um olhar extremamente triste
- Você não sabe tudo que passei longe de você – consegui dizer enquanto minhas lágrimas caíam
- Não chora
- Eu te quero, Manuela
- Shhh – beijou meus lábios com um simples roçar casual que me fez tremer – eu te quero também
TOC, TOC, TOC, TOC, TOC, TOC
- MANUELA!!! – gritou Lina do outro lado da porta
- Melanie – ela me olhou e falou engolindo seco, como se estivesse com medo – você quer ficar comigo?
- E a Lina, e o Andrés? E a gente? E…
- Quer ou não? – me beijou de novo – por que você tem medo do amor?
- Por que você diz que eu tenho medo do amor?
- Por que você sempre ficou na mesma posição… comigo
- Manu… eu tenho medo
- De quê?
- De que eu não seja o que você espera e a gente termine, e tudo que eu fiz por nós vá pro caralho
- Melanie! Se você não fosse o que eu Espero não estar te dizendo isso.
Abracei ela e assim nos beijamos de novo, mas o porteiro do lugar abriu a porta com as chaves, deixando que Lina, Andrés, meu irmão e meus amigos nos vissem...
Não soubemos reagir naquele momento. A última coisa que lembro de ter visto foi a cara de ódio e rancor da Lina para mim, como ela se aproximou com uma garrafa e, dizendo "maldita vadia", me feriu...
¿…………………………………………………………………………………………?
Abro meus olhos e... caralho... o que tô fazendo num hospital?... Minha cabeça dói, tento me levantar e não consigo... perco o controle e, quando menos espero, entra o Pepe com os olhos vermelhos.
— Como você se sente, linda? — ele fala com uma voz preocupada — Melanie, como você tá?
— B... e... m — murmuro sem jeito — O que... a... conteceu?
— Não fala, espera que já chamo o médico.
Vejo ele sair por aquela porta e... tô com frio...
Eles entram na hora.
— Moça — o médico se aproxima de mim, sorrindo — você tá muito melhor, hein?
— O que aconteceu comigo?
— A informação que tenho é que você chegou aqui com a cabeça meio cortada, perdeu muito sangue e ficou aqui por vários dias.
— Claro... não era um sonho, Pepe... A Lina me bateu.
— Sim, mas se acalma, não pensa nisso.
— Manuela — me levanto com lágrimas nos olhos — cadê ela?
— Olha ela aqui — ele aponta pra aquela mulher... aquela única pessoa que faz minha vida melhor, ela tá na posição fetal com uma cobertinha — deitou pra descansar.
— Ela tá bem? — pergunto com um pouco de calma ao vê-la.
— Sim — ele fala firme — ela não quis ir pra casa descansar.
— Acorda ela — peço quase implorando.
— Não — o médico se mete — você vai descansar e mais tarde recebe visitas.
Manuela:
Tudo tava indo tão bem, ela sabia que ela me queria; sim... senão não teria chorado... beijo ela quando, sem quase perceber o que acontece, vejo ela caída no chão. Todos os meus amigos segurando a Lina pelas mãos pra ela não continuar batendo, a Lucia e a Estefânia choram ao ver a Melanie caída no chão, o porteiro liga pra sei lá quem. Que venham agora mesmo e eu fico acordada sem saber mais o que fazer.
Quando volto à realidade depois de ter ficado em choque, falo com o Pepe e vou com ele e a namorada direto pro hospital. Tô com medo… Sobre minhas pernas está a Melanie deitada, perdendo o máximo de sangue possível.
— Porra, Pepe. ANDA LOGO!! — me desespero.
Chegamos no hospital e imediatamente recebem ela. Poucos minutos depois chegam meus amigos e os pais dela. Seu Manuel também tá numa maca; o impacto de ver a filha sem reagir fez a pressão dele disparar e ele desmaiou. Não quero ser cruel, mas agora não é ele quem me preocupa…
Passam 2 — 3 — 3 horas e 30 minutos e finalmente sai o médico que atendeu ela.
— Familiares da jovem?
— Somos nós, doutor — fala o Pepe, tentando parecer calmo. — Como tá minha irmã?
— O golpe foi bem forte — explicou. — Como foi recebido quase na têmpora, é um ponto muito sensível.
— Como ela tá? — pergunto… com medo da resposta.
— Está estável, mas não reage.
— E então?
— Vamos esperar…
Passam 5 dias até que, finalmente, o médico me acorda e eu vejo ela me olhando… Não falo nada. Só fico olhando pra ela e tentando entender com os olhos o que ela quer dizer com os lábios, mas antes que possa falar, ela dorme de novo.
Já tá melhor!!---
A Lina, eu — ou melhor, nós — processamos. Deram 5 anos de cadeia pra ela, mas com a fiança (como tudo nesse país, onde o que importa é quem tem grana) reduziram pra 10 meses…
Andrés…
Me pareceu um cara legal. Falei com ele dois dias antes de ele voltar pra residência dele e pedi desculpas, mas deixei claro que entre eu e a Melanie as coisas não tinham acabado. Ele aceitou e foi compreensivo.
Falo com a Mariana e aviso que vou pra minha casa tomar um banho pra quando voltar, a Melanie me ver melhor.
Chego em casa e o cansaço vence minha vontade. Deito na cama e, sem perceber, apago.
