Bom, por causa das mensagens e dos carinhos virtuais que recebi com meu texto anterior, tô de volta.
Espero que curtam, hoje essa parada é meio Bowie, uma história meio Lynch, embora nunca vá alcançar o nível de doido e genial dos dois, fiz minha jogada.
Abraço e um carinho enorme pra todo mundo.
[/swf] A VINGANÇA
Acordo nu, numa cama suja de Xangai, e uma baita dor de cabeça me ataca.
A realidade suga até a última lembrança da noite anterior, e a cabeça pulsa.
A cada pulsação, uma nova imagem brota dentro de mim como um vômito, incontrolável.
O enigma é confuso, e a única certeza é que estou amarrado nessa cama fedorenta, sem jeito de alcançar minha testa.
Aquela fantasia de que esfregar a têmpora vai fazer essa enxaqueca de ressaca desaparecer.
Vestígios, fantasmas dos labirintos que você me fez percorrer na noite passada tomam forma, cor e sabor em mim: maquiagem de mulher borrada e lingerie feminina, ou o que sobrou dela.
Talvez a roupa tenha esse poder de trazer de volta, aos poucos e com dor, as lembranças da noite que passou.
Gente, muita gente.
Álcool, demais.
Drogas e excessos de todo tipo.
Limites que se desfazem, mistérios que vêm à tona.
Bocas que não deviam se encontrar se perdem e se buscam, na penumbra de uma noite, num lugar onde tudo, até o proibido, é permitido.
Uma enxaqueca me ataca, penetrando fundo e dolorosamente minha mente, me deixa tonto como um soco bem dado, e consigo te ver, dormindo pelada naquele sofá de um corpo que te sustentou enquanto três pessoas te atendiam, na madrugada passada.
Você dorme como uma puta, com um sorriso meio torto, encolhida.
O sol começa a aparecer aos poucos, e eu o odeio, amaldiçoo ele inutilmente, e cada palavra que sai da minha boca é como um chicote no cérebro.
Talvez não tenha sido uma boa ideia se entregar a isso que você chama de "seu amor".
Ou o que você entendeu como amor, essa entrega de swingers, de dar tudo sem esperar nada em troca, a não ser o que os olhos e a carne alheia ofereçam.
A diferença fundamental é que seu prazer nasce em não me deixar participar, só olhar e ser usado, como um objeto, como decoração, ou bem, como um capricho de alguém ou algo.
Um desses caprichos foi me vestir e maquiar, quando já drogado e embriagado num êxtase. confuso, como mulher, como puta patética e me deixar preso numa situação descontrolada.
Aos pés da cama, uma câmera montada num tripé se conecta a uma TV enorme, de plasma, posicionada perfeitamente pra que, dessa posição humilhante (ou talvez o passado, a lembrança, seja o humilhante?), eu possa ser um mero observador do que o aparelho mostrar.
Passo horas tentando reconstruir eventos que não vou conseguir encaixar.
As horas se queimam como doses de crack, com ansiedade, tropeços, empatia e desolação.
Quando finalmente você acorda, seus movimentos felinos de espreguiçar me hipnotizam, e eu te devoro com o olhar, percorro cada cantinho perfeito da sua anatomia pecaminosa.
Sua inexpressão é infinita, mas sei que por baixo dessa máscara cresce a vingança mais sutil e bem planejada que até eu poderia imaginar.
Você se veste, com delicadeza, se aproxima, me beija a testa e sussurra: "curte aí".
O controle remoto nas suas mãos se transforma numa arma letal, rasga minha alma e dispara o início da verdadeira vingança.
Era isso tudo: me mostrar o que tinha acontecido e desaparecer.
Aí entendi que você nunca me perdoaria aquela traição, mesmo tendo dito que aquilo não te afetava nem um pouco. A verdadeira mulher-bicho saiu de dentro de você e devorou a alma do homem burro, otário que um dia eu fui.
A porta se fecha e meu olhar se fixa de novo, não sem dor nos olhos e no fundo do meu crânio, nas imagens que saem do monitor.
Um câmera mané, tropeçando, registra a orgia, as drogas, as bebidas.
O momento em que, extasiado, você me pinta enquanto dois negões me algemam na cama é sublime.
Esses mesmos caras que vão te descoser praticamente fuçando no seu ser como se buscassem sua própria essência foram os que, delicadamente, ajudaram a me destruir com cuidado.
Depois não consegui nem me concentrar. A última imagem que lembro é o vai e vem incessante dos seus peitos enquanto uma mulher equipada com uma prótese enorme Te penetra e um jovem rapaz enlouquece com o boquete que você dá.
Lembro de desmaiar ou algo assim e acordar de novo quando o porteiro do hotel entra no quarto aos berros, não entendo nada do que ele fala.
Enquanto luto pra manter os olhos abertos, não penso em como pagar, em como te matar, em como cheguei aqui, em nada.
Me pergunto se no cabaré exclusivo de onde te recrutei tem alguma outra igual a você, da sua espécie.[/swf]
Espero que curtam, hoje essa parada é meio Bowie, uma história meio Lynch, embora nunca vá alcançar o nível de doido e genial dos dois, fiz minha jogada.
Abraço e um carinho enorme pra todo mundo.
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Acordo nu, numa cama suja de Xangai, e uma baita dor de cabeça me ataca.
A realidade suga até a última lembrança da noite anterior, e a cabeça pulsa.
A cada pulsação, uma nova imagem brota dentro de mim como um vômito, incontrolável.
O enigma é confuso, e a única certeza é que estou amarrado nessa cama fedorenta, sem jeito de alcançar minha testa.
Aquela fantasia de que esfregar a têmpora vai fazer essa enxaqueca de ressaca desaparecer.