Não sei. Quanto tempo passa, mas quando acordo, ouço o som da porta tocando insistentemente.
Abro a porta apressada, vendo que já é noite. Tenho 36 chamadas perdidas dos caras, do Pepe e dos pais da Melanie… e uma mensagem curta da Lucia: "Manu… a Melanie acordou, quer te ver, falar contigo… hoje mesmo ela recebe alta. Quando ler isso, vai pra casa dela. Te amo, Luci."
— Merda, merda, merda! COMO É QUE EU DORMI?! — me repreendo.
Quando finalmente abro a porta, vejo ela apoiada no Pepe e na Lucia, um de cada lado.
Sorrio de felicidade, mas ao mesmo tempo fico meio preocupado com o estado dela.
— Vem, entra — falo, ajudando a acomodar ela no sofá.
— Tô bem — ela diz, fingindo que consegue ficar de pé.
— Cadê você, Manuela? — pergunta a Lucia.
— Desculpa, eu dormi e não soube mais de mim.
— Já imaginava — argumenta o Pepe. — Essa mocinha — ele se aproxima da Melanie pra dar um beijo nela — não queria dar ouvidos pra gente… e como ela é a rainha da teimosia, conseguiu nos vencer.
Sorri ao ver a carinha dela, parecia um bebê…
— Como você tá se sentindo? — me acomodo ao lado dela, envolvendo ela com meus braços.
— Muito melhor — ela estica a boquinha e a gente troca um beijinho.
(…)
A noite inteira ela ficou comigo. Vimos filmes, fiquei de olho nos remédios dela e a gente acabou dormindo junto.
Melanie:
Já fazem duas semanas que saí do hospital. Agora posso responder pra Manuela.
— Não tenho mais medo de nada, ou talvez só de uma coisa: ficar sem ela.
Eu amo ela… Conversei com o Andrés e pedi desculpas pra ele. Sei que não era justo, mas não ia deixar a gente voltar pro mesmo de antes.
— Oi, amor — cumprimento a Manuela entrando no apartamento dela.
— Oi, bebê… o que você tá fazendo aqui?
— Não gostou da minha surpresa?
— Claro que sim — ela termina de comer uma batatinha e me dá um beijo — é que eu pensei que a gente ia se encontrar no cinema.
— Manu…
— O que foi?
— É que eu preciso te falar uma coisa.
— O quê?
— Seu Sebastião me ligou e disse pra eu ir embora já de novo…
O rosto dela se desfigurou, a gente tinha falado sobre isso, mas não queria dar tanta importância
- amanhã você viaja…^¿?
- era sobre isso que eu queria falar
- não se preocupa… a gente vai continuar em contato e vai se ver – tentei sorrir, mas não adiantou nada
- mas é que eu não vou embora
- como assim?
- eu não tinha te contado porque não queria que desse errado e depois te decepcionar, mas – olhei pra ela com um sorriso enorme – ME ACEITARAM A TRANSFERÊNCIA!!
- sério?
- sim
- jura pra mim
- juro
Abracei ela com toda a força do meu coração, esse seria então o começo da nossa relação… sem medos, amarras, receios… raivas…
Seria o início do nosso love…
Os olhos dela estavam marejados, o olhar era sutilmente triste, ela estava linda… me apertava nos braços, chorava… me abraçava… me sentir nos braços dela de novo era algo – eu tinha certeza – que jamais viveria com mais ninguém.
Não me importei quem nos visse, também não liguei se minha mãe ia gostar ou não, esqueci a angústia e o ciúme que senti quando a vi se beijando com a Lina, esqueci que ela já tinha outra pessoa na vida dela – o importante naquele momento – é que ela estava comigo, e pelo que eu via, estava tão ou quase mais feliz que eu por nos reencontrarmos.
– O…oi, gostosa – a voz dela estava um pouco mais madura, mas ainda tão meiga… delicada, cuidadosa… frágil
– Manu – olhei nos olhos dela e me aninhei na clavícula dela, apoiando a cabeça no pescoço dela.
– Eu… eu… você… – ela olhou pra todo mundo ao redor e depois voltou a me encarar – você… tá linda
Todo mundo sorriu, era mais que óbvio que o que a gente tinha vivido em tão pouco tempo tinha sido mais forte que qualquer relação de anos.
Largamos todos os rótulos e nos abraçamos de novo, depois de vários minutos sentamos todos e começamos a conversar, comigo sendo o centro das atenções.
Manuela, depois de me cumprimentar, foi falar com meu pai, eles saíram e ela não chegou mais perto de mim, mas o olhar dela de longe me derretia, aquela risadinha de cumplicidade… os lábios dela, ela estava divina… como é que eu aguentei tanto tempo sem ela?
– Acho que já tá ficando tarde – falou Carlos olhando pro relógio – princesa, amanhã a gente combina tudo pra sair pra algum lugar e se ver, que tal?
– Claro que sim – concordei rápido – então a gente se vê amanhã
Um por um passou por mim e a gente se despediu, há muito tempo não me sentia tão feliz
– Manu, vamos – disse Lúcia pegando a bolsa dela – amanhã você tem que acordar cedo
Manuela me olhou com olhinhos de quem não queria ir – não, Lúcia – exclamou meu pai – a Manuela fica aqui, o Pepe leva ela mais tarde.
* * *
Manuela:
Fiquei na casa dela por mais duas horas, Ainda não conseguia acreditar em tudo aquilo, vê-la, tocá-la, abraçá-la… sentir ela tão perto de mim.
— Então agora você é toda uma arquiteta, hein? — ela perguntou, saindo da casa dela e sentando nos degrauzinhos, e naquele momento Lina sumiu pra mim (Outro erro grave).
— Uhum… toda uma arquiteta e profissional — falei de brincadeira — e você, no que tá?
— Publicidade… mais ou menos isso — ela ergueu o olhar pro céu, olhando as estrelas — digamos que me mandaram pra cá pra capital porque sou — tipo demais — muito boa vendedora.
— E vende o quê?
— Bom, a empresa é bem conhecida, mas agora vim fechar um negócio com uns gringos de 500 carros.
— Uhh — que massa — então você deve ser muito boa mesmo.
— Acho que sim.
Olhei pra ela e segurei as mãos dela — Você tá muito linda, Melanie — murmurei olhando bem nos olhos dela — você tá gostosa…
Ela se aproximou de mim de um jeito tão rápido mas ao mesmo tempo tão lento que me confundia, porque eu não sabia se ela queria a mesma coisa que eu desde que a vi…
Eu tava prestes a beijar ela, primeiro levei minhas mãos no rosto dela e acariciei com carinho, depois falei baixinho bem perto da orelhinha dela — Senti sua falta — falei, fechando os olhos e me deixando levar… fui aproximando meus lábios dos dela quando ouvi a voz da Lina gritando meu nome.
— MANUELA!
Levantei na hora, que azar do caralho… merda, merda, merda… não podia aparecer quando o beijo tivesse acabado? Ou pelo menos enquanto eu tava beijando ela? Ah…
— Lina…
— Oi… — Melanie cumprimentou a Lina com um tom bem odioso da parte dela — como cê tá?
— Sabe o quê, menina? Para de se meter entre eu e minha namorada — ela falou alto pra Melanie.
— Poxa, para de ser tão grossa.
— Vamos embora, Manuela — ela ordenou num tom desafiador.
Olhei pra Melanie e ela já não olhava mais nos meus olhos, inacreditável que fosse acontecer a mesma coisa de antes de novo.
— Já vou.
— NÃO, você vem agora comigo.
— Melhor eu entrar logo — Melanie se desculpou.
— Não, espera por favor… não vai embora.
Peguei Lina pelo braço e a Leva até sua casa – me faz o favor e vai largando esse maldito vício de fazer esse tipo de escândalo, ok?
– Agora a culpada sou eu? – começou a reclamar – É que você tem que ficar fazendo o quê com essa aparecida?
– Ora, uma aparecida que foi muito importante pra mim e que mal vejo depois de 5 anos, Lina…
– Não me importa
– Pra mim importa… e vou ficar mais um tempo com ela, quer você goste ou não
– Manuela, se você ficar com ela, aqui acaba tudo
Olhei pra ela por um momento sério, não ia deixar que ela me fizesse perder de novo nem que fosse uma conversa com a Melanie
– Tchau – Saí da casa dela batendo a porta com força.
De novo ia vê-la, estava tremendo, com frio… se entrássemos na casa dela seria meio desconfortável e se ficássemos lá fora íamos congelar com o ventão impressionante que estava fazendo.
Quando ia convidá-la pra minha casa, talvez pra gente conversar sobre tudo que passou, ela se adiantou e me cortou a vontade
– Então você tá saindo com ela… – começou a falar – Como é que vocês estão?
– Mel… eu… quero falar sobre o que aconteceu
– Já não vale a pena, Manuela, pra quê?...
– Já que você tá com ela e eu…
– Você o quê?
– Nada
– Tem alguém na sua vida?
– Não é alguém tão importante quanto parece ser a Lina pra você
Merda!!! Tinha cagado de novo… que vacilo… por que a gente não conseguia ter um momento em paz?
– Me perdoa…
– Já tenho que entrar – Ela chegou perto de mim, me deu um beijo na bochecha e entrou – Tchau.
Melanie:
Lina chegou e ele falou com ela como se fosse a esposa dele… doeu tanto ver que a Manuela foi embora com ela e me deixou… embora ela tenha dito pra eu não entrar, preferiu ela… agh e o que você queria, Melanie, que ela te preferisse em vez da namorada dela? Pfff Meu Deus… sou tão ingênua…
Espero ela, tô congelando… tô com frio, tô com felicidade, tô com tristeza… tanta coisa que aconteceu hoje… ela chega em 5 minutos mordendo o lábio (sempre fazia isso quando não sabia o que fazer ou dizer)
Comecei a falar e não deixei a conversa que Há minutos atrás, continuava... ver ela com a Lina me irritou... me despedi dela e entrei, fiquei mais um tempo com minha família e finalmente cheguei no hotel.
(Dia seguinte)
7:45 da manhã
A porra do despertador toca... toca... toca... ontem à noite virei a madrugada, não consegui dormir pensando nela... Por que ainda não consigo esquecê-la?
Levanto sem muita vontade, tomo café... confirmo o encontro com os gringos e vou pra minha primeira reunião com eles... parece que a oferta que estamos propondo tá agradando, porque eles tão animados, ainda não fechamos nada... faltam – ainda – mais 2 reuniões.
Volto pro meu quarto, ligo pro seu Sebastião e atualizo ele sobre as coisas, entro no chuveiro e me refresco com a água caindo em mim...