Vestígios, fantasmas dos labirintos que você me fez percorrer na noite passada tomam forma, cor e sabor em mim: maquiagem de mulher borrada e lingerie feminina, ou o que sobrou dela.
Talvez a roupa tenha esse poder de trazer de volta, aos poucos e com dor, as lembranças da noite que passou.
Gente, muita gente.
Álcool, demais.
Drogas e excessos de todo tipo.
Limites que se desfazem, mistérios que vêm à tona.
Bocas que não deviam se encontrar se perdem e se buscam, na penumbra de uma noite, num lugar onde tudo, até o proibido, é permitido.
Uma enxaqueca me ataca, penetrando fundo e dolorosamente minha mente, me deixa tonto como um soco bem dado, e consigo te ver, dormindo pelada naquele sofá de um corpo que te sustentou enquanto três pessoas te atendiam, na madrugada passada.
Você dorme como uma puta, com um sorriso meio torto, encolhida.
O sol começa a aparecer aos poucos, e eu o odeio, amaldiçoo ele inutilmente, e cada palavra que sai da minha boca é como um chicote no cérebro.
Talvez não tenha sido uma boa ideia se entregar a isso que você chama de "seu amor".
Ou o que você entendeu como amor, essa entrega de swingers, de dar tudo sem esperar nada em troca, a não ser o que os olhos e a carne alheia ofereçam.
A diferença fundamental é que seu prazer nasce em não me deixar participar, só olhar e ser usado, como um objeto, como decoração, ou bem, como um capricho de alguém ou algo.
Um desses caprichos foi me vestir e maquiar, quando já drogado e embriagado num êxtase. confuso, como mulher, como puta patética e me deixar preso numa situação descontrolada.
Aos pés da cama, uma câmera montada num tripé se conecta a uma TV enorme, de plasma, posicionada perfeitamente pra que, dessa posição humilhante (ou talvez o passado, a lembrança, seja o humilhante?), eu possa ser um mero observador do que o aparelho mostrar.
Passo horas tentando reconstruir eventos que não vou conseguir encaixar.
As horas se queimam como doses de crack, com ansiedade, tropeços, empatia e desolação.
Quando finalmente você acorda, seus movimentos felinos de espreguiçar me hipnotizam, e eu te devoro com o olhar, percorro cada cantinho perfeito da sua anatomia pecaminosa.
Sua inexpressão é infinita, mas sei que por baixo dessa máscara cresce a vingança mais sutil e bem planejada que até eu poderia imaginar.
Você se veste, com delicadeza, se aproxima, me beija a testa e sussurra: "curte aí".
O controle remoto nas suas mãos se transforma numa arma letal, rasga minha alma e dispara o início da verdadeira vingança.
Era isso tudo: me mostrar o que tinha acontecido e desaparecer.
Aí entendi que você nunca me perdoaria aquela traição, mesmo tendo dito que aquilo não te afetava nem um pouco. A verdadeira mulher-bicho saiu de dentro de você e devorou a alma do homem burro, otário que um dia eu fui.
A porta se fecha e meu olhar se fixa de novo, não sem dor nos olhos e no fundo do meu crânio, nas imagens que saem do monitor.
Um câmera mané, tropeçando, registra a orgia, as drogas, as bebidas.
O momento em que, extasiado, você me pinta enquanto dois negões me algemam na cama é sublime.
Esses mesmos caras que vão te descoser praticamente fuçando no seu ser como se buscassem sua própria essência foram os que, delicadamente, ajudaram a me destruir com cuidado.
Depois não consegui nem me concentrar. A última imagem que lembro é o vai e vem incessante dos seus peitos enquanto uma mulher equipada com uma prótese enorme Te penetra e um jovem rapaz enlouquece com o boquete que você dá.
Lembro de desmaiar ou algo assim e acordar de novo quando o porteiro do hotel entra no quarto aos berros, não entendo nada do que ele fala.
Enquanto luto pra manter os olhos abertos, não penso em como pagar, em como te matar, em como cheguei aqui, em nada.
Me pergunto se no cabaré exclusivo de onde te recrutei tem alguma outra igual a você, da sua espécie.[/swf]
19 comentários - Sobrevivente
si si... bizarrin pero motivador!
ha creado una categoría nueva de la cual, estoy a años luz!
felicitaciones! 🆒
Felicitaciones, y por favor avíseme cuando salga su pròxima obra literaria. Son muy amenos e interesantes sus relatos. 😃 😃
fulldiego - la banda de P!
Gracias por avisar y acá te van mis +5
A ver si te pones las pilas y pones algo de lo otro (vos sabes) 😉
OSCURO y PERVERSO !!!!
Excelente!!!
Bruce.
Me halagan, demasiado creo 😬 y les agradezco mucho en serio que se hayan tomado el tiempo y la onda de leerme.
Abrazo enorme y viene el mangazo, si tienen preferencias, gustos o pedidos, estoy a sus ordenes. 🆒
saludos!! 😛
😉
me encanto que publiques al fin lo que a vos te gusta!
Me gusto!
Besitos!!
\"frutillita\" 😛 😛
besitos!!
frutillita.......... 😛 😛 😛
excelente amigo, muy bueno 😉 !!!
Cuando empiezo a leerte, [me ha pasado con los otros], no sè para donde vas a salir o con lo que vas a salir, es realmente motivante a SEGUIR leyendo, pegado al monitor como una mosca al dulce...
Me gustó, voy de tus ùltimos a los primeros [al revés de todo] 😀 😀 , pero no me importa, porque LLEVO TORTA!
.....
.....
.....
En fin, otro relato que tendra sus puntines cuando hagan el recargo correspondiente.
pd: pobre loco...[el que ataron] 😀