Aquele beijo que vi entre elas... namoradas... mas... Manuela, por que ela tava prestes a me beijar? Deus...
Meu celular toca, vou pegar, é o Andrés... não quero falar com ele, talvez esse tempo nos ajude a saber se devemos continuar juntos. Eu amo ele, mas... é óbvio que não sinto algo mais forte por ele.
Passo o dia com minha família, minha atitude com minha mãe ainda não cede, mas tento mudar...
(...)
-Oi, Lucí
-Oi, Mel... como cê tá?
-Bem, e você?
-Bastante bem, olha, a gente tá aqui na balada "Mundo Azul", vem que a gente tá te esperando
-Ehm...
-O que foi, não quer vir?
-A Manuela tá?
-Não
Agh... que raiva, será que não faço falta pra ela? Ela nem teve a decência de me ligar... quero morrer
-Melanie, cê tá aí? – ouço a voz da Lúcia na linha
-Sim, me desculpa... vou me arrumar e saio pra aí
-Bem...
Em questão de 20 minutos, saio de novo do hotel, pego um táxi e enquanto o motorista faz o trabalho dele, mergulho nos meus pensamentos... que pensamentos? Melhor dizer que mergulho na Manuela---
O caminho é um pouco longo, não entendo por que eles tiveram que ir pro outro lado da cidade... mas, que importa? Tanto faz, vou ficar com eles, quero aproveitar esse dia, mesmo sem ela.
-Aqui é Senhorita – o motorista me avisa me olhando pelo retrovisor – são 19.800 $
Pago e me preparo pra descer do táxi, é um lugar novo, ou talvez tenham reformado bem.
Que curioso, agora não preciso mais implorar pro porteiro me deixar entrar, agora sou maior de idade, tantas lembranças que perdi e que nunca mais vão voltar.
Entro e procuro os caras com o olhar, vejo o grupo mais barulhento – lá estão eles – Carlos apostando com Nicolás quem bebe a cerveja mais rápido – Lucia, Estefânia, Cláudia e Tomás – gritando, dois torcendo pro Carlos e os outros dois pro Nicolás… vou rindo até onde eles estão, largo minha bolsa e aposto no Nico, não porque me dou melhor com ele – mas – porque ele tá ganhando além – de ser – um expert em bebida.
Abraço todo mundo e me sento num sofá gigante, me acomodo e peço um coquetel pra mim.
– Então fala, mal… conta como cê tá vivendo?
– Bem, bem demais, feliz porque tô indo superbem no meu trampo – falei feliz
– E como vai esse coraçãozinho? – me perguntou Estefânia, ansiosa pra saber minha resposta – hein?
– Meu coração, bem também
– Melanie – Lucia me falou séria – cê tá saindo com alguém?
– Aham – respondi sem olhar nos olhos dela – chama Andrés
– E há quanto tempo?
– Vai fazer 3 anos
– Que legal – murmurou ironicamente
Começamos a dançar, me divertia pra caralho… meu irmãozinho chegou com a namorada e terminei de me acabar de felicidade, queria – com isso – não pensar tanto na Manuela, mas me surpreendi de um jeito inédito vendo o Andrés entrar com meus pais na balada.
– Oi, meu amor – ele chegou perto de mim e me abraçou rapidinho – surpresa!
– Oi – murmurei ainda sem acreditar no que via – o que cê tá fazendo aqui?
– Você não atendeu o celular, liguei pros seus pais e quis vir conhecer toda sua família e seus amigos – disse, olhando pra toda a galera.
Abracei ele porque ele pediu, e pela entrada vi a Manuela entrando, me olhando só com ele.
Fechei meus olhos e balancei a cabeça. minha cabeça implorando que o que estava acontecendo naquele momento fosse só coisa da minha imaginação, mas quando abri os olhos, a Manuela já estava cumprimentando meus pais e se colocou na minha frente – e, para os olhos de todos – do meu namorado.
- Muito prazer – cumprimentou o Andrés, estendendo a mão
- O prazer é meu – respondeu Andrés, sem saber ainda quem ela era – Meu nome é Andrés e sou o namorado da Melanie – disse em voz alta para todos na mesa.
Ela olhou pra mim e sorriu de um jeito que naquela hora eu odiei, não sabia o que aquela expressão significava! – Manuela – respondeu, fazendo o Andrés me olhar rapidamente, pedindo uma explicação que eu não tinha por que dar.
- Bom, bom, aqui te deixo ele, filha – falou meu pai, me dando um beijo na bochecha – Gostei muito dele, espero que não tenha te incomodado a gente ter trazido ele
Assenti, dando a entender que não tinha problema, eles se despediram e meus pais saíram de lá.
Agora, o que eu fazia? A Manuela não tirava os olhos de mim, meus amigos começaram a puxar conversa com o Andrés, e o Andrés, quando podia, me olhava com uma certa desconfiança.
- O que estamos esperando – levantou o Pepe, pegando a Alejandra pela mão – vamos todos dançar!
Saímos todos pra dançar e vi que a Manuela ficou conversando com o Nicolás, eu olhava disfarçadamente enquanto começava a mexer meus quadris, era uma dança bem quente.
- Então ela é a Manuela
- Sim
- Já falou com ela?
- Um pouco
- Te incomoda que ela tenha vindo, meu amor?
- Não, Andrés, é só que eu queria que você tivesse me avisado
- E como, se você não atendia seu celular?
Fiquei calada, não podia falar mais nada, além disso, minha atenção foi roubada quando vi uma das garçonetes do lugar falar no ouvido da Manuela.
Deus... que ela vá embora do lado dela, não me faça sentir isso – olhei pro teto do lugar tentando ignorar a raiva que o atrevimento da Manuela me causava – mas o que eu tô falando? Ela tem namorada, eu tenho – quase namorado – então que seja a Lina, a que Diga alguma coisa pra ela.
- Aconteceu alguma coisa? – Andrés perguntou me olhando nos olhos
- Nada, amor
- Você tá dançando muito bem – ele sussurrou beijando minha orelha e ao mesmo tempo dando uma mordidinha – Tô louco pra ficar logo com você, Melanie
- Ei, você acabou de chegar e já tá pensando nisso?
- Quem mandou você ser tão gostosa?
Agradeci a Deus que a música acabou e fui sentar, mas a Lúcia me pegou pelo braço e me afastou um pouco de todo mundo
- O que foi?
- Fala com a Manuela, Melanie, vocês duas têm muito o que resolver
- NÃO!
- Por quê?
- NÃO – mantive minha resposta firme por só mais cinco segundos – É que olha ela com aquela garçonete – apontei pra onde a Manuela estava, que naquele momento tava se levantando pra ir ao banheiro – com certeza vai se encontrar com ela lá
- Vai
- No banheiro?
- Ué, claro, vai que a gente cuida do seu namorado.
Não me fiz de rogada e fui direto seguindo a Manuela, tava furiosa. Por que ela fazia isso? Será que não percebia que tava me machucando?
Entrei no banheiro e fechei a porta com força, de um jeito que ela virasse e me visse
- Oi
- Oi – cheguei perto dela e segurei seus braços com força – Qual é o seu jogo, hein?
Ela me olhou e ficou séria – Nenhum, por quê?
- Pra que você veio, pra se encontrar com aquela mulher? – pedi quase que uma explicação
- Que mulher?
- Ali, Manuela – me virei bem irritada – Aquela…
- Ah, você tá falando da Luísa?
- Não me importa o nome dela, você não tem namorada, né? Então o que cê tá fazendo com ela?
- E isso te importa o quê, Melanie? – ela virou as costas – Você deveria se importar com quem seu namorado tá, não é?
Pensei um instante… – Sabe que sim, isso é a única coisa que deveria me importar – me virei e saí do banheiro
Manuela:
Eu queria saber se – depois de tanto tempo – ela ainda sentia alguma coisa por mim ou se eu era totalmente indiferente pra ela.
Vi ela sair com o namorado pra pista de dança… o que senti quando entrei nesse lugar e vi ela abraçada com ele doeu, pensei que ela tava sozinha ou pelo menos não era tão Sério, mas desde que o cara chegou aqui, eu queria dizer que sentia algo forte por ela.
• Sei que meu comportamento é igual ao de uma adolescente imatura, sei que não estou agindo bem, que estou sendo – pra piorar – bem infantil…
• Mas o que eu faço se é isso tudo que essa mulher causa em mim?
Vejo ela sair do banheiro e grito o nome dela bem alto, mas ela me ignora.
– Porra!! – consigo dizer pra mim mesma, não penso nem mais um segundo e vou atrás dela… e quando ela tá a 6 passos de chegar na mesa, agarro ela pelo braço com toda minha força e levo ela – sem o consentimento dela – de volta pro banheiro.
Entramos e fecho a porta, ela me olha com raiva… e eu só fico olhando ela também, como sinto falta dela… ela tá tão gostosa assim, me aproximo e ela treme, tá nervosa… ainda deixo ela nervosa.
Batem na porta, não abro… continuo me aproximando, continuo olhando ela…
Agarro ela pelos lados da cintura e encosto ela na parede mais próxima.
– O que cê tá fazendo, Manuela? – ela pergunta com os olhos fechados enquanto beijo o pescoço dela…
Não respondo, só olho pra ela com a esperança de que minhas palavras consigam dizer o que não sou capaz… me aproximo dos lábios dela e, com uma lentidão do caralho, junto os lábios dela com os meus… Deus… que gostoso que é… beijo ela com ternura, abraço ela… suspiro… fecho meus olhos e mexo minha cintura junto com a dela…
Batem na porta de novo, nem me preocupo em desgrudar da boca dela… continuo no meu rumo, tava com medo dela não corresponder, mas com isso que ela tá fazendo, fica claro que ela ainda sente algo por mim – por menor que seja.
Escuto ela gemer quando desço minhas mãos pros peitos dela, acaricio eles, embora essa cena esteja me deixando com muito tesão, não faço como se a gente tivesse transando, pelo contrário, minhas mãos ficam frágeis no contato com o corpo dela, é como se eu tivesse com um bebê indefeso, a Melanie sempre me pareceu isso… alguém que só precisa de quem queira ela, cuide dela e ame ela…
Por que Por que tudo teve que acabar assim?
- Por quê? – eu disse, saindo dos meus pensamentos sem perceber
Ela abriu os olhos, fechou a boquinha e me olhou estranha - Por quê, o quê?
Eu olho pra ela, se tá comigo é porque não quer o namorado dela…
Continuo beijando ela… me ajoelho e vou desabotoando a calça dela, enquanto ao mesmo tempo vou subindo a blusa dela e acaricio sua barriga.
A excitação começa a percorrer meu corpo pra me avisar pela minha área íntima, meio que me toco e percebo o quanto tô molhada.
Ela faz eu subir até a altura dela e volto a beijá-la, contemplo o corpo dela com minhas mãos, a silhueta igualmente magra, os peitos mais firmes e desafiadores, as pernas mais duras… o quadril com mais curvas… Deus…
- Manuuu… – ela diz entre gemidos – o que cê tá esperando?
Eu sorrio ao ver o desespero dela pra que eu a faça minha – que você me peça
- Você não mudou nada, Manuela – ela diz se levantando
- Exato – eu confirmo – me pede
- Não
- Por que não?
- Você foi quem começou, então assume o que começa
- Me pede
- Não
Suspiro, se eu sou teimosa, ela me ganha – me viro – ah, tá bom… então fica na vontade – me aproximo dela pela última vez e dou um beijo rápido
- Ok – ela arruma a roupa na hora – eu tenho quem termine, sem precisar pedir
Essas palavras… o que eu senti com essas palavras? Uff… de tudo, raiva, tristeza, meu ego ferido, orgulho…
- Ah, é? – me viro e olho pra ela desafiadora
- É – ela responde secamente e me pede licença pra ir embora
Não dou, e volto a encurralar ela contra aquela parede
- Tem certeza que ele sabe terminar como eu terminei um dia?
Ela me olha, não responde… fica calada, baixa o olhar; com minhas mãos levanto o rosto dela e com sutileza pergunto de novo – tem certeza?
O silêncio dela me diz tudo, o que eu tô esperando?
Volto a desabotoar a calça jeans dela e enfio a mão por dentro da calcinha dela…
- Melanie – eu digo entre suspiros – cê tá muito molhada…
- Mmm…
Abro minhas olhos e a observo novamente começando a se agitar, a respiração dela ficando entrecortada, as palavras dela se transformando em pequenos gemidos e as mãos apertando forte minha cabeça.
Ela se mexe. Eu me mexo… e com meus movimentos também mexo minha mão dentro dela, em circulozinhos pequenos, fazendo ela esquentar mais… consigo sentir como ela me aperta entre as pernas… como as paredes da buceta dela ganham vida própria… mexo um pouquinho, só mais um pouquinho e ela explode talvez no melhor orgasmo que já vi na vida… foi tão forte que tive que segurar ela pra não cair no chão…
Olho pra ela, ela fica calada, arruma a roupa dela… suspiro – que que tá rolando aqui? –
Quero falar tanta coisa pra ela, mas tudo volta ao começo… pro meu medo e meu orgulho vencerem… me vejo no espelho, tento recuperar o fôlego – como se fosse eu que tivesse gozado ¬¬ –
Olho pra ela pela última vez e quando vou sair a voz dela me para
– cê vai pra onde?
– lá fora – respondo indiferente
– e vai ficar assim? Ela pergunta se aproximando
– assim como? Tô bem – minto
– certeza?
– sim
Ela me beija tão de repente que no começo não consigo corresponder… ela quer me dizer algo mas eu não deixo, dou outro beijo nela e deixo ela fazer o que quiser comigo…
Rapidamente ela vai descendo até meu jeans, abaixa um pouco e sem quase perceber começa a me beijar na minha buceta…
Não quero que as coisas sejam assim com ela, na pressa… mas não consigo segurar ela mais, ela tá fazendo muito muito bem… ahh pelo amor de Deus… que delíciaaaa…
Melanie:
Quando menos esperava e sem quase perceber, tava me deixando fazer o que ela quisesse de mim, no começo a gente parou e eu quase fui embora mas só bastou eu falar que tinha o Andrés; pro ego dela se machucar feio e ela reagir do jeito que eu queria… ela me pegou com força e me colocou de novo contra a parede e entre beijos e carícias, foi enfiando a mão dentro da minha calcinha, de novo com ela eu sentia vergonha Me senti assim, mas já não conseguia parar, era tarde demais... deixei que me tocasse, seus dedos acariciavam meu clitóris enquanto seus lábios beijavam meu pescoço
!!!COMO EU PRECISAVA DESSA MULHER!!!
Sentia tanta falta dela, sentir a voz dela perto dos meus ouvidos... o corpo dela junto ao meu, o olhar dela penetrando o meu com aquela intensidade que só ela conseguia ter comigo...
Não sei quantos minutos se passaram quando senti um vazio percorrer meu corpo...
Deus... o melhor orgasmo que já tive na minha vida
Demorei quase 4 minutos para me recuperar dele... não sei se foi pela emoção de ser ela quem me tocava, não sei se foi por sentir tanta falta dela ou simplesmente porque ela fez do melhor jeito possível.
Agora sabia que era minha vez... ela, tinha intenção de ir embora, mas eu não queria deixá-la ir assim; queria beijá-la, sentir a pele dela... ver no que mudou... saber se os pontos fracos dela eram os mesmos de antes, comecei a beijá-la, mas rapidamente desci até a virilha dela, fazendo-a suspirar numa velocidade sem igual...
As reações dela me garantiam que eu estava no caminho certo, com a pontinha da minha língua rocei o clitóris dela, ela estremeceu e com as mãos apertou minha cabeça mais contra ela...
Comecei a estimulá-la com meus lábios quando, sem aviso, no mesmo instante em que senti ela chegar ao clímax, eu também gozei, me excitava tanto vê-la assim, ver como ela ficava molhada por mim; que eu também fui me tocando até que ambas chegamos lá ao mesmo tempo.
Me levantei e olhei para ela sem saber bem o que fazer ou dizer... tinha tantas coisas para esclarecer, tantos sentimentos confusos desde que a vi, mas não conseguia.
Toc, toc
Nos olhamos assustadas porque era a voz da Lina chamando a Manuela com força, ela se arrumou igual a mim, sem pressa, nem se preocupou que a Lina estivesse tão desesperada para saber dela...
Dei de ombros, é tão triste saber que agora ela tem outra pessoa...
- se quiser, eu me escondo para você sair e não dar problema – falei indiferente ao olhar dela
- não - Por quê?
Ela não me respondeu e se aproximou de novo de mim – precisamos conversar – falou me abraçando
- Sentiu minha falta?
- Muita
- Muita?
Ela sorriu e me beijou com uma ternura que me levava ao céu e me trazia de volta
- Do que você tem medo agora?
- Do que você tá falando, Manuela?
Ela se afastou de mim e foi se olhar no espelho do banheiro – antes – respirou me encarando pelo reflexo – você tinha medo da opinião dos seus amigos, das pessoas, da sua família, da sua mãe… agora, do que você tem medo?
As palavras dela me machucaram, eu sabia que ela tinha toda a razão e que talvez, enquanto estive com ela, nunca quis aceitar o que eu era…
Fiquei em silêncio, sem saber o que responder
- Melanie?
- Não sei, Manuela – falei hesitante
- Por que você não sabe?
- Você… quer dizer, eu tinha certeza… e te vejo, e meu mundo e minha vida viram de cabeça pra baixo de novo
- Quer dizer que minha presença te faz mal?
- Não é isso – tentei fazer ela entender o que queria dizer – é só que você aparece na minha vida e muda tudo ao meu redor
- Isso quer dizer que você sente algo por mim – disse segura
- …
- Você não sabe a falta que me fez… – exclamou com um olhar extremamente triste
- Você não sabe tudo que passei longe de você – consegui dizer enquanto minhas lágrimas caíam
- Não chora
- Eu te quero, Manuela
- Shhh – beijou meus lábios com um simples roçar casual que me fez tremer – eu te quero também
TOC, TOC, TOC, TOC, TOC, TOC
- MANUELA!!! – gritou Lina do outro lado da porta
- Melanie – ela me olhou e falou engolindo seco, como se estivesse com medo – você quer ficar comigo?
- E a Lina, e o Andrés? E a gente? E…
- Quer ou não? – me beijou de novo – por que você tem medo do amor?
- Por que você diz que eu tenho medo do amor?
- Por que você sempre ficou na mesma posição… comigo
- Manu… eu tenho medo
- De quê?
- De que eu não seja o que você espera e a gente termine, e tudo que eu fiz por nós vá pro caralho
- Melanie! Se você não fosse o que eu Espero não estar te dizendo isso.
Abracei ela e assim nos beijamos de novo, mas o porteiro do lugar abriu a porta com as chaves, deixando que Lina, Andrés, meu irmão e meus amigos nos vissem...
Não soubemos reagir naquele momento. A última coisa que lembro de ter visto foi a cara de ódio e rancor da Lina para mim, como ela se aproximou com uma garrafa e, dizendo "maldita vadia", me feriu...
¿…………………………………………………………………………………………?
Abro meus olhos e... caralho... o que tô fazendo num hospital?... Minha cabeça dói, tento me levantar e não consigo... perco o controle e, quando menos espero, entra o Pepe com os olhos vermelhos.
— Como você se sente, linda? — ele fala com uma voz preocupada — Melanie, como você tá?
— B... e... m — murmuro sem jeito — O que... a... conteceu?
— Não fala, espera que já chamo o médico.
Vejo ele sair por aquela porta e... tô com frio...
Eles entram na hora.
— Moça — o médico se aproxima de mim, sorrindo — você tá muito melhor, hein?
— O que aconteceu comigo?
— A informação que tenho é que você chegou aqui com a cabeça meio cortada, perdeu muito sangue e ficou aqui por vários dias.
— Claro... não era um sonho, Pepe... A Lina me bateu.
— Sim, mas se acalma, não pensa nisso.
— Manuela — me levanto com lágrimas nos olhos — cadê ela?
— Olha ela aqui — ele aponta pra aquela mulher... aquela única pessoa que faz minha vida melhor, ela tá na posição fetal com uma cobertinha — deitou pra descansar.
— Ela tá bem? — pergunto com um pouco de calma ao vê-la.
— Sim — ele fala firme — ela não quis ir pra casa descansar.
— Acorda ela — peço quase implorando.
— Não — o médico se mete — você vai descansar e mais tarde recebe visitas.
Manuela:
Tudo tava indo tão bem, ela sabia que ela me queria; sim... senão não teria chorado... beijo ela quando, sem quase perceber o que acontece, vejo ela caída no chão. Todos os meus amigos segurando a Lina pelas mãos pra ela não continuar batendo, a Lucia e a Estefânia choram ao ver a Melanie caída no chão, o porteiro liga pra sei lá quem. Que venham agora mesmo e eu fico acordada sem saber mais o que fazer.
Quando volto à realidade depois de ter ficado em choque, falo com o Pepe e vou com ele e a namorada direto pro hospital. Tô com medo… Sobre minhas pernas está a Melanie deitada, perdendo o máximo de sangue possível.
— Porra, Pepe. ANDA LOGO!! — me desespero.
Chegamos no hospital e imediatamente recebem ela. Poucos minutos depois chegam meus amigos e os pais dela. Seu Manuel também tá numa maca; o impacto de ver a filha sem reagir fez a pressão dele disparar e ele desmaiou. Não quero ser cruel, mas agora não é ele quem me preocupa…
Passam 2 — 3 — 3 horas e 30 minutos e finalmente sai o médico que atendeu ela.
— Familiares da jovem?
— Somos nós, doutor — fala o Pepe, tentando parecer calmo. — Como tá minha irmã?
— O golpe foi bem forte — explicou. — Como foi recebido quase na têmpora, é um ponto muito sensível.
— Como ela tá? — pergunto… com medo da resposta.
— Está estável, mas não reage.
— E então?
— Vamos esperar…
Passam 5 dias até que, finalmente, o médico me acorda e eu vejo ela me olhando… Não falo nada. Só fico olhando pra ela e tentando entender com os olhos o que ela quer dizer com os lábios, mas antes que possa falar, ela dorme de novo.
Já tá melhor!!---
A Lina, eu — ou melhor, nós — processamos. Deram 5 anos de cadeia pra ela, mas com a fiança (como tudo nesse país, onde o que importa é quem tem grana) reduziram pra 10 meses…
Andrés…
Me pareceu um cara legal. Falei com ele dois dias antes de ele voltar pra residência dele e pedi desculpas, mas deixei claro que entre eu e a Melanie as coisas não tinham acabado. Ele aceitou e foi compreensivo.
Falo com a Mariana e aviso que vou pra minha casa tomar um banho pra quando voltar, a Melanie me ver melhor.
Chego em casa e o cansaço vence minha vontade. Deito na cama e, sem perceber, apago.
Não sei. Quanto tempo passa, mas quando acordo, ouço o som da porta tocando insistentemente.
Abro a porta apressada, vendo que já é noite. Tenho 36 chamadas perdidas dos caras, do Pepe e dos pais da Melanie… e uma mensagem curta da Lucia: "Manu… a Melanie acordou, quer te ver, falar contigo… hoje mesmo ela recebe alta. Quando ler isso, vai pra casa dela. Te amo, Luci."
— Merda, merda, merda! COMO É QUE EU DORMI?! — me repreendo.
Quando finalmente abro a porta, vejo ela apoiada no Pepe e na Lucia, um de cada lado.
Sorrio de felicidade, mas ao mesmo tempo fico meio preocupado com o estado dela.
— Vem, entra — falo, ajudando a acomodar ela no sofá.
— Tô bem — ela diz, fingindo que consegue ficar de pé.
— Cadê você, Manuela? — pergunta a Lucia.
— Desculpa, eu dormi e não soube mais de mim.
— Já imaginava — argumenta o Pepe. — Essa mocinha — ele se aproxima da Melanie pra dar um beijo nela — não queria dar ouvidos pra gente… e como ela é a rainha da teimosia, conseguiu nos vencer.
Sorri ao ver a carinha dela, parecia um bebê…
— Como você tá se sentindo? — me acomodo ao lado dela, envolvendo ela com meus braços.
— Muito melhor — ela estica a boquinha e a gente troca um beijinho.
(…)
A noite inteira ela ficou comigo. Vimos filmes, fiquei de olho nos remédios dela e a gente acabou dormindo junto.
Melanie:
Já fazem duas semanas que saí do hospital. Agora posso responder pra Manuela.
— Não tenho mais medo de nada, ou talvez só de uma coisa: ficar sem ela.
Eu amo ela… Conversei com o Andrés e pedi desculpas pra ele. Sei que não era justo, mas não ia deixar a gente voltar pro mesmo de antes.
— Oi, amor — cumprimento a Manuela entrando no apartamento dela.
— Oi, bebê… o que você tá fazendo aqui?
— Não gostou da minha surpresa?
— Claro que sim — ela termina de comer uma batatinha e me dá um beijo — é que eu pensei que a gente ia se encontrar no cinema.
— Manu…
— O que foi?
— É que eu preciso te falar uma coisa.
— O quê?
— Seu Sebastião me ligou e disse pra eu ir embora já de novo…
O rosto dela se desfigurou, a gente tinha falado sobre isso, mas não queria dar tanta importância
- amanhã você viaja…^¿?
- era sobre isso que eu queria falar
- não se preocupa… a gente vai continuar em contato e vai se ver – tentei sorrir, mas não adiantou nada
- mas é que eu não vou embora
- como assim?
- eu não tinha te contado porque não queria que desse errado e depois te decepcionar, mas – olhei pra ela com um sorriso enorme – ME ACEITARAM A TRANSFERÊNCIA!!
- sério?
- sim
- jura pra mim
- juro
Abracei ela com toda a força do meu coração, esse seria então o começo da nossa relação… sem medos, amarras, receios… raivas…
Seria o início do nosso love…
